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Artigos-->A taça do mundo é nossa -- 22/04/2003 - 01:32 (Fernando Jasper) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
"A taça do mundo é nossa

Com brasileiro, não há quem possa

Êta esquadrão de ouro

É bom no samba, é bom no couro"





Os versos acima fazem parte da canção comemorativa ao primeiro título do Brasil em uma Copa do Mundo. Traduzem um forte sentimento de amor pelo futebol brasileiro e de posse por tudo o que ele possa conquistar.





Ou seja: por aqui, não é só a seleção quem ganha, é todo o país. A taça não é só da CBF, é de todos os brasileiros. Enfim, é nossa.





Como todos sabem, o primeiro título brasileiro foi há muito tempo atrás, em 1958, na Suécia. Tanto tempo que o Brasil ainda venceu outras quatro Copas depois. Tanto tempo que, naquele tempo, vencer uma Copa ainda significava ficar quatro anos com a Taça Jules Rimet e só entregá-la ao campeão seguinte.





Era a chamada “posse transitória”.





A taça, disputada entre 1930 e 1970, parou de rodar de campeão em campeão justamente quando o Brasil conquistou seu terceiro título e pôde levá-la consigo, para sempre.





Era a chamada “posse definitiva”.



Definitiva ao menos na teoria. Porque, no Brasil, a taça não é só da CBF, é de todos os brasileiros. Como “a taça do mundo é nossa”, alguns deles resolveram exercer seu direito em uma remota noite de 1983. Entraram na sede da entidade máxima do futebol brasileiro, renderam facilmente os vigilantes e levaram a Jules Rimet embora.





O verso foi levado ao pé-da-letra até o último instante. Para compartilhar a taça com vários outros brasileiros, seus novos proprietários derreteram todo o ouro (mais de 1kg) e o venderam por aí. Hoje em dia, a Jules Rimet que está com a CBF não passa de uma réplica.





Mas o tempo passou. Depois do roubo, o Brasil ainda venceu as Copas de 1994 e 2002, e teve direito à posse transitória da nova taça, instituída em 1974. Ou melhor, levou a réplica da nova taça.





Como a Fifa Cup é todinha de ouro (pesa cerca de 5kg, bem mais que sua antecessora), a Fifa cuida muito bem dela. A original fica quase todo o tempo na sede da entidade, na Suíça, e só aparece quando a Copa do Mundo está em disputa. Ano passado, por exemplo, ela deu as caras no Japão e na Coréia.





A taça que vai para o país campeão e desfila no carro do Corpo de Bombeiros é, portanto, a réplica, feita de prata e banhada a ouro. Pode não ser a original, mas é igualzinha, bonitinha e bem pesadinha. Recomenda-se tratá-la com todo o cuidado, afinal, é nossa única lembrança.





Imaginem, então, a minha surpresa ao encontrá-la no último sábado, em uma exposição de cartões postais de estádios, no estádio Pinheirão, em Curitiba.





Não, o Pinheirão não é a sede da CBF. Consegue ser, no máximo, sede da Federação Paranaense de Futebol. Não, a réplica da Fifa Cup não estava dentro de uma redoma de vidro à prova de balas. Não, ela não estava cercada por seguranças.





Isso significa que todos os que compareceram à exposição – incluindo operários que trabalhavam no estádio – puderam pegá-la, erguê-la dando uma Cafu e posar para fotos com ela. Significa também que, com um pouco de determinação, fôlego e espírito de porco, eu poderia pegá-la, sair correndo e desaparecer com ela.





A taça do mundo não seria nossa, mas só minha. Até porque a exposição não estava lá muito movimentada e até que alguém entendesse a situação eu já teria sumido.





Mas faltou o espírito de porco. Limitei-me a posar para uma foto com ela. Não, não dei uma de Cafu e, portanto, não a ergui. Mas aproveitei para dar uma olhada na base, onde diziam estar gravados os nomes de todas as seleções que a conquistaram.





Pois bem, os nomes dos países campeões realmente estavam lá, cada um em sua língua. Começava com “1974 – Deutschland”, e terminava em “2002 – Brasil”. Mas, pensando bem, não terminava ali.





Embaixo da lista de campeões, uma inscrição chamou minha atenção mais que todas as outras: “Onaireves Moura, estenda essa homenagem a todo o povo paranaense. Ricardo Teixeira, Presidente”. Sim, gravaram esse acinte, esse ultraje, esses nomes na taça que o Brasil ganhou.





Em outras palavras, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, resolveu homenagear um velho amigo seu, chamado Onaireves Moura. Deu-lhe a taça, pedindo para ele estender a homenagem “a todo povo paranaense”.





Moura é o presidente da Federação Paranaense de Futebol e, assim como Ricardo Teixeira, tem uma longa história de cartolagem e, portanto, uma longa ficha corrida. Entende tudo de bastidores do futebol, de politicagem, de sonegação de impostos, de CPIs. Até de cadeia ele entende, por tê-la freqüentado durante algum tempo.





Só agora me dou conta de que, nas mãos de Moura, a réplica da Fifa Cup está tão segura quanto estava a Jules Rimet original nas mãos dos que derreteram seu ouro. E, obviamente, me arrependo: deveria mesmo ter levado a taça comigo.





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