Usina de Letras
Usina de Letras
20 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 63497 )
Cartas ( 21356)
Contos (13308)
Cordel (10364)
Crônicas (22588)
Discursos (3250)
Ensaios - (10775)
Erótico (13602)
Frases (51996)
Humor (20212)
Infantil (5649)
Infanto Juvenil (5007)
Letras de Música (5465)
Peça de Teatro (1387)
Poesias (141399)
Redação (3380)
Roteiro de Filme ou Novela (1065)
Teses / Monologos (2444)
Textos Jurídicos (1975)
Textos Religiosos/Sermões (6396)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Contos-->O Guarda -- 14/01/2006 - 18:03 (Rogério Penna) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Quem passava pela entrada da cidade achava estranho aquele guarda, sentado em sua cabine calmamente. Um cego, de chapéu e bengala, olhando para a estrada, como se ele pudesse enxergá-la. Quando ouvia passar quem quer que fosse, ou pedestre, ou veículo, ou montado sobre animais, o guarda delicadamente sorria, voltava-se na direção do som e acenava com o braço. Nunca sabia ao certo se seu aceno tinha sido visto, se visto, aceito, e se aceito, retribuído. Gostava de imaginar que todos também acenavam para ele em resposta, e então isso não o intimidava...
Mas esse inesperado vigia também tinha uma função, digamos assim, mais prática. Sempre que o viajante interessava-se em entrar nesta cidade, por turismo, por visitas, ou para estabelecer-se nela, descansava de sua marcha, descia de seu veículo, desmontava de seu animal, e ia ter com ele para obter a permissão de sua entrada.
Dentro da cabine havia uma pequena mesa, algumas cadeiras e sempre um café renovado. O visitante estrangeiro sentava-se nela, contava a que vinha. O guarda dizia sobre a cidade e tocava o rosto para identificar o visitante. Depois do café, ele poderia passar.
No entanto, nem todos respeitavam essa norma tão gentil. Alguns tinham muita pressa e queriam passar à força. Outros eram muito desconfiados, e então voltavam-se e iam embora. E outros muitos pensavam que era absurdo que um guarda, um vigia, fosse cego, e praguejavam. Não se submetiam ao exame, ao café, ou maldiziam a cidade de onde vinham e àquela a que estavam chegando, antes mesmo de entrar. À esses, o guarda não permitia a passagem.
Um dia houve um homem burocrático, vestido de terno e gravata, que ao encontrar-se com o guarda, ao ver que ele não o via, achou aquilo um ultraje. Forçou a entrada, sacou uma arma, queixou-se ao prefeito. Como este homem, este cego, pode guardar a cidade? Não vê os meus documentos, nem minhas roupas, o meu rosto, minhas medalhas? Como verá que eu, um homem de bem, devo ser logo e bem recebido?
O prefeito achou graça, pensou argumentos, mas nada respondeu. A decisão do guarda é sagrada. E o homem foi embora.
Quando saiu, o guarda cego sentado em sua cabine, acenava sorrindo, desejando melhor sorte na próxima cidade um pouco além.




rp.out.2005
Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui