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Contos-->Não Seria Justo -- 05/05/2003 - 12:17 (Ingrid Valiengo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Ao chegar no local marcado, percebo que será um passeio e não uma entrevista. O Museu Nacional de Belas Artes está lotado. Procuro-o por todos os lados e encontro-o no segundo salão. Como não me conhece ainda, observo seu olhar para as gravuras. Parece até um menino com sua primeira bicicleta.
Apresento-me e logo sou carregada pelo braço até o terceiro salão. Ele pergunta se posso guardar segredo e tenho que desligar o gravador para ouvi-lo. Descubro logo que fica fácil observá-lo pelos olhos dos outros. Todos têm sorrisos nos lábios, corações abertos e elogios. Ele elogia minha paciência.
As salas vão como um jato rápido de tinta e fica impossível não perder a concentração. Vou até a janela e percebo que já escurece. A conversa toma outro rumo e lembro que não tenho historia alguma para contar. Estou seca e a entrevista fica para trás. Ele percebe meu nervosismo e pergunta se podemos sentar e conversar como duas pessoas que acabaram de se conhecer, sem roteiro. Respondo que se não sigo o roteiro, perco o emprego. Ele não acredita.
Entramos na ultima sala e nos perdemos. Penso que ele deve ter fugido para ver se eu seria mesmo demitida. Começo a procurá-lo e encontro no meio das crianças. Por alguns minutos ele vira o guia do museu e surge gente por todos os lados. Ele então se despede gentilmente e me acompanha até a saída.
Sentamos no bar e conversamos sobre tudo o que não pode ser gravado. Nada deve ser registrado. Começo a rir dizendo que não deveria confiar tanto em mim e que, às vezes, tenho boa memória e mesmo sem o gravador poderia escrever uma historia. Ele diz que confia em mim desde a hora que entrei no museu procurando-º
Meu tempo acaba. Ao nos despedimos ele diz: “não seria justo você perder o emprego”. Com isso, vejo-o se perder em meio à multidão.
Depois de uma hora, ligo para redação e falo que a entrevista foi um desastre, que aceito a demissão por telefone. Do outro lado da linha ouço: “seu entrevistado passou aqui agora. Disse que transferiu a entrevista. E deixou um bilhete”. Ao chegar no trabalho, leio o recado deixado por ele: “no próximo domingo nos vemos, no mesmo lugar e na mesma hora. Não seria justo te perder de vista”.


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