De vez em quando não há como não exasperar-se com o Brasil,
quem quer que aqui viva e em algum momento se depara com o incompreensível. No instante que escrevo essas linhas, que nem sei se destino certo terão de edição ou leitores, aguardo já há um ano e três meses o desenrolar do inventário de família,no qual herdei as dívidas sem que a “justiça” ainda sequer me desse a chance de pagá-las. O Estado presume que os herdeiros não precisam da herança, como se a defesa social do país fosse excelente .
Mas por que demora tanto? Bem , aqui há dois fatores: o burocrático e o humano.
Pelo lado burocrático, embora esteja o mundo no tempo da comunicação em tempo real com a internet, fax, telefone, sms e etc, o judiciário que merece ampla reforma pra dizer o “mínimo” usa o correio mais atrasado para, por exemplo, pegar um extrato bancário na mesma cidade. E como não tem prazo, a coisa pode demorar 10 dias (nunca menos), 32 dias, 52, 896, etc. No caso do meu processo particular chegou a demorar 52 dias pra um banco no Rio de Janeiro informar ao Fórum determinada quantia. E por que a justiça não usa os meios modernos? Bem, ao contrário do que prega uma falsa propaganda, a solidariedade não é tão fácil para o brasileiro, principalmente os de classe média alta e a classe política em sua maioria, infelizmente. E os operadores do estado, é claro. O deles estando garantido, pouco importa o povo (os contribuintes) que sofrem com o excesso de “termos”, “ritos” e outras anormalidades da falsa cultura. Quanto mais egoísta e indiferente é a classe dominante de um povo, mais entregue as baratas e mesquinho ele fica. No lado humano vou poupar até detalhes mais ou menos patéticos pra ficar apenas com um bastante simbólico. A advogada vira-se e pergunta:
- Quanto você quer tirar?
Eu a olho espantado.
Hora, eu gostaria de tirar tudo, dependeria da minha vontade por acaso? Bem, não dependeria , é claro.
E ainda esquecendo que as vezes o juiz esquece de assinar algo, que o processo se perde no cartório por dias e dias e que cada pequeno tramite não dura menos que uma semana, eis aqui vidas paradas e traumatizadas por anos que poderiam durar minutos. Em relação a boa parte do mundo, o Brasil está muito atrasado. O estado segue uma filosofia muito estranha pra seus contribuintes, “você me paga e eu te trato mal”. Também aqui, tudo é uma questão de cultura.
Junho, 2008.
A EXCELÊNCIA HUMANA
A EXCELÊNCIA HUMANA
Marcelino Rodriguez
A meta de toda grande educação deveria ser
buscar a possível excelência humana, o que
num sistema de ensino puramente laico é quase impossível,
uma vez que para se atingir a excelência é inviável
a mesma sem uma transformação espiritual do homem.
Todas as grandes religiões do mundo são unânimes em
educar o elemento humano para a compaixão,
a palavra e o pensamento correto e a solidariedade universal.
Esses valores, que são ainda algo mais que as boas maneiras
sociais somente, apenas uma educação espiritualizada pode
proporcionar, fazendo o individuo esforçar-se para passar
de ter apenas interesses de seu ego particular
para a universalidade. Em geral a religiosidade sectária
empobrece a pessoa, tornando-a mentalmente limitada
e sectarista quando não preconceituosa.
Onde há intolerância com a escolha alheia,
há um claro subdesenvolvimento. Basicamente,
uma grande educação forma pessoas de mente abrangente e tolerante,
com um sentimento de responsabilidade e universalidade humana
que facilita o progresso social em todos os níveis.
No caso brasileiro, por exemplo, onde o ecumênismo
parece ser a vocação natural do país,
deveria dar aos jovens ainda nos primeiros
anos de formação, as bases religiosas e os fundamentos da
diversidade espiritual do país. Não existe religião pior ou melhor;
somente os espíritos poucos cultivados e esclarecidos
se prestam a discutir um assunto que é de competência
puramente individual.
Enfim, a pontualidade, uma certa concordância entre palavra e ato,
um forte sentimento de solidariedade humana,
a capacidade de escrever e falar com correção suficiente,
os sentimentos universais de empatia e compaixão, o amor a cultura
, a arte e ao conhecimento, a capacidade de valorizar
a vida e o trabalho alheio são os sinais de que
uma nação tem uma educação ao menos perto da excelência possível.
O chef de cozinha francês Alain Ducasse diz que exige