... seus olhos sem brilho, olhava para o teto do quarto – sua realidade – o ambiente que conhecia. Assim construiu sua vida, de pequenos passos, sem arriscar um único voou.
Tuca, era assim conhecido-o na avenida das flores onde morava, tinha de tudo, um bom emprego,casa própria, uma linda esposa, vivia bem em relação aos seus colegas de infância. Em uma manhã (como outras de sua vida) quando lia uma revista, deparou-se com uma frase que dizia: “viva os seus sonhos”. Ficou por minutos parado, tentando entender o que aquela simples frase queria dizer e a palavra – sonhar- povoou sua cabeça por um algum tempo. Pensou na época em que concluía o segundo grau quantos planos havia construído e percebeu que tudo que ele sonhará naquele tempo se perderá, e descobriu que não sonhava mais, todo que tinha até então não significava mais nada. Sentiu-se um saco vazio, pendura em um prego na parede a mercê dos ventos que o jogava para qualquer direção.
Nada mais fazia sentido, desejava sonhar novamente, mais não conseguia, não sabia como fazer, qual seria a formula mágica. Desesperadamente procurou em livros, em jornais, tv, com os amigos, mais nada, todos que estavam em sua volta também sofria do mesmo mal, aliado a inércia que atingia todos ninguém mais sabia com sonhar. Não tinha a quem recorrer, todos a que conhecia vivia na cegueira, comento apenas o que lhe davam, sem desenvolver planos, nem traçar metas, na plena escuridão.
Tuca voltou para casa, não falou com a mulher, entrou no quarto e ficou lá por horas, no escuro, deitado em sua cama, com o olhar fixo para o teto, mais o seu olhar não parava no concreto, transpassava e ia rumo ao infinito. Fechou os olhos vagarosamente e lembrou-se de quando era criança e as horas que passava olhando para o céu, fitando as estrela, desejava ir a lua. De repente do rosto pálido surgiu um tênue sorriso. – até que enfim – e um grande gargalhada invadiu a noite...