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César Almeida
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Era uma vez três amigos de 17, 18 e 19 anos ( eu era o do meio, os outros dois eram o Horst e o Haroldo .) sem namoradas e sem nada melhor p´ra fazer na noite de sábado, 5 de agosto de 1978.
Eu curtia então uma monumental “ fossa “ pela rejeição sofrida de uma gatinha por quem eu havia me apaixonado. Eu a havia conhecido em sua festa de aniversário de 15 anos pouco tempo antes e tinha gamado nela.
É lógico que estrategicamente eu havia planejado uma festinha pouco tempo depois quando eu pretendia dar-lhe o bote. Ela era uma gracinha e eu não a tirava da cabeça. A festa rolava legal, dançamos uma “ How Deep is Your Love “ dos Bee Gees que pareceu durar uma eternidade ( mas até o que parece eterno tem fim........) e aí quem caiu na armadilha fui eu. Fui com muita sede ao pote ( encorajado por algumas biritinhas ) e então meu ataque foi contido pela cortina de ferro de sua orgulhosa rejeição. Se fosse hoje eu agiria de forma diferente, porém naquele momento eu fiquei putinho e perdi todo o meu “ fair play “......e dancei ( aí já não mais ao som dos Bee Gees e sim num clima dramático e depressivo de um tango ).
Dizem que a dor é a mãe da criação e talvez por isso, naquela noite chata na varanda da minha casa, com meus dois amigos, o violão e a inspiração dos Beatles, eu falei:
- Vamos fazer uma música? Se os Fab Four puderam nós também podemos.
Que pretensão!!! Eu devia estar meio doido ( e olha que eu era “ careta “ ).
Comecei a dedilhar o violão, fiz o primeiro verso, fiz o segundo e aí a coisa foi saindo “ with a little help from my friends “. Uma palavrinha aqui, outra ali, a linha melódica surgindo e alguns lá-lá-lás depois surgia “ Uma Noite, Uma Festa “. Até que ficou legalzinha. Uma autêntica “ silly love song “ que enfeitava uma frustrada gamação. Foi uma canção feita a seis mãos. Não lembro exatamente o quanto ela é de cada um de nós mas a essência era minha. Falava basicamente sobre o que eu sentia naquela época.
De repente me via presunçosamente como um compositor e no meu quarto com a companhia do meu violão Di Giorgio algumas coisinhas mais foram surgindo: “ Luz de Um Novo Tempo “, “ Rock do Vampiro “, “ Não foi um Cometa “ ( ......”.foi um capeta “, como diria mais tarde nosso futuro baixista Chang-Ching ), “ Prisão Ambulante “ ( sim, eu nesta época estava tentando fazer viagem astral consciente ). Foram algumas músicas que subitamente surgiam em minha mente ( de onde elas saiam eu não sabia ). Depois vieram muitas outras.
Por sua vez o Horst escreveria a letra de “ Vôo Livre “ e me dava p´ra musicar. Ficou legal e este foi um dos nossos “ hits “. Ele também escreveu “ Facing de World “, “ Going Home “ ( que eu musiquei e fiz a versão em Português ) e um tributo a um amigo nosso e incentivador, que acabou morrendo num acidente automobilístico , o Moshe Bucha ( Ivanildo ).
A coisa rolava sem qualquer pretensão até que , num belo dia, o maluco do Horst veio me dizer à queima-roupa, que inscrevera ” Uma Noite, Uma Festa “ no festival de música que haveria no Colégio São Bento, onde ele estudara. Eu quase enlouqueci. Falei que ele era um lunático, nós não éramos músicos, aquilo tudo era de brincadeira, que a música era fraquinha e iríamos, como se diria hoje, pagar um grande mico. Mas a coisa já estava feita e eu jamais me perdoaria se não fossemos em frente.
Chegou o grande dia! Lembro exatamente do momento da ida para o São Bento, o Horst parando no posto de gasolina e nós fazendo a vaquinha para abastecer a Variant azul da mãe dele.
Lá no palco demos nosso recado. Minha perna tremia fazendo o meu violão subir e descer. Acabamos de tocar, fomos educadamente aplaudidos ( ......mas todos os outros que se apresentavam estavam sendo educadamente aplaudidos !!!! ) e saímos do palco. A minha ficha só foi cair quando num dos intervalos, já fora do auditório, vi duas garotas passando e cantarolando o lá-lá-lá-lá-lá do nosso refrão. Caramba !!!!!! Teve alguém que gostou.........É engraçado. A gente costuma não acreditar nessas coisas quando acontecem. Temos um certo medo da rejeição e isso nos inibe. Tenho um amigo Psicólogo e Filósofo que deve saber explicar isso.
Naquela época nós todos, beatlemaníacos, costumávamos freqüentar mostras de vídeos dos Beatles que aconteciam em fanclubes e bares. Numa dessas, meu amigo de faculdade Jorge Lubi me apresentou um amigo seu, o Ricardo Chang-Ching. Empolgados com o que víamos ele acabou me dizendo que tinha um velho baixo em casa, e eu imediatamente o intimei a aprender a tocá-lo. Pronto ! Já tínhamos um baixista. Eu tinha uma guitarra, o Horst tinha arrumado outra, o Chan-Ching tinha o baixo, só faltava o baterista. O Haroldo não se interessou e vazou. Aí o Jorge Lubi se prontificou a “ bater” . Só tinha um detalhezinho que quase passou despercebido na empolgação: ele não tinha uma bateria! Acontece que o Lubi conhecia um cara que estudava bateria e tinha uma em casa, o Zé Roberto. A coisa estava tomando forma.
Os festivais colegiais estavam pintando e iria ter um no meu ex-colégio, o Cruzeiro. E lá fomos nós, eu e o Horst para fazermos nossa inscrição. Na ficha havia espaço para os nomes das músicas, os autores e o nome do grupo que iria apresenta-la ( ??? ) Mas......não tínhamos um nome para a banda. Aí na pressão eu comecei a pensar: o nome Beatles veio de beetle ( besouro ) e beat ( batida, ritmo ) e comecei a considerar nomes de insetos.
besouros, baratas, escaravelhos, escorpiões, borboletas..........crisálida...........casulo........taí! Casulo é legal ! Estávamos num casulo e quem sabe um dia viraríamos uma borboleta de sucesso?
Casulo soava bem. Porém p´ra ficar incrementado seria mais maneiro grafar Kazullo. O Kazullo ! “ - Pode nos inscrever como grupo O Kazullo: “ ( César, Horst, Chang-Ching e Lubi ) , falei p´ra menina da inscrição. O pessoal achou o nome legal ( após algumas zoações , é claro ) e o nome foi adotado.
Acontece que chegou o dia do festival do Colégio Cruzeiro e na hora de entrar no palco o baterista amarelou feio. Não quis entrar nem por nada. Quase demos porrada nele, mas não teve jeito. No desespero, depois vimos que foi um grande erro, entramos no palco, demos uma desculpa esfarrapada sobre a falta do baterista e apresentamos “ Luz de Um Novo Tempo”.
Um rock sem bateria!!! É lógico que ficou uma droga, ainda mais pelo nosso stress. E olha que o pessoal ainda tentou dar uma força batendo palmas p´ra dar o ritmo. Quanta solidariedade existe com aqueles que se aventuram num palco ! Será que é por pena ? Saí do palco furioso, fui grosso com um ex-colega da escola que tentou me incentivar ( desculpa Armando André Campbell ) e jurava que iria pegar o Lubi.
Porém a raiva passou e eu o perdoei ( essa é uma característica minha. Eu perdôo fácil ) e ele continuou tocando com a gente, se revezando com o Zé Roberto na batera.
Acho que uma amizade pode sobreviver a tudo, até mesmo como aconteceria anos depois, ao fato de o Lubi não ter ido ao meu casamento pois “ teria “ de viajar para Lambari. ( Êta Lubi, duas mancadas, hein? ) Mas o cara é maneiro. Gosto dele até hoje.
Apesar desse lamentável episódio , O Kazullo continuou se apresentando em festivais colegiais , mesmo com todos seus componentes atolados nos estudos ( todos éramos universitários ). Na verdade nenhum de nós acreditava ou tinha a pretensão de seguir carreira artística, mas a coisa era muito gostosa e estava rolando legal.
Essa fase de festivais e saraus durou de 79 a 80, tendo nós conseguido um segundo lugar num festival do Ibeu com “ Vôo livre “.
O auge da nossa “ carreira “ aconteceu num festival prata-da-casa da Uerj, onde o Horst estudava e nos inscreveu. Tocamos na Concha Acústica da Uerj. Esta foi a nossa melhor fase pois naquela época contávamos com a presença e o delicioso vocal da Tininha e de uma prima dela, a Solange, ao piano. Éramos eu e Horst nas guitarras , violões e vocais , o Chang-Ching no baixo ( e a peculiar participação vocal num trecho do “ Rock do Vampiro “ ), o Jorge Lubi e o Zé Roberto se revezando na batera, a Solange no piano e a Tininha no vocal.
Aquela noite foi mágica, e não teve um p - - - entre nossos amigos que foram prestigiar que lembrasse de levar uma câmera fotográfica. Não há qualquer registro daquela noite, mas podem acreditar, tocamos mesmo na Concha e fomos bastante aplaudidos. Tocamos “ Vôo Livre “ que ficou linda com o piano e o vocal da Tininha e iríamos apresentar também “ Luz de Um Novo Tempo “ que pasmem, foi censurada. ( não esqueçam que vivíamos a ditadura e que a Uerj era um caldeirão político ). Alegaram que a música era alusiva ao retorno do Brizola do exílio. Que besteira! A última coisa que eu pensava ao fazer a música era em política. Acho que eu estava ligado em mensagens de extraterrestres sobre o futuro da Terra e coisas assim. Fiquei um pouco frustrado pois, apesar de “ Vôo Livre “ ter ficado ótima, eu gostaria de ter curtido aquele palco por mais algum tempo.
Daí em diante as meninas saíram do grupo e os estudos e os estágios nos absorviam cada vez mais. Na verdade nunca deixamos o tal casulo para virarmos as tais borboletas de sucesso. Este sucesso por sinal acabaria ficando mais tarde com uns tais “ paralamas “ ( com todo o respeito ).
Esporadicamente continuamos nos reunindo ( aí já sem o Horst ) nos finais de semana, ora na casa do baterista, ora em estúdios alugados e mandávamos o nosso som . Um som rústico, primitivo, um rock´’n’ roll básico, porém muito gostoso de se tocar.
Até que cada um foi tomando seu rumo e o grupo aos poucos acabou sem deixar saudades para o público que nem chegou a conhecê-lo. Ficaram algumas fitas K-7 de alguns ensaios, algumas fotos de apresentações e ensaios e só.
Eu por minha vez, eventualmente tenho alguns espasmos de saudade e escrevo algumas letras que, algumas , acabam virando músicas.
Não sei bem porque eu escrevo. Talvez seja uma maneira de se fazer uma catarse das minhas frustrações quanto à sociedade, ao mundo e à vida em geral. Algumas letras registram pessoas que passaram pela vida, algumas especiais, uma muito especial e para quem há pelo menos cinco letras e outras nem tão especiais assim.
As letras estão apresentadas em ordem cronológica . , Há a data em que ela foi escrita, algumas vezes há a data ( diferente ) em que a música foi criada e até o lugar onde a idéia surgiu. Achei por bem incluir também, em homenagem aos meus amigos, as letras de “ Vôo livre “ “ Going Home “ e “ Do the Best you Can “.
Não esperem qualquer qualidade artística ( poética ou literária ) nas letras. São apenas idéias e pensamentos que coloquei no papel em algum momento da minha vida.
Fiz esta coletânea deixando de lado qualquer hipocrisia, colocando as letras que eu acho boas como também as que acho ruins, pois não seria honesto “ selecionar “ o melhor . ( se é que há “ o melhor “ ).
Então, se você está lendo agora este prefácio, pode ter a certeza de que faz parte do grupo de pessoas por quem eu tenho apreço, amizade, carinho ou amor.

César 10/09/2004


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