Berger, Peter L. O Dossel Sagrado. Paulinas, São Paulo, 1985
Secularização – processo pelo qual setores da sociedade e da cultura são subtraídos à dominação das instituições e símbolos religiosos.
Assim como há uma secularização da sociedade e da cultura, também há uma secularização da consciência. Isto significa que o Ocidente cria indivíduos que encaram o mundo e suas próprias vidas sem o recurso das interpretações religiosas.
A secularização atinge mais:
- os homens
- pessoas da meia idade
- classes industriais modernas
- protestantes, judeus
O que leva à secularização? A mentalidade cristã está presente, como informa o autor, desde o princípio com o desencantamento do mundo no A.T., com o que foi chamado de racionalismo. O homem requisitando para si o poder do todo, de achar que pode descobrir-se não só no universo, mas que vê nas formas de sabedoria a resposta para suas questões. O capitalismo é um exemplo disso.
O cristianismo tem conexão com o mundo Ocidental moderno, o protestantismo deixou (despiu-se) do mistério, do milagre e da magia, afastando assim suas linhas de pensamento do catolicismo e reforçando o desencantamento afirmado pelo A.T. . Este último, diz o autor, traz vertígios racionalistas muito influenciadores que fizeram um ótimo serviço no Ocidente moderno.
Assim como o protestantismo e o A.T. promoveram o desencantamento, ou seja, a fé em um Deus que não depende de imagens, rituais, templos, sacerdotes místicos, etc., o catolicismo tratou, e teve êxito, em restabelecer o re-encantamento do mundo, com seus anjos, santos e rituais, fazendo assim uma cópia do mundo pré-bíblia, que com seus rituais aos deuses, buscavam, por exemplo, a fertilidade dos campos, sendo que os pecados, ou as pendências, eram tratadas de uma forma diferente, mais coletivas, não tão direcionadas para o homem em si, eram pulverizadas com o que o autor chamou de manipulações mágicas. Isso passou a ser cômodo, como assim o era nos tempos do Egito antigo e Mesopotâmia, pois é mais fácil burlar as culpas controlando-se os mediadores. O mesmo não aconteceu com Israel, que quando saiu do Egito indo ao deserto, deixou para traz toda uma cultura impregnada de rituais e magias, e adotou como único Deus a IAHWEH, que passou a tratá-los de uma forma racional, sendo Ele um Deus único e pessoal.