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Artigos-->Amores Extremos -- 23/02/2005 - 21:43 (Edu Arruda Neto) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Paixões nos levam a extremos, mas umas poucas ultrapassam o limite. Tatuam na mente a idéia de que amar requer retribuição proporcional à paixão que se entrega, e não há forma de se encontrar equilíbrio no excesso. Falta de amor-próprio, ciúme, medo, angústia, experiências anteriores traumáticas, descrença ou preconceitos, não importam os motivos. Em verdade muitas vezes não há uma razão plausível. Alguém chega e acende o nosso interruptor de sentimentos desenfreados e nos pegamos cometendo os mesmos erros que criticávamos em todas as pessoas ao redor.

O amor de extremos nunca é bom. Asfixia aos poucos, vai matando seu objeto na desenfreada procura por algo que o contrarie, que o coloque na loucura, o que sempre acontece pela visão distorcida que os extremistas têm do sentimento que carregam. É um amor sem metáforas porque o exagero faz parte de seu cotidiano, que ensandece. Há um tênue momento em que acordam em meio ao dilúvio pra perceber o quão arbitrários estão sendo ao julgar o que inexiste, ou que tem formas apenas na mente poluída. Aqueles que acordam têm a chance de cessar, de reavaliar antes do pecado, que, como trair, sempre há um momento em que se pode optar por não cometer o engano, sempre há o momento em que a consciência diz: "Eu posso - e vou - parar por aqui, porque sei que não terei controle sobre o passo adiante".

Nem todos têm amores extremos ao longo da existência, mas aqueles que sobreviveram a um não esquecem das lições, mesmo as aprendidas à força, já que a dor faz-se comum a todos. Um amor de extremos raramente termina bem, e se ambos sobrevivem com sua esperança de antes, a vitória está consumada, não importa se as crenças e todo o resto tenha se esvaído em meio ao processo. Não bastasse a falta de controle, sequer percebemos quando adentramos no redemoinho. Os sinais somem à margem de argumentos e justificativas que inventamos pra nossos próprios atos e pensamentos, e pior, acreditamos nesse mundo de ilusão criado por nosso medo da realidade. Mesmo depois, ao analisar friamente os fragmentos espalhados - como se algum dia eles esfriassem - não percebemos o que, de fato, nos levou àquele instante de prostração final, de reverência a alguém que não deveria estar no controle tampouco num altar, que seres-humanos sempre despencam dos altares que os colocamos. Ao final de tudo fica o alívio pela sobrevivência, por saber que podemos voltar a construir um universo paralelo de esperança que dará um horizonte ao outro, ao real, àquele que nos invade o quarto pela janela aberta com o calor duma manhã sem nuvens.Fica, sempre, o medo de que esse amor dê as caras novamente, ou pior, que um novo amor tão avassalador apareça e rebobine todo o filme em nossa existência.

Amores extremos não são almas-gêmeas porque não completam, destroem. Levam a atos tresloucados mas seus protagonistas não são loucos, apenas desmedidos. Algum tempo após seu ocaso vem a fatídica revisão do comportamento da véspera, e o lucro aparece pelo fato de terem apenas mantido a dignidade. O saldo? Após o tempo varrer a poeira e um pouco de consciência respirar, ficam as lições de amargura, destempero, sonhos caídos e esperanças multiplicadas. A certeza, mesmo que tardia, de que amores extremos não nasceram pra durar. Após termos sobrevivido não há nada mais gostoso e recompensador que um amor calmo, tranqüilo, retribuído e feliz em sua simplicidade. Que esse últimos também arrefecem a alma, também esquentam o coração e os pés descalços sob a colcha nos dias frios de inverno. Mas quem quer saber hoje em dia duma felicidade que perdura num mundo que admira a depressão? Bom, eu quero, e acho que alguns de vocês também.

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