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Artigos-->DEUS NÃO TEM COMO EXISTIR, E ISSO É UM FATO -- 17/11/2009 - 11:09 (Divina de Jesus Scarpim) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Depois de muito pensar nas coisas (tantas tantas!) que eu não sei, assumi meu ateísmo concluindo que não há a mínima possibilidade de existir deus.



Deus, por definição, é um criador todo poderoso e todo bom, nunca vi ou ouvi alguém que acredita nele defini-lo de outra forma que não seja essa, basicamente, embora às vezes com outras palavras. Nunca um crente negaria, na definição do que seja deus essas duas características: ele é, tem que ser, poderoso e bom. Se você perguntar quão poderoso a resposta será “infinitamente”. Se perguntar o quanto ele é bom, a resposta será “infinitamente”.



Deus é, portanto, por definição, infinitamente poderoso e infinitamente bom. Daí se conclui que qualquer coisa, ser ou entidade que não seja infinitamente poderoso e infinitamente bom não será deus.



Deus é também o criador, tanto é que muitos usam a palavra “criador” no lugar da palavra “deus” para se referir a ele. Esse criador, que é deus, criou o universo, criou o mundo, criou tudo que vemos e tocamos, criou a nós mesmos. Não há crente que não afirme com toda a convicção que deus é o criador e que deus criou tudo que há, dão inclusive como prova palpável da existência desse deus criador as coisas da natureza que invariavelmente encantam a percepção humana. As flores e seus perfumes, as aves e suas cores, as frutas e seus sabores seriam provas concretas da existência desse deus e até mesmo, querem alguns, da bondade infinita desse deus que criou tudo.



Pois bem, se esse deus que é por definição infinitamente poderoso e infinitamente bom criou tudo o que existe, então ele teria fatalmente que ter criado também o mal e o tal capeta, diabo, canhoto ou do que mais o chamem, afinal, se criou tudo não há como se furtar de ser criador também do que há de ruim, feio, defeituoso. Venhamos e convenhamos, de acordo com os crentes, ele criou o homem e o homem, como espécie, é um digno representante do que se pode definir como ruim, feio, defeituoso.



Acontece que todos os que acreditam em deus afirmam que quem criou o mal fomos nós, os seres humanos. Sempre que algum atrevido feito eu tem a audácia de colocar um crente diante da questão do mal e do fato duvidoso de o deus que ele afirma ser bom permitir a existência do mal, a resposta é que o mal não é culpa de deus e sim do homem. Já ouvi isso centenas de vezes, não existe outro argumento. Nós somos responsáveis por todos os males do mundo, inclusive, ironicamente, se a gente for acreditar no que os defensores de deus dizem, pelos males que existiam antes da própria criação da raça humana.



É engraçado que eles não se dão conta de que quando colocam a invenção do mal sobre as costas da raça humana, nos acusam de termos inventado todas as doenças, e consequentemente, teríamos inventado os vírus, as bactérias, os parasitas, as falhas hereditárias... Teríamos inventado também todas as catástrofes naturais, fomos os criadores dos vulcões, dos terremotos e maremotos, dos relâmpagos, das secas e das enchentes. Fica engraçado dito assim, mas não é isso que os crentes estão dizendo quando culpam o ser humano pela existência do mal?



Somos os responsáveis pela existência do mal, portanto, seguindo esse raciocínio, deus não seria, na verdade, o criador de tudo. Tá, tudo bem, ele teria criado o ser humano que criou o mal, mas, ainda de acordo com o que dizem os crentes, ele, deus, não é culpado pela existência do mal, então, seguindo a orientação dos crentes e tirando essa responsabilidade das costas dele, deus deixa de ser o criador de tudo o que existe, ou seja, dessa forma, tira-se dele a responsabilidade pela criação do mal, que é parte do todo, e deus deixa de ser o criador de tudo, ele perde assim uma das características que o definem. Sem essa qualidade de criador, que é parte constituinte dele, deus estaria incompleto, e consequentemente não existiria como tal.



Mas não para por aí. Esse criador seria todo poderoso, ou seja, não há nada, NADA MESMO, que o tal não possa. Mas me afirmam todos os crentes que ele só permite que crianças sejam estupradas nos bancos das igrejas, que bebês sejam assassinados, que filhas sejam trancafiadas e abusadas pelo próprio pai por anos seguidos, que pessoas morram de fome, tudo isso e muito mais porque ele não pode interferir na vida da gente já que deu-nos o tal do livre arbítrio (que de livre não tem nada). Então lá se vai a segunda característica. Ele não pode interferir, portanto, não pode tudo. Não pode, então, existir.



Agora a pior de todas. Afirmam que ele é mais do que bom, é todo bondade, não há nem sombra, nem vestígio, nem migalha menor do que microscópica de maldade nele. Aí desmoronam-se duas características de uma vez só. Primeiro, sem nadica de maldade, ele provavelmente não saberia o que é maldade; sendo tão pura, simples e totalmente bom, o próprio entendimento do que seja o mal, estaria obrigatoriamente fora do alcance de sua suprema bondade, daí a onisciência dele, que é outra qualidade que o define, de acordo com os que nele acreditam, já foi pras picas.



Segundo que se ele fosse esse poder todo, poderia ter usado essa bondade toda para criar um mundo um pouco melhorzinho do que esse mundo louco onde existem homens que estupram crianças e padrecos que excomungam os homens que ajudam essa criança e não o FDP que a estuprou. Mas, argumentam os crentes, esses males são nossos. Deus criou a natureza e a natureza é linda, é perfeita, é prova concreta da existência, da grandeza e da bondade de deus.



Acontece que eu sempre me coloco do outro lado. Não consigo achar lindo um passarinho comendo um inseto, penso no ponto de vista do inseto. Não sei ver um golfinho com uma sardinha na boca sem me arrepiar quase sentindo em mim o horror da sardinha... e vai por aí, não consigo ver beleza em um ser vivo matar outro ser vivo; simplesmente não consigo achar isso bonito, e muito menos perfeito. E isso, ter criado esse circo de horrores, mata a definição de deus como um ser todo bondade. E esse deus simplesmente não pode, não tem como existir.



Para criar do nada absoluto tanta maldade como a que existe, um ser criador qualquer só poderia ser mau ou indiferente. Sendo o criador do mal, esse ser não pode ser todo bondade. Se existe mesmo um tal ser onipotente que criou tudo isso, ele tem que ser obrigatoriamente, pelo ponto de vista humano, muito mau e muito sádico. Só assim para criar a cadeia alimentar, essa coisa sanguinária que me causa tanto asco.



Dizem ainda os crentes que não existia NADA, e ele, o deus definido como todo poder e todo bondade, chegou e fez tudo. Repetindo: dizem que ele tem poder ilimitado, ou seja, poderia ter feito QUALQUER outra coisa, não tinha nenhum limite, não tinha sequer os limites impostos pelas leis da física, pelas leis da natureza; afinal, se fez tudo a partir de nada, logicamente fez também as leis da física, as leis da natureza.



Para fazer tudo que dizem que fez, ele teria que imaginar primeiro, pensar, planejar primeiro: o que seria feito, quanto teria de variedade, como suas criações interagiriam. E mais, sendo onisciente, ele teria que saber, antes mesmo de criar a primeira de todas as coisas que tenha criado, quais seriam as conseqüências dessa criação; ele obrigatoriamente saberia, antes de criar o primeiro homem, quantos homens os homens matariam, torturariam, subjugariam, escravizariam; ele, obrigatoriamente, saberia antes de separar o mar da terra quantos vulcões arrasariam quantas cidades, aldeias, vilas, famílias e habitats de animais inocentes; teria que saber, antes de criar o primeiro cervo e o primeiro leão, quantos cervos teriam que passar pelo horror de terem suas entranhas devoradas ainda com seus corações batendo.



Um criador onipotente e onisciente, qualquer que fosse, para criar do nada esse mundo que somos e em que vivemos teria antes que imaginar, planejar, saber tudo sobre tudo aquilo que estaria criando. E, decididamente, para imaginar tanto horror a partir de nada, só não sendo deus, por ser alguém totalmente indiferente ou não sendo deus por ser alguém doentiamente sádico.



Foi-se, então, a possibilidade da existência de deus pela impossibilidade de casar a sua definição com a sua pseudo criação. Então, mesmo que haja um criador do universo, esse criador do universo não poderá ser o deus, a própria definição de deus impede que qualquer possibilidade de criador seja chamado pelo nome deus. Daí eu só tenho essa opção: Saber com mais do que certeza, que deus não existe.



E acho que é muito melhor, para nós e para deus, que ele não exista. Porque se existisse, ele teria que, obrigatoriamente, ser muito, muito pior mesmo, do que qualquer descrição ou definição de diabo, capeta, satã ou coisa que o valha, que eu já tenha visto.

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