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Artigos-->Maria Maré -- 10/12/2001 - 17:31 (maria da graça almeida) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Gosto das Marias

colocadas por Deus

em minha trilha,

tanto que resolvi

agregar a elas,

mais algumas delas.

Primeiro crio a Mortalha,

numa terça chuvosa,

de madrugada.

À seguir moldo a Preta

com a gota tão solta,

a dor e a careta.

E, enfim, pinto a Maré,

que bem nesse dia

esqueceu-se na fé!

E feito crianças,

feito meninas,

hoje, passeiam

entre os pilares

que agora sustentam

a minha estima.

--------------------------------------------------

Maria Maré



Entardecida, Maria Maré,

plantada no chão, firmada na fé,

trazia o pé fincado na areia,

a impedir a maré de cheias mais cheias.



Nos olhos brilhantes, duas luas inteiras,

no peito maduro, a vontade e meia:

- Que Deus me acate, atenda e acuda,

só hoje e sempre lhe peço a ajuda!



E Deus, que lhe dava a boa mãozinha,

nunca a deixava na praia sozinha,

com todo cuidado, zelo ou desvelo

trazia-lhe a água só pelo joelho.



Até que um dia, Maria folgou

e bem nesse dia a Deus não rezou!

Maria, a lua, fitou nesse instante

e o mar se achegou, então, ondulante,



Com força, as ondas se avolumaram,

bravas e impunes mais espumaram,

líquidas línguas lamberam o solo,

querendo deitar, de Maria, no colo.



Rugindo, o mar galgou-lhe as pernas

e pôs-se alargado em gotas eternas,

incauto, molhou-lhe o xale, a saia,

subindo às casas e ruas da praia.



Hoje as águas de vez soberanas

abundam com os pingos que ainda emanam

da estátua de sal que chora saudade,

compadecida da antiga cidade.



A lua no céu sorri zombeteira

e exalta o dia em que, sorrateira,

enlevando Maria, distraiu-lhe a fé,

fazendo perpétua a cheia maré.



ma.gla@uol.com.br



Maria da Graça Almeida

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