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Artigos-->Globo quer pautar o Brasil -- 19/08/2002 - 22:13 (rodrigo guedes coelho) |
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Laerte Braga
La Insignia. Brasil, agosto del 2002.
A "Globo" cismou que vai pautar as eleições e, consequentemente, o que ela
imagina ser o futuro desejável para o Brasil. Bem entendido: o que ela
deseja. Ou aqueles aos quais ela representa. Banqueiros, grandes grupos
empresariais e todas as quadrilhas que operam na política brasileira.
O "Jornal Oficial", dito "Nacional", tem buscado mostrar em séries de
reportagens que duram toda a semana, de segunda a sábado, quais preocupações
devem nortear o voto do eleitor e, principalmente, insinuar a continuidade
do modelo econômico vigente.
É a velha maneira de influenciar as pessoas: passa uma borracha no passado,
como se nada tivesse a ver com ele. Esquece o descalabro que é o atual
"governo", o de FHC e toca para a frente, vendendo a idéia, sempre a mesma,
de um Brasil grande, próspero, essas coisas todas, desde que comportado e
nos trilhos traçados por Washington.
O jeito pelo qual tenta desqualificar as críticas, além de passar por cima,
como se nada fosse com ela, onipotente, é também o de sempre: a hipócrita
presunção das classes dominantes, certas que, hoje, mais que palavras, a
imagem é tudo.
Para falar de exportações, por exemplo, mostrando a importância do ítem no
âmbito da política e com vistas ao futuro governo, exibe toda a parafernália
usada em um porto, criando a impressão que somos iguais a qualquer grande
potência e podemos ser maiores ainda. A cores e com imagens sugestivas.
Hoje, após sete anos e meio de governo laranja, voltamos a ser exportadores
de matérias primas. Para a principal rede de televisão norte-americana no
Brasil, a soja deve compor o prato diário de cada brasileiro. Mas só quando
não precisarmos de moeda forte, o dólar. Ou seja, de exportarmos toda a
produção. O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo.
O setor da indústria exibido na série, como exemplo de avanço tecnológico, é
o do papel. Não fala por um instante sequer que é um dos que mais poluem em
todos os sentidos. As florestas brasileiras são substituídas por imensas
plantações de eucaliptos. Os rios transformados em despejo de desejos
químicos. Mas houve, segundo informam, uma revolução na tecnologia para o
fabrico de papel.
Suavizam com a produção de rosas no Ceará, o Estado de Ciro Gomes, exportada
para a Europa e os Estados Unidos.
A reportagem, a última da série, mostra tudo isso e mais alguma coisa, o
real objetivo da matéria: é preciso moeda forte para pagar a dívida externa.
Não dar calote. Atribui à moratória de um governo que apoiou, sustentou e do
qual recebeu polpudas verbas publicitárias, como a responsável por um
período traumático para o País e os brasileiros. Falo de um pastel de vento,
como Serra, José Sarney.
E mente, como sempre faz. È como o escorpião que promete não picar a quem se
lhe ajudar a atravessar o rio, mas pica. Mentira na "Globo" é força de
hábito. Ela própria, como veículo de comunicação, uma grande mentira,
destinada a vender todas as mentiras do capitalismo.
A parte que trata da dívida externa mostra que o Brasil deve 210 bilhões de
dólares e que a dívida está controlada. Alguém precisa avisar o FMI e os
bancos disso. Não serão necessários os dólares do Fundo. A "Globo" disse,
logo é verdade.
Mas não é por aí só. A determinada altura dos comentários o jornalista que
apresenta a reportagem diz que metade da dívida externa é de empresas
privadas que buscaram financiamentos em dólares para o desenvolvimento do
Brasil.
Metade de quê? Dos 210 bilhões de dólares como sugere o "Jornal Oficial"?
Não. Outros 200 e tantos bilhões de dólares, dentre os quais, cerca de 2
bilhões em dívidas do grupo Roberto Marinho, que controla todo o chamado
"sistema Globo". Foi por essa dívida e pela incapacidade de pagá-la, que FHC
mandou "doar", à guisa de participação em aumento de capital, 250 milhões de
dólares do BNDES para a rede tapar um rombo.
Boa parte da dívida externa das empresas privadas, as grandes, no Brasil, é
em dólares. Muitos entendidos explicam a alta da moeda americana pela
necessidade dessas empregas pagarem o que chamam de serviços de suas
dívidas, no exterior. Ao longo de cada ano são reveladas inúmeras fraudes de
grupos privados que tomam dinheiro no exterior com aval do governo, leia-se
povo que é quem paga, mas não aplicam um centavo nos projetos ditos para o
desenvolvimento nacional.
A própria "Globo", quando interessa, já mostrou esqueletos desses projetos.
Já denunciou empresários bandidos, especialistas em operações desse tipo. E
sempre quando convém. Se for aliado não. Se andar na linha não. Leva o
silêncio.
O que a "Globo" não mostra, omite, deliberadamente, é que ano a ano há uma
queda na produção industrial do Brasil. Os jornais, lidos por uma minoria,
mostram porque não implica em problemas. Não atinge o povão. Não oferece
riscos, uma informação dessas, para o controle que exercem sobre o
eleitorado. Circula num meio restrito. Uma edição de qualquer jornal aqui,
custa, pelo menos, meio dólar. O salário mínimo é inferior a 65 dólares
mensais. O único periódico diário que é vendido a um custo mais baixo é um
do grupo "Globo" e trata exclusivamente de esportes, futebol sobretudo. Quer
dizer: o circo.
E muito menos mostra que um dos estados brasileiros onde não houve queda da
produção industrial foi o Rio Grande do Sul, governado por Olívio Dutra,
pois está empenhada na eleição de Antônio Brito, ex jornalista da casa e
notório corrupto, sempre disposto a cumprir qualquer papel, qualquer papel
repito, que lhe seja dado. O cara é um fantoche. Brito é candidato ao
governo daquele Estado.
O desafio da comunicação é sério demais para ser deixado de lado. Tem que
ser vencido. Um governo de oposição, o de Lula, se ganhar as eleições, tem
que enfrentá-lo e como compromisso do resgate do direito à cidadania, que
inclui o de pensar livremente. Não o de ver impingida a mais deslavada
"sociedade de espetáculos", para usar o título de um livro de Guy Debort,
magistral por sinal.
Não dá para permitir que, todos os dias, no intervalo de uma novela e outra,
o brasileiro seja drogado pelo mundo fantástico da mentira global, a cores e
com sorrisos de um robô chamado William Bonner e sua partner, Fátima
Bernardes. A forma como William Bonner recomendou aos eleitores a devida
atenção para tudo o que estavam falando como orientação para o voto, com
jeito de bom moço, sorriso discreto, ares de preocupação com o Brasil ou com
os brasileiros (nem sabe o que é isso, a rede que trabalha é outro mundo),
foi revoltante. Lembra traficante de drogas fazendo caridade nas favelas
para parecer bonzinho.
Chato esse negócio de ficar o tempo todo batendo na "Globo"? É uma das
maneiras com que buscam desqualificar a crítica. Tem gente que acha que
calça jeans de determinada marca liberta. Ou que um cigarro "y" permite que
o Everest seja escalado de uma só corrida e que por esse feito a Sharon
Stone vai estar lá em cima esperando o vitorioso. Ou que tem que morrer de
fome, mas "honrar" a dívida externa.
http://www.lainsignia.org/2002/agosto/ibe_080.htm
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