Usina de Letras
Usina de Letras
51 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 63872 )
Cartas ( 21386)
Contos (13324)
Cordel (10376)
Crônicas (22605)
Discursos (3260)
Ensaios - (10890)
Erótico (13607)
Frases (52402)
Humor (20248)
Infantil (5708)
Infanto Juvenil (5075)
Letras de Música (5465)
Peça de Teatro (1389)
Poesias (141239)
Redação (3392)
Roteiro de Filme ou Novela (1066)
Teses / Monologos (2447)
Textos Jurídicos (1984)
Textos Religiosos/Sermões (6454)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Cartas-->Carta por entre as brumas da desolação... -- 14/05/2003 - 10:58 (António Torre da Guia) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Entre a negrura do tempo que perpassa...
            
CARTA POR ENTRE AS BRUMAS DA DESOLAÇÃO...
 

Escrevo-te na esperançada espectativa de que me leias e absorvas no íntimo das palavras como se fossem frutos que teu paladar entenda e se apraza a saborear entre a confusa amálgama que me deprime os dias e intenta apedrejar covardemente a alma.

Plantado em arenoso deserto pleno de cactos ressequidos e vorazes répteis, derradeiro oásis de mim mesmo, não vislumbro sequer visão idílica que a alucinação produza para me sustentar o alento que sonha alcançar o maná tranquílo e simples dos viços naturais.

Os coiotes macerados pelo agreste tórrido, esfomeados e sequiosos, uivam lástimas e agonias predativas sem remissão, comandados por uma hiena tresloucada em impetuosos cios impossíveis, devoram a carcaça fétida do espaço enquanto escouceiam e se debatem com a cova que vão escavando, onde a sucção do tempo lhes diluirá os ossos.

As palavras secam vergadas em depaupério a desfazer-se em partículas que me inundam os olhos de opróbrios cegos e virulentos.

No horizonte não se divisa uma só verdura para onde valha a pena apontar rumo. A desolação cobre as dunas a encresparem-se tumefactas, rigídas, e delas vem o estertor de um fantasmagórico banquete surreal onde gargalham abomináveis duendes em festim inóspito sem noção humana.

Se me leres, ergue-te de palmeira amena para que eu possa sonhar a sombra que me acene, me cubra de ternura e benfazejo frescor, amainando-me o sentido da revolta e extinguindo a indignação que me enegrece os dias e adensa a insónia que me rouba as noites.

Alegra-me e sacia-me o coração com uma concha cheia de apetitosa água límpida a borbulhar palavras cristalinas. Serás capaz de fazer isso surgindo do tempo como dádiva inesperada?

 
Torre da Guia

Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui