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Cartas-->Volte... -- 27/03/2003 - 19:07 (Carvalho de Azevedo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Que pena você ter ido embora . Pena mesmo!
Ausente, não pode ver nosso jardim florir, denunciando as primaveras que você tanto gostava e esperava ansiosamente, com uma quase aflição.
As roseiras (plantadas com tanto cuidado e carinho no centro do gramado, que teima em permanecer verde e cheio de vida) floriram tantas vezes, sem o seu testemunho.
O seu beija-flor, como que a cumprir um rito de eterna fidelidade, volta sempre!
Por vezes, tenho a impressão que volta à sua procura, saudoso das rápidas “conversas” que tinham naquelas manhãs serenas e tranqüilas!
Nossas crianças cresceram!
O Júnior é engenheiro civil-estagiário, tão menino, tão competente, tão respeitado, outro dia me disse sem jeito que o chamam de Doutor. Parece que ainda o vejo brincando com seus carrinhos, agachado por horas, quieto, pensativo, reflexivo, exigindo de mim, explicações que eu não sabia, nem conseguia dar.
A Nana, como você a chamava, está no cursinho. A necessidade precoce de trabalhar, deu-lhe também precocemente, jeito de mulher. Mulher, assumiu atitudes adultas de comportamento , mas, como um paradoxo, ainda se atira no meu colo, à procura de carinho e atenção.
Não perdeu a aparente alegria, embora já a tenha surpreendido excessivamente apreensiva, muito quieta e introvertida.
Não fala de você, mas pressinto que é a sua ausência que a faz pensativa.
Sentimos demais a sua falta! Mas a vida é assim. Uns perdem, outros ganham!
Hoje, tanto tempo depois da sua partida, senti uma saudade intrigante, incontrolável!
Sei lá porque !? Não sei mesmo!
Talvez tenha sido a chegada do outono. Com ele, como por capricho, vislumbrei no espelho, meus primeiros cabelos brancos, as primeiras rugas indisfarçáveis !
Imagine só. Eu falando do espelho, objeto que sempre reputei tão impreciso e infiel, de acordo com minhas conveniências e convicções.
Pela primeira vez, desde que se foi, pensei em você sem rancor, sem mágoa, sem espírito de vingança! Verdade mesmo!
Pensei em nós!
Quis demais que esse momento pudesse ser compartilhado por todos, como nos tempos mais difíceis e duros de nossas vidas, que pensei jamais pudesse superá-los.
Acho que essa batalha eu ganhei. Aprendi a lidar com superações!
Mudei demais, desde a sua partida. Eu mudei!
Algumas coisas porém, não se pode mudar, por maior que seja o sofrimento, a amargura, a desilusão, a desesperança!
Por vezes, tive a impressão de estar regredindo, tamanhas as dificuldades, as provações.
Nada porém, foi inútil. Aprendi, cresci, mudei, repito. Pedi e agradeci tantas e tantas vezes.
Refleti. Não lhe tenho nenhum rancor, mesmo considerando que a sua partida, jamais me conformou, tampouco me trouxe conforto algum.
Entretanto, saiba, que daria a minha vida para você ter a liberdade de decidir sobre a sua, mesmo entendendo que liberdade não é dádiva é conquista.
Volte, se quiser! Eu e as crianças, adoraríamos que você voltasse! Sabemos que há razões para você voltar!
Não precisa explicar nada, não queremos explicação alguma. Tudo quanto queríamos , a vida nos mostrou, nos ensinou, nos deu e nos tirou.
Guardamos todos os seus pertences. Muitas coisas, permanecem no lugar que você deixou porque confesso, que para mim, você voltaria a qualquer momento, para o nosso convívio, para as pessoas que realmente lhe amam e, que talvez agora, lhe seja possível avaliar o quanto!

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