Usina de Letras
Usina de Letras
27 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 63497 )
Cartas ( 21356)
Contos (13308)
Cordel (10364)
Crônicas (22588)
Discursos (3250)
Ensaios - (10775)
Erótico (13602)
Frases (51996)
Humor (20212)
Infantil (5649)
Infanto Juvenil (5007)
Letras de Música (5465)
Peça de Teatro (1387)
Poesias (141399)
Redação (3380)
Roteiro de Filme ou Novela (1065)
Teses / Monologos (2444)
Textos Jurídicos (1975)
Textos Religiosos/Sermões (6396)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Contos-->COINCIDÊNCIAS -- 21/08/2000 - 21:42 (Marcelina M. Morschel) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A MENINA

Sentou-se no degrau da escada que dava para o quintal. Encolheu as pernas abraçando-as, encostou o queixo delicado nos joelhos e deixou as lágrimas pingarem à vontade. Vez por outra chupava o nariz enquanto seus cabelos encaracolados esvoaçavam. De repente levantou o leve vestido deixando à mostra suas coxas graciosas. Estavam com vergões vermelhos e dolorosos. Havia levado uma surra da mãe.
- Você nunca mais entre no quarto do seu irmão para ver aquelas revistas escandalosas. São revistas do demônio. Ele gosta daquela sujeira toda e leva para o inferno quem as olha. Se a pegar novamente folheando-as, lhe arranco sangue.
A menina, percorreu os olhos nos vergões e pensou:
- Se aquilo era tão bonito e colorido por que era tão sujo? Se o diabo gostava daquilo tudo, ela também gostava; e se o inferno estava cheio de revistas, então queria mais era ir para lá.
- Deu um profundo suspiro, passou a mão nos olhos, levantou-se e disse para si mesma:
- Queria tanto ser órfã.

O MENINO

Encolheu as pernas e pôs o queixo por entre os joelhos; os olhos, duas jabuticabas maduras, começaram a bailar.
Debaixo da escrivaninha, na casa da tia, passava horas pensando, rodopiando a cabeça coberta por cabelos pretos anelados.
Pai e mãe haviam partido deixando-o com um oco fundo. O eco da despedida espalhou-se em forma de ondas intermináveis. Surgiram sulcos jamais preenchidos.
Para pensar, escondia-se debaixo da escrivaninha que tanto lhe atiçava a vontade de escrever, desenhar, brincar de fazer coisas, safadezas. Mas, não podia riscar o tampo, dizia-lhe a tia, era muito brilhante. Infância do poeta que na maturidade escrevera: “Infância, que sorte cega”.
- Menino, venha e chame sua irmãzinha. Era sua imperiosa tia exigindo presença imediata.
Ele foi.
- Peguem esta caixa e a enterrem bem lá no fundo do quintal. Nada de curiosidades.
O menino, longe dos olhos da tia, levantou um pouquinho a tampa da caixa.
Era um feto.
Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui