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Contos-->Horizonte Encandeado -- 29/07/2003 - 10:24 (Paulo Lima) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos


Horizonte Encandeado


-- Nininha. Acorda! Dizia Eliane, enquanto cutucava a irmã mais velha.
Nininha levantou-se assustada, mas logo lembrou-se do combinado. Tateou o chão com os pés em busca das sandálias.
-- Levanta Nininha. Dizia Eliane, apressada.
Eram 4:30h da madrugada no sertão de Pernambuco.
Apresaram-se, abriram a porta do quarto que dava para o pequeno corredor. Caminhavam com os cobertores velhos sobre os ombros, a noite no sertão era fria, contrastando com a brasa do dia.
Sentiam-se felizes e ansiosas com a aventura que planejavam há dias. Caminharam lentamente em total silencio pe1o curto corredor. Logo estavam na cozinha. Encostaram-se
na grade que dava acesso ao quintal. Já se ouvia o cantar de alguns pássaros que acordavam antes do sol.
Abriram, cautelosas, o portão do quintal. A escuridão ainda predominava , mas o céu já demonstrava uma cor diferente do preto natural. Olharam curiosas. Não viram nenhuma estrela.
Caminharam ate o fundo do imenso quintal, a única coisa grande naquela pequena casa. Adoravam aquele quintal, lhes dava uma sensação de liberdade, justamente por sua imensidão. Mas elas sabiam que o quintal so` era grande, porque elas eram pequenas. Logo tudo seria pequeno para elas naquela casa. Naquele sertão.
A velha escada de madeira estava encostada no murro do lado direito do quintal, como elas haviam deixado na tarde do dia anterior. Nininha subiu primeiro, sentou-se no murro com as pernas para o lado de fora do quintal. Eliane a olhava. Admirava a coragem da irmã, ela sabia que não era muito difícil subir aquela escada e sentar-se no murro, mas Nininha fazia aquilo com uma simplicidade de adulto. Eliane concluía que a irmã, poderia fazer muita coisa, pois não pensava nas conseqüências. Chegou a ter pena da irmã por esse motivo.
Eliane continuava ao pe da escada olhando para a irmã sentada no murro e pensando no seu pai. Temia que ele acordasse e a surra seria certa. Já sentia o ardor do cinto em suas costas.
-- Vem Eliane. Ta começando.
Eliane subiu a escada, parou de pensar nas conseqüências. Sentou-se ao lado da irmã. O céu já se banhava de um cinza claro, embora o sol ainda não tivesse aparecido. De cima do murro se via uma planície quase descampada e avermelhada pela seca. Uma planície imensa, o único lugar de onde era possível enxergar o horizonte.
Permaneceram ali, caladas, uma ao lado da outra, vendo os raios do sol aparecerem lentamente, misturando-se com o horizonte, confundindo-se com este. Avermelhando ainda mais a seca planície.
Elas tentaram ao maximo manter os olhos abertos, a medida em que o sol subia. Não conseguiram. Fecharam os olhos, o sol havia saído por completo, imponente. Elas continuaram ali sentadas e caladas. Nininha tirou o cobertor que lhe pesava nas costas.
Não diziam nada, mas sabiam.
Do alto dos seus 7 e 8 anos elas nunca haviam visto o mar, mas sabiam que aquilo era o mais próximo que chegariam dele.

Paulo J. Teixeira
27.05.02



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