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Cartas-->Carta à Cininha -- 25/03/2003 - 00:21 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Cininha,
Estava em Fortaleza no último dia 20, quando tomei conhecimento de sua viagem para o Céu.
Prontamente, embarquei no primeiro avião que saiu daquela cidade em direção ao Rio de Janeiro, para despedir-me da querida irmã.
Durante o percurso, relembrei as outras vezes em que a acompanhei até pontos de partida – estações, ferroviárias ou rodoviárias, e aeroportos – para grandes ou pequenas jornadas. Invariavelmente, eu a reencontrei algum tempo depois. Creio que não será diferente desta vez. Certamente, encontrarei a saudosa mana, se seguir seu exemplo, em um mundo melhor, cheio de alegrias e vazio de tristezas.
Lembro-me de seu amor pelos pais, demonstrado desde sua infância. E eles dedicavam-lhe uma atenção toda especial, o que me levava a reclamar, enciumado, do fato de você ser o xodó do papai e da mamãe. Só que você realmente merecia o carinho especial por eles evidenciado, diante do respeito e apoio que lhes destinava. E assim foi até a velhice de seus queridos progenitores: uma dedicação incrível nos últimos anos de vida do papai e demonstrações de grande amizade por minha mãe.
E é por causa disso, Cininha, que você tem o Céu garantido. Sei que isso é bom para você. Eu sei que é! Mas a sua ausência deixa uma enorme lacuna em minha vida.
E os cuidados que você tinha com os irmãos? Lembro-me da menina que, por ser a irmã mais velha (a diferença de idade não era tão grande como pode parecer), julgava-se no direito de substituir a mãe em suas ausências para lecionar. Eu revoltava-me com as suas ordens:
- Pedro, vai tomar banho! – Pedro, vai escovar os dentes! – Pedro, vai estudar!
Não foram poucos os momentos em que respondi:
- Não sou seu empregado! – Você não é minha mãe!
Só hoje sei que você era, sim, uma mãe. Uma mãe substituta, mas uma mãe.
E o desvelo no lidar com os irmãos estendeu-se até os últimos anos. Você sempre esteve pronta para ajudá-los e não conseguia disfarçar a alegria que a tomava quando nos recebia em seu apartamento, fazendo-nos sentir como se estivéssemos em nossas próprias casas.
E é por causa disso, Cininha, que você está indo para um bom lugar. Que coisa boa! Mas isso não me impede, repito, de sentir uma grande falta de você.
E a atenção por você dispensada ao Antônio, seu marido? Vocês sempre se trataram com respeito e amor. Em quase quarenta anos de casados, nunca verifiquei qualquer arrefecimento da dedicação de um pelo outro. Você sempre deu ao esposo o apoio necessário nos momentos difíceis, compartilhando com ele as horas felizes.
É por esse motivo, Cininha, que você está indo para o Paraíso. Promoção por merecimento. Fico feliz por você. Mas como dói, minha querida irmã, não mais revê-la neste mundo.
E quanto aos filhos, o que posso dizer? Pode até haver mãe com um amor semelhante por seus rebentos, mas, certamente, nenhuma com um sentimento da espécie mais intenso do que o seu. A preocupação com o bem-estar dos meninos foi constante, nunca faltando um conselho ou uma palavra de conforto para oferecer-lhes. E os seus cuidados presentearam o mundo com jovens possuidores de bela formação e bom caráter, para orgulho da mãe. E eles sempre tiveram por você um amor imensurável.
O mesmo tratamento era dispensado às netas. Você foi uma vovó coruja, sempre pronta para concretizar os desejos da Luísa e da Bruna.
Entende, Cininha, o motivo de sua premiação com uma moradia celeste? Está bom! É justificável a sua alegria. Mas não posso evitar um vazio em meu peito quando sei que não mais a encontrarei em minhas idas ao Rio de Janeiro.
Até em seus momentos finais aqui na Terra, quando o sofrimento a envolvia de forma violenta, suas dores eram geralmente ofuscadas pelas preocupações com a mãe, o marido, os irmãos, os filhos e os netos.
O tratamento gentil e respeitoso também foi dispensado aos amigos, colegas de trabalho, empregados e outras pessoas com quem você se relacionou. Todos a apreciavam.
Oh, Cininha! Quem sabe se não foram as suas qualidades que fizeram Deus desejar tê-la ao seu lado? Assim, o Céu ficaria ainda melhor. Mas mesmo sabendo que você vai ficar bem, deploro, talvez egoisticamente, não vê-la por perto.
O meu consolo, irmã, é saber que poderemos nos encontrar qualquer dia desses, certamente num mundo melhor, sem guerras, sem sofrimentos, sem desamor.
Brasília (DF), 24.3.2003
Pedro Wilson

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