Toda criança tem sonhos. Acredita ser superhomem, herói de toda matiz, e também bandido. Mais quem não sonha?
Meus sonhos, no entanto, estiveram sempre invertidos. O que mais atormentou minha noites era o da cozinheira estampada na lata de óleo Pajeú.
Bastava adormecer e logo vinha ela, magrinha, escurinha, cabelos encarapinhados e de longas tranças.Bandeja na mão e um sorisso -não sei se maroto, de cortezia ou perversidade - sem esquecer que as longas tranças eram para uma sova.
Gritos, estremecimentos e minha mão ao pé da cama perguntando o que tinha sido.
Foi a nêga do óleo que me bateu. Sempre respondia entre soluços e abraços de minha mãe.
Meu pai com seu largo olhar dizia para que tivesse calma e pensasse nos carneirinhos pulando a cerca da fazenda dos outros...
Um carneirinho, dois carneirinhos, três carneirinhos...