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Crônicas-->Quando amar é proibido -- 21/04/2003 - 21:12 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Quando amar é proibido

Desconheço o nome pelo qual era chamado em Libolo, Angola, onde vivia com os pais e irmãos. Só sei que devia amar aqueles parentes e a vida que levava.
Ali ele era livre para decidir sobre seu destino e estava sob a proteção de seu povo. Pelo menos era assim que pensava até o dia em que foi subjugado, agrilhoado, vendido a portugueses e transportado, como escravo, para o Brasil.
Viajou em navio negreiro, preso a correntes, em ambiente anti-higiênico, sem sanitários, tendo de suportar o cheiro de fezes, urina e vômitos dos desterrados.
Nem todos conseguiam concluir a travessia do Atlântico, diante das doenças que os acometiam, mas Miguel – este foi o novo nome que lhe deram – superou todos os obstáculos e se viu um dia no Rio de Janeiro (RJ).
Jovem, forte, inteligente e com boa aparência, não demorou a ser leiloado e arrematado por um próspero brasileiro.
Por seus bons predicados, em pouco tempo passou a contar com a proteção de seus proprietários. A sua preocupação com a limpeza o levou a ser cozinheiro e a confiança que inspirava deu-lhe a atribuição de serviços externos, inclusive a compra de bens diversos, fossem para a conservação da casa, fossem para a alimentação dos ali residentes.
De vez em quanto Miguel enchia-se de saudades dos seus, mas procurava não ser dominado pela melancolia, que chegava a matar alguns dos africanos enviados ao Brasil.
A vida do angolano melhorou quando ele notou o olhar interessado de mucama da casa. Criou-se uma grande amizade entre eles, logo transformada em romance.
Em certa noite, Miguel teve acesso ao quarto e ao corpo da namorada. Resolveram, então, que a partir dali seriam marido e mulher.
Não contavam, porém, com a reação dos donos, que proibiram os encontros dos amantes. Não admitiam o casamento ou amancebamento de escravos.
Entretanto, Miguel não podia viver sem a amada, que retribuía seu amor. Surgida uma oportunidade, imediatamente um se alojava nos braços do outro.
Inconformados com a atitude rebelde de Miguel, os proprietários, amparados pela legislação draconiana de então, resolveram colocá-lo na prisão e mandaram publicar, na edição do “O Jornal do Comércio” de 11 de março de 1828, o seguinte anúncio:
“Na prisão do Calabouço acha-se em custódia um escravo de nome Miguel, da raça libolo, com a idade de 26 anos, bem feito de corpo, muito bonito e sadio, bom cozinheiro de fogão, bom comprador e que serve muito bem a uma casa, tanto no exterior quanto no interior, por ser muito ladino; não é ladrão, não é mijão e nem é bêbado. O único motivo para a prisão e venda é por insistir em viver amancebado com uma mucama da casa. Quem o pretender pode dirigir-se à dita prisão para o ver e para ajustar. Procurar na rua detrás do Hospício, nº 113. Adverte-se que a condição de venda é para fora da província”.
Provavelmente, Miguel, punido por amar, foi carregado para longínqua província, não mais se encontrando com a amada.
Tenho, contudo, a esperança de que tenha conseguido fugir da prisão e encontrar-se com a mulher de que gostava, escondendo-se em algum lugar distante.
Quem sabe se não tiveram vários filhos e foram felizes para sempre?

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