Usina de Letras
Usina de Letras
65 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 63497 )
Cartas ( 21356)
Contos (13308)
Cordel (10364)
Crônicas (22588)
Discursos (3250)
Ensaios - (10775)
Erótico (13602)
Frases (51996)
Humor (20212)
Infantil (5649)
Infanto Juvenil (5007)
Letras de Música (5465)
Peça de Teatro (1387)
Poesias (141399)
Redação (3380)
Roteiro de Filme ou Novela (1065)
Teses / Monologos (2444)
Textos Jurídicos (1975)
Textos Religiosos/Sermões (6396)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Artigos-->Homem que Apanha de Mulher... -- 02/12/2002 - 19:47 (Jorge Câmara Lemos) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Essa história foi contada a mim pelo amigo Agostinho. Homem rude. Vida calejada da labuta do campo. Amigo de muita gente, a quem sempre tem uma história para contar.

Não sei se essa história foi escrevinhada por algum lavrador de palavras, que tentam mostrar a vida sofrida de tantos e tantos agricultores, quer na labuta do campo; quer no empenho de vender o suor de seu rosto nas tantas feiras do sertão nordestino.

Só sei que é assim.

Diz Agostinho que todo Manoel é besta – tem até um passarinho de nome “mané-besta”- e esse Manoel, do interior da cidade de Cajazeiras, lá na Paraíba, casado com a Teresa – diz ele que toda Teresa é valente -, foi à feira e lá se encontrou com uma sua comadre a quem tinha entregue quarenta ovos para chocar nas galinhas e ela perguntou:

_ Etâ cumpade Mané, vuncê não vai buscá seus pinto, não? Já tem quarenta pintim e tudo já com as asinha empenada.

Manoel, alegre, disse à comadre que logo, logo, iria buscar os pintos.

Teresa de longe tinha visto Manoel de conversê com a comadre e, desconfiada como ela só, buscou satisfações de Manoel, que de imediato disse da história dos pintos e que iriam pegá-los logo na casa da comadre, antes que os gaviões dessem de garra.

Assim feito.

Manoel no fim da semana, acompanhado de Teresa, foi à casa da comadre pegar os pintos. Ninhada boa de se ver. Todos de penas vermelhas e já com as asas cobertas. Agora é só repartir com a comadre e levar seu quinhão, pois no interior se cria de meia.

Ajuntado os pintos, tomado o café e jogado um “dedinho de prosa”, lá se vão Manoel e Teresa para casa. Quase duas léguas.

Terra seca aquela. Agostinho – o que me passou a história – diz que lá só se cria bem juazeiro, que esse não precisa de água. Só a conheço de passagem, mais acredito que seja assim mesmo, como todo interior do Nordeste.

Estradinha de terra batida. De um lado e outro só cipó de amarrar boi e muita sabiá, planta conhecida por seus espinhos afiados e que ao penetrarem no corpo doem mais do que agulha sem ponta, além da inflamação que provocam. Manoel na frente e Teresa logo na sua guarda.

A noite já caía e nada de chegarem. Os pintos dentro de um côfo pesavam bastante nos ombros magros de Manoel que de tanto medo, quando piou o carcará dentro da moita se sabiá, jogou-o para o alto.

Foi pinto pra tudo quanto é lado. Não ficou um sequer dentro do côfo.

Teresa, enfezada com o medo do marido foi logo dizendo:

_ Olha, Mané, tu vai pegá tudo quanto é de pinto se fartá um só tu vai apanhá mais do que macaco pra conhecê dinhero!

O marido, medroso que só e sabendo das tacas que vez por outra levava da mulher, foi logo tratando de pegar os pintos.

A escuridão era enorme. Manoel saltou dentro da moitas de sabiá. O sangue logo lhe jorrou do rosto, mais sabia que era melhor o espinho da sabiá do que a taca da mulher.

Teresa grita pelo marido que num instante está de volta.

A mulher trata logo de contar a miuçalha. Vinte e um. Teresa não disse nada, mais foi cismando até chegar em casa.

Lá acende a lamparina de querosene com pavio de algodão tecido por ela mesma. Um, dois, três... Ela pensava como era possível se só tinham pegado na casa da comadre vinte pintos.

No medo de apanhar da mulher, Manoel deu com um ninho de jacu e pegou um dos filhotes, pensando que se tratava de um de seus pintos. O bichinho era todo vermelhinho, daqueles vermelhos que tem as aves rasteiras para se esconderem de seus predarores.

Agostinho diz que quando o cabra tem costume de apanhar da mulher faz qualquer negócio mais não larga nunca...





Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui