Usina de Letras
Usina de Letras
Usina de Letras
102 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

Artigos ( 53296 )
Cartas ( 21472)
Contos (12814)
Cordel (9274)
Crônicas (20506)
Discursos (3151)
Ensaios - (10291)
Erótico (21360)
Frases (43690)
Humor (22040)
Infantil (4558)
Infanto Juvenil (3268)
Letras de Música (5689)
Peça de Teatro (1373)
Poesias (139478)
Redação (2959)
Roteiro de Filme ou Novela (1092)
Teses / Monologos (2637)
Textos Jurídicos (2134)
Textos Religiosos/Sermões (4047)




= SERVIÇOS =
Patrocine um Autor
Vitrine
Copia CD
Facilidades para o QA
Nossa Proposta
Fale Conosco
Nota Legal
 




 
Busca | Placar | Assine/Renove | Quadro de Avisos: 1 2 | Ajuda | Autores | Central do Autor | Contato | Logoff
Serviços: Patrocine um Autor ou Texto | Vitrine | Cópia de seus Textos | | Publique seu E-BOOK|

Receba um aviso sempre que este autor publicar novos textos, clique aqui
Ensaios-->A CONSCIÊNCIA DA LIBERDADE E OUTROS TEMAS -- 14/08/2008 - 10:34 (Mário Ribeiro Martins)
Patrocine esse Autor Patrocine esse Texto envie este texto para um amigoveja outros textos deste autor
INTRODUÇÃO


Veja os assuntos tratados neste Ensaio, em ordem alfabética:

A COLUNA PRESTES E O FUNCIONÁRIO DA PREFEITURA DE PALMAS.
A CONSCIÊNCIA DA LIBERDADE.
A CONSTRUÇÃO DO ROMANCE EM MOURA LIMA.
A FUNÇÃO DO EXECUTIVO (I).
A FUNÇÃO DO EXECUTIVO (II).
A FUNÇÃO DO EXECUTIVO (III).
A FUNÇÃO DO SOCIÓLOGO (I).
A FUNÇÃO DO SOCIÓLOGO (II).
A FUNÇÃO DO SOCIÓLOGO (III).
A “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”.
A IDENTIDADE SOCIAL.
A INJUSTIÇA DOS CORREIOS COM AS BIBLIOTECAS.
A LEI BURLANDO A LEI.
A PALMA QUE SE TRADUZIU EM PALMAS.
A PASSAGEM DO MÉDICO JÚLIO PATERNOSTRO POR PARANÃ.
A PASTORAL DA ASSISTÊNCIA E SUA FUNDAMENTAÇÃO.
A PENA DE MORTE É A LEGÍTIMA DEFESA DA SOCIEDADE.
A PROPÓSITO DE JOSÉ PIANI.
A RESPOSTA DE GILBERTO FREYRE.
A SEPULTURA DO GENERAL.
A SOJA COMO DESASTRE ECOLÓGICO.
A VERDADEIRA FÁBULA DO PINÓQUIO.
ACADEMIA EVANGÉLICA DE LETRAS.
ATENÇÃO, ESCRITORES!
BERÇO CULTURAL DO TOCANTINS.
BIBLIOTECAS: AGÊNCIAS DE CULTURA.
BIOGRAFIAS E BIÓGRAFOS.
CANTO DE MORTE NOS POETAS NACIONAIS.
CANTO DO CISNE(Joana Camandaroba*)
CARTA A GILBERTO FREYRE NETO.
CIDADE PERDIDA DOS PIRINEUS.
CONFLITO DE GERAÇÕES.
CONHECENDO O TOCANTINS.
CORONEL FACUNDO, MEU PARENTE.
COSMOVISÃO DA LITERATURA DE MOURA LIMA.
CURIOSIDADES DO EVANGELISMO NACIONAL.
DESARMAR O CIDADÃO PARA PROTEGER O BANDIDO.
DIONÍZIO CURADOR, MEU PARENTE.
DIREITOS DA SOCIEDADE.
DOIS AMIGOS E SEUS ENÍGMAS HISTÓRICOS.
ENCANTAMENTO DO MUNDO.
ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA.
ENTREVISTA COM MÁRIO RIBEIRO MARTINS.
ESCRITORES DO EVANGELISMO BRASILEIRO.
ESTADOS REPRESENTADOS NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.
EXERCÍCIOS DE ADMIRAÇÃO.
EXISTE UMA LITERATURA CRISTÃ?
FÁTIMA RORIZ E SUAS REFLEXÕES.
HORÁCIO DE MATOS E O CAPITÃO MANOEL QUIRINO MATOS.
HORÁCIO DE MATOS E O MAJOR MOTA COELHO.
IGREJA E ESTADO NA ESPANHA.
IOGA: RELIGIÃO OU TERAPIA?
JORGE AMADO E O "COLÉGIO ESPERANÇA".
JOSÉ PIANI: SUA ABJURAÇÃO.
JUERP: UMA IMAGEM DE GINSBURG.
LEITURA: UM HÁBITO NECESSÁRIO.
LICÍNIO BARBOSA E SEUS “DEUSES E DEMÔNIOS”.
LITERATURA GALEGA.
MEDO DE FANTASMA.
MEMÓRIAS MISSIONÁRIAS.
MESA REDONDA DO CEULP/ULBRA.
MIRORÓS-UM PROJETO INACABADO.
MOEMA DE CASTRO E SEU ESPAÇO DA CRÍTICA.
NORMAS PARA UM "PLAY-BOY".
O “CANTÃO” TRANSFORMADO EM PASTO.
O DESCASO DOS GERENTES DE AGÊNCIAS DE CORREIOS COM AS BIBLIOTECAS.
O “DICIONÁRIO CRÍTICO” DE NELLY NOVAES COELHO.
O BAIANO DE ITAPARICA.
O BRASIL ESTÁ VIRANDO UM PAÍS DE CORRUPTOS?
O COLORIDO DOS CAIXÕES.
O CRIME DO CORONEL LEITÃO.
O DICIONÁRIO CRÍTICO DE ESCRITORAS BRASILEIRAS.
O GENERAL DA BIBLIA.
O GENERAL DO POVO.
O GOLPE DA RAPINA.
O GOVERNO DO TOCANTINS E A SEDE DA ACADEMIA.
O MENOSVÁLIDO NA ARTE E NA HISTÓRIA.
ONDE DEUS É BRASILEIRO (Sobre o Jalapão).
O PODER TERAPÊUTICO DA MÚSICA.
O PRESIDENTE QUE MORREU EM CERES.
O SUPLEMENTO COMO JORNALISMO LITERÁRIO.
O SUPREMO NÃO É INTOCÁVEL.
O VOTO DE PROTESTO.
OBSTÁCULOS E SOLUÇÕES NA COMUNICAÇÃO.
ONDE DEUS É BRASILEIRO.
OS DEZ ANOS DE SERRA DOS PILÕES.
PALAVRAS AO CORAÇÃO...(Enaura Machado).
PASTORAL DA ASSISTÊNCIA.
PASTORAL DA PSICOTERAPIA.
PASTORAL DE ACONSELHAMENTO.
PASTOR EVANGÉLICO.
PEDRO WILSON E OSVALDO ALENCAR.
POETAS DO EVANGELISMO BRASILEIRO.
POLÍTICOS DO BRASIL-UM LIVRO DE SE LER.
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DO DIREITO COMUM.
PROGRESSO: O ENIGMA DO SÉCULO.
PT: UNÇÃO DOS ENFERMOS OU EXTREMA-UNÇÃO?
QUEM NÃO FOI PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.
RESTRIÇÕES À ENCICLOPÉDIA BARSA.
RIO LARGO: BERÇO E TÚMULO.
SAIU O LIVRO DE EDIMÁRIO.
SILOGEU DE IMORTAIS.
SOB O SIGNO DA GERAÇÃO 65.
SOBRE “PLUMAGEM DOS NOMES”, DE GILBERTO MENDONÇA TELES.
SONEGAÇÃO DE DÍZIMOS.
TEOTÔNIO SEGURADO E O DICIONÁRIO DO BRASIL IMPERIAL.
TOCANTINENSES, TOCANTINS.
TOLSTOI E O PADRE JOÃO.
TURISMO & DIFICULDADES.
TURISMO E DESENVOLVIMENTO.
UM BAIANO ILUSTRE.
UM CARIOCA ILUSTRE.
UM DICIONÁRIO DE CENTO E VINTE E SEIS ANOS.
UM DICIONÁRIO TOCANTINENSE.
UM DOS MAIS NOTÁVEIS DICIONARISTAS.
UM FILHO DE CANABRAVA DO GONÇALO.
UM IPUPIARENSE ILUSTRE.
UM LIVRO ESPECIAL.
UM MARANHENSE ILUSTRE.
UM PERNAMBUCANO ILUSTRE.
UM POLÍTICO SERTANEJO.
UM SENHOR ENSAIO.
UMA CRÍTICA AO CURRICULO LATTES, DO CNPq.
UMA ILUSTRE FAMILIA DE ARRAIAS.
UMA SUGESTÃO AO SISTEMA CURRICULO LATTES.
UNIVERSIDADE DE KENTUCKY DIVULGA MACHADO DE ASSIS.
VIAGEM AO TOCANTINS.
VIAGEM PELOS RIOS TOCANTINS E ARAGUAIA.
“VOSSA SENHORIA”-O MENOR JORNAL DO MUNDO.



Mário Ribeiro Martins*




Depois que publiquei o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS(Goiânia: Kelps, 2007), o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA EVANGÉLICA DE LETRAS DO BRASIL(Goiânia: Kelps, 2007), o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS(Goiânia: Kelps, 2007), o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE GOIÁS(Goiânia: Kelps, 2008), o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA FEMININA DE LETRAS E ARTES DE GOIÁS(Goiânia: Kelps, 2008), o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS(Goiânia: Kelps, 2008), resolvi transformar em livro alguns dos meus artigos publicados em Jornais e Revistas, alem da INTERNET, no site www.usinadeletras.com.br ou ainda em www.mariomartins.com.br.
Sempre desejei fazer esse tipo de publicação, mas nunca tive oportunidade. Escrevi dezenas de artigos para Jornais e Revistas de todo o Brasil, dos quais, guardo, com muito carinho, os já envelhecidos e empoeirados recortes.
Fui colaborador do JORNAL DO COMMERCIO, no Recife, em Pernambuco, entre os anos de 1972 e 1974, na época de Alberto Cunha Melo. Escrevi para o DIÁRIO DE PERNAMBUCO, também no Recife, entre 1970 e 1974. No Rio de Janeiro, colaborei com o JORNAL BATISTA, também na década de 1970, ainda sob a direção do Pastor José dos Reis Pereira.
Ao deixar o Recife, passei a colaborar no jornal O POPULAR, de Goiânia, em 1975, na época do Suplemento Literário, dirigido por Miguel Jorge.
Mas, escrevi, como free lancer, para dezenas de jornais e revistas, entre os quais, REVISTA UNIVERSITÁRIA CAMPUS, do Rio de Janeiro, na época do Pastor Isanias Batista dos Santos, jornal CORREIO DO PLANALTO, de Anápolis, de Dilmar Ferreira, REVISTA UNIVERSITÁRIA ABERTURA, do Rio de Janeiro, JORNAL HOJE, de São Paulo, jornal MANCHESTER, de Anápolis, REVISTA UNIVERSITÁRIA EDUCAÇÃO E REALIDADE, de Porto Alegre, revista IMAGEM ATUAL, de Anápolis, jornal FOLHA DE GOIAZ, DIÁRIO DA MANHÃ, GAZETA CULTURAL, etc.
Na verdade, o que se tornou difícil foi a escolha dos artigos que deveriam fazer parte desta coletânea. Entre mais de mil artigos publicados em jornais e revistas, sobre assuntos diversos, a tarefa não foi fácil. No futuro, outro livro será publicado com os demais artigos.
Por outro lado, o titulo do livro foi complicado. ARTIGOS DO AUTOR NA INTERNET? E alguém poderia dizer: Se já estão na internet, por que colocá-los em livro? Em primeiro lugar, porque nem todos têm acesso à Internet. Em segundo lugar, porque o livro pode ser transportado para onde o leitor desejar.
Enfim, resolvi pegar um dos artigos e colocá-lo como parte do título. Fiquei entre três títulos: O COLORIDO DOS CAIXÕES E OUTROS TEMAS ou O CANTO DE MORTE E OUTROS TEMAS ou ainda EXERCICIOS DE ADMIRAÇÃO E OUTROS TEMAS. Finalmente, meu irmão Filemon deu a palavra final: O CANTO DE MORTE E OUTROS TEMAS.
Ocorreu que, os amigos começaram a fazer várias ponderações. Uns, a favor do titulo. Outros, radicalmente contrários. Resolveu-se o problema, com um sorteio entre todos os artigos existentes no livro. Assim, o titulo ficou: A CONSCIÊNCIA DA LIBERDADE E OUTROS TEMAS.
Em todos os livros publicados pelo autor, há sempre o seu Curriculum Vitae completo, bem como a relação de seus artigos publicados em jornais, revistas e na internet.
Observa-se que os leitores têm aquela preocupação de saber de que trata tal artigo. Sugerir que o leitor procure o JORNAL DO COMMERCIO, no Recife, de 04.10.1972, para ler o artigo GILBERTO FREYRE À LUZ DOS RELATÓRIOS DE RICHMOND, é totalmente impossível. Muito mais fácil, tê-lo num livro.
Ao longo do tempo, os artigos publicados giraram em torno de:
CAMPO BIOGRÁFICO- Aí, o enfoque principal foi Gilberto Freyre, seu pai Alfredo Freyre e outros nomes, como Thomas Helwys, José Piani, Abreu e Lima, Mahatma Gandhi, Jorge Amado e muitos outros. Entusiasmei-me com o campo biográfico que cheguei a publicar um livro chamado MISSIONÁRIOS AMERICANOS E ALGUMAS FIGURAS DO BRASIL EVANGÉLICO.
CAMPO HISTÓRICO- Aqui, o enfoque foi geral. Desde o Menosválido na Arte e na História até os Protestantes Franceses no Recife Holandês.
CAMPO SOCIOLÓGICO- Aí, os assuntos foram desde Sociologia da Mendicância e Simulação até a Problemática Humana na Sociedade Urbana.
CAMPO EDUCACIONAL- Neste campo, há artigos, como O Colégio Americano Batista e sua influência na formação nacional, Educação e Relações Raciais nos Estados Unidos.
CAMPO FILOSÓFICO- Aqui são tratados temas, como o Hinduismo Filosófico e seu espírito, A Visão Filosófica de Toynbee, Filosofia Rotária, Filosofia Maçônica, etc.
CAMPO TEOLÓGICO- Assuntos polêmicos, como Igreja-Inimiga do Povo? Satanás-Mito ou Realidade? E ainda amenidades, como O Misticismo de Bernardo de Clairvaux, O Argumento Ontológico de Anselmo, etc.
CAMPO ECONÔMICO- Temas, como Progresso: Um Enigma do Século, O Colorido dos Caixões, O Turismo como Fonte de Renda, Turismo no Césio, etc.
CAMPO PSICOLÓGICO- Assuntos, como Conflito de Gerações, Pastoral do Aconselhamento, O Poder Terapêutico da Musica, etc.
CAMPO CRÍTICO-LITERÁRIO- Neste campo, foram escritos centenas de artigos, de tal forma que, alguns deles, foram transformados no livro ESTUDOS LITERÁRIOS DE AUTORES GOIANOS.
CAMPO JURÍDICO- Vários artigos foram publicados, como Nexo Causal, Aspectos Jurídicos da Marginalização Social, Procedimentos Especiais do Direito Comum.
CAMPO CULTURAL- Dezenas de artigos publicados, como Um Casamento Cientifico, Turismo Cultural, Velhacos e Mendigos, O Encanto Belo das Pontes do Recife.
CAMPO PROFISSIONAL- Foram produzidos artigos, como A Função de Sociólogo, A Função de Executivo, etc.
CAMPO LÍTERO-ALTERNATIVO- Coleção de artigos sobre Livros, Autores e Alternativos, quase todos eles publicados no jornal CORREIO DO PLANALTO, de Anápolis, em 1989.
Como se vê, o elenco de artigos é grande demais, daí a dificuldade de escolher apenas alguns deles para fazer parte do livro.
Membro da Academia Goiana de Letras, desde 1983, da Academia Tocantinense de Letras, desde 2001 e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, da União Brasileira de Escritores de Goiás, da Associação Goiana de Imprensa e da Academia Goianiense de Letras, fui também Fundador e Presidente da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras. Membro correspondente de diferentes academias no Brasil e exterior.
Publiquei LETRAS ANAPOLINAS(600 páginas, 1984), JORNALISTAS, POETAS E ESCRITORES DE ANÁPOLIS(610 páginas, 1986), ESTUDOS LITERÁRIOS DE AUTORES GOIANOS(1057 páginas, 1995), ESCRITORES DE GOIÁS(816 páginas, 1996), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS(1234 páginas, 1999), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS(924 páginas, 2001), RETRATO DA ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS(470 páginas, 2005). DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS(1.034 páginas, 2007), DICIONÁRIO GENEALÓGICO DA FAMILIA RIBEIRO MARTINS(140 páginas, 2007), MISSIONÁRIOS AMERICANOS E ALGUMAS FIGURAS DO BRASIL EVANGELICO(496 páginas, 2007), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA EVANGELICA DE LETRAS DO BRASIL(394 páginas, 2007), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS(540 páginas, 2007), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE GOIÁS(710 páginas, 2008), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA FEMININA DE LETRAS(368 páginas, 2008), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS(586 páginas, 2008).
Portanto, o que consegui, ainda que frágil, aí está. Os artigos foram colocados em ordem alfabética, conforme o sumário. Para qualquer observação ou crítica, pode-se usar o e-mail mariormartins@hotmail.com ou a Caixa Postal, 90, Palmas, Tocantins, 77001-970.


*Mário Ribeiro Martins
é escritor e Procurador de Justiça.
(mariormartins@hotmail.com)
Site: www.mariomartins.com.br
HomePage:www.genetic.com.br/~mario
Fones:(063)32154496Celular:(063) 9977 93 11.
Caixa Postal, 90, Palmas,Tocantins,77001-970.











Este capítulo deve começar em PÁGINA IMPAR.





A COLUNA PRESTES E O FUNCIONÁRIO
DA PREFEITURA DE PALMAS.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).

Mário Ribeiro Martins*


O funcionário da Prefeitura de Palmas, cujo nome não foi revelado, a que se refere Alexandre Acampora, em seu artigo “A COLUNA PRESTES PRESTA?”, no JORNAL DO TOCANTINS, Palmas, 14.10.2005, parece não ter lido o livro ENTRE SERTANEJOS E INDIOS DO NORTE, do Frei José Maria Audrin, publicado pela Editora Agir, do Rio de Janeiro, em 1946.
O capítulo XXVI, do referido livro, tem como sub-título: “A COLUNA PRESTES NA CIDADE E NA DIOCESE DE PORTO NACIONAL- Detalhes pitorescos- documentos inéditos- a verdade sobre a Coluna pelos Sertões do Norte”.
É de bom alvitre relembrar alguns parágrafos do dito livro, mesmo porque o autor é o Frei José Maria Audrin, Superior do Convento Dominicano em Porto Nacional.
Diz ele: “Encarregados da Paróquia e do Bispado, na ausência de Dom Domingos Carrerot, eu e o meu companheiro Frei Bertrand tudo tentamos para acalmar o povo, impedir o abandono dos lares e a corrida para os matos. Tudo em vão. As autoridades eram as primeiras nessa carreira louca- Intendente, Juiz de Direito, Delegado, Promotor, Policiais, etc.”
“Ficamos quase sós, os Padres, as Irmãs, um grupinho de homens e algumas velhinhas mais confiantes em Deus e mais obedientes aos Missionários”.
“No dia seguinte, recebi uma carta assinada pelo General Miguel Costa, pelo Coronel Luiz Carlos Prestes e pelo Tenente-Coronel Juarez Távora tranqüilizando a população de Porto Nacional. Pelas 11(onze) horas do dia 12 de outubro(1925), entrou na cidade uma forte vanguarda chefiada pelo Comandante Paulo Kruger. Pelas duas(2) horas da tarde, chegou o primeiro batalhão comandado pelo Tenente-Coronel João Alberto Lins”.
“Nos dias 13, 14 e 15 desfilaram pela cidade episcopal de Dom Domingos, os três batalhões, chefiados, respectivamente, pelos Tenentes-Coronéis Cordeiro de Faria, Antonio Siqueira Campos e Djalma Dutra. Os Revolucionários perfaziam um total de 1.700 homens espalhados pela cidade. Permaneceram entre nós, os serviços de policiamento e a guarda do Estado Maior, constituído pelo General Miguel, por Prestes e por Juarez Távora.”
“Estes distintos oficiais aceitaram instalar-se em nossa casa e conosco ficaram sete dias. Uma rigorosa disciplina reinava na cidade. Nas rezas do mês do Rosário, à noite, a igreja via numerosos soldados unidos às nossas orações. No domingo, os gaúchos pediram licença para cantarem os “benditos” de sua terra longínqua. Houve mesmo batizados de criancinhas de mulheres casadas ou não que acompanhavam a coluna”.
Finalmente, escreveu o Frei José Maria Audrin: “Feitas estas declarações exigidas pela verdade histórica, é-nos sumamente grato recordar e publicar que, de todos os componentes do exército revolucionário, foi o então Coronel Luiz Carlos Prestes o mais atencioso e delicado para nossos sertanejos. Também a justiça obriga-nos a declarar que os Revoltosos de 1925-1926, concluídas as lutas e alcançada a vitória, tem continuado a lembrar-se com afetuosa gratidão dos Missionários de Porto Nacional”(Frei José Maria Audrin, ENTRE SERTANEJOS E INDIOS DO NORTE. Rio de Janeiro, AGIR, 1946, páginas 247 a 261).
Para o funcionário da Prefeitura, no entanto, conforme Alexandre Acampora, "a Coluna Prestes não prestou para nada, a não ser para aborrecer Dona Nonô de Porto Nacional". Mas como disse Alexandre: "Pobres de nós, crédulos estudiosos da história, enganados pelo reconhecimento internacional da marcha da coluna e por todos os estudos de sociologia política e de história".



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A CONSCIÊNCIA DA LIBERDADE
(THOMAS HELWYS)

Mário Ribeiro Martins*


A reforma protestante na Inglaterra teve características próprias. Não produziu nenhum líder que proclamasse os princípios com certa paixão e durante muito tempo o povo não teve participação no assunto.
Os grupos puritanos, desiludidos da possibilidade de uma reforma radical na Igreja Anglicana, começaram a formar congregações separadas e daí o nome "Separatistas".
Entre os grupos separatistas da Inglaterra havia uma Congregação em Gainsborough, da qual um dos membros mais influentes era Thomas Helwys. Nascido num período de tolerância religiosa, durante o reino de Elizabeth, viveu, no entanto, o fim de sua existência debaixo da intolerância de Tiago I. Formou-se em Direito em Londres e tornou-se um líder de capacidade.
Influenciado por John Smith, pastor da Congregação de Gainsborough, e sentindo que era a vontade de Deus, Thomas Helwys partiu, em 1607, numa expedição financiada por ele mesmo, através do Mar do Norte, em direção a Amsterdam, Holanda, deixando na Inglaterra, esposa e filhos.
Com a adesão de John Smith a um grupo menonita, Thomas Helwys dele se separou, voltando à Inglaterra entre 1611 e 1612, e organizando em Spitafield, muito discretamente, a Primeira Igreja Batista composta de ingleses em solo inglês. Esta foi também a primeira das igrejas conhecidas por batistas gerais, pelo fato de professar a teologia arminiana da expiação.
Os seguidores de Helwys estavam convencidos de que a Inglaterra precisava de seu testemunho, apesar das perseguições ainda correntes. O importante para ele era obedecer a Deus, mesmo que tivesse de pagar o preço com a própria vida. Daí ter decidido entregar ao Rei Tiago I uma cópia de sua Curta Declaração do Mistério da Iniqüidade.
Seu propósito de fazer chegar às mãos do Rei pessoalmente sua petição para a completa liberdade religiosa na Inglaterra foi impossível. Mas compôs uma inscrição diretamente a Tiago e assinou seu nome. Disse ele ao monarca inglês: "O Rei é um mortal e não um Deus, portanto, ele não tem poder sobre as almas imortais de seus súditos para fazer leis e ordenanças para eles e colocar senhores espirituais sobre eles. Se o Rei tem autoridade para fazer senhores espirituais e Leis, então ele é um Deus imortal e não um homem mortal".
Estas palavras lhe custaram a prisão em Newgate por ordem de Tiago I. O pastorado da Igreja passou a ser exercido por John Murton, enquanto Thomas Helwys morria em 1616.
Embora seja impossível pensar que as igrejas batistas seguem a mesma linha de pensamento da congregação de Helwys algumas daquelas idéias são colocadas em prática hoje, enquanto outras são desconhecidas ou mesmo rejeitadas. Sua contribuição para a liberdade religiosa foi extraordinária, porquanto mesmo antes de sua morte, outros corajosos, imbuídos do mesmo sentimento e visão começaram a proclamar a essencialidade da mesma mensagem na Inglaterra.
O fato de Thomas Helwys apresentar a sua Congregação como a única verdadeira Igreja Cristã da Inglaterra não impediu que ele defendesse a liberdade religiosa para todos os grupos.
No pórtico da Igreja Batista de Bilborough, em 1662, foi colocada esta inscrição:

“THOMAS HELWYS
1550-1616

Membro da Igreja Separatista de Gainsborough, companheiro de John Smith em Amsterdam, líder da Primeira Igreja Batista de Londres, autor da primeira súplica em Inglês pela completa liberdade de consciência que viveu por alguns anos perto deste lugar, em BROXSTOWE HALL”.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A CONSTRUÇÃO DO ROMANCE
EM MOURA LIMA

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*

“Nenhuma leitura refaz exatamente o traçado das precedentes-a obra sai transformada ante cada novo olhar. Em face de nossa indagação, a obra é sempre um valor, jamais uma coisa”. GAETAN PICON


“MOURA LIMA- A VOZ PONTUAL DA ALMA TOCANTINENSE”, este é o título do novíssimo livro de MOEMA DE CASTRO E SILVA OLIVAL(Goiana, de Goiás Velho, 1932).
Figura das mais ilustres da literatura goiana. Filha de Colemar Natal e Silva. Neta de Eurídice Natal e Silva. Bisneta de Joaquim Xavier GUIMARÃES NATAL. Este, aliás, único goiano até hoje(2003), Ministro do Supremo Tribunal Federal e nome de Rua em Copacabana, no Rio de Janeiro. Seu bisavô recebeu o sobrenome NATAL, em virtude de ter nascido no dia 25 de dezembro de 1860, na antiga Vila Boa, hoje Cidade de Goiás.
Por um lapso, Moema terminou não sendo incluída no “DICIONÁRIO CRÍTICO DE ESCRITORAS BRASILEIRAS”, da Professora Nelly Novaes Coelho, livro lançado em São Paulo, com 750 páginas, em março de 2003, pela Editora Escrituras, o que foi uma ausência lamentável, precisamente pelo fato de já ter publicado dezenas de obras, entre as quais, “ESPAÇO DA CRÍTICA-PANORAMA ATUAL”.
Ela que já foi estudada na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, com edição revista e atualizada por Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001. Ela que é verbete do livro ENSAÍSTAS BRASILEIRAS, de Heloísa Buarque de Hollanda e Lúcia Nascimento e também do DICIONÁRIO DE MULHERES, de Hilda Agnes Hubner Flores, bem como ainda do DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO, de José Mendonça Teles e mais ainda do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS, de Mário Ribeiro Martins, bem como do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br.
Pois bem, é exatamente esta figura ilustre, Professora aposentada da Universidade Federal de Goiás, membro da Academia Goiana de Letras e Doutora em Letras Clássicas e Vernáculas, pela Universidade de São Paulo, que acaba de produzir tão significativa obra. Moura Lima é hoje um dos maiores nomes da literatura nacional. Morasse ele no eixo RIO/SÃO PAULO já teria sido, certamente, um dos nomes recomendados pela revista VEJA, em sua coluna especializada.
Moura Lima é o escritor referência do Tocantins, pois, com o seu romance SERRA DOS PILÕES, JAGUNÇOS E TROPEIROS, depois de ser ungido pela crítica autorizada do país, teve o mérito de colocar o Estado do Tocantins no mapa da Literatura Brasileira.
Com o ensaio, “MOURA LIMA- A VOZ PONTUAL DA ALMA TOCANTINENSE”, a ilustre titular da Academia Brasileira de Filologia e festejada crítica brasileira Moema de Castro e Silva Olival, apresenta um dos mais bem elaborados estudos da obra romanesca e contística do escritor tocantinense Moura Lima, a partir dos romances SERRA DOS PILÕES, CHÃO DAS CARABINAS e dos livros de contos VEREDÃO, MUCUNÃ e NEGRO D`ÁGUA.
Embora seja este o segundo estudo acadêmico em que o autor tocantinense é contemplado, sendo o primeiro do crítico brasileiro Francisco Miguel, com o título “MOURA LIMA-DO ROMANCE AO CONTO-A TRAVESSIA FECUNDA PELOS SERTÕES DE GOIÁS E TOCANTINS”, a ilustre crítica goiana, apoiada em profícua experiência literária, após criterioso desmonte da arquitetura verbal da obra mouriana, recupera a unidade dos textos, “farolando-os”, por dentro, para facilitar a decodificação que norteia a engrenagem latente de seu mecanismo criador.
Assim sendo, a notável crítica, para robustecer o processo investigativo literário, procurou firmar-se na visão transfenomenal do mosaico romanesco mouriano, ungindo-o à reflexão do estrato original das obras em estudo, ou seja o afloramento das qualidades metafísicas que acompanha o pulsar da fenomenologia materializada à transposição da linguagem, na estrita observância dos elementos que são capazes de movimentar uma metalinguagem aderida pelo autor na elaboração de seu projeto ficcional.
Portanto, o riquíssimo estudo da Professora Moema de Castro, além de instruir o processo investigativo da criação narrativa de Moura Lima, ministra lições profundas de como deve ser o procedimento do estudo de uma obra literária, cumprindo assim, uma etapa analítica e outra didática, de grande alcance.
Observa-se, por exemplo, por dentro de sua investigação literária, um manejo sólido da bibliografia abundante e vasta, sem intenções preconcebidas de rebuscamentos eruditos agressivos. Em Moema de Castro, tudo é analisado à luz do próprio texto!


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A FUNÇÃO DO EXECUTIVO (I)


Mário Ribeiro Martins*

Não se trata propriamente de uma profissão, mas estando vinculado a qualquer profissão pode o indivíduo, eventualmente, tornar-se executivo. É o executivo um herói ou vilão no exercício de sua função? Se, de um lado, o executivo é um gerente no mais alto nível da organização, consoante acentua Louis Allen, por outro lado, o executivo principal é o cargo a que cabe a responsabilidade de prestar contas de todas as atividades gerenciais e operacionais da empresa, como um todo.
As funções clássicas do executivo são, no entender de Fayol, prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. Gullick, no entanto, vai mais além, ao incluir nas funções do executivo, o planejamento, a organização, a liderança, a direção, coordenação relatório e orçamento.
Perguntar-se-á: a função do executivo é uma ciência, arte ou técnica? Embora se fale em técnica de executar, arte de executar, a administração é uma ciência porque seus postulados têm certeza, universalidade e conexão, e procura, no que concerne aos fenômenos do trabalho, substituir, conforme destaca Cantanhede, a opinião pelo conhecimento. Mas é também arte, no momento em que aplica as leis que descobriu. E é técnica, quando utilizada nessa aplicação.
Há um íntimo relacionamento entre a função de executivo e a moderna administração. Para Fayol, por exemplo, administrar é fazer funcionar o pessoal. Fazer coisas através de pessoas é a forma como Koontz e O’Donnell entende administrar. H. Trecker é muito mais realista ao focalizar a administração como um processo de trabalhar com pessoas, de forma a criar e relacionar suas energias, fazendo uso de todos os recursos disponíveis para alcançar um objetivo.
Na verdade, a moderna administração tem seus objetivos, entre os quais, a eficiência, a eficácia e a mordomia. Tudo esta voltado para o melhor rendimento do trabalho, a custo do menor investimento de tempo, de recursos e energia. Dir-se-á até que a moderna administração tem suas raízes bíblicas, em passagens como Atos 6:1-7, Lucas 14:28-31, etc.
Alguns pressupostos estão relacionados com a problemática do executivo. Chegam mesmo a constituir “condition sine qua non”(condição indispensável) para a existência do perfeito executivo. Um deles é o espírito criativo e que envolve humildade, indagação e coragem, para não se falar em capacitação técnica, racionalização de métodos e democratização administrativa.
No entanto, tais pressupostos não são inerentes ao indivíduo, donde se conclui pela necessidade de uma formação acadêmica que venha complementar a vivência do executivo. Se o cidadão é um bom executivo apenas pela experiência da vida, muito melhor seria se convenientemente preparado para tanto. (CORREIO DO PLANALTO. Anápolis, 13.12.1980).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A FUNÇÃO DO EXECUTIVO (II)


Mário Ribeiro Martins*

Inicialmente uma pergunta: a grande alternativa seria um executivo empírico ou técnico? Talvez os tipos clássicos de executivo possibilitem uma tomada de posição. Fala-se, por exemplo, no executivo autocrático que é aquele que se reveste de poder absoluto e absorve a iniciativa do grupo, polarizando na pessoa do líder, a capacidade de planejar, decidir e controlar os atos humanos.
É ele que encarna a liderança centralizada, egocêntrica, rígida, inflexível, inspirada na superestimação das virtudes pessoais. É sobretudo pelo medo que o líder autocrático promove a unidade do grupo. O segredo da sua liderança está em não deixar que dentro do grupo surja qualquer tipo de poder ou autoridade que possa contrastar com a sua.
O executivo democrático, por outro lado, é aquele cuja função principal à frente dos grupos é estimular a participação e cooperação, graças às quais, ele forja e mantém a unidade do grupo, distribuindo entre seus componentes a responsabilidade da sua sobrevivência e o resultado de suas iniciativas. A sua influência é mais fruto da sugestão e da persuasão do que da coação e da dominação.
Paternalista é o executivo situado entre o democrático e o autocrático. É o que resolve os problemas para o grupo. Não é dominador como autocrático e nem inspirador como o democrático. É o protetor do grupo. Sob sua influência o grupo, em geral, não desenvolve sentido da livre iniciativa.
O executivo “Laissez Faire” tem um papel passivo com respeito à participação social e oferece completa liberdade para as decisões individuais ou de grupo, em relação às atividades e às regras.
Diante desse quadro dos tipos clássicos de executivo é de se perguntar: é o executivo um líder ou um chefe? Enquanto o chefe constrange o subordinado à obediência, nos estritos limites do seu dever, o líder conquista a cooperação para a consecução da tarefa.
C.W. Johnson ilustra essa distinção: O chefe manda, amedronta, diz vá, diz eu, procura culpados, faz mistério, fiscaliza, promete e não cumpre. O líder orienta, entusiasma, diz vamos, diz nós, assume responsabilidades, comunica acompanha cumpre o que promete.
Como líder que é, o executivo tem suas características. Se o executivo está voltado para atividades religiosas, suas características seriam a regeneração, a vocação, a fé, a oração, a consagração, além de pressupostos morais, como a sinceridade, o idealismo, a humildade, a iniciativa, o otimismo, a coragem, a equidade. No entanto, se o executivo está voltado para outras atividades, suas características serão a inteligência, o conhecimento geral do trabalho, da organização, a adaptabilidade, perseverança, acessibilidade, espírito cooperativo, senso de humor, critério, simpatia, etc. (C. Postal, 827- Aps, Go).(CORREIO DO PLANALTO. Anápolis, 20.12.1980).

Atenção: Atualmente(2008), o autor recebe correspondência pela Caixa Postal 90, Palmas, Tocantins, 77.001-970.

MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A FUNÇÃO DO EXECUTIVO (III)

Mário Ribeiro Martins*


As possibilidades de liderança do executivo giram em torno da questão: ser ou tornar-se? Isto corresponderia a uma outra indagação: nascer líder ou fazer-se líder? A capacitação para a liderança é possível pelo exercício da auto-crítica, ouvindo a crítica dos amigos, atentando para a crítica dos adversários e estudando a experiência dos grandes líderes.
Claro é que o executivo tem o seu instrumental. E este começa pela formação de um “staff”. Lembre-se, à propósito, o mito do “super-homem”, as hipóteses de Mc Gregor e a administração participativa. A delegação de autoridade é parte integrante do instrumental do executivo. É função do líder transferir aos subordinados certos deveres e certa autoridade, gerando para estes novas responsabilidades.
Mas por que delegar autoridade? Para aliviar a pressão de trabalho sobre o líder, formar assistentes capazes de agir por conta própria nas emergências, prever casos em que o líder tenha de ausentar-se, facilitar ao líder momentos de reflexão e planejamento, estimular os subordinados a assumir maiores responsabilidades.
Mas o que delegar? D. Laird é de opinião que quando se responde a determinadas perguntas é possível saber o que delegar. Algumas delas: Quais as decisões de menor importância que o executivo deve tomar frequentemente? Quais os detalhes do cargo do executivo que absorvem mais tempo? Quais as funções que o executivo está menos qualificado a exercer? Quais os detalhes que mais aborrecem o executivo no seu trabalho?(CORREIO DO PLANALTO. Anápolis, 27.12.1980).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A FUNÇÃO DO SOCIÓLOGO (I)

Mário Ribeiro Martins*


Até poucos anos, o campo de atuação dos sociólogos, parecia estar limitado ao universitário ou acadêmico em geral. Eram, na maioria das vezes, pessoas que licenciadas ou doutoradas em outras disciplinas (fundamentalmente Direito, Filosofia) ou em Universidades estrangeiras, se dedicavam a cobrir os poucos claros que no mundo acadêmico existiam, referentes à Sociologia, em algumas Faculdades ou em Escolas Especiais.
Na atualidade, o número de possibilidades parece ter se modificado, e sobretudo, parece ter escapado do limite acadêmico e entrado pouco a pouco no terreno da empresa privada.
Veja-se, por exemplo, o sociólogo na Administração Pública. Neste sentido, as grandes Empresas de Bens de Consumo do país, junto com as Empresas de Publicidade, de Consulta e os Institutos de Investigação de Mercados ou de Estudos Sociológicos e de Opinião Pública, parecem ser as áreas em que o ofício ou função de sociólogo está encontrando e tem encontrado nos últimos anos uma clara presença.
Nas áreas da Administração, e precisamente naqueles lugares, nos quais o sociólogo teria uma participação mais produtiva, como podem ser as relacionadas com o Trabalho Social, em geral. Áreas não somente desatendidas, senão planejamentos políticos novos e fundamentalmente até uma profissionalização e racionalização adequadas.
Assim, por exemplo, teríamos esse grande campo da Relação Social, que iria desde os Corpos de Polícia até a Administração Penitenciária, passando por Serviços verdadeiramente profissionais de prevenção da delinqüência (principalmente da juvenil), e chegando até as áreas de atuação Post-Penitenciária, COMO SÓI ACONTECER em vários países do mundo.
Dentro também deste grande campo de trabalho, teríamos as áreas relacionadas com a Assistência Social em geral (Hospitais, Hospitais Psiquiátricos, Institutos Geriátricos, Centros de Reabilitação, etc), nos quais, o trabalho do sociólogo em geral e sobretudo, do psico-sociólogo, ao lado do Assitente Social, é imprescindível.
E por último, nas áreas da Administração Local, cobrindo áreas que vão desde a Polícia até as de Planificação Ambiental e Urbanística, passando por inumeráveis possibilidades intermediárias, como Gabinetes Técnicos, Serviços Municipais diversos, etc.
Em geral, podemos dizer que a Administração Pública nacional, tanto a nível central, como local, toma consciência algum dia de suas funções e das necessidades de reestruturação das mesmas, necessita irremediável e urgentemente dos profissionais da Sociologia ou seja dos ofícios e especialidades sociológicas concretas, como podem ser, as do sociólogo especialista (sociólogo industrial, sociólogo urbanista, sociólogo rural, sociólogo criminal, sociólogo policial, sociólogo juvenil, etc).(CORREIO DO PLANALTO. Anápolis, 25.10.1980).

ATENÇÃO: O autor formou-se BACHAREL E LICENCIADO em Ciências Sociais(Sociologia), pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1972.

MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A FUNÇÃO DO SOCIÓLOGO (II)


Mário Ribeiro Martins*

Além da atuação do sociólogo na Administração Pública, é possível encontrá-lo na Empresa Privada. Aliás, esta área é a única até agora, onde as ofertas de trabalho para o sociólogo crescem extraordinariamente, com uma progressão relevante. Na área da Empresa Privada, é de bom alvitre estabelecer, pelo menos, os seguintes estratos:
A GRANDE EMPRESA EM GERAL, na qual o sociólogo é solicitado tanto nos Departamentos de Pessoal, como nos de Marketing e Relações Públicas, oferecendo à Empresa levantamentos ora sobre sua penetração ora sobre a realidade social que a cerca.
A EMPRESA DE BENS DE CONSUMO, seja fabricante ou distribuidora, na qual o sociólogo pode estar vinculado aos Departamentos de Investigação de Mercados ou mesmo de Marketing em geral.
AS EMPRESAS E AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE, área na qual tem sido e é mais solicitada a presença do sociólogo, formando uma equipe com técnicos ou diretores dos Departamentos de Investigação de várias destas agências. Neste campo das Agências de Publicidade, é muito solicitada a preparação e o conhecimento das técnicas de investigação qualitativa, que constituem a base instrumental da quase totalidade dos estudos e investigações que se realizam nestas empresas.
AS EMPRESAS DE INVESTIGAÇÃO SOCIOLÓGICA E DE OPINIÃO PÚBLICA EM GERAL E OS INSTITUTOS DE ESTUDOS E INVESTIGAÇÃO DE MERCADO são os lugares onde a presença e solicitude de sociólogos tem sido mais importante e onde, apesar das atuais dificuldades econômicas pelas quais passam as empresas privadas, continuará mantendo, junto com as Agências de Publicidade, a maior oferta de trabalho para os profissionais da Sociologia.
Os sociólogos estão plenamente capacitados para realizar tarefas qualificadas e específicas que a própria sociedade reclama. Com efeito, nos mais diversos setores sociais, deve-se exigir que todo processo de tomada de decisões ou de execução que se realize no âmbito da Empresa, da Administração, da Política de Partidos ou das altas instâncias legislativas e de Governo venha respaldada por uma análise prévia daquela parcela da realidade social sobre a qual se quer atuar.
A prática atual mostra que, em boa parte dos casos, quem se encarrega desta tarefa são pessoas insuficientemente formadas no campo da Ciência Política ou da Sociologia.
O primeiro e grande obstáculo com que se depara a função de sociólogo é o INTURSISMO, isto é, pessoas com o título de Filosofia, de Teologia, de Psicologia, de Assistente Social ou qualquer advogado ou economista que tenha escrito alguma reflexão sobre determinado problema social, tais pessoas incorrem, com demasiada freqüência, no atentatório pecado de apresentarem-se capacitadas profissionalmente para a análise social e política, em detrimento dos verdadeiramente formados em Ciências Políticas e Sociologia.(CORREIO DO PLANALTO. Anápolis, 22.11.1980).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A FUNÇÃO DO SOCIÓLOGO (III)


Mário Ribeiro Martins*

A pouca divulgação da atividade do sociólogo poderia resultar no entendimento de que ele é um profissional isolado. Na verdade, o sociólogo faz parte de uma comunidade profissional, de âmbito internacional. Daí a diversidade de associações e instituições de Ciências Sociais e Sociologia espalhadas pelo mundo, todas elas voltadas para o ensino e para a realidade da profissão.
Uma breve resenha destas associações e suas características é o que se pretende apresentar a seguir.
THE BRITIS SOCIOLOGICAL ASSOCIATION, por quase 30 anos, tem manifestado todas as aspirações da sociologia britânica, em suas variedades, no sentido de promoção e desenvolvimento das Ciências Sociais. Desde 1962, esta associação edita sua própria revista “Sociology” e um boletim como canal de comunicação entre todos os seus membros. Ao longo do ano, reunem-se regularmente diferentes grupos de trabalho para debater temas da atualidade. Anualmente uma Conferência é realizada, além de uma “escola de verão” e um grupo de trabalho é permanentemente mantido para estudar os problemas da “Investigação e Ética Profissional”, que cuida das responsabilidades dos sociólogos no desempenho profissional.
INTERNATIONAL SOCIOLOGICAL ASSOCIATION, fundada em 1949, em Oslo, Noruega, sob a inspiração da UNESCO. Dela podem participar membros individuais e a que está vinculado o autor destas linhas. Seus objetivos são assegurar e desenvolver os contatos pessoais entre os sociólogos do mundo, impulsionar o intercâmbio de informação sobre desenvolvimentos significativos no conhecimento sociológico e facilitar a investigação sociológica internacional.
Entre as atividades que a ISA desenvolve, encontra-se a investigação em temas de sociologia realizada por 34 comités de investigação e documentação internacional sobre as Ciências Sociais. A cada 4 anos se realiza um Congresso de Sociologia, o último dos quais teve lugar em Uppsala no verão de 1978. São publicações da ISA, o CURRENTE SOCIOLOGY, com 3 números anuais, O SAGE STUDIES IN INTERNATIONAL SOCIOLOGY, trazendo informes sobre as investigações levadas a cabo pelos Comités e o resultado dos Congressos.
FEDERACION DE ASSOCIACIONES DE SOCIOLOGIA DEL ESTADO ESPANOL, reunido cerca de 10 associações nacionais e regionais, como a Andaluza, a Aragonesa, a Canaria, a Castellana, a Catalana, etc., cada uma delas com suas atividades específicas.
ASSOCIAÇÃO LATINO-AMERICANA DE SOCIOLOGIA, fundada em 1950, sob a iniciativa da UNESCO e de que foi Presidente o sociólogo argentino Alfredo Povina, com seus Congressos realizados de 2 em 2 anos.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE SOCIOLOGIA, associação de caráter nacional, fundada sob a orientação de Fernando de Azevedo em 1950, como um prolongamento da Sociedade de Sociologia de São Paulo, criada em 1934, e que hoje engloba as sociedades e associações estaduais de sociologia do Brasil, cujo número se eleva a mais de 100, incluindo-se os Institutos de Sociologia e Ciências Sociais das Universidades e entre as quais se encontra a SOCIEDADE GOIANA DE SOCIOLOGIA, com brilhante atuação no Estado de Goiás. (CORREIO DO PLANALTO. Anápolis, 16.12.1980).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS*



Não é sem razão que Liberato Póvoa é considerado o mais importante nome da literatura tocantinense, tanto no campo jurídico, como literário propriamente dito.
Acaba de lançar no mercado editorial brasileiro uma verdadeira preciosidade. Trata-se da “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”. Um extraordinário presente para tantos quantos queiram conhecer, de forma agradabilíssima, a história deste mais novo Estado da Federação.
Texto de significação profunda e bela, o livro revela o talento multiforme do autor, em que também o seu cabedal de experiências, como ser humano polivalente, especialmente em termos das diferentes facetas da vida, se faz presente de forma impressionante.
Nunca ninguém conseguiu, em cerca de 130 páginas, retratar tão bem a história do novo Estado do Tocantins. Devidamente ilustrado e com capítulos curtos, fáceis de serem compreendidos, o livro apresenta uma leitura agradável, tanto aos olhos quanto ao coração.
Dificilmente haveria alguém capaz de ler a primeira página, sem querer chegar à última página, de uma só sentada. De uma felicidade total, foi o autor que soube resumir os capítulos, dando ao leitor, exatamente aquilo que ele precisa- uma visão panorâmica da vida social, política e econômica do Tocantins.
É impressionante como o autor soube descrever as antigas aspirações do povo do norte de Goiás, suas lutas e dificuldades, o Tocantins como um antigo mar, os seus primeiros habitantes, até alcançar o último capítulo do livro que tem o expressivo título “PALMAS, A CAPITAL DO FUTURO”.
Tem-se, na “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”, um conjunto de idéias e pensamentos, de agradável sensibilidade, em que o autor consegue transportar, para a frieza da letra e do papel, todas as suas emoções e seus sentimentos, que são verdadeiramente grandes.
Talvez por isso, no momento em que se observa a capa do livro com o seu azul lindíssimo e na contra-capa, o hino oficial do Tocantins, fica a impressão de que há um jorrar de energia, de vida, de força, amor e esperança. É que Liberato Póvoa, como é carinhosamente conhecido, encarna e sintetiza tudo isso, naquela magnitude que lhe é peculiar.
Ler a “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”, especialmente na atual conjuntura brasileira, quando este Estado se consolida, é sentir o pulsar da vida, da existência e do amor sublime, é receber na própria alma, a magnitude de uma mensagem, que não possui apenas o sentimento poético, mas também a energia espiritual, moral, intelectual, social e humana, de quem gosta da vida.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com





A IDENTIDADE SOCIAL


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*



Identidade social é a posição da pessoa, em relação à posição dos demais dentro da sociedade. Ao escolher uma profissão, religião, estado civil, etc., o individuo está definindo a sua identidade social.
Valores diferentes são atribuídos a significações diferentes. Um grau se atribui à significação “médico” e um outro à significação “barbeiro”. Assim, a identidade social é a posição que cada uma destas pessoas possui na sociedade.
Não é que um seja mais importante do que o outro. Cada um- o médico e o barbeiro- ocupa um espaço diferente. Mas, a identidade social está relacionada com a atribuição de valores.
E quais são as medidas para se atribuir estes valores?
Uma destas medidas é a riqueza, que é o acúmulo de bens materiais, dinheiro, etc. Exemplo: Se alguém tem mais dinheiro, tem mais valor social. É claro que para toda regra, tem exceção.
Uma outra medida é o poder ou seja a possibilidade maior ou menor de dar ordem em nome do Estado. Exemplo: O Governador tem mais poder do que o Vereador para dar ordem no Estado.
Uma outra medida é a capacidade ou seja a possibilidade de alguém ser mais eficiente do que o outro, na mesma profissão. Exemplo: Um médico cardiologista pode ser mais eficiente do que o outro.
Assim, a identidade social pode ser ATRIBUIDA e ADQUIRIDA.
É atribuída, quando não se pode fugir dela. Exemplo: A identidade social do homem branco que não pode se tornar preto ou do preto que não pode se fazer branco. Outro exemplo: O Príncipe que é príncipe, porque o pai é Rei.
É adquirida quando é conseguida pelo esforço próprio, com vontade, inteligência e talento. Exemplo: O cidadão que começou como varredor do Banco e depois se tornou Gerente do Banco.
Enfim, há muitos outros aspectos que podem ser vistos dentro do tema IDENTIDADE SOCIAL.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A INJUSTIÇA DOS CORREIOS
COM AS BIBLIOTECAS.


Mario Ribeiro Martins*



Sempre tive uma profunda admiração pelo trabalho realizado pelos CORREIOS. Aliás, esse amor pelos Correios é antigo. Praticamente fui criado dentro de uma agência do outrora CORREIOS E TELÉGRAFOS, na velha cidade de Fundão de Brotas, Jordão de Brotas, hoje Ipupiara, na Bahia, onde a minha tia Laurentina Ribeiro Martins era responsável pela agência.
Como se não bastasse, todos os meus parentes eram responsáveis por agências dos Correios nas cidades de Brotas, Morpará, Barra e Bom Jesus da Lapa, todas no sertão baiano.
Peguei amor aos Correios. Por quase 30(trinta) anos, em Anápolis, Goiás, mantive a Caixa Postal, 827. Quando me mudei para Palmas, Tocantins, passei a assinar a Caixa Postal, 90. Isso me leva aos Correios todos os dias.
Com essa experiência, posso afirmar que os CORREIOS SÃO INJUSTOS, especialmente com os ESCRITORES, INTELECTUAIS, etc, que geralmente mandam os seus livros, na maioria das vezes, gratuitamente, para Bibliotecas, Academias, Universidades, etc, como IMPRESSO ou como ENCOMENDA NORMAL.
O que acontece, na prática? O CORREIO, ao invés de levar a encomenda, no endereço indicado, leva um AVISO para que o DESTINATÁRIO vá à Agência dos Correios buscar a encomenda. Como o destinatário é uma Biblioteca, Academia ou Universidade não vai buscar a encomenda.
Quando se entra no site dos Correios, ao invés de estar escrito “ENTREGUE”, está escrito “AGUARDANDO RETIRADA”. Como a instituição não vai buscar a ENCOMENDA, por razões diversas, uma delas porque não dispõe de funcionário, a ENCOMENDA, depois de alguns dias, volta com a seguinte observação: “NÃO PROCURADA”.
Vejam o que aconteceu comigo: Comprei uma Caixa tipo 2 e coloquei nela livros para a ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS(41 3222 7731), RUA PROFESSOR FERNANDO MOREIRA, 370, CURITIBA – PARANÁ, 80410-120. Entre os livros, estava o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, com 1.034 páginas.
Depois de alguns dias, a Caixa com Encomenda Normal voltou com a observação “NÃO PROCURADA”. Na mesma hora, ainda dentro da Agência dos Correios, em Palmas, comprei outra caixa e mandei, inclusive, com a Caixa que retornara, por SEDEX, para o mesmo endereço.
Pois bem, o Sedex foi postado no dia 05.02.2007 e no dia 06.02.2007, por volta das 17:00 horas, o site do Correio, já dizia: “ENTREGUE”. A injustiça dos Correios consiste neste fato: substituir a entrega da ENCOMENDA no endereço indicado, por um mero “AVISO”.
Outra experiência: No ano passado(2006), mandei o meu DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS para várias entidades culturais dentro da Praça Cívica, em Goiânia e nas imediações dela. Nesta Praça fica a Agência dos Correios. Pois bem, depois de alguns dias, os livros voltaram com a célebre observação: NÃO PROCURADO.
Ora, todos que conhecem Goiânia sabem que a Agência dos Correios fica a poucos metros das entidades culturais para as quais os livros foram enviados.
Outro fato: A Editora Kelps me mandou como ENCOMENDA NORMAL um livro do escritor José Mendonça Teles. Pois bem, conforme o site de busca do Correio, a encomenda, sob o número “vc082746595br” foi postada no dia 02.02.2007, em Goiânia. Vejam: só saiu de Goiânia no dia 12.02.2007 e chegou em Palmas, Tocantins, no dia 14.02.2007. Portanto, a encomenda ficou em Goiânia, parada, durante 10(dez) dias.
Não é justo que os escritores, para que tenham os seus livros, colocados em Bibliotecas Públicas, Academias e Universidades, tenham de enviar os seus livros por SEDEX. Num país como o nosso, com tantas dificuldades para se ter acesso aos livros e à leitura, é preciso que o Correio atente para este lado social da questão.
Veja outra dos Correios: No dia 01.03.2007, postei, em Palmas para Brasília, uma encomenda normal sob o número VC138328938. Pois bem, no mesmo dia 01.03, foi encaminhada para Goiânia que fica a 300 quilômetros de Brasília. Ao invés da encomenda ir para Brasília, foi no dia 05.03 para São Luis do Maranhão. No dia 12.03 chegou em São Luis e só no dia 17.03.2007 foi encaminhada para Brasília e ainda não foi entregue ao destinatário. Se ela voltar com a observação “NÃO PROCURADA”, vou dar notícia neste espaço.
Outro exemplo, em janeiro de 2007, mandei de Palmas para a Universidade Católica de Salvador, vários livros como “ENCOMENDA NORMAL”. Como a Universidade, por qualquer razão, não foi buscar no Correio, as encomendas voltaram no dia 14.03.2007(3 meses depois), com a observação costumeira “NÃO PROCURADO”. Pois bem, no dia 15.03.2007, fiz novos pacotes e mandei como SEDEX, sob o número SR623699278BR. No outro dia 16.03.2007, o site do Correio já anunciava: “ENTREGUE”.
Como é que pode? Durante 3 meses, o Correio não teve a coragem de pedir a um carteiro para entregar a encomenda de dois quilos na Universidade e preferiu gastar dinheiro para mandá-la de volta de Salvador a Palmas. Meus amigos, são livros que estão sendo enviados gratuitamente para Bibliotecas. Não é possível que o Correio continue prestando esse “DESERVIÇO” às Bibliotecas, impedindo a chegada de livros gratuitos.
Fica, portanto o apelo, para que os CORREIOS mudem a política de satisfação do cliente e passem a entregar a ENCOMENDA ou o IMPRESSO, no endereço indicado e deixem de mandar “Aviso”, especialmente, quando a encomenda não pesa mais do que 3(três) quilos.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A LEI BURLANDO A LEI




(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).



Mário Ribeiro Martins*



Refiro-me ao parágrafo 4º, do Artigo 184, do Código Penal Brasileiro que diz, em resumo, que “O disposto nos parágrafos 1º, 2º e 3º não se aplica... à cópia de obra intelectual, em um só exemplar, para uso privado do copista, sem intuito de lucro direto ou indireto”.
Ou seja, o que o parágrafo está dizendo é que quem tira cópia xerox para uso próprio, não comete nenhum crime. Então na prática, o que acontece? Adão tira uma cópia para uso próprio. Mário tira uma cópia para uso próprio. Artur tira uma cópia para uso próprio. No fim, dois mil tiraram cópia para uso próprio, sem que tenham cometido qualquer crime.
É ou não é, a lei burlando a lei? Ora, se o Caput do Artigo 184, preconiza pena de “detenção, de 3 meses a 1 ano ou multa” para quem viola direitos do autor, como pode o parágrafo 4º abrir tal exceção? Imagine-se uma classe de cem alunos, em que cada um tirou uma copia xerox para uso próprio do livro MANUAL DO TÉCNICO E AUXILIAR DE ENFERMAGEM(Goiânia, AB Editora, 1999). Foram cem copias tiradas e ninguém cometeu crime. Prejuízo certo para o autor e também para a Editora.
O parágrafo 1º, do Artigo 184, do dito Código Penal, preconiza pena de “reclusão, de 2 a 4 anos e multa”, mas vem o parágrafo 4º e burla o 1º, abrindo uma exceção que, na pratica, é maléfica ao autor.
Os parágrafos 2º e 3º, do dito Artigo 184, preconizam penas de “reclusão, de 2 a 4 anos e multa”, mas vem o parágrafo 4º e burla(os dois) o 2º e o 3º, sem nenhuma cerimônia. O que fazer?
Alguém diria: Para proteger o autor, se tem a Lei de Direitos Autorais, a Lei 9.610, de 19.02.1998. Só que na parte criminal, a Lei de Direitos Autorais remete exatamente ao Artigo 184, do Código Penal Brasileiro, que apresenta as brechas já referidas. Então, continua a pergunta: O que fazer? O pior é que os grandes comentaristas do Código Penal Brasileiro nem chegam ao parágrafo 4º, do Artigo 184 e, quando chegam, não dizem absolutamente nada de aproveitável.
Com a palavra meus ilustres juristas, entre os quais, Dr. Ismar Estulano Garcia, meu antigo colega no Curso de Especialização em Direito Penal, com o Professor Licínio Leal Barbosa, na Faculdade de Direito, da Universidade Federal de Goiás.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A PALMA QUE SE TRADUZIU EM PALMAS.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).

Mário Ribeiro Martins*



Uma das melhores descrições que se tem de PALMA(Paranã), a antiga Capital da Província de São João das Duas Barras, hoje correspondente ao Estado do Tocantins, foi feita por Lysias Augusto Rodrigues, no dia 02.09.1931, quando disse:
“Vejamos agora o que é a cidade. Localizada na ponta de terra, onde se verifica a confluência do Rio Paranã com o Rio Palma, vê-se o terreno estender-se pela planície a fora, coberta de mato, abrindo-se-lhe possibilidades de desenvolvimento.
A cidade é constituída de meia dúzia de ruas pequenas, de casas de alvenaria de tijolos, esparsas entre vastos quintais de árvores frutíferas, principalmente mangueiras, abacateiros e jaqueiras.
Casas pequenas, acachapadas e velhas. Dão um aspecto tristonho ao conjunto, onde nem um só telhado novo se vê. Não tem luz, nem esgoto, nem água(tratada) e o Rio Paranã, serve para tudo, banho, lavagem de roupa e pescaria inclusive.
À tarde, ansiávamos pelo banho do rio. Devido ao calor sufocante, nossa comitiva atrasou-se de modo que o banho será sem mudança de roupa. Que pena! Largo, azulado, semeado de bancos de areia cobertos de seixos, o Paranã rola águas mornas para o Norte.
O Anísio levou-nos ao banheiro dos homens(há o das mulheres também, um pouco a montante), onde por mais de uma hora nadamos, refrescando-nos”(Lysias Rodrigues, ROTEIRO DO TOCANTINS, p. 81).
Pois bem, foi nesta Palma que viveu não somente Joaquim Teotônio Segurado e que nela morreu em 14.10.1831, mas também o seu filho Rufino Teotônio Segurado, que nela nasceu em 1820 e que foi seu Juiz de Direito(nomeado pelo Imperador) bem antes de 1859.
Relembre-se que de sua certidão de óbito consta: “Aos 29 de agosto de 1868, nesta vila e freguesia de Nossa Senhora da CONCEIÇÃO DO NORTE do Bispado de Goyaz, sepultamos nesta Matriz, do Arco para sima(*1), com todos os sacramentos, o Doutor Juiz de Direito desta Comarca de Palma, Rofino Theotonio Segurado, pardo, casado com Dona Mariana Francisca de Azevedo e foi encomendado e acompanhado por mim, do que para constar, fiz este termo que assignei. Vigário João de Deus Gusmão”.
Assim é esta Palma de tantas histórias e tradições, mas também miseravelmente pobre, no dizer de Lysias, que deu origem a PALMAS, a nova Capital do Tocantins. O nome PALMAS não é outra coisa, senão uma homenagem dada pelo Governador Siqueira Campos à antiga Capital da Província de São João das Duas Barras.
Não se sabe porque(que o diga o Tribunal de Contas do Estado) até hoje a estrada que dá acesso a Palma(Paranã), é praticamente a mesma do tempo de Lysias(1931), com atoleiros na época da chuva e poeira na época da seca, considerando que se trata de uma cidade de importância histórica fundamental.
Observando-se as fotografias do inicio da construção de Palmas(01.01.1990), tem-se a impressão, numa mistura de tristeza de que ela iria permanecer como a antiga Palma ou no dizer de Lysias: “vê-se o terreno estender-se pela planície a fora, coberta de mato”, vindo logo a alegria, completada por Lysias: “abrindo-se-lhe possibilidades enormes de desenvolvimento”.
Se Lysias estivesse entre nós e fosse descrever a Palmas de hoje, certamente não iria dizer: “Casas pequenas, acachapadas e velhas. Dão um aspecto tristonho ao conjunto, onde nem um só telhado novo se vê”.
Não é assim a Palmas de hoje, porque telhados novos é o que mais se vê. Meu pai já dizia: “Meu filho, nunca vá morar numa cidade que não tenha telhados novos”. Certamente, ele não tinha a visão de uma cidade tombada pelo patrimônio histórico.
Mas a nossa Palmas nem sempre foi assim. Que o digam os pioneiros e piotários que viveram em casebres de madeira, em depósitos coletivos, bebendo e se banhando nos córregos. Mas é claro, tudo em nome do progresso que haveria de vir e que, de fato, veio para uns, mas para outros não. Porém, o que importa mesmo é que hoje(2005) Palmas abriga homens e mulheres de todas as partes do mundo.
(*1) “do arco para sima” significava que a pessoa tinha sido sepultada na parte especial da Matriz, perto do Altar principal.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A PASSAGEM DO MÉDICO
JÚLIO PATERNOSTRO POR PARANÃ.



Mário Ribeiro Martins*




Em seu livro VIAGEM AO TOCANTINS, Júlio Paternostro descreve a sua passagem por Paranã, antigo norte de Goiás, hoje Tocantins. A atual cidade de Paranã é a antiga Palma que se localiza às margens do Rio do mesmo nome.
Ele mesmo disse: “No domingo, dia 25 de agosto de 1935, alcançamos o rio da Palma, no local onde se acha a fazenda de criação do Coronel Antonio Luis. Mangueiras frondosas abrigaram-nos do sol que nos vinha castigando toda a manhã.
Atravessamos o Palma em três fases: primeiro o vaqueiro da fazenda levou na canoa as bruacas com o material, depois o meu camarada, depois a mim.
A povoação de Palma ficava a algumas centenas de metros da margem esquerda: íamos a pé, carregando a bagagem, quando surgiu um rapaz dizendo que esperássemos na beira do rio o “ajuntamento” que vinha ao nosso encontro.
Os moradores de Palma já tinham sido avisados de nossa presença, e eu não tinha visto ninguém sair do local, onde nos encontrávamos. A única pessoa com que tivemos contato foi o vaqueiro, que não arredou pé dali. No sertão, as noticias esparramam-se como se existisse telégrafo nas árvores.
Sem uma sombra perto, tivemos que agüentar a soalheira que se tornara mais intensa devido ao reflexo da água do Palma que corria junto de nós. Esgotara-se a primeira hora de espera, quando apontaram no caminho que descia para o barranco, os homens que compunham o “ajuntamento”.
O prefeito, o rábula, o escrivão, fazendeiros, moços e velhos, envolveram-se cordialmente e cheio de curiosidades. Com grande simplicidade referiram-se à minha juventude(27 anos) e aos meus trajes. A minha indumentária nessa ocasião consistia num chapéu de carnaúba, camisa-esporte, calça de brim cáqui e sapatos de borracha. Os meus recepcionadores estavam enfarpelados, alguns na casemira, outros no brim, mas todos com gravata, coisa que raramente vi na minha viagem. Soube depois que me tinham dado tempo, na beira do rio, para eu me vestir mais a rigor.
O vestuário de gala daqueles gentis palmenses mostrava a distancia no tempo e no espaço do litoral brasileiro. As calças apertadas nas pernas, os sapatos de bico extremamente pontudos, os paletós com debrum preto na gola refletiam a antiga moda masculina do litoral. Um moço perguntou se os médicos do Rio de Janeiro andavam com roupas iguais à minha.
No meio daquela boa gente entrei na vila como hóspede ilustre e raro. Das portas e janelas a população me espreitava. Conduziram-me para uma casa grande, reservada para minha hospedagem.
Na sala de visitas, na mesa onde se estendia a toalha alvíssima de finas rendas, descançavam o bule de café coberto por uma capa de pano estofado, bordado com dois coraçõeszinhos atravessados por uma flecha em retroz vermelho, biscoites de polvilho e siquilhos.
A comitiva sentou-se nos bancos e nas cadeiras de assento de couro, formando um circulo em torno de minha pessoa. Fui atacado pelas mais variadas perguntas, desde a minha origem denunciada pela cor dos cabelos e tez alva até a vida dos habitantes do Rio de Janeiro. Como se tomavam banhos de mar, se no bondinho do Pão de Açúcar qualquer pessoa poderia viajar, etc.
Sobre a minha missão, que era apenas colher sangue para pesquisa estritamente cientifica, imaginavam as conseqüências mais auspiciosas para a saúde dos habitantes do município. Supunham que após a minha visita seria instalado um Posto de profilaxia da malária, que um medico aparelhado com medicamentos seria destacado para aquela área, etc.
Um fazendeiro, com grande simplicidade, pediu-me que, ao chegar ao Rio de Janeiro, não me esquecesse de dizer ao Presidente da Republica(Getulio Vargas) que havia necessidade também de um veterinário na vila de Palma. A única coisa que lhes pude dar em troca foi estabelecer a maior camaradagem e atender a todas as perguntas que me fizeram sobre os mais variados assuntos.
À tardinha convidaram-me com orgulho para ir ver o primeiro campo de aviação das margens do Tocantins que estava sendo preparado pelos palmenses. Todos trabalhavam nessa realização, inclusive o Prefeito aleijado dum braço. Todos me interrogavam sobre o modo de aterrar, de decolar, pois não tinham instrutor. Fui obrigado a improvisar-me em técnico aeroviário. No sertão, o “doutor formado” representa o individuo que sabe tudo. A trena que usavam para as medidas do campo era um pedaço de pau. Emprestei-lhes um podômetro, que lhes causou surpresa.
Ninguém do grupo tinha visto até então um avião, a não ser por fotografia. Ficaram de levantar um mastro com o catavento de sacola, a cujo respeito os instrui. O esforço dos palmenses para possuírem o seu campo de aviação, baseava-se numa mensagem do Major Lysias Rodrigues. No plano de Lysias, a linha do Correio Aéreo Militar, deveria incluir a povoação de Palma. Regressando do campo de aviação, passamos pelo Cemitério.
A povoação de Palma, na altitude de 303 m, está na junção dos rios da Palma e Paranã. Dista 60 km da foz Paranã-Maranhão rios que, depois de se juntarem, seguem com o nome de Tocantins. Palma fica a 1.218 km da confluência Araguaia-Tocantins. Há um século, Palma era o centro mais populoso e movimentado do Alto Tocantins. Dela partiam grandes batelões de vinte toneladas, com vinte remadores. Cessando os embarques e desembarques de seu porto fluvial, a povoação regrediu.
A cidade de Palma, que há cem anos possuía 255 casas, atualmente(1935), é um arraial de 120 habitações velhas ou em ruínas. Uma igreja que estava sendo construída há setenta anos, ainda não se concluiu. A vida parou. Há inimizades, dissenções entre grupos. O “partido” de um grupo não tolera o “partido” do outro.
29 de agosto de 1935- De Palma, prosseguimos viagem para Arraias. Não há estradas. Existem trilhas estreitas. Entre Palma e Arraias, na direção sudeste, as trilhas que cavalgamos tem aproximadamente 200 km. Gastamos quatro dias. É um deserto. Contei cinco palhoças.”
Como se pode observar, Júlio Paternostro(Cruzeiro, São Paulo, 26.11.1908) permaneceu 4(quatro) dias em Palma, hoje Paranã. Sua viagem foi feita em 1935, mas o seu livro VIAGEM AO TOCANTINS, com 350 páginas, só foi publicado em 1945, pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo. O livro teve o prefácio de Roquete Pinto e foi dedicado a Julia, além de Carlos Paternostro que fez revisões, Atílio Correia Lima(Construtor de Goiânia) que fez os desenhos e Joaquim Aires da Silva(Sindô) que forneceu fotografias.
Há várias observações que podem ser feitas. A estrada que liga Natividade a Paranã é, praticamente, a mesma. Julio Paternostro passou em 1935. 71 anos depois, em maio de 2006, os 90 km de chão são péssimos. Na época da chuva, muitos atoleiros. Na época da seca, muita poeira.
E observe-se que Paranã, a antiga Palma, é uma cidade histórica. Não merece o tratamento que tem tido, em termos de estrada. Mas, que o diga o Tribunal de Contas do Estado, porque verbas para o asfaltamento da estrada não tem faltado, ao longo do tempo.
Por ela passou em 1876, como seu Juiz de Direito, Virgilio Martins de Melo Franco que escreveu o texto VIAGEM À COMARCA DE PALMA. Nela estão os restos mortais de Joaquim Teotônio Segurado, alem de tantos outros eventos importantes que são mencionados no livro PARANATINGA(sobre Paranã), de Cleusa Souza Benevides Bezerra. (Relembre-se aqui que Paranatinga também não fala em Júlio Paternostro).
Outra observação que há de ser feita, diz respeito ao próprio Júlio Paternostro. Médico Sanitarista, funcionário do serviço de febre amarela, do Ministério da Saúde, do Governo Federal, num convenio com a divisão internacional de Saúde Publica, da Fundação Rockefeller. Percorreu 17 Estados Brasileiros, estudando o mosquito da febre amarela. Com livro publicado pela Companhia Editora Nacional de São Paulo, em 1945, no entanto, SUA BIOGRAFIA não é encontrada em nenhuma das enciclopédias nacionais.
Não é mencionado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO BRASILEIRO DE ESCRITORES MÉDICOS(1972), de Orsini Carneiro Giffoni. Não é citado em ITALIANOS NO BRASIL(2003), de Franco Cenni.
Não é estudado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
Como se não bastasse, a importância de Julio Paternostro está também no fato de que ele foi um dos fundadores, ao lado de José Affonso Netto, Danilo Perestrello, Elso Arruda, Oswaldo Domingues de Moraes e Walderedo Ismael de Oliveira, do CENTRO DE ESTUDOS JULIANO MOREIRA, no Rio de Janeiro, em 1944, todos psiquiatras vinculados ao Serviço Nacional de Doenças Mentais.
Algo sobre ele, em termos de biografia, é possível achar no DICIONARIO BIOBIBLIOGRAFICO REGIONAL DO BRASIL, via internet, no site www.mariomartins.com.br , bem como ainda no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA GOIANIENSE DE LETRAS(Goiânia, Kelps, 2008), página 76.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A PASTORAL DA ASSISTÊNCIA
E SUA FUNDAMENTAÇÃO.


Mário Ribeiro Martins*

A pastoral da assistência constitui um serviço cristão de extraordinária relevância. Para o desempenho desse serviço há necessidade de preparo que é o conjunto de conhecimentos advindos não somente do estudo da teologia, mas também da Psicologia e particularmente das relações entre a Religião e a Psicanálise. É claro que essa tríplice fundamentação é vista de uma perspectiva puramente humana, já que o elemento espiritual tem existência obrigatória na pastoral da assistência.
Um equilíbrio perfeito se impõe entre a Teologia e a Psicologia, como fontes alimentadoras da Psicologia Pastoral, sem o que haverá prejuízo de um ou de outro lado. Sem base teológica, o estudo da Psicologia Pastoral é irrelevante, porque corre o perigo de formar um psicólogo estudando Teologia e não um teólogo estudando Psicologia.
Desde que a Teologia é uma fonte para a Psicologia Pastoral, atenção muitíssimo especial deve ser dada à Teologia de Cristo, tentando pesquisar e alcançar com mais profundidade o pensamento teológico do Mestre, fugindo um pouco das escolas teológicas e dos teólogos, sem, contudo, deixar de conhecê-los.
A Teologia de Cristo possui uma terminologia própria, que não é a dos teólogos e por isso muitos deles não entendem a linguagem do Mestre e terminam por tomar o conteúdo de suas parábolas apenas como ilustração da verdade e não como expressão. A Psicologia, por outro lado, e como fonte da pastoral da assistência, deve ser estudada como ciência em todos os seus estágios e escolas, no sentido da investigação e da busca da verdade para o melhor conhecimento do homem, associando a tudo isso o ensino de Cristo sobre a pessoa humana.
Embora a experiência de Freud, em termos de Psicanálise e Religião, tenha sido desastrosa, por várias razões, uma das quais é que ele não conheceu a verdadeira religião e tomou um caminho extremo, não há por que temer a verdadeira psicanálise, desde que harmonizada com a verdadeira religião que, evidentemente, não é aquela da época de Freud, autoritária, imposta pelo medo hierárquico ou pelo terror carismático, o que só podia resultar na desintegração psicológica do homem e na sua destruição.
A verdadeira religião é a de Cristo e ela concorre, inegavelmente, para o desenvolvimento das potencialidades humanas, conforme reconhecem os próprios psicanalistas. Seu centro de interesse é o homem, daí visar sua restauração através do desenvolvimento das potencialidades, do aperfeiçoamento das faculdades, na base de um crescimento harmônico até à medida da estatura da plenitude de Cristo.
Uma psicanálise que tem por objetivo o ajustamento social e se apresenta utilitarista não pode promover o desenvolvimento do homem e, portanto, é falsa. A verdadeira psicanálise é aquela cujo escopo é o tratamento da personalidade. É esse tipo de psicanálise que pode ser harmonizada com a verdadeira religião, de tal modo que ambas possam andar juntas na pista psicoterapêutica do pastor, havendo, por conseguinte, a necessidade de que no seu preparo para o serviço de Deus, a questão seja seriamente estudada.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 30.07.1975).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



A PENA DE MORTE É A LEGÍTIMA
DEFESA DA SOCIEDADE.


Mário Ribeiro Martins*



NADA MELHOR DO QUE O CONGRESSO NACIONAL ALTERAR O ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA E INCLUIR NO INCISO XLVII, LETRA A, FICANDO A REDAÇÃO DESTA FORMA:


XLVII- letra a) NÃO HAVERÁ PENA DE MORTE, SALVO EM CASO DE GUERRA DECLARADA, NOS TERMOS DO ARTIGO 84, XIX “OU COMO LEGÍTIMA DEFESA DA SOCIEDADE”.

PROBLEMA:
A entidade Rio de Paz surpreendeu banhistas e turistas neste sábado (17) ao fincar nas areias da praia de Copacabana, zona sul, 700 cruzes pretas em protesto contra a violência que atinge o Rio. Segundo seu diretor, Antonio Carlos Costa, as cruzes, de um metro de altura cada, representam o número aproximado de assassinatos ocorridos nos dois primeiros meses deste ano no Rio. Costa explicou que os cálculos foram feitos com base em reportagens e números oficiais de órgãos de segurança. Além das cruzes, o grupo exibiu faixas com os dizeres "Luto pelo Rio" e "A cidade do Rio está banhada de sangue".(Folhaonline, 17.03.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
Um menino de 6 anos, amarrado ao cinto de segurança, foi arrastado e morto por bandidos que tentavam roubar o carro da mãe(G1.com.br 07.02.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
Um rapaz de 22 anos confessou ter degolado a mãe de 51 anos, no apartamento em que os dois moravam, em Guarulhos(Grande São Paulo). Para esconder o corpo, ele retirou e fritou os órgãos- o que teria sido feito para deixá-los parecidos com resto de comida- e esquartejou o restante. O assassinato ocorreu no dia 26 de novembro de 2006 e só foi descoberto porque as irmãs da mulher estranharam o sumiço dela(O Popular, 09.02.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
“Um jornalista de 41 anos foi morto com oito tiros no rosto ao chegar em casa na noite desta quinta-feira (8), na rua Figueiredo Pimentel, no bairro da Abolição, no subúrbio da cidade.(G1.com.br 08.02.2007).”

SOLUÇÃO
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
O vice-prefeito da cidade de Pilar (AL), Gilberto Pereira Alves, de 44 anos, foi morto na manhã desta sexta-feira (19) em Maceió. Segundo testemunhas, dois homens que estavam em uma moto dispararam vários tiros contra o carro de Alves.(G1.com.br 19.01.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
O corpo do gerente de banco Aleir Fernandes, de 45 anos, que foi seqüestrado e morto, vai ser enterrado nesta quinta-feira (18) em Aloândia (GO). O corpo do bancário foi velado na tarde desta quarta-feira (17).(G1.com.br 17.01.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
Uma criança foi encontrada morta com um cipó enrolado no pescoço no final da tarde desta quarta-feira (10), em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio. O menor Douglas de Andrade, de 9 anos, apresentava também, marcas de abuso sexual.(G1.com.br10.01.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
Um homem foi encontrado morto na madrugada desta quinta-feira (11) Travessa Cidade Bertoli, no Jardim Santo Antônio, perto da Avenida Cupecê, na Zona Sul de São Paulo. Segundo a polícia, por volta das 4h30, vários homens que ocupavam um corsa escuro e uma saveiro teriam atirado contra a vítima e fugido em direção à Avenida Santa Catarina.(G1.com.br 11.01.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
O motorista de lotação Devanir Quirino Fernandes, de 49 anos, foi encontrado morto dentro de seu veículo na noite de sexta-feira (5). Ele foi baleado na barriga e no pescoço e o microônibus estava estacionado na Estrada da baronesa, Vila Monjardim, Zona Sul de São Paulo.(G1.com.br 06.01.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
O estudante de medicina, Cláudio Vinicius Gomes de Menezes, de 21 anos, foi morto a tiros dentro de um carro, na tarde desta quinta-feira (4), nas esquinas das Avenida Lúcio Costa e Rua Engenheiro Hélio de Brito, na Zona Oeste do Rio. O corpo está aguardando perícia no local, que fica na altura do Posto 11. Ele e a namorada estavam em um Peugeot branco 206 quando foram abordados por bandidos, que teriam obrigado a jovem ir para o banco de trás. O rapaz foi baleado após ter tentado arrancar com o carro(G1.com.br 04.01.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
Um adolescente foi assassinado, no início da madrugada desta quarta-feira (20), na Rua Maísa Matarazzo, próximo do número 277, no Bairro Eliane, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Segundo a polícia, Diego Maradona Gonçalves de Oliveira, de 15 anos, foi morto a tiros, perto de sua casa, depois que saiu de um bar. Ele estava acompanhado da tia, que nada sofreu.(G1.com.br 20.12.2006).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA:
O homem apontado pela polícia como mentor do assalto a uma loja e do assassinato de três pessoas em Bragança Paulista (a 83 km de São Paulo) foi ao velório das vítimas, na segunda-feira, 15 horas depois de supostamente tê-las queimado vivas no veículo da família. O eletricista Luís Fernando Pereira, de 37 anos, foi preso na terça-feira, após ter sido apontado como cúmplice pelo serralheiro Joabe Severino Ribeiro - que, segundo a polícia, confessou o crime(G1.com.br 14.12.2006).

SOLUÇÃO: A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA: A guerra entre traficantes e milícias deixou 15 mortos em menos de dez dias no Rio de Janeiro. Só neste domingo (11), nove pessoas foram assassinadas. Um dos mortos no domingo foi o cabo da PM Luiz Cláudio de Souza Vargas, de 34 anos, que teve o carro atingido por mais de 80 tiros. O policial estava em licença médica e foi enterrado nesta segunda-feira (12) à tarde, sem honras militares(G1.com.br 12.02.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

PROBLEMA: O delegado-adjunto da 12ª DP (Copacabana) considera que o assassinato dos três franceses, na manhã desta terça-feira (27), está esclarecido. Os três suspeitos já estão presos. Segundo o delegado Marcus Castro, Társio Wilson Ramirez, funcionário da organização não-governamental em que os estrangeiros trabalhavam, teria confessado que foi o mandante do crime. Ele teria pago R$ 2 mil a dois homens para matar as vítimas e encobrir um desvio nas contas da ONG que ultrapassaria R$ 80 mil(G1.com.br 27.02.2007).

SOLUÇÃO:
A pena de morte é a legítima defesa da sociedade.

É claro que a pena de morte pregada aqui é para aqueles que já carregam sobre seus ombros uma ficha criminal quilométrica.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


A PROPÓSITO DE JOSÉ PIANI


Mário Ribeiro Martins*


Durante o pastorado interino de W. H. Canadá, à frente da Primeira Igreja Batista do Recife, de julho de 1904 a agosto de 1905, dois acontecimentos importantes se verificaram.
O primeiro deles foi a perseguição desencadeada pelo padre Jerônymo de Assumpção (Vaga-lume), tendo a cooperação do chefe político local, contra a Igreja Batista de Cortês (Pernambuco). Nesta ocasião o missionário Canadá que ali esteve para proteger os humildes fiéis quase foi apunhalado.
O segundo acontecimento foi a conversão do padre José Piani e que está relacionada com a tragédia de Cortês, conforme ele mesmo escreveu: "... sabiam que a minha conversão ao Evangelho teve ocasião na perseguição de Cortês... pelo padre Vaga-lume..." (José Piani, "Abjuração", Jornal do Recife, XLVII (30 de outubro de 1904), 2).
Este padre(José Piani) era professor do Colégio Salesiano, no Recife, e desde muito tempo examinava a Bíblia procurando dissipar suas dúvidas. Acompanhava com o máximo interesse as discussões que se travavam pelos jornais seculares em torno dos protestantes e da Bíblia.
Após um consciencioso estudo tomou, heroicamente, uma resolução definitiva, apresentando-se à frente da Primeira Igreja Batista do Recife (naquela época denominada simplesmente Egreja de Chisto do Recife), na noite de 26 de outubro de 1904 para fazer a sua pública profissão de fé.
(A. R. Crabtree apresenta a data de 20 de outubro de 1904, o que não é provável, pois nesta noite José Piani participou da organização da Igreja Batista de Gravatá, cujos constituintes vieram foragidos de Cortês, conforme A. N. Mesquita: "A 20 de outubro é organizada a igreja com 17 crentes. Canadá, Piani e Salomão estiveram presentes na organização." A. N. Mesquita, História dos Baptistas em Pernambuco (Recife: Typographia do C. A. B., 1930), 113).
O batismo do ex-padre foi anunciado por W. H. Canadá nos seguintes termos: "O abaixo assignado, superintendente da Missão Baptista Pernambucana, resolveu com os diversos pastores e evangelistas fazer uma série de conferências durante a semana de 30 do corrente até o dia 4 de novembro próximo, que se effectuará no templo da egreja de Chisto do Recife, a rua Formosa, 21, depois do baptismo do ex-padre José Piani". (W. H. Canadá, "Convite Chistão, Jornal do Recife, XLII (Domingo, 30 de outubro de 1904), 2).
Sua conversão constituiu um marco histórico e provocou verdadeiro clamor nas fileiras católicas de Pernambuco. Em seu relatório à missão norte-americana, escreveu Canadá: "Nossa Escola de Rapazes que começou em 1905, imediatamente depois da CONVERSÃO do ex-padre Piani, abriu seu segundo ano no dia 15 de janeiro, com quinze meninos, dois dos quais de famílias católicas..." (W. H. Canadá, "Sixty-second Annual Report of the Foreign Mission Board ~ Report of the Pernambuco Baptist Mission", Annual of the Southern Baptist Convention, 1907 (Nashville, Tenn: Marshall E Bruce Company, 1907), p. 90).
A partir de então José Piani passou a ajudar o missionário Canadá, na Primeira Igreja e no magistério, até que viajou aos Estados Unidos, conforme escreveu Antonio de Castro: "Em 6 de agosto de 1906, o professor José Piani annuncia à Igreja em reunião solene que vae para os Estados Unidos estudar e pede carta demissionária. Foi lançado no mesmo momento em acta um voto de louvou pelos serviços prestados pelo ex-padre..." (Antonio de Castro, "História da Primeira Igreja Baptista do Recife", Correio Doutrinal, I (18 de janeiro de 1924), 2).
As aspirações do ex-padre foram descritas por W. H. Canadá: "No mesmo dia em que chegou o casal Shepard, nosso amado Piani viajou para o Colégio William Jewell, onde vai se preparar para a educação escolar no Brasil. Ele espera gastar dois anos no Collégio Willian Jewell, um ou dois no Seminário e então voltar para nos ajudar a impulsionar os interesses escolares no Brasil". (Canadá, "Sixty-second Report", p. 90).
Em 1914, José Piani esteve novamente no Recife, conforme Antonio de Castro: "Vieram ainda animar a Primeira Igreja, os ilustres visitantes Salomão Ginsburg, E. A. Jackson, João Jorge de Oliveira e o dr. José Piani". (Castro, "História da Primeira Igreja", p. 2).
Posteriormente o ex-padre retornou aos Estados Unidos, onde se casou com uma jovem americana e passou a exercer o seu ministério entre seus patrícios italianos ali residentes, como missionário da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos.
Já em 1950, foi encontrado como pastor da Igreja Batista em Travellers Rest, Carolina do Sul. (Vide: J. R. P., "Apelo aos Pesquisadores de nossa história batista", Jornal Batista, LXII (11 de junho de 1972), 3).
(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 04.10.1972).

MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com





A RESPOSTA DE GILBERTO FREYRE.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).

Mário Ribeiro Martins*


É de grande significação que se apresente para os leitores, a resposta que foi dada pelo não menos célebre sociólogo e antropólogo GILBERTO FREYRE, à série de artigos sobre ele escritos não somente no JORNAL DO COMMERCIO, do Recife, no DIÁRIO DE PERNAMBUCO, mas também no JORNAL BATISTA, do Rio de Janeiro e alguns deles transcritos no JORNAL DE HOJE, de São Paulo.
Lançando mão de um título expressivo “DEPOIMENTO DE UM EX-MENINO PREGADOR”, assim escreveu Gilberto Freyre no DIÁRIO DE PERNAMBUCO(31.12.1972) e para os DIÁRIOS ASSOCIADOS, bem como para o jornal FOLHA DE SÃO PAULO(29.03.1981).
“Num jornal do Recife(Jornal do Commercio), simpático e bem intencionado cronista de coisas evangélicas no Brasil(Mário Ribeiro Martins), vem recordando meus contatos de adolescente-quase menino de 17 anos -com o evangelismo. Um evangelismo, o meu, nesses dias, de caráter o mais popular. O mais antiburguês. O mais antieclesiástico. Com muito de tolstoiano, portanto”.
No jornal FOLHA DE SÃO PAULO(29.03.1981), Gilberto Freyre escreveu: “Um simpático Dr. Mário Ribeiro Martins publicou há pouco um opúsculo-GILBERTO FREYRE, O EX-PROTESTANTE. São Paulo, Imprensa Metodista, 1973. Pena que não me tenha ouvido outras vezes. Eu lhe teria contado coisas mais, talvez de interesse para o seu estudo. Aliás, anteriormente, num jornal do Recife -JORNAL DO COMMERCIO- este simpático e bem intencionado cronista de coisas evangélicas no Brasil já vinha recordando meus contatos de adolescente -o que também o fizera no DIARIO DE PERNAMBUCO-com o evangelismo, quando quase menino de l7 anos.
Contatos e tendências de que me orgulho. Duraram ano e meio. Mas ano e meio que me enriqueceram a vida e o conhecimento da natureza humana, no sentido de relações dos homens com Deus e com o Cristo, que é um sentido de que ainda hoje guardo comigo parte nada insignificante.”.
A influência protestante de que se tem falado sobre Gilberto Freyre(vide GILBERTO FREYRE, O EX-PROTESTANTE, de Mário Ribeiro Martins, São Paulo, Imprensa Metodista, 1973) é revelada em suas próprias palavras, quando escreveu:
“São contactos e tendências de que me orgulho. Duraram ano e meio. Mas ano e meio que me enriqueceram a vida e o conhecimento da natureza humana, no sentido de relações dos homens com Deus e com o Cristo, que é um sentido de que ainda hoje guardo comigo parte nada insignificante”.
Na verdade, tem razão o Mestre de Apipucos, porque quem, como ele, teve a oportunidade de ouvir Billy Sunday(o maior pregador da época) e dizer- “Elle ora como se Deus estivesse na frente delle... Já o ouvi duas vezes. É uma maravilha... E o de mais poder... Elle prega as doutrinas da Graça, da Salvação Pessoal, da Redempção, etc, na sua pureza evangélica”.
“Creio ter sido”- acrescentou Gilberto Freyre- “como adolescente brasileiro, um pequeno precursor, anárquico e a meu modo, do atual movimento, também um tanto anárquico e, a seu modo construtivo, chamado de “Jesus” ou de “Cristo”. Movimento atualíssimo que empolga tantos adolescentes e jovens-inclusive “hippies”- nos Estados Unidos e noutros países- adolescentes e jovens enfastiados de burguesias, de idéias burquesas, de riqueza, de conforto, de igrejas organizadas em senhoras igrejas”.
Aqui, parece que Gilberto Freyre não se lembrou de que a Primeira Igreja Batista do Recife era uma “senhora igreja”, pelo menos a ela freqüentavam os grandes mestres do Colégio Americano Batista Gilreath, inclusive seu próprio pai Alfredo Freyre que era também Juiz.
Pois bem, desta “senhora igreja”, ele fez parte como membro e nela pregava as doutrinas do cristianismo, na sua pureza evangélica. O fato é que o futuro Mestre de Apipucos, conscientemente, fez parte de uma burguesia(se é que a Primeira Igreja Batista o era) e nela permaneceu por algum tempo, inclusive nos Estados Unidos, onde passou pelo Seminário Teológico Batista de Fort Worth, no Texas, indo depois para a Universidade Batista de Baylor, onde, como evangélico protestante, tornou-se membro da SEVENTH & JAMES BAPTIST CHURCH e um de seus pregadores. W. C. Taylor escreveu “eu o ajudei a ir aos Estados Unidos para estudar e o velho missionário L. L. Johnson vendeu o seu piano para ajudá-lo na viagem à América do Norte”.
“O que eu queria?”-prosseguiu Gilberto Freyre- “Contacto com gente do povo para lhe falar de um Jesus ou de um Cristo que devia ser dela e não dos burguesões”. Continuando disse ele- “As igrejas de qualquer espécie me pareciam redutos desse burguesismo para mim sem sentido e sem atração. Pois eu não queria enriquecer. Não queria ser poder político. Ciente de minhas origens sociais, não sentia necessidade de ascenção social. Não queria seguir qualquer profissão rendosa e convencionalmente burguesa”.
“Daí ter me tornado, de fato, durante meses, no Recife, um MENINO-PREGADOR de Jesus a gente de mucambos, aos pobres mais pobres da cidade, aos mais desvalidos, um dos quais me lembro- era um funileiro- ter morrido, tuberculoso, nos meus braços. Braços de um “filhinho-de-papai” e de mamãe que horrorizariam se tivessem visto o filho, tão mimado em casa, falando de Jesus a um coitado que se desfazia em sangue, que vomitava sangue numa bacia e mal me podia dizer “Obrigado, menino enviado por Deus. Morro feliz. Já estou ouvindo música de pancadaria vinda do céu”.
A dedicação de Gilberto Freyre à pregação do Evangelho não foi somente durante meses no Recife, mas também nos Estados Unidos, conforme carta de W. C. Taylor que disse, referindo-se ao jovem Gilberto- “naquele tempo(1917), ele era o mais amado PREGADOR BATISTA em Pernambuco e continuou assim, enquanto foi membro da SEVENTH AND JAMES, como Dr. Melton(o pastor da igreja na época) me contou”(Taylor, BRAZILIAN BAPTIST DOCTRINE, p. 57).
“A verdade” -continuou Gilberto- “é que ajudei muito pobre. Confraternizei com muito desgraçado. Fui tolstoiano -lia muito Tolstoi-à minha maneira que era a de um menino provinciano do Brasil que lia, além do grande russo, os Evangelhos, chegando a pensar em ser missionário”. Sobre isto, escreveu José Lins do Rego, citado por Diogo de Melo Menezes, secretário de Gilberto (Menezes, Freyre, p. 64).
Sobre o Seminário, disse Gilberto, “visitei hoje e tive boa palestra com o Professor de Missões, Knighe. Eu o quisera ver no Brasil como Missionário” (Carta de um seminarista, A MENSAGEM, p.5).
No mesmo depoimento, disse Gilberto, “o já referido cronista aludiu à Primeira Igreja Batista do Recife, onde concordei em repetir minhas falas à gente de mucambos do Recife, depois de ter concordado em tornar-me seu MEMBRO”. Sua participação foi tal que chegou a apresentar relatórios e pareceres à Convenção dos Batistas, no dia 01.04.1918, conforme disse o historiador A.N.Mesquita- “Gilberto Freyre leu outro bem elaborado parecer sobre Missões Estrangeiras”(Mesquita, BAPTISTAS EM PERNAMBUCO, p. 182).
“E numa daquelas pregações” -prosseguiu o Mestre Gilberto Freyre-“o templo transbordando de gente de toda espécie- fiz um apelo- “Quem quer ser do Jesus de quem acabo de falar?”- a que atenderam centenas de ouvintes. Entre eles, gente notável-o então líder socialista, já Bacharel em Direito e já intelectual brilhante, CRISTIANO CORDEIRO. O futuro jornalista no Rio de Janeiro, Orlando Dantas, que se tornaria famoso como proprietário do DIÁRIO DE NOTÍCIAS e que se conservaria sempre, como Cristiano Cordeiro, meu amigo. O advogado João Vicente da Costa e seu filho. Episódios dramáticos”.
“Mas quando o missionário, pastor da Igreja e também meu bom amigo, Mr. Muirhead, entusiasmado com o que acabara de ver, exclamou que breve aquela sua igreja, até então só de gente modesta, teria como membros advogados, médicos, industriais, intelectuais, altos comerciantes, impressionados com o Pregador-Menino, eu, indignado, lhe disse- “SÓ ME INTERESSAM OS POBRES”. Era um tolstoiano radical”.
“E um tanto”-acrescentou Gilberto- “com esse sonho tolstoianamente evangélico é que pensei nos Estados Unidos- para onde, nessa época, segui(abril de 1918) e integrei-me, na mesma Universidade(Universidade de Baylor), onde já estudavam, tendo se tornado EVANGÉLICOS, meu irmão e meu amigo Edgar Ribeiro de Brito, filho de então Senador Federal e também dois jovens Guedes Pereira e Ivo Araújo”.
“O que fiz, quando defrontei-me com o tratamento mais que cruel, dado pela burguesia evangélica dos Estados Unidos aos negros? Descri desse evangelismo. E dei um rumo um tanto mais anárquico ao que já era o dos meus projetos de vida. Diferente de todos os rumos convencionais, sem nunca desprender-me de todo do meu entusiasmo de adolescente e de jovem por Jesus e das minhas preocupações com os pobres do Brasil, cuidaria do assunto à minha maneira, nem Católica, nem Evangélica”(DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Recife, 31.12.1972).
Tendo nascido no Recife, Pernambuco, em 15.03.1900, e internacionalmente conhecido como o festejado MESTRE DE APIPUCOS (por residir num antigo casarão do Bairro de Apipucos, no Recife), GILBERTO DE MELLO FREYRE morreu aos 87 anos de idade, no dia 18.07.1987, deixando a mais forte lacuna na área das Ciências Humanas no Brasil, por tudo que produziu e pelas novas idéias que estava desenvolvendo em cima da ciência que ele próprio criara- a LUSOTROPICOLOGIA.
Jamais o campo das Ciências Sociais, no Brasil, recebeu contribuição tão significativa como a que fora dada por Gilberto Freyre, que conseguiu unir o real ao agradável, num verdadeiro DOUBLÉ de Sociólogo e Esteta.
Nascido na “Veneza Brasileira”, em 1900, e após ter estudado até os 17 anos de idade, no Colégio Americano Batista Gilreath(de que seu pai Alfredo Freyre era Diretor), seguiu para os Estados Unidos, após ter recebido a passagem do velho missionário L. L. Johnson, que vendeu o seu piano para ajudá-lo na viagem à América do Norte, passando pelo Seminário Teológico Batista de Fort Worth, no Texas, e indo para a Universidade Batista de Baylor, onde, como evangélico protestante, tornou-se membro da SEVENTH & JAMES BAPTIST CHURCH e um de seus pregadores.
Ainda na Universidade de Baylor e depois na Universidade de Colúmbia, defendeu sua tese de MESTRADO, por volta de 1922, com o título “SOCIAL LIFE IN BRAZIL IN THE MIDDLE OF THE 19th CENTURY” (A Vida Social no Brasil na metade do Século 19). Para publicação no Brasil, em 1933, a tese recebeu o nome de “CASA GRANDE & SENZALA”, obra hoje traduzida em mais de cinqüenta idiomas.
Após ter visitado vários países da Europa e estudado na Universidade de Oxford, na Inglaterra, retornou ao Recife, em 1923, tornando-se Diretor do Jornal “A PROVÍNCIA”, além de conferencista e escritor militante. Como oposição à Semana de Arte Moderna, organizou, organizou, em 1926, o I CONGRESSO BRASILEIRO DE REGIONALISMO.
Tornou-se Professor de Sociologia, em 1928, na Escola Normal de Pernambuco, função na qual permaneceu pouco tempo, eis que, Secretário Particular do Governador Estácio Coimbra, teve de acompanhá-lo quando de seu exílio na Europa, ocasião em que também realizou estudos na África, passando por Portugal e seguindo, depois, como Professor Visitante da Universidade de Stanford, na Califórnia.
De volta ao Brasil, em 1935, tornou-se Professor de Sociologia, na Faculdade de Direito do Recife, onde também não permaneceu, visto que, nesse mesmo ano, foi para o Rio de Janeiro, inaugurando as Cadeiras de Sociologia, Antropologia e Pesquisa Social, na então Universidade do Distrito Federal.
No período de 1938 a 1942, dividiu-se, profissionalmente, entre a Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, de que tinha sido aluno, e onde era Professor de Sociologia da Escravidão, para o curso de Pós-Graduação, e a Universidade de Sorbonne, na França, tendo sido, inclusive, eleito para o Conselho dos Archives de Philosophie du Droit et de Sociologie de Paris.
De 1946 a 1950, tornou-se Deputado Federal por Pernambuco, ocasião em que, apresentou Projeto criando o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, com sede no Recife, o que de fato, foi feito em 21.07.1949, hoje órgão do Ministério da Educação e Cultura, tendo sido seu Presidente quase que perpétuo, afastando-se apenas em algumas raríssimas oportunidades.(Atualmente, 2003, o Instituto é dirigido pelo seu filho Fernando Freyre).
Foi considerado um dos oito maiores especialistas do mundo em Ciências Humanas e, neste sentido, participou em Paris, na França, do famoso CONCLAVE DOS OITO, conferência internacional convocada pela UNESCO, na década de 1950, época em que também recebeu o título de DOUTOR HONORIS CAUSA da Universidade de Colúmbia.
Nos anos seguintes, fez do CASARÃO DE APIPUCOS, sua residência, num dos bairros do Recife, o QUARTEL-GENERAL onde escrevia seus livros e artigos e de onde saia para pronunciar conferências em todas as partes do mundo, tendo recebido prêmios especiais em todos os países por ele percorridos.
Escreveu centenas de livros de inestimável valor, alguns deles originalmente em inglês, como é o caso de “NEW WORLD IN THE TROPICS”, de 1960, tendo se preocupado, ultimamente, com a aclimatação e a colonização lusitana nas zonas tropicais.
As verdadeiras nascentes culturais e espirituais, de onde jorrou a fabulosa obra do festejado MESTRE DE APIPUCOS têm sido expostas através de diferentes livros, entre os quais, “GILBERTO FREYRE, O EX-PROTESTANTE”, de Mário Ribeiro Martins, traduzido para o espanhol por Jorge Piñero Marques.
Há homens que nascem em determinada época e lugar para realizar grandes obras. É o caso de Gilberto de Mello Freyre. Sua obra “CASA GRANDE & SENZALA” constitui um verdadeiro monumento nacional. Através dela se dá a redescoberta do homem brasileiro. Dir-se-ia até que, enquanto Cabral descobriu o Brasil, Gilberto Freyre descobriu a brasilidade e sua vocação de democracia racial e étnica.
A tão cantada e decantada “CASA GRANDE & SENZALA” apresenta características próprias. Possui apenas cinco capítulos. O primeiro trata da COLONIZAÇÃO PORTUGUESA NO BRASIL. O segundo focaliza o INDÍGENA NA FORMAÇÃO BRASILEIRA. O terceiro fala do COLONIZADOR PORTUGUÊS. O quarto e o quinto tratam do ESCRAVO NEGRO E SUA VIDA SEXUAL NO BRASIL.
Com cerca de seiscentas páginas (conforme a edição), “CASA GRANDE & SENZALA” contém somente de PREFÁCIO, até a décima edição, SETENTA PÁGINAS, e mais CINQUENTA PÁGINAS de bibliografia, envolvendo documentos, manuscritos, periódicos, livros, artigos, entrevistas pessoais, etc, pelo menos conforme a Edição de 1963, da Editora Universidade de Brasília.
Relembre-se, contudo, que cada um dos capítulos é sucedido de uma NOTA EXPLICATIVA com cerca de trinta páginas. Igualmente, deve ser relembrado aqui o fato de que o prefácio para a primeira edição foi escrito, em 1931, em Lisboa, com quarenta páginas e retocado no Recife, em 1933.
Sobre GILBERTO DE MELLO FREYRE já foram escritos centenas de livros, entre os quais o de seu ex-secretário, Diogo de Melo Menezes, publicado no Rio de Janeiro, em 1944, talvez o retrato mais fiel do COSMOPOLITA pernambucano, até aquele ano.
Quanto à adolescência de Gilberto, há que se destacar as pesquisas feitas por Mário Ribeiro Martins em fontes antigas, como “A MENSAGEM” -jornal dos batistas do Norte do Brasil, de 1919, no Recife. ANNUAL OF THE SOUTHERN BAPTIST CONVENTION, 1915-1919. LIVRO DE ACTAS DA PRIMEIRA IGREJA BAPTISTA DO RECIFE, 1915-1920. CARTA DA SEVENTH & JAMES BAPTIST CHURCH, Waco, Texas, 1973. HISTÓRIA DOS BAPTISTAS EM PERNAMBUCO, 1930. A BRIEF SURVEY OF THE HISTORY OF BRAZILIAN BAPTIST DOCTRINE, 1955.
Tais pesquisas foram transformadas no livro GILBERTO FREYRE- O EX-PROTESTANTE, publicado pela Imprensa Metodista, de São Paulo, 1973.
Construtor de idéias, teses, teorias e princípios, tornou-se famoso pela teoria de que o Brasil é uma democracia racial e étnica, o que foi, no entanto, questionado por Octávio Ianni, em “RAÇAS E CLASSES SOCIAIS NO BRASIL”.
Graças aos estudos sócio-antropológicos e científicos de Gilberto Freyre, o Brasil derrubou os tabus construídos na Europa e América do Norte sobre os países tropicais, especialmente as posições de HUMTINGTON, ZISCHKA, CLARK, GOURROU e PAUL RIVET que defenderam a tese da vocação única do Brasil- a AGRÍCOLA.
Acreditando no futuro do Brasil, escreveu Gilberto Freyre, em seu livro “BRASIS, BRASIL, BRASÍLIA”, - “O Brasil se apresenta como uma já meia potência moderna, à qual parece reservada uma missão internacional, não só dentro, como fora do Continente Americano”.
Aqui está a importância e a atualidade de GILBERTO DE MELLO FREYRE, cujo talento multiforme, como sociólogo, antropólogo, escritor e pintor, dificilmente será encontrado.(“IMAGEM ATUAL”, Anápolis, 01.08.1987).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A SEPULTURA DO GENERAL
(GENERAL ABREU E LIMA)


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*


A vitória do general Abreu e Lima sobre o cônego Pinto de Campos, quando da polêmica sobre as bíblias falsas, ficou reconhecida e documentada em jornais e livros da época. Por seu desassombro, porém, teve de pagar o preço.
Embora o general não pertencesse a qualquer corporação evangélica dos países por onde andou, foi de tal modo marcado pelo ódio do bispo Cardoso Ayres, pelo simples fato de examinar livremente as Escrituras e disseminar o Novo Testamento, no Recife, que, ao morrer, em 8 de março de 1869, tornou-se alvo do ato episcopal que lhe negou sepultura no Cemitério Público de Santo Amaro, no Recife.
Pelo seu grande valor como paladino da liberdade, a colônia inglesa ofereceu-lhe morada no Cemitério Inglês, onde, como em relicário, ainda estão guardados os seus restos mortais.
Sobre o assunto, disse Pereira da Costa: “No seu cadáver, vingaram-se os seus inimigos e obtiveram arrancar do bispo diocesano D. Francisco Cardoso Ayres, uma ordem que lhe negava um pedaço de terra no Cemitério Público desta cidade!” (Francisco Augusto Pereira da Costa, Diccionário Biographico de Pernambucanos Celebres. Recife: Typ. Universal, 1882, p.568).
A influência do cônego Pinto de Campos sobre o bispo Cardoso Ayres não pode ser negada. A maior autoridade católica de Pernambuco e seus aliados defendiam os mesmos interesses. Apesar de se dizer que o bispo antes de decidir definitivamente sobre a não sepultura do general foi à capela orar, na verdade, ele foi apenas ratificar o que já tinha estabelecido.
Embora o escritor Nilo Pereira argumente que o bispo não podia agir com fanatismo, visto estar em jogo sua consciência, esta justificativa é muito inocente para convencer a quem conhece os desmandos dos papas, bispos e padres, através da história da igreja. É bom perguntar: Onde estava a consciência padresca na queima de bíblias? Ou nas demais perseguições religiosas no Brasil?
O próprio Pinto de Campos, diante dos apertos dos liberais que acusavam de ter influenciado a decisão do bispo, revelou o que o padroado estava acostumado a fazer e sobretudo o seu sentimento de culpa, quando disse: “E verão como eu meto gente na casa de detenção!” (Pinto de Campos, “Comunicados”, Diário de Pernambuco, 13 de março de 1869, p. 2.)
Estava Pernambuco sem autoridade para o cônego ter de fazer justiça com as próprias mãos? Este, porém, era o costume padresco. Foi esse mesmo Pinto de Campos que celebrou o casamento de um maçon, o que era proibido pela igreja, sem ter problemas de consciência e sem atentar para a autoridade superior.
Antes de morrer, Abreu e Lima deu testemunho de sua fé, quando fez ver ao bispo Cardoso Ayres que podia “fazer-lhe as visitas que quisesse, certo de que não admitiria mais discussão sobre os pontos em que era inatacável” (Pinto de Campos, “Comunicados”, Diário de Pernambuco, 12 de dezembro de 1869, p. 2).
O fato é que mesmo antes da morte do general, o bispo diocesano já havia entregue ao administrador do cemitério um envelope lacrado em que se encontrava o ofício negando sepultura a Abreu e Lima, conforme José Carneiro da Rocha, presente naquele momento: “Exigiu S. Exa. que ambos nós guardássemos inteiro segredo sobre sua decisão, que foi em reservado e em ofício lacrado para ser aberto quando aquele falecesse” (José Carneiro da Rocha, “Comunicados” Diário de Pernambuco, 9 de maio de 1869, p. 2).
A ordem do bispo foi assim expressa: “Estando nós certos de que o general José Ignácio de Abreu e Lima não estava considerado em seus últimos instantes de vida por verdadeiro filho da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, nós pelo dever que nos incumbe lhe participamos pelo presente, que não permitimos que se lhe dê sepultura nesse cemitério” (E. R. M., “Publicações Solicitadas”, Jornal do Recife, 27 de julho de 1869, p. 3).
O Conde de Baependy, escrevendo ao Conselheiro Paulino José Soares de Souza, do governo imperial, e narrando sua visita ao bispo, no dia em que morreu o general disse:
“À vista desta declaração, disse a V. Exa. Revma. que, respeitando sua decisão cumpria-me providenciar por formas que o cadáver tivesse sepultura decente em outro lugar qualquer e assim resolvia que isso se fizesse no terreno extra-muros do cemitério e a ele pertencente, que não havia recebido as bençãos da igreja, se os parente e amigos do finado não dessem preferência ao cemitério protestante, que existe nesta cidade, a qual me constava já haverem recorrido... efetivamente assim se praticou no dia seguinte (dia 9), sendo a cerimônia religiosa feita pelo respectivo pastor” (Conde Baependy, “Carta ao Conselheiro Paulino José Soares de Souza”, O Apostolo, IV, NÝ 13, 28 de março de 1869, pp. 98-99).
Na verdade, o artigo 857 do título 57 das Constituições do Arcebispado da Bahia, comum à diocese de Pernambuco, acentuava: “Não se dará sepultura eclesiástica aos judeus, hereges, cismáticos e apóstatas da nossa santa fé, que a igreja tem julgado por taes ou por outra via for notório que o são; nem aos que os favorecem ou defendem” (Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, feitas e ordenadas pelo ilustríssimo e Revmo. Senhor D. Sebastião Montero da Vide, Arcebispo do dito Arcebispado e do Conselho de sua Majestade, Lisboa, 1719, p. 299).
Por outro lado o artigo 859 do título 57 dizia: “Com toda a consideração examinem os casos em que se há de negar a sepultura, e as circunstâncias deles; e havendo dúvida, antes se inclinem a concedê-la, do que a negarem” (Ibid, p. 300).
No caso de Abreu e Lima, mesmo que houvesse dúvida, o bispo já tinha o pensamento formado sobre o assunto, daí ter preparado o documento de proibição da sepultura com muita antecedência. Um articulista da época que assinava por “W” atacando o general, embora depois de morto, disse: “Não quis crer e receber tudo o que a santa igreja, como mãe, nos propõe no seu público ensino, como não considerava que depois da redenção, a religião católica é só aquela em que não há salvação” “W”, “Publicações a Pedido”, Diário de Pernambuco, 12 de março de 1869, p. 3).
Como foi mencionado, a sepultura deveria ser concedida sempre que houvesse dúvida. No caso de Abreu e Lima houve dúvida porque até o sacerdote a quem o bispo consultou sobre a condição espiritual do general, apenas “se dizia ter assistido ao moribundo” (Ibid). Não havia certeza, portanto, nem se o sacerdote esteve realmente lá.
Deste modo se conclui que a inclinação do bispo, já formada com muita antecedência, era não permitir a sepultura no cemitério e assim vingar-se daquele que esclareceu tantas famílias com a bíblia.
Alguns dias após a morte do general, “A Opinião Nacional” publicou o seguinte convite: “Os abaixos assinados, amigos do ilustre finado, general José Ignácio de Abreu e Lima, convidam, em nome da RELIGIÃO CHRISTÃ (o grifo está no original), a todos os parentes e amigos desse venerando pernambucano para a visita da cova, hoje, 14 do corrente, pelas 7 horas da manhã, no Cemitério Inglês” (“Convite”, A Opinião Nacional, 14 de março de 1869, p. 2).
Sobre o acontecimento, disse Sebastião Galvão: “No sétimo dia, em desagravo à afronta da autoridade diocesana, um numeroso grupo de pessoas gradas se dirigiu ao cemitério dos Ingleses, a fim de prestar merecida homenagem ao venerando pernambucano, usando então da palavra o escritor Franklin Tavora e o professor de Direito Vasconcelos Drumond” (Sebastião Galvão, Diccionario Chorographico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908, p. 225).
Diante da intolerância do bispo Cardoso Ayres, Joaquim Antonio Faria de Abreu e Lima dirigiu um recurso à Coroa, solicitando a trasladação dos restos mortais do general para o Cemitério Público.
O resultado à luz da época padresca não poderia ter sido outro, senão a negação ao pedido, apesar da argumentação convincente do suplicante, que acentuou: “A Constituição do Estado dispõe que ninguém pode ser perseguido por motivo de religião uma vez que respeite a do Estado e não ofenda a moral pública” (E. R. M., “Publicações Solicitadas”, Jornal do Recife, 27 de julho de 1869, p. 3).
Em virtude deste recurso impetrado pelo sobrinho do general, o Ministro do Império concedeu ao bispo Cardoso Ayres 15 dias de prazo para responder às acusações.
Em sua resposta, o bispo se mostrou arrogante, revelando as atitudes padrescas: “Permita-me V. Exa. na sua bondade que eu não oculte quão ingrata impressão me causou este decreto de V. Exa, o qual me fixa um prazo de 15 dias para responder” (Livro do Governo do Bispado de Pernambuco, começado em 1867 e terminado em 30 de dezembro de 1870. Recife, 8 de setembro de 1869, pp. 117-118).
Ao findar seu depoimento, o bispo pressionou o Ministro, dizendo: “Pela amisade que lhe tenho não permita, que de modo algum, direta ou indiretamente pareça que V. Exa. participe no triste desenvolvimento desse estranho recurso” (Ibid).
Num ofício do cônego João Crisóstomo, substituto do bispo Cardoso Ayres ao Presidente da Província, em 26 de julho de 1870, pode-se observar com mais intensidade o espírito padresco:
“Pode-se remediar este grande inconveniente com uma medida bem acertada, e é fazer-se unido ao Cemitério um suficiente departamento com S. M. recomenda tendo este comunicação com aquele, a fim de ali descansarem os restos mortais das pessoas que tiveram a desventura de morrer privadas da amizade de Deus e do ósculo santo da Igreja... penso também que na mesma área destinada ao jazigo de taes pessoas não devem ser sepultados os PROTESTANTES de profissão” (Oficio do Cônego João Crisóstomo de Paiva Torres ao Presidente da Provincia, em 16 de julho de 1870).
Comumente se diz que Abreu e Lima não teve sepultura no cemitério Público, em virtude de sua discussão com o cônego sobre as bíblias falsas. Isto é verdade.
Mas houve um outro motivo talvez muito mais forte. Abreu e Lima pertencia a uma loja maçônica, e como maçon que era, ameaçou Pinto de Campos de aplicar-lhe o castigo maçônico, conforme suas palavras: “Eis ahi o que eu faria; mas ponde a bom recado as costellas por que ha de ser tanto o pão que vos hão de fazer passar por baixo de uma abobada de aço. Perguntae a um maçon o que isto quer dizer” (Christão Velho, As Bíblias Falsificadas ou Duas Respostas ao Sr. Conego Joaquim Pinto de Campos. Recife: Typ. Commercial de G. H. de Mira, 1867, p. 61).
Sobre o túmulo do general da bíblia foi erguido um monumento com o seguinte epitáfio: “Aqui jaz o cidadão brasileiro general José Ignácio de Abreu e Lima, propugnador esforçado da liberdade de consciência. Faleceu em 8 de março de 1869. Foi-lhe negada sepultura no Cemitério Público pelo bispo Francisco Cardoso Ayres. Lembrança de seus parentes.”
Pelos seus trabalhos literários, o general foi distinguido como patrono de uma cadeira na Academia Pernambucana de Letras, na qual foi empossado posteriormente o pastor presbiteriano Jerônimo Gueiros. É certo que se o bispo Cardoso Ayres previsse os efeitos contraproducentes de sua intolerância contra o cadáver de um pernambucano da estirpe do filho do padre Roma, jamais tê-lo-ia praticado, pois a voz da história profligou-lhe um ato medieval.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 03.12.1972).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A SOJA COMO DESASTRE ECOLÓGICO.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*




É claro que não se trata da soja em si, mas, da forma como ela está sendo plantada. Estão destruindo o verde do Brasil e especialmente do Tocantins e ninguém está reclamando ou dando importância, exceto alguns nomes, entre os quais, o jornalista Washington Novaes, que já recebeu o PRÊMIO ESSO ESPECIAL DE ECOLOGIA E MEIO AMBIENTE.
Embora gere divisas para o país, a maneira como a soja está sendo produzida, contribui para a destruição da vegetação brasileira.
Destruíram as matas brasileiras do litoral para a plantação do cacau e da cana-de-açucar, além da retirada de madeiras nobres. Estão destruindo a floresta amazônica para a criação de gado.
Não é possível que, para se produzir soja em alta escala, se tenha de destruir tudo e todos. Afinal, o que sobra depois da plantação da soja? Nada, exceto uma terra arrasada.
A salvação do Brasil ainda é o conjunto de serras e montanhas, porque os plantadores de soja ainda não arranjaram um jeito de destruí-las para plantar a soja. Nestas serras e montanhas permanece o verde, protegendo as nascentes de córregos e rios.
O que é lamentável é a existência de linhas de crédito e financiamento, especialmente no Banco do Brasil, para a destruição do verde ou seja para desmatamento. Por que não existe financiamento para a formação de “CAPÕES DE MATO” nas propriedades? Só existe financiamento para destruí-los.
Poder-se-ia dizer, como na época da saúva(formiga), ou se dá um jeito na plantação de soja ou ela vai destruir as belezas naturais do Brasil, formando verdadeiros desertos.
Não é possível que os ENGENHEIROS AGRÔNOMOS e técnicos em AGRONOMIA, especialmente eles, que não são leigos, não sejam capazes de estimular os produtores de soja a formar ou deixar CAPÕES DE MATO em suas propriedades.
O que se vê hoje é a destruição indiscriminada do verde. A área para produzir soja, depois de sua colheita, é uma terra arrasada. Não se vê mais pássaros e nem animais selvagens. Os pássaros não têm árvores para fazer os seus ninhos e os demais animais selvagens não têm as matas para se esconder.
Uma das condições para se financiar a plantação de soja, em qualquer parte do Brasil, teria de ser a OBRIGATORIEDADE, da formação de pequenos CAPÕES DE MATO, não com eucalípto, mas com a própria vegetação da terra, na proporção de mais ou menos quatrocentos metros quadrados(20 x 20), para cada alqueire plantado, seja ele alqueire paulista ou goiano.
Ao contrário, o que se vê hoje nas propriedades da soja é uma casa cercada de eucalíptos por todos os lados. Eucalíptos estes que podem ser cortados a qualquer hora e que não servem de abrigo para pássaros e animais selvagens. Felizmente, alguns proprietários já começaram a plantar na entrada de suas casas, alguns pés de manga, coco e caju, o que não resolve, mas ajuda.
As viagens de avião permitem ver o desastre ecológico que se está impondo sobre o Brasil, especialmente o Tocantins, por conta de “divisas” que estão sendo levantadas, não para o “bem estar social”, mas para o pagamento de uma dívida externa que todos sabem ser impagável, mesmo porque já foi paga várias vezes.
Em entrevista com o título “COMO O AGRONEGÓCIO ESTÁ DESTRUINDO O CERRADO”, o Frei Leonardo Boff, diante da pergunta “Como o senhor vê a Politica e o Agronegócio?”, respondeu:
“São fenômenos do capitalismo periférico avançado e selvagem. É um capitalismo que visa diretamente o lucro, com uma grande taxa de iniqüidade social e ecológica. Chegam as grandes empresas com tecnologia de ponta, ocupam grandes espaços da natureza, arrasam com a biodiversidade, expulsam as populações tradicionais e tornam impossível a agricultura familiar. Utilizando agrotóxicos muito poderosos, conseguem safras recordes de produção, toda ela destinada à exportação para alimentar animais da Europa e chineses da Ásia”.
“O governo brasileiro se sente constrangido e pressionado pela dívida externa e vê no agronegócio uma forma rápida de acumular dólares necessários para o pagamento de juros de dívida. Nada faz para impedir a devastação que implica o agronegócio, muito pelo contrário, facilita extremamente o trabalho de exploração, na medida em que isenta a soja, destinada à exportação, de todo e qualquer imposto. É um fenômeno só possível numa democracia débil, num governo relativamente fraco, que não negocia, não impõe limites a esse modo selvagem de produção”(O ESTADO DO TOCANTINS. Palmas, setembro de 2004).
Como se não bastasse, esses mesmos fazendeiros de soja querem agora(e para devastar mais), através da instrumentalidade da Deputada Federal Kátia Abreu, diminuir a reserva legal do Tocantins que é, atualmente, de 35% para apenas 20%, o que aumentaria muito mais, o desastre ecológico.
A plantação da soja da forma como está sendo feita, especialmente no Tocantins, precisa ser urgentemente repensada, sob pena de as gerações atuais e também as futuras terem de pagar um preço muito alto.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




A VERDADEIRA FÁBULA DO PINÓQUIO


Liberato Povoa*

No artigo “Do bandejão à preservação das instituições”, publicado no Jornal do Tocantins, não se sabe se escrito a quatro mãos, mas assinado pela ilustre colega Desª Willamara Leila de Almeida, que de repente se tornou uma emergente magistrada, afinadíssima com a atual administração do Tribunal e de quem só agora se lhe descobriram as qualidades, ela se referiu ao artigo “Mea culpa”, deste colunista, reportando-se à fábula do Pinóquio, dando a entender que não a transcreveu devido à exigüidade de espaço.
Assim, complementando sua intenção, e para não deixar o leitor na expectativa, foi extraído do próprio site da articulista, agasalhado no portal do Tribunal de Justiça, aquela fábula, que aqui é transcrita como ali se achava, inclusive respeitando a grafia italiana do boneco de pau:
“Era uma vez uma marionete desengonçada chamada Pinochio. O velho Gepeto decidiu criá-lo para divertir a garotada naqueles primeiros dias de construção da Vila de Parma. Pinochio logo ganhou a simpatia da garotada, provocando risos e gargalhadas, pois suas pernas de madeira, finas e instáveis, sempre o embaraçavam nos próprios cordões.
Mas o que entristecia a todos é que Pinochio, com os aplausos do público, foi ficando ambicioso e vaidoso, e não admitia mais ser apenas um boneco de madeira. Julgava ser criança de verdade. Quando a garotada o chamava à realidade e reprimia suas mentiras, ele se revoltava contra todos e repleto de inveja e rancor dizia que as crianças é que eram marionetes.
Um dia, Pinochio conheceu uma raposa muito esperta e sedutora, que conseguiu convencê-lo a trair seu velho pai Gepeto, levando-o para o teatro mambembe. Com sua esperteza, a raposa fazia Pinochio acreditar que tinha se transformado em criança de verdade, e eufórico gritava: Fui libertado, fui libertado! Mas, de forma sorrateira, a raposa manipulava seus cordões levando-o a fazer coisas feias.
Pinochio entrou em êxtase com a idéia de que era livre e perdeu a razão, sentenciando aos quatro cantos que apenas ele era honesto e livre. Pobre Pinochio, ainda preso aos cordões, sem perceber, era manipulado pela raposa.
Com um nariz enorme de tanto contar mentiras e fazer coisas erradas, não enxergava direito os cordões que lhe davam movimento, levando-o a pensar que o vulto dos cordões que dançavam à sua frente manipulavam as crianças.
Pobre Pinochio, sua vaidade e sua inveja alimentavam as mais detestáveis mentiras. Aos poucos foi perdendo os amigos, que reclamavam da sua tremenda cara-de-pau. Até hoje o pobre Pinochio não percebeu que nunca passou de um simples boneco de madeira, e que marionete que nasce marionete, morre marionete, nunca abandona o cordão, apenas muda de mão”.
Esta é a fábula, que tenta estender à pessoa do articulista de “Mea culpa” a personalidade do boneco de madeira, que, na obra original, o clássico infantil “Avventure di Pinocchio” (de Carlo Collodi, pseudônimo do escritor Carlo Lorenzini), não era marionete, mas um boneco de madeira quase perfeito construído pelo relojoeiro Gepeto, que ganhou vida com um toque da varinha mágica da Fada Madrinha, tendo a fábula sido convenientemente adaptada para caber no caso (até convinha que o leitor lesse o original).
E Pinóquio descobriu o mundo, tendo sido enganado pela esperteza da Raposa, que acabou levando-o para as garras do barrigudo Strômboli, tirânico dono de um circo de marionetes, onde o boneco, pelo seu ar desengonçado, provocava risos, mas se sobressaía dentre os demais, por fazer coisas que para eles pareciam esquisitas e porque era o único boneco que tinha voz própria e não era manobrado pelos cordéis que movimentavam os outros (os cordéis do Pinóquio foram convenientemente acrescentados à fábula maquiada).
E a Fada Madrinha enviou uma borboleta mágica para libertar Pinóquio da tirania de Strômboli, que mantinha o boneco engaiolado, exatamente porque ele tinha movimentos próprios e sabia falar.
Mas vamos acolher como exemplo a fábula mencionada naquele artigo, embora inteiramente desviada do enredo do universal clássico infantil, convenientemente maquiado para causar impressão. Admitamos que o Pinóquio tivesse sido uma marionete manobrada por cordéis e que, depois de um período de rebeldia, tivesse passado a agir como o boneco de sempre, só que agora manobrado por outras mãos.
Ledo engano: se os demais bonecos continuam a ser manobrados pelas mesmas mãos de sempre, o Pinóquio a que se refere aquele artigo não mudou de mãos, como se insinua, pois a atitude libertária assumida rompeu a antiga e discutível solidariedade e agora ele adotou movimentos próprios, porque a borboleta mágica da conscientização libertou-o do circo de Strômboli, passando a caminhar com seus próprios pés, respirando a liberdade.
E com a vantagem de ser o único que fala o que quer, sem ter que consultar ninguém, mercê da ajuda da borboleta mágica, que lhe soprou no ouvido o bafejo da liberdade. Os demais continuam movimentando-se e manifestando-se ao sabor da vontade do dono do circo Strômboli, através das cordinhas que só as marionetes têm. Pinóquio nunca teve as cordinhas que a adaptação da fábula lhe conferiu.
Enquanto isto, como há quem prefira a mesmice de sempre, por faltar-lhe a coragem de viver livres, espera-se que os Pinóquios (e Pinóquias, pois elas existem) sejam muito felizes, pois quem os julgará não seremos nós, que vivemos num autêntico picadeiro, mas a História, que saberá reservar-lhes o lugar adequado.

LIBERATO PÓVOA é Desembargador do Tribunal de Justiça do
Tocantins e autor de dezenas de livros.



ACADEMIA EVANGÉLICA DE LETRAS

Mário Ribeiro Martins*


Muito oportunamente Mário Pires, da Academia Campinense de Letras, iniciou uma série de artigos na seção literária do JORNAL DO COMMERCIO, sob a orientação de Alberto da Cunha Melo e sua equipe, focalizando as Academias de Letras Metropolitanas. Iniciativa muito simpática e digna de prosseguimento.
Com o propósito de oferecer alguma contribuição para o estudo da História das Academias, reunimos informações sobre a chamada Academia Evangélica de Letras.
Com a presença do Acadêmico Austragésilo de Athayde, Presidente da Academia Brasileira de Letras, foi instalada a Academia Evangélica de Letras do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, no dia 31 de outubro de 1962.
Naquela oportunidade foi diplomado o primeiro presidente, Rev. Bolivar Bandeira, ministro presbiteriano e escritor de méritos, que recebeu a consagração pública e solene das mãos do representante da entidade máxima das letras brasileiras.
O embrião de que surgiu a Academia Evangélica de Letras foi formado no Auditório da Rádio Copacabana, quando quatro homens se encontraram, ilustres poetas e escritores, todos evangélicos, Mário Barreto França, Gilberto Maia, Sebastião J. Ribeiro e Bolivar Bandeira. Outros surgiram imediatamente e quando a Academia foi fundada, na data supra, já possuía Estatutos e Regimento Interno, era pessoa jurídica e suas cadeiras estavam preenchidas até o número 28.
Na época de sua organização, a Academia Evangélica de Letras, do Brasil, era o único silogeu literário deste gênero em todo o mundo. Composta de quarenta membros efetivos, brasileiros do sexo masculino, com vinte correspondentes estrangeiros e sede na Avenida Floriano Peixoto, Guanabara, esta Academia tem estatutos semelhantes aos da Academia Brasileira de Letras, não usando o fardão acadêmico.
Reconhecida como órgão de utilidade pública, congrega homens da estirpe do dr. Laudelino de Oliveira Lima Filho, atual presidente, dr. Mário Barreto França, neto de Tobias Barreto de Menezes, dr. Jairo Morais, dr. Gilberto Maia, dr. Bolivar Bandeira, Bispo Cesar Dacorso Filho, além de outros nomes significativos nas letras evangélicas, entre poetas, romancistas, polemistas, historiadores, professores e escritores de modo geral.
Esta Academia se comete a si como inestimável e insubstituível missão e tarefa, divulgar as verdades do cristianismo, fazer-lhes apologia, principalmente junto à intelectualidade brasileira. Entre suas publicações, destacam-se: “Antologia dos Escritores Evangélicos” e “Revista da Academia”. Congregando ilustres homens de saber, a Academia Evangélica de Letras apresenta-se como uma agência de cultura, contribuindo de modo decisivo não só para a formação de um espírito de pesquisa e estudo, mas principalmente para o desenvolvimento das letras no Brasil.(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 30.06.1974).


Atenção: A Academia Evangélica de Letras do Brasil está localizada hoje(2008), no seguinte endereço: CENTRO CULTURAL DA BÍBLIA
RUA BUENOS AIRES, 135 - 8º ANDAR, CENTRO,
RIO DE JANEIRO, RJ, 20.070-020.

Observação: Sobre esta Academia, este autor escreveu o livro: DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA EVANGELICA DE LETRAS DO BRASIL(Goiânia, Kelps, 2007).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



ATENÇÃO, ESCRITORES!


Mario Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Sob o título acima, o escritor José Mendonça Teles escreveu sua crônica para o jornal O POPULAR(Goiânia, Goiás), de hoje, 1º de março de 2006, convocando os escritores para a nova edição de seu livro DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO. Uma de suas observações, diz: “O Dicionário teve falhas, reconheço. Alguns escritores reclamaram omissões em seus dados biográficos... há, também, aqueles que não foram incluídos na primeira edição”.
Uma das contribuições que o meu confrade(da Academia Goiana de Letras) José Mendonça Teles teve, foi expressa através de alguns trabalhos biográficos que eu já tinha publicado. Aliás, não somente os meus, mas vários outros.
Humberto Crispim Borges publicou mais de 80 biografias em seu livro RETRATO DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS(1977), bem como mais de 50 biografias em seu livro GENERAIS GOIANOS(1979) e cerca de 20 biografias em seu livro VULTOS BONFINENSES(2000). José Ferreira de Souza Lobo publicou dezenas de biografias, em 1974, no livro GOIANOS ILUSTRES.
Jarbas Jayme editou centenas de biografias, em 1973, no seu livro FAMÍLIAS PIRENOPOLINAS, com 5 volumes. Joaquim Carvalho Ferreira, em 1980, publicou dezenas de biografias no seu livro PRESIDENTES E GOVERNADORES DE GOIÁS. Geraldo Coelho Vaz, em 1969, editou também centenas de biografias no seu livro VULTOS CATALANOS. Iranilda Divina Resende Paes, editou, em 1998, dezenas de biografias, em seu livro PIRESINOS ILUSTRES. Gabriel Nascente publicou dezenas de biografias em seu livro COLHEITA-A VOZ DOS INÉDITOS, em 1979. Cornélio Ramos, em 1972, editou dezenas de biografias em seu livro LETRAS CATALANAS.
O Padre José Trindade da Fonseca e Silva, em seu livro LUGARES E PESSOAS, de 1948, apresenta muitas biografias de goianos ilustres. José da VEIGA Jardim NETO, em sua ANTOLOGIA GOIANA, de 1944, traz dezenas de biografias. Lisita Júnior publicou, em 1984, o DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE GOIÁS, com dezenas de biografias, acompanhadas de fotografias. Gilberto Mendonça Teles editou, em 1964, A POESIA EM GOIÁS, com centenas de mini-biografias. Assis Brasil, em 1997, publicou a Antologia A POESIA GOIANA NO SÉCULO XX, com mais de 70 biografias de autores goianos.
Embora se trate de uma publicação referente a Brasília, o livro de Adirson Vasconcelos OS PIONEIROS DA CONSTRUÇÃO DE BRASILIA apresenta centenas de biografias de goianos ilustres. Até mesmo a ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas apresenta dezenas de biografias de autores goianos.
Outros livros poderiam ser citados, tais como: SÚMULA DA LITERATURA GOIANA, 1970, de Álvaro Catelan e Augusto Goiano, com dezenas de mini-biografias. ALAGOANOS INTRÉPIDOS, 1992, de Ubirajara Berocan Leite, com mais de 300 biografias, dentre outras, de Honestino Monteiro Guimarães. FRAGMENTOS DO PASSADO, 1975, de Claro Augusto de Godoy, com dezenas de biografias, algumas sob o título “Intelectuais Goianos do meu Tempo”. FLEURYS E CURADOS, 1979, de Mariana Fleury Curado, também com dezenas de biografias. DICIONÁRIO DE FOLCLORISTAS BRASILEIROS, 2000, de Mário Souto Maior, incluindo biografias de muitos goianos, dentre outros, Maria Augusta Callado, Octo Outuniro Marques, etc.
Em 1984, por exemplo, publiquei pela Editora O POPULAR, da Organização Jaime Câmara, o livro LETRAS ANAPOLINAS, com 600 páginas e centenas de biografias. Em 1986, editei JORNALISTAS, POETAS E ESCRITORES DE ANÁPOLIS, com 610 páginas e muitas biografias. Em 1995, publiquei ESTUDOS LITERÁRIOS DE AUTORES GOIANOS, com 1057 páginas. Em 1996, editei ESCRITORES DE GOIÁS, com 816 páginas e centenas de biografias. Em 1999, publiquei o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS, com 1234 páginas e mais de mil biografias. Em 2001, editei o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, com 925 páginas e centenas de biografias.
Como se não bastasse, mantenho hoje na INTERNET, no site www.mariomartins.com.br absolutamente atualizado, o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, com mais de 20(vinte) mil biografias.
Assim, quando o DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO, do meu confrade José Mendonça Teles foi publicado no ano 2000, já estavam circulando os trabalhos acima referidos.
Com 223 páginas, o DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO, do José Mendonça Teles tem notas de orelha de Bariani Ortêncio que disse, entre outras coisas:
“Goiás é a terra dos dicionaristas...Luis Maria da Silva Pinto publicou, em 1832, o primeiro Dicionário da Língua Portuguesa. Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, em 1950, publicou o Dicionário Analógico da Língua Portuguesa. William Agel de Melo tem 14 dicionários publicados. O meu DICIONÁRIO DO BRASIL CENTRAL saiu em 1983. José Liberato Povoa nos legou, em 1997, o Dicionário Tocantinense de Termos e Expressões Afins. Em 1999, Amaury Menezes publicou o DICIONÁRIO DAS ARTES PLÁSTICAS DE GOIÁS. No mesmo ano(1999), Mário Ribeiro Martins, de Anápolis, deu a público o volumoso DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS. E agora, em 2000, o batalhador cultural José Mendonça Teles entrou de sola com o oportuno DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO”.
Entre os grandes méritos do Dicionário do Escritor Goiano é que, dentre os 917(novecentos e dezessete) escritores dicionarizados, 280(duzentos e oitenta) deles tem suas fotografias apresentadas. Mas o grande problema é não ter tido uma BIBLIOGRAFIA completa dos livros pesquisados por ordem alfabética de autores e nem um índice onomástico, não apenas dos autores biografados, mas também daqueles que se acham no corpo do livro.
Oxalá, a próxima edição do DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO que receberá aval da Secretaria Municipal de Cultura e recursos financeiros do Banco do Brasil sane as imperfeições da edição anterior e seja enquadrado dentro das normas da ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas).
De qualquer forma, o chamamento de José Mendonça Teles para que os escritores apresentem suas biografias, é oportuníssimo. Afinal de contas, encontrar dados biográficos é difícil. Os autores de livros publicam seus trabalhos sem biografia. Há até aqueles que escondem o nome de sua cidade e de seu Estado natal. Mas, alguém diria: tudo hoje está no GOOGLE, no ACHEI, no CADÊ, etc. Não é bem assim. Só estará lá, se alguém colocar. Mas quem desejar enviar Curriculum Vitae é só entrar em contato com o Instituto Cultural José Mendonça(telefone 3213 0552), na Rua 24, Nº 88, Centro, Goiânia, Goiás, 74.030-060.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




BERÇO CULTURAL DO TOCANTINS:
NATIVIDADE OU PORTO NACIONAL?


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE)



Mário Ribeiro Martins*


Salvo melhor juízo, não me parece correto dizer que Natividade é o berço cultural do Tocantins. É verdade que o próprio conceito de cultura é muito amplo. Embora seja uma cidade antiga, eis que fundada por volta de 1734, portanto, com mais de dois séculos e meio de existência, há alguns aspectos pelos quais, o título de berço cultural há de ficar mesmo com Porto Nacional.
Um destes aspectos é o número de jornais fundados em Porto Nacional. Exposição recente organizada pelos Professores Lailton da Costa e Aurielly Painkow, na ULBRA, em Palmas, mostra o extraordinário elenco de jornais que teve vida duradoura, mas também efêmera em Porto Nacional.
O primeiro jornal portuense foi O FOLHA DO NORTE(1891), do Coronel Frederico Lemos e Luís Leite Ribeiro. Sua tipografia foi comprada em Paris.
O segundo foi O INCENTIVO(1902), também de Frederico Lemos e Luis Leite Ribeiro.
O terceiro foi O NORTE DE GOIAZ(1905), fundado pelo Médico e depois Deputado Federal Dr. Francisco Ayres da Silva.
O quarto foi o JORNAL DO POVO(1920), do Coronel Frederico Lemos, Quitiliano da Silva e Rafael Fernandes, dirigido por Abílio Nunes.
O quinto foi o FOLHA DOS MOÇOS(1930) dos Frades Dominicanos, feito por alunos da Escola Santo Tomaz de Aquino.
O sexto foi o GOYAZ CENTRAL(1945), do PSD, orientado por Adelino Gonçalves e Abelino Ayres.
O sétimo foi A NÓRMA(1953), fundado por Osvaldo Ayres da Silva que também fundou O PORVIR(1922).
Pode-se mencionar ainda outros jornais, entre os quais, O POLICHINELO(1919), de Osvaldo Ayres. O PORTO NACIONAL JORNAL(1964), de Antônio Poincaré Andrade. BRASIL CENTRAL(1985), tendo como Diretor Getúlio Matos. O PARALELO 13(1986), fundado por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues.
Em Natividade, a não ser muito posteriormente, se tem notícia da existência de algum jornal, como O CORISCO(1927), fundado por José Lopes Rodrigues e VOZ DO NORTE(1929), fundado pelo Médico Quintiliano Silva. Este jornal reapareceu em 1934, com a direção de André Ayres.
Mas isto não tira a importância de Natividade. Tanto é que o explorador, geógrafo, cartógrafo e engenheiro militar italiano FRANCESCO TOSI COLOMBINA, quando elaborou o MAPA DA CAPITANIA DE GOIÁS E DO BRASIL CENTRAL, em 1749, veio pessoalmente, em lombo de burro, de Goiás Velho até Natividade, conforme ele mesmo escreveu:
“ DA VILA DE SANTOS, GUARDANDO OS PONTOS DE LONGITUDE E LATITUDE E COM A DILIGÊNCIA QUE PODE USAR UM VIANDANTE DE PASSAGEM, FIZ A DERROTA(ROTEIRO) ATÉ ESTA VILA BOA, CONTINUANDO DEPOIS ATÉ NATIVIDADE E RECOLHI-ME OUTRA VEZ A ESTA VILA”.
Como se vê, o mapa foi feito por encomenda do Capitão-General de Goiás, Dom Marcos de Noronha. Tosi Colombina viajou em lombo de burro, saindo de Vila Boa e passando por Natividade, quando elaborou o mapa da Capitania de Goiás, inclusive o ROTEIRO para se sair de Santos e se chegar a Natividade, pelo caminho de Vila Boa(Veja-se sobre o assunto, o livro FRANCESCO TOSI COLOMBINA, de Riccardo Fontana, Brasília, 2004, obra patrocinada pela Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal).
Entregou o Mapa, com dedicatória e explicações ao futuro Vice-Rei do Brasil-Dom Marcos de Noronha-, no dia 06 de abril de 1751, conforme ele mesmo escreveu. Como prêmio, recebeu licença para explorar por dez anos, a estrada carroçal que seria construída de São Paulo ao Planalto Central, passando por Goiás Velho e indo a Natividade, alcançando várias minas de ouro, além de uma SESMARIA de três em três léguas, para plantação de pastos e instalação de pontos de apoio.
Conforme Alencastre escreveu, em 1863, página 124, nos ANNAES DA PROVÍNCIA DE GOYAZ, o projeto não foi executado por falta de verbas. (Sobre a vida completa de Tosi Colombina, veja também o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, letra T, no site www.mariomartins.com.br).
Mas há também outros aspectos, pelos quais Porto Nacional há de ser sempre considerada berço cultural do Tocantins. Embora o povoado de Porto Nacional tenha sido fundado por Antônio Sanches, em 1738 ou seja quatro(4) anos depois de Natividade, a vida cultural em Porto Nacional sempre foi mais intensa.
Os escritores, por exemplo, nascidos em Natividade, podem ser contados nos dedos: 1)Francisco José Pinto de Magalhães(1760). 2)Frederico Nunes da Silva(06.07.1900). 3)José Lopes Rodrigues(01.12.1908). 4)Maximiano da Mata Teixeira(15.08.1910). 5) Amália Hermano Teixeira(23.09.1916). 6) Carlos Pacini Aires da Silva(23.03.1949), além de poucos da nova geração. Quintino Pinto de Castro escreveu sobre Natividade, mas era filho de Porto Nacional(31.10.1892).
Já os escritores de Porto Nacional podem ser assim enumerados: 1) Luiz Ferreira Lemos(21.06.1839). 2) Francisco Ayres da Silva(11.09.1872). 3) J. Aires da Silva(1900). 4)Osvaldo Ayres da Silva(30.11.1905). 5)João Fernandes da Conceição(10.08.1912). 6)Eulina Braga(21.04.1914). 7)Eli Brasiliense Ribeiro(18.04.1915). 8)Durval da Cunha Godinho(1919). 9) Antônio Luiz Maya(18.12.1926). 10)Pery do Espirito Santo(1927). 11)Ruy Rodrigues da Silva(28.10.1927). 12) Joaquim José Oliveira(1937). 13)Antônio Maia Leite(07.08.1938). 14)Jamil Pereira de Macedo(1939). 15)J. Cantuária(1940). 16)Gesina Cardeal Barros(07.07.1941). 17)Zezuca Pereira da Silva(1943). 18)Pedro Tierra(Hamilton)(26.07.1948) 19)Jones Ronaldo Pedreira(29.11.1952). 20)Célio Costa(19.12.1953). 21)Marinalva Barros(1955). 22)Célio Pedreira(13.04.1959). 23)Márcia Costa(24.03.1960). 24)Regina Augusta Reis(26.02.1960). 25)Renato Godinho(12.07.1960). 26)José Carlos Ribeiro(15.11.1969). 27)Eurivan Gomes(02.11.1976), além de tantos outros velhos e novos que a exigüidade de espaço não permite mencionar. Juarez Moreira Filho(03.07.1953) não é referido aqui por ter nascido em Ribeiro Gonçalves, no Piauí.
Quanto a Natividade, localizada no Sudeste do Estado, a 218 quilômetros de Palmas, com cerca de 11(onze) mil habitantes, continua com suas belezas naturais, além de ser a única cidade do Estado com o titulo de Patrimônio Histórico Nacional, conseguido em outubro de 1987.
Sua importância histórica é fundamental, porque além de ter sido sede da Comarca do Norte, nela viveu Joaquim Teotônio Segurado, conforme escreveu Suzana Barros.
Mas o título de BERÇO DA CULTURA oral e escrita do Estado do Tocantins há de ficar sempre com Porto Nacional.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




BIBLIOTECAS: AGÊNCIAS DE CULTURA

Mário Ribeiro Martins*


Uma das experiências mais agradáveis para o homem de letras é freqüentar bibliotecas. Há sempre algo que atrai. Às vezes é uma obra raríssima na área de estudo do interessado, outras vezes é o simples formato de um jornal antigo.
Cidades como Recife e outras, no Brasil, estão hoje dotadas de boas bibliotecas. Nesta cidade, por exemplo, algumas das agências de cultura são bastante freqüentadas e muito conhecidas. Outras, talvez por causa da localização e atividades a que se dedicam, são menos visitadas, embora também importantes.
Entre as grandes e expressivas bibliotecas desta cidade é de grande significação destacar a do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, localizada na Rua Padre Inglês, 243, Boa Vista. Tem, como nenhuma outra, talvez, uma história dramática, chegando a ser, inclusive, motivo da ação judicial em certa época.
Fundada em abril de 1902 no Caminho Novo, 106 (hoje Conde da Boa Vista), por missionários norte-americanos, era constituída inicialmente de obras de cunho teológico - a maioria delas em inglês e outras traduzidas - e destinavam-se a auxiliar os estudos teológicos que se iniciavam no Norte do Brasil.
Em 1940, quando da eclosão do movimento radical, entre os batistas brasileiros, a biblioteca da referida instituição foi também vítima da questão. Seus livros começaram a desaparecer e um processo judicial foi lançado contra os acusados na tentativa de reintegração dos objetos. O fato é que a biblioteca foi preservada.
Com ar condicionado e cerca de 16 mil volumes, a biblioteca do Seminário Batista é um dos lugares mais confortáveis para o estudo. E uma das poucas bibliotecas em que o leitor tem acesso diretamente às estantes de livros, escolhendo “in loco” aquilo que deseja consultar.
Além de suas secções especializadas na área de Bíblia, Patrística, Reforma, História, Religiões, Filosofia, Sociologia, Psicologia, Música, Literatura, Biblioteconomia, Apócrifos, a biblioteca possui também Gramáticas Estrangeiras, Dicionários, destacando-se o “Webster’s New Twentieth Century Dictionary” com suas 3.000 páginas.
Destacam-se também suas enciclopédias, como: “The Catholic Encyclopedia”; “The New Schaff-Huzog Encyclopedia of Religions Knowledge”; “The International Encyclopedic Dictionary” e outros mais recentes em diversas línguas. As revistas especializadas, documentos históricos, fabulosos comentários bíblicos, alguns deles com mais de 30 volumes, coleções de jornais antigos dos mais diversos tipos, coleções de sermões desde Origens até Billy Graham (maior pregador da atualidade), incluindo Basílio, Calvino, Spurgeon, Vieira, etc. contribuem para a riqueza da biblioteca.
Entre os livros e documentos históricos existentes podem ser mencionados: “Processo de Manoel de Moraes sacerdote e theólogo, preso nos carceres da inquisição de Lisboa em 1642” - Lisboa, 1647; “Regimento do Santo Ofício da Inquisição dos Reinos de Portugal, com o beneplácido do Cardeal da Cunha” - Lisboa, 1774; “As Bíblias Falsificadas ou Duas Respostas ao Sr. Cônego Joaquim Pinto de Campos pelo Chistão Velho” (Abreu e Lima) - Recife, 1867.
É expressiva sua coleção de Bíblias, em vários idiomas, como: Siriaco, Leto, Hebraico, Grego, Alemão, Italiano, Espanhol, Russo, Latim, Inglês, Francês, entre outros. Destacam-se também as coleções: “Anti-Nicene Christian Library, 1875”; “The Great Events By Famous Historians, 1905”. Outras obras são lembradas, como: “A Egreja e o Estado”, de Saldanha Marinho, 1875; “Circulares e Discursos do Bispo de Olinda (Dom Vital) ao Clero da Diocese”, Recife, 1873; “A Questão Religiosa do Brazil ou Missão Especial a Roma em 1873”, D. Ant. Macedo Costa, Lisboa, 1886.
Finalmente deve ser lembrado que desde sua fundação até o presente, portanto 71 anos, a biblioteca do Seminário Batista do Norte do Brasil tem contribuído de modo significativo não só para a formação religiosa e cultural de Pernambuco, mas também para uma mais justa e perfeita maioridade da educação no Brasil.(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 18.04.1973).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com





BIOGRAFIAS E BIÓGRAFOS


Enéas Athanázio*



Como biógrafo do mineiro Godofredo Rangel e do catarinense Crispim Mira, sei de experiência própria quão difícil é rastrear com segurança os passos de alguém em sua vida terrena. Preencher lacunas misteriosas, eliminar hiatos indesejáveis, explicar posições e atitudes.
Ainda mais quando se trata de um escritor arredio às entrevistas e confissões pessoais, como foi o mineiro, ou cuja existência recuada no tempo não permite contatos com contemporâneos, como ocorreu com meu conterrâneo, assassinado em seu jornal no distante ano de 1927, na capital do Estado.
Não foram poucas, em ambos os casos, as dúvidas inquietantes que tive de enfrentar, procurando resolvê-las deduzindo fatos de simples indícios ou apelando a amigos distantes para que me socorressem com suas luzes.
Por razões dessa ordem é que grandes biografias, bafejadas pelos leitores e pela crítica, apresentam lacunas que só os dedicados estudiosos do biografado acabam percebendo. Assim ocorre, por exemplo, na excelente biografia de Monteiro Lobato, até hoje insuperada, escrita por Edgard Cavalheiro- “Monteiro Lobato-Vida e Obra”(2 vols).
Nessa obra ímpar, o autor passa como gato sobre brasas pela descrição das atividades forenses de Lobato, deixando de fora seu pensamento como jurista a respeito de temas palpitantes como o crime e a pena, os juízes e a justiça, as prisões e seus efeitos, o juri e seus quesitos, as escolas penais e assim por diante.
Embora Lobato não sentisse amor pelo Direito, tinha um pensamento jurídico nítido e firme, exposto no correr de sua obra, como procurei demonstrar em um ensaio.
Também a biografia “Chatô, o rei do Brasil”, de Fernando Moraes, silencia a respeito do pensamento de Assis Chateaubriand como jurista, uma vez que foi professor universitário na área do Direito e exerceu a advocacia. Em ambos os casos, porém, os biógrafos, embora escritores atilados, não tinham formação jurídica, dificultando-lhes sobremaneira a penetração nesse intrincado terreno, fato perfeitamente compreensível.
Diante de fatos assim, é de grande importância a investigação realizada sobre um ou alguns aspectos da vida/obra de uma personalidade, ainda que se trate de alguém que sempre viveu exposto à mídia e não se furtava a falar de si próprio, como foi o caso de Gilberto Freyre.
Refiro-me ao pequeno e substancioso livro “GILBERTO FREYRE, O EX-PROTESTANTE”, de autoria de Mário Ribeiro Martins, publicado em 1973, pela Imprensa Metodista, de São Paulo e que tem o esclarecedor subtítulo de “uma contribuição biográfica”.
Embora se trate de obra esgotada, é interessante comentá-la em face do ineditismo do tema e as conseqüências para o biografado.
Nessas páginas, o autor mergulha fundo no tema, rebuscando papéis e variadas fontes em laboriosas pesquisas. Mostra ele que o Dr. Alfredo Freyre, pai do Mestre de Apipucos, manteve estreitas relações com os batistas de Pernambuco, com eles colaborando(tendo sido Diretor do Colégio Americano Batista Gilreath) e professando sua fé, embora nunca batizado.
Gilberto, o filho, foi mais longe, chegando a ser “menino-pregador”(como dizia) com 17 anos de idade, aqui e nos Estados Unidos, para onde havia se transferido para estudos universitários.
Aliás, seguiu para os Estados Unidos, em 1918, após ter recebido a passagem do velho missionário norte-americano L. L. Johnson, que vendeu o seu piano, para ajudá-lo na viagem à América do Norte.
Passou, como seminarista, pelo Seminário Teológico Batista de Fort Worth, no Texas e foi para a Universidade Batista de Baylor, onde, como EVANGÉLICO PROTESTANTE, tornou-se membro da SEVENTH & JAMES BAPTIST CHURCH(Igreja Batista da Rua Setenta, com Rua James) e um de seus pregadores.
Meu evangelismo “nesses dias-afirmava-era de caráter o mais popular. O mais antiburguês. O mais antieclesiástico. Com muito de tolstoiano, portanto”(pag.53). Esses contatos e tendências, escreveu mais adiante, “duraram ano e meio. Mas ano e meio que me enriqueceram a vida e o conhecimento da natureza humana, no sentido de relações dos homens com Deus e com o Cristo, que é um sentido de que ainda hoje guardo comigo parte nada insignificante”(pag.54).
Diversos fatores, porém, interferiram e o levaram por outros caminhos na luta ingente pela realização de sua obra científica e, principalmente, de escritor, condição a que aspirou acima de tudo. Sua vivência nos Estados Unidos, onde observou o tratamento cruel dedicado aos negros, contribuiu de forma decisiva para esse afastamento.
Embora o sociólogo aparentasse “negar qualquer influência protestante sobre sua formação ou pelo menos não a tomasse em consideração”, como escreve o autor do ensaio(pag.31), é fora de dúvida que o evangelismo deixou marcas profundas em GILBERTO FREYRE, temperando seu caráter, humanizando suas conclusões, apurando sua sensibilidade e embelezando seu estilo.
Ninguém vive uma experiência religiosa de ano e meio, com tal intensidade, no período das graves crises espirituais, sem que ela deixe suas marcas. Os elementos que se juntam na formação do escritor e como eles se entrelaçam na sua cabeça são mistérios até hoje inexplicáveis. É por isso que se afirma que para o escritor não existem experiências e conhecimentos inúteis. Ainda que de forma indireta, o próprio escritor Gilberto Freyre reconheceu essa influência “EM CONTATOS E TENDÊNCIAS DE QUE ME ORGULHO”(pag.53).
Por tudo isso, o ensaio de Mário Ribeiro Martins intitulado “GILBERTO FREYRE, O EX-PROTESTANTE” é merecedor de atenção e se constitui em mais um elemento importante a ser levado em consideração nos estudos sobre Gilberto Freyre e sua valiosa obra.


Enéas Athanázio é escritor e Procurador de Justiça.



CANTO DE MORTE
NOS POETAS NACIONAIS

Mário Ribeiro Martins*


O sentimento trágico que muitas vezes caracteriza o homem brasileiro é refletido nos poetas nacionais que retratam a morte com tanta familiaridade que é de estarrecer. O fenômeno parece não fugir à regra em todos os períodos da poesia brasileira.
Assim é que no classicismo e, particularmente, nas Escolas Arcádica e Seiscentísta podem ser lembrados os nomes de Santa Rita Durão, Basílio da Gama e Gregório de Matos, respectivamente.
O Frei Rita Durão, mineiro é o autor de “Caramuru”. Nele se encontra a morte de Moema, que apaixonada pelo português Diogo, lança-se ao mar. Não conseguindo seu intento, frustrada, morre, soltando as últimas palavras que são um misto de amor e desespero: “Ah! Diogo cruel”.
Já Basílio da Gama, também mineiro, é o autor de “Uruguai”. Nele está a morte de Lindóia que picada no seio por uma serpente, morre. Para Basílio a morte da Cleópatra involuntária é simplesmente bela. Gregório de Matos Guerra é o baiano do inferno, outras vezes chamado “boca do inferno” pelo seu espírito irreverente. Tendo vindo para Pernambuco depois de desterrado para Angola e lá indultado, foi proibido de “fazer versos” por causa de sua mordacidade. Escreveu os sonetos “A Jesus Cristo Nosso Senhor” e “A Jesus Crucificado”, estando o poeta para morrer.
No Romantismo podem ser lembrados os nomes de Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias e Francisco Otaviano. Este tinha por descanso a morte e daí exclamar: “Morrer...dormir..., não mais. Termina a vida e com ela, terminam nossas dores: um punhado de terra, algumas flores e as vezes, uma lágrima fingida! Sim! Minha morte não será sentida. Não deixo amigos e não tive amores! Ou, se os tive, mostraram-se traidores, algozes vis de uma alma consumida... Vem pois ó Morte, ao Nada me transporta”.
Álvares de Azevedo, paulista, é no dizer de José Veríssimo e Silvio Romero o poeta pessoal e subjetivo, imaginoso e triste. “Que fatalidade meu pai!” foram suas últimas palavras ao morrer com vinte e um anos.
Gonçalves Dias, maranhense, chegou a escrever: “Meu canto de morte, guerreiros, ouvi”. Em sua “Canção do Tamoio” diz que o homem que é forte não teme da morte, só teme fugir... “Não fujas da morte, que a morte há de vir”. O poema “Juca-Pirama” significa o que é digno de ser morto. Termina um dos seus cantos dizendo: “Se a vida deploro, também sei morrer”.
Do Parnasianismo ao Modernismo podem ser lembrados os nomes de Olavo Bilac, Augusto dos Anjos, Alceu Wamosy, Paulo Correia, Pedro Nava e Myrthes Ribeiro. Olavo Bilac, escreveu “Virgens Mortas”. É moralista e diz que ‘quando uma virgem morre uma estrela aparece’. Alceu Wamosy, gaúcho, escreveu “Idealizando a Morte”, onde a encara com muita naturalidade chegando a querer ‘morrer com a placidez de uma flor que se corte...’
Myrthes Ribeiro escreveu o “Salmo da Morte” cuja afirmação inicial demonstra uma estranha familiaridade com a morte: “Eu te aguardo morte desconhecida. Eu me ofereço a ti, bela ignorada por tantos dias... Teu beijo é o do verme cego e surdo...”
Paulo Correia transforma a morte em poema, afirmando que nada valerá no mundo, se no momento final os lábios não souberem murmurar uma oração. Pedro Nava, mineiro diz: “Quando morto estiver meu corpo evitem os inúteis disfarces... Não quero caixão de verniz, nem os ramalhetes distintos, os superfinos candelabros e as discretas decorações... Eu quero a morte com mau gosto..., descubram bem esta cara..., descubram bem minhas mãos..., exibam todo o meu corpo...”
Augusto dos Anjos, paraibano, caracterizou-se pelo pessimismo e pelo “cheiro de necrotério que tresanda de porção de suas poesias”, no dizer de E. Cruz.
No Humorismo há os poetas jocosos, entre os quais Emílio de Menezes que escreveu “Hermetério dos Santos” em homenagem ao professor negro que não usava quadro-negro porque lhe bastava a palma da mão. Sobre uma jornalista que tinha orelhas de abano, escreveu: “Morreu depois de uma sova e, como não tinha campa, de uma orelha fez a cova e da outra fez a tampa”. A respeito de um certo político, disse: “Magro, triste, macerado, frio; flácido; funéreo parece um feto barbado, nascido num cemitério... Morreu em tal quebradeira, que nem pode entrar no céu, pois só levou cabeleira, bigode, banha e chapéu”.
Sob o signo da geração 65, encontra-se, entre outros, Miguel Jorge. É, portanto, fruto de poucas gerações. Em “Os Frutos do Rio”, exclama: “fecham-se os olhos abre-se o coração que a luta é cega começo da sorte início da luta princípio da morte”.(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 26.09.1973).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




CANTO DO CISNE(Joana Camandaroba*)



Mário Ribeiro Martins*



“O ÚLTIMO CANTO DO CISNE”, de Joana Camandaroba(Utinga, Ba, 14.06.1914) é de uma preciosidade sem tamanho. Lá da distante cidade da Barra, na Bahia, às margens do Rio São Francisco, o livro me veio às mãos através da instrumentalidade do casal de empresários Adão Ramos Costa Filho e Carla.
O livro faz jus à significação cultural e também à importância da cidade da Barra, na Bahia. Na verdade, Barra era uma cidade tão importante do ponto vista educacional e estratégico que os missionários americanos que mantinham o Instituto Batista Industrial de Corrente, no sul do Piauí, vinham de avião buscar suas correspondências, na Caixa Postal 2, no Correio da cidade da Barra. É que todos os vapores da VIAÇÃO BAIANA e da VIAÇÃO MINEIRA por ali passavam, deixando suas cargas, procedentes de Juazeiro(BA) ou de Pirapora(MG). As de Juazeiro já vinham de Salvador, do Norte e Nordeste. As de Pirapora já vinham de São Paulo, Rio de Janeiro, Sul e Sudeste.
A tradição educacional de Barra era tão forte que os antigos diziam: “marido na cidade da Barra não tem nome. É sempre chamado o marido da professora”. E explicavam: “todas as moças da Barra são formadas normalistas. Os rapazes quando se casam, unem-se com uma professora e passam a ser denominados marido da professora”.
Feita esta digressão, só para mostrar a importância da cidade da Barra, voltemos ao livro de Joana Camandaroba. São 373 páginas, publicação da EGBA(Empresa Gráfica da Bahia), em Salvador. As notas de orelha são do Frei Luiz Flávio Cappio, Bispo Diocesano de Barra e o prefácio de Humberto Araújo.
Para escrever o seu livro, a Professora Joana Camandaroba fez um “tour” pelas cidades que, se não estão às margens do Rio São Francisco, estão, no entanto, em alguns afluentes do Velho Chico.
E começa o percurso no dia 21.01.2001(com 87 anos de idade), pela cidade de Barreiras, Bahia, às margens do Rio Grande, afluente do São Francisco. Depois de uma peregrinação pela aconchegante cidade, entrevista figuras ilustres e faz anotações preciosas sobre a quase capital da soja, desde o tempo em que, no dia 20.03.1940, tornara-se Diretora da Escola Dr. Costa Borges.
Prossegue sua viagem por Ibotirama(Bom Jardim), Paratinga(Urubu), Bom Jesus da Lapa, Agrovilas, Carinhanha, Santa Maria da Vitória, Correntina, Santana, Xique-Xique, Casa Nova, Remanso, Sento Sé, Juazeiro, Petrolina e Pilão Arcado, tendo terminado esta viagem em 13.12.2001.
Em cada uma destas cidades, faz um levantamento histórico, cultural, político e econômico da melhor qualidade, focalizando aspectos pouco conhecidos de seus habitantes atuais. Dá gosto ler o livro da Professora Joana Camandaroba. Foi neste livro, por exemplo, que o autor destas notas descobriu que o pai do famoso jurista Fernando da Costa Tourinho Filho, foi Juiz de Direito da Comarca de Xique-Xique, na Bahia, nos idos de 1914 e 1915.
Ela relembra nomes extraordinários: DJALMA ALVES BESSA(de Xique-Xique, Ba, 08.10.1923)-Promotor de Justiça, Deputado Federal, Senador da República. CARLOS FERNANDO FILGUEIRAS DE MAGALHÃES(de Paratinga, Ba, 17.10.1959)- Médico, Escritor, Professor da Universidade Federal de Goiás). HUMBERTO ARAÚJO(de Formosa do Rio Preto, Ba, 1934)- Escritor, Promotor de Justiça. JOÃO LUIS CAMANDAROBA(Barra, Ba, 12.10.1932)- Médico, Pecuarista.
Como se não bastasse, o seu livro apresenta o capítulo HISTÓRIA POLÍTICA E LITERÁRIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Só este capitulo, pela sua preciosidade, justificaria a importância do livro. Não é todo dia que se encontra uma mulher com seus 89(oitenta e nove) anos de idade, escrevendo com tanta lucidez. Se Antonio Loureiro de Souza, da Academia de Letras da Bahia, a tivesse conhecido antes, certamente a teria incluído em seu livro BAIANOS ILUSTRES, publicado em 1979, pelo Instituto Nacional do Livro, como uma homenagem à ilustre família CAMANDAROBA.
Embora em seu livro, ela descreva dezenas de “Camandarobas”, este nome é raríssimo. O DICIONÁRIO DE FAMÍLIAS BRASILEIRAS, por exemplo, com 4(quatro) volumes gigantes, não traz nenhuma família com o nome CAMANDAROBA, o mesmo ocorrendo com dezenas de dicionários especializados, assim como livros diversos consultados por este autor.
Nem mesmo o famoso DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas traz algum Camandaroba. Portanto, até o momento(09.12.2005), o único livro em que este autor encontrou qualquer CAMANDAROBA é no livro O ÚLTIMO CANTO DO CISNE. Mas, se você encontrou algum “Camandaroba” em outro livro, mande-me a notícia pelo e-mail mariormartins@hotmail.com


*Joana Camandaroba é verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, LETRA J, via INTERNET, de Mário Ribeiro Martins, no site www.mariomartins.com.br

MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



CARTA A GILBERTO FREYRE NETO
(Palmas, Tocantins, 28.11.2004).

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).

Mário Ribeiro Martins*


Prestimoso amigo
GILBERTO FREYRE NETO
(Rua Dois Irmãos, 320, Apipucos, Recife, Pernambuco, 52.071-440).



Estou lhe enviando, pelo Correio, para o endereço da Fundação Gilberto Freyre, uma página de um livreto meu, já esgotado, sobre GILBERTO FREYRE, contendo uma foto que não encontrei na Galeria de Fotos da Fundação. Talvez você tenha a dita foto em algum lugar e não apareceu na Galeria.
Mas se não tiver, tenho a foto, em seu estado original e, se você desejar, posso doar para a Fundação. Essa foto tem uma história interessante que lhe conto agora.
Antes da construção da Barragem de Tapacurá, o Recife sofreu uma grande enchente, entre o fim da década de 60 e o início da década de 70(eu mesmo andei de barco na Avenida Conde da Boa Vista até as imediações do antigo Colégio Marista).
Pois bem, andando eu pela Avenida Rosa e Silva, depois que as águas baixaram, passei na frente de uma casa onde havia uma montanha de livros velhos, todos “ensopados” pela enchente. Dei uma revirada neles e encontrei um que me interessou, mas praticamente imprestável, de tão molhado.
Era o DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERNAMBUCANOS CÉLEBRES, de 1882, do autor Francisco Augusto Pereira da Costa que foi um dos fundadores da Academia Pernambucana de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde foi recebido pelo Barão do Rio Branco, sendo saudado pelo Conde de Afonso Celso.
Dentro desse Dicionário estava a foto a que me refiro absolutamente molhada. Coloquei atrás da geladeira e quando ela secou, levei a um antigo fotógrafo da Rua da Matriz que conseguiu retirar as principais manchas.
No fundo da foto está escrito: Primeira Turma de Bacharéis em Ciências e Letras, do Colégio Americano Batista Gilreath, no anno de 1917. Da esquerda para a direita Gilberto Freyre, Tertuliano Cerqueira, Antonio Neves Mesquita, Manoel Dias e Fernando Wanderley.
Quem foram eles?
Gilberto Freyre, seu avô, um dos maiores sociólogos e antropólogos do mundo. Em 1950, foi considerado pela UNESCO, em Paris, na França, um dos “oito maiores especialistas do mundo em Ciências Humanas”.
Tertuliano Cerqueira tornou-se Médico e Pastor Batista.
Antonio Neves Mesquita fez-se Pastor Batista e o maior historiador do evangelismo brasileiro, autor do livro HISTÓRIA DOS BATISTAS EM PERNAMBUCO.
Manoel Dias destacou-se como Professor do Colégio Americano Batista, na Rua Dom Bosco.
Fernando Wanderley tornou-se Médico e membro da Igreja Batista da Capunga.
Antes de publicar o livreto e ainda estudante no Recife, estive pessoalmente com seu avô, daí ele ter dito em um de seus escritos nos jornais da época(FOLHA DE SÃO PAULO) “pena que não me tenha ouvido outras vezes e eu lhe teria contado coisas mais de interesse para o seu estudo”.
Como já tenho 61 anos de idade e os meus herdeiros não irão conservar a dita foto, seria de bom alvitre que ela ficasse num lugar público.
Sobre Gilberto Freyre, além de ter publicado um livreto, em 1973, pela Imprensa Metodista de São Paulo, publiquei também o artigo QUEM FOI GILBERTO FREYRE? na INTERNET, no seguinte endereço: www.usinadeletras.com.br ou então em www.mariomartins.com.br já lido por centenas de estudantes e pesquisadores, conforme as visitas registradas no texto.
Seu pai Fernando Alfredo Guedes Pereira de Mello Freyre, filho caçula de Gilberto Freyre, deu-nos o prazer de sua visita aqui em Palmas, em diversos eventos culturais, como Presidente da Fundação Cultural Gilberto Freyre. Em 2003, como Presidente do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco esteve em Palmas, no Tocantins, onde fez Conferência sobre a função dos Conselhos Estaduais, a convite do falecido escritor José Gomes Sobrinho, então Presidente do Conselho Estadual do Tocantins.

Com muita estima, Mário Ribeiro Martins.

NOTA DO AUTOR: GILBERTO FREYRE NETO(Gilberto de Mello Freyre Neto), de Recife, Pernambuco, 09.08.1973. Filho de Fernando Alfredo Guedes Pereira de Mello Freyre e de Maria Cristina Suassuna de Mello Freyre. Fernando Freyre, o pai, morreu no Recife, em 28 de abril de 2005, com 62 anos de idade, eis que nascido em 14.10.1943.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




CIDADE PERDIDA DOS PIRINEUS
(QUEM FOI TRIGANT DES GENETTES?)

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).



Mário Ribeiro Martins*



FRANCISCO HENRIQUE RAIMUNDO TRIGANT DES GENETTES(François Henry), de Panillac, próximo a Bordeaux, França, 1801, escreveu, entre outros, “ESTUDOS GEOLÓGICOS DA PROVÍNCIA DE GOYAZ”. Publicou também O FILHO PRÓDIGO(Teatro), O ESTALAJADEIRO(Teatro), ALFREDO, O ENJEITADO(Teatro), O INCONFIDENTE(Romance). Filho de João Trigant des Genettes e Francisca Emilina D`Arlot.
Após os estudos primários em sua terra natal, formou-se em “humanidades” na Escola de Montpellier. Tornou-se Médico, pela Academia de Medicina de Brest. Nos anos seguintes, esteve no Marrocos, Norte da África. Veio para o Brasil em 1839, ficando no Rio de Janeiro, depois em Ouro Preto e Araxá, passando a ser chamado de Dr. Francisco. Esteve em Uberaba, em 1854, onde foi de tudo um pouco, inclusive Médico, Professor e Político.
Com 67 anos de idade, em 1868, estabeleceu-se em Pirenópolis(Meia Ponte), ali fundando o Colégio Senhor do Bonfim, quando também garimpou ouro e diamante, sem, no entanto, ficar rico. Viajou pelo Norte de Goiás, fazendo estudos geológicos em Arraias, Natividade, Porto Nacional, etc.
Em 1871, com 72 anos de idade, mandou para a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, um artigo em que revela a sua famosa descoberta, com o titulo “DESCRIPÇÃO DA CIDADE PERDIDA DA CORDILHEIRA DOS PIRYNEOS DA PROVÍNCIA DE GOYAZ”, dedicada ao Imperador Dom Pedro II.
Aliás, esta Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro tem em sua capa o seguinte: “REVISTA TRIMENSAL de HISTORIA E GEOGRAPHIA ou JORNAL DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRAPHICO BRASILEIRO, FUNDADO NO RIO DE JANEIRO(21.10.1838), DEBAIXO DA IMMEDIATA PROTECÇÃO DE S.M.I., O SENHOR DOM PEDRO II, 2º TRIMESTRE DE 1872”).
Com 75 anos de idade e já viúvo, foi ordenado Padre na Matriz de Pirenópolis, em 03.07.1876, celebrando a primeira missa na Matriz de Corumbá de Goiás, em 15.07.1876.
Escreveu para diversos jornais da época, entre os quais, PROVINCIA DE GOYAZ, editado em Goiás Velho pelo Desembargador Félix de Bulhões e pelo músico José Patrocínio Marques Tocantins, também regente da FILARMÔNICA DE GOIÁS, em 1870.
Quanto a Trigant des Genettes, foi também vigário de Luziânia e Ipameri. Nesta última, fundou o povoado de Santo Antonio do Cavaleiro, hoje no município de Ipameri, onde faleceu no dia 26.07.1889, com 88 anos de idade. Seus artigos sobre geologia goiana foram também publicados no jornal PUBLICADOR GOIANO.
Sobre ele, escreveu excelente matéria o Historiador Paulo Bertran, no jornal DIARIO DA MANHÃ, Goiânia, 31.01.2005, sob o título “O Descobridor”. Encontra-se na ESTANTE DO ESCRITOR TOCANTINENSE, da Biblioteca Pública do Espaço Cultural de Palmas.
Biografado no DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO, de José Mendonça Teles e no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, MASTER, Rio de Janeiro, 2001.
Apesar de sua importância, não é mencionado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é suficientemente estudado, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br
Através da instrumentalidade do historiador Paulo Bertran, cerca de 130 anos depois, a Cidade Perdida do Dr. Trigant Des Genettes, foi redescoberta na propriedade do Dr. José Sahium, Médico Psicanalista em Goiânia e lá, na Serra dos Pirineus, em Pirenópolis, está sendo construída a RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




CONFLITO DE GERAÇÕES.

Mário Ribeiro Martins*


A história jamais resolverá o conflito entre a juventude e a velhice. Não é que a juventude seja inevitavelmente inimiga da velhice. O fato é que o ponteiro de equilíbrio entre as duas gerações tem estado em direção da juventude. Constituindo a maioria populacional, os jovens, como não poderia deixar de ser, brilham mais intensamente.
Daí o uso de expressões, como “o mundo é dos jovens”. Isto, porém, não dá o direito de negar à velhice grandes realizações em todos os tempos. Haendel compôs sua obra prima, o famoso “O Messias”, quando já possuía 55 anos de idade, embora tivesse produzido uma coleção de sonatas com 10 anos, apenas. A melhor bagagem literária de Vitor Hugo foi produzida na idade provecta. Com 84 anos, Gladstone ainda governou a Inglaterra com pulso firme.
A Segunda Guerra Mundial teve expoentes idosos, tais como, Winston Churchill e Fransklin Roosevelt. De Gaulle, com 80 anos, ainda conseguiu governar a França. Salazar deixou o governo de Portugal com idade bem avançada, enquanto Franco ainda poderá voltar à chefia do Poder na Espanha, apesar dos anos. Eurico Gaspar Dutra, com idade bastante acentuada, era considerado um dos melhores conselheiros políticos no Brasil.
Há, por outro lado, milhares de realizações notáveis oriundas da juventude. Mozart escreveu sua primeira ópera com 12 anos, sendo que com 4 anos de idade compôs melodias. Galileu tinha 18 anos quando descobriu o isocronismo das oscilações do pêndulo. Henrique de Navarra tornou-se chefe dos huguenotes com 16 anos.
De Quincey, com 11 anos, dominava o grego e o latim. Pascal inventou um máquina de calcular com 18 anos. Com 20 anos Lafayette chegou a general, chefe do exército francês. “A juventude, porém, não é tudo”, como dizia o dramaturgo Eugene O’Neill.
A sociedade humana compõe-se de gerações, que alimentam e enriquecem o organismo social, e por isso seria arbitrário tentar ressaltar os defeitos ou qualidades de qualquer uma delas.
A verdade, no entanto, é que como resultado da pouca exigência aos adolescentes (a não ser que freqüentem a escola), o sentido de responsabilidade da juventude diminuiu e seu senso crítico cristalizou-se na condenação em massa dos adultos, de quem poderia ganhar a experiência tão necessária à maturidade e essencial para uma visão global do universo.(DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Recife, 06.08.1974).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



CONHECENDO O TOCANTINS.
(AO LEITOR)

Mário Ribeiro Martins*


Delegou-me o confrade Dr. José Cardeal dos Santos, em virtude de problemas de última hora, a tarefa de prefaciar o livro do ilustre Prof. Júnio Batista do Nascimento, o que faço com o maior prazer.
“CONHECENDO O TOCANTINS-HISTÓRIA E GEOGRAFIA”, de Júnio Batista é um livro de significação profunda e bela. Trata-se de um texto em que o talento multiforme do autor, mais uma vez se faz presente.
Júnio Batista que é verbete do meu DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, via Internet, no endereço www.mariomartins.com.br produziu um livro sobre o Tocantins, de excepcional qualidade e que merece os melhores encômios.
O livro é completo e de leitura deliciosa. Numa só sentada é possível aprender tudo sobre o Tocantins, numa didática verdadeiramente impressionante.
Como se não bastasse, o livro se enquadra perfeitamente dentro das regras da ABNT(Associação Brasileira de Normas Técnicas). Seus capítulos são precisos e também concisos, permitindo ao leitor uma leitura agradável.
A praticabilidade do livro, através de capítulos como “DE OLHO NOS CONCURSOS”, “PREPARANDO-SE PARA O VESTIBULAR” ou ainda “GEOLINKS” é outra preciosidade que o livro apresenta.
A bibliografia tem conotação especial, porque mostra os livros e seus autores em ordem alfabética, além de mencionar obras raríssimas, entre as quais, VIAGEM AO TOCANTINS, de Júlio Paternostro que o autor destas notas adquiriu um exemplar, num dos “sebos” de São Paulo, por uma pequena fortuna.
Por tudo isto e muito mais, o livro de Júnio Batista Nascimento merece destaque e constitui uma excelente contribuição para o desenvolvimento do processo histórico do Tocantins.
(Este prefácio se encontra na Internet, no seguinte endereço: www.mariomartins.com.br)


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




CORONEL FACUNDO, MEU PARENTE.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).

Mário Ribeiro Martins*




Um outro Coronel importante da Guarda Nacional, na região de Brotas de Macaúbas, na Bahia, foi o Coronel FACUNDO JOSÉ DA CUNHA que era tio legítimo do meu bisavô, o Coronel Isidório Ribeiro dos Santos. Este Coronel Isidório era pai do meu avô Gasparino Francisco Martins. Este Gasparino, por sua vez, era pai de Adão Francisco Martins, o meu pai.
Coronel Facundo José da Cunha nasceu na Fazenda Salinas, no antigo Fundão de Brotas ou Jordão de Brotas, hoje município de Ipupiara, na Bahia, em 1856, nas proximidades da estrada que liga hoje(2004) Ipupiara a Gentio do Ouro. Permaneceu sempre nesta região como Fazendeiro e Agricultor.
Em 21.03.1907, com 51 anos de idade, Facundo José da Cunha foi nomeado pelo Presidente da República Affonso Augusto Moreira Penna(conforme diploma em poder do autor destas notas) Tenente Coronel Comandante do 299º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, da Comarca de Macaúbas, no Estado da Bahia. Fora também nomeado neste mesmo dia(21.03.1907), só que com 19 anos de idade, o seu sobrinho, o Tenente Coronel Artur Ribeiro dos Santos.
Na verdade, tratava-se de uma CARTA PATENTE datada de 29.10.1905. Mas até que este documento chegasse ao interior da Bahia para que o novo Tenente-Coronel prestasse o compromisso legal, levou muito tempo, pois só em 26.06.1907 a Secretaria Geral do Quartel General do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado da Bahia, sob o registro de fls.122, do livro 6º de Patentes, deu a declaração de que o BENEFICIADO tinha prestado o compromisso.
Porém, o Coronel Facundo já tinha uma outra Patente, a de número 2476, concedida por um Decreto de 28.01.1898, portanto, quando o Coronel tinha 42 anos.
Nesta época, seu sobrinho mais velho Coronel Isidório Ribeiro dos Santos já era Comandante do 298º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, sediado na Chapada Velha. Era uma família de Coronéis. As patentes de Coronel, Tenente-Coronel e Capitão eram concedidas a homens de notório prestígio e poder financeiro.
Afonso Pena, como se sabe, governou o Brasil de 15.11.1906 até 14.06.1909, quando faleceu, sendo substituído pelo seu Vice-Presidente, Nilo Peçanha. Este Nilo apoiou Rui Barbosa, mas foi eleito Presidente da República do Brasil, o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca que governou de 15.11.1910 a 15.11.1914. No governo do Marechal se deu a extinção da Guarda Nacional, consumada em 1911, legando ao Exército a condição de único responsável pela ordem interna do Brasil.
O Coronel, título concedido pela Guarda Nacional, era sempre o latifundiário, o grande proprietário rural, que dominava a política e a economia do município. Mas a disputa pelo poder nos municípios era sempre resolvida pelos diferentes coronéis locais. O coronel tinha com a população de sua região, um compromisso de vida e morte.
Em 1911, quando tinha 55 anos, e em virtude da extinção da Guarda Nacional, mudou-se o Coronel Facundo para a Ribeira(Santana), região do hoje ENTRONCAMENTO DO JAVI, na Bahia, continuando como Fazendeiro e Comerciante, no municipio de Cotegipe.
Nesta região da Ribeira, em Santana, na Bahia, nasceu um dos ilustres filhos do Coronel Facundo, conhecido como JOÃO DA CRUZ CUNHA, no dia 24.11.1917, hoje(2004) dedicado comerciante na cidade de Ipupiara, onde já foi de tudo um pouco, no vigor de seus 87 anos.
Mas o Coronel Facundo deixou também outros filhos, entre os quais, Júlia Cunha Barreto, mãe do Engenheiro Agrônomo Deraldo Cunha Barreto Filho.
Aliás, foi ele(João da Cruz Cunha) que reuniu cerca de 60 cavaleiros para garantir a posse do meu pai Adão Francisco Martins, como Prefeito de Brotas de Macaúbas, na presença do Juiz de Direito da Comarca, Dr. Sebastião, genro do Coronel João Arcanjo Ribeiro, em 1946, quando meu pai foi nomeado Prefeito, pelo Interventor Federal na Bahia, General Cândido Caldas.
É que a população de Brotas, sede do município, não admitia que o prefeito nomeado viesse do JORDÃO, um dos Distritos. De qualquer forma, meu pai permaneceu como Prefeito até abril de 1947, quando, terminada a “interventoria” na Bahia, o Governo Estadual foi passado para o Governador eleito pelo povo, Otávio Mangabeira e realizadas as eleições municipais, inclusive em Brotas de Macaúbas.
Em 03.05.1950, meu pai Adão Francisco Martins, mudou-se para Morpará, às margens do Rio São Francisco, onde fundou a “Loja Primavera”, de tecidos, além de ter sido Vereador, vinculando-se, neste mesmo ano, à Loja Maçônica HARMONIA E AMOR, de Juazeiro, pertencente à GRANDE LOJA DO ESTADO DA BAHIA.
Em 1920, com 64 anos, o Coronel Facundo transferiu-se para Ibotirama, na Bahia, às margens do Rio São Francisco, onde abriu uma Loja de tecidos. Em 1922, mudou-se para Oliveira dos Brejinhos, também na Bahia, estabelecendo-se como comerciante.
Retornou à sua terra natal(Fundão, Jordão e Ipupiara), em 1926, com 70 anos de idade, continuando como comerciante e fazendeiro.
Em 1940, quando se encontrava na Fazenda Salinas, de sua propriedade, no hoje município de Ipupiara, faleceu com 84 anos de idade, deixando uma família extraordinária, cujos membros se tornaram figuras representativas na Chapada Diamantina, na Bahia.
João da Cruz, seu filho, residente e comerciante em Ipupiara e de quem se ouve estórias fantásticas, teve os seguintes filhos, entre homens e mulheres: Jaci Cunha, Lindaura Cunha, Facundo Cunha Neto, Deusdete Cunha, Hélio Cunha, Olga Cunha e José Cunha.
Entre suas estórias, está a do pé de umbú da vó Maria que se localiza num triângulo entre a Chiquita, o Olhodaguinha e a Mata, nas imediações de Ipupiara, na Bahia.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



COSMOVISÃO DA LITERATURA
DE MOURA LIMA.


Mário Ribeiro Martins*

Moura Lima é hoje um dos maiores nomes da literatura nacional. Considerando que cada Estado da Federação possui dois ou três nomes ilustres nesta área, é fácil chegar-se a esta conclusão, mesmo porque, há determinados Estados, onde não se encontra nenhum. Morasse ele no eixo Rio/São Paulo já teria sido, certamente, um dos recomendados pela revista VEJA, em sua coluna especializada.
Para ASSIS BRASIL, festejado escritor e crítico literário brasileiro, que considerou o romance “SERRA DOS PILÕES” como a melhor obra do final do século no país, Moura Lima situa-se, quanto ao aspecto da linguagem, estrutura frasal e arquitetura do imaginário, entre ADONIAS FILHO E GUIMARÃES ROSA.
Já para o professor CLÓVIS MOURA, autor de “INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO DE EUCLIDES DA CUNHA” e catedrático da Universidade de São Paulo(USP), “SERRA DOS PILÕES” projeta-se como unidade literária de valor destacado e pelas qualidades literárias irá compor o elenco dos trabalhos mais significativos da nossa novelística”.
Assim, Moura Lima pode ser colocado entre os quarenta(40) melhores contistas e romancistas brasileiros. Com “MUCUNÃ-CONTOS E LENDAS DO SERTÃO”, completou a sua famosa trilogia(premiada nacionalmente), que é constituída também de “SERRA DOS PILÕES-JAGUNÇOS E TROPEIROS”(primeiro romance do Estado do Tocantins) e de “VEREDÃO-CONTOS E LENDAS DO SERTÃO”.
Portanto, devo assinalar que esta cosmovisão da literatura de Moura Lima é fruto de muitas leituras, de muitas vivências e de muito labor. E isso nos leva a afirmar que, dificilmente um livro raro não é encontrado na Biblioteca de Moura Lima.
Quando estava procurando “VIAGEM AO TOCANTINS”, de Júlio Paternostro, publicado pela Companhia Editora Nacional de São Paulo, em 1945, dentro da famosa coleção “BRASILIANA”, volume 248, fui encontrá-lo num único “sebo” de São Paulo.
Ao visitar Moura Lima, para dar notícia do “eureka”(achei) e da pequena fortuna que paguei em São Paulo, lá estava o livro em seu biblioteca.
Observe-se que do Médico Sanitarista Júlio Paternostro, ex-funcionário do Ministério da Saúde, em convênio com a Fundação Rockfeller, dos Estados Unidos, não dá notícia, nenhuma das Enciclopédias Nacionais, nem a Delta, nem a Barsa, nem a Mirador, nem a Abril ou qualquer outra, o que é um esquecimento imperdoável, pela sua importância na questão do estudo do problema da febre amarela.
Moura Lima dá notícia de tudo e de todos. Esta visão cosmopolita do autor de “POEMAS ERRANTES” e do imortal SERRA DOS PILÕES é impressionante. Não há coisa melhor do que um “papo” com o Moura. Sua visão do mundo, do homem e da vida é algo salutar. E é exatamente isto que ele passa para os seus livros.
Ler Moura Lima é sentir o pulsar da vida. É andar pelos grotões do sertão tocantinense, acompanhado de figuras lendárias, de caboclos, de homens rudes e de sábios formados pela universidade da vida.
Sou um homem saído do sertão bruto da Bahia(Ipupiara), para os grandes centros, entre os quais, Londres, Paris, Madrid(onde estudei em 1973), há quanto tempo não ouvia falar em “mucunã”! Eis que, Moura Lima me traz de volta “MUCUNÔ. E exatamente no título de um de seus mais belos livros!
MUCUNÃ não é apenas o negro de confiança do Coronel Josino Candirou. Mucunã é tudo. É o retorno ao passado.
É o reencontro com o grande mestre maranhense, oriundo de Riachão, em 1860, PARSONDAS DE CARVALHO. Esquecido pela sua irmã Carlota, em seu livro “O SERTÃO”, publicado em 1924. Mas o grande mestre sertanejo, que varou o sertão maranhense e penetrou na região do Jalapão, até as nascentes do “Rio do Sono”, estudando a flora, a fauna e a geografia física, foi lembrado por Rui Barbosa quando assumiu o JORNAL DO BRASIL, do Rio de Janeiro, em 1893, como um de seus redatores, mas que terminou por morrer nos sertões de Montes Altos, no Maranhão, em 1926.
O mesmo Parsondas de Carvalho que, estando de férias em Conceição do Araguaia, no Pará, em 1900, viu a Professora Leolinda Daltro conduzir para o Rio de Janeiro, sem armas e sem ordem de prisão, o famoso e brabo Coronel José Dias tão procurado pela Polícia do Norte de Goiás e Sul do Maranhão, conforme narrativa de Dunshee de Abranches, em “A ESFINGE DE GRAJAÚ”.
E agora, mais de cem anos depois, PARSONDAS DE CARVALHO foi magnificamente REDESCOBERTO por Moura Lima em seu conto “UM MESTRE DO SERTÃO”, dentro deste extraordinário livro “MUCUNÔ!
E o conto “ASSOMBRAÇÃO”? É uma obra-prima, que nos faz lembrar do grande escritor Jorge Luis Borges, no seu vislumbre de eternidade: “Nenhuma doutrina filosófica ou religiosa detém a palavra final do ser...”
São os muitos méritos de “MUCUNÔ. Lê-lo é conhecer “Maria Pequetita”, “O Cavalo Canga”(mito exclusivo do Tocantins, resgatado pelo autor para o folclore brasileiro), “O Salto da Onça Pintada”, “A Tapera da Caveira” e tantos outros contos fabulosos.
Este é Moura Lima, um talento multiforme, em que as vogais e as consoantes reunidas se transformaram magicamente em ornamentos coloridos para produzir “MUCUNÔ.
Não se pode deixar de falar em “NEGRO D`ÁGUA”, outra preciosidade, coletânea constituída de um conjunto de contos da mundologia dos mitos e lendas do Tocantins.
É uma obra de grande importância para a cultura popular, que de certa forma corrobora a assertiva do folclorista brasileiro Mário Souto Maior, ao referir-se à obra do escritor tocantinense: “É uma riqueza exuberante, em que se tratando de costumes, folclore e linguagem regional. É uma obra que se projeta para o futuro, como relíquia e marco pioneiro da cultura popular do Estado do Tocantins”.
Como se não bastasse, surge agora do escritor Moura Lima “CHÃO DAS CARABINAS-CORONÉIS, PEÕES E BOIADAS”, inspirado no morticínio dos “Barbosa”, ocorrido na Vila do Peixe, outrora norte de Goiás, hoje Tocantins, na década de 1930.
Trata-se de um romance vigoroso, que traz à luz do século XXI e da literatura brasileira, o terrível massacre e fecha o círculo do jaguncismo no Vale Araguaia-Tocantins. Era o livro que faltava para completar a história do jaguncismo e dos bárbaros coronéis das comunas do sertão do Norte de Goiás, tão bem iniciada por Bernardo Élis, com “O TRONCO”, depois Eli Brasiliense, com “UMA SOMBRA NO FUNDO DO RIO”e agora terminada por MOURA LIMA, com “SERRA DOS PILÕES” e “CHÃO DAS CARABINAS”.
Assim é a grandeza da obra de Moura Lima, que atravessou fronteira e foi saudada com entusiasmo pela crítica e pelos leitores. Enéas Athanázio, de Santa Catarina, escritor e estudioso do regionalismo, dá o seu testemunho histórico do pioneirismo da literatura mourana, ao dizer: “A obra literária de Moura Lima, de repente, lançou o Estado do Tocantins, no mapa da literatura ficcional brasileira”.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



CURIOSIDADES DO
EVANGELISMO NACIONAL


Mário Ribeiro Martins*

A história dos grupos religiosos no Brasil, particularmente os considerados evangélicos, apresenta aspectos interessantes e curiosos. Um deles é o que diz respeito à variedade de nomes utilizados pelas igrejas e denominações quando divididas, subdivididas e ramificadas. Alguns tentam expressar, através dos títulos usados, sua filosofia de vida religiosa, enquanto outros parecem usar determinados nomes por mero diletantismo.
O fato é que esta variedade existe, trazendo, inclusive, muita confusão para os estudiosos e pesquisadores e impossibilitando até a classificação dos grupos denominacionais e sua estatística. Para ilustrar o fato tomou-se alguns destes títulos, com informações referentes a 1970, destacando-se, portanto, os seguintes:
Igreja Gnóstica Apostólica, sediada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, tendo ali dois templos e 595 membros. Sociedade Religiosa Seicho-Nose do Brasil, localizada em Jales, São Paulo, com 83 membros e um templo. Igreja do Cristianismo Decidido, tendo dois templos e 90 membros, em Curitiba, Paraná. Igreja Cristã Universal do Brasil, em Quebrângulo, Alagoas, com 12 membros e um templo.
The Union Church of Rio de Janeiro, em Copacabana, com um templo e 343 membros. Igreja Evangélica Holiness do Brasil, localizada em Adamantina, São Paulo, com dois templos e 65 membros. Igreja do Evangelho Quadrangular, em Juiz de Fora, Minas Gerais, com 4.794 membros e dez templos. Sociedade de Ciência Cristã, com um templo e 39 membros, situada em Joinville, Santa Catarina. Igreja Creio Eu na Bíblia, em Jales, São Paulo, tendo um templo e 75 membros.
Em Manaus, Amazonas, está a Igreja Batista Protestante, com um templo e 27 membros. Já em Sete Lagoas, Minas Gerais, com um templo e 417 membros está a Igreja Brasileira dos Quatro Evangelhos. Em Itatiba, São Paulo, está a Igreja Cristã Evangélica Seara de Jesus com 38 membros e um templo. Em Taguatinga, Distrito Federal, encontra-se a Igreja Brasileira dos Templos Mundiais, com 117 membros e dois templos.
A Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos existe em Itapecirica da Serra, São Paulo, tendo 235 membros e dois templos. Em Manaus, Amazonas, está a Igreja Evangélica dos Peregrinos, com dois templos e 20 membros. A irmandade dos verdadeiros Cristãos é uma comunidade de fé existente em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, com um templo e 17 membros.
No Rio Grande, Rio Grande do Sul, existe o Templo Manjedoura Nazareno, com uma casa de cultos e 41 membros. A Organização Beneficente Evangélica Mundial, com um templo e 50 membros, está presente em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em Parintins, Amazonas, com um templo de 118 membros, encontra-se a Casa de Oração da Congregação Neotestamentária. Na cidade de Garanhuns, Pernambuco, foi fundada recentemente a Igreja Renovada Trindade Felicidade, com um templo e 100 membros, grupo oriundo de uma Igreja Presbiteriana local.
Outros nomes poderiam ser ainda mencionados, com uma diversidade enorme, principalmente entre os grupos pentecostais.
É provável, no entanto, que num futuro próximo o governo tenha de tomar providências no sentido de controlar esta explosão de formas religiosas, sobretudo aquelas distanciadas dos grupos tradicionais. Talvez até estabelecendo critérios quanto a número, acomodações, estatutos, ordenamento jurídico como condição para o aparecimento ou fundação de diferentes igrejas.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 15.10.1973).




....................................................................................
MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



DESARMAR O CIDADÃO PARA
PROTEGER O BANDIDO


Irapuan Costa Junior*.




Li, no POPULAR do dia 29 de abril, artigo do dr. Saulo de Castro Bezerra, digno Procurador-Geral de Justiça do Estado, intitulado “Desarmar para proteger o cidadão”.
Mais que respeito, tenho admiração pela competência, seriedade e liderança do dr. Saulo, o que não me impede de discordar de sua crença em que, desarmando o cidadão ordeiro, possa haver diminuição de violência.
Não existe, em nenhum lugar do mundo, sequer evidencia, quanto mais prova, de que desarmar quem é honesto redunde em conter quem é desonesto. Ao contrário. Um lobo prefere um rebanho de ovelhas a um bando de porcos-espinho.
O contrario – de que o desarmamento favorece o aumento da criminalidade- já foi provado e comprovado. Na teoria e na pratica.
Na teoria, já foram efetuadas pesquisas cuidadosas e caras, nos Estados Unidos, transformadas em livros(UNDER THE GUN, de Wright e Rossi, e MORE GUNS, LESS CRIMES, de John Lott, por exemplo). Essas pesquisas chegam à mesma conclusão: desarmar o cidadão dá confiança ao marginal e aumenta o crime.
Na pratica, as experiências de desarmamento feitas na Inglaterra, na Austrália e no Canadá redundaram em fiasco. Pretendia-se reduzir a criminalidade e viu-se uma escalada de violência , associada ao aumento do mercado negro de armas e munições.
No Brasil, temos um exemplo ainda mais gritante: no governo Marcelo Alencar, no Rio de Janeiro, os indicadores de violência vinham decrescendo. No governo do casal Garotinho-Rosinha, resolveu-se implantar um desarmamento radical(do homem de bem).
Proibiram-se os portes de arma. Fecharam-se, por artifícios vários, as lojas de armas e munições, ao arrepio da lei. Juntos, governo, televisão e algumas ONGs voltadas para o desarmamento, como a suspeita VIVA RIO, impuseram toda sua vontade.
Desarmaram e acovardaram a sociedade carioca, alegando que, em poucos meses, a violência diminuiria para níveis civilizados. Ocorreu o contrário. Estatísticas da própria Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro mostram que nestes seis anos, a criminalidade aumenta dia a dia, mês a mês, ano a ano.
O próprio populista Garotinho chegou a assumir a Secretaria de Segurança, tentando reverter a situação. De nada adiantou, ele acabou por literalmente abandonar a secretaria, fazendo de conta que nada tinha a ver com o problema.
A violência, como todos sabemos tomou conta do Rio, e só cresce. Em janeiro deste ano(dados da Secretaria de Segurança do Rio), dois crimes típicos do assaltante mais confiante, entre outros, tiveram grande aumento em relação ao ano passado: assalto a transeunte(mais 76%) e assalto a coletivos(mais 126%). É o resultado do desarmamento.
Enquanto isso, os EUA vêm adotando uma política liberal com relação à posse e ao porte de armas, e vêm a criminalidade cair ano a ano. Nos Estados, onde o porte é liberado, a queda no numero de crimes violentos é ainda mais expressivo.
A sabedoria popular, que nunca pode ser menosprezada, já adotou o bordão: “Criminoso não compra arma em loja”.
A verdade de que o desarmamento do homem de bem beneficia o crime é hoje tão provada, tão demonstrada na prática e na teoria, como dissemos, que é de se perguntar o que se encontra por trás do enorme movimento feito pelas ONGs, por parte da mídia e por setores do governo federal para nos desarmar, ao mesmo tempo em que nada ou muito pouco se faz para desarmar o verdadeiro exército de bandidos abrigado no tráfico de drogas.
É um enorme contra-senso, por exemplo, que o governo inglês financie(junto com outras entidades estrangeiras) o VIVA RIO para nos desarmar, quando sentiu na pele o fracasso da medida, e tenha problemas financeiros internos a cuidar(a falência da industria automobilística, por exemplo).
Recentemente, o ministro da Justiça, numa de suas falas vazias de sentido(e sempre buscando justificar a ineficiencia de seu Ministério) afirmava ter sido um sucesso a campanha de desarmamento por ele empreendida.
Balanço da campanha: 300 mil armas compradas, R$ 50 milhões despendidos. Pobre Brasil, onde um ministro considera sucesso jogar dinheiro fora- 90% dessas armas era lixo puro(algumas artesanais, feitas para “faturar” o Ministério), 5% quase inofensivas armas de caça de baixo calibre, e as restantes, que deveriam ser dirigidas à policia mal-armada que temos, destruídas(como todas elas, aliás).
Toda a verba destinada pelo governo federal à Segurança Publica (de todos os Estados juntos) em 2005 não chega a R$ 150 milhões. Se descontarmos os 50 milhões já gastos na campanha do desarmamento, não sobram R$ 100 milhões.
E o senhor ministro da Justiça ainda quer torrar R$ 600 milhões em um referendum visando proibir totalmente a venda de armas e munições no Brasil...para as pessoas de bem, pois os bandidos continuarão como sempre com seu armamento pesado. Isso sem falar em sua brilhante idéia de diminuir a pena dos bandidos (inclusive em crimes hediondos), porque é caro construir cadeias...Que Deus nos proteja.(O POPULAR, Goiânia, 6 de maio de 2005).


IRAPUAN COSTA JUNIOR é ex-governador de Goiás e Conselheiro do
Tribunal de Contas dos Municípios.




DIONÍZIO CURADOR, MEU PARENTE.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).



Mário Ribeiro Martins*



DIONÍZIO MARTINS DE SOUZA(DIONÍZIO CURADOR) nasceu em FUNDÃO DE BROTAS(Jordão de Brotas, hoje Ipupiara, Bahia), em 1898, mas foi registrado alguns anos depois em Morro do Chapéu, também na Bahia.
Estudou as primeiras letras, em sua terra natal(Jordão), com os professores primários JOÃO CAPOTE e JOÃO PAPAGAIO.
Filho de Roberto Martins de Souza e Marcolina Rosa de Jesus. Teve vários irmãos, entre os quais, José Martins de Souza(Professor Zé Martins), Felisberto Martins de Souza, Nelsina Martins de Souza, Liana Martins de Souza e Alexandrina Martins de Souza, casada com o “finado” Baio (Liberino Francisco Martins), irmão, por sua vez, de Gasparino Francisco Martins(avô do autor destas notas), em Ipupiara, Bahia.
Casou-se, a primeira vez, com 20 anos de idade, em 1918, ficando viúvo alguns anos depois, tendo deste casamento os filhos Isaias Martins, Geremias Martins e Alípio Martins.
Em 1926, com 28 anos de idade, sob o comando do Coronel Horário de Matos, passou a fazer parte do grupo que combateu a Coluna Prestes, com a patente de Tenente Farmacêutico, indo até a Bolívia, quando a coluna desbaratada, penetrou no território boliviano, em outubro de 1926.
Relembre-se que, sob a orientação do General Mariante(Álvaro Guilherme Mariante), Representante do Ministério da Guerra, o Coronel Horácio, com 560 homens armados, lançou-se contra a Coluna, comandando o Batalhão Patriótico Lavras Diamantinas.
No ano seguinte (1927), Dionízio retornou ao Fundão de Brotas, de onde tinha saído para acompanhar o Coronel Horácio.
Em 1931, quando tinha 33 anos de idade, mudou-se para Canoão, Bahia, onde se casou, pela segunda vez, com Raimunda Martins de Souza, com quem teve vários filhos, entre os quais, Alcina Martins de Souza, Eliane Souza Rocha(ou Aleônia, LIÓ, nascida em 1934, em Canoão, Bahia)e Samuel Martins de Souza.
Retornou ao JORDÃO e lá viveu até 1940, como Curandeiro e Fazedor de remédios, via ervas medicinais. Mudou-se para Canabrava do Gonçalo(hoje Uibaí), Bahia, também como Curador.
Durante muito tempo viveu em Irecê, Bahia, onde ficou conhecido como “DIONÍZIO CURADOR”, encontrando-se no elenco dos curadores mais famosos da região, ao lado de Zé Rocha, Antônio Batista, Albino Serra Grande e Astolfo Dourado.
Deslocou-se para o garimpo de Gilbués, Piauí, onde foi garimpeiro e curandeiro e onde também nasceu sua filha Noeme. Esteve em Lizarda, norte de Goiás, hoje Tocantins, onde chegou a ser proprietário de uma Fazenda. Mudou-se para Pedro Afonso, norte de Goiás, hoje Tocantins, quando esta cidade era a Capital Administrativa do norte goiano.
Retornou à Bahia e casou-se a terceira vez, com 71 anos de idade, em 1969, com Leonízia Pereira Leite, em Mato Verde de Ibititá, Bahia, com quem teve o último filho Merandolino Martins Pereira, nascido em Circo de Ibititá, em 14.12.1971, sendo que seu pai faleceu logo depois, em 1973, só que em Goiânia.
Graças à interferência de sua filha Eliane Souza Rocha(Dona Lió), DIONÍZIO, já idoso, transferiu-se para Goiânia, Goiás, onde faleceu em 1973, com 75 anos de idade.
Vários de seus filhos permaneceram em Goiás, ocupando funções diferentes, alguns como militares, entre os quais, Geremias Martins e Alípio Martins.
Quanto às filhas, Eliane Souza Rocha, que havia se casado primeiro com o baiano Celso Rocha, em Uibaí, Bahia, tornou-se enfermeira e mãe do Promotor de Justiça Célio de Souza Rocha, bem como da Advogada Consuelo Rocha e do Advogado Celso Rocha. De outro casamento, Eliane(Lió)teve a filha Sheila. Do casamento com Dona Santa, Celso também teve Dorisdei Alencar Rocha(Professora), Délio Rocha(Advogado) e Sara Rocha(Publicitária).
Uma outra filha de DIONÍZIO, Noeme Martins de Souza, tornou-se mãe de Dorisdai(Engenheira Civil), Sílvia(Engenheira Eletricista) e Aguinaldo(Odontólogo).
Quanto ao seu filho caçula Merandolino, nascido quando o pai já tinha 73 anos de idade, fez o segundo grau e tornou-se agricultor, residindo hoje em Circo de Ibititá, Bahia, juntamente com sua mãe que, atualmente(2002) conta com 76 anos de idade. Com o falecimento de sua mãe, mudou-se para Palmas.
Entre os parentes de Dionízio Curador, destaca-se Marcolino Martins de Souza que foi Capitão da Guarda Nacional, em 1918, em Fundão de Brotas, na Bahia. A este ramo dos “martins”, estão também vinculados Alvino Francisco Martins, Jovito Francisco Martins, Gasparino Francisco Martins e Adão Francisco Martins. Este último, pai do autor destas notas.
Como se vê, minha tia Alexandrina Martins de Souza(irmã do velho Dionízio Curador), foi casada com o “finado” Baio (Liberino Francisco Martins), irmão, por sua vez, de Gasparino Francisco Martins(avô do autor destas notas).
DIONÍZIO MARTINS DE SOUZA é mencionado no livro “IRECÊ-HISTÓRIA, CASOS E LENDAS”, do escritor Jackson Rubem, na página 55, como “Dionízio Curador”.
Eliane Souza Rocha(Dona Lió), como era chamada, faleceu em Palmas, Tocantins, no dia 26.07.2008, com 74 anos de idade.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



DIREITOS DA SOCIEDADE.


Mário Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


1)A sociedade tem o direito de saber e de ver o rosto de quem ela mandou prender, através de suas autoridades constituídas.
2)A sociedade tem o direito sagrado de ver o rosto do preso, sem qualquer disfarce.
3)O preso, sob qualquer pretexto, deve ser sempre apresentado à sociedade, como cidadão e portanto, com o rosto absolutamente livre.
4)O preso, sob qualquer pretexto, faz parte inerente da sociedade e esta tem o direito de conhecer e reconhecer, através do rosto, o seu preso.
5)Não pode a sociedade, através de suas autoridades constituídas, mandar prender um de seus membros e não divulgar quem ele é, pelo seu rosto.
6)A sociedade não pode permitir a prisão de um de seus membros, sem que os demais integrantes desta sociedade, saibam quem ele é, pelo seu rosto.
7)O preso é também um cidadão e como tal, tem de ser apresentado à sociedade de que faz parte, como cidadão ou seja, com o rosto absolutamente livre.
8)A sociedade não pode, através de suas autoridades constituídas, mandar prender um de seus membros e não saber quem ele é, pelo seu rosto.
9)A sociedade tem também o direito de legítima defesa e saber quem é o seu preso, pelo rosto, é um deles.
10)Não pode a sociedade permitir que um de seus membros, ao ser preso, tenha o rosto coberto, sob pena de se achar que ele está sendo seqüestrado.
11)A sociedade exige que um de seus membros, sendo preso, seja tratado como cidadão e uma das condições para ser cidadão é ter o rosto mostrado absolutamente livre.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




DOIS AMIGOS E SEUS
ENÍGMAS HISTÓRICOS.


Mário Ribeiro Martins*

Sou "mui amiguíssimo", como gostava de dizer Santa Teresa, de dois cavalheiros antigos, cujas vidas correm em muitos aspectos paralelas, apesar dos dois séculos que os separam.
O primeiro é Antônio de Guevara, montanhês, aristocrata de sangue mais que ilustre, que ali pelo início do século XVI, abandonou os deleites e as vaidades do mundo para tornar-se frade, e que de frade chegou a inquisidor e de inquisidor a bispo, e que antes e depois disto foi um dos melhores prosistas de seu tempo.
O segundo é Benito Jerônimo Feijoo, a primeira pena do século XVIII espanhol e a quem devo, na solidão dos meus esporádicos retiros, momentos graciosos e inolvidáveis.
Isto de ter amigos tão antigos traz não poucas vantagens. Se eu os enfado, eles não têm oportunidade de reclamar. Se eles me irritam (coisa que acontece frequentemente entre amigos), não tenho meios para fazê-los saber. De modo que estou com eles, quando quero e sem eles, quando não gosto de sua companhia. Porém, que saborosa e amena é esta companhia através de seus livros.
Acima dos méritos de Antônio de Guevara como cronista da CORTE DE CARLOS V, como orador sacro, como experto em disputas teológicas como mouros e judeus e como político sagaz, o que mais me fascina de sua produção literária são suas cartas particulares. No gênero epistolar, Guevara brilhou tão intenso que não tem par, a não ser com Tereza de Jesus (ainda menina quando ele já era famoso e influente) ou com Benito Feijoo (estrela solitária dois séculos depois).
A prosa de frei Antônio de Guevara só é superada na lhaneza, na graça e no humor por Santa Teresa (a quem meu amigo vence e excede em erudição). Só é igualada na elegância e sensibilidade por Cervantes (a quem meu amigo não alcança na capacidade de fabulação). E corre lado a lado, em curiosidade por investigar e explicar os casos mais raros, inclusive extravagantes, com meu outro amigo Benito Feijoo que não chega a cimas tão altas como Guevara na lhaneza de uma prosa, que se pode dizer teresiana, nem na elegância de um estilo, que se pode dizer cervantiano.
Tanto Guevara como Feijoo passam meia vida respondendo cartas de milhares de consulentes que querem saber uma data, averiguar um antecedente ou simplesmente conhecer a opinião daquele a quem se dirigem. Ambos argumentam que são importunados, protestam, maldizem de que são roubados no tempo, ameaçam não responder a seus consulentes, porém esta atitude não é mais que uma galanice, um subterfúgio para não confessar abertamente quanto os alegra o papel de oráculos que a Sociedade de seu tempo lhes concede e a fama de sábios que eles iam ganhando.
O paralelismo entre um e outro frade, nisto de camuflar com protestos sua vaidade erudita, é sensivelmente comovedor.
Eis aqui umas amostras. Escreveu Guevara a João de Biamonte: "Magnífico Senhor e curioso cavalheiro, se como estou mal, estivesse são e forte na hora em que recebi sua carta, daria uma queixa criminal no Real Conselho; e isto para saber por que sendo eu cristão e cortesão tenho de ser importunado e forçado a vos declarar e expor aqueles provérbios da Grécia que nunca foram ouvidos na Espanha".
Ao Regente de Nápolis, Senhor Sumier, escreveu Guevara: "Senhor magnífico e amigo inoportuno, não minto, nem me arrependo de dizer e afirmar que como eu vim para servi-lo, vós vos desvelais para enojar-me, o que está claro, pois mais uma vez enviais questões nunca ouvidas e problemas nunca pensados".
Mesmo depois de tantos protestos, frei Antônio Guevara responde não só ao Regente, mas também ao senhor Biamonte.
Chega-se agora ao meu amigo Benito Feijoo que escreveu a um consulente, em certa ocasião: "Mui senhor meu, sou tão pouco aficcionado a notícias genealógicas que nunca dediquei nem um quarto de hora em toda a minha vida para inquirir sobre a origem dos Feijoos. Veja vossa bondade quão longe tenho estado de aplicar-me a investigar a origem dos brindes. A gentileza que me dedicam alguns, de que posso responder a tudo que me perguntam (como se houvesse no mundo homem capaz de tanto) umas vezes me leva ao enfado e outras vezes ao riso".
Lendo isto, quem não pensará que Feijoo vai mandar seu consulente "às favas", argumentando que tinha coisas mais sérias para se ocupar? O fato é que entre queixas e protestos, ele escreveu a carta mais amena, graciosa e curiosa que alguém poderia imaginar sobre a origem do costume de brindar nos banquetes.
Carlos III fez uma série de consultas a Feijoo, como por exemplo: "Existem outros mundos habitados além do sistema solar? Por que faz mais frio nos montes altos que nos baixos quando o certo é que aqueles estão mais próximos ao sol? É certo que os homens de cabeça pequena são mais prudentes que os de cabeça grande? Por que pesa o ar? Qual a opinião sobre a medicina dos chineses e se existiu ou não a papisa Joana", além de outras questões mais profundas de caráter filosófico ou teológico.
Carlos V também fez uma série de consultas a frei Antônio Guevara sobre o significado de umas medalhas antiguíssimas, pré-romanas. A rainha da França (Leonor) o consultou sobre quem foi e se realmente existiu a legendária Cenóbia. Outros o consultaram sobre as questões mais diversas, entre as quais, destacam-se: "Que deve fazer um homem de idade avançada que pretende unir-se com uma mulher moça e de bom parecer? Quem eram essas famosas rameras de Corinto chamadas hetairas? Por que Deus permite a tribulação dos justos? O que foi feito dos Reis Mouros de Granada, depois da tomada da cidade por D. Fernando e D. Isabel?".
Além destas, muitas outras lindezas e curiosidades, tanto pitorescas como de alto valor. O que é significativo, porém, é curiosear estas ninharias, lendo os autores antigos e modernos, que dão esta ou aquela opinião, colecionando contradições e tentando justificar o injustificável.(O POPULAR. Goiânia, 11.01.1976).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



ENCANTAMENTO DO MUNDO
(QUEM FOI SANTA DICA?)


Mário Ribeiro Martins*


SANTA DICA(BENEDICTA CIPRIANO GOMES), de Lagolândia, Município de Pirenópolis, Goiás, 13.04.1906. Era a filha mais velha de um grupo de oito irmãos. Quando tinha 3(três) anos de idade, começou a ter visões.
Com 16 anos, sofreu um ataque de catalepsia, sendo dada como morta. Na hora do tradicional “banho do defunto”, as mulheres verificaram que ela estava suando. Mas, para os presentes e para o povo da época, ela ressuscitou. Sua fama se espalhou pelo Brasil e as pessoas começaram a procurá-la em Lagolândia, região de Pirenópolis. Chegou a pousar para a pintora Tarsila do Amaral, bem como foi inspiração para o poeta Jorge de Lima.
Iniciou um movimento messiânico, mal visto pela Igreja e pelas autoridades. Quando tinha 19(dezenove) anos de idade, em 14.10.1925, a Força Pública de Goiás cercou o povoado de Lagolândia e expulsou seus seguidores à bala. Santa Dica foi presa e banida.
Casou-se com o jornalista Mário Mendes que tinha vindo do Rio de Janeiro fazer a cobertura do movimento e com ele passou a percorrer diferentes regiões do Brasil, onde era recebida com muita admiração.
Em 1927, já com 21 anos, voltou para Goiás, onde aglutinou seus seguidores e permaneceu até a morte. Teve vários filhos, entre os quais, Quitéria Maria Mendes de Macedo, filha mais velha, hoje(2005), com 77 anos de idade. Seu esposo Mario Mendes terminou sendo Prefeito de Pirenópolis, no interior goiano, em duas ocasiões.
Sobre ela, já se produziram dezenas de livros e filmes, destacando-se: “SANTA DICA: ENCANTAMENTO DO MUNDO OU COISA DO POVO”, de Lauro Vasconcellos, “SETE LÉGUAS DE PARAISO”, de Antonio José de Moura, “REPÚBLICA DOS ANJOS”(Filme), de Carlos Del Pino, “SANGUE NAS ASAS DA GARÇA”(Teatro), Jesus Barros Boquady, “SANTA DICA-DE GUERRA E FÉ”(Documentário), de Márcio Venício Nunes.
Faleceu Santa Dica com a doença de chagas, com 64 anos de idade, em Lagolândia, interior goiano, em 1970, conforme a lápide de seu túmulo, que é hoje visitado por centenas de pessoas.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com





ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA.
(UMA CRÍTICA PERTINENTE)


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*




No auditório da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, no dia 12 de dezembro de 2001, foram lançados os dois volumes da ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, ambos falecidos, agora sob a coordenação de Graça Coutinho e Rita Moutinho.
Do ponto de vista gráfico, a Enciclopédia está excepcional. O tocantinense mais citado na Enciclopédia é o escritor Mário Ribeiro Martins, em virtude de seus DICIONÁRIOS BIOBIBLIOGRÁFICOS DE GOIÁS E TOCANTINS que deram suporte a dezenas de verbetes da enciclopédia, de tal forma que o seu verbete ficou maior do que o de Jarbas Passarinho e Roberto Marinho.
Quanto ao conteúdo, apresenta vários problemas, especialmente considerando que a atualização foi feita até abril de 2001.
Todos os Estados brasileiros ganharam um VERBETE ESPECIAL, muito bem elaborado, menos o ESTADO DO TOCANTINS, embora criado em 1988(e com 13 anos, em 2001) e com uma divulgação extraordinária pela mídia nacional.
As cidades do atual Estado do Tocantins foram colocadas como se ainda fossem Goiás, entre as quais, DIANÓPOLIS, conforme páginas 382, 1307, etc. Os fatos relativos ao Estado do Tocantins foram inseridos dentro do verbete de Goiás, como se fosse norte goiano.
As informações literárias sobre o Tocantins não foram baseadas em livros atuais, como o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, BREVE HISTÓRIA DO TOCANTINS, de Otávio Barros, HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS, de Liberato Póvoa, mas em textos antigos produzidos antes de 1990, com a visão do norte de Goiás.
Embora se declare que a Enciclopédia foi atualizada até abril de 2001, não foram incluídos os principais escritores do Estado do Tocantins e os poucos incluídos não tiveram os seus verbetes atualizados, entre os quais, o Desembargador Liberato Póvoa que teve o seu extenso CURRICULUM VITAE reduzido a 5(cinco) linhas.
Aos coordenadores da Enciclopédia, foram enviados, em tempo hábil, os dois grandes dicionários da região- DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS e DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS- ambos com mais de três mil biografias de escritores, com livros publicados.
Apesar destas informações enviadas, a Enciclopédia contemplou apenas 14 escritores do Estado do Tocantins, entre os quais, o escritor, romancista, contista e cronista, Moura Lima, deixando de lado quase todos os membros da Academia Tocantinense de Letras que, por sua vez, nem ao menos foi mencionada, nos verbetes academias ou agremiações.
Muitos verbetes incompletos da 1ª edição permaneceram falhos na 2ª edição, embora revista e atualizada, apesar de os coordenadores terem recebido novas fontes para corrigí-los, entre os quais, o verbete do tocantinense Francisco de Brito, com três linhas na página 384, e que no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS E TOCANTINS, ocupa duas páginas.
A prova de que não houve a revisão, ampliação e atualização, de forma completa, é o fato de que o último “TROFEU JUCA PATO”(INTELECTUAL DO ANO) registrado na Enciclopédia é o de Cora Coralina, em 1983. De lá para cá já foram entregues 18 troféus, não mencionados na versão atual da Enciclopédia.
O “TROFEU JUCA PATO” é o mais importante prêmio literário do Brasil, concedido anualmente pela União Brasileira de Escritores, em convênio com o jornal “FOLHA DE SÃO PAULO”.
O Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, instituição atuante, que tem sede própria, publica uma revista trimestral e foi fundado em 1933, não foi VERBETADO.
As Academias de Letras existentes no país, tanto as estaduais, quanto as regionais ou locais foram todas estudadas, apresentando a história de cada uma, menos a Academia Tocantinense de Letras, embora esta instituição tenha sido fundada, antes da primeira edição da Enciclopédia, em 1990.
De qualquer forma, os méritos gerais da Enciclopédia são incontestáveis e ela merece os melhores encômios. A primeira edição que saiu em 1990, foi publicada exclusivamente pelo Ministério da Educação e Cultura(MEC).
Os dois volumes atuais, da segunda edição, publicada agora em dezembro de 2001, foram patrocinados pela Fundação Biblioteca Nacional, pelo Ministério da Cultura, pela Academia Brasileira de Letras e pela Editora Global, de São Paulo, que a publicou.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




ENTREVISTA COM MÁRIO RIBEIRO MARTINS.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).
Mirian Deboni*.


(Mário Ribeiro Martins é membro da Academia Tocantinense de Letras, Cadeira 37, tendo como Patrono o francês Frei José Maria Audrin. É tambem membro da Academia Goiana de Letras, Cadeira 37, tendo como Patrono o baiano Crispiniano Tavares).


Prestimosa amiga MIRIAN DEBONI, conforme consta aqui do meu computador, já respondi a este questionário mais de uma vez e, ele lhe foi enviado. Mas, em atenção a você, vou responder de novo. Como fiz nas ocasiões anteriores, não vou copiar a pergunta, mas usar os respectivos NÚMEROS. Como se trata de uma Pesquisa para fins de Doutorado junto à Universidade Federal Fluminense, aí estão as respostas. Depois de refletir um pouco, achei interessante copiar as perguntas. Aliás, em certas ocasiões, as perguntas são mais importantes do que as respostas.



QUANDO FOI FUNDADA A ACADEMIA TOCANTINENSE DE
LETRAS? QUAL FOI O INTUITO DE SUA CRIAÇÃO?

1)A Academia Tocantinense de Letras foi fundada no dia 12.12.1990 e instalada solenemente no dia 02.03.1991, na cidade de Porto Nacional. O intuito de sua criação foi reunir os poucos intelectuais então existentes no novo Estado do Tocantins( O Estado tinha sido criado em 05.10.1988).


HOUVE ALGUM TIPO DE SELEÇÃO PARA A FORMAÇÃO DOS PRIMEIROS MEMBROS DA ACADEMIA? COMO FOI FEITA ESSA SELEÇÃO?

2)Não houve nenhum tipo de seleção para a escolha dos primeiros 25 membros da Academia. Os três fundadores da Academia(José Liberato Póvoa, Juarez Moreira e Ana Braga) escolheram os nomes, conforme o status de cada um naquele momento. Daí a existência na Academia de alguns nomes de políticos, mas que jamais tinham publicado livros.


HOJE, COMO É FEITA ESSA SELEÇÃO?

3)Hoje, a Academia tem 40 cadeiras. Quando alguém morre, a vaga vai ser ocupada por alguém que se candidate. Para se candidatar, a pessoa tem de ter pelo menos um livro publicado. A taxa de inscrição é caríssima-150,00(cento e cinqüenta) reais. Poucos são os escritores que têm essa quantia para jogar fora, visto que, não sendo eleito, o candidato não recebe o dinheiro de volta.


QUAIS AS ATIVIDADES CULTURAIS(SIMPÓSIOS, MESAS REDONDAS, CONGRESSOS, ETC) DESENVOLVIDAS PELA ACADEMIA?

4)A Academia, quando convidada, participa de simpósios, mesas redondas e congressos, além de indicar os seus membros para atividades literárias, como concursos, palestras, etc. Mas ela, a depender do Presidente que a estiver dirigindo, também promove tais atividades.


QUAIS AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA ACADEMIA JUNTO À COMUNIDADE?


5)A Academia desenvolve junto à comunidade atividades como, concursos de literatura, de leituras, oratória, etc.


COM QUE FREQUÊNCIA OCORREM AS REUNIÕES NA ACADEMIA(HÁ UM CALENDÁRIO PERMANENTE OU SÃO FEITAS DE FORMA ALEATÓRIA)? SÃO GERALMENTE EM QUAIS DIAS DA SEMANA? E COMO VEM SENDO A FREQUENCIA DOS ACADÊMICOS A ESTAS REUNIÕES?


6)A Academia tem um calendário de suas atividades que é distribuído, anualmente, aos acadêmicos. Independente disto, a Academia é aberta ao público, especialmente quanto a sua biblioteca. Em toda e qualquer Academia, a freqüência não é grande. Dos 40 membros, são freqüentadores assíduos 25 a 30.


QUAIS SÃO OS ASSUNTOS ABORDADOS NESSAS REUNIÕES(BUROCRÁTICOS, LITERÁRIOS, ETC)?


7)Nas reuniões, são abordados temas literários, administrativos, etc.


QUAL A RELAÇÃO DA ACADEMIA COM A CIDADE DE PALMAS E COM O RESTANTE DO ESTADO, JÁ QUE SE TRATA DE UMA ACADEMIA DE ÂMBITO ESTADUAL?

8)Embora haja outra academia- a Academia Palmense de Letras- a academia de que faço parte(Academia Tocantinense de Letras) tem presença constante na vida de Palmas(especialmente em suas Escolas, Colégios e Universidades), bem como no restante do Estado, já que ela tem membros espalhados por várias cidades, entre as quais, Porto Nacional, Gurupi, Paraiso, Araguaina, Araguatins, Tocantinópolis, Natividade, Paranã, Dianópolis, etc.


QUAL A FUNÇÃO DA ACADEMIA NOS DIAS DE HOJE?


9)A função da Academia nos dias de hoje é a mesma de todas as épocas. Possibilitar que os intelectuais se reunam num local mais propício e estabeleçam uma certa interação social e cultural. A sede da Academia é sempre o local para isto.


EM RELAÇÃO À PUBLICAÇÃO DOS LIVROS DE SEUS ACADÊMICOS, A ACADEMIA FINANCIA, OU JÁ FINANCIOU, ALGUMAS DESSAS PUBLICAÇÕES?

10)Nenhuma Academia, nem mesmo a Academia Brasileira de Letras(que tendo um prédio próprio, com salas alugadas e é a instituição cultural mais rica do Brasil), publica ou financia a publicação dos livros de seus acadêmicos. A Academia não é e não faz papel de instituição de caridade.


NA MAIORIA DAS VEZES, COMO É FEITA A PUBLICAÇÃO DOS LIVROS PELOS ACADÊMICOS? SÃO OS PRÓPRIOS ACADÊMICOS QUE FINANCIAM SUA PUBLICAÇÃO OU RECEBEM ALGUM INCENTIVO DO ESTADO OU DE ALGUM ÓRGÃO PRIVADO?

11)Os livros dos acadêmicos são publicados de diversas maneiras: a) Com recursos dos próprios acadêmicos. b) Por alguma Editora que se interesse pelo assunto. c) Com dinheiro do Estado, através de alguma secretaria. d) Por alguma entidade privada que tenha feito algum concurso específico.


COMO A ACADEMIA SE MANTÉM FINANCEIRAMENTE? HÁ ALGUM INCENTIVO DO ESTADO NESSE SENTIDO OU DE ALGUM ÓRGÃO PRIVADO?

12) A Academia se mantém financeiramente, através da anuidade de seus membros ou pela colaboração de órgãos do Estado, do Municipio, etc. No caso específico da ATL, a sala é do municipio, alguns móveis são do municipio, os instrumentos são do municipio(alguns deles), etc.


QUAL A RELAÇÃO ENTRE A ACADEMIA E O ESTADO? E COM A PREFEITURA DE PALMAS?

13) A resposta acima(a 12) explica a relação intima entre a Academia, o Estado e o Municipio. Até mesmo os funcionários que trabalham na Academia são cedidos pelo Estado ou pelo Municipio. Esta relação é tão forte que o Estado ou o Município, através de suas secretarias chega ao ponto de fornecer passagens de avião para que o Presidente e seus assessores representem a Academia em eventos nacionais, como Feira de Livro, Festival de Paraty, etc.


QUAL A FUNÇÃO DA ACADEMIA NA PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO CULTURAL E LITERÁRIA DO ESTADO?

14) A função da Academia é clara. Ela envia, quando solicitada, os seus membros para fazerem palestras, conferências, etc, em Escolas, Colégios, Universidades, etc.


COMO VOCÊ EXPLICARIA A GRANDE QUANTIDADE DE MEMBROS QUE HÁ NA ATL LIGADOS AO CAMPO DO DIREITO, COMO ADVOGADOS, DESEMBARGADORES, PROCURADORES, JUIZES? HÁ ALGUMA RAZÃO EM ESPECIAL PARA ESTE FATO?

15) É que os profissionais citados(da área do Direito), de um modo geral, têm mais condições financeiras, primeiro, para se inscrever na Academia e segundo, têm livros publicados e terceiro, tem mais afinidade com o mundo das letras.


COMO VOCÊ EXPLICA O INTERESSE DESSES BACHARÉIS EM RELAÇÃO AO TRABALHO ACADÊMICO E LITERÁRIO?

16)A resposta já foi dada no item anterior(15). Esses bachareis, inclusive, são mais frequentadores de livrarias e se identificam mais com o mundo acadêmico e literário. Os professores poderiam se encaixar aqui, mas lhes falta, quase sempre, as condições financeiras. Os professores, especialmente concursados, estão sempre vinculados a instituições atreladas ao Poder Executivo e este, seja Municipal, Estadual ou Federal, é useiro e vezeiro em pagar mal, o que é lamentável. Alguns professores com cursos de PÓS-DOUTORADO NO EXTERIOR, mas são aviltados nos seus contra-cheques.


A ACADEMIA POSSUI ALGUMA PUBLICAÇÃO COLETIVA(COLETÂNEA, ANTOLOGIA)?

17)A Academia só publica alguma coletânea ou antologia quando há algum concurso. Portanto, não há publicações constantes. Quando consegue patrocínio, publica a chamada REVISTA DA ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS.


NA SUA OPINIÃO QUEM SÃO OS LEITORES DAS OBRAS PUBLICADAS PELOS ESCRITORES QUE COMPÕEM AS ACADEMIAS NO TOCANTINS?

18)Os meus artigos e o meu dicionário que se encontram na INTERNET no endereço http://www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br
são lidos por pessoas do Brasil e exterior, conforme se vê no número de visitas no próprio texto. Mas os leitores de modo geral, da literatura produzida no Tocantins, são estudantes, pesquisadores e curiosos que querem saber mais sobre o novo Estado. Alguns vão prestar concursos públicos e precisam saber mais sobre as obras e os autores do Tocantins. Outros residiram no antigo norte de Goiás e sentem necessidade de conhecer o hoje Tocantins. Por outro lado, boa parte dos membros das Academias do Tocantins, não tem livros publicados. Foram colocados nas Academias por que escreveram ou escrevem artigos para Jornais.


COMO VOCÊ ANALISA A QUESTÃO DA FALTA DE EDITORAS NO ESTADO, QUE POR SUA VEZ ACARRETA UMA MAIOR DIFICULDADE E ALTOS CUSTOS PARA OS ESCRITORES QUE MUITAS VEZES PRECISAM RECORRER ÀS EDITORAS QUE SE ENCONTRAM EM OUTROS ESTADOS?

19)A falta de editoras no Estado se deve ao próprio tamanho do Estado. Enquanto Goiânia sozinha tem um milhão e cento e oitenta mil habitantes(1.180), o Estado do Tocantins todo tem um milhão e duzentos mil habitantes(1.200). Goiânia tem poder aquisitivo alto, oriundo do Poder Judiciário, Legislativo e Executivo(muito antigos). O Tocantins é um Estado de 16 anos de idade. O aspecto populacional e o poder aquisitivo fazem a diferença.


FAÇA UMA RELAÇÃO DAS OBRAS PUBLICADAS PELOS ACADÊMICOS DA ATL.

20)Esta relação é impossível, a não ser que cada acadêmico apresente a sua. No meu caso pessoal, tenho 20 livros publicados cujos títulos se encontram no meu site: www.mariomartins.com.br ou ainda no meu mais recente livro CORONELISMO NO ANTIGO FUNDÃO DE BROTAS. De qualquer forma, vou dizer os que não têm nenhum livro publicado(entenda-se por livro publicado, o livro individual, com editora, local e ano de publicação e não participação em coletâneas e antologias).
Estes são os acadêmicos da Academia Tocantinense de Letras sem livros publicados: 1)José Cardeal dos Santos-cadeira 08. 2)Mary Sônia Matos Valadares-cadeira 13. 3)Nícia Vieira Araújo-cadeira 19. 4)Cleuza Benevides Souza Bezerra*-cadeira 20. 5)Luiz de Souza Pires-cadeira 23. 6)José Edmar Brito Miranda-cadeira 25. 7)Eduardo Silva de Almeida-cadeira 30(No caso do Eduardo, ele tem um trabalho publicado com outros autores).
Como se vê, das 40 cadeiras preenchidas na Academia, SETE ACADÊMICOS NÃO TÊM LIVROS PUBLICADOS. O Padre Joatan tem o livro "REZAS E ORAÇÕES", vendido nas festas de Natividade. Freire Jr tem o livro "DISCURSOS PARLAMENTARES", publicado pela Câmara Federal. Darci Martins Coelho tem o livro ATUAÇÃO PARLAMENTAR(2003), também publicado pela Câmara Federal.


QUAL A FORMA MAIS COMUM DOS ACADÊMICOS DA ATL PUBLICAREM SUA OBRA(EDITORAS, GRÁFICAS, ETC)?

21) Alguns acadêmicos publicam suas obras através de Editoras devidamente constituídas. Outros usam Gráficas de fundo de quintal. E outros ainda tiram xérox do trabalho original e mandam encadernar.


COMO VOCÊ EXPLICARIA O DESEJO DAS PESSOAS EM SE CANDIDATAREM A UMA CADEIRA DA ACADEMIA? A PROCURA TEM SIDO MUITO GRANDE?

22) Este desejo se explica da seguinte forma: O jogador de futebol tem como aspiração chegar, algum dia, na seleção brasileira. Como ele nem sempre consegue, fica satisfeito na seleção tocantinense, na seleção goiana, etc. O escritor tem como desejo chegar, algum dia, na Academia. Como ele não consegue chegar à Academia Brasileira de Letras, termina ficando satisfeito na Academia Goiana de Letras, na Academia Tocantinense de Letras, na Academia de Gurupi, na Academia de Araguaína, na Academia de Colinas e assim por diante.
Quanto à pergunta, se a procura tem sido muito grande, a resposta é: A academia só tem 40 vagas e a vaga só é aberta, quando alguém morre. E isso é raro acontecer. Mas quando acontece, a vaga é aberta e qualquer pessoa, com livro efetivamente publicado, pode se inscrever(não vale dizer tenho um livro na gaveta ou participo de antologia ou coletânea ou tenho artigos publicados em jornais). No caso da Academia Tocantinense de Letras, a pessoa(o candidato) tem de depositar para a Academia 150,00(cento e cinquenta reais) e esta quantia não é devolvida, se o candidato não for eleito. Portanto, como ninguém quer jogar fora seu dinheiro, os candidatos são poucos.


COMO VOCÊ ANALISA O CONTEXTO LITERÁRIO NO ESTADO ANTES E DEPOIS DA FORMAÇÃO DAS ACADEMIAS NO TOCANTINS? VOCÊ ACHA QUE ESSE CENÁRIO MODIFICOU-SE E COMO? COMO AS ACADEMIAS CONTRIBUÍRAM PARA A MODIFICAÇÃO OU NÃO DO CENÁRIO LITERÁRIO NO TOCANTINS?

23) Como antes não havia o Estado do Tocantins, também não havia a Academia Tocantinense de Letras. O que havia no antigo norte de Goiás era uma sub-secção da União Brasileira de Escritores de Goiás. Você já pensou o novo Estado do Tocantins, sem uma Academia de Letras? Se todos os Estados da Federação têm a sua Academia, por que o Tocantins não ter a sua? Assim, a Academia Tocantinense de Letras tem sido útil, porque também tem sido um ponto de encontro. Quando alguém intelectual chega em Palmas, uma das primeiras perguntas é: onde está a Academia Tocantinense de Letras? Como a Academia é muito requisitada nas Escolas, Colégios, Universidades, etc, ela está tendo a oportunidade de divulgar a cultura do Estado e dos tocantinenses. Na sede da academia, é possível conhecer, num só lugar, quase todos os autores tocantinenses, independente de serem ou não da academia. Ao publicarem os seus livros, os autores sabem que devem mandar um exemplar para a Academia, porque lá o público tem acesso. Na biblioteca particular, o livro fica escondido.


NO SEU PONTO DE VISTA, QUAL O MAIOR EMPECILHO PARA QUE UM ESCRITOR DO TOCANTINS VEJA SUA OBRA PUBLICADA?


24)Não é só do Tocantins. Todos os autores brasileiros que não estão no eixo Rio/São Paulo têm dificuldades para ter as obras publicadas. Não é por falta de qualidade e sim de oportunidade. Não estando no eixo Rio/São, você está longe “dos olhos e dos ouvidos do rei”. Centenas de escritores brasileiros de Minas Gerais(Fernando Sabino), da Bahia(João Ubaldo Ribeiro), de Goiás(Gilberto Mendonça Teles), etc, etc, só se destacaram no eixo Rio/São Paulo.


TODOS OS MEMBROS DA ACADEMIA POSSUEM OBRAS PUBLICADAS(LITERÁRIAS OU NÃO)?

25)A Academia Tocantinense de Letras tem 40 membros titulares e oito deles não têm livros pessoais, efetivamente publicados e cujos nomes estão mencionados na pergunta 20.


A ACADEMIA POSSUI ALGUM ÓRGÃO OFICIAL QUE PUBLIQUE INFORMAÇÕES SOBRE SUAS TAREFAS, OBRAS, ACADÊMICOS, ENFIM ASSUNTOS RELACIONADOS ÀS SUAS ATIVIDADES DE UMA FORMA GERAL?

26)Infelizmente, a Academia Tocantinense de Letras ainda não tem uma revista mensal que publique suas informações. De vez em quando, havendo patrocínio, é publicada a Revista da Academia. Mas o grande problema da Academia é ainda não ter a sua SEDE PRÓPRIA, o que foi prometido pelo Ex-Governador Siqueira Campos, quando da instalação da Academia, no dia 02.03.1991, na cidade de Porto Nacional(observe-se que a Academia está hoje(2004) instalada numa sala da Biblioteca Pública, no Espaço Cultural de Palmas, cedida pelo então Prefeito da Capital, Dr. Odir Rocha). Como a Academia Goiana de Letras só teve a sua sede própria 48(quarenta e oito) anos depois de fundada, espera-se que nos próximos anos a ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS também tenha a sua sede.

NOTA DO AUTOR: Onde está hoje(2008), a Academia não comporta, de uma só vez, todos os seus membros e nem comporta a sua biblioteca. Mas, há outro agravante: Na mesma sala de cerca de 20 metros quadrados, foi colocada também a Academia Palmense de Letras. Resultado: Com esta sala ocupada pelas Academias, muitos livros importantes da Biblioteca Publica foram amontoados, sem condições de uso.


Esta entrevista se encontra na INTERNET no seguinte endereço:
http://www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br

Palmas, Tocantins, 14.10.2004.

*Depois desta entrevista, a Acadêmica Cleusa Souza Benevides Bezerra lançou, em julho de 2005, o excelente livro PARANATINGA, focalizando a sua terra natal PARANÃ.



ESCRITORES DO EVANGELISMO
BRASILEIRO

Mário Ribeiro Martins*


O evangelismo nacional possui hoje uma coleção de nomes ilustres, escritores dedicados que honram as letras brasileiras. Muitos deles ligados a Academias, Cenáculos e outras entidades culturais, apresentam obras publicadas nas diversas áreas, destacado-se, sobretudo, os campos de literatura geral, biografias, religião, didática, etc.
Aliás, mesmo no passado, grandes nomes despontaram entre os evangélicos, contribuindo decisivamente para a formação cultural do país, mencionando-se, entre outros, o filólogo Eduardo Carlos Pereira, ligado ao presbiterianismo e autor de renomada gramática da língua portuguesa na sua época que chegou a ultrapassar as fronteiras do Brasil.
O polemista Jerônimo Gueiros, que se destacou nas letras, história e controvérsia, de fé presbiteriana e membro da ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS, na cadeira patrocinada por Abreu e Lima e que fora ocupada por Oliveira Lima. Membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, Jerônimo Queiros escreveu vários livros, entre os quais, O Brasil Ameaçado, além de ter sido durante muitos anos colaborador do Jornal do Commércio onde manteve a secção “Disciplina da Linguagem”.
O filólogo e historiador Erasmo Braga, nome expressivo na cultura nacional, de convicção presbiteriana, deixou, entre outras, a obra intitulada The Republic of Brazil - a survey of the Religious Situation.
Entre os escritores mais recentes podem ser lembrados alguns nomes, tais como: Jorge Buarque Lira, de fé presbiteriana, ministro evangélico e membro da Academia de Letras de São Paulo, do Cenáculo Fluminense de História e Letras e da Academia Guanabarina de Letras. Autor de mais de 50 obras, Jorge Lira é uma daquelas estrelas fulgurantes do evangelismo brasileiro. Sobre ele, disse Agripino Grieco, um dos maiores críticos nacionais: “Admiro cada vez mais a sua erudição, a sua produtividade, o seu ardor combativo”.
Bolivar Bandeira, presidente da Academia Evangélica de Letras, ministro presbiteriano e autor de algumas obras significativas tem contribuído para a formação cultural do povo brasileiro.
Além destes nomes, há o de José dos Reis Pereira, um dos verbetes da Delta-Larouse, cuja referência é assim feita “Diretor” de “O Jornal Batista”, Presidente da Ordem dos Ministros Batistas do Brasil desde 1962 e membro da Comissão de doutrina da Aliança Batista Mundial”. (Grande Enciclopédia Delta-Larousse Rio de Janeiro: Editora Delta, 1970. p. 5243). É uma das maiores autoridades em História Eclesiástica; escritor de renome; ministro batista, da Academia Evangélica de Letras e autor de várias obras, entre as quais: “Mobilização dos Válidos”, “História dos Batistas”, etc.
Ebenézer Gomes Cavalcanti, polemista, historiador; ministro batista, escritor de méritos; autor de diversas obras, destacando-se, “A Gazela de Jope” - 1º classificado em Concurso de Literatura.
Ebenézer Soares Ferreira, da União Brasileira de Escritores, da Sociedade Brasileira de Romancistas, da Academia Evangélica de Letras, é ministro batista e membro de The American Schools of Oriental Research. Autor de algumas obras acentuando-se, entre outras, Educação Moral e Cívica e Angelologia.
Estes são apenas alguns dos escritores evangélicos, já que nomes pertencentes a outros grupos denominacionais não foram aqui mencionados, embora igualmente expressivos. O evangelismo nacional, através da pena de tão ilustres homens, tem contribuído extraordinariamente para elevar o nível intelectual dos meios inferiores da sociedade brasileira.(O POPULAR. Goiânia, 10.10.1977).

ATENÇÃO: 30 anos depois deste artigo, este autor publicou o livro MISSIONÁRIOS AMERICANOS E ALGUMAS FIGURAS DO BRASIL EVANGÉLICO(Goiânia, Kelps, 2007), no qual fez a biografia de todos eles e outros mais.

MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




ESTADOS REPRESENTADOS NA
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.


Mario Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR, A FONTE E O TÍTULO)


A tentativa deste trabalho é mostrar onde nasceram todos aqueles que, ao longo do tempo, se vincularam, de alguma forma, à Academia Brasileira de Letras. Não importa onde residiam, quando foram eleitos. Conforme se pode verificar, nas 40 cadeiras da Academia, entre Patronos, Fundadores e Titulares, alguns Estados da Federação tem predominância. É o caso do Rio de Janeiro(83 nomes), Minas Gerais(34 nomes) e São Paulo(30 nomes).
Uma das observações que se pode fazer é que alguns Estados jamais tiveram qualquer tipo de representante, seja como PATRONO, FUNDADOR ou TITULAR junto à Academia Brasileira de Letras. É o caso do ACRE, AMAPÁ, AMAZONAS, BRASILIA, ESPIRITO SANTO, MATO GROSSO DO SUL, RONDÔNIA, RORAIMA e TOCANTINS.
Para se verificar a que cadeira cada um deles está vinculado, é só procurar logo abaixo, desde a Cadeira 1 até a 40. Mas, se você deseja ler a biografia completa de cada um deles, você terá de ir ao site da Academia Brasileira de Letras ou no site www.mariomartins.com.br e lá encontrar o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL ou ainda ler o livro DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS(Goiânia, Kelps, 2007), com 1032 páginas.
Segue a relação completa por Estado, em ordem alfabética.

ALAGOAS- Os seguintes nomes, cerca de 5, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1.Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira(Camaragibe, Alagoas, 03.05.1910).
2.Goulart de Andrade(Maceió, Alagoas, 06.04.1881).
3.Guimarães Passos-FUNDADOR(Maceió, Alagoas, 22.03.1867).
4.Lêdo Ivo(Maceió, Alagoas, 18.02.1924).
5.Pontes de Miranda(Maceió, Alagoas, 23.04.1892).

BAHIA- Os seguintes nomes, cerca de 23, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1.Adonias Filho(Ilhéus, Bahia, 27.11.1915).
2.Afrânio Coutinho(Salvador, Bahia, 15.03.1911).
3.Afrânio Peixoto(Lençóis, Bahia, 17.12.1876).
4.Castro Alves-PATRONO(Muritiba, Bahia, 14.03.1847).
5.Clementino Fraga(Muritiba, Bahia, 15.09.1880).
6. Constâncio Alves(Salvador, Bahia, 16.07.1862).
7. Dias Gomes(Salvador, Bahia, 19.10.1922).
8. Eduardo Portella(Salvador, Bahia, 08.10.1932).
9. Eduardo Ramos(Salvador, Bahia, 25.05.1854).
10. Francisco de Castro(Salvador, Bahia, 17.09.1857).
11. Franklin Dória-FUNDADOR(Itaparica, Bahia, 12.07.1836).
12. Gregório de Matos-PATRONO(Salvador, Bahia, 07.04.1623).
13. Herberto Sales(Andaraí, Bahia, 21.09.1917).
14. Hermes Lima(Livramento do Brumado, Bahia, 22.12.1902).
15. João Ubaldo Ribeiro(Itaparica, Bahia, 23.01.1941).
16. Jorge Amado(Itabuna, Bahia, 10.08.1912).
17. Junqueira Freire-PATRONO(Salvador, Bahia, 31.12.1832).
18. Otávio Mangabeira(Salvador, Bahia, 27.08.1886).
19. Pedro Calmon(Salvador, Bahia, 23.12.1902).
20. Rui Barbosa-FUNDADOR(Salvador, Bahia, 05.11.1849).
21. Urbano Duarte-FUNDADOR(Lençóis, Bahia, 31.12.1855).
22. Visconde do Rio Branco-PATRONO(Salvador, Bahia, 16.03.1819).
23. Xavier Marques(Itaparica, Bahia, 03.12.1861).

CEARÁ- Os seguintes nomes, cerca de 8, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Araripe Júnior(Fortaleza, Ceará, 27.06.1848).
2. Clóvis Beviláqua-FUNDADOR(Viçosa, Ceará, 04.10.1859).
3. Franklin Távora-PATRONO(Baturité, Ceará, 13.01.1842).
4. Gustavo Barroso(Fortaleza, Ceará, 29.12.1888).
5. Heráclito Graça(Icó, Ceará, 18.10.1837).
6. José de Alencar-PATRONO(Mecejana, Ceará, 10.05.1829).
7. Rachel de Queiroz(Fortaleza, Ceará, 17.11.1910).
8. Raimundo Magalhães Júnior(Ubajara, Ceará, 12.02.1907).

GOIÁS-Os seguintes nomes, cerca de 1, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1.Bernardo Elis(Corumbá de Goiás, Goiás, 15.11.1915).

MARANHÃO- Os seguintes nomes, cerca de 15, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1.Adelino Fontoura – PATRONO(Axixá, Maranhão, 30.03.1859).
2. Aluísio Azevedo- FUNDADOR(São Luís, Maranhão, 14.04.1857).
3. Artur Azevedo-FUNDADOR(São Luís, Maranhão, 07.07.1855).
4. Coelho Neto- FUNDADOR(Caxias, Maranhão, 21.02.1864).
5. Gonçalves Dias-PATRONO(Caxias, Maranhão, 10.08.1823).
6. Graça Aranha-FUNDADOR(São Luis, Maranhão, 21.06.1868).
7. Humberto de Campos(Miritiba, Maranhão, 25.10.1886).
8. João Francisco Lisboa-PATRONO(Pirapemas, Maranhão, 22.03.1812).
9. Joaquim Serra-PATRONO(São Luís, Maranhão, 20.07.1838).
10. José Sarney(Pinheiro, Maranhão, 24.04.1930).
11. Josué Montello(São Luís, Maranhão 21.08.1917).
12. Odylo Costa, filho(São Luís, Maranhão, 14.12.1914).
13. Raimundo Correia- FUNDADOR(Mogúncia, Maranhão, 13.05.1859).
14. Teófilo Dias-PATRONO(Caxias, Maranhão, 08.11.1854).
15. Viriato Correia(Pirapemas, Maranhão, 23.01.1884).

MATO GROSSO DO NORTE- Os seguintes nomes, cerca de 2, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Dom Aquino Correia(Cuiabá, Mato Grosso, 02.04.1885).
2. Roberto Campos(Cuiabá, Mato Grosso, 17.04.1917).

MINAS GERAIS- Os seguintes nomes, cerca de 34, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Abgar Renault(Barbacena, Minas Gerais, 15.04.1901).
2. Afonso Arinos de Melo Franco(Paracatu, Minas Gerais, 01.05.1868).
3. Afonso Arinos de Melo Franco(Belo Horizonte, Minas Gerais, 27.11.1905).
4. Affonso Arinos de Mello Franco(Belo Horizonte, Minas Gerais,
11.11.1930).
5. Afonso Celso-FUNDADOR(Ouro Preto, Minas Gerais, 31.03.1860).
6. Afonso Pena Júnior(Santa Bárbara, Minas Gerais, 25.12.1879).
7. Antônio da Silva Melo(Juiz de Fora, Minas Gerais, 10.05.1886).
8. Antonio Olinto(, em Ubá, Minas Gerais, 10.05.1919).
9. Augusto de Lima(Nova Lima, Minas Gerais, 05.04.1859).
10. Basílio da Gama- PATRONO(Tiradentes, Minas Gerais, 22.07.1740).
11. Bernardo Guimarães- PATRONO(Ouro Preto, Minas Gerais, 15.08.1825).
12. Celso Cunha(Teófilo Otoni, Minas Gerais, 10.05.1917).
13. Cláudio Manuel da Costa- PATRONO(Mariana, Minas Gerais,
05.06.1729).
14. Cyro dos Anjos(Montes Claros, Minas Gerais, 05.10.1906).
15. Darcy Ribeiro(Montes Claros, Minas Gerais, 26.10.1922).
16. Dom Lucas Moreira Neves(São João del Rei, Minas Gerais, 16.09.1925).
17. Dom Marcos Barbosa(Cristina, Minas Gerais, 12.09.1915).
18. Dom Silvério Gomes Pimenta(Congonhas do Campo, Minas Gerais,
12.01.1840).
19. Fernando de Azevedo(São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais,
02.04.1894).
20. Geraldo França de Lima(Araguari, Minas Gerais, 24.04.1914).
21. Guimarães Rosa(Cordisburgo, Minas Gerais, 27.06.1908).
22. Hélio Lobo(Juiz de Fora, Minas Gerais, 27.10.1883).
23. Ivan Lins(Belo Horizonte, Minas Gerais, 16.04.1904).
24. Ivo Pitanguy(Belo Horizonte, Minas Gerais, 05.07.1926).
25. João Luís Alves(Juiz de Fora, Minas Gerais, 23.05.1870).
26. José Murilo de Carvalho(Andrelândia, Minas Gerais, 08.09.1939).
27. Júlio Ribeiro-PATRONO(Sabará, Minas Gerais, 16.04.1845).
28. Lafayette Rodrigues Pereira(Queluz, Minas Gerais, 28.03.1834).
29. Mário Palmério(Monte Carmelo, Minas Gerais, 01.03.1916).
30. Oscar Dias Corrêa(Itaúna, Minas Gerais, 01.02.1921).
31. Otto Lara Resende(São João del-Rei, Minas Gerais, 01.05.1922).
32. Pedro Lessa(Serro, Minas Gerais, 25.09.1859).
33. Sábato Magaldi(Belo Horizonte, Minas Gerais, 09.05.1927).
34. Santos Dumont(Palmira, Minas Gerais, 20.07.1873).

PARÁ- Os seguintes nomes, cerca de 3, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Inglês de Sousa-FUNDADOR(Óbidos, Pará, 28.12.1853).
2. José Veríssimo-FUNDADOR(Óbidos, Pará, 08.04.1857).
3. Osvaldo Orico(Belém, Pará, 29.12.1900).

PARAIBA- Os seguintes nomes, cerca de 7, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Ariano Suassuna(João Pessoa, Paraíba, 16.06.1927).
2. Assis Chateaubriand(Umbuzeiro, Paraíba, 05.10.1892).
3. Aurélio de Lyra Tavares(João Pessoa, Paraíba, 07.11.1905).
4. Celso Furtado(Pombal, Paraíba, 26.07.1920).
5. José Américo de Almeida(Areia, Paraíba, 10.01.1887).
6. José Lins do Rego(Pilar, Paraíba, 03.07.1901).
7. Pereira da Silva(Araruna, Serra da Borborema, Paraíba, 09.11.1876).

PARANÁ- Os seguintes nomes, cerca de 2, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Emílio de Meneses(Curitiba, Paraná, 04.07.1866).
2. Rocha Pombo(Morretes, Paraná, 04.12.1857).

PERNAMBUCO- Os seguintes nomes, cerca de 24, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Adelmar Tavares(Recife, Pernambuco, 16.02.1888).
2. Álvaro Lins(Caruaru, Pernambuco, 14.12.1912).
3. Antônio Austregésilo(Recife, Pernambuco, 21.04.1876).
4. Antônio Carneiro Leão(Recife, Pernambuco, 02.07.1887).
5. Artur Orlando da Silva(Recife, Pernambuco, 22.06.1858).
6. Austregésilo de Athayde(Caruaru, Pernambuco, 25.09.1898).
7. Barbosa Lima Sobrinho(Recife, Pernambuco, 22.01.1897).
8. Celso Vieira(Recife, Pernambuco, 12.01.1878).
9. Dantas Barreto(Bom Conselho, Pernambuco, 22.03.1850).
10. Evanildo Cavalcante Bechara(Recife, Pernambuco, 26.02.1928).
11. João Cabral de Melo Neto(Recife, Pernambuco, 09.01.1920).
12. Joaquim Nabuco-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 19.08.1849).
13. Maciel Monteiro-PATRONO(Recife, Pernambuco, 30.04.1804).
14. Manuel Bandeira(Recife, Pernambuco, 19.04.1886).
15. Marco Maciel(Recife, Pernambuco, 21.07.1940).
16. Marcos Vilaça(Nazaré da Mata, Pernambuco, 30.06.1939).
17. Martins Júnior(Recife, Pernambuco, 24.11.1860).
18. Mauro Mota(Recife, Pernambuco, 16.08.1911).
19. Medeiros e Albuquerque-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 04.09.1867).
20. Múcio Leão(Recife, Pernambuco, 17.02.1898).
21. Olegário Mariano(Recife, Pernambuco, 24.03.1889).
22. Oliveira Lima-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 25.11.1867).
23. Silva Ramos-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 06.03.1853).
24. Sousa Bandeira(Recife, Pernambuco, 16.12.1865).

PIAUI- Os seguintes nomes, cerca de 4, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Carlos Castello Branco(Teresina, Piauí, 25.06.1920).
2. Deolindo Couto(Teresina, Piauí, 11.03.1902).
3. Evandro Lins e Silva(Parnaíba, Piauí, 18.01.1912).
4. Félix Pacheco(Teresina, Piauí, 02.08.1879).

RIO DE JANEIRO- Os seguintes nomes, cerca de 83, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Alberto de Faria(Campos, RJ, 05.08.1865).
2. Alberto de Oliveira-FUNDADOR(Saquarema, RJ, 28.04.1857).
3. Alberto Faria(Rio de Janeiro, RJ, 19.10.1869).
4. Alberto Venancio Filho(Rio de Janeiro, RJ, 23.01.1934).
5. Alceu Amoroso Lima(Tristão de Ataíde)( Petrópolis, RJ, 11.12.1893).
6. Alcindo Guanabara-FUNDADOR(Magé, Rio de Janeiro, 19.07.1865).
7. Alfredo Pujol(São João Marcos, RJ, 20.03.1865).
8. Aloísio de Castro(Rio de Janeiro, RJ, 14.06.1881).
9. Américo Jacobina Lacombe(Rio de Janeiro, RJ, 07.07.1909).
10. Ana Maria Machado(Rio de Janeiro, RJ, 24.12.1941).
11. Antonio Callado(Niterói, RJ, 26.01.1917).
12. Antonio Carlos Secchin(Rio de Janeiro, RJ, 10.06.1952).
13. Antonio Houaiss(Rio de Janeiro, RJ, 15.10.1915).
14. Arnaldo Niskier(Rio de Janeiro, RJ, 06.11.1935).
15. Ataulfo de Paiva(São João Marcos, Rio de Janeiro, 01.02.1867).
16. Barão do Rio Branco(Rio de Janeiro, RJ, 20.04.1845).
17. Candido Mendes(Rio de Janeiro, RJ, 03.06.1928).
18. Carlos Chagas Filho(Rio de Janeiro, RJ, 12.09.1910).
19. Carlos de Laet-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 03.10.1847).
20. Carlos Heitor Cony(Rio de Janeiro, RJ, 14.03.1926).
21. Carlos Magalhães de Azeredo-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ,
07.09.1872).
22. Domício da Gama-FUNDADOR(Maricá, RJ, 23.10.1862).
23. Domício Proença Filho(Rio de Janeiro, RJ, 25.01.1936).
24. Elmano Cardim(Valença, RJ, 24.12.1891).
25. Euclides da Cunha(Cantagalo, Rio de Janeiro, 20.01.1866).
26. Evaristo da Veiga-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 08.10.1799).
27. Evaristo de Moraes Filho(Rio de Janeiro, RJ, 05.07.1914).
28. Fagundes Varela-PATRONO(Rio Claro, Rio de Janeiro, 17.08.1841).
29. Fernando Bastos de Ávila(Rio de Janeiro, RJ, 17.03.1918).
30. Fernando Magalhães(Rio de Janeiro, RJ, 18.02.1878).
31. França Júnior-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 18.03.1838).
32. Francisco Otaviano-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 26.06.1826).
33. Garcia Redondo-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 07.01.1854).
34. Gonçalves de Magalhães-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 13.08.1811).
35. Guimarães Júnior-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 17.02.1847).
36. Helio Jaguaribe(Rio de Janeiro, RJ, 1923).
37. Ivan Junqueira(Rio de Janeiro, RJ, 03.11.1934).
38. Joaquim Manuel de Macedo-PATRONO(Itaboraí, Rio de Janeiro,
24.06.1820).
39. Joracy Camargo(Rio de Janeiro, RJ, 18.10.1898).
40. José Cândido de Carvalho(Campos, RJ, 05.08.1914).
41. José do Patrocínio-FUNDADOR(Campos, Rio de Janeiro, 09.10.1853).
42. José Guilherme Merquior(Rio de Janeiro, RJ, 22.04.1941).
43. José Honório Rodrigues(Rio de Janeiro, RJ, 20.09.1913).
44. Laurindo Rabelo-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 08.07.1826).
45. Levi Carneiro(Niterói, RJ, 08.08.1882).
46. Lúcio de Mendonça-FUNDADOR(Piraí, Rio de Janeiro, 10.03.1854).
47. Luís Carlos(Rio de Janeiro, RJ, 10.04.1880).
48. Luís Edmundo(Rio de Janeiro, RJ, 26.06.1878).
49. Luís Guimarães Filho(Rio de Janeiro, RJ, 30.10.1878).
50. Luís Murat- FUNDADOR (Resende, Rio de Janeiro, 04.05.1861).
51. Machado de Assis-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 21.06.1839).
52. Manuel Antônio de Almeida-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 17.11.1830).
53. Marcos Almir Madeira(Niterói, RJ, 21.02.1916).
54. Mário de Alencar(Rio de Janeiro, RJ, 30.01.1872).
55. Marques Rebelo(Rio de Janeiro, RJ, 06.01.1907).
56. Martins Pena-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 05.11.1815).
57. Maurício de Medeiros(Rio de Janeiro, RJ, 14.07.1885).
58. Miguel Couto(Rio de Janeiro, RJ, 01.05.1864).
59. Miguel Osório de Almeida(Rio de Janeiro, RJ, 01.08.1890).
60. Nélida Piñon(Rio de Janeiro, RJ, 03.05.1937).
61. Olavo Bilac-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 16.12.1865).
62. Oliveira Viana(Saquarema, RJ, 20.06.1883).
63. Osório Duque-Estrada(Vassouras, RJ, 29.04.1870).
64. Otávio de Faria(Rio de Janeiro, RJ, 15.10.1908).
65. Paulo Barreto(João do Rio)( Rio de Janeiro, RJ, 05.08.1881).
66. Paulo Carneiro(Rio de Janeiro, RJ, 04.10.1901).
67. Paulo Coelho(Rio de Janeiro, RJ, 24.08.1947).
68. Pedro Luís-PATRONO(Araruama, Rio de Janeiro, 13.12.1839).
69. Pedro Rabelo-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 19.10.1868).
70. Pereira da Silva-FUNDADOR(Nova Iguaçu, RJ, 30.08.1817).
71. Raul Pompéia-PATRONO(Angra dos Reis, RJ, 12.04.1863).
72. Roberto Marinho(Rio de Janeiro, RJ, 03.12.1904).
73. Rodrigo Octavio Filho(Rio de Janeiro, RJ, 08.12.1892).
74. Roquette-Pinto(Rio de Janeiro, RJ, 25.09.1884).
75. Salvador de Mendonça-FUNDADOR(Itaboraí, Rio de Janeiro,
21.07.1841). 76. Sergio Corrêa da Costa(Rio de Janeiro, RJ, 19.02.1919).
77. Sergio Paulo Rouanet(Rio de Janeiro, RJ, 23.02.1934).
78. Sousa Caldas-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 24.11.1762).
79. Tarcísio Padilha(Rio de Janeiro, RJ, 17.04.1928).
80. Teixeira de Melo- FUNDADOR(Campos, Rio de Janeiro, 28.08.1833).
81. Valentim Magalhães-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 16.01.1859).
82. Visconde de Taunay-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 22.02.1843).
83. Vítor Viana(Rio de Janeiro, RJ, 23.12.1881).

RIO GRANDE DO NORTE- Os seguintes nomes, cerca de 3, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Murilo Melo Filho(Natal, Rio Grande do Norte, 13.10.1928).
2. Peregrino Júnior(Natal, Rio Grande do Norte, 12.03.1898).
3. Rodolfo Garcia(Ceará Mirim, Rio Grande do Norte, 25.05.1873).

RIO GRANDE DO SUL- Os seguintes nomes, cerca de 15, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Alcides Maya(São Gabriel, Rio Grande do Sul, 15.09.1878).
2. Álvaro Moreyra (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 23.11.1888).
3. Araújo Porto-Alegre-PATRONO(S.J.Rio Pardo, Rio Grande do Sul,
29.11.1806).
4. Artur de Oliveira-PATRONO(Porto Alegre, Rio Grande do Sul,
11.08.1851).
5. Augusto Meyer(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 24.01.1902).
6. Carlos Nejar(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 11.01.1939).
7. Getúlio Vargas(São Borja, Rio Grande do Sul, 19.04.1883).
8. Gregório da Fonseca(Cachoeira, Rio Grande do Sul, 17.11.1875).
9. João Neves da Fontoura(Cachoeira, Rio Grande do Sul, 16.11.1887).
10. Joaquim Caetano da Silva-PATRONO(Jaguarão, Rio Grande do Sul,
02.09.1810).
11. Moacyr Scliar(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 23.03.1937).
12. Pardal Mallet-PATRONO(Bagé, Rio Grande do Sul, 09.12.1864).
13. Ramiz Galvão(Rio Pardo, Rio Grande do Sul, 16.06.1846).
14. Raymundo Faoro(Vacaria, Rio Grande do Sul, 27.04.1925).
15. Viana Moog(São Leopoldo, Rio Grande do Sul, 28.10.1906).



SANTA CATARINA- Os seguintes nomes, cerca de 2, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Afonso d Escragnolle Taunay(Florianópolis, Santa Catarina, 11.07.1876).
2. Lauro Muller(Itajaí, Santa Catarina, 08.11.1863).

SÃO PAULO- Os seguintes nomes, cerca de 31, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Alberto da Costa e Silva(São Paulo, SP, 12.05.1931).
2. Alcântara Machado(Piracicaba, São Paulo, 19.10.1875).
3. Alfredo Bosi(São Paulo, SP, 26.08.1936).
4. Álvares de Azevedo- PATRONO(São Paulo, SP, 12.09.1831).
5. Amadeu Amaral(Capivari, São Paulo, 06.11.1875).
6. Artur Jaceguai(São Paulo, SP, 26.05.1843).
7. Barão Homem de Melo(Pindamonhangaba, São Paulo, 01.05.1837).
8. Cândido Motta Filho(São Paulo, SP, 16.09.1897).
9. Cassiano Ricardo(São José dos Campos, SP, 26.07.1895).
10. Celso Lafer(São Paulo, SP, 07.08.1941)
11. Cicero Sandroni(São Paulo, SP, 26.02.1935).
12. Cláudio de Sousa(São Roque, São Paulo, 20.10.1876).
13. Dinah Silveira de Queiroz(São Paulo, SP, 09.11.1911).
14. Eduardo Prado-FUNDADOR(São Paulo, SP, 27.02.1860).
15. Francisco A. Varnhagen-PATRONO(S.J de Ipanema, São
Paulo,17.02.1816).
16. Francisco de Assis Barbosa(Guaratinguetá, São Paulo, 21.01.1914).
17. Guilherme de Almeida(Campinas, São Paulo, 24.07.1890).
18. João de Scantimburgo(Dois Córregos, São Paulo, 31.10.1918).
19. José Mindlin(São Paulo, SP, 08.09.1914).
20. Lygia Fagundes Telles(São Paulo, SP, 19.04.1923).
21. Macedo Soares(São Paulo, SP, 06.10.1883).
22. Menotti del Picchia(São Paulo, SP, 20.03.1892).
23. Miguel Reale(São Bento do Sapucaí, São Paulo, 06.11.1910).
24. Nelson Pereira dos Santos(São Paulo, Capital, 1928).
25. Orígenes Lessa(Lençóis Paulista, São Paulo, 12.07.1903).
26. Osvaldo Cruz(São Luís de Paraitinga, São Paulo, 05.08.1872).
27. Paulo Setúbal(Tatuí, São Paulo, 01.01.1893).
28. Ribeiro Couto(Santos, SP, 12.03.1898).
29. Roberto Simonsen(Santos, São Paulo, 18.02.1889).
30. Rodrigo Octavio-FUNDADOR(Campinas, São Paulo, 11.10.1866).
31. Vicente de Carvalho(Santos, São Paulo, 05.04.1866).
32. Zélia Gattai(São Paulo, SP, 02.07.1916).

SERGIPE- Os seguintes nomes, cerca de 7, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Aníbal Freire(Lagarto, Sergipe, 07.07.1884).
2. Genolino Amado(Itaporanga, Sergipe, 03.08.1902).
3. Gilberto Amado(Estância, Sergipe, 07.05.1887).
4. João Ribeiro(Laranjeiras, Sergipe, 24.06.1860).
5. Laudelino Freire(Lagarto, Sergipe, 26.01.1873).
6. Sílvio Romero-FUNDADOR(Lagarto, Sergipe, 21.04.1851).
7. Tobias Barreto-PATRONO(Campos, Sergipe, 07.06.1839).

FRANÇA- Os seguintes nomes, cerca de 2, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Luís Viana Filho(Paris, França, 28.03.1908).
2. José Bonifácio-PATRONO(Bordéus, França, 08.11.1827).

PORTUGAL- Os seguintes nomes, cerca de 2, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Filinto de Almeida- FUNDADOR(Porto, Portugal, 04.12.1857).
2. Tomás Antônio Gonzaga-PATRONO(Porto, Portugal, 11.08.1744).


URUGUAI- Os seguintes nomes, cerca de 1, em ordem alfabética, se fazem ou se fizeram presentes na Academia:
1. Hipólito da Costa-PATRONO(Sacramento, Uruguai, 13.08.1774).




DISTRIBUIÇÃO POR CADEIRA:



À Cadeira 1, estão vinculados os nomes:

Adelino Fontoura – PATRONO(Axixá, Maranhão, 30.03.1859).
Luís Murat- FUNDADOR (Resende, Rio de Janeiro, 04.05.1861).
Afonso d Escragnolle Taunay(Florianópolis, Santa Catarina, 11.07.1876).
Ivan Lins(Belo Horizonte, Minas Gerais, 16.04.1904).
Bernardo Elis(Corumbá de Goiás, Goiás, 15.11.1915).
Evandro Lins e Silva(Parnaíba, Piauí, 18.01.1912).
Ana Maria Machado(Rio de Janeiro, RJ, 24.12.1941).


À Cadeira 2, estão vinculados:

Álvares de Azevedo- PATRONO(São Paulo, SP, 12.09.1831).
Coelho Neto- FUNDADOR(Caxias, Maranhão, 21.02.1864).
João Neves da Fontoura(Cachoeira, Rio Grande do Sul, 16.11.1887).
Guimarães Rosa(Cordisburgo, Minas Gerais, 27.06.1908).
Mário Palmério(Monte Carmelo, Minas Gerais, 01.03.1916).
Tarcísio Padilha(Rio de Janeiro, RJ, 17.04.1928).


À Cadeira 3, estão:

Artur de Oliveira-PATRONO(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 11.08.1851).
Filinto de Almeida- FUNDADOR(Porto, Portugal, 04.12.1857).
Roberto Simonsen(Santos, São Paulo, 18.02.1889).
Aníbal Freire(Lagarto, Sergipe, 07.07.1884).
Herberto Sales(Andaraí, Bahia, 21.09.1917).
Carlos Heitor Cony(Rio de Janeiro, RJ, 14.03.1926).


À Cadeira 4, estão vinculados:

Basílio da Gama- PATRONO(Tiradentes, Minas Gerais, 22.07.1740).
Aluísio Azevedo- FUNDADOR(São Luís, Maranhão, 14.04.1857).
Alcides Maya(São Gabriel, Rio Grande do Sul, 15.09.1878).
Viana Moog(São Leopoldo, Rio Grande do Sul, 28.10.1906).
Carlos Nejar(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 11.01.1939).


À Cadeira 5, estão vinculados:

Bernardo Guimarães- PATRONO(Ouro Preto, Minas Gerais, 15.08.1825).
Raimundo Correia- FUNDADOR(Mogúncia, Maranhão, 13.05.1859).
Osvaldo Cruz(São Luís de Paraitinga, São Paulo, 05.08.1872).
Aloísio de Castro(Rio de Janeiro, RJ, 14.06.1881).
Cândido Motta Filho(São Paulo, SP, 16.09.1897).
Rachel de Queiroz(Fortaleza, Ceará, 17.11.1910).
José Murilo de Carvalho(Andrelândia, Minas Gerais, 08.09.1939).


À Cadeira 6, estão vinculados:

Casimiro de Abreu- PATRONO(Barra de São João, RJ, 04.01.1839).
Teixeira de Melo- FUNDADOR(Campos, Rio de Janeiro, 28.08.1833).
Artur Jaceguai(São Paulo, SP, 26.05.1843).
Goulart de Andrade(Maceió, Alagoas, 06.04.1881).
Barbosa Lima Sobrinho(Recife, Pernambuco, 22.01.1897).
Raymundo Faoro(Vacaria, Rio Grande do Sul, 27.04.1925).
Cicero Sandroni(São Paulo, SP, 26.02.1935).


À Cadeira 7, estão vinculados:

Castro Alves-PATRONO(Muritiba, Bahia, 14.03.1847).
Valentim Magalhães-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 16.01.1859).
Euclides da Cunha(Cantagalo, Rio de Janeiro, 20.01.1866).
Afrânio Peixoto(Lençóis, Bahia, 17.12.1876).
Afonso Pena Júnior(Santa Bárbara, Minas Gerais, 25.12.1879).
Hermes Lima(Livramento do Brumado, Bahia, 22.12.1902).
Pontes de Miranda(Maceió, Alagoas, 23.04.1892).
Dinah Silveira de Queiroz(São Paulo, SP, 09.11.1911).
Sergio Corrêa da Costa(Rio de Janeiro, RJ, 19.02.1919).
Nelson Pereira dos Santos(São Paulo, Capital, 1928).


À Cadeira 8, estão:

Cláudio Manuel da Costa- PATRONO(Mariana, Minas Gerais, 05.06.1729).
Alberto de Oliveira-FUNDADOR(Saquarema, RJ, 28.04.1857).
Oliveira Viana(Saquarema, RJ, 20.06.1883).
Austregésilo de Athayde(Caruaru, Pernambuco, 25.09.1898).
Antonio Callado(Niterói, RJ, 26.01.1917).
Antonio Olinto(, em Ubá, Minas Gerais, 10.05.1919).


À Cadeira 9, estão vinculados:

Gonçalves de Magalhães-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 13.08.1811).
Carlos Magalhães de Azeredo-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 07.09.1872).
Marques Rebelo(Rio de Janeiro, RJ, 06.01.1907).
Carlos Chagas Filho(Rio de Janeiro, RJ, 12.09.1910).
Alberto da Costa e Silva(São Paulo, SP, 12.05.1931).


À Cadeira 10, estão vinculados:

Evaristo da Veiga-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 08.10.1799).
Rui Barbosa-FUNDADOR(Salvador, Bahia, 05.11.1849).
Laudelino Freire(Lagarto, Sergipe, 26.01.1873).
Osvaldo Orico(Belém, Pará, 29.12.1900).
Orígenes Lessa(Lençóis Paulista, São Paulo, 12.07.1903).
Lêdo Ivo(Maceió, Alagoas, 18.02.1924).


À Cadeira 11, estão vinculados:

Fagundes Varela-PATRONO(Rio Claro, Rio de Janeiro, 17.08.1841).
Lúcio de Mendonça-FUNDADOR(Piraí, Rio de Janeiro, 10.03.1854).
Pedro Lessa(Serro, Minas Gerais, 25.09.1859).
Eduardo Ramos(Salvador, Bahia, 25.05.1854).
João Luís Alves(Juiz de Fora, Minas Gerais, 23.05.1870).
Adelmar Tavares(Recife, Pernambuco, 16.02.1888).
Deolindo Couto(Teresina, Piauí, 11.03.1902).
Darcy Ribeiro(Montes Claros, Minas Gerais, 26.10.1922).
Celso Furtado(Pombal, Paraíba, 26.07.1920).
Helio Jaguaribe(Rio de Janeiro, RJ, 1923).


À Cadeira 12, estão vinculados os nomes:

França Júnior-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 18.03.1838).
Urbano Duarte-FUNDADOR(Lençóis, Bahia, 31.12.1855).
Augusto de Lima(Nova Lima, Minas Gerais, 05.04.1859).
Vítor Viana(Rio de Janeiro, RJ, 23.12.1881).
Macedo Soares(São Paulo, SP, 06.10.1883).
Abgar Renault(Barbacena, Minas Gerais, 15.04.1901).
Dom Lucas Moreira Neves(São João del Rei, Minas Gerais, 16.09.1925).
Alfredo Bosi(São Paulo, SP, 26.08.1936).


À Cadeira 13, estão vinculados:

Francisco Otaviano-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 26.06.1826).
Visconde de Taunay-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 22.02.1843).
Francisco de Castro(Salvador, Bahia, 17.09.1857).
Martins Júnior(Recife, Pernambuco, 24.11.1860).
Sousa Bandeira(Recife, Pernambuco, 16.12.1865).
Hélio Lobo(Juiz de Fora, Minas Gerais, 27.10.1883).
Augusto Meyer(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 24.01.1902).
Francisco de Assis Barbosa(Guaratinguetá, São Paulo, 21.01.1914).
Sergio Paulo Rouanet(Rio de Janeiro, RJ, 23.02.1934).


À Cadeira 14, estão vinculados os nomes:

Franklin Távora-PATRONO(Baturité, Ceará, 13.01.1842).
Clóvis Beviláqua-FUNDADOR(Viçosa, Ceará, 04.10.1859).
Antônio Carneiro Leão(Recife, Pernambuco, 02.07.1887).
Fernando de Azevedo(São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais, 02.04.1894).
Miguel Reale(São Bento do Sapucaí, São Paulo, 06.11.1910).
Celso Lafer(São Paulo, SP, 07.08.1941)


À Cadeira 15, estão vinculados:

Gonçalves Dias-PATRONO(Caxias, Maranhão, 10.08.1823).
Olavo Bilac-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 16.12.1865).
Amadeu Amaral(Capivari, São Paulo, 06.11.1875).
Guilherme de Almeida(Campinas, São Paulo, 24.07.1890).
Odylo Costa, filho(São Luís, Maranhão, 14.12.1914).
Dom Marcos Barbosa(Cristina, Minas Gerais, 12.09.1915).
Fernando Bastos de Ávila(Rio de Janeiro, RJ, 17.03.1918).


À Cadeira 16, estão vinculados os nomes:

Gregório de Matos-PATRONO(Salvador, Bahia, 07.04.1623).
Araripe Júnior(Fortaleza, Ceará, 27.06.1848).
Félix Pacheco(Teresina, Piauí, 02.08.1879).
Pedro Calmon(Salvador, Bahia, 23.12.1902).
Lygia Fagundes Telles(São Paulo, SP, 19.04.1923).


À Cadeira 17, estão vinculados:

Hipólito da Costa-PATRONO(Sacramento, Uruguai, 13.08.1774).
Sílvio Romero-FUNDADOR(Lagarto, Sergipe, 21.04.1851).
Osório Duque-Estrada(Vassouras, RJ, 29.04.1870).
Roquette-Pinto(Rio de Janeiro, RJ, 25.09.1884).
Álvaro Lins(Caruaru, Pernambuco, 14.12.1912).
Antonio Houaiss(Rio de Janeiro, RJ, 15.10.1915).
Affonso Arinos de Mello Franco(Belo Horizonte, Minas Gerais, 11.11.1930).


À Cadeira 18, estão vinculados os nomes:

João Francisco Lisboa-PATRONO(Pirapemas, Maranhão, 22.03.1812).
José Veríssimo-FUNDADOR(Óbidos, Pará, 08.04.1857).
Barão Homem de Melo(Pindamonhangaba, São Paulo, 01.05.1837).
Alberto Faria(Rio de Janeiro, RJ, 19.10.1869).
Luís Carlos(Rio de Janeiro, RJ, 10.04.1880).
Pereira da Silva(Araruna, Serra da Borborema, Paraíba, 09.11.1876).
Peregrino Júnior(Natal, Rio Grande do Norte, 12.03.1898).
Arnaldo Niskier(Rio de Janeiro, RJ, 06.11.1935).


À Cadeira 19, estão vinculados:

Joaquim Caetano da Silva-PATRONO(Jaguarão, Rio Grande do Sul, 02.09.1810).
Alcindo Guanabara-FUNDADOR(Magé, Rio de Janeiro, 19.07.1865).
Dom Silvério Gomes Pimenta(Congonhas do Campo, Minas Gerais, 12.01.1840).
Gustavo Barroso(Fortaleza, Ceará, 29.12.1888).
Antônio da Silva Melo(Juiz de Fora, Minas Gerais, 10.05.1886).
Américo Jacobina Lacombe(Rio de Janeiro, RJ, 07.07.1909).
Marcos Almir Madeira(Niterói, RJ, 21.02.1916).
Antonio Carlos Secchin(Rio de Janeiro, RJ, 10.06.1952).


À Cadeira 20, estão vinculados os nomes:

Joaquim Manuel de Macedo-PATRONO(Itaboraí, Rio de Janeiro, 24.06.1820).
Salvador de Mendonça-FUNDADOR(Itaboraí, Rio de Janeiro, 21.07.1841).
Emílio de Meneses(Curitiba, Paraná, 04.07.1866).
Humberto de Campos(Miritiba, Maranhão, 25.10.1886).
Múcio Leão(Recife, Pernambuco, 17.02.1898).
Aurélio de Lyra Tavares(João Pessoa, Paraíba, 07.11.1905).
Murilo Melo Filho(Natal, Rio Grande do Norte, 13.10.1928).


À Cadeira 21, estão vinculados:

Joaquim Serra-PATRONO(São Luís, Maranhão, 20.07.1838).
José do Patrocínio-FUNDADOR(Campos, Rio de Janeiro, 09.10.1853).
Mário de Alencar(Rio de Janeiro, RJ, 30.01.1872).
Olegário Mariano(Recife, Pernambuco, 24.03.1889).
Álvaro Moreyra (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 23.11.1888).
Adonias Filho(Ilhéus, Bahia, 27.11.1915).
Dias Gomes(Salvador, Bahia, 19.10.1922).
Roberto Campos(Cuiabá, Mato Grosso, 17.04.1917).
Paulo Coelho(Rio de Janeiro, RJ, 24.08.1947).


À Cadeira 22, estão vinculados os nomes:

José Bonifácio-PATRONO(Bordéus, França, 08.11.1827).
Medeiros e Albuquerque-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 04.09.1867).
Miguel Osório de Almeida(Rio de Janeiro, RJ, 01.08.1890).
Luís Viana Filho(Paris, França, 28.03.1908).
Ivo Pitanguy(Belo Horizonte, Minas Gerais, 05.07.1926).


À Cadeira 23, estão vinculados:

José de Alencar-PATRONO(Mecejana, Ceará, 10.05.1829).
Machado de Assis-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 21.06.1839).
Lafayette Rodrigues Pereira(Queluz, Minas Gerais, 28.03.1834).
Alfredo Pujol(São João Marcos, RJ, 20.03.1865).
Otávio Mangabeira(Salvador, Bahia, 27.08.1886).
Jorge Amado(Itabuna, Bahia, 10.08.1912).
Zélia Gattai(São Paulo, SP, 02.07.1916).


À Cadeira 24, estão vinculados os nomes:

Júlio Ribeiro-PATRONO(Sabará, Minas Gerais, 16.04.1845).
Garcia Redondo-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 07.01.1854).
Luís Guimarães Filho(Rio de Janeiro, RJ, 30.10.1878).
Manuel Bandeira(Recife, Pernambuco, 19.04.1886).
Cyro dos Anjos(Montes Claros, Minas Gerais, 05.10.1906).
Sábato Magaldi(Belo Horizonte, Minas Gerais, 09.05.1927).


À Cadeira 25, estão vinculados:

Junqueira Freire-PATRONO(Salvador, Bahia, 31.12.1832).
Franklin Dória-FUNDADOR(Itaparica, Bahia, 12.07.1836).
Artur Orlando da Silva(Recife, Pernambuco, 22.06.1858).
Ataulfo de Paiva(São João Marcos, Rio de Janeiro, 01.02.1867).
José Lins do Rego(Pilar, Paraíba, 03.07.1901).
Afonso Arinos de Melo Franco(Belo Horizonte, Minas Gerais, 27.11.1905).
Alberto Venancio Filho(Rio de Janeiro, RJ, 23.01.1934).


À Cadeira 26, estão vinculados os nomes:

Laurindo Rabelo-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 08.07.1826).
Guimarães Passos-FUNDADOR(Maceió, Alagoas, 22.03.1867).
Paulo Barreto(João do Rio)( Rio de Janeiro, RJ, 05.08.1881).
Constâncio Alves(Salvador, Bahia, 16.07.1862).
Ribeiro Couto(Santos, SP, 12.03.1898).
Gilberto Amado(Estância, Sergipe, 07.05.1887).
Mauro Mota(Recife, Pernambuco, 16.08.1911).
Marcos Vilaça(Nazaré da Mata, Pernambuco, 30.06.1939).


À Cadeira 27, estão vinculados:

Maciel Monteiro-PATRONO(Recife, Pernambuco, 30.04.1804).
Joaquim Nabuco-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 19.08.1849).
Dantas Barreto(Bom Conselho, Pernambuco, 22.03.1850).
Gregório da Fonseca(Cachoeira, Rio Grande do Sul, 17.11.1875).
Levi Carneiro(Niterói, RJ, 08.08.1882).
Otávio de Faria(Rio de Janeiro, RJ, 15.10.1908).
Eduardo Portella(Salvador, Bahia, 08.10.1932).


À Cadeira 28, estão vinculados os nomes:

Manuel Antônio de Almeida-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 17.11.1830).
Inglês de Sousa-FUNDADOR(Óbidos, Pará, 28.12.1853).
Xavier Marques(Itaparica, Bahia, 03.12.1861).
Menotti del Picchia(São Paulo, SP, 20.03.1892).
Oscar Dias Corrêa(Itaúna, Minas Gerais, 01.02.1921).
Domício Proença Filho(Rio de Janeiro, RJ, 25.01.1936).


À Cadeira 29, estão vinculados:

Martins Pena-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 05.11.1815).
Artur Azevedo-FUNDADOR(São Luís, Maranhão, 07.07.1855).
Vicente de Carvalho(Santos, São Paulo, 05.04.1866).
Cláudio de Sousa(São Roque, São Paulo, 20.10.1876).
Josué Montello(São Luís, Maranhão 21.08.1917).
José Mindlin(São Paulo, SP, 08.09.1914).


À Cadeira 30, estão vinculados os nomes:

Pardal Mallet-PATRONO(Bagé, Rio Grande do Sul, 09.12.1864).
Pedro Rabelo-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 19.10.1868).
Heráclito Graça(Icó, Ceará, 18.10.1837).
Antônio Austregésilo(Recife, Pernambuco, 21.04.1876).
Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira(Passo de Camaragibe, Alagoas,
03.05.1910).
Nélida Piñon(Rio de Janeiro, RJ, 03.05.1937).


À Cadeira 31, estão vinculados:

Pedro Luís-PATRONO(Araruama, Rio de Janeiro, 13.12.1839).
Guimarães Júnior-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 17.02.1847).
João Ribeiro(Laranjeiras, Sergipe, 24.06.1860).
Paulo Setúbal(Tatuí, São Paulo, 01.01.1893).
Cassiano Ricardo(José dos Campos, SP, 26.07.1895).
José Cândido de Carvalho(Campos, RJ, 05.08.1914).
Geraldo França de Lima(Araguari, Minas Gerais, 24.04.1914).
Moacyr Scliar(Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 23.03.1937).


À Cadeira 32, estão vinculados os nomes:

Araújo Porto-Alegre-PATRONO(José do Rio Pardo, Rio Grande do Sul,
29.11.1806).
Carlos de Laet-FUNDADOR(Rio de Janeiro, RJ, 03.10.1847).
Ramiz Galvão(Rio Pardo, Rio Grande do Sul, 16.06.1846).
Viriato Correia(Pirapemas, Maranhão, 23.01.1884).
Joracy Camargo(Rio de Janeiro, RJ, 18.10.1898).
Genolino Amado(Itaporanga, Sergipe, 03.08.1902).
Ariano Suassuna(João Pessoa, Paraíba, 16.06.1927).


À Cadeira 33, estão vinculados:

Raul Pompéia-PATRONO(Angra dos Reis, RJ, 12.04.1863).
Domício da Gama-FUNDADOR(Maricá, RJ, 23.10.1862).
Fernando Magalhães(Rio de Janeiro, RJ, 18.02.1878).
Luís Edmundo(Rio de Janeiro, RJ, 26.06.1878).
Afrânio Coutinho(Salvador, Bahia, 15.03.1911).
Evanildo Cavalcante Bechara(Recife, Pernambuco, 26.02.1928).


À Cadeira 34, estão vinculados os nomes:

Sousa Caldas-PATRONO(Rio de Janeiro, RJ, 24.11.1762).
Pereira da Silva-FUNDADOR(Nova Iguaçu, RJ, 30.08.1817).
Barão do Rio Branco(Rio de Janeiro, RJ, 20.04.1845).
Lauro Muller(Itajaí, Santa Catarina, 08.11.1863).
Dom Aquino Correia(Cuiabá, Mato Grosso, 02.04.1885).
Raimundo Magalhães Júnior(Ubajara, Ceará, 12.02.1907).
Carlos Castello Branco(Teresina, Piauí, 25.06.1920).
João Ubaldo Ribeiro(Itaparica, Bahia, 23.01.1941).


À Cadeira 35, estão vinculados:

Tavares Bastos-PATRONO(Marechal Deodoro, Alagoas, 20.04.1839).
Rodrigo Octavio-FUNDADOR(Campinas, São Paulo, 11.10.1866).
Rodrigo Octavio Filho(Rio de Janeiro, RJ, 08.12.1892).
José Honório Rodrigues(Rio de Janeiro, RJ, 20.09.1913).
Celso Cunha(Teófilo Otoni, Minas Gerais, 10.05.1917).
Candido Mendes(Rio de Janeiro, RJ, 03.06.1928).


À Cadeira 36, estão vinculados os nomes:

Teófilo Dias-PATRONO(Caxias, Maranhão, 08.11.1854).
Afonso Celso-FUNDADOR(Ouro Preto, Minas Gerais, 31.03.1860).
Clementino Fraga(Muritiba, Bahia, 15.09.1880).
Paulo Carneiro(Rio de Janeiro, RJ, 04.10.1901).
José Guilherme Merquior(Rio de Janeiro, RJ, 22.04.1941).
João de Scantimburgo(Dois Córregos, São Paulo, 31.10.1918).


À CADEIRA 37, ESTÃO vinculados:

Tomás Antônio Gonzaga-PATRONO(Porto, Portugal, 11.08.1744).
Silva Ramos-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 06.03.1853).
Alcântara Machado(Piracicaba, São Paulo, 19.10.1875).
Getúlio Vargas(São Borja, Rio Grande do Sul, 19.04.1883).
Assis Chateaubriand(Umbuzeiro, Paraíba, 05.10.1892).
João Cabral de Melo Neto(Recife, Pernambuco, 09.01.1920).
Ivan Junqueira(Rio de Janeiro, RJ, 03.11.1934).


À CADEIRA 38, ESTÃO VINCULADOS OS NOMES:

Tobias Barreto-PATRONO(Campos, Sergipe, 07.06.1839).
Graça Aranha-FUNDADOR(São Luis, Maranhão, 21.06.1868).
Santos Dumont(Palmira, Minas Gerais, 20.07.1873).
Celso Vieira(Recife, Pernambuco, 12.01.1878).
Maurício de Medeiros(Rio de Janeiro, RJ, 14.07.1885).
José Américo de Almeida(Areia, Paraíba, 10.01.1887).
José Sarney(Pinheiro, Maranhão, 24.04.1930).


À CADEIRA 39, ESTÃO vinculados:

Francisco A. de Varnhagen-PATRONO(São João de Ipanema, São Paulo,
17.02.1816).
Oliveira Lima-FUNDADOR(Recife, Pernambuco, 25.11.1867).
Alberto de Faria(Campos, RJ, 05.08.1865).
Rocha Pombo(Morretes, Paraná, 04.12.1857).
Rodolfo Garcia(Ceará Mirim, Rio Grande do Norte, 25.05.1873).
Elmano Cardim(Valença, RJ, 24.12.1891).
Otto Lara Resende(São João del-Rei, Minas Gerais, 01.05.1922).
Roberto Marinho(Rio de Janeiro, RJ, 03.12.1904).
Marco Maciel(Recife, Pernambuco, 21.07.1940).


À CADEIRA 40, ESTÃO VINCULADOS OS NOMES:

Visconde do Rio Branco-PATRONO(Salvador, Bahia, 16.03.1819).
Eduardo Prado-FUNDADOR(São Paulo, SP, 27.02.1860).
Afonso Arinos(Paracatu, Minas Gerais, 01.05.1868).
Miguel Couto(Rio de Janeiro, RJ, 01.05.1864).
Alceu Amoroso Lima(Tristão de Ataíde)( Petrópolis, RJ, 11.12.1893).
Evaristo de Moraes Filho(Rio de Janeiro, RJ, 05.07.1914).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




EXERCÍCIOS DE ADMIRAÇÃO
(Ruy Rodrigues da Silva)


Mário Ribeiro Martins*



Na verdade, o título completo do livro é “EXERCÍCIOS DE ADMIRAÇÃO- Reflexões sobre pessoas, poder, cultura e cidades”. A Editora da UFG(Universidade Federal de Goiás) tirou apenas 500(quinhentos) exemplares deste livro do Professor Ruy Rodrigues da Silva, o que foi uma pena, por não condizer com a importância do livro e de seu autor. Falta de verba das “Federais”, em todo o Brasil.
Lançado no dia 24.10.2003, sob o patrocínio do Governador Marconi Perillo, no Palácio do Governo(Palácio das Esmeraldas), em Goiânia, Goiás, o livro, embora vendido por vinte reais, “não deu pra quem quis”. Faltaram exemplares e sobraram leitores.
O livro não é encontrado hoje(2005), nem na Biblioteca da UNITINS(Universidade do Tocantins), de que ele foi Reitor, por muito tempo. O exemplar a que este articulista teve acesso, tem a seguinte dedicatória: “Belinha, aluna, amiga e exemplo de vida. Ruy”.
“EXERCÍCIOS DE ADMIRAÇÃO”, do Professor Ruy Rodrigues é de uma profundidade impressionante. Com suas 112 páginas apenas, o livro é o retrato fiel daquela capacidade que é peculiar ao professor.
Seu capitulo sobre MAURO BORGES E PEDRO LUDOVICO permite se ter uma visão panorâmica e justa dos fatos que culminaram com a deposição do Ex-Governador de Goiás, no dia 26.11.1964, pelo movimento revolucionário.
Sua descrição de ARY DEMÓSTENES é notável. Depois de dizer que ele poderia ter sido profeta ou cardeal, afirma: “Foi um dos homens mais inteligentes de Goiás”.
Sobre DOM ALANO, o bispo dominicano de Porto Nacional e depois de dizer que o território de sua Diocese era tão grande como a metade da França, revela: “Do padre Lebret foi ele quem me falou pela primeira vez. Foi a esse padre que me encaminhou em 1964, quando lhe pareceu impossível salvar-me da prisão. Não veio ao Brasil para converter os índios nem reencontrar, com o hábito branco, as populações, que, fardado, ele conhecera na África do Norte, como jovem oficial da cavalaria e membro do Estado-Maior do Marechal Lyautey. Roma fez dele um bispo, e ele se tornou o meu herói”.
De Helena Scob, a francesa que protegia os exilados, disse: “Era preciso atravessar um estreito corredor e um pátio interno sem fantasias até chegar a uma sala pequena onde as misérias do mundo marcavam encontro. Num escritório igualmente modesto Helena Scob os aguardava. Eis o que esperavam de Helena, todos aqueles que vinham vê-la: que os ajudasse a se reconciliar com o seu passado e com os seus sofrimentos, aceitar a decadência, o fim provisório ou definitivo dos seus sonhos”.
Num outro capitulo trata de “ELY BRASILIENSE, PORTO NACIONAL E EU”. Diz, a certa altura: “Não acha você que é coincidência demais que cada um de nós dois, tendo saído de Porto para caminhar pelo mundo, venhamos a nos encontrar aqui nesta noite? Quantos anos faz que você e eu nos mandamos do velho Porto? Para falarmos da Rua das Flores, onde morava tia Nenzinha, sua mãe, que me oferecia biscoitos e bolos não vendidos em loja”.
Já na página 88, refere-se a JACQUES MAURY. Tratava-se do Pastor Protestante, dirigente da Igreja Reformada e da Federação Protestante de França. Sobre ele escreveu: “Desde o início de nossa já antiga amizade, ele(Jacques) encarnou, para mim, a historia, os valores e o essencial da mensagem desta comunidade que me fez descobrir, QUANDO A FREQUENTEI, uma inimaginável diversidade, sob as aparências de uma perfeita harmonia e linearidade de atitudes e comportamento”.
Segundo alguns autores, quando o Professor Ruy Rodrigues da Silva estivera vinculado à ONG PROTESTANTE “CIMADE”, em Paris, na Rua Grenelle, no Quarteirão dos Inválidos, chegou a viajar para Mali, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Moçambique, etc, como Missionário Evangélico Protestante, o que, no entanto, nunca foi confirmado por ele, mas dá para se supor quando se lê o seu livro, especialmente quando fala do protestante Jacques Maury, chegando a dizer: “Jacques é pastor à dimensão humana, apenas um pouco acima da nossa, o que lhe permite ver melhor aquilo que temos dificuldade de descobrir na planície...Ele é e será o primeiro amigo e meu PASTOR PESSOAL, como eu o denomino, com quem me reencontro em Paris”.
Afinal de contas, foram 25 anos de exílio e nestes 25 anos, muita coisa pode ter acontecido.
O capitulo seguinte trata de O EXÍLIO E A ANISTIA. Daí ter escrito: “Todo exílio implica ruptura de projetos, de modos de vida, de relações familiares e sociais, de costumes, valores, cultura, língua e linguagem. É fuga realizada em companhia apenas de lembranças do medo. Cerca de vinte anos flutuei nos ares do mundo e tentei inventar um novo futuro para mim. A anistia não traz esquecimento. É memória restaurada de lutas passadas, de injustiças e perseguições”.
Em LITERATURA, ARTES E CULTURA fala do 1º Seminário de Escritores do Estado do Tocantins, bem como do 1º Festival de Música do Tocantins.
Há outros capítulos interessantes, entre os quais, “O QUE É PRECISO SABER HOJE PARA NÃO MORRER IDIOTA AMANHÔ, “MODERNIDADE-SONHO E REALIDADE”, “PALMAS PARA PALMAS” e o último capitulo “ESTADO TOCANTINS- ESTÓRIAS E HISTÓRIAS”.
O livro, com 112 páginas, tem notas de orelha de José Mendonça Teles e prefácio de Washington Novaes. Mas, seria impossível escrever sobre o livro do Professor Ruy, sem dizer quem é ele. A biografia que segue foi retirada do livro RETRATO DA ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS(Kelps, 2005), de Mário Ribeiro Martins, página 309.
Ruy Rodrigues não é membro titular da Academia, mas é membro correspondente, eleito em 02.03.1991, data de instalação da academia em Porto Nacional, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, ao lado de Carmo Bernardes, Bariani Ortêncio, José Mendonça Teles, Geraldo Coelho Vaz, Francisco de Brito, Nelly Alves de Almeida, Almerinda Arantes, Rosarita Fleury, Áurea Cordeiro, Regina Lacerda, Nice Monteiro, Adão Bezerra Bonfim, João Lima, Jair Martins Júnior, Amália Hermano, Helena Morais, Runy Silva, Célia Coutinho e José Asmar.
RUY RODRIGUES DA SILVA, de Porto Nacional, Goiás, hoje Tocantins, 28.10.1927, escreveu, entre outros, “MIGRATIONS ET DÉVELOPPEMENT”, “EGLISES ET RÉVOLUTION SOCIALE EN AMÉRIQUE LATINE”, “LE DÉVELOPPEMENT-PROCESSUS ET MÉTHODES”, sem dados biográficos completos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos publicados.
Após os estudos primários em sua terra natal, no Colégio dos Dominicanos, partiu para outras plagas. Formado em Filosofia, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Bacharel em Teologia, no Rio de Janeiro, fez-se Padre, retornando logo depois ao seu torrão natal -A VETUSTA E CULTA PORTO NACIONAL.
Como sacerdote que era, também conhecido como PADRE RUY, foi professor em Porto Nacional e também em Pedro Afonso, Goiás, hoje Tocantins, onde morou em 1956, como Diretor do Ginásio Cristo Rei, fundando alí o ESCOTERISMO. Dentro do Grupo Escolar Pádua Fleury, fundou em 1957, o primeiro JARDIM DE INFÂNCIA da região, a que os próprios professores deram o nome de “JARDIM DE INFÂNCIA PADRE RUY”.
Já dispensado dos hábitos religiosos, mudou-se para Goiânia. Em Goiás, foi professor da Universidade Federal de Goiás. Através da instrumentalidade da CADES, fez o curso de Lingua e Literatura Portuguesa, bem como Lingua Clássica e Administração Escolar.
No Governo de Mauro Borges, além de ter sido Secretário da Educação, teria sido, conforme a versão histórica, o pivô da deposição do Ex-Governador goiano, em virtude de sua insistência em mantê-lo secretariando a educação, o que feria os interesses da Revolução de 1964 que considerava o Padre Ruy, como era conhecido, um subversivo.
Já no exílio, durante 25 anos morou em Paris, França, onde também se formou em Sociologia. Com a lei da anistia, retornou ao Brasil, indo para a sua terra natal, Porto Nacional. No Tocantins, foi Secretário da Educação, no Governo de Moisés Avelino, bem como Secretário Extraordinário da Ciência e Tecnologia, do Governo Siqueira Campos, que o conduziu, a partir de 1999, à condição de Reitor da Universidade do Tocantins (UNITINS).
Lamentavelmente, sua biografia aparece sempre incompleta. É que o autor, em seus textos publicados, nunca faz referência ao nome dos pais, dos irmãos e dos filhos.
É estudado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS, de Mário Ribeiro Martins. Encontra-se na ESTANTE DO ESCRITOR TOCANTINENSE, da Biblioteca Pública do Espaço Cultural de Palmas. Biografado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, MASTER, Rio de Janeiro, 2001.
Apesar de sua importância, não é estudado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
Mas é mencionado em todos os livros que tratam do Tocantins e sua história, tais como, entre outros, “DOM ALANO-O MISSIONÁRIO DO TOCANTINS”, de Pedro Pereira Piagem e Cícero José de Souza, “UMA UNIVERSIDADE PARA O TOCANTINS”, de Maria do Rosário Cassimiro, “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”, de Liberato Povoa, “PADRE LUSO-TESTEMUNHO DE UMA VIDA CRISTÔ, de Márcia Costa, “BREVE HISTÓRIA DO TOCANTINS”, de Otávio Barros, “VOZES DA CONSOLIDAÇÃO”, de Luiz de Carvalho, “TOCANTINS-EU TAMBÉM CRIEI”, de José Carlos Leitão, SOCIEDADE TOCANTINENSE, de Rosânia França Sarmento, HISTÓRIA DE PORTO NACIONAL, de Durval Godinho, GEOGRAFIA DO TOCANTINS, de Maria de Lourdes Antonio Cavalcante, CONHECENDO O TOCANTINS-HISTÓRIA E GEOGRAFIA, de Júnio Batista do Nascimento, O DISCURSO AUTONOMISTA DO TOCANTINS, de Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante, FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO ESTADO DO TOCANTINS, de Temis Gomes Parente, HISTÓRIA DA IMPRENSA NO TOCANTINS, de Otávio Barros da Silva.
Não se deve confundir o Padre Rui Cavalcante Barbosa, com o Padre Ruy que é Rodrigues da Silva e que nasceu em Porto Nacional, tendo sido Secretário da Educação, no Governo Mauro Borges, em Goiás.
O Padre Rui Cavalcante, de Corrente, no Piauí(1934), é membro da Academia Tocantinense de Letras, enquanto o Padre Ruy Rodrigues, de Porto Nacional(1927), jamais foi convidado, ou, se foi convidado, não aceitou, o que é lamentável. Foi, no entanto, eleito MEMBRO CORRESPONDENTE, conforme a ATA do dia 02 de março de 1991, quando da instalação oficial da Academia.
De qualquer forma, tanto o Padre Rui Cavalcante Barbosa quanto o Padre Ruy Rodrigues da Silva, ambos são verbetes do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



EXISTE UMA LITERATURA CRISTÃ?

Mário Ribeiro Martins*


A chamada literatura cristã quase sempre faz exposições teológicas ou exortação à juventude sobre os seus problemas característicos. Neste sentido, o escritor sente que tem uma mensagem divina e fala da parte de Deus aos homens.
Quando Deus tem um recado mais direto e mais urgente, como tinha para Belsazar, utiliza dedos de mãos de homem. Curiosamente, entretanto, os escritores chamados cristãos querem escrever como se o fizessem com a mão de Deus.
O mundo carece não de escritores de literatura cristã, mas escritores cristãos de literatura. Carece de literatura de qualidade estética, nas mesmas condições em que escrevem os chamados autores seculares, mas escrita por homens e mulheres de convicção cristã.
A convicção do autor, inevitavelmente, deixa a sua marca sobre a matéria. E nesse sentido, onde estão os romances escritos por cristãos evangélicos com determinados caracteres comuns? Aqueles caracteres encontrados em Jorge Amado, em Mário Palmério, em Ciro dos Anjos.
A vida comum do povo, descrita no seu linguajar, matéria de Jorge Amado, que cria empatia com os capitães de areia e com os pescadores do alto mar. As conversas dos roceiros e figuras da política do interior tão comuns em Mário Palmério. Ciro dos Anjos que reflete a vida nos subúrbios de Belo Horizonte.
Podem alguns pensar que se está mentido quando pessoas imaginárias são criadas pela invenção do romancista. Mas romancear é apenas tornar específico o que está acontecendo genericamente a muitas pessoas. É concentrar e juntar os momentos críticos dessas pessoas e apresentá-las como acontecendo em uma vida só. O mundo carece de escritores que escrevam em “caracteres comuns”.
Quando o chamado evangélico romanceia, o que aparece é um mundo tão pacato quanto o Portugal de um escritor como Júlio Diniz em que tudo é tranqüilo e insípido. Cavalos andam, bondes se movem, navios zarpam e pessoas após pessoas se convertem a Cristo e se consagram ao trabalho cristão.
O mundo de hoje não é assim. É esse tipo de literatura cristã que comete mentira. O mundo de hoje está cheio de vida e violência. É o inesperado que acontece, com uma freqüência espantosa. Os cristãos vivem e se movem num ambiente de assaltos e seqüestros, de desabamentos e incêndios.
Se moram numa favela (e qual a favela sem a sua igrejinha?), a realidade é a devassa policial, capaz de levar inocentes juntos com culpados. É vivendo em meio a todos esses sobressaltos, é enfrentando as dificuldades do trânsito a caminho do emprego, é carregando água na cabeça, para o uso doméstico que o cristão mantém a sua fé. É esse tipo de imagem que deve retratar o romance evangélico. A vida humana está cheia também de paixões e até de perversões.
A própria Bíblia é um livro muito realista: mostra a vida como ela é antes de mostrar o que ela pode tornar-se pela graça divina. Conta os homicídios, a imoralidade de Judá e Rubem , ações desumanas que tiveram lugar nos tempos confusos dos juízes. Casos há em que o mal é reprovado explicitamente, mas nem sempre.
A literatura cristã tem de lançar mão de uma pena de ferro e chumbo para gravar as experiências duras pelas quais passam muitos cristãos. O romance evangélico açucarado pode satisfazer as emoções, mas não exercita a inteligência e nem retrata a realidade do mundo em que se vive.
A pena de ferro está presente em obras como “O Quinze”, “Caminho de Pedra”, “Vidas Secas” e em alguns episódios da trilogia “O Tempo e o Vento”. Há uma realidade a ser focalizada por escritores e romancistas cristãos, com a capacidade imaginativa de entrar na experiência de todos os tipos e qualidades do povo, colocando o cristão como ele é, com seus fortes e fracos, nos inúmeros ambientes em que ele é encontrado, em todas as regiões do Brasil.
Esta realidade da vida é inegável. Afinal de contas os cristãos evangélicos também têm as suas experiências amargas. Eles sabem o que é ser enxotado da casa alugada para a rua ou ser obrigado a comprar mais caro do armazém da fábrica. Tais experiências e muitas outras devem ser romanceadas, numa literatura realista em que se focalize as lutas do cristão evangélico.
São esses cristãos que, muitas vezes, na tentativa de melhorar as condições materiais, têm participado das migrações internas, indo do Nordeste para Minas, São Paulo e Rio, destes lugares para o norte do Paraná, para Brasília e assim por diante.
Quantas experiências têm sido vividas e quantas lutas envolvidas nestas viagens! Mães ansiosas por filhos que adoecem no caminho. Velhos persuadidos a acompanhar filhos, mas mortos de saudade, pelos lugares onde viveram a vida. Aqueles que encetaram uma transferência para o Sul, mas por duplicidade dos organizadores foram parar no Mato Grosso.
São realidades que precisam ser conhecidas em forma de romance, algum “Juca Mulato” do povo cristão evangélico, com criações menos celestes, mas ligadas à vida terrestre de cada dia.
Entrar nas experiências dos homens é uma necessidade urgente da literatura cristã, pois, como disse Soljenitsyn, “a palavra é como arma”. A Carlos Drummond de Andrade, Franz Kafka e Nelson Rodrigues coube a documentação de um mundo que existe na realidade.
Ao escritor cristão evangélico cabe romancear os transes da vida, através de livros reais, terrenos, mas com uma interpretação alegórica, evitando, no entanto, a pregação e o sentimentalismo.(O POPULAR. Goiânia, 02.04.1978).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



FÁTIMA RORIZ E SUAS REFLEXÕES.


Mario Ribeiro Martins*


Uma das coisas mais agradáveis que se pode sentir, é ouvir a Fátima Roriz. Hoje, por exemplo, dia 29.11.2007, em Palmas, na Escola Técnica Federal, ela deu uma amostra de sua categoria.
Era o quase encerramento do fórum PALMAS MINHA CIDADE. Discutia-se a Região Central da Capital, numa realização do Jornal do Tocantins, em parceria com a Prefeitura Municipal e o apoio cientifico do CEULP/ULBRA.
Como diretora da Organização Jaime Câmara no Tocantins, foi-lhe dada a palavra. É impressionante como a Fátima Roriz sabe cativar as pessoas. Suas reflexões são de uma preciosidade tal que eu, pessoalmente, seria capaz de permanecer pela manhã, a tarde e a noite ouvindo-a.
Suas palavras fazem bem ao coração, à alma e ao espírito. Ela não escreve o que vai dizer. Mas diz muito bem. Alias, nem seria necessário outro orador. Ela sozinha preenche os requisitos exigíveis à espécie.
Gosto de ouvir a Fátima Roriz. Ela dá exemplos, cria imagens, é deslumbrante. Sempre que me avisam que Fátima Roriz vai falar, deixo o meu computador, os meus livros que estão sendo escritos, para ouvi-la. E com que prazer o faço.
De suas reflexões, saio enriquecido. Não usa palavras difíceis, mas sua maneira de expressar é extraordinária.
Hoje, por exemplo, quando ela começou a falar, as conversas paralelas que se multiplicavam dentro do Auditório da Escola Técnica Federal de Palmas, desapareceram. Houve silencio absoluto.
Não tem meias-palavras. Dirige-se ao Prefeito, ao Vereador, ao Deputado com aquela sinceridade que lhe é peculiar. Hoje, portanto, foi mais um dia de muita felicidade para o meu coração de 64 anos.
Como já disse isto para ela, pessoalmente, quero agora fazer o elogio de forma pública. Obrigado Fátima Roriz.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



HORÁCIO DE MATOS E
O CAPITÃO MANOEL QUIRINO MATOS.



Mário Ribeiro Martins*




Os descendentes dos MATOS, através do Alferes José Pereira de Matos, vieram do Tijuco, em Minas Gerais, mas eram portugueses de origem. Este Alferes Português veio para Santo Inácio, na Bahia, por volta de 1800, dedicando-se a garimpar DIAMANTES.
Desta Vila Baiana, espalharam-se os seus filhos, dentre os quais, Quintiliano Pereira de Matos(pai de Horácio), Clementino Pereira de Matos(1831-1911) e Canuto Pereira de Matos(1841-1895)-PAI DE MANOEL QUIRINO-, estabelecendo-se todos na região da Chapada Velha, entre Brotas de Macaúbas e Barra do Mendes que, naquela época, formava um só Município, o de Brotas de Macaúbas que tinha cerca de 7.000 km2(sete mil quilômetros quadrados), indo de Morpará(margens do Rio São Francisco) até Barra do Mendes.
É neste contexto que nasce MANOEL QUIRINO MATOS. Nascido na Chapada Velha(entre Brotas e Barra do Mendes), em 1880. Filho de Canuto Pereira Matos. O pai de Manoel Quirino Matos, o Canuto Matos nasceu em 1841 e foi assassinado com 54 anos, no dia 10.02.1895, na Fazenda Milagres, de seu irmão Clementino. Canuto era o comandante das forças da Chapada Velha. Tal foi a brutalidade da morte que Canuto foi enterrado e depois desenterrado para ser queimado e reduzido a cinzas, em 12.02.1895, pelos jagunços remanescentes do grupo derrotado de José da Volta Grande.
Quanto a MANOEL QUIRINO MATOS, além de ter sido Coronel da Guarda Nacional, foi também comerciante bem situado nas regiões de Rochedo(no Município de Morro do Chapéu) e Tiririca do Bode, juntamente com os seus filhos.
Vale lembrar que as patentes de Coronel, Tenente-Coronel e Capitão eram concedidas a homens de notório prestígio e poder financeiro. A famosa GUARDA NACIONAL tinha sido criada em 18.08.1831, durante a Regência Trina Permanente(17.06.1831 a 12.10.1835), logo depois da renúncia de Dom Pedro I. Mas estas patentes foram extinguidas com o passar do tempo e da seguinte forma.
Afonso Pena, como se sabe, governou o Brasil de 15.11.1906 até 14.06.1909, quando faleceu. Foi substituído pelo seu Vice-Presidente, Nilo Peçanha. Este Nilo apoiou Rui Barbosa, mas foi eleito Presidente da República do Brasil, o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca que governou de 15.11.1910 a 15.11.1914.
No início do governo do Marechal Hermes se deu a extinção da Guarda Nacional, consumada em 1911, legando ao Exército a condição de único responsável pela ordem interna do Brasil. Mesmo assim, as patentes continuaram valendo no interior do Brasil.
Em março de 1926, quando Manoel Quirino Matos estava com 46 anos de idade, foi convocado pelo seu primo Horácio de Matos para combater a Coluna Prestes. Observe-se que o Estado-Maior da Coluna, formado de Carlos Prestes, Miguel Costa, João Alberto, Djalma Dutra e mais o jornalista Pinheiro Machado já tinha visitado e tomado café na casa de Manoel Quirino, no Município de Morro do Chapéu.
Apesar de bem recebidos, os elementos da Coluna terminaram por saquear todas as mercadorias da casa comercial de Manoel Quirino, sob a afirmativa: “ISTO É DA GUERRA, BAIANO”.
Debaixo da orientação do General Mariante(Álvaro Guilherme Mariante), REPRESENTANTE DO MINISTRO DA GUERRA, o Coronel Horácio de Matos reuniu 560(quinhentos e sessenta) homens armados para combater a Coluna.
Consoante Jorge Amado, em seu livro CAVALEIRO DA ESPERANÇA, “Horácio de Matos, Franklin de Albuquerque e Abílio Wolney com os seus homens, os três formaram o trio invencível aplaudido pelo Governo de Artur Bernardes, no combate ao giro fantástico da Coluna”.
Quando a Coluna Prestes(que era chamada pelo povo de “OS REVOLTOSOS”) passou por Rochedo(município de Morro do Chapéu), tentando invadir sua Fazenda Pedra Lisa, Manoel Quirino, com poucos homens, provocou baixas tremendas na Coluna, alcançando com isto muita fama. De qualquer forma, a Coluna alcançou Tiririca do Bode e invadiu Barra do Mendes(27.03.1926), prosseguindo sua viagem.
Manoel Quirino continuou ao lado de Horácio de Matos, organizando batalhões de voluntários e dando apoio logístico aos combatentes. Foram estes Batalhões que perseguiram a Coluna Prestes(os revoltosos) pelo Estado de Goiás e Mato Grosso até a fronteira da Bolívia, em La Guaiba, o que ocorreu por volta de janeiro de 1927, já sob o governo do Presidente Washington Luis que tinha tomado posse no lugar do Presidente Artur Bernardes.
Manoel Quirino Matos, no entanto, não tinha espírito muito belicoso e por isto permaneceu na região da Chapada Diamantina cuidando de suas roças, de seu comércio, de seus filhos e dos negócios da família, não mais se tendo notícia dele. Não se deve confundir este baiano Manoel Quirino Matos, com o também baiano de Santo Amaro, Manoel Quirino(1851-1923) que foi jornalista, escritor, artista plástico e historiador.
Apesar de sua importância, Manoel Quirino Matos não é mencionado no livro BAIANOS ILUSTRES(1979), editado pelo Instituto Nacional do Livro, de Antonio Loureiro de Souza(aliás, nenhum dos Matos, inclusive Horácio) e nem é estudado no “DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO”(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
Não é citado em CANGACEIROS, COITEIROS E VOLANTES(1998), de José Anderson Nascimento, bem como não é encontrado em O DICIONÁRIO DE FAMÍLIAS BRASILEIRAS(2001), com 4(quatro) volumes gigantes, de Carlos Eduardo de Almeida Barata e Antonio Henrique da Cunha Bueno. Mas é mencionado no livro MONTALVÃO(1962), de Américo Chagas, bem como em JAGUNÇOS E HERÓIS(1962), de Walfrido Moraes. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



HORÁCIO DE MATOS E
O MAJOR MOTA COELHO.



Mário Ribeiro Martins*



Em princípio de 1920, Horácio de Matos com 38 anos de idade, ocupou a cidade de Lençóis que era, então, a mais importante cidade da Bahia, depois de Salvador. Seu objetivo, ao ocupar Lençóis, era fazer dali um ponto de apoio para invadir Salvador, a Capital da Bahia.
O Deputado Manoel Alcântara de Carvalho, seu amigo, havia guardado em casa, na cidade de Lençóis, “munição” suficiente para dar 125(cento e vinte e cinco) mil tiros, caso Horácio de Matos precisasse deste armamento.
Ocorreu que, sabedoras deste fato, as forças governamentais prepararam um atentado contra a vida do Deputado Manoel Alcântara de Carvalho, em 16.10.1922. O responsável pelo atentado foi exatamente o Major João da Mota Coelho que era, naquele momento, o Capitão Comandante da Companhia Regional da Policia Baiana e que tinha o apoio do Juiz Nicolau e do Promotor Nilo Liberato Barroso.
O Juiz Nicolau e o então Capitão João da Mota Coelho foram expulsos da cidade, no dia seguinte, acompanhados do Sargento João Antonio, conforme noticiado pelo jornal A TARDE, de Salvador, do dia 14.11.1922. O Capitão foi promovido a Major e o Sargento promovido a Tenente.
Pois bem, é este Major João da Mota Coelho que, recebendo ordens do governo da Bahia, projeta invadir Lençóis, tirar a vida de Horácio de Matos e dar posse ao novo Delegado OTÁVIO PASSOS nomeado pelo governo baiano.
No dia 17.01.1925, as Forças do Governo começaram a penetrar em Lençóis por um dos povoados garimpeiros, o chamado “MEIO DO MUNDO” que não era outra coisa senão um conjunto de “Canions” na estrada entre Andaraí e Lençóis.
Perto dali, em Wagner, antiga Cachoeirinha ou Ponte Nova, Horácio de Matos tinha um inimigo, o Coronel Antonio Ribeiro que ajudara o Major Mota Coelho na sua marcha sobre Lençóis.
No dia 17.02.1925, o Major João da Mota Coelho, Comandante da Companhia Regional da Força Baiana combina com o Tenente João Antonio para atacarem de surpresa a cidade de Lençóis.
A combinação era que o Tenente soltasse foguetes quando estivesse pronto com o seu grupo para atacar. Como os foguetes não pipocaram, o Major Mota Coelho resolveu invadir a cidade com os seus homens, totalmente desguarnecido.
Logo se encontrou com Horácio de Matos e seus homens. O tiroteio foi intenso. Horácio enfrentou o Major Mota Coelho cara a cara, atirando e se escondendo. Gravemente ferido, o Major Mota Coelho caiu morto. Seu corpo foi levado pelos homens de Horácio, a pedido seu, para a Intendência Municipal, onde foi velado e depois sepultado no fim do dia(17.02.1925), no Cemitério de Lençóis.
O Major Mota Coelho tinha 50(cinqüenta) homens. 10(dez) foram mortos. 10(dez) feridos e três(3) presos. Os demais fugiram. Horácio teve 5(cinco) mortos e 6(seis) feridos.
Diante destes fatos, o governo estadual da Bahia recuou e mandou uma Comitiva assinar o CONVÊNIO DA PAZ, também chamado de CONVÊNIO DE LENÇÓIS, acordo assinado entre o General Alberto Cardoso de Aguiar, Comandante da Quinta Região Militar e o Coronel Horácio de Matos, quando da chamada Revolução Sertaneja.
A dita Comitiva reuniu-se num lugar neutro, na cidade de Mucujê e era assim formada: Deputado Federal Francisco Rocha, representando o Presidente Artur Bernardes. Secretário do Interior e Justiça Bráulio da Silva Xavier, representando o Governador Góis Calmon.
Quanto ao Major João da Mota Coelho, no DIÁRIO OFICIAL do Estado da Bahia, no dia 18.03.1925, foi publicada a sua promoção POST-MORTEM, ao posto de CORONEL, atribuindo aos seus herdeiros o uso das vantagens respectivas. Assim, ele não chegou ao posto de GENERAL. A promoção foi assinada pelo Governador Góis Calmon(Francisco Marques de Góis Calmon) e pelo Secretário de Polícia João Marques dos Reis.
Mas a morte do Major João da Mota Coelho, na entrada de Lençóis, no dia 17.02.1925, terminou trazendo conseqüências sérias para Horácio de Matos. É que a viúva do Major responsabilizou Horácio por sua morte. Assim, pediu que seu tio Manoel Dias Machado, conhecido como José Machado, contratasse o PISTOLEIRO Vicente Dias dos Santos para matar Horácio.
Já tinham se passado cerca de 6(seis) anos, quando no dia 15.05.1931, no Largo do Acioli, em Salvador, ao passar, descuidado com a filha Horacina(do casamento com Augusta), de seis anos de idade, pela mão, recebe três(3) tiros de revolver, pelas costas, disparados por Vicente, vindo Horácio de Matos a falecer em virtude destes tiros, com 49 anos de idade.
O criminoso Vicente Dias dos Santos foi CONDENADO pelo Júri, em Salvador, no primeiro julgamento, a 21(vinte e um) anos de prisão. Mas no segundo julgamento, 2(dois) anos depois, foi ABSOLVIDO. Algum tempo depois, intoxicado por arsênico, na água que bebia, foi internado no Hospital Militar de Salvador, onde morreu.
Apesar de sua importância, o Major João da Mota Coelho não é mencionado no livro BAIANOS ILUSTRES(1979), editado pelo Instituto Nacional do Livro, de Antonio Loureiro de Souza e nem é estudado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001, ou no “DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO”(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
Não é citado em CANGACEIROS, COITEIROS E VOLANTES(1998), de José Anderson Nascimento, bem como não é encontrado em O DICIONÁRIO DE FAMÍLIAS BRASILEIRAS(2001), com 4(quatro) volumes gigantes, de Carlos Eduardo de Almeida Barata e Antonio Henrique da Cunha Bueno. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



IGREJA E ESTADO NA ESPANHA


Mário Ribeiro Martins*

Recente viagem à Espanha(1973), para um curso de aperfeiçoamento nas áreas de Educação e Sociologia, na cidade de Madrid, durante alguns meses, fez-nos chegar à conclusão de que um dos temas que ocupa o primeiro plano na sociedade espanhola da atualidade é o das relações entre a Igreja e o Estado. Não se trata de uma separação entre as duas instituições espanholas, o que dificilmente ocorrerá, mas de um reatamento de relações entre o Estado espanhol e o Vaticano.
Há cerca de seis meses as autoridades eclesiásticas e governamentais realizam negociações neste sentido, daí uma série de fatos que mostram com clareza a tendência da harmonia. O que importa, no entanto, é saber quais as vantagens ou desvantagens deste acontecimento para a proclamação do Evangelho. Na situação presente as forças estão divididas e isto para o evangelismo espanhol significa portas abertas de ambos os lados.
Um fato que merece destaque especial é a declaração programática do governo no dia 14 de junho de 1973, através do Almirante Carrero Blanco, morto em atentado no fim do ano passado: "O governo inspirará suas relações com a Santa Sé nos sentimentos de afeto filial à Igreja Católica e no reconhecimento de sua missão espiritual afirmando solenemente o princípio da recíproca independência entre a Igreja e o Estado e da leal colaboração entre as duas supremas potestades".
Estas palavras revelam que o reatamento de relações não será o melhor para o evangelismo espanhol. Pode-se pensar, é verdade, que o reatamento implicará na aceitação, por parte da Igreja Católica Espanhola, dos princípios básicos do Concílio Vaticano II. Para uns, esta aceitação dos ensinamentos conciliares trará uma nova abertura no catolicismo espanhol. Para outros, nada significará em termos de propagação do Evangelho.
O fato é que no dia 20 de julho, perante as Cortes Espanholas, o presidente Carrero Blanco afirmou: "O Estado espanhol desejoso de que suas relações com a Igreja Católica tenha um marco ajustado às exigências da era presente, tem renovado em data recente o oferecimento feito em 1968 por Sua Excelência o Chefe do Estado a Sua Santidade o Papa para uma revisão e fim da vigente concordata, com o objetivo de aperfeiçoar, depois do Concílio Vaticano II e no marco de nossas Leis Fundamentais, as relações entre a Igreja e o Estado espanhol".
O problema consiste em saber quais os pontos do Concílio Vaticano II que a Igreja Católica da Espanha estaria disposta a aceitar. Daí as espressões de Carrero Blanco: "Todas as negociações concordatárias entre Espanha e Santa Sé têm durado vários anos e sempre é bom pensar que podem surgir dificuldades e obstáculos de muito peso".
Numa carta dirigida ao Chefe do Estado espanhol, no dia 31 de julho de 1973 o Papa Paulo VI expressou "o fervente desejo de que a Igreja da Espanha em consonância com sua própria missão e incumbência possa cooperar com o Estado para o bem comum do povo espanhol".
É provável que a prisão do bispo de Bilbao, depois de suas declarações em favor de mais liberdade para as populações bascas, venha diminuir estes contatos e contribuir para a preservação do "status quo" entre a Igreja e o Estado. A continuação desta situação de distância entre as duas intituições é, de algum modo, benéfica para o evangelismo espanhol que continuará realizando o seu trabalho sem a preocupação do Estado e da Igreja, brigados entre si e voltados para os seus intrincados problemas.
(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 05.05.1974).

MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



IOGA: RELIGIÃO OU TERAPIA?


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).

Mário Ribeiro Martins*



Posta em prática pelos iogues, a Ioga consiste numa concentração espiritual extraordinariamente fabulosa, sendo a forma de união com Deus através da contemplação e da austeridade ascética. Pela concentração, o iogue atinge o êxtase religioso e nele fica imerso. Alheio a tudo que possa acontecer, permanece imóvel, chegando a um estado especial de transe através de uma série de exercícios.
Vivendo praticamente de esmolas, os iogues perambulavam pela Índia e na época filosófica da Religião hindu, entregavam-se à meditação à sombra das árvores. Colocavam-se em posição estática, cruzavam suas pernas e fixavam o olhar em contemplação, habitando de preferências as florestas. Talvez, por isso, muitos tenham sido devorados pelas feras, enquanto outros morreram de fome.
Conta-se até que Alexandre Magno, ao invadir a Índia, com os seus exércitos, foi surpreendido pela indiferença dos iogues que, apesar dos horrores da guerra, permaneciam imóveis e de olhar fixo. De modo geral, os iogues dos dias atuais continuam usando a mesma contemplação e as mesmas posições, não se devendo confundí-los com os faquires, pois estes são muçulmanos, enquanto aqueles são hindus.
Conforme aquilo que os iogues praticam e ensinam, a Ioga não é ser nem realidade. Não é ser absoluto, nem é ser relativo. Não é essência, nem existência. Não é pensamento e não raciocina. Não julga, não apresenta erros e não promove verdade. O iogue não se aceita a si mesmo como nasceu.
A Ioga, portanto, é uma prática, uma preparação para o que podemos vir a ser por obra própria. Uma carreira, ao mesmo tempo campo de ação e tarefa. Uma audácia, isto é uma temeridade por entre riscos temíveis. Uma ginástica, muito mais do que um culto.
O iogue é voluntariamente um desportista ascético. Não é libertino, mas também não é um beato. Nada espera de ninguém e por isso a sociedade para ele, não constitui nem perigo e nem ajuda.
Vontade e vida é a Ioga. Nela se deve considerar não a verdade, mas a autenticidade. A verdade é lógica; a autenticidade é critério supremo. Não é nem o verdadeiro, nem o real, mas sim o espontâneo, que sendo explorado e praticado, torna-se teórico e clássico.
A ioga explora e determina comportamentos sendo extremamente psicofisiológica. A própria raiz da palavra - YUJ - quer dizer juntar. Ioga é junção. Então, o iogue é junto, mas junto não ao primitivo, mas em si absolutamente. Nada há de social na Ioga, embora no hinduismo social a parte da Ioga seja tão grande e tão constante que muitos chegam a pensar ser a Ioga o fundo da cultura hindu.
Enquanto o Jainismo e o Budismo, por exemplo, são sistemas religiosos, a Ioga é um sistema de treinamento. Continua o jainismo no seu local de origem preservando as reminiscencias do Zoroastrismo após vinte e cinco séculos. O Budismo, por outro lado, está não muito distante do jainismo, daí a afinidade entre as posições iogues, budistas e jainistas.
A Ioga reconhece que não há redenção sem esforço e sem ela mesma. Sua teologia é individual e não coletiva. É fervor da seita, mas não é a tradição da casta. Modela o indivíduo, enquanto a seita, com sua teologia, arranca a pessoa do seu meio. A Ioga fez o misticismo da Índia, porém a teologia dos brâmanes fez a vida religiosa. A casta, com sua teologia, é uma colmeia, enquanto a seita é um partido.
A Ioga, no entanto não é seita nem casta. O Dharme regula a casta, mas a ioga é a inspiradora da seita. À medida que o individuo se aproxima da ioga esquece sua casta. O emprego da ioga pelos brâmanes fez surgir o Bramanismo, mas este existe sem ioga e ela sem ele.
A ioga indu está ligada à seita e não à casta, daí ser desbramanizada, enquanto a ioga brâmane é bramanizada. Apresenta-se diferente da Sankhya, pois se esta é mais teoria, aquele é sobretudo prática. O budista só se aproxima da ioga para se tornar lúcido, pois considera a ioga um meio e não um fim.
A Ioga Tântrica, por exemplo, apresenta aspectos interessantes. Os Tantras eram tratados sectários de ritual e liturgia. Eram chamados Samhita no culto Visnu e Agama no culto Shiva. Tratavam de Ioga sexual, sem a intenção de corromper.
A Ioga, na sua relação com a teologia do ocidente, representa o desconcerto ocidental por ser este racionalista. Embora o ocidente tenha feito muitas críticas ao mistério iogue, a ioga revelou à ciência ocidental fatos insuspeitos. Perante uma Junta Médica de Paris, por exemplo, ficou provado pelos iogues que as duas vias de evacuação de que dispõe o corpo humano podem ser utilizados como meio de absorção.
Foi na segunda metade do século XIX que surgiu o mais poderoso iogue que merece a consideração universal. Trata-se de Ramakrisma, senhor do seu pensamento, cheio de audácia e desafio. Gandhi, não sendo de casta elevada, foi iogue pela insuperabilidade da sua virtude e pelo seu devotamento. Sofreu pelo gênero humano e pelos adversários. Não era, portanto, um hindu típico e integral. Tinha sobre si a cultura ocidental, mas era iogue da Pátria, como só se vê em Joana d’Arc.
Aurobindo Ghesh, o sábio de Pendicherry, foi o último iogue de reputação universal. Ampliou a palavra Ioga ao campo dos excessos. Chegou a declarar que toda especulação, mesmo desinteressada, como também todo dever, é ioga. Veda e o Bramanismo, valores bem indianos, deveriam ser como que exteriores ao domínio dos próprios iogues.
Assim como a Índia teve os seus iogues, o Irã teve os seus derviches. Eram os místicos do Irã muçulmanizado. Os derviches, conforme alguns, tratam de superar a consciência por frenética rotação. É uma espécie de embriaguês obtida por torvelinho. A consciência se recusa a pensar, antes exulta, enlouquece e o corpo se abate, vítima de uma crise nervosa. O Cufismo, por outro lado, é uma mística do amor divino, completo devotamento a Deus, não como cadáver, mas como Dasa, escravo, pois a escravidão é a renúncia alegre de si próprio.
O iogue não se interessa nem pela natureza nem pela sociedade. Seu mundo é seu corpo. Não emite nem postula qualquer juízo. O Taoismo, distintamente da ioga, alimenta seu vigor com elementos naturais. Vive na claridade, medita sobre a modéstia absoluta. A ioga, porém, dá ênfase à respiração, enquanto no Taoismo prepondera a meditação.
O método iogue apresenta duas faces: exercício assíduo e desapego. O primeiro torna permanentes as disposições para a imobilidade; o segundo é o domínio consciente daquilo que se desembaraçou de toda a concupiscência. A disciplina interior, por sua vez, compreende a fixação da atividade mental sobre um determinado lugar, como, umbigo, ponta do nariz; o recolhimento do pensamento por colocação nesse lugar escolhido e fixado da representação de um objeto a contemplar; concentração perfeita do pensamento por absorção na intenção objetiva, o que se dá esvaziando a consciência subjetiva.
Entre as posturas da meditação, destacam-se: Atmam, o Ser, a centelha da vida; Ahisma, não violência, uma das virtudes; Asana, postura para meditação, terceiro grau da ioga; Ananda, felicidade absoluta; Avidya, o véu da ignorância; Bhujangasana, flexões dorsais movendo a cabeça; Sandan, árvore do Sândalo; Dhanurasana, postura do arco; Dharana, concentração, sexto grau da ioga; Dharma, destino; Dhyana, meditação sétimo grau da ioga.
Somente depois de estudar a Ioga quanto à história, desenvolvimento, aplicação e diferenças é que se pode responder à pergunta: Religião ou Terapia? A ioga não é crença, mas poder. Não se recusa a associar-se a um culto para fortalecê-lo. É frenesi vital condicionado por um bloqueio de pensamento. A eficiência proporcionada pela ioga recompensa o esforço confiante, robusto e heróico do místico.
A ioga não é fé, mas fornece critério de positividade na eficiência. Não é uma religião idônea para uma certa camada da sociedade, mas é uma vocação, um esporte severo onde abundam os terríveis critérios de incansável energia. Na ioga nada há para crer, nem para saber, mas há provações na solidão absoluta.
Ocasionalmente a ioga tem sido devoção e tem incitado devoção por toda parte. Nunca teve o prestígio do sagrado, porque também nunca foi rotina. Seu prestígio está situado na inovação indefinida. Decide a sorte do individuo, sem instigação social. É uma engenharia de biologia individual e não fanatismo social.
O passado da ioga é bastante rico e por isto não pode ser confundida com as práticas bárbaras dos povos considerados primitivos. A ioga apresenta interesse para a Antropologia, mas pertence à História e tem localização Geográfica. É um exercício e como tal, visa a terapia física e espiritual.
Como milenar ciência da Índia, não é meramente uma ginástica, em termos ocidentais, que consiste num treino sistemático do aparelho locomotor. A ioga atua sobre o aparelho locomotor, age sobre o sistema endócrino, estimulando a conexão do sistema nervoso central com o nervoso vegetativo.
Embora tivesse chegado na Índia impregnada de Hinduismo, a Ioga, contudo, não é uma religião. No entanto, qualquer que seja o credo é vitalizado e dinamizado pela ioga. O individuo ou o iogue é conduzido a um notável grau de conhecimento de si mesmo e ao domínio da própria personalidade, através da prática da ioga.
Há dois aspectos apresentados pela ioga: o aspecto científico, de técnicas, de exercícios físicos, psiquicos e os resultados deles provenientes; o aspecto especulativo, de explicações, de interpretações de fatos e de experiências.
É pelo lado do aspecto especulativo que se encontram as divergências entre a Filosofia Cristã e a Ioga. E esta divergência ainda é mais acentuada pela diferença de lingua e tradição cultural que constituem o berço do sistema ioguístico. De qualquer modo, a ioga promove a união de duas civilizações completamente diversas.(O POPULAR, Goiânia, 06.03.1977).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


JORGE AMADO E O
"COLÉGIO ESPERANÇA"



Mário Ribeiro Martins*


Quando aparece, nas notas biográficas do ilustre escritor baiano Jorge Amado, o nome simples, mas expressivo do "Colégio Esperança", como um daqueles educandários onde ele iniciou seus estudos, e cujos conhecimentos constituíram o fundamento para a formação do romancista internacional que é hoje, não passa pela mente do leitor qualquer vinculação do referido colégio com o evangelismo nacional, mesmo porque nenhum pormenor é dado sobre a mencionada instituição.
No entanto, o "Colégio Esperança" está intimamente relacionado com a história da educação batista no Brasil. Três anos após a formatura de Gilberto Freyre(1917) no Colégio Americano Batista Gilreath, em Recife, Pernambuco, Jorge Amado tornava-se aluno do "Colégio Esperança", cuja história não é tão longa e tão significativa quanto à da instituição fundada por W. H. Canadá, no dia 10 de março de 1905, mas mostra a visão dos pioneiros batistas, a influência protestante no país e principalmente a contribuição batista para o desenvolvimento da educação no Brasil.
Grandes nomes da vida nacional passaram pelos colégios protestantes e particularmente batistas e deles receberam contactos e tendências que lhes enriqueceram a vida e o conhecimento da natureza humana, no sentido das relações dos homens com Deus e com o Cristo dos Evangelhos. Aliás, o próprio Gilberto Freyre, falando sobre os vários colegas com que associou e com os quais fez, na convivência colegial, amizades que se prolongaram tempo afora, disse:
"Entre eles, Fernando Wanderley (médico), Edgar Ribeiro de Brito - filho do então Senador Ribeiro de Brito - Natanael Fonseca, José Ermírio de Moraes (industrial e Senador), os dois Sá Carneiro, os três Lima Cavalcanti, Saturnino de Brito Filho - filho do grande engenheiro Saturnino de Brito que dotou a cidade do Recife de pioneiro e moderno sistema de saneamento - vários Guedes Pereira - filhos de fazendeiros da Paraíba, de um dos quais me tornaria genro - Ivo Araújo, Jorge e José Tasso, os irmãos Vila, filhos do então médico da Great Western, Dr. José Ignácio Vila. (Gilberto Freyre, "Recordação do Colégio", in Diário de Pernambuco. Recife, 10 de novembro de 1974, p. 14).
Clara Lynn Williams, escrevendo a História dos Batistas Sergipanos, declara: "Parece-nos que a primeira escola em Sergipe fundada pelos batistas foi mais ou menos em 1920, em Estância. A escola teve o nome de `Colégio Esperança`, e foi dirigida pelo Prof. Azarias Santos. Essa escola tinha aulas de Inglês e Francês, bem como um internato masculino. Tinha grande conceito, mas com a morte de D. Belarmina, esposa do Prof. Azarias, teve de fechar, causando assim grande prejuízo para a educação no interior. O escritor Jorge Amado foi aluno desta escola" (Clara Lynn Williams, HISTÓRIA DOS BATISTAS SERGIPANOS, 1913 a 1971. Trabalho mimeografado. Aracaju, 1971, p. 15).
De modo geral, os colégios batistas organizados naquela época eram destinados aos filhos dos crentes ou considerados instrumentos para a evangelização. Conforme A. R. Crabtree, o Colégio Batista do Recife, por exemplo, fora organizado ao lado do Seminário "para ensinar os filhos dos batistas" (A. R. Crabtree, Baptists in Brazil. Rio de Janeiro: Baptist Publishing House, 1957, p. 159).
É provável, portanto , que o "Colégio Esperança" também tenha sido fundado com esta finalidade, aliás, é o que deixa transparecer Clara lynn Willilams, ao argumentar: "Desde o princípio do trabalho batista em Sergipe que houve um grande interesse pelo sentido e importância da educação. Os novos convertidos tiveram sempre grande desejo de ler a Bíblia e servir na liderança da Igreja. Os filhos dos crentes que estudavam nas escolas públicas ou particulares às vezes eram criticados e tinham que aprender uma doutrina contrária à cristã" (Clara, Batistas Sergipanos, p. 15).
Vê-se, portanto, que o ilustre baiano, Jorge Amado, autor de "ABC de Castro Alves" e outras preciosidades, foi também aluno de um colégio tipicamente protestante na década de 1920, e dele recebeu as primeiras orientações para enfrentar o futuro que lhe seria tão promissor e tão dignificante. (JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 25.10.1972).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com





JOSÉ PIANI: SUA ABJURAÇÃO.


Mário Ribeiro Martins*


Foi no domingo 30 de outubro de 1904, que o JORNAL DO RECIFE publicou o convite de W. H. Canadá para a solenidade do batismo do ex-padre José Piani. Nesta mesma ocasião foi publicada a sua abjuração, com o seguinte título: "Depois de ter vestido batina, na Igreja de Roma, baptiso-me na Igreja Baptista".
Ao libertar-se franca e publicamente dos dogmas e formalidades da Igreja Católica, José Piani contou seu drama espiritual:
"Frequentando o Curso Normal em Turim tinha de quando em quando de assistir a explicação do Novo Testamento, porém a minha vida estava longe de Deus... Agora, pela primeira vez, deu-me um certo desejo de lêl-o e investigal-o... Admirei-me muito percorrendo aquellas linhas ainda completamente novas, de não poder encontrar nenhuma palavra siquer, que se referisse à confissão auricular - Confissão dos Padres - e a minha atenção pousou muitas vezes n`aquellas palavras: "Serão perdoados os pecados a quem perdoardes que incluem, em si mesmas a unica autoridade de pregar o Evangélho, no qual somente se acha o perdão dos pecados."
Mais adiante argumentou ele: "A minha tristeza augmentava porquanto cahia a maior fortaleza, na qual pousava a minha esperança... É impossível descrever as luctas da minha alma; li e reli as mesmas palavras, quiz esquecel-as, quiz sophismal-as; mas não pude... passou a confissão e só procurei viver uma vida habitualmente fria... Começou uma procissão de padres e de leigos para incitar-me a regenerar-me na Lavragem Suja (sic) da confissão... Deram queixa ao meu confessor... Depois de taes protestos humilhei-me, ainda umas duas vezes, para satisfazer a tantos pedidos e para tirar o ESCANDALO ENORME" (O grifo está no original).
No mesmo documento, disse; "N`uma velha Bíblia da Biblioteca Salesiana, e por isto não suspeita, achei a Condemnação de muitas teorias... N`uma pequena contenda produz ao antigo Diretor do Colégio Salesiano, que me deixasse sahir... Longe da cidade e de temores inúteis comecei um profundo estudo da religião protestante baseada na Bíblia, o único livro, sem abuso, sem absurdos... Nesse livro somente achei quanto precisava a minha alma... Porque baptiso-me na Igreja Baptista? Baptiso-me para a manifestação da minha crença, da minha fé em Christo, pois não é bom ficar escondido... Porque me Baptizo? Si um só seguisse o meu exemplo, ou para melhor dizer, si um só procurasse a Christo eu já estaria satisfeito.
Mas, porque na Igreja Baptista? Nos primeiros séculos da Igreja de Roma baptizava-se só por imersão e isto é conforme ao ensino da Bíblia segundo significado da palavra BAPTISAR e a prática dos Apóstolos... Baptistas, são os que sustentam fundamentalmente o baptismo por immersão, e rejeitam o das crenças e incrédulos... eu tenho a mesma crença, por isso baptiso-me na Igreja Baptista. Envergonhar-me-hei? Nunca!! Temerei? De que? Não cuido no que me podem fazer os homens, nem no que podem pensar de mim; e quando queiram saber mais, saibam que a minha conversão ao Evangélho teve ocassião na perseguição de Cortês... pelo padre Vaga-lume e na apostasia injustificável do Sr. A. Campos... Sei que esta publicação vae susceptibilizar e indignar a muitos, sei que não deixarão de aflingir-me, de injuriar-me; mas Deus é sobre todas as cousas e a verdade antes de tudo..." (José Piani, "Abjuração," Jornal do Recife, XLVII (Domingo, 30 de outubro de 1904, 2 ).
No jornal seguinte, respondendo às críticas do diretor do Colégio Salesiano. José Piani deu ligeiros detalhes de sua vida: "Quando eu residia em S. Benigno Caravese... estudei o curso de Theologia... Tendo, pois, desde então desejo de sahir dos Salesianos, fui prestar o exame para entrar no Seminário de Brescia, recebendo a tonsura, deixando porem tudo, decidi-me a prestar o exame de official no exercito italiano. Voltei a Turim, abandonei tudo para continuar Salesiano e parti para o Brasil como missionário." (José Piani, "Resposta ao Sr. Diretor do Colégio Salesiano," Jornal do Recife, XLVII, Quinta-feira, 3 de novembro de 1904, 2.)
(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 01.10.1972).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




JUERP: UMA IMAGEM DE GINSBURG.


Mário Ribeiro Martins*

A obra extraordinária que realiza a Junta de Educação Religiosa e Publicações (JUERP), entre os batistas brasileiros, não merece dúvida. Centenas de igrejas, caracterizadas pela estabilidade doutrinária, são o resultado de um trabalho cuidadoso e sincero desta junta.
Alcançando os pontos mais distantes do país, a JUERP através de sua literatura diversificada leva informações, cultura, doutrina e especialmente mensagens de vida eterna.
Sobre O Jornal Batista, por exemplo, uma das produções da referida junta, disse o jornalista Alberto Cunha Melo, do Jornal do Comércio do Recife: “É um jornal muito simpático, atualizado e dentro dos padrões jornalísticos modernos.”
Tudo isto faz lembrar o ideal de Salomão L. Ginsburg, nos idos de 1906. Consciente do trabalho incomparável que poderia ser feito através da literatura e da imprensa, dedicou boa parte do seu tempo a este mister. Aliás, jamais viveu separado da imprensa. Tinha o hábito de escrever e publicar. Embora houvesse a Casa Publicadora Batista no Rio de Janeiro, gostava de trabalhar na arte de imprimir.
Apresentando seu relatório à Junta de Richmond, acentuou: “Ao lado das excelentes publicações que recebemos do Rio de Janeiro, temos publicado alguma coisa importante, que tem sido usada pelo Senhor. Uma das mais úteis tem sido nosso pequeno jornal bimensal - O Missionário. Cartas têm vindo de todo o Brasil pedindo mais literatura, mais informação sobre o Evangelho e algumas solicitando visita de alguém, como resultado da atuação deste pequeno jornal. Temos publicado alguns folhetos, um pequeno manual para o trabalho da União Batista de Jovens e um boletim ocasional sobre nosso trabalho de missões estrangeiras - tudo muito necessário e apreciado” (Salomão L, Ginsburg, “Sixty-fourth Annual Report of the Foreign Mission Board - Report of the Pernambuco Baptist Mission.” Annual of the Southern Baptist Convention, 1909 Nashiville, Tenn.: Marshall & Bruce Company, 1909, p. 89).
No mesmo documento, informou: “Nós precisamos de literatura boa, sadia, literatura batista. Este ano esperamos introduzir muita coisa boa nos corações dos jovens e também nos corações das igrejas” (Ibid, p.93).
Não é este também, porventura, o ideal da JUERP na atual conjuntura batista brasileira? Em outra ocasião, escreveu Ginsburg: “O Senhor tem também provado seu poder graciosamente usando nossos fracos esforços em conexão com a IMPRENSA, abençoando muito mais longe do que esperamos como também os tratados que nós distribuímos mensalmente” (Salomão L. Ginsburg, “Sixty-second Annual Report of the Foreign Mission Board - Report of the Pernambuco Baptist Mission.” Annual of the Southern Baptist Convention, 1907 Nashville, Tenn.: Marshall & Bruce Company, 1907, p. 88).
Mais adiante, disse ele: “No começo de 1906, nós colocamos um anúncio em vários jornais, oferecendo enviar grátis certos de nossos tratados para alguém que os desejasse. Como resultado, pedidos tem vindo de todas as partes do Brasil. Com cada tratado, enviamos um catálogo de Bíblias e Testamentos que vendemos, e depois de ler os livros oferecidos, muitos tem escrito pedindo Bíblias e Evangelhos. Assim a luz está penetrando em regiões onde o missionário não tem possibilidade de entrar” (Ibid).
É provável que a JUERP faria muito mais, se ocorresse o que disse A. B. Deter, em 1907: “Nosso trabalho de publicação tem sido grandemente abençoado este ano. Nós tivemos a cooperação de CADA MISSIONÁRIO, CADA IGREJA, e CADA PASTOR BATISTA no Brasil” (A. B. Deter, “Sixty-second Annual Report of the Foreign Mission Board - Report of the Brazilian Baptist Publishing House.” Annual of the Southern Baptist Convention, 1907 Nashville, Tenn.: Marshall & Bruce Company, 1907, p. 101)(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 22.10.1972).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




LEITURA: UM HÁBITO NECESSÁRIO

Mário Ribeiro Martins*


É inegável o esforço da Junta de Educação Religiosa e Publicações (JUERP) em favor da leitura. A contribuição para a formação desse hábito salutar tem sido um dos pontos altos da referida Junta, através de excelentes campanhas especiais. A realização de concursos literários e a publicação dos trabalhos premiados, têm, entre outros objetivos, o de estimular a leitura sadia de obras selecionadas.
As campanhas de descontos especiais realizadas no mês da literatura (julho), com todas as facilidades possíveis, têm, em última análise, a finalidade de dar o ensejo aos crentes, principalmente batistas, de ler bons trabalhos no campo histórico, teológico, poético, romântico, apologético, homilético e doutrinário, entre outros.
Por falar em doutrina, a falta de leitura e a ignorância dos princípios elementares de Administração Eclesiástica fizeram com que uma igreja no “Leão do Norte”, orientada por seus diáconos (destituídos dessa leitura elementar), escrevesse a uma Instituição Teológica solicitando que esta convocasse um Concílio para a consagração do seu futuro ministro.
A resposta não poderia ter sido outra, senão esta: “Quem convoca Concílio é Igreja e não Seminário”.
Estas e outras ainda ocorrem hoje, apesar de todas as tentativas de melhorar o índice de conscientização doutrinária e eclesiástica de algumas comunidades batistas e muito mais, apesar das centenas de títulos de diferentes livros, sobre os mais diversos assuntos, colocados pela JUERP à disposição das igrejas, membros, oficiais e líderes.
Às vezes ocorrências, como a mencionada acima, ainda se tornam mais calamitosas pelo fato de os líderes se entenderem auto-suficientes (embora distanciados da leitura), o que é deveras lamentável e demonstra a falta de humildade cristã para aprender.
O fato é que a leitura, em algumas das nossas comunidades eclesiásticas, quando muito, resume-se apenas à Bíblia.
As bibliotecas de algumas das nossas igrejas permanecem anualmente fechadas, apesar dos livros que lá estão prontos à orientar sobre como convocar um Concílio e outros aspectos da vida batista.
O desprezo à leitura não existe somente entre os membros de algumas das nossas igrejas, antes é um problema nacional. Só que os membros de uma igreja têm maior responsabilidade, porquanto foram despertados da inércia e possuem (pelo menos devem) uma outra visão do homem e suas potencialidades.
Como questão nacional, o desprezo à leitura é uma decorrência do nosso antigo sistema educacional: ler para decorar. Aliás, o livro no Brasil, em grande escala, ainda é funcional: existe como manual. Às vezes é também objeto: existe como adorno, enfeite, daí dizer o contista Lima Barreto que o livro era comprado a metro.
Só ultimamente o livro está se tornando literário: existe para leitura espontânea. Ler não deve ser uma atividade obrigatória, antes deve constituir um hábito, uma recreação e por isso disse o inspirado vate baiano:
“Livros... Livros à mão cheia E manda o povo pensar! O livro caindo n’alma É germe - que faz a palma, É chuva - que faz o mar”.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 10.11.1974).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



LICÍNIO BARBOSA E SEUS
“DEUSES E DEMÔNIOS”



Mario Ribeiro Martins*



Este é o mais novo livro do Prof. Dr. Licínio Barbosa, com notas de orelha do jornalista Euler de França Belém. Com 483 páginas e edição da Editora Século XXI, Goiânia, 2006, o livro é de uma preciosidade formidável.
Os 45 temas tratados são de uma inspiração divinal. É que o autor sabe lidar com eles. Seus títulos, por exemplo, são interessantes e inteligentes demais, como é o caso de “BARBOSA LIMA, O HOMEM MONUMENTO”, “ADHEMAR FERREIRA DA SILVA, O ICARO QUE TINHA ASAS NOS PÉS”, “BIDU SAYÃO, A ALMA CANORA DO BRASIL”, “A MORTE DA BELA PRINCESA TRISTE”, entre outros.
Quem começa a leitura, não deseja parar porque o livro é muito bem escrito. O próprio autor já o diz: “QUEM SÃO DEUSES OU QUEM SÃO DEMÔNIOS, CABE AO LEITOR IDENTIFICÁ-LOS. TALVEZ AMBOS HABITEM O TABERNÁCULO DE CADA PERSONAGEM”.
Quando fala de Manuel Madruga, por exemplo, relembra fatos interessantíssimos e que nos trazem outros à memória. Um deles que no dia 21.04.1952, desembarcou em Anápolis, de um avião da AEROVIAS BRASIL, no mesmo ano em que também Manuel Madruga se fixou em Goiás.
E diz, na pagina 177, “AMBOS ORIUNDOS DO SOFRIDO NORDESTE. ELE, DA PARAIBA...EU, NATURAL DO PIAUI”.
Este NATURAL DO PIAUI faz lembrar a região de SEMITOMA e BATINS, nas proximidades da cabeceira do BREJO DO PARÁ, que envolve CONCEIÇÃO, CURRAIS E BOM JESUS, mesma região, onde residiu Antonio Firmino Cunha, Laudelina Borges, Otavio Mira, Valdomiro Oliveira, etc.
Pois bem, nesta região, nasceu o ilustre DOUTOR LICINIO LEAL BARBOSA, filho de Julio Barbosa de Araújo e Luiza Borges Leal, em 24.03.1935. Passa pelo Grupo Escolar Franklin Dória, de Bom Jesus e vai para o Colégio Imaculada Conceição, de Corrente, Piauí.
Após passar pelo Ginásio Batista Industrial, de Corrente, começou o Ginásio no Santa Terezinha, em Floriano, PI, continuando no Ginásio Moderno de Afogados, Recife.
Concluiu, no entanto, no Ginásio Estadual de Anápolis, onde também cursou a Escola Técnica de Contabilidade.
Foi professor de Português da Escola Técnica de Comércio de Anápolis, cidade onde permanecera de 1952 a 1961. Passagem por Corumbá de Goiás e pelo Banco do Brasil.
Bacharelou-se em Direito, pela Universidade Federal de Goiás. Fez curso superior de Francês, na Universidade de Nancy, na França.
Daí em diante, todo mundo já sabe. Licinio Barbosa tornou-se uma figura extraordinária. Inteligência viva. Advogado ilustre. Professor convincente.
Na década de 1980, foi meu Professor no Curso de Especialização em Direito Penal, na Faculdade de Direito, da Universidade Federal de Goiás, onde tivemos encontros magistrais.
Mas retornando ao seu livro DEUSES E DEMÔNIOS, lê-lo é um prazer.
Sua análise de MIGUEL REALE, DOCTOR HONORIS CAUSA da Universidade Federal de Goiás é impressionante. Como proponente que foi do título, coube-lhe fazer o panegírico do mais novo Doutor HONORIS CAUSA da UFG, que, na época tinha 88 anos de idade. Fez o discurso com aquela capacidade que lhe é peculiar.
Como se sabe, Miguel Reale, TITULAR da Cadeira 14, da Academia Brasileira de Letras, faleceu em São Paulo, no dia 13.04.2006, com 95 anos.
Assim são tratados todos os demais temas, entre os quais, MONTEZUMA, O CRIADOR DO INSTITUTO DOS ADVOGADOS. Ler o livro ainda é o melhor conselho.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



LITERATURA GALEGA


Mário Ribeiro Martins*

O estudo da língua e da literatura galega tem permitido uma comparação entre o galego e o português do Brasil, principalmente o do interior. Alguns filólogos denominam o galego de língua independente, dona de seus destinos, doméstica, vinculada ao norte de Portugal, na região da Galícia. Outros o consideram dialeto do português, língua e veículo do sentimento poético e místico da Idade Média galego-portuguesa.
Quando da formação da monarquia por D. Henrique de Borgonha galegos e lusitanos se separaram. Os galegos continuaram atrelados ao domínio de Castela que impôs a toda a península seu dialeto. Os lusitanos tornaram o dialeto da Lusitânia a língua do novo reino, portanto o português. A breve história da poesia galega compreende três períodos, a saber: “O Ciclo dos Trovadores” - é o período em que Afonso IX, Afonso X e D. Dinis abrigam em suas cortes trovadores originais do sul da França. As obras principais do período são o “Cancioneiro da Ajuda”, o “Cancioneiro da Vaticana”, e o “Cancioneiro de Colocci-Brancuti”.
“O Ciclo da Decadência” - é o momento em que o sentimento regionalista foi afogado pela política, em virtude do estado de rebelião mantido por Pardo de Cela e o Conde de Caminha com a ajuda dos nobres galegos perante Afonso V de Portugal. O destaque, no entanto, foi a fundação da Biblioteca Galega, em 1885, por André Martinez Salazar.
“O Ciclo da Lírica Contemporânea” - é o período que vai até 1918 e de lá até os dias atuais, compreendendo duas fases distintas. Na primeira fase, destacam-se os nomes de Ramom Cabanillas e Antônio Noriega Varela, muito mais vinculados aos precursores da biblioteca galega.
Na segunda fase, há uma variedade de nomes representativos de diversas tendências, tais como: Novecentistas que mantêm a tradição galiciana, através de López Abente, Eládio Rodriguez e outros; Galeguistas cantores dos feitos dos heróis do passado através de Cabeda Vázques, entre outros; Localistas preocupados com o colorido provinciano, destacando-se Rodriguez Diez, Luíz Romero e poetisas como Francisca Herrera, Hermínia Farina e outras fiéis ao ideal feminino; Medievalistas ressuscitadores dos concioneiros, como Blanco Amor, Bauza Brey e os dramáticos, entre os quais Villiar Ponte Cabanillas, que lutam pela criação de um teatro regional; Futuristas, poetas de vanguarda como Amado Carbalho e Augusto César; Academizables, procuradores de formas modernas, embora sobre bases clássicas, entre os quais Otero Pedrayo e Rodriguez Elias.
É muito significativo aquilo que o povo galego canta em versos, como por exemplo, nesta quadra: “Aquela nena bunita, Aquela nena non vem. Como era tan bunitiña Algún galán a deten”.(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 28.07.1974).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



MEDO DE FANTASMA.
"BRASIL 0 X 1 FRANÇA”



José Sebastião Pinheiro*



O País de chuteiras se derrama em lágrimas. Uma constelação sem brilho não acende uma tão sonhada, tão esperada estrela- a sexta estrela. Ricos, famosos e realizados, eles só se esqueceram de 180 milhões de corações e mentes fixados em um só desejo, em um só objeto de cobiça. Ricos, famosos e realizados, eles só não se lembraram de uma geração que queria o seu primeiro troféu: o hexa.
O País de chuteiras se derrama em lágrimas como as choradas pela inconsolável jovem Isadora do Prado Moraes. Uma constelação sem brio não atende ao desejo de luta, de garra e até de cair, mas em pé, com dignidade.
Ricos, famosos e realizados, eles só se esqueceram dos exemplos de 1958(com Pelé, Vavá e até o supersticioso Zagallo), de 1962(com Amarildo, Zito e novamente Vavá), 1970(com Pelé, Gerson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres), de 1994(com Romário, Dunga, Bebeto e São Taffarel) e de 2002(com Ronaldo ainda não gordo, Rivaldo, Cafu e Marcos e, claro, o cherifão Luiz Felipe Scolari, hoje brilhando em fileiras lusitanas).
O País de chuteiras se derrama em dolorido silêncio. Uma constelação sem brilho não se liga na corrente de 180 milhões de corações e mentes sintonizados em um só sonho, em uma só prece. Ricos, famosos e realizados, eles se medraram diante de lobisomens do passado que uma outra geração queria enterrar a partir de mais uma conquista: o hexa.
O País de chuteiras se desfaz em olhares vazios de esperança e cheios da mais sentida tristeza. Uma constelação sem luz não espanta a sombra do fantasma francês e deixa escapar a tão próxima estrela- a sexta estrela. Ricos, famosos e realizados, eles se apequenaram diante de monsieur Zidane, de monsieur Henry e da grandeza do nosso pentacampeão futebol. Ricos, famosos e realizados, eles se esqueceram de fazer o que mais sabem: jogar bola.
O País de chuteiras se curva diante do país da elegância, da cultura e do napoleônico sangue guerreiro. O País de chuteiras cai diante de seus próprios erros.
E, com medo de fantasma, contabiliza uma dívida a 180 milhões de corações e mentes, que só poderá ser paga em 2010: o hexa!" (JORNAL DO TOCANTINS, Palmas, 02.07.2006)

JOSÉ SEBASTIÃO PINHEIRO é jornalista e escritor.
Editor do JORNAL DO TOCANTINS.
Leia mais sobre ele em www.mariomartins.com.br



MEMÓRIAS MISSIONÁRIAS.


Mário Ribeiro Martins*


Entre os aspectos apresentados pelo missinário Maxcy G. White no seu relatório à junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, sob o título "Nossa Política Geral", destaca-se o ponto "Evangelismo", no qual há idéias interessantes e dignas de serem relembradas, ainda mais porque o tema é sempre atual e bem recebido.
Nas suas considerações, assim se expressou o missionário: "Na Missão do Norte do Brasil nós cremos que nossa tarefa principal é evangelismo. Tudo que nos fazemos ou tentamos fazer tem uma direção definitiva qual seja nossa grande e principal incumbência de guiar os brasileiros para Jesus Cristo." (M. G. White, "Seventy-Sixth Annual Report of the Foreign Mission Board-Norte Brazil Mission." Annual of the Southern Baptist Convention, 1921. Nashivelle, Tenn.: Marshall & Bruce Company, 1921, p. 243).
Este é um tipo de preocupação salutar e que nunca deveria ser colocada de lado, sob pena de se perder terreno, principalmente agora quando a própria Igreja Católica lança mão de evangelistas para realizar cultos de casa em casa.
No mesmo relatório, disse White: "O trabalho do evangelismo compreende dois tipos distintos de atividades.
Primeiro, a de guiar o povo para Cristo e isto inclui trabalho pioneiro, como também o desenvolvimento dos crentes como evangelistas, orientando-os na realização do trabalho de Deus.
Segundo, o Treinamento dos convertidos nas igrejas, na mordomia do dar e em geral na eficiência da igreja. Isto também inclui esforço cooperativo entre igrejas nas missões, na beneficência e na educação." (Ibid, p. 243)
As mencionadas formas de atividades dentro do evangelismo devem constituir uma característica cristã na atualidade em termos de teoria e prática. Embora distintos, mas intimamente relacionados, os dois tipos de trabalho denotam a consciência missionária da necessidade de pregar e educar.
Finalmente acentuou o missionário: "Tudo isto representa nosso ideal, mas na prática nosso trabalho no Norte do Brasil está sofrendo grandemente agora pela falta de missionários que dêem de si para o trabalho evangelístico. Nós necessitamos grandemente deles em todas as fases deste grande trabalho e especialmente necessitamos daqueles que possam ir a novos lugares onde o Evangelho ainda não foi pregado." (Ibid, p. 243).
Apesar dos anos passados e já pelo crescimento da obra de evangelização no Brasil, a necessidade de outrora é a mesma necessidade de hoje. Poder-se-ia, portanto, parodiar um texto de O LIVRO E A AMÉRICA de Castro Alves, dizendo:
...Pregadores... Pregadores à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O Evangelho caindo nalma
É gérmen - que faz a calma,
É vida - que vai salvar.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



MESA REDONDA DO CEULP/ULBRA.
(LITERATURA TOCANTINENSE EM FOCO)


Mário Ribeiro Martins*


Meus amigos, a oportunidade desta mesa redonda é excepcional. Para mim, especialmente. É que vou aproveitar este momento para RECLAMAR. De quem? Vocês é que vão situar. Especialmente, os estudantes de letras.
Pois bem, em 2001, eu lancei aqui em Palmas, onde vivo há quase 10 anos, na Secretaria Estadual da Cultura, este livrinho- o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS(924 páginas), com biografias de todas as pessoas que publicaram livros no Tocantins, até 2001.
Há 10 exemplares deste livro só aqui na Biblioteca da ULBRA, além de cerca de três mil exemplares espalhados pela cidade em bibliotecas particulares e públicas, inclusive dos diferentes Tribunais, Assembléia legislativa, Gabinetes de deputados, Ministério publico, etc. São biografias literárias, de pessoas que NASCERAM, VIVERAM, PASSARAM ou ESTÃO NO TOCANTINS. São mais de duas mil biografias.
Além deste Dicionário, eu tenho no site www.mariomartins.com.br o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, com mais de 20 mil biografias e livros sobre literatura goiana e tocantinense. Como se não bastasse, ainda sou membro da Academia Goiana e da Academia Tocantinense de Letras.
E ainda tenho na INTERNET, no endereço já
referido(www.mariomartins.com.br), o livro RETRATO DA ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS, que foi publicado, com 470 páginas, em 2005.
Mas você vai perguntar: ONDE ESTÁ A RECLAMAÇÃO?
A reclamação consiste no seguinte: APESAR DE TUDO ISTO QUE EU DISSE e que tenho feito em termos literários, eu não EXISTO para a LITERATURA TOCANTINENSE.
Nunca se menciona o nome de Mário Martins como LITERATO. E é interessante que EU SÓ FAÇO LITERATURA. Não mexo com outra coisa. Aposentado como Promotor de Justiça do Ministério Publico de Goiás, não advogo, só faço literatura.
Publiquei tambem DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS(1034 Paginas, 2007), DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA GOIANA DE LETRAS, DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRAFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA EVANGELICA DE LETRAS DO BRASIL(Rio de Janeiro), MISSIONÁRIOS AMERICANOS E ALGUMAS FIGURAS DO BRASIL EVANGELICO, alem de dezenas de outros livros.
Minha gente, literatura não é só poesia, conto e crônica. É também crítica literária, o que eu mais faço. Quem sabe, se eu não vou aparecer agora e de agora em diante, no LITERATURA TOCANTINENSE EM FOCO? Muito obrigado.



OBSERVAÇÃO: Eu dirigi a minha reclamação não às autoridades presentes(como alguns pensaram), mas aos professores da área.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




MIRORÓS-UM PROJETO INACABADO.



Mário Ribeiro Martins*



A barragem de Mirorós está localizada no sertão da Bahia, entre Gentio do Ouro(55 km), Barra do Mendes(50 km) e Ipupiara(90 km). Porem, está localizada mesmo no município de Ibipeba e Gentio do Ouro. Nenhum mapa dá noticia dela. Mas, ela existe e eu estive lá em julho de 2006.
Monumental a barragem, com 70 metros de altura, construída na década de 1980, no Governo do Presidente João Batista Figueiredo. Junta as águas do Rio Verde, pequeno afluente do Rio São Francisco e de outros pequenos córregos e leva estas águas através de grandes canais construídos de concreto para várias cidades, entre as quais, Irecê, Ibipeba, Barra do Mendes, Uibaí, Presidente Dutra, Central, etc.
Ao lado de um destes canais de concreto, percorri cerca de 30 km. Ao redor de Mirorós, foram estabelecidos grandes projetos, com água irrigada e produção de frutas, especialmente BANANA, PINHA(ata) e muitas outras.
Mas se esqueceram da escoação destes produtos. Não há nenhuma estrada asfaltada que ligue Mirorós a qualquer lugar. Não há asfalto para Ibipeba(50 km). Na época das chuvas, muitos atoleiros. Nas outras épocas, muita poeira. Não há asfalto para Gentio do Ouro(50 km). Não há asfalto para Barra do Mendes(50 km). Não há asfalto para Irecê(90 km) e para onde vai a maior parte da água produzida em Mirorós.
Ouve-se falar em Mirorós, mas pouca gente já foi ao local da Barragem. E por que? Por causa da dificuldade das estradas. O povoado, perto da barragem, tem cerca de 2(dois) mil habitantes e é Distrito de Ibipeba.
Seus habitantes produzem, entre outras coisas, um delicioso doce de banana, a preços irrisórios, todos empacotados nas folhas da própria bananeira.
Para se chegar lá, partindo de Ibipeba, de Barra do Mendes, do Gentio do Ouro ou de Ipupiara, por onde passou o Rally dos Sertões, é preciso estar numa caminhonete com tração e muita força.
Tal é o desconhecimento de Mirorós que o livro INFORMAÇÕES BÁSICAS DOS MUNICIPIOS BAIANOS-REGIÃO DE IRECÊ, 1994, publicado em Salvador pelo Centro de Estatística e Informações da Secretaria do Planejamento, Ciência e Tecnologia, do Governo da Bahia, apenas diz: “Para enfrenta-lo(o alto teor de calcário das águas que impede o consumo humano) acaba de ser construída uma adutora, que parte da Barragem de Mirorós, no Rio Verde”.
Nada mais! Nenhuma das enciclopédias consultadas, inclusive BARSA, não apresenta nem mesmo a palavra “MIRORÓS”. O Complexo Mirorós foi idealizado por Turíbio Santos, político influente da região e pelo deputado federal Manoel Novaes.
Seu todo é constituído pela Barragem, com capacidade para acumular 158 milhões de metros cúbicos, pelo Projeto de Irrigação de Mirorós, com aproximadamente 3.300 hectares e pela Adutora do Feijão, com mais de 250 quilômetros de extensão atendendo a várias sedes Municipais, uma centena de localidades e uma população de mais de 250 mil habitantes, situada na Microrregião de Irecê, na Bahia.
É impressionante como a Barragem de Mirorós não aparece em nenhum livro. Nem mesmo se encontra nos mapas da Bahia. De qualquer forma, a Barragem de Mirorós é administrada pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco(CODEVASP).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



MOEMA DE CASTRO
E SEU ESPAÇO DA CRÍTICA


Mário Ribeiro Martins*


Acabo de receber e também de ler o livro “O ESPAÇO DA CRÍTICA II-CRÔNICA-DIMENSÃO LITERÁRIA E IMPLICAÇÕES DIALÉTICAS”, da Professora Aposentada da Universidade Federal de Goiás, MOEMA DE CASTRO E SILVA OLIVAL. Trata-se de um livro de significação profunda e bela, em que a autora, unindo o útil ao agradável, revela mais uma vez, seu talento multiforme, num verdadeiro “doublé” de esteta e exegeta.
“O ESPAÇO DA CRÍTICA II”, focalizando a evolução da crônica em Goiás, desde os primórdios da história goiana até a atualidade, é de qualidade fundamental.
A importância do livro de Moema, lançado em 2002, pelo Instituto Goiano do Livro, apoiado pela Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, se dá num instante crucial ou seja, no momento em que a grande obra de Moema de Castro e Silva Olival teria sido esquecida, por um lapso, pela Professora da Universidade de São Paulo, Nelly Novaes Coelho, em seu livro “DICIONÁRIO CRÍTICO DE ESCRITORAS BRASILEIRAS”, com 750 páginas, editado em 2003, na cidade de São Paulo, pela Editora Escrituras.
É que, ao estudar as ESCRITORAS DE GOIÁS e sem consultar textos pertinentes, como o “DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO”, de José Mendonça Teles e “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS”, de Mário Ribeiro Martins, terminou por deixar de fora, o trabalho profícuo e eminentemente literário da filha ilustre de Colemar Natal e Silva, autora consagrada com dezenas de livros publicados.
Ela que já foi estudada na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, com edição revista e atualizada por Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001. Ela que é verbete do livro ENSAÍSTAS BRASILEIRAS, de Heloísa Buarque de Hollanda e Lúcia Nascimento e também do DICIONÁRIO DE MULHERES, de Hilda Agnes Hubner Flores, bem como do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br.
Mas, retornando ao livro de Moema Olival, “O ESPAÇO DA CRÍTICA II-CRÔNICA-DIMENSÃO LITERÁRIA E IMPLICAÇÕES DIALÉTICAS”, ele também apresenta certos problemas. Um deles é a ausência de BIBLIOGRAFIA no fim do texto. Como se sabe, as famosas “notas de rodapé” não substituem a bibliografia, por várias razões, uma delas, a facilidade da consulta rápida.
E esta bibliografia, em ordem alfabética, que poderia ser o resumo de todos os autores que foram referidos nas “notas de rodapé”, não é encontrada no dito livro. Por outro lado, alguns livros goianos, relacionados com a “crônica”, deixaram de ser referidos, como é o caso do livro “DIMENSÕES DA LITERATURA GOIANA”, de José Fernandes, aliás, Prêmio Bolsa de Publicações José Décio Filho, do Governo de Goiás.
Nesta linha também não foi mencionado o livro “ESTUDOS LITERÁRIOS DE AUTORES GOIANOS”, com 1051 páginas, de Mário Ribeiro Martins, bem como ainda “SÚMULA DA LITERATURA GOIANA”, de Álvaro Catelan e ainda “OS PRINCÍPIOS DA CRÍTICA DINÂMICA”, de Hilda Gomes Dutra Magalhães, assim como “CRÍTICA SISTEMÁTICA”, de Wendel Santos.
De qualquer forma, o livro tem o mérito de, além de ser muito bem escrito, ser também o único a tratar, especificamente, da origem e do desenvolvimento do gênero “crônica” no Estado de Goiás, com “apresentação” de Itamar Pires Ribeiro e prefácio do crítico literário Fernando Py.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



NORMAS PARA UM "PLAY-BOY"


Mario Ribeiro Martins*


Uma das conseqüências das mudanças que se verificam em todo o mundo é a desorganização social. Esta não é outra coisa senão "uma condição na qual a estrutura da sociedade se destrói ou não cumpre eficientemente sua função." Dela resultam sérios problemas que ameaçam as instituições, entre as quais a família, que se compromete com sistemas e métodos de educação cada vez mais distanciados dos melhores padrões.
Haverá sempre a desorganização social quando certos fenômenos considerados normais passarem-se a patológicos com alto índice de crescimento, superando as taxas até então conhecidas. Entre os fenômenos sociais como homicídio, suicídio, prostituição, desemprego, desquite, divórcio que indicam o processo da desorganização social, destaca-se a delinqüência juvenil.
Inspirado em muitos métodos modernos da pedagogia e da psicologia do aconselhamento, um grupo policial dos Estados Unidos, sediado em Houston, Texas, formulou uma série de regras que poderiam ser usadas pelos pais, caso desejassem fazer dos seus filhos perigosos delinqüentes. As normas, para o uso dos pais, em número de onze, foram assim sugeridas:

1) Dê a seu filho, desde pequenino, tudo o que ele deseja. Assim ele crescerá pensando que tudo no mundo é dele.

2) Se ele disser palavrões, ria-se. Então ele pensará que é muito esperto.

3) Não lhe dê nenhuma orientação moral: quando ele tiver 21 anos escolherá por si mesmo.

4) Nunca lhe diga: "Não faça isso", porque ele criará um complexo de culpabilidade. Mais tarde quando for preso por furto de auto, diga que a sociedade o persegue.

5) Apanhe tudo o que ele deixar pelo chão. Assim ele estará certo, sempre, de que os outros é que devem fazer as coisas.

6) Deixe-o ler tudo. Esterilize a sua xícara, mas deixe que ele contamine o espírito.

7) Discuta sempre diante dele. Quando seu lar desmoronar, ele não estranhará nada.

8) Dê-lhe todo o dinheiro que ele queira. Assim ele crescerá em sua inteira dependência financeira sem saber como adquiri-lo.

9) Satisfaça também todos os seus desejos, senão ele ficará frustrado.

10) Dê-lhe sempre razão: os vizinhos, os professores, a polícia é que o perseguem.

11) Quando ele estiver perdido, explique que nada lhe foi possível fazer. PREPARE-SE ENTÃO PARA UMA VIDA DE SOFRIMENTO E AMARGURAS.

Estas normas formuladas pelos agentes da lei constituem significativa advertência para os pais, sobretudo nesta época quando há a tendência de identificar certas manifestações da delinqüência juvenil e de outros problemas sociais com aspectos da vida de Cristo, como está acontecendo atualmente com o movimento jovem, denominado: "Jesus Cristo, precursor dos Hippies".(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 04.10.1972).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




O “CANTÃO” TRANSFORMADO
EM PASTO.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*



O “Cantão” é uma grande floresta nativa do Estado do Tocantins que se localiza na região da Ilha do Bananal às margens dos rios Araguaia, Coco e Javaés.
Tal é a beleza e a magnitude do CANTÃO que recebeu, faz algum tempo, a visita do Príncipe Charles, da Inglaterra. Lamentavelmente, pela falta de sensibilidade do Governador Marcelo Miranda e de sua Assembléia Legislativa, a área do Cantão foi reduzida em quase noventa por cento(90%) de seu território. O que vai sobrar dos 16.780.00 Km2? Praticamente 10%, o que não significa nada.
Este desastre ecológico é de responsabilidade do Governador, por ter enviado e sancionado o projeto. É de responsabilidade da Assembléia Legislativa por ter aprovado o projeto, sem ter ouvido o povo do Tocantins.
Quando o povo menos esperou o projeto de redução da área já tinha sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e a aprovação foi feita em duas sessões extraordinárias, sem que nenhum Deputado tenha pedido vista do projeto. Mas esta responsabilidade deve ser creditada também ao Presidente do NATURATINS, Isaac Braz Cunha que, querendo fazer “média” com o Governo, fala em estudos realizados, mas não os apresenta, fala em audiências públicas na região, mas não apresenta documentos de quantas pessoas teriam comparecido a estas audiências e nem o chamamento pelos jornais de circulação estadual.
O projeto de redução da área foi sancionado no dia 31.03.2005 e publicado no Diário Oficial no dia 01 de abril para beneficiar municípios como Abreulândia, Caseara, Divinópolis, Dois Irmãos, Monte Santo, Chapada de Areia, Araguacema, Pium e Marianópolis, cujos prefeitos- com a plantação de soja e a criação de gado- querem conseguir dinheiro fácil destruindo o verde.
O PROJETO CANGUSSU, ali existente, é de uma beleza ímpar. Nele esteve o Príncipe Charles. O Cantão, como se sabe, está localizado no oeste do Estado do Tocantins, numa área de cerca de 90 mil hectares, entre os municípios de Caseara, Marianópolis e Pium. No extremo norte da Ilha do Bananal, numa região banhada pelos rios Araguaia, Javaés e Coco, está o Cantão.
Os grandes fazendeiros e proprietários rurais da região estão destruindo o Cantão para plantar soja e criar boi. Se não respeitavam o Parque Estadual do Cantão criado há menos de dez anos(Lei 907, de 20.05.1997), muito menos vão respeitar agora que a área foi oficialmente reduzida.
Tão importante é o Cantão que o seu ecossistema compõe-se de uma grande mistura: amazônico, pantanoso e cerrado. Com os seus mais de 400 lagos, o Cantão é o berço de animais e plantas raras de singular beleza.
Infelizmente é mais uma área verde que se perde no Estado do Tocantins, sem que os especialistas em questões ambientais façam qualquer protesto. Nem mesmo o jornalista Washington Novaes, do jornal O POPULAR, que sempre faz comentários sobre o assunto, deu qualquer nota sobre o tema.
Na verdade, entre as poucas vozes que se levantaram, destacam-se, além do Ministério Público Federal(o Ministério Público Estadual fez ouvidos de mercador), os Professores e alunos da Universidade Federal do Tocantins e o IBAMA.
As viagens de avião permitem ver o desastre ecológico que se está impondo sobre o Brasil, especialmente o Tocantins, por conta de “divisas” que estão sendo levantadas, não para o “bem estar social”, mas para o pagamento de uma dívida externa que todos sabem ser impagável, mesmo porque já foi paga várias vezes.
Em entrevista com o título “COMO O AGRONEGÓCIO ESTÁ DESTRUINDO O CERRADO”, o Frei Leonardo Boff, diante da pergunta “Como o senhor vê a Política e o Agronegócio?”, respondeu:
“São fenômenos do capitalismo periférico avançado e selvagem. É um capitalismo que visa diretamente o lucro, com uma grande taxa de iniqüidade social e ecológica. Chegam as grandes empresas com tecnologia de ponta, ocupam grandes espaços da natureza, arrasam com a biodiversidade, expulsam as populações tradicionais e tornam impossível a agricultura familiar. Utilizando agrotóxicos muito poderosos, conseguem safras recordes de produção, toda ela destinada à exportação para alimentar animais da Europa e chineses da Ásia”.
“O governo brasileiro se sente constrangido e pressionado pela dívida externa e vê no agronegócio uma forma rápida de acumular dólares necessários para o pagamento de juros de dívida. Nada faz para impedir a devastação que implica o agronegócio, muito pelo contrário, facilita extremamente o trabalho de exploração, na medida em que isenta a soja, destinada à exportação, de todo e qualquer imposto. É um fenômeno só possível numa democracia débil, num governo relativamente fraco, que não negocia, não impõe limites a esse modo selvagem de produção”(O ESTADO DO TOCANTINS. Palmas, setembro de 2004).
O que se quer fazer no CANTÃO hoje é a destruição indiscriminada do verde. A área para produzir soja, depois de sua colheita, é uma terra arrasada. Não se vê mais pássaros e nem animais selvagens. Os pássaros não têm árvores para fazer os seus ninhos e os demais animais selvagens não têm as matas para se esconder.
Como se não bastasse, esses mesmos fazendeiros de soja querem agora(e para devastar mais), através da instrumentalidade da Deputada Federal Kátia Abreu, diminuir a reserva legal do Tocantins que é, atualmente, de 35% para apenas 20%, o que aumentaria muito mais, o desastre ecológico.
EM TEMPO: Felizmente ontem(12.04.2005), a Juiza Federal Denise Drumond, através de decisão, determinou a MANUTENÇÃO da Área de Preservação Ambiental da Ilha do Bananal e do Cantão, como antes estava, impondo ao Estado uma multa diaria de 100 mil reais, pelo descumprimento. Espera-se agora que os Tribunais de Brasilia não façam também "ouvidos de mercador", sem atentar para os interesses do povo do Tocantins e, quiçá do Brasil, que tem pelo CANTÃO um apreço todo especial.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



O DESCASO DOS GERENTES DE AGÊNCIAS
DE CORREIOS COM AS BIBLIOTECAS.



Mario Ribeiro Martins*



Cada Agência de Correio, em quase todas as cidades brasileiras, tem o seu GERENTE. A sensibilidade deste gerente é fundamental para a vida das pobres bibliotecas locais. As bibliotecas, de modo geral, não dispõem de recursos para comprar livros. Elas dependem da boa vontade dos autores, dos escritores, dos intelectuais que mandam os seus livros, como doação, para as ditas bibliotecas.
Mas, o que está acontecendo, na prática? O autor manda o seu livro, como Impresso ou como Encomenda Normal para uma biblioteca que pode ser pública, de uma academia ou de uma universidade.
O Correio, ao invés de mandar um Carteiro levar a Encomenda ou o Impresso, com os livros, manda apenas um “aviso” para que a biblioteca escale alguém para ir à Agência dos Correios, buscar os livros. O envio do mero “aviso” é discutível, porque como não há comprovante do recebimento, nem sempre é possível saber se o dito “aviso” foi realmente entregue e quem o recebeu.
Quando se acessa o site do Correio, vem a informação “AGUARDANDO RETIRADA”. Como estas bibliotecas mal conseguem sobreviver, sem dinheiro e sem funcionário, não comparecem aos Correios portando o dito “aviso”. Resultado, depois de 30, 60, 90 dias, os livros retornam ao remetente com a observação: “NÃO PROCURADO”.
É aí que entra a figura de um gerente sensível da agência dos Correios, que seja capaz de sentir o problema das bibliotecas. Veja os casos que menciono:
Comprei uma Caixa tipo 2 e coloquei nela livros para a ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS(41 3222 7731), RUA PROFESSOR FERNANDO MOREIRA, 370, CURITIBA – PARANÁ, 80410-120. Entre os livros, estava o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, com 1.034 páginas.
Depois de alguns dias, a Caixa com Encomenda Normal voltou com a observação “NÃO PROCURADA”. Na mesma hora, ainda dentro da Agência dos Correios, em Palmas, comprei outra caixa e mandei, inclusive, com a Caixa que retornara, por SEDEX, para o mesmo endereço.
Pois bem, o Sedex foi postado no dia 05.02.2007 e no dia 06.02.2007, por volta das 17:00 horas, o site do Correio, já dizia: “ENTREGUE”. A injustiça dos Correios consiste neste fato: substituir a entrega da ENCOMENDA no endereço indicado, por um mero “AVISO”, que nem sempre é recebido.
Outra experiência: No ano passado(2006), mandei o meu DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS para várias entidades culturais dentro da Praça Cívica, em Goiânia e nas imediações dela. Nesta Praça fica a Agência dos Correios. Pois bem, depois de alguns dias, os livros voltaram com a célebre observação: NÃO PROCURADO.
Ora, todos que conhecem Goiânia sabem que a Agência dos Correios fica a poucos metros das entidades culturais para as quais os livros foram enviados, Academia Goiana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, União Brasileira de Escritores, Biblioteca do SESC, Biblioteca Marieta Teles, Biblioteca Pio Vargas, Museu Zoroastro Artiaga, etc.
Se o gerente da Agência fosse sensível a estas bibliotecas, teria pedido a um de seus carteiros para deixar os livros nas ditas entidades. Foi preciso então a interferência do gerente de outra agência, meu amigo pessoal, para que os livros pudessem ser encaminhados às ditas instituições.
Outro fato: A Editora Kelps me mandou como ENCOMENDA NORMAL um livro do escritor José Mendonça Teles. Pois bem, conforme o site de busca do Correio, a encomenda, sob o número “vc082746595br” foi postada no dia 02.02.2007, em Goiânia. Vejam: só saiu de Goiânia no dia 12.02.2007 e chegou em Palmas, Tocantins, no dia 14.02.2007. Portanto, a encomenda ficou em Goiânia, parada, durante 10(dez) dias.
Não é justo que os escritores, para que tenham os seus livros, colocados em Bibliotecas Públicas, Academias e Universidades, tenham de enviar os seus livros por SEDEX. Num país como o nosso, com tantas dificuldades para se ter acesso aos livros e à leitura, é preciso que o Correio atente para este lado social da questão. Um gerente sensível às necessidades das bibliotecas, ajudaria muito nestas ocasiões, pedindo a um dos carteiros para encaminhar os livros às instituições.
Veja outra dos Correios: No dia 01.03.2007, postei, em Palmas para Brasília, uma encomenda normal sob o número VC138328938. Pois bem, no mesmo dia 01.03, foi encaminhada para Goiânia que fica a 300 quilômetros de Brasília. Ao invés da encomenda ir para Brasília, foi no dia 05.03 para São Luis do Maranhão. No dia 12.03 chegou em São Luis e só no dia 17.03.2007 foi encaminhada para Brasília e ainda não foi entregue ao destinatário. Se ela voltar com a observação “NÃO PROCURADA”, vou dar notícia neste espaço.
Outro exemplo, em janeiro de 2007, mandei de Palmas para a Universidade Católica de Salvador, vários livros como “ENCOMENDA NORMAL”. Como a Universidade, por qualquer razão, não foi buscar no Correio, as encomendas voltaram no dia 14.03.2007(3 meses depois), com a observação costumeira “NÃO PROCURADO”. Pois bem, no dia 15.03.2007, fiz novos pacotes e mandei como SEDEX, sob o número SR623699278BR. No outro dia 16.03.2007, o site do Correio já anunciava: “ENTREGUE”.
Como é que pode? Durante 3 meses, o Correio não teve a coragem de pedir a um carteiro para entregar a encomenda de dois quilos na Universidade e preferiu gastar dinheiro para mandá-la de volta de Salvador a Palmas. Faltou um gerente sensível às necessidades das ditas bibliotecas.
Meus amigos, são livros que estão sendo enviados gratuitamente para Bibliotecas. Não é possível que o Correio continue prestando esse “DESERVIÇO” às Bibliotecas, impedindo a chegada de livros gratuitos.
Fica, portanto o apelo, para que os CORREIOS mudem a política de satisfação do cliente e passem a entregar a ENCOMENDA ou o IMPRESSO, no endereço indicado e deixem de mandar “Aviso”, especialmente, quando a encomenda não pesa mais do que 3(três) quilos. Mas isto depende de gerentes sensíveis à vida cultural e às necessidades das pobres bibliotecas.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



O COLORIDO DOS CAIXÕES


Mário Ribeiro Martins*

As coisas, certos costumes ou mesmo as tradições não deveriam se perenizar. A tendência, contudo, sempre foi essa: tornarem-se objetos intocáveis, tabus de velhas instituições - conseqüência dos grilhões espirituais, do encadeamento mental, da restrição desse estado. Mudar certos costumes é como se pretendesse mudar todo um organismo.
Os reacionalistas das instituições são como sentinelas atentos nos seus postos. A verdade é que, no final, sempre se dá jeito. Se bem que no princípio a celeuma seja tremenda.
Veja-se, por exemplo, a questão da música profana introduzida na cerimônia religiosa. Aos poucos os conservadores foram se acostumando. E o que dizer do luto, das mulheres vestidas de preto? Hoje, por ocasião da morte de um ente querido, já não pensam em luto fechado. Falam de meio-luto. As mais avançadas se vestem de vermelho “porque a morte é coisa muito natural”, argumentam.
E, por ser a morte uma coisa muito natural, independente do arbítrio de avançados - é que um velho proprietário de uma não menos velha casa funerária resolveu lançar os caixões coloridos, quebrando assim com a velha tradição das cores branca, negra e roxa. O caixão colorido até que a enfeita, como se enfeita a vida. Ao menos a visão da morte torna-se menos funesta.
Essa é uma verdade que as pessoas precisam admitir, muito embora a perspectiva de se “morrer amanhã ou de manhã” doa “como o doer das velhas penas”. Para Mark Twain, escritor americano que se notabilizou pelas suas sátiras, “a morte é a maior dádiva que Deus nos deu”, “morte, bendita morte”. Nesse sentido é que aos poucos vamos assistindo a uma mudança de atitude por parte dos mortais.
Os novos Parques de Flores em substituição aos antigos cemitérios com sua verdade latina à porta de entrada. Tudo isso significa uma quebra da tradição. Depois virá talvez, em definitivo, a aceitação da cremação de cadáveres, o que deverá se concretizar depois de muito “ranger de dentes”.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



O “DICIONÁRIO CRÍTICO”
DE NELLY NOVAES COELHO.


Mário Ribeiro Martins*

Embora tenha sido escrito para abranger o período de 1711 a 2001, o livro de Nelly Novaes Coelho, Professora da Universidade de São Paulo, “DICIONÁRIO CRÍTICO DE ESCRITORAS BRASILEIRAS”, com 750 páginas, lançado em São Paulo, em março de 2003, pela Editora Escrituras, esqueceu completamente NÃO SÓ A EXISTÊNCIA DO ESTADO DO TOCANTINS(criado em 1988), mas também a presença de suas escritoras no cenário nacional.
Faltou pesquisar livros atuais, tais como, “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”, de Liberato Póvoa, “ANTOLOGIA DE AUTORES TOCANTINENSES”, de Márcio Barcelos, “BREVE HISTÓRIA DO TOCANTINS E DE SUA GENTE”, de Otávio Barros da Silva, “FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO ESTADO DO TOCANTINS”, de Temis Gomes Parente, entre outros.
De forma mais específica, não foi feito nenhum levantamento no “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS”(Master, Rio de Janeiro, 2001), de Mário Ribeiro Martins, com 924 páginas, focalizando dezenas de escritoras do Tocantins, algumas nascidas e vinculadas ao antigo Norte de Goiás e outras relacionadas ao atual Estado do Tocantins, nem mesmo o “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL”, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www. usinadeletras.com.br, com mais de seis mil verbetes.
Dentre as primeiras escritoras nascidas e vinculadas ao antigo norte goiano, há de se lembrar, os seguintes nomes-ANA BRAGA(A COMUNICAÇÃO NO MÉDIO NORTE GOIANO), AMÁLIA HERMANO(REENCONTRO), ANA BRITO MIRANDA(CONTOS ESPARSOS), ARACI BATISTA CORDEIRO(HISTÓRIA DE CAMPOS BELOS E DAS FAMÍLIAS PIONEIRAS), ALDENORA CORREIA(BOA VISTA DO PADRE JOÃO), ROSOLINDA BATISTA(ARRAIAS-SUAS RAÍZES E SUA GENTE), dentre outras.
Quanto ao segundo grupo, de escritoras relacionadas ao atual Estado do Tocantins, que para aqui vieram ou aqui vivem, podem ser destacados os seguintes nomes: TEMIS GOMES PARENTE(FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO ESTADO DO TOCANTINS), CÉLIA BOTELHO(OS XAVANTES), EDNA GOYA(TEXTOS DIDÁTICOS PARA GRAVURA), ELIEUMA DE ABREU(ANALOGIAS-POEMAS), FÁTIMA AMÉRICO(ADVINHA O QUE ESTOU VENDO!), FRANCISCA MIRANDA(MEUS POEMAS), JUCIENE RICARTE(A ESCRAVIDÃO NEGRA NO TOCANTINS COLONIAL), LÍDIA SORAYA(OS POVOS INDÍGENAS DO TOCANTINS), MÁRCIA COSTA(PADRE LUSO-TESTEMUNHO DE UMA VIDA CRISTÃ), MARGARIDA GONÇALVES(BEATRIZ A QUE FAZ FELIZ), MARINALVA BARROS(PEDAÇOS DE MIM), TOMÁSIA PARRIÃO(OS SABORES DO TOCANTINS), ZEFINHA LOUÇA(MOMENTOS POÉTICOS), além de muitas outras escritoras que a exigüidade de espaço não permite mencionar.
De qualquer forma, trata-se de um livro de excepcional qualidade, em que o talento multiforme da autora, mais uma vez se faz presente, fornecendo uma extraordinária contribuição para a divulgação das escritoras brasileiras. Pena que as escritoras tocantinenses, com o número considerável de mais de cem, tenham ficado de fora, mas que sejam incluídas na edição revista e atualizada, dentro de pouco tempo.(mariormartins@hotmail.com)


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



O BAIANO DE ITAPARICA
(A ENTREVISTA DE JOÃO UBALDO RIBEIRO)



Mário Ribeiro Martins*



Quando a jornalista NÁDIA TIMM, do jornal O POPULAR, de Goiânia, entrevistou(14.05.2002) JOÃO UBALDO RIBEIRO, sobre seu novo romance “DIÁRIO DO FAROL”, perguntou se ele “conhecia escritores goianos”.
Em resposta, o baiano de Itaparica disse que não conhecia. Não é possível que João Ubaldo Ribeiro não conheça BERNARDO ÉLIS, seu antigo colega na Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a primeira cadeira da Academia, a número 01, depois de ter concorrido com Juscelino Kubitschek.
Bernardo Élis é goiano, de Corumbá de Goiás e autor de dezenas de livros, entre os quais, “O TRONCO”, transformado em filme pelo cineasta João Batista de Andrade. Qualquer pré-vestibulando conhece Bernardo Élis e sua obra.
Assim, parece que a resposta dada pelo meu conterrâneo baiano foi recheada de um certo “esnobismo intelectual” para desmerecer os escritores de Goiás. Desconhecer BERNARDO ÉLIS, o único goiano a alcançar a Academia Brasileira de Letras é o cúmulo do absurdo, a não ser por mero acinte.
Mas como o baiano João Ubaldo disse na entrevista que gasta “dias e dias para ler uma mesma página de Shakespeare”, tudo é possível. Não sobrou tempo para conhecer a literatura feita dentro da própria Academia Brasileira de Letras, a que pertenceu Bernardo Élis.
O que dizer do escritor goiano, de Corumbá de Goiás, J.J.VEIGA, também residente no Rio de Janeiro? Além de autor de “OS CAVALINHOS DE PLATIPLANTO” e “A HORA DOS RUMINANTES”, foi também Tradutor e Redator da REVISTA SELEÇÕES(READER`S DIGEST).
Como se vê, foi infeliz o escritor baiano, ao afirmar que não conhecia escritores goianos. Tal afirmativa, enfim, só leva a dois caminhos: ignorância da literatura nacional ou mero esnobismo intelectual.
Quem mora no Rio de Janeiro e é intelectual não tem como desconhecer, por exemplo, GILBERTO MENDONÇA TELES, Goiano, de Bela Vista. Além de residir no próprio Rio de Janeiro e ser professor da Pontifícia Universidade Católica(PUC), recebeu, em 1989, o PRÊMIO MACHADO DE ASSIS, da própria Academia Brasileira de Letras, a que João Ubaldo pertence.
E o que dizer de Afonso Félix de Souza, goiano, de Jaraguá, também residente no Rio de Janeiro? Autor de “MEMORIAL DO ERRANTE”, “ÁLBUM DO RIO”, entre outros. Para não falar em Hugo de Carvalho Ramos(TROPAS E BOIADAS), Isócrates de Oliveira(HORA DO ANTICRISTO), etc, além de centenas de outros nomes que são retratados no “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL”, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br.
Como se observa, apenas os nomes acima mencionados são suficientes para mostrar o erro em que incorreu o autor de “VIVA O POVO BRASILEIRO”, João Ubaldo Ribeiro e a injustiça cometida contra os escritores goianos.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


O BRASIL ESTÁ VIRANDO
UM PAÍS DE CORRUPTOS?


Mário Ribeiro Martins*


Parece que sim. E o pior é que quase não há exceção. Pode-se até rejeitar a idéia generalizada da corrupção, mas a liberalidade excessiva é desconcertante. Essa modernidade tolerante está presente em todos os setores da vida brasileira. E isto é perigoso.
Quando o programa FANTÁSTICO, do domingo à noite, dia 19.06.2005, perguntou quantas pessoas eram contrárias à presença de câmaras, nas salas de aula, para vigiar os alunos, não é que mais de sessenta por cento(60 %) das pessoas disseram que eram contrárias.
Lamentavelmente, isto é uma inversão de valores. Não é possível que 60% das pessoas prefiram a insegurança de seus filhos nas salas de aula. Com a presença da câmara filmando é possível detectar a existência de armas de fogo dentro da sala, bem como armas brancas e ainda brincadeiras indesejadas que resultam muitas vezes em agressões.
É claro que os 60% podem não representar a opinião dos pais. O horário da pesquisa(domingo de noite) é propício para adolescentes que estejam em casa. Os jovens, como se observa, são sempre contrários a esse tipo de fiscalização.
A verdade é que a fiscalização através das câmaras é salutar. O aluno tem o tempo todo, fora da sala de aula, para sentir, pensar e agir como bem entender. Na sala de aula, ele tem de se impor e respeitar os colegas. Portanto, a câmara filmando enseja essa possibilidade.
Dizer que o aluno se torna subserviente porque passou a ser fiscalizado é uma falácia. Dizer que o aluno perde a sua identidade social, cultural e física porque está sendo observado é um argumento desprovido de força. Dizer que o aluno aprende a fazer só o que lhe mandam porque está sendo filmado, é menosprezar a inteligência dos adolescentes.
Por outro lado, a câmara filma não apenas um aluno, mas todos os alunos, inclusive o próprio ambiente da sala de aula e ainda os respectivos professores. E isso é maravilhoso. Assim, por essas pequenas coisas, desaprovação de câmaras nas salas de aula, etc, é possível chegar à conclusão de que estamos caminhando para piores dias.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


O CRIME DO CORONEL LEITÃO.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*



O advogado goiano Ignácio Xavier da Silva(Goiás Velho, 1908) publicou em 1935, pela Gráfica Popular, de Goiás Velho, o livro intitulado “O CRIME DO CORONEL LEITÃO-SEDIÇÃO NA COMARCA DE BOA VISTA DO TOCANTINS, DO ESTADO DE GOIÁS-1892-1895”.
Trata-se de livro raríssimo(Vide LIVROS RAROS em www.mariomartins.com.br), em que o autor para escrevê-lo e estando com 27 anos de idade apenas, teve de ir pessoalmente a Tocantinopolis(antiga Boa Vista do Padre João) ouvir pessoas, ler e pesquisar documentos.
Focalizou, portanto, uma das figuras mais importantes do Norte de Goiás, o Coronel Leitão(Carlos Gomes Leitão) que dera origem a uma das três revoluções de Boa Vista do Tocantins(Tocantinópolis). Mas quem era o Coronel Leitão?
CARLOS GOMES LEITÃO(Coronel Leitão), de Caxias, Maranhão, 1835. Era neto do chefe político da região Francisco Germano da Silva. Após os estudos primários em sua terra natal, onde também aprendeu a ler e a escrever, nunca mais estudou. Seguiu a carreira do avô, tornando-se político.
Durante muitos anos fez política no Maranhão, passando por diferentes cidades do Estado.
Por volta de 1880, quando tinha 45 anos de idade, mudou-se para Boa Vista do Tocantins(Tocantinópolis). Em 1881, quando Leopoldo de Bulhões ganhou para Deputado Geral, sua vitória só se consumou com os votos de Boa Vista do Tocantins e foi creditada aos votos comprados pelo Coronel Leitão que passou a receber apoio de(Bulhões) e do Partido Liberal.
Começou então o Coronel uma campanha para que a cidade de Boa Vista do Tocantins fosse anexada ao Maranhão, por ser muito longe de Goiás Velho, antiga Capital de Goiás. Essa campanha não agradava aos padres.
Frei Francisco de Monsavito foi logo a Goiás Velho e trouxe de lá um Jornal, segundo o qual o Coronel Leitão pertencia à Maçonaria. Leu o jornal no púlpito da Igreja e excomungou o Coronel que passou a perder seus companheiros de luta.
Era o início da PRIMEIRA REVOLUÇÃO DE BOA VISTA(1890). Antes, em 1862, seu avô Francisco Germano da Silva que residia em Boa Vista, tinha deposto o Juiz Manuel Cardoso de Miranda, tomando o poder político do Município.
O Coronel Leitão, seu neto, quis fazer a mesma coisa. Em 1890, foi Chefe da Coletoria Estadual. Em 1891, foi eleito Deputado Constituinte, com assento no Rio de Janeiro, após a Proclamação da República(1889).
Quando chegou em Boa Vista do Tocantins, o novo juiz, o pernambucano Dr. Henrique Hermeto Martins tratou logo de dar andamento no processo em que fora vítima a mulher de Cláudio Gouveia, contrariando os interesses do Coronel Leitão que queria se apossar da Fazenda Cordilheira, o que fez, num leilão forçado, pelo preço de 30 cabeças de gado.
Como esse valor ínfimo era um escândalo para a época, o Frei Gil Villanova escreveu um artigo para o Jornal FOLHA DO NORTE, de Porto Nacional, denunciando a compra da Fazenda pelo Coronel.
É que, como se argumentava que Cláudio Gouveia tinha matado a mulher para ficar com a Fazenda e que, sendo CONDENADO pelo Júri Popular, não poderia entrar como herdeiro, mas se fosse ABSOLVIDO, seria o herdeiro natural, o que não era interessante para o Coronel que já tinha comprado a Fazenda, num leilão totalmente irregular.
Com o júri marcado para 29.02.1892 que iria alterar a compra da Fazenda Cordilheira, o Coronel Leitão partiu para expulsar o Juiz da Comarca, mas não conseguiu e o júri foi realizado, com o apoio do cearense Coronel Francisco de Salles Maciel Perna, sendo Cláudio Gouveia ABSOLVIDO e tornando-se, por conseqüência, o herdeiro natural da dita Fazenda, com o leilão anulado.
O Coronel Leitão continuou a juntar homens e armas. Boa Vista do Tocantins tinha na época(1892) menos de mil habitantes. No dia 31.03.1892, o Coronel Leitão tentou mais uma vez tomar a cidade e a luta permaneceu até o dia 01.04.1892.
Nos dias seguintes, o Coronel Leitão que estava escondido na “Barra do Mombuca”, fugiu para Porto Nacional, onde chegou, montado a cavalo, no dia 22.04. De lá seguiu para Goiás Velho, onde chegou em maio de 1892.
Novamente reuniu homens e atacou Boa Vista no dia 13.08.1892, mas foi derrotado. Seus jagunços eram também chamados de MOCÓS. Nos anos seguintes, fez novas tentativas de invadir a cidade, mas sem sucesso. Estava terminada, conforme Palacin, a PRIMEIRA REVOLUÇÃO DE BOA VISTA DO TOCANTINS(1892).
Desiludido, desceu o Rio Tocantins e em 1895, tornou-se o fundador de Itacaiúnas(Bairro do Cabelo Seco) que deu origem a MARABÁ, hoje no Pará.
Em 13.04.1903, atacado pela MALÁRIA e em situação de penúria, terminou por falecer em Marabá, onde foi sepultado, com apenas 68 anos de idade.
Para apurar os fatos, o Presidente do Estado de Goiás, José Ignácio Xavier de Brito, mandou o Desembargador Coriolano Augusto de Loyola, em maio de 1895, fazer o Inquérito, em cujo relatório, feito em Filadélfia, sugeriu que, diante do grande número de criminosos, era mais conveniente que se concedesse uma ANISTIA GERAL.
Sobre o Coronel Leitão, dezenas de livros foram escritos, entre os quais: O CRIME DO CORONEL LEITÃO, de Ignácio Xavier da Silva(1935), A ESFINGE DO GRAJAÚ, de Dunshee de Abranches(1959), O SERTÃO, de Carlota Carvalho(1924), ENTRE SERTANEJOS E INDIOS DO NORTE, de José Maria Audrin(1946).
Apesar de sua importância, não é estudado no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


O DICIONÁRIO CRÍTICO DE ESCRITORAS
BRASILEIRAS.
(NELLY NOVAES COELHO).


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).




Mário Ribeiro Martins*


Embora tenha sido escrito para abranger o período de 1711 a 2001, o livro de Nelly Novaes Coelho, Professora da Universidade de São Paulo,“DICIONÁRIO CRÍTICO DE ESCRITORAS BRASILEIRAS”, com 750 páginas, lançado em São Paulo, em março de 2003, pela Editora Escrituras, esqueceu completamente NÃO SÓ A EXISTÊNCIA DO ESTADO DO TOCANTINS(criado em 1988), mas também a presença de suas escritoras no cenário nacional.
Faltou pesquisar livros atuais, tais como, “HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS”, de Liberato Póvoa, “ANTOLOGIA DE AUTORES TOCANTINENSES”, de Márcio Barcelos, “BREVE HISTÓRIA DO TOCANTINS E DE SUA GENTE”, de Otávio Barros da Silva, “FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO ESTADO DO TOCANTINS”, de Temis Gomes Parente, entre outros.
De forma mais específica, não foi feito nenhum levantamento no “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS”(Master, Rio de Janeiro, 2001), de Mário Ribeiro Martins, com 924 páginas, focalizando dezenas de escritoras do Tocantins, algumas nascidas e vinculadas ao antigo Norte de Goiás e outras relacionadas ao atual Estado do Tocantins, nem mesmo o “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL”, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www. usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br, com mais de seis mil verbetes.
Dentre as primeiras escritoras nascidas e vinculadas ao antigo norte goiano, há de se lembrar, os seguintes nomes-ANA BRAGA(A COMUNICAÇÃO NO MÉDIO NORTE GOIANO), AMÁLIA HERMANO(REENCONTRO), ANA BRITO MIRANDA(CONTOS ESPARSOS), ARACI BATISTA CORDEIRO(HISTÓRIA DE CAMPOS BELOS E DAS FAMÍLIAS PIONEIRAS), ALDENORA CORREIA(BOA VISTA DO PADRE JOÃO), ROSOLINDA BATISTA(ARRAIAS-SUAS RAÍZES E SUA GENTE), dentre outras.
Quanto ao segundo grupo, de escritoras relacionadas ao atual Estado do Tocantins, que para aqui vieram ou aqui vivem, podem ser destacados os seguintes nomes: TEMIS GOMES PARENTE(FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO ESTADO DO TOCANTINS), CÉLIA BOTELHO(OS XAVANTES), EDNA GOYA(TEXTOS DIDÁTICOS PARA GRAVURA), ELIEUMA DE ABREU(ANALOGIAS-POEMAS), FÁTIMA AMÉRICO(ADVINHA O QUE ESTOU VENDO!), FRANCISCA MIRANDA(MEUS POEMAS), JUCIENE RICARTE(A ESCRAVIDÃO NEGRA NO TOCANTINS COLONIAL), LÍDIA SORAYA(OS POVOS INDÍGENAS DO TOCANTINS), MÁRCIA COSTA(PADRE LUSO-TESTEMUNHO DE UMA VIDA CRISTÃ), MARGARIDA GONÇALVES(BEATRIZ A QUE FAZ FELIZ), MARINALVA BARROS(PEDAÇOS DE MIM), TOMÁSIA PARRIÃO(OS SABORES DO TOCANTINS), ZEFINHA LOUÇA(MOMENTOS POÉTICOS), além de muitas outras escritoras que a exigüidade de espaço não permite mencionar.
De qualquer forma, trata-se de um livro de excepcional qualidade, em que o talento multiforme da autora, mais uma vez se faz presente, fornecendo uma extraordinária contribuição para a divulgação das escritoras brasileiras. Pena que as escritoras tocantinenses, com o número considerável de mais de cem, tenham ficado de fora, mas que sejam incluídas na edição revista e atualizada, dentro de pouco tempo.(mariormartins@hotmail.com.br)


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


O GENERAL DA BIBLIA
(JOSÉ IGNÁCIO DE ABREU E LIMA)

Mário Ribeiro Martins*


O general José Ignácio de Abreu e Lima distinguiu-se na história do Brasil não apenas como historiador, mas também como herói a serviço da liberdade e da disseminação do Livro Sagrado entre as famílias de Pernambuco. Seu desassombro, colocando as Escrituras Sagradas ao livre exame, provocou a reação do clero católico, conforme ele mesmo declarou:
"E havíamos já espalhado bastante, quando o Sr. Cônego Campos se lembrou de qualificar as Bíblias de Londres de venenosas, cheias de erros e heresias, que se introduziam no seio das famílias para as corromper! Tachados de corruptores e de envenenadores, poderíamos deixar a nossa reputação a mercê do Sr. Padre Campos? Não." (Christão Velho, As Bíblias Falsificadas ou Duas Respostas ao Sr. Conego Joaquim Pinto de Campos. Recife: Typ. Commercial de G. H. de Mira, 1867, p. 4.)
Na verdade, Abreu e Lima não foi o primeiro a distribuir o Livro Sagrado em Pernambuco.
Conforme citação do Dr. Vicente Férrer, o padre Miguel do Sacramento Lopes Gama escreveu o seguinte no jornal O Carapuceiro: "O mais é que a seita protestante agradou a certo clérigo, que se não envergonha de andar espalhando por lojas, etc, os taes papeluchos e servindo de eco a seu mestre, que talvez não lhe encomendasse essa commissão vergonhosa. Aconselho a esse Padre que não seja tolo; que estude e aplique-se seriamente as matérias da religião de seus pais e de que é ministro e não queira dar escândalo e de ser orgam da heresia. E se eu fosse bispo recolhia o padre espalhador de papeluchos a um convento, ao menos por um ano, para aprender a doutrina cat3/4lica." (Vicente Ferrer, Seitas Protestantes em Pernambuco. Recife: Typographia Universal, 1866, p. 4.)
Este clérigo a que se refere o padre Miguel Gama foi apresentado a Kider em 1838, como ex-capelão de Fernado de Noronha.
A presença da Bíblia era tal nesta época que em outubro de 1864 o deão Faria, vigário capitular de Pernambuco, enviou uma circular aos párocos da diocese, colocando-os de atalaia contra os protestantes. Em dezembro do mesmo ano o referido deão expediu avisos ao vigário de Maceió, prevenindo-se contra a distribuição de Bíblias.
Foi neste período que surgiu o general Abreu e Lima. Embora não fosse protestante, mas apenas conhecedor das Escrituras, foi duramente atacado pelo Cônego Campos. Enquanto Abreu e Lima escrevia pelo JORNAL DO RECIFE, o monsenhor usava o DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Desta controvérsia resultou o livro intitulado AS BÍBLIAS FALSIFICADAS OU DUAS RESPOSTAS AO SR. CONEGO JOAQUIM PINTO DE CAMPOS PELO CHRISTÃO VELHO (pseudônimo de Abreu e Lima).
O general defendeu as Escrituras Sagradas das acusações padrescas com grande superioridade, deixando evidente que não eram falsificadas as Bíblias editadas pelos protestantes. O livro publicado pelo general, em 1867, foi de tal modo fulminante que mereceu a honra de ser colocado no Index Librorum Prohibitorum (Indice dos Livros Proibidos pela Igreja).
Este livro de Abreu e Lima não contém apenas as duas respostas ao cônego, como o título sugere, mas nele foram inseridos "artigos soltos sobre questões importantes de direito pátrio eclesiástico, como beneplácito imperial, ausência dos bispos das dioceses sem licença do governo, dízimos e Concílio de Trento como lei do paiz."
Além disto trata ainda do purgatório, inquisição no Brasil, Lutero e a Reforma, erros morais, políticos e teológicos dos Jesuítas, inclusive a terceira e última resposta ao Cônego Pinto de Campos.
Diante das acusações padrescas aos protestantes de falsificadores da Bíblia, disse o general: "Todas as alterações da Bíblia foram sempre feitas por catholicos... Os protestantes excluem de suas bíblias os livros deutero-canônicos do Velho Testamento como apocriphos; mas não corrigem nem emendam, nem alteram, nem viciam o texto das escripturas... quem viciou pois a Vulgata? Foi a vossa igreja, única que tem autoridade para fazê-lo; ou por outra, única que pode abusar dessa autoridade." (Christão Velho, As Bíblias Falsificadas, p. 64)
É de se observar, finalmente, que Abreu e Lima distribuía exclusivamente o Novo Testamento e não a Bíblia completa, pois tinha restrições ao Deus do Velho Testamento, conforme ele mesmo acentuou: "Havíamos feito presente de alguns exemplares do Novo Testamento impresso em Londres, visto que nunca nos atreveríamos a pôr nas mãos de uma senhora ou de uma menina o Velho Testamento, salvo os Psalmos." (Ibid, p. 52)
De qualquer modo o importante é que a semente espalhada pelo general caiu em boa terra para brotar e dar fruto mais tarde. Preparou ambiente liberal e favorável à pregação do Evangelho e despertou o povo para pesquisar a verdade. (JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 15.10.1972).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




O GENERAL DO POVO
(JOSÉ IGNÁCIO DE ABREU E LIMA)


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*


Com o título acima passou para a história da liberdade, o general JOSÉ IGNÁCIO DE ABREU E LIMA. Nascido em Pernambuco a 6 de abril de 1794, era filho do padre José Ignácio Ribeiro de Abreu Lima (Padre Roma). Após seus estudos preparatórios em Olinda, foi para o Rio de Janeiro onde cursou a Academia Real Militar, em 1816, saindo com a patente de capitão de artilharia, quando tinha apenas vinte anos de idade.
Em virtude de seu caráter enérgico, altivo e independente foi preso em Pernambuco e enviado à Bahia, por ordem do Conde dos Arcos, em fevereiro de 1817.
Ali estava quando estourou a revolução pernambucana de 6 de março, de que seu pai era o segundo chefe. Enviado a Bahia como representante do governo provisório de Pernambuco, o padre Roma foi preso e condenado à morte. No dia 28 de março de 1817 o referido padre foi fuzilado no Campo de Sant’Ana, em Salvador, na presença de seu filho.
Livre da prisão, na Bahia, Abreu e Lima embarcou para os Estados Unidos. Naquele país entrou em contato com a Bíblia, aprendendo a amá-la e defendê-la. Meses depois viajou para a Venezuela, onde manteve contato com Bolívar. Tornou-se patriarca da liberdade americana, na luta que as possessões espanholas da América do Sul enfrentaram contra o jugo da metrópole.
Recebeu a patente de general, além de condecorações e outros títulos, sobretudo na Venezuela e Colômbia.
Após a morte de Bolívar, em 1830, Abreu e Lima deixou a Colômbia, indo aos Estados Unidos, Portugal e Paris. Em 1832 retornou ao Brasil, embora com os direitos de cidadão brasileiro perdidos, por haver recebido honrarias estrangeiras, sem consentimento de seu país. Conforme, porém, decisão da Assembléia Geral em 23 de outubro de 1832 foi reintegrado nos mesmos direitos.
Sobre esta fase da vida do general, disse Francisco Costa: “Depois de haver ilustrado o seu nome na côrte do império, e de firmar uma reputação honrosa e invejável partiu para Pernambuco, e aqui aportou em 1844, depois de 27 annos de ausência”. (Francisco Augusto Pereira Costa, Diccionário Biográphico de Pernambucanos Celebres. Recife: Typografia Universal, 1882, p. 559).
Durante quase cinco anos, Abreu e Lima se dedicou à política, escreveu artigos e dirigiu jornais. A partir de 1849, contudo, absteve-se completamente dos negócios políticos do Brasil, dedicando-se exclusivamente aos trabalhos literários e científicos, cujas produções são soberbos monumentos de inteligência.
De sua posição e influência, aproveitou-se o general para realizar excelente trabalho de colportagem. O título de Libertador da Nova Granada, o de membro da Ordem Militar dos Libertadores da Venezuela, as missões diplomáticas junto ao governo dos Estados Unidos, o cargo de Secretário Geral no governo de Angustura, tais foram os louros colhidos por esse ilustre brasileiro e de que lançou mão para propagar a verdade, como ele mesmo declarou:
“Há muito que pensamos em dar uma educação cristã à infância, principalmente a do sexo feminino; visto que a educação que recebe agora, he puramente pagã e idólatra em que desaparece inteiramente a idéia de Deos, substituída pelo culto material das imagens.”
Mais adiante informou o general: “Com este intuito começamos a distribuir, entre as famílias de nossa íntima amisade, alguns exemplares do Novo Testamento impresso em Londres.”(Christão Velho, As Bíblias Falsificadas ou Duas Respostas ao Sr, Conego Joaquim Pinto de Campos. Recife: Typ. Commercial de G. H. de Mira, 1867,p. 3.)
Abreu e Lima não somente distribuiu Bíblias, mas foi também defensor dos protestantes, quando disse: “O sr. Padre Campos he inexorável com os protestantes; falla sempre delles com esse odio concentrado, que lhe fica tão mal... Se Deos não he só dos Judeos, mas também dos gentios, com que direito excluis vós os protestantes da presença de Deos? Quem vos deu essa potestade?” (Ibid, p. 311.)
Eis, pois, o que foi o ilustre brasileiro, general José Ignácio de Abreu e Lima, como patriota, como soldado, como homem de letras e como homem do povo. Com esta riqueza de espírito e sentimento de liberdade permaneceu até os últimos instantes de sua vida, ao falecer em 08.03.1869, com 75 anos de idade, quando lhe foi negada, por ato episcopal do Bispo Cardoso Ayres, sepultura no Cemitério Público de Santo Amaro, no Recife, tendo sido sepultado no Cemitério Inglês.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 29.10.1972).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


O GOLPE DA RAPINA


GABRIEL NASCENTE*


Andava eu enluarado, naqueles anos de doidice da juventude; a cabeça nas neves de Kilimanjaro e os pés no Bairro Popular, em adejos no infinito. De um lado, a poesia e o sonho; e do outro, a dureza da vida e o feijão. E dali eu me vinha -moço, desempregado- galgando a escadaria do destino, no limiar da década de 70.
Ruidoso e inquieto, no chalrar das minhas quimeras. Pois que a poesia já assinalava, em mim, o plectro de Apolo. E doido, apaixonado, eu me inflava de sonhos, essas ilusões que adormecem a alma, e não duram mais que o piscar de um olho.
Até ali os meus únicos feitos tinham sido: obter o diploma do Ginásio Industrial da ETFG; ter publicado Os Gatos- que marcou a minha estréia nas letras, e ainda aprendido algumas noções de jornalismo, na redação do Cinco de Março, onde conheci a linotipo e o clichê.
Administrava Goiânia, na época, o prefeito doutor Manuel dos Reis. E era o seu porta-voz o jornalista Alírio Afonso de Oliveira(cuja irmã, a Zica, fora minha aia, na infância). E ambos- o alcaide e o jornalista- foram de uma infinita bondade comigo, no que tangia à minha dramática falta de emprego. E me levaram para trabalhar na Assessoria de Imprensa do Palácio das Campinas, da Praça Cívica.
Ali, sim, ao lado do grande Alírio, boêmio e criador de coelhos, aprendi a redigir notícias. Ele me punha, de madrugada, a inspecionar obras, com o doutor Manuel dos Reis, nos bairros, de papel e caneta na mão. A gente partia para as reportagens a bordo da velha Kombi do seu Pimentel, que fedia pinga e bosta de coelhos. Era o único veículo da imprensa do Palácio das Campinas, na época.
E cobria todos os eventos da municipalidade com repórteres a bordo. O sujeito pegava a notícia e voltava correndo para fazer a matéria, veiculada em seguida no famoso Boletim/Informe da Prefeitura.
A poesia da vida pululava ali. Trabalhávamos com dedicação e amor. Ademais, ostentar o título de repórter palaciano, na época, era motivo de muitíssima jactância, e o ego ficava assoberbado de orgulhoso. A gente- um humilde manga-de-alparca do municipio- ficava todo importante, serelepe, homem do poder, esses delírios de nuvens, bazófia. O tempo indo, eu me casei, etc.
Um belo dia, me apareceu lá na Assessoria de Imprensa um japonezinho, todo bem vestido, de terno, e de pasta preta na mão. Queria falar comigo. Recebi-o. Ele vendia seguro de vida, da Capemi. Depois de muita solércia- lábia boa e convincente ele tinha- o dito nipônico, com aquela sua carinha de plush, acabou me convencendo.
E eu aí caí-me no conto: comprei um seguro de vida ou um golpe de rapina? Empulhação pura. Tão bem-feita a perfídia que, a partir daquele instante, o pagamento sangrava o meu salário, mensalmente, na fonte.
E os anos foram passando, passando: cinco, dez, 15, 20, 25; até que um dia os laços matrimoniais do meu himeneu desataram-se em cinzas; enchi o saco e fui atrás do filho-da-puta do japonezinho, lá no escritório central da Capemi, Rua 16, Centro; acertar a minha vida e reinvindicar a minha aposentadoria compulsória, já que eu somava quase 30(trinta) anos de contribuição.
Que nada. Tudo mentira. A tesouraria da empresa levou uns três meses calculando o referido acerto, resposta inclusive que dependia da matriz- a Capemi do Rio de Janeiro.
Finalmente, a papelada chegou, e me mandaram diretamente para um banco ali na avenida Goiás, com a 3. Fui. E pasmem só. O caixa pediu a minha identidade e me disse: “O SENHOR TEM EXATAMENTE R$ 0, 47(quarenta e sete centavos) para receber da CAPEMI. E ASSINE AQUI”. – Não pode- murmurei, aflito- esses ladrões me pagam! Deu caganeira em mim.(O POPULAR, GOIÂNIA, Quarta-feira, 05.01.2005).


GABRIEL NASCENTE é jornalista e escritor.
(gabrielnascente@yahoo.com.br)



O GOVERNO DO TOCANTINS
E A SEDE DA ACADEMIA.


Mario Ribeiro Martins*



O Governo de Goiás comprou uma sede própria para a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás na RUA 132-C, NÚMERO 114, SETOR SUL, Goiânia, sem que tenha nenhum membro da Academia, no governo.
Comprou uma sede própria para a União Brasileira de Escritores de Goiás, na RUA 21, Nº 262, CENTRO, GOIÂNIA, em iguais condições.
O Instituto Histórico e Geográfico de Goiás tem a sua sede própria na RUA 82, NUMERO 455, SETOR SUL, GOIÂNIA, há muitas décadas.
A Academia Goiana de Letras tem a sua sede própria na RUA 20, NÚMERO 175, CENTRO, GOIANIA.
A história da conquista desta sede da Academia Goiana já é bem divulgada, além de curiosa.
A Academia Goiana tinha sido fundada em 22.04.1939 e instalada em 29.04.1939, sob a presidência de Pedro Ludovico Teixeira que era o Titular da Cadeira 01. Pois bem, Pedro Ludovico mandou e desmandou em Goiás. Foi Senador. Foi Governador por vários anos e nunca conseguiu uma SEDE PRÓPRIA para a Academia.
Somente no governo de Henrique Santillo que não tinha nada a ver com a Academia é que foi conseguida a sede própria. Santillo autorizou seu Secretário da Cultura, Kleber Adorno, a comprar a Casa de Colemar e doar para a Academia, por volta de 1988. Como se vê, somente 49 anos depois de fundada, a Academia ganhou a sua SEDE PRÓPRIA.
O que está acontecendo no Tocantins não é mera coincidência. É uma realidade. Siqueira Campos é o 1º ocupante da Cadeira 01, da Academia Tocantinense de Letras, fundada em 12.12.1990 e instalada em 02.03.1991. Mandou e desmandou no Tocantins.
Foi Governador durante muitos anos e nunca conseguiu a sede para a Academia Tocantinense de Letras, embora o assunto tivesse constado em Ata, do dia 02.03.1991, nos seguintes termos, “A seguir o Cerimonial anunciou a assinatura, pelo Exmº Sr. Governador do Estado José Wilson Siqueira Campos, de várias medidas que beneficiam o mundo cultural do Tocantins: 1)Oficializando o Hino do Estado do Tocantins. 2)Considerando a Academia de Letras do Tocantins, Entidade de Utilidade Pública. 3)DANDO UMA ÁREA NA ZONA URBANA DE PALMAS, DESTINADA À CONSTRUÇÃO DA SEDE DA ACADEMIA. 4)Concedendo subvenção anual à Academia. Tais atos foram sancionados sob acalorada salva de Palmas”.
O fato é que a Academia, depois de passar pelas casas dos Presidentes, foi abrigada numa sala nos fundos da Biblioteca Pública Municipal Jaime Câmara, no Espaço Cultural de Palmas, graças à gentileza do antigo Prefeito de Palmas, Manoel Odir Rocha, mas não dispõe de espaço para nada. A Academia tem 40 membros, mas a sala não cabe os dez primeiros que chegarem. Não tem espaço para Biblioteca, Secretaria, etc.
Esperança de ganhar a sua sede própria a Academia já teve muitas, a começar pelo elenco de seus presidentes.
Entre 1991 e 1993, foi Presidente o Desembargador José Liberato Costa Póvoa muito bem relacionado e com livre trânsito no governo.
Entre 1993 e 1995, foi Presidente Margarida Lemos Gonçalves, Missionária e Professora de muito prestigio. Entre 1995 e 1998, retornou à presidência, o Desembargador Liberato Póvoa. Entre 1998 e 2001, foi Presidente a Advogada Mary Sonia Matos Valadares.
Entre 2001 e 2003, foi Presidente o Advogado Juarez Moreira Filho, cujo irmão Deputado Estadual Laurez Moreira, sendo da bancada do governo, na época, poderia ter ajudado na conquista da sede própria da Academia. Sem se falar, é claro, no antigo Deputado Federal Darci Coelho que, sendo membro da Academia na Cadeira 05, foi até Vice-Governador do Tocantins e seu Deputado Federal, da bancada do governo, entre 1993 e 2004.
Entre 2003 e 2006, foi Presidente Isabel Dias Neves. Belinha foi a que mais teve condições de conseguir a sede própria da Academia, por ser amiga pessoal da família do Governador Marcelo Miranda e de seu pai-membro da Academia-Brito Miranda. Preocupou-se com alguns projetos culturais e se esqueceu da sede própria.
A partir de 2007, foi eleito Presidente o Procurador de Justiça Aposentado Eduardo Silva de Almeida que continua batalhando pela sede da Academia.
Infelizmente, alguns presidentes não se empenharam com afinco na conquista da sede própria, eis que, preocupados muito mais em conseguir passagens aéreas do governo para viagens, alem de outras mordomias.
A Academia Tocantinense conta hoje com um nome forte para conseguir a sua sede própria que é José Edimar Brito Miranda que, sendo membro da Academia, na Cadeira 25, é também pai do Governador Marcelo Miranda e seu SECRETÁRIO GERAL DA INFRA-ESTRUTURA.
Em Goiás, todas as sedes próprias de entidades culturais foram compradas pelo Governo Estadual e nenhuma pelo Governo Municipal.
No Tocantins, não importando de onde venha, se do Governo Estadual ou Municipal ou da iniciativa privada, o importante é que a Sede Própria da ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS apareça o mais rápido possível.
É uma vergonha, a Academia ser conhecida nacionalmente por seus concursos literários e quando alguma comitiva chega em Palmas para visitá-la não tem onde sentar-se.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


O MENOSVÁLIDO NA ARTE E NA HISTÓRIA


Mário Ribeiro Martins*

Beleza e Menosvalia, ao que parece, nunca foram um binômio aceitável. Desde a antiguidade o artista tem buscado na perfeição humana a essência da beleza, daí a Estética como "sensação do belo". O conceito aristotélico é de "beleza como harmonia". O de Sócrates e Platão identificando o belo como "o bom e o útil". O de Miguel Ângelo uma concepção subjetivista que não admite a beleza fora do espectador.
Os artistas nem sempre representavam o menosválido, talvez influenciados por um conceito traumatúrgico, cuja origem pode ser encontrada na cultura assíria, onde surge o critério de enfermidade como castigo. Excetuando algumas anomalias morfológicas em esculturas pré-históricas, como as denominadas Venus de Laussel, Venus de Sireuil e Venus de Wilençorf, as primeiras representações de menosválidos são encontradas na Mesopotâmia, onde dois mil anos antes de Cristo, já se fazia julgamento dos "genus varus" (indivíduos defeituosos), como se pode contemplar em quadros do Museu do Louvre, mostrando o triste destino que os esperava.
Na Assíria, estremecedoras cenas bélicas representadas nos relevos de Salmanasar e conservadas no Museu Britânico, mostram uma das origens mais freqüentes de menosválidos de todos os tempos: as guerras.
No antigo Egito há também representações, tais como o anão Khum Hotep da IV dinastia, o momento do escriba Rama, onde se pode apreciar uma típica monoplegia inferior, sendo este o documento mais antigo da existência desta enfermidade no mundo.
As culturas pré-colombianas também são ricas em representações de menosválidos, especialmente no Peru, de onde procedem as estatuetas que se encontram no Museu do Homem, em Paris. A cultura clássica não é excessivamente pródiga na representação de menosválidos, havendo no Museu do Louvre, o Peytel, procedente do século VI A.C. em pleno auge de Hipócrates, que mostra um anão acondroplásico.
Algumas anomalias têm chamado à atenção dos artistas, incitando-os a representá-las, como as paralisias faciais periféricas. São encontradas desde a Grécia clássica, através da estátua de Chysaos que apresenta uma ostensiva paralisia facial direita, até as grotescas máscaras rituais do Ceilão ou as máscaras de baile de Java, passando por uma série de representações típicas de paralisias faciais tanto no Peru como no mundo helênico ou romano, sendo talvez mais reproduzida a que está na Catedral de Estrasburgo, do século XV.
Certas desarmonias têm sido tomadas em muitos povos como sinais de beleza e formusura, especialmente no sexo feminino, dando lugar a conhecidas e numerosas deformações corporais.
Entre as mulheres assírias um sinal de beleza era ter o seio o mais largo possível, pelo que as meninas de cinco anos em diante colocavam os seus peitos entre as pinças de um inseto, cuja picada produzia um aumento considerável dos seios.
As mulheres chinezas deformavam os pés desde meninas para provocar o máximo de beleza. As mutilações ou perfuração de orelhas para introduzir aros, pendentes, etc. são bem conhecidas em quase todos os povos primitivos e suas reminiscências chegam até às culturas modernas.
Os abissínios gostavam de narizes chatos, enquanto os persas preferiam compridos e magros, porque diziam que assim os tinha Ciro, o Grande.
As deformações corporais nem sempre eram provocadas por motivos estéticos, mas muitas vezes por questão racista, religiosa ou política. Nas culturas primitivas o menosválido era uma carga para a sociedade e por isso rapidamente eliminado.
Os meninos deformados eram abandonados no campo, enquanto na India eram lançados no Ganges. Na América do Sul os índios Salvias davam morte aos defeituosos, porém os Maias tinham mais atenção aos inválidos.
O egipcios constituíram uma exceção, já que não só toleravam os menosválidos, como também a medicina se ocupava deles. A situação do povo hebreu foi dramática e herdada do Código de Hamurábi sua doutrina dos "possessos" ou enfermidade-demônio que permitia olhar o inválido como um ser impuro.
Em Esparta os meninos deformados eram sacrificados e lançados no abismo do Taigeto, com o fim de manter uma raça perfeita. A partir de Hipócrates III, o conceito enfermidade passou a ser um fenômeno científico-natural e não castigo divino.
Então a situação dos menosválidos melhorou consideravelmente e na Atenas de Péricles estabeleceram-se hospitais e casas para os convalescentes. Em Roma, nos tempos primitivos os pais poderiam tirar a vida dos filhos que nascessem deformados, desde que cinco vizinhos concordassem que tais filhos deveriam ser sacrificados.
Apesar disto o infanticídio nunca foi proclamado em Roma. As crianças menosválidas eram, muitas vezes, abandonadas nas ruas de onde eram recolhidas por pessoas que imploravam a caridade pública, usando os meninos deformados, uns de forma congênita e outros de maneira artificial para aumentar deliberadamente suas deformações.
O cristianismo acentuou o reconhecimento da dignidade humana e desse impulso mágico resultou a sociedade privada que veio em auxílio dos mais necessitados.
Coube a São Jerônimo fundar as primeiras instituições para os enfermos: os hospitais. Santa Paula criou em Jerusalém o primeiro hospício e São Basílio, o primeiro hospital, em Cesareia.
Apesar disto a situação dos menosválidos, que era triste na antiguidade, não é menos lamentável na idade média. O significado teúrgico das enfermidades continuou imperando no período medieval, daí um quadro de Leonhard Beck, de Viena, que apresenta Santa Radegunta expulsando um demônio.
O menosválido visual foi romanceiro na Europa, advinho e feiticeiro na Ásia e oráculo na Grécia clássica. Daí ser representado na iconografia, de todos os tempos desde o quadro "Briga de Mendigos" até o "Acrobata cego e o jovem Arlequim" de Picasso, em 1905, além da "Procissão de São Isidro" em que Goya coloca o cego guitarrista em primeiro plano.
No quadro "Santa Catarina de Alexandria", de Rafaelo estrábico é também representado. O menosválido psíquico é encontrado em quadros do Museu do Louvre, Museu de Grantes, Museu de Lyon, destacando-se, no entanto, "Casa de Loucos" de Francisco Goya, que numa expresividade luminosa, apresenta a imagem de um autêntico manicômio.
O menosválido hoje é visto de modo diferente, daí uma série de conferências e congressos realizados exclusivamente sobre o assunto e a recomendação do ponto quinto da CARTA DO ATLÂNTICO: "Que os Estados se ocupem da saúde de seus cidadães, de seus meios econômicos em caso de infortúnio e necessidade e da REALBILITAÇÃO profissional e colocação dos MENOS CAPACITADOS". (O POPULAR. Goiânia, 28.02.1976).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




ONDE DEUS É BRASILEIRO
(Sobre o Jalapão)


ZUENIR VENTURA*




28.02.2006 | Agora entendi por que Cacá Diegues escolheu aquele lugar como cenário ideal para que Deus (Antonio Fagundes), cansado, encontrasse finalmente um substituto durante suas férias, um candidato a santo. Se não soubesse que cenas de “Deus é brasileiro” foram filmadas ali, no Jalapão, ia acreditar que minha mulher e eu éramos as primeiras pessoas a botar os pés naquelas dunas de areias vermelhas e virgens – os pés, os joelhos e as mãos.
Explico.
As dunas formam um grande platô retangular de uns 40 metros de altura, na parte mais elevada. Para chegar lá em cima, tem-se que escalar o paredão de areia que é íngreme, quase reto. Imaginem subir uma parede fofa. A impressão é essa. E o medo é de que, subindo em pé, vai-se cair para trás, claro, como acontece a quem desafia a lei da gravidade. Mas era tarde para desistir. Começamos então a subir, verificando logo que o problema não era o de cair, mas o de não chegar ao destino. Os pés afundam na areia mole e adquirem o peso de duas botas de chumbo. Aí, não dá mais. O negócio é ajoelhar e usar também as mãos, ou seja, ficar de quatro.
Pode não ser a posição mais solene, mas é a única que nos levará até o topo. Haja esforço e haja fé. Ufa! Chegamos. Os percalços da subida são logo esquecidos quando nos erguemos e começamos a caminhar sobre aquela plataforma deserta. Me dizem que há milhões de anos tudo aquilo era o fundo de um oceano. Será que isso explica o riachinho de um palmo de fundura que corre na base e em torno do bloco de areia? Mas aquela água é doce e cheira a ferro. Como ela, tão cristalina, foi parar ali? Mistério.
Mas não é hora de reflexão e sim de contemplação. O único sentido a funcionar é a visão, e ela está em êxtase. Algum ser humano já andou por aqui antes? A serra que circunda toda a região é feita de rochas estranhamente simétricas: há poucos picos, as plataformas são planas como tampos de mesa. Daqui a pouco, assistiremos ao pôr do sol. Em Palmas, me tinham recomendado como algo imperdível – mesmo para quem está acostumado a isso em Ipanema.
Me assalta agora a tentação de mentir, descrevendo-o sem ter visto. É que, de repente, relâmpagos e trovões passaram a anunciar um temporal bíblico. Era hora de partir. Havia o risco de ficarmos retidos na estrada onde, na vinda, um pneu se rompeu, deixando-nos sem estepe.
Se fossem só as dunas, já estava de bom tamanho. Mas o Jalapão é muito mais, é um gigantesco parque que oferece mil opções de passeio. Há um roteiro que leva quatro dias para ser feito. O nosso levou dois. Comandada por uma jornalista tocantinense cujo único defeito era a resistência de atleta, nossa expedição saiu às seis horas da manhã de Palmas para voltar dois dias depois à noite. São cerca de 200km da capital de Tocantins, dos quais mais da metade é o caminho de terra e areia usado pelo Rally dos Sertões. Não se viaja, sacoleja-se sobre os buracos. O corpo vai de um lado para o outro e a cabeça só não se desprende porque bate no teto. Juro que me sinto apto a fazer o Paris-Dakar.
No entanto, se você for jovem como minha mulher e eu, vale a pena. Há umas dez cachoeiras a serem visitadas. Paramos numas três e nos deslumbramos com a do Lajeado. A água corre sobre grandes prateleiras de uma pedra argilosa chamada toá, com que se fazem tijolos e telhas. É de um vermelho tão bonito que os índios a utilizavam para pintar o corpo. Destaque para a Prainha, onde mergulhamos nas águas claras e frias do Rio Novo.
Um capítulo especial deveria ser reservado para o Fervedouro de Mateiros. É uma piscina natural no meio de árvores onde a novidade extraordinária é que você não consegue afundar. Por mais que se esforce, bolhas de ar saindo do fundo de areia mantêm-no de pé dentro da água. É um dos vários mistérios da região.
Disse que deveria reservar um capítulo ao fenômeno, mas não vou porque saí frustrado. Assim como perdera o pôr do sol, não consegui boiar. Tentei umas cinco vezes, ajudado pelos companheiros de expedição. Fui o único a fracassar. Minha mulher flutuando, tentando me ensinar como manter o corpo ereto, e eu insistindo em ir ao fundo como se tivesse uma irresistível vocação para ser pedra. Um vexame. Pretendia falar de muitas outras atrações, como o Povoado de Mumbuca, onde nasceu o artesanato de Capim Dourado, que é hoje vendido até para a Europa. Vai ficar para outra ocasião. Com apenas 17 anos, Tocantins comporta-se como gente grande. Tem muito a oferecer. Deus que o diga.


(*ZUENIR VENTURA é jornalista e escritor. Esteve em Palmas, Tocantins, no dia 17.02.2006, para proferir conferência no ENCONTRO COM JORNALISTAS, no auditório do SEBRAE. No dia seguinte, teve a oportunidade de visitar o JALAPÃO. Escreve a coluna “no mínimo” para diferentes jornais e revistas. Leia mais sobre ele no site:
www.mariomartins.com.br)



O PODER TERAPÊUTICO
DA MÚSICA

Mário Ribeiro Martins*


Verifica-se na atualidade, o desenvolvimento de um setor que nunca foi suficientemente explorado. Embora em seus primeiros passos, somente agora o poder terapêutico da música está sendo devidamente reconhecido e já provou seu alto valor. Claro que este valor terapêutico não está isento de falhas e pode tornar-se perigoso quando colocado nas mãos de pessoas inexperientes que aproveitarão o ensejo para fazer charlatanismo.
O uso terapêutico da música, no entanto, não é uma invenção ou experiência moderna. A história, através dos séculos, conta inúmeras experiências mostrando que a música afeta uma pessoa física, mental e emocionalmente. A narrativa bíblica fala sobre o poder curativo da harpa de Davi para acalmar o Rei Saul e conta também que na consagração do templo de Salomão, o programa musical foi tão grandioso e espiritual que conforme o segundo livro de Crônicas: “os sacerdotes não podiam ter-se em pé para ministrar”.
Logo após a Segunda Guerra Mundial muitas experiências foram realizadas com soldados cujos corpos e espíritos foram quebrantados recebendo tratamento por intermédio da música, quando nenhum outro meio produzia resultado satisfatório.
No “Walter Reed Hospital” nos Estados Unidos, musicas especialmente escolhidas fizeram parte do tratamento médico de um grupo de doentes, sendo que cerca de 75% mostrou uma sensível melhora em tempo recorde.
Em seu artigo intitulado “Sinfonia Heróica”, publicado no suplemento cultural do jornal New York Times, B. Maffat cita casos interessantes, entre os quais, o de dois soldados amigos que tocavam duetos ao piano, um tocando com a mão esquerda e outro tocando com a mão direita, pois ambos tinham perdido braços.
Outro exemplo mencionado por Maffat é de um soldado “mentalmente perturbado” que depois de passar vários meses “somente ouvindo peças musicais na sala de música”, começou a estudar e tornou-se membro de uma orquestra sinfônica.
Um outro exemplo é o de um soldado com um dos seus braços gravemente ferido e que duvidava da utilidade do estudo de piano como um exercício de reabilitação, mas pouco tempo depois, estava entusiasmado, incentivando inclusive outros colegas a fazerem a mesma coisa.
Outros exemplos que mostram o grande poder terapêutico da música poderiam ser mencionados, entre os quais, as cantigas de ninar que as mães cantam para acalentar e adormecer as crianças. Os famosos espirituais dos negros nos Estados Unidos surgiram no tempo da escravidão quando, cantando os hinos os escravos se esqueciam do trabalho duro a que eram submetidos.
Como se não bastasse, tem-se as marchas que são tocadas para os soldados ou mesmo os músicos patrióticos que unem o povo de uma nação. Experiências têm sido feitas nas fazendas de demonstração dos Estados Unidos, onde as músicas são tocadas nos currais através de possantes alto-falantes, contribuindo sensivelmente para a quantidade e qualidade do leite, experiência que também foi realizada em Minas Gerais, conforme notícia da revista Manchete.
Bastante conhecida e utilizada é a idéia do uso da música como calmante. Serve para acalmar os nervos e ajuda a esquecer as preocupações. Serve para reduzir as tensões, cria uma atmosfera mais acolhedora e ajuda inclusive na digestão.
Falou-se muito, por exemplo. na MUZAK que não é outra coisa senão aquela música de fundo que contribui para diminuir a tensão no trabalho e alimentar uma sensação de bem-estar. É o tipo de música que, não se ouve, sente-se. Ela chega aos ouvidos quase imperceptivelmente, envolvendo com suaves e tranqüilizantes melodias, próprias para cada hora do dia e para cada ambiente.
Quando este tipo de música é tocado numa fábrica ou escritório, serve como calmante e reduz a tensão e fadiga, pois torna as pessoas mais amáveis e atenciosas, reduzindo suas preocupações, sua excitação e seus receios. Dir-se-ia, portanto, que há necessidade de utilizar com mais freqüência o valor curativo da música. Por que deixar que somente os restaurantes, currais, hospitais e outras organizações dela se utilizem? Tem-se na música um elemento tão poderoso que se poderia ouvir e sentir uma experiência elevada e completa sem que houvesse necessidade de palavras, daí dizer o alemão: “Ó TAVARISH (camarada), cantamos porque gostamos e nos faz esquecer as preocupações”.(O POPULAR. Goiânia, 06.11.1977).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




O PRESIDENTE QUE MORREU EM CERES
(QUEM FOI O GENERAL CHICHAKLI?)



Mário Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


MOHAMED ADIB CHICHAKLI(GENERAL), de Hama, Síria, 16.01.1910. Após os estudos primários em sua terra natal, deslocou-se para outros centros, onde também estudou.
Como Militar, chegou ao posto de Ministro da Guerra. Através de um golpe militar, em 1950, quando tinha 40 anos de idade, chegou à PRESIDÊNCIA DA SÍRIA.
Em 1952, mediante eleições gerais, foi confirmado Presidente da Síria. Em virtude de suas reformas políticas, entre as quais, a Reforma Agrária, terminou sendo deposto, em 1954, por um novo golpe militar.
Fugiu para a Arábia Saudita, onde ficou 20 dias. Foi para Paris, onde fez tratamento médico. De 1954 até 1960, viveu entre a França e a Suíça.
Aconselhado por amigos, mudou-se para o Brasil, passando 8(oito) meses no Rio de Janeiro, juntamente com a família.
Com o dinheiro que lhe fora dado pelo Presidente da Arábia Saudita, comprou uma fazenda de 1250(um mil, duzentos e cinqüenta) alqueires goianos, em Pequizeiros, antigo norte de Goiás, hoje Tocantins.
Aconselhado pelos seus amigos Sírios, resolveu fixar residência na cidade goiana de CERES, onde se tornou fazendeiro e plantador de Arroz.
Vivia em Ceres, com sua segunda esposa Therese Flav Chichakli e uma filha de nome Amália, além do filho do primeiro casamento, ex-oficial do Exército Sírio, Morfak Chichakli.
No dia 27.09.1964(com 54 anos), na parte da tarde, em Ceres, Goiás, depois de atravessar a ponte sobre o Rio das Almas, que liga Rialma a Ceres, foi baleado com vários tiros. O General Mohamed ainda tentou escapar entrando numa casa, mas foi perseguido pelo ASSASSINO que descarregou 5(cinco) tiros.
Conforme testemunhas, o matador tirou os óculos, chutou o corpo do morto e saiu recarregando o revólver e caminhando pelas margens do Rio das Almas. O enterro do General em Ceres foi simples e acompanhado da população local que o estimava.
O General foi morto por um rapaz de óculos escuros e cicatriz entre os olhos, chamado Nawal Ben Youssef Ghazal, pertencente à religião DRUSI, cujos seguidores tinham sido perseguidos e suas aldeias bombardeadas pelo General quando Presidente da Síria. Este rapaz saíra de Brasília no dia 24 de setembro de 1964, com destino a Ceres e despedira de seus amigos, como se nunca mais fosse voltar. Mas voltou algum tempo depois, já carregando sobre os ombros o ASSASSINATO do General Mohamed.
Conforme a Enciclopédia Britânica, os drusos são inteligentes, respeitosos, mas cruéis e sanguinários. No Brasil, têm sede em Belo Horizonte, mas muitos adeptos em todo o país.
A cicatriz do matador aparecera no tempo em que lutava Box para ganhar a vida. Com o auxílio dos amigos sírios, furou o cerco armado pelos policiais e conseguiu fugir. Foi, no entanto, preso em Teófilo Otoni, Minas Gerais, consoante notícia da Revista O CRUZEIRO, de 24.10.1964. Nos anos seguintes, Nawal montou um restaurante em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília.
A Síria tinha se libertado da tutela francesa em 1946 e o General Chichakli foi o seu quarto Presidente. O segundo Presidente General Hossni Al-Zahim também foi morto em 1949, o mesmo ocorrendo com o Primeiro-Ministro Monsein Al-Barazi.
Sobre o General Mohamed Adib Chichakli escreveu Nair Leal de Andrade, em seu livro HISTÓRIA E HISTÓRIAS DA CANG(Kelps, 1990). CANG significa COLÔNIA AGRICOLA NACIONAL DE GOIÁS.
Apesar de sua importância, não é mencionado no livro MEU PAI, BERNARDO SAYÃO(1965), de Léa Sayão, não é estudado no “DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO”(2001, 5 VOLUMES, 6.211 PÁGINAS), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
Mencionado neste Dicionário Brasileiro e nesta série de artigos, por ter vivido muitos anos em Ceres, Goiás, onde também foi morto e sepultado. Não é referido no livro A IMIGRAÇÃO ÁRABE NO BRASIL(São Paulo, Garatuja,1994), de Jorge S. Safady.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br
Quanto ao ASSASSINO NAWAL BEN YOUSSEF GHAZAL, conhecido como RACHID, faleceu em Brasília, por volta de 16.12.2005, sendo seu corpo levado para a Síria, onde foi sepultado como HERÓI NACIONAL, conforme e-mail enviado a este autor.




MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



O SUPLEMENTO COMO
JORNALISMO LITERÁRIO


Mário Ribeiro Martins*

A idéia de se fazer literatura propriamente dita, pelo Jornal, é bastante antiga. Um dos primeiros jornais brasileiros a adotar o sistema foi o DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Assim, no dia 8 de julho de 1836 apareceu pela primeira vez neste jornal, a seção intitulada LITERATURA e assinada pelo Redator Carapuceiro.
Na verdade, livre da concorrência do rádio e da televisão, o jornal, ao invés de oferecer-se nas bancas, era procurado no seu próprio refúgio. Vingava-se da temporalidade da circulação. Exercia domínio sobre o tempo e era o tempo que o valorizava. Aliás, nenhuma outra fonte histórica o suplantava pela amplitude e pelo seguimento.
Poder-se-ia mesmo dizer que sob tal ponto de vista, os jornalistas tiveram, como de fato ainda o têm, uma especialidade da qual nem sempre se apercebem: são eles os repórteres e redatores da história.
Embora o jornalista escreva para o ciclo vivencial do jornal que é o das 24 horas seguintes, na verdade, ele escreve para o tempo e para a história. O tão badalado provisório das 14 horas do jornal, encontra desse modo, o sistema de ressarcimento.
Não se pode negar que dentro da imprensa jornalística, o jornalismo literário não tenha a sua própria história. De fato, o jornalismo propriamente dito se apresenta como um gênero literário. Para justificar isso foi que Alceu de Amoroso Lima escreveu, em 1960, o ensaio com 63 páginas, intitulado O JORNALISMO COMO GÊNERO LITERÁRIO e cuja leitura deveria ser obrigatória a todos os estudantes de jornalismo.
Não há dúvida de que o jornal moderno, quanto ao seu espaço, pertence mais a outros gêneros literários do que ao jornalismo como tal. Observa-se que o jornal dinâmico de hoje atende aos gostos e caprichos dos leitores através de uma diversidade de secções. O número destes compartimentos especializados aumenta a cada dia e a maioria deles tem com o jornalismo propriamente dito apenas a vizinhaça da página ou da coluna.
A importância do jornalismo literário, aliás tão bem apoiado, em Goiás, pelo O POPULAR, na pessoa de seu insigne representante Jornalista Jayme Câmara e sob a orientação do escritor Miguel Jorge, está no fato de que são poucos os escritores brasileiros que não começaram por esse jornalismo literário.
Em Goiás particularmente, há excepcionais escritores que se iniciaram pelo jornalismo literário. Antonio José de Moura, embora tenha se tornado jornalista profissional, é um deles. Bernardo Élis se iniciara neste jornalismo, escrevendo sonetos e contos para os jornais de Anápolis e Goiânia. Cora Coralina, por exemplo, desde 1908, já colaborava com seus versos para várias revistas e jornais. Leo Lynce, desde os 16 anos de idade, optou pelo jornalismo literário, ora colaborando em suplementos ora fundando e dirigindo jornais.
Deve-se destacar que no jornalismo literário, como em qualquer jornalismo, os equipamentos são um meio e não um fim. Integrando o jornal, o Suplemento Cultural é ficção, poesia, história, crítica, é em última análise, também veículo e área de confluência. Como há o leitor da seção especializada de horóscopo, de religião, de política, existe o leitor do suplemento literário, o que significa dizer que não cumpre a sua função informativa, aquele jornal que não abre as suas páginas para o jornalismo literário.
Romances como MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILICIAS, de Manoel Antonio de Almeida e tantos outros, apareceram, inicialmente, nos Suplementos Literários.
O CORREIO MERCANTIL e o DIÁRIO DE PERNAMBUCO se tornaram famosos, em termos de Suplemento, este último, publicou de Sylvio Romero “Contos do fim do Século”. As crônicas de Machado de Assis reunidas em livro foram todas publicadas em Suplementos Literários. O mesmo diga-se das obras de João do Rio.
O livro de Gilberto Freyre, ARTIGOS DE JORNAIS, foi o resultado de artigos publicados em diversos Suplementos Culturais de jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e Recife. Como se não bastasse, a famosa CASA GRANDE & SENZALA teve o seu núcleo no DIÁRIO DE PERNAMBUCO, em cujo Suplemento o Mestre de Apipucos (Gilberto Freyre) lançou as bases fundamentais da obra que seria o monumento máximo da literatura sociológica nacional.
A importância de um Suplemento Literário é muito bem expressa pelos artigos, ensaios, contos e crônicas transformados em livro e publicados anteriormente em jornais, como o foram, os de Oliveira Lima, Assis Chateaubriand, Austregésilo de Athayde, José Lins do Rego e muitos outros. O veículo que os levou ao público e às editoras foi exatamente o jornalismo literário em outras palavras, os suplementos culturais. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Recife, 20.11.1973).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



O SUPREMO NÃO É INTOCÁVEL



ARMANDO ACIOLI*



A exemplo do presidente da República, vice-presidente, ministros de Estado, procurador-geral da República e o advogado-geral da União, os ministros do Supremo Tribunal Federal também são passíveis de processos e julgamentos por delitos de responsabilidade, pois eles não são considerados intocáveis se atentarem contra a Constituição Federal, como nos casos de transgressões aos direitos e garantias fundamentais.
Quanto ao presidente da República, ele estará incorrendo em crime de responsabilidade, nos termos da Lei Maior, nas ocorrências de violação do exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, da segurança interna, da probidade na administração, assim como sobre o não-cumprimento das leis e das decisões judiciais e do livre exercício dos poderes da Federação.
Se os agentes públicos dos altos escalões, iniciando pelo presidente da República, não são imunes a processos e julgamentos por delitos de responsabilidade(CF, artigo 85, incisos I, II, III, IV, V, VI e VII), por que os ministros do Supremo Tribunal Federal haveriam de estar acima da Constituição e das leis?
Da mesma forma que o Senado tem competência privativa para processar e julgar o primeiro mandatário da Nação, nos crimes de responsabilidade, também o tem para fazê-lo com os ministros do STF(CF, artigo 52, inciso II).
Aliás, quanto à instauração de possíveis processos para apurar responsabilidades de ministros do STF(são 11) em casos que eliminem garantias individuais, conforme decisão política de sete deles(rasgaram a cláusula pétrea constante do artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV, da Carta Magna), o Senado fica como que inibido de tomar providência para processá-los e anular a votação. É que, pelo artigo 53, parágrafo 4º, da Constituição, “os Deputados e Senadores serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal”. Nada mais incoerente.
Logo, não se pode dizer que estamos em Estado Democrático de Direito quando se embute no próprio Estatuto Básico do País essa absurda e injustificável contradição, além de uma série de ambivalências constitucionais.
Senão vejamos outros despautérios: o presidente da República nomeia os ministros do Supremo Tribunal Federal e é por eles processado nas infrações penais comuns, enquanto o Senado tem a mesma competência nos crimes de responsabilidade. No primeiro caso, qual será a decisão do ministro nomeado pelo chefe do governo se o processo contra este cair em suas mãos? É lógico que, nessa situação, o ministro será suspeito para julgá-lo, mas isso não acontece.
Quanto ao Senado ou Câmara dos Deputados, onde o presidente tem maioria, nada ocorre. Tanto que várias CPIs são abafadas. Daí por que se Collor tivesse negociado com o Congresso, ele não cairia.
O contraditório da “Constituição Cidadã” não pára por aí: ao Supremo Tribunal Federal compete processar e julgar originariamente seus próprios ministros nas infrações penais comuns, o presidente da República, o vice-presidente, os membros do Congresso Nacional e o procurador-geral da República; nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os ministros de Estado, dos tribunais superiores e os do Tribunal de Contas da União(CF, artigo 102, alíneas “b” e “c”).
A não ser em raríssimos episódios diante do clamor público, não se tem notícia da punição de figurões pelo STF. A corrupção se institucionalizou no País, tendo por personagens centrais a bandidagem do colarinho branco, que continua impune.
Embora a Carta Federal, nos seus princípios fundamentais, estabeleça que os poderes da União(Legislativo, Executivo e Judiciário) são independentes e harmônicos entre si, na verdade eles são mais harmônicos do que independentes.
Na realidade, a não ser casos isolados de antagonismos, há uma confraria entre Executivo, Judiciário e Legislativo. Os dois últimos poderes, por exemplo, não têm autonomia financeira e dependem de dotações orçamentárias do Executivo.
Quando o ministro da Previdência Social, Amir Lando, após a aprovação da reforma previdenciária pelo Congresso Nacional, foi ao Supremo Tribunal Federal convencer o seu presidente, Nelson Jobim, a manter a taxação dos inativos, dizendo-lhe, inclusive, que a previdência estava deficitária, não há dúvidas de que ele pressionou o STF a aprovar a contribuição do exército de inativos País afora.
O ilustre relator do impeachment de Collor não usou, porém, do senso de justiça para reconhecer que a categoria não é responsável pelos rombos da Previdência, mas os notórios sonegadores e fraudadores da seguridade social.
O mais grave ainda é que o Supremo Tribunal Federal, ao qual cabe precipuamente a guarda da Constituição da República(artigo 102), incorreu, pelo voto favorável de sete ministros, em delito de responsabilidade ao atentar contra os direitos e garantias individuais previstos no artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV, da Magna Carta de 1988.
Cabe, pois, ao Senado o imperativo de cumprir o disposto no artigo 52, inciso II, da Constituição, que assim determina: “Compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade”.
Logo, desde que não prevaleçam a politicagem e uma ação entre amigos nos poderes, só resta ao Senado, após o procedimento constitucional, o dever de anular a decisão do STF. Ainda mais porque o Supremo não é intocável e muito menos seus ministros são deuses ou semideuses do Olimpo. (O POPULAR, GOIÂNIA, TERÇA-FEIRA, 9 DE NOVEMBRO DE 2004).


ARMANDO ACIOLI é articulista do POPULAR.



O VOTO DE PROTESTO


Alexandre Garcia*



“Brasília(Alô)- Nesse domingo, Luana foi batizada em Taguatinga, DF. Saiu da igreja com seu pai, Élcio Pimenta de Souza Jr, e sua mãe, Juliana, ambos com 24 anos, de volta para casa, onde aguardavam os amigos para uma grande festa. O pai dirigia um carro antiquado, mas não velho, com pneus carecas e a mais de 100 por hora, quando perdeu o controle e bateu num poste. Morreram os três. Seria o caso de convocar um referendo para decidir a proibição da venda de carro, uma vez que o veículo pode ser transformar numa arma, que manejada sem cuidado pode matar uma família inteira?
Em Orindiúva, São Paulo, o irmão atacou o outro, em casa, com uma faca. A mãe interferiu e foi ferida também. Deve-se fazer referendo para proibir a venda de facas, já que essas armas estão em todas as casas brasileiras e são usadas com freqüência em brigas domesticas, causando muitas mortes? Ou quem sabe se gastam outros R$ 600 milhões para perguntar ao povo sobre a proibição de cinzeiros de cristal, caso o marido acerte a socialite infiel com um cinzeiro na cabeça, causando-se a morte por lesão cerebral?
Mais grave que o cinzeiro são os bastões de basebol, que povoam os assoalhos dos carros brasileiros e podem partir uma cabeça como se parte uma melancia.
Faço esses raciocínios para entender a razão do referendo, uma vez que ainda não caiu a minha ficha. Gastar R$ 600 milhões para nada, ganhe o “sim” ou ganhe o “não”... Vai servir apenas para desviar a nossa atenção da insegurança pública.
Se ganhar o “sim”, ficaremos tranqüilos porque fizemos a nossa parte e lavamos as mãos, como Pilatos. Se ganhar o “não”, conseguiram o nosso apoio para revogar o principio da legítima defesa e aí “eles” lavam as mãos, mandando-nos ao bispo, para as queixas. Tem gente tão neurotizada na busca de um motivo para o referendo, que já concluiu que é pressão dos Estados Unidos contra nossa indústria bélica, que está exportando muito, embora não tenha, mesmo, mercado interno.
A bandidagem brasileira compra tudo do exterior e quando tem FAL(fuzil automático leve) fabricado aqui, é roubado de quartel. O brasileiro já nem compra muito, porque a lei é rígida. Pois há quem ache que o referendo vai proibir que nossas fábricas de armas vendam para o exterior, embora a lei não proíba que importemos armas e as registremos aqui. É que as regras do comercio exterior rezam que um país só pode exportar aquilo que é permitido vender no seu mercado interno.
Viajo muito, por causa de meus compromissos de jornalista. Às vezes são três viagens por semana. Graças a isso, vou fazendo minha pesquisa de opinião em toda a parte e na hora de debates de minhas palestras. E venho descobrindo que o referendo está tomando outra conotação, que vai muito além do alcance de um tiro de revolver. Já não é exatamente o “sim” contra o “não”. O referendo está virando um plebiscito. O “não” se torna um voto de protesto.
As pessoas me dizem que vão votar “não” contra a insegurança pública, contra as leis que protegem os bandidos, que permitem que um adolescente mate sem poder ser chamado de criminoso. Contra a incompetência dos governos, contra a policia que chega tarde, contra os engodos da propaganda do “sim”.
O ex-presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, desfaz a estatística de que a maior parte das mortes entre 20 e 30 anos tem por causa o uso de armas. “Queriam o quê? Que fosse por esclerose senil?”
As pessoas reclamam que é fácil o artista ser pelo “sim” e estar protegido por guarda-costas armados. Aí, finalmente, descubro uma utilidade para o referendo: dar um rotundo “não” a tudo isso que está errado, como uma oportunidade de protesto, mostrando que queremos solução, não enrolação”. (JORNAL DO TOCANTINS, Palmas, 11.10.2005)


ALEXANDRE GARCIA
é jornalista. coluna@alo.com.br




OBSTÁCULOS E SOLUÇÕES
NA COMUNICAÇÃO

Mário Ribeiro Martins*


Um dos problemas mais críticos entre professores e alunos, quer seja nas classes da Escola Bíblica Dominical ou em quaisquer outras facetas das atividades humanas, é o que diz respeito à comunicação. Este problema é tão antigo quanto o próprio homem. Há duas idéias que precisam ser explicitadas: A primeira é a que estabelece os principais fatores no bloqueio e obstrução da comunicação. A segunda é a que apresenta o modo de melhorar e facilitar a comunicação.
A principal barreira no processo do entendimento entre as pessoas ou grupos de pessoas é a tendência de avaliar, julgar, aprovar ou reprovar o que diz uma outra pessoa no grupo. A tendência de formular juízos é muito maior naquelas situações em que se mesclam sentimentos e emoções. Haverá sempre duas idéias, dois juízos que nunca entram em contato no espaço psicológico. Esta tendência de reagir diante de qualquer afirmação, julgando-a segundo nosso próprio ponto-de-vista é a maior barreira na comunicação interpessoal.
Qual, então, a solução? A abertura na comunicação só é possível quando se pode escutar com compreensão. Isto significa que se há de contemplar a atitude e a idéia expressa pela outra pessoa do seu ponto-de-vista. Sentir de que forma a outra pessoa sente. Capturar o ponto-de-vista de outrem com respeito àquilo de que ele está falando. Deve-se ser capaz de escutar o que a outra pessoa é capaz de dizer. A compreensão deve ser empática, isto é, entender juntamente com uma pessoa e não entender uma pessoa.
Qualquer pessoa só deve discutir depois que for capaz de repetir a idéia daquele que fala de modo satisfatório a ele. Mas se escutar com compreensão é um excelente caminho para uma boa comunicação, por que não se faz uso deste escutar compreensivo? Por causa de algumas dificuldades, tais como:
a) Falta de coragem - A maioria de nós não pode escutar. Somos forçados a julgar, avaliar, aprovar ou reprovar imediatamente, porque escutar nos parece demasiado perigoso. Há o perigo de observar a forma com que a outra pessoa contempla as coisas e ser influenciado. Assim, pois, o primeiro requisito para escutar compreensivamente é valor e nem sempre o temos.
b) Emoções exaltadas - Quando as emoções são mais violentas é mais difícil escutar outra pessoa ou grupo. As vezes a presença de uma terceira pessoa como elemento catalizador permite que as partes se aproximem mais e mais da verdade objetiva. O segundo requisito para escutar compreensivamente é o controle das emoções.
c) Tamanho do grupo - Quanto maior o grupo tanto mais implica em contatos indiretos. Pode-se entender os sentimentos de uma pessoa que nos odeia, muito mais facilmente quando uma terceira pessoa neutra nos descreve com precisão as atitudes do outro, do que quando este coloca os seus punhos diante do nosso rosto. Portanto, uma descrição clara dos sentimentos é o terceiro requisito para o escutar compreensivo.
Mas como aplicar a solução? Este procedimento apresenta importantes características. Pode ser iniciado por uma das parte, sem esperar pelo outro. O diálogo pode até ser iniciado por uma terceira pessoa sempre que seja capaz de ganhar a cooperação de uma das partes. Qualquer distorção no diálogo desaparece como assombrosa rapidez quando se dá conta de que o único que se pretende é entender, não julgar. A redução do grau de defensividade por uma das partes conduz a uma maior redução da defensividade da outra parte e desta forma se aproximam da verdade.
Esta solução produz gradualmente comunicação mútua, dirigindo-se para a resolução do problema em vez de concentrar-se em atacar a pessoa ou grupo. Conduz a uma situação em que eu compreendo a tua e a minha maneira de ver o problema, e tu compreendes a minha e a tua maneira de encarar a questão. Se, porém, o problema em parte, é insóluvel nós aceitaremos sua insolubilidade sem demasiada incomodidade.
Do ponto-de-vista puramente técnico, é provável que possamos tomar esta solução em pequena escala, investigá-la mais a fundo, refiná-la, desenvolvê-la e aplicá-la no ensino cristão. Parece que isto é possível e é um desafio que se deve explorar.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 31.03.1974).



....................................................................................
MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


OS DEZ ANOS DE SERRA DOS PILÕES


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*



O grande Eli Brasiliense, de saudosa memória, no dia 30.12.1994, em Goiânia, escreveu o prefácio para a 1ª Edição do romance SERRA DOS PILÕES, de Moura Lima, sob o título NOS TEMPOS DOS BUNDÕES, oficialmente lançado em janeiro de 1995. Não sabia ele que o livro iria ganhar o mundo, levando consigo JAGUNÇOS E TROPEIROS, que é o seu subtítulo.
Neste 30.12.2004 ou mais precisamente, em janeiro de 2005, o livro completa dez (10) anos de gloriosa existência, carregando em seus ombros muitas edições, além de dezenas de prêmios.
Um dos extraordinários méritos do livro é o de ter colocado o Estado do Tocantins no mapa da Literatura Brasileira. E de ter também contribuído para a divulgação do Jalapão, com sua riqueza exuberante ambiental, de belos cenários, cachoeiras, e a magia de seu solo areento, tão bem retratados em Serra dos Pilões, que nos leva a respirar imageticamente, num verdadeiro sertão agreste de águas cristalinas!
Outro mérito significativo do livro é a sua MEMÓRIA HISTÓRICA que apresenta já na 2ª Edição, em suas páginas iniciais, duas fotografias preciosas.
A primeira foto datada de agosto de 1995, que apresenta o eterno Governador Siqueira Campos, consultando SERRA DOS PILÕES (primeiro romance do Estado), ao lado do autor Moura Lima, no Gabinete Governamental, no PALÁCIO ARAGUAIA, em Palmas, quando do lançamento do livro.
A segunda foto datada de 1996, que mostra o saudoso Eli Brasiliense segurando um exemplar do SERRA DOS PILÕES, por ele prefaciado, quando do lançamento do livro na cidade de Pium, antigo Norte de Goiás, hoje Tocantins. (Eli Brasiliense, como se sabe, foi membro da Academia Goiana de Letras, autor de muitos livros, dentre outros PIUM, CHÃO VERMELHO e faleceu em Goiânia, no dia 05.12.1998, com 83 anos de idade, tendo nascido em Pium, antigo Distrito de Porto Nacional, hoje no Estado do Tocantins).
Mas ao longo do tempo SERRA DOS PILÕES tornou-se muito mais enriquecido, eis que passou a contar, nas edições posteriores, com nomes famosíssimos.
A terceira edição, por exemplo, trouxe nas notas de orelha, um excelente estudo de ASSIS BRASIL, sobre Moura Lima, com o título REGIONAL E ESTILO. Clóvis Moura, Professor Catedrático da Universidade de São Paulo, prefaciador da 3ª Edição, escreveu focalizando Moura Lima, com o título SERRA DOS PILÕES-UM ROMANCE DE GRANDEZA NACIONAL. Stella Leonardos, Professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, também na 3ª Edição, apresenta o poema REPENSANDO SERRA DOS PILÕES e começa dizendo: - Cantai, mestre Moura Lima, como nasceu vosso livro...
Como se não bastasse, surgiu ainda no fim do livro, na 3ª Edição, o grande dicionarista Adrião Neto que destacou Moura Lima, com o título TRILOGIA TOCANTINENSE, relembrando SERRA DOS PILÕES, VEREDÃO E MUCUNÃ.
E muito mais se poderia dizer das observações e estudos acadêmicos sobre SERRA DOS PILÕES, como de Moema de Castro e Silva Olival, no livro de ensaio “Moura Lima: A Voz Pontual da Alma Tocantinense”, de Josué Montello, Arnaldo Niskier (ambos da Academia Brasileira de Letras) e mais ainda Antonio Amaury Corrêa (Roteirista de Filme), Francisco de Britto, Liberato Povoa (Desembargador) e Francisco Miguel de Moura (da Academia Piauiense de Letras), no livro de ensaio “Moura Lima – Travessia Fecunda pelos Sertões de Goiás e Tocantins”.
O Juiz de Direito Piauiense, William Palha Dias fechou a última capa da 3ª Edição, exclamando: “Belíssimo SERRA DOS PILÕES! Li-o de uma lapinguachada só. E isso nos leva a afirmar- Desde o surgimento do monumental romance, Moura Lima se tornou vanguardeiro de um novo estandarte da ficção brasileira- a do regionalismo tocantinense, no coração do vale Araguaia/Tocantins”!
Nos seus DEZ ANOS de existência, SERRA DOS PILÕES é assim: Livro que corre o mundo, visto que, além de ter ido para o Japão, foi também para a Biblioteca Central da CONNECTICUT STATE UNIVERSITY, nos Estados Unidos.
Um livro monumental que carrega consigo dezenas de honrarias, entre as quais, Prêmio MALBA TAHAN de Literatura, do Concurso Nacional dos 500 Anos, concedido pela Academia Carioca de Letras e União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


PALAVRAS AO CORAÇÃO...



Mário Ribeiro Martins*



Tanto a poesia quanto a prosa, ambas produzidas pela Professora Enaura Machado, são admiráveis e dão prazer aos olhos e ao coração, daí o título de seu livro “QUANDO O CORAÇÃO CANTA”(2004). Lá da distante, da cidade da Barra, às margens do Rio São Francisco, na Bahia, o livro me chegou às mãos, pela instrumentalidade dos amigos empresários Adão Costa e Carla.
Seus poemas, como "RIO SÃO FRANCISCO", "APRENDA A AMAR", "MORADA DE COLIBRIS" e "MINHA BABÁ", entre outros, são de uma beleza emocionante. É que sua pena é macia e suave. Corre serena, como serenos são os seus pensamentos.
Com que facilidade, Enaura Machado escreve e constrói histórias edificantes e bem concatenadas! Dá gosto lê-la, como também dá gosto penetrar no interior de suas idéias.
Sua poesia, por outro lado, é um caso aparte. Muito bem construída, tem mensagem, universalidade, vida, tem tudo. Não há sequer um verso com pé quebrado, simplesmente porque em todas as letras usadas para construir as palavras e as frases, a tônica maior é a musicalidade.
Esta capacidade de viver a poesia, de encarnar a poesia, é algo encantador em Enaura Machado. Versos, por exemplo, como "SIMBOLO DA PAZ" são melodias que enchem a alma. E que dizer de "O BRILHO DO SOL”, "MEU LIMOEIRO”, "OMBRO AMIGO" e "TERRA DE NOSSO SENHOR”?
Há versos lindos em sua poesia. Versos que falam, que riem, que vibram, que amam, enfim, versos que VERSAM. É preciso muito sentimento para escrever coisas assim: "SEM VOCÊ, MEUS DIAS SÃO TRISTES E FRIOS, SEM VOCÊ, MINHA VIDA É UM RIO VAZIO".
E tudo isso é possível em Enaura Machado. Mas não poderia ser diferente. Ver Enaura, olhar Enaura, contemplar Enaura é sentir o pulsar da poesia, é debruçar-se, é tornar-se genuflexo perante a própria vida.
Sua poesia não é um amontoado de palavras. Ao contrário, nela um conjunto de palavras se faz poesia e poesia da melhor qualidade.
É preciso ler Enaura para aquilatar a força telúrica de um poema. "SEM VOCÊ, MEUS DIAS SÃO AMARGOS E SOMBRIOS", diz ela em seu poema SEM VOCÊ. E quem duvida?
Ler Enaura Machado é sentir a vida, é semear amor, é mergulhar num mundo mágico em que há de tudo: "SEPARAÇÃO", "CARÊNCIA", "SOLIDARIEDADE", "ESPERA", "SAUDADE", etc.
Seus escritos não são sofisticados e nem previamente construídos, mas são a manifestação do próprio coração e, como tal, a singeleza de suas palavras fala ao espírito, com termos e expressões que são de uma preciosidade tamanha que só a alma pode entender e somente a ela é dado o privilégio de ver com os olhos espirituais.
Enaura Machado é verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, LETRA E, via INTERNET, de Mário Ribeiro Martins, no site www.mariomartins.com.br
ASSIM É ENAURA MACHADO:
A POESIA EM PESSOA, NA ALMA E NO CORAÇÃO!
Palmas, Tocantins, 05.12.2005.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



PASTORAL DA ASSISTÊNCIA

Mário Ribeiro Martins*


Abrir um indivíduo para operar-lhe o coração, é algo por demais melindroso. Muito mais, no entanto, é bulir com o psiquismo humano. Com isso se quer dizer que o estudo moderno da Psicologia Pastoral pode levar o ministro a causar grandes prejuízos aos seus clientes, desde que o referido estudo não seja feito com a profundidade exigida ou seja mal interpretado. Fazer, por exemplo, o papel de psiquiatra com raquíticos conhecimentos de psicologia é aproximar-se de um abismo, destruindo personalidades.
A pastoral da assistência tem seu fundamento na Psicologia pastoral que, por sua vez, não deve ser usada somente para o proveito nas relações humanas, para a imposição de uma liderança, mas no sentido de ajudar as pessoas a se encontrarem emocionalmente, prosseguindo para a maturidade espiritual.
Daí por que, surge, um estudo científico em Psicologia Pastoral com fundamentação teológica sólida e com estudos aprofundados e bem orientados em Psicanálise. As transformações por que tem passado o mundo moderno tornaram imprescindível ao ministro o exercício dessa pastoral: a assistência.
Outrora era o pastor conhecido quase simplesmente como pregador. Hoje a idéia de um bom “falador” começa a desaparecer e empalidecer, acentuando-se a idéia do guia e do assistente espiritual. Na verdade, este conceito não é novo, mas puramente neotestamentário, daí o apelo de Jesus a Pedro para que este “apascentasse” as ovelhas, o que é feito três vezes, demonstrando a importância do apelo e a necessidade de acompanhar, velar, estar junto e prestar o socorro necessário.
A vida atual joga sobre o indivíduo uma série de problemas cujo resultado é o bombardeio do psiquismo humano com fobias, tensões, angústias, preocupações e ansiedades, levando milhares de pessoas aos sanatórios, hospícios e consultórios especializados, daí a imposição da pastoral da assistência que implica em guiar, dirigir, alimentar, apascentar, proteger, sob pena de a vida materializada do século XX destruir os valores mais significativos do ser humano.
Essa pastoral está intimamente vinculada ao espírito e natureza do Cristianismo que se expressa em amor ao próximo, ajuda, simpatia e solidariedade, de que Deus, pela encarnação de Cristo, é o maior e melhor exemplo, tabernaculando com os seres humanos num processo de comunicação, de solidariedade e de identificação pessoal.
A pastoral da assistência implica em descer do Monte da Transfiguração e talvez o púlpito para um envolvimento pessoal, dialogando, comunicando, identificando e exercendo ministério da forma primária e essencial do cristianismo primitivo que se opunha aos isolamentos místicos, monásticos e egoístas de tantos grupos, entre os quais, os essênios. Essa pastoral, portanto, é a personificação do ministro como o espírito do cristianismo, de tal modo que a vida do obreiro não seja sua, mas daqueles que estão ao seu redor, com os quais ele se comunica pela linguagem do amor de Deus.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 22.06.1975).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




PASTORAL DA PSICOTERAPIA

Mário Ribeiro Martins*



Não se pode negar que o sucesso da psicoterapia depende do aconselhamento, porquanto é aconselhando que o obreiro consegue predispor o paciente para o tratamento, o que denota um íntimo relacionamento entre as duas fases. O aconselhamento não somente precede, mas também acompanha a psicoterapia. Não há coisa mais difícil que dar conselhos, nem mais difícil do que aceitá-los. Na verdade, não há coisa mais fria do que um conselho, quando sua aplicação é impossível.
A pastoral da psicoterapia implica não somente na psicoterapia exercida, mas também na psicoterapia normal. Esta é, indiscutivelmente, muito mais importante, porque o obreiro a faz naturalmente através da sua personalidade total. Desde que o pastor seja realmente um homem de Deus, ele possui considerável poder psicoterapêutico, considerando-se, evidentemente, a psicoterapia como o tratamento das doenças pela remoção das causas psíquicas.
Há, sem dúvida, um conjunto de fatores que proporcionam ao ministro esse poder psicoterapêutico. A personalidade é um desses fatores e constitui privilégio do ministério. O contato com o obreiro, por parte de certas pessoas, é uma oportunidade de afirmação e tem influência positiva e construtiva sobre o paciente. É, para muitos, uma satisfação e um privilégio o contato e os conselhos pastorais.
A oração é outro fator que dá ao ministro um poder psicoterapêutico. Se de um lado há o poder real da oração, já que Deus atende às orações e interfere nos casos realizando maravilhas, há, por outro lado, o poder psicológico da oração. A pessoa consciente da força da oração e da fé, no fundo está exercendo - mesmo que deste fato não se aperceba - uma ação no seu subconsciente, realiza uma auto-sugestão útil para a saúde e para a vida.
Alexis Carrel comenta esse fato no seu livro O HOMEM, ESTE DESCONHECIDO. As formas de cura por vezes procedem dessa fé, que opera no bioquimismo do indivíduo, e daí o valor da oração também dentro do plano da psicoterapia. A Bíblia é um fator que dá ao pastor também um poder psicoterapêutico. O poder da leitura da Bíblia não pode ser medido.
Outro fator do poder psicoterapêutico do ministro é a seriedade das doutrinas cristãs, como, por exemplo, a providência divina que é um antídoto para a angústia e a ansiedade, o perdão de Deus, a segurança eterna do crente e muitas outras doutrinas.
A psicoterapia exercida é feita conscientemente pelo obreiro, ao aplicar os conhecimentos científicos, harmonizados com a Revelação de Deus, servindo-se dos conhecimentos da psicologia pastoral para o tratamento psicoterapêutico dos pacientes, lançando mão do pensamento positivo ou da psicanálise.
O primeiro consistindo em criar uma filosofia de vida para as pessoas, como base na Psicologia, de que são exemplos as experiências de Norman Peale, Napoleon Hill e Carl Rogers, entre outros. O segundo consiste em descer à estrutura, deixando o funcionalismo, mas com os olhos fitos no exemplo de Cristo, para desvendar a personalidade do paciente, reconstituindo nele a capacidade de amar.
Embora com suas limitações, a Psicanálise encontra-se com o Evangelho, confirma o princípio de Cristo, segundo o qual a causa da infelicidade humana está no fato de que o homem se tornou mau, feito para amar, tornou-se incapaz de amar, mas precisa ser transformado, nascer de novo, desenvolver e amadurecer, o que não é possível por si mesmo, mas só pelo poder de Cristo.
O pecador tem sua parte nesta obra e cabe ao obreiro ajudá-lo, analisando sua alma, suas dúvidas, usando como meios as reflexões, as associações através das quais o paciente possa ter consciência do seu passado, do presente e do que poderá ser o futuro e depois partindo para a cura através da transferência de sentimentos, da satisfação dos desejos e da reeducação.
Isto significa que o pastor, usando a psicanálise, fará a transferência de sentimentos não para a arte ou para os ideais humanísticos como o faz o psiquiatra comum, mas para a religião de Cristo. Conduzirá o paciente à satisfação das suas aspirações na pessoa de Jesus, tendo como fator de afirmação a família, a igreja, o Evangelho e promovendo a reeducação do paciente com uma vantagem a mais sobre o psiquiatra comum, porquanto o ministro de Deus dispõe do incentivo dos ideais cristãos, do estímulo da fé e do perdão divino.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 17.08.1975).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


PASTORAL DE ACONSELHAMENTO


Mário Ribeiro Martins*

Embora Pascal tenha dito que “o melhor conselheiro ainda é a razão”, é aconselhando que o Pastor predispõe o paciente para o tratamento. Dir-se-á, portanto, que tudo ou muito depende do aconselhamento. Porém, nenhuma coisa há tão difícil como a arte de tornar agradável um bom conselho. Para a eficiência nesse ministério é necessário que o obreiro se ajuste a certos princípios espirituais, possua determinadas qualidades éticas e tome algumas precauções psicológicas.
Entre os princípios espirituais a que o obreiro deve ajustar-se é indispensável a prática do amor no tratamento das pessoas, o que se traduz por gestos, iniciativas, desejo de servir, de fazer o bem e promover a felicidade. A orientação de Deus, por outro lado, é imprescindível nesse ministério, já que em certas situações difíceis só Deus pode dar a solução exata, daí a necessidade da prática da oração e da leitura da bíblia.
Dentre as qualidades éticas que o pastor deve possuir para o desempenho do aconselhamento está o estudo constante de relações humanas e sua prática, além das boas maneiras, polidez, cavalheirismo, discrição, certas conveniências nos contatos pessoais e em toda a sua vida, não esquecendo o sigilo profissional e a honestidade, como qualidades éticas não meramente profissionais, mas peculiares ao estado normal do seu viver.
No âmbito das precauções psicológicas, há de se destacar o cuidado por parte do ministro com cada caso em particular, especialmente quando o paciente se caracteriza por uma autopiedade. Tais pacientes nunca se acham com um tratamento justo por parte de terceiros, pelo contrário, sempre se consideram injustiçados quer por parte da Igreja, dos parentes, dos amigos e de todos.
Pode correr o risco, portanto, de o obreiro compadecer-se demais, emocionar-se, tomar partido, aceitar a história e passar a condenar a tudo e a todos. Essa tendência de o indivíduo ter pena de si mesmo sempre, deixar-se dominar por uma autocomiseração que se expressa por lamúrias, reclamações, choros constantes, não deixa de ser o início de neuroses que poderão se avolumar.
Uma outra precaução a ser lembrada é o cuidado com a transferência de sentimentos. Há pessoas que sofrem de fixação paternal, maternal e filial. Sempre estão a encontrar um pai, uma mãe ou filhos. Essa transferência de sentimentos afetivos poderá ser corrigida pelo obreiro. No entanto, ela se torna perigosa quando parte do próprio pastor que termina por encontrar um pai ou mãe em cada igreja, e muitas vezes, vê em cada moça, uma filha, para a qual transfere os sentimentos paternais, o que poderá não ser muito bem compreendido.
A pastoral do aconselhamento impõe ao obreiro a necessidade de conhecer não somente a Psicanálise, mas também estudar a Psicologia da Educação, através das quais pode tratar de si mesmo, dos outros, orientando, especialmente os pais, para que evitem determinados sistemas educacionais defeituosos.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 03.08.1975).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




PASTOR EVANGÉLICO.



Pr. João Falcão Sobrinho*


Tempos atrás, precisei adquirir um esguicho. Após pesquisar preços em três lojas, descobri que o aparelho estava em promoção numa delas na Taquara, mais barato e podendo ser pago em quatro vezes sem juros. Sentei-me à mesa frente a frente com a vendedora para fazer a ficha e fui respondendo às perguntas de praxe: nome, endereço, telefone, CPF, data do nascimento, etc.
Em dado momento, ela me perguntou:
-Sr. João, qual é a sua profissão?
-Pastor evangélico, respondi.
A moça arregalou os olhos como se estivesse diante de um extraterrestre e insistiu:
-Pastor evangélico?
Ante a minha resposta positiva, ela depositou a caneta sobre o papel e disse:
-Só com a assinatura do gerente e ele não se encontra...
Não pude esconder meu espanto:
-Qual é o problema?
A vendedora foi direto e rude:
-Pastor evangélico é a categoria que tem menos crédito na casa. Já tivemos tantos problemas com pastores evangélicos que, agora, só com autorização expressa do gerente e a instrução para o caso é sempre dizer que ele não se encontra.
Fui tomado de um constrangimento tão grande que me levantei e saí meio tonto, sem nada dizer. Atravessei a rua, fui ao caixa eletrônico do Bradesco, saquei o dinheiro, voltei à loja e adquiri o esguicho por meio de outro vendedor, pagando à vista, cash. Voltei para casa entre frustrado e desolado. “Então é esse conceito que os pastores evangélicos fazem por merecer?”
A esposa de um colega que trabalha em um banco satisfez minha inquietante curiosidade. Pessoas que se apresentaram como pastores, alguns com carteirinha de pastor e tudo, deram tanto prejuízo que, naquele banco, a categoria profissional que menos se enquadra no “perfil” para obter empréstimos é a dos pastores evangélicos.
O caso se tornou tão serio que já há igrejas, sim, irmão, igrejas batistas também, que, depois de varias experiências frustrantes, estão inserindo entre os pré-requisitos para a indicação de candidatos ao pastorado, um novo item: “Sem pendências no SERASA nem no SPC”.
O que seria absurdo imaginar poucos anos atrás, está aí diante dos nossos olhos. Triste realidade!
Não me veio à mente reclamar meus direitos no PROCON, nem manifestar meu repudio contra os pseudopastores e falsos evangélicos que denigrem nossa imagem.
Os escândalos que esses pretensos evangélicos, inclusive batistas, estão causando na sociedade, não nos devem despertar inquietação, mas compaixão, quebrantamento, oração suplicando pela misericórdia de Deus sobre nós mesmos e, acima de tudo, uma busca de mais fervor, mais empenho, maior sentido de urgência na evangelização do Brasil.
A mais eficaz denuncia contra a corrupção será manter nossa própria incorruptibilidade. Só assim poderemos ter autoridade espiritual para interceder pela nossa querida Pátria e proclamar o evangelho de Jesus. Não aconteça de querermos tirar o argueiro dos olhos dos falsos irmãos sem antes tirarmos a trave dos nossos próprios olhos.
Jamais poderemos transformar nossa sociedade tão corrompida sem estarmos inteiramente tomados pelo amor de Cristo e sem estarmos dispostos a subir com ele a escarpa do Calvário. Denunciar as injustiças do mundo é fácil. O difícil e o que importa, o que Deus requer de nós, é que sejamos nós mesmos justos, éticos, santos em toda a nossa maneira de viver e que proclamemos com ardor o evangelho de Cristo.
Como crentes, como igrejas, como Denominação, podemos afirmar que estamos dentro do perfil que Deus tem para nós? Quanto a mim, pela graça de Jesus, quero, sim, continuar merecendo ser um pastor evangélico aprovado pelo Senhor, sem ter do que me envergonhar jamais.(O JORNAL BATISTA, Rio de Janeiro, 15.10.2006).


João Falcão Sobrinho é Pastor batista e articulista do JORNAL BATISTA, no Rio de Janeiro.falcaosobrinho@uol.com.br



PEDRO WILSON E OSVALDO ALENCAR.


Mario Ribeiro Martins*



Uma significativa homenagem foi prestada pelo Deputado Federal Goiano Pedro Wilson Guimarães(Marzagão, Goiás, 24.02.1942) ao ilustre Osvaldo Alencar Rocha(Uibaí, Bahia, 1936), na Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 26.03.2007.
O discurso de Pedro Wilson merece ponderações. Num trecho disse: “Entre tantas belas passagens da história de Osvaldo Alencar, narradas com muito talento pelo companheiro Edimário Oliveira Machado(Uibaí, Bahia, 1956), no livro lançado sexta-feira, dia 23 de março, em Goiânia, PELAS VEIAS DA ESPERANÇA, existe uma que chama bastante atenção. Ao sair da terra natal com destino a Goiânia, o jovem Osvaldo, poeta e sonhador, relembra aquele momento de forma emocionante”:
‘Cheguei em Goiânia na humilde condição de retirante, vindo das plagas escaldantes do Nordeste. Com a alma de poeta e com o coração cheio de sonho, conforme convêm a todo baiano, que por sentença do destino, pelas contingências da História ou as circunstâncias do meio inóspito, deixa a terra natal para emigrar-se, cumprindo assim a predestinação de uma raça. Trazia na bagagem, além de um exemplar, em brochura de Espumas Flutuantes, de Castro Alves, uma grande dose de esperança. Anos mais tarde, já morando em Brasília, quando fui preso pela Ditadura Militar de 64 e tive os meus livros confiscados pela Polícia Política, perdi as Espumas Flutuantes; a esperança conservo até hoje’.
Noutra parte disse o Deputado Pedro Wilson: “A esperança, saudoso companheiro Osvaldo Alencar, parte dela ensinada por você, conservamos até hoje na luta por um Brasil melhor, mais justo, igualitário e mais livre. E, com certeza, este momento vitorioso em que o PT vive, é dever nosso reconhecer que parte dessa vitória também é sua. É preciso lembrar os heróis construtores da história, e o seu nome está definitivamente marcado na história do PT de Uibaí, da Bahia, de Imperatriz, do Maranhão, de Goiânia, de Brasília, de Tocantins e de centenas de lugares, na lembrança de milhares de pessoas que tiveram o privilégio de conviver com você”.
“Espumas Flutuantes, de Castro Alves, o poeta da liberdade, foi nessa fonte que Osvaldo Alencar buscou a sua inspiração para a poesia e para a política maior, a política como instrumento de transformação social, de defesa permanente do mais fraco, do despossuído, do sem eira e nem beira, nesse mundão de meu Deus”.
“A história de Osvaldo Alencar é um exemplo vivo de luta pela cidadania. De origens no Vale do Cariri, Ceará, nasceu em Quixabeira, Distrito de Uibaí, Bahia, em 1936. O poeta militante Osvaldo Alencar morou em Brasília, onde teve intensa participação no movimento estudantil. Época em que, há um registro surpreendente: Osvaldo Alencar, juntamente com outros, impediu a entrada do Presidente Costa e Silva na UnB, ao lado do Presidente da França Charles de Gaulle, onde fazia Direito”.
“Perseguido pela ditadura militar, Osvaldo foi uma voz permanente de luta contra a repressão e a favor da liberdade. A vida de Osvaldo Alencar é marcada pela interação com as lutas sociais, com os movimentos sociais, no Partido dos Trabalhadores, na CPT, na UCG, na advocacia, referência do direito alternativo, uma vida marcada pela coerência aos ideais de justiça, igualdade, democracia, cidadania, de um mundo melhor.
Uma luta forjada no front da ousadia e da coragem, nas matas do Araguaia/Tocantins, no Bico do Papagaio, nos sindicatos, nos tribunais, nas pastorais da igreja, no movimento estudantil, nos movimentos sociais e também no movimento político de resistência e resgate da ética na política”.
“Candidato a Prefeito de Uibaí, em 1976, pelo MDB, fez educação política no Polígono da Seca, uma coragem revolucionária, desafiar os coronéis que se achavam donos da política e dos votos.
Candidato a Governador no Maranhão pelo PT em 1982, outro desafio assumido por Osvaldo na caminhada da construção partidária, no fortalecimento da luta do povo.
Já em Goiás, a partir de 1982, Osvaldo faz, mais uma vez, opção pelos pobres. Advogado bem-sucedido, renunciou uma grande carreira na advocacia para defender os sem-terras, desafiando as baionetas, os pistoleiros e latifundiários desse Brasil concentrador, injusto, de pobres, miseráveis, espalhados pelos quatro cantos do País, e que aos poucos está mudando com o Presidente Lula.
Em 1986, Osvaldo foi candidato dos sem-terras e da militância petista de Goiás a Deputado Estadual. Obteve uma bela vitória política e a primeira suplência para Deputado.
Novos desafios surgiram na vida desse baluarte da luta política, em 1988, no recém-criado Estado de Tocantins. Osvaldo, mais uma vez, não fugiu à luta, aceitou o convite para ser candidato a Governador e obteve mais uma vitória no processo de educação política e de construção partidária”.
A vitória, a que se refere Pedro Wilson, precisa de melhor esclarecimento. É que, na verdade, Osvaldo Alencar foi candidato a GOVERNADOR DO ESTADO DO TOCANTINS, pelo PARTIDO DOS TRABALHADORES(PT), nas eleições do dia 15.11.1988, determinadas pelo Tribunal Regional de Goiás, sendo, no entanto, derrotado por Siqueira Campos. Na época, foram candidatos: Osvaldo Alencar Rocha(3,7% ou 13.399 votos), José Wilson Siqueira Campos(45% ou 163.819 votos) e José Freire(23% ou 84.926). Votaram 358.675 eleitores. Os votos em branco e nulo somaram 86.527. Como não havia ainda o Estado do Tocantins organizado, os eleitos foram empossados no Auditório do Tribunal de Justiça de Goiás.
“PELAS VEIAS DA ESPERANÇA é uma bela história, resgatada com toda dignidade pelo companheiro Edimário Oliveira Machado. Osvaldo Alencar é desses seres humanos únicos, uma história que emociona e nos orgulha, nos faz reflexivos sobre nosso papel na construção da história, um convite para lutar sempre, acreditar sempre, ir avante, desfraldar a bandeira de luta, arregaçar as mangas, assumir a causa dos mais pobres, ser voz firme no tribunal do povo, na luta do povo, no sonho do povo. Fazer tudo isso, e fazer com leveza, com a compreensão de que a arte é que dá beleza à vida, ainda que a vida seja tão dura, tão injusta, tão desigual.
Um poeta de versos bonitos, uma voz do direito em defesa do povo, um político de partido, de visão ideológica, um retirante nordestino que saiu da seca para lutar contra as cercas do latifúndio, da ignorância, da opressão, da infâmia, da brutalidade, da violência e da exclusão social.
Viva Osvaldo Alencar sempre vivo em nossas memórias! Axé! Oxalá! Viva a liberdade! Viva o Partido dos Trabalhadores! Viva a poesia, a opção pelos pobres, pelas minorias, pelos sem-terras, negros e índios! Viva sempre a luta pela construção de um Brasil melhor, de uma sociedade mais justa e fraterna.

Obrigado”.

- Esta Presidência(Osmar Serraglio) recebe a manifestação de V.Exa. e dará o andamento cabível na Casa”.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O ASSUNTO, leia QUEM FOI OSVALDO ALENCAR ROCHA? em www.mariomartins.com.br, dentro de ARTIGOS.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



POETAS DO EVANGELISMO
BRASILEIRO


Mário Ribeiro Martins*

Trazendo nas veias o sangue do inolvidável poeta e pensador sergipano, filósofo Tobias Barreto de Menezes, seu neto Mário Barreto França nasceu no dia 14 de fevereiro de 1909, na antiga Rua do Apolo, Boa Vista, Recife.
Pertencente ao Exército Brasileiro, o general poeta tem se destacado, não somente como militar, mas também como homem de fé e como cultor das letras, em termos, principalmente, de poesia, Mário Barreto França é, no dizer de Fernando da Silveira, “Irmão espiritual de Antoine de Saint-Exuperry”. Nele o poeta e o homem se confundem no ideal da beleza e do amor. Sua atuação em todo e qualquer lugar é um poema de vida.
Membro do Cenáculo Fluminense de História e Letras e da Academia Evangélica de Letras, Mário Barreto França é um dos maiores vates recitados neste país, porquanto suas poesias são apresentadas quase dominicalmente nas seis mil igrejas evangélicas brasileiras, embora pertença pessoalmente a uma comunidade batista.
Autor de mais de trinta obras em prosa e verso, quase todas na terceira e quarta edições, destacando-se Rios no Ermo, Como as Ondas do Mar, Pelas quadras da Vida, Primícias da Minha Seara, Reino Azul das Crianças, a poesia de Mário Barreto França fala diretamente ao coração, permitindo o encontro do homem com Deus, conforme se pode sentir nos seus versos:
“E ali a mão de Deus, vibrante de harmonia,
Faz de um quadro de morte a vida que reluz
A imensa gratidão de Marta e Maria
Na tela emocional dos olhos de Jesus”.
Não menos famoso no evangelismo brasileiro é Gióia Júnior. Sobre ele, como poeta, disse Agripino Grieco, um dos maiores críticos nacionais: “Há poesia em seus versos, aí está um jovem que não envelhecerá sem escrever um grande poema”.
Ex-Presidente do Sindicato dos Profissionais do Rádio e da Associação dos Radialistas do Estado de São Paulo, Gioia Júnior pertence a uma comunidade de fé batista, é deputado, e autor de mais de uma dezena de obras poéticas, quase todas na segunda e terceiras edições, destacando-se Menino Pobre, Canto Maior, Aparecem as Flores na Terra.
A poesia de Gioia Júnior é expressivamente humana, o que se observa em um dos seus versos:
“Menino pobre do meu bairro, grita,
Para que escutem tua voz tremente,
Amargurada, enfraquecida e aflita.
Pelos irmãos que dantes não gritaram,
Clama nas ruas angustiosamente,
Exige o pão que os homens te roubaram!”
Ao lado destes, está o vate de Sucupira, no Recife: Jônatas Braga. Nome de destaque na poesia evangélica brasileira, o ilustre pernambucano é também membro da Academia Evangélica de Letras e professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
Autor de várias obras, entre as quais, O Milagre do Amor, O Cântico Junto à Fonte, O Suave Convite, a poesia de Jônatas Braga é de uma sensibilidade incomum, conforme se sente em seus versos:
“Vêde! É um colosso a terra brasileira
Desde o Oiapoque às águas do Chuí;
Terra onde geme a virente palmeira,
Terra onde arulha a negra juriti”.
Muitos outros nomes poderiam ser mencionados, não fosse a exigüidade de espaço.(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 14.07.1974).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


POLÍTICOS DO BRASIL-UM LIVRO DE SE LER.


Liberato Povoa*



Será lançado no próximo dia 24.11.2006, na Assembléia Legislativa do Tocantins, o livro POLITICOS DO BRASIL, do jornalista Fernando Rodrigues, repórter e colunista da FOLHA DE SÃO PAULO, editado pela Publifolha, de São Paulo. POLITICOS DO BRASIL apresenta ainda uma análise inédita a respeito da atividade política no país e das pessoas que a exercem. Ajuda o (e)leitor a compreender, de maneira mais ampla, quem são e o que possuem os homens e mulheres que comandam a nação.
Num percuciente e serio trabalho de pesquisa, o autor, nas 424 paginas da obra, teve a paciência de garimpar durante cinco anos nas mais diversas fontes, tudo o que de interessante pode existir para que se conheça o perfil dos nossos tão desacreditados políticos brasileiros. Para composição do livro, foram analisadas as declarações de bens e os dados eleitorais do Presidente e do Vice-Presidente da Republica, dos 27 governadores e 27 vice-governadores, dos 513 deputados federais, dos 81 senadores e seus 162 suplentes e dos 1.059 deputados estaduais e distritais. Em resumo, os 1.871 principais políticos que comandam o país nos planos federal, estadual e distrital.
Foi, sem dúvida, um trabalho de fôlego, que se tornou a maior pesquisa realizada no Brasil sobre o assunto. Ele dividiu seu trabalho-digamos, de forma didática- em três partes, que fazem com que se compreenda melhor o seu alcance, trazendo dados inéditos coletados em mais de 3.500 registros: o patrimônio dos políticos , o perfil estatístico e as características do sistema político.
Ao enfocar o patrimônio dos políticos, o leitor pode observar nitidamente que o valor que os candidatos atribuem aos seus bens deixa uma interrogação quando se vê a evolução patrimonial, que dá traços à bola, quando se compara a proporcionalidade do crescimento patrimonial e a situação de alguns políticos dentro da grade de ascensão social, em comparação com seus pares.
Numa justificável desconfiança, o leitor fica a imaginar ao observar que certos políticos ficam cada vez mais ricos em cada eleição, sem deixar de lado que alguns deles, notórios nababos, omitem o valor de seus bens, chegando uns a simplesmente não oferecer dados nesse sentido para a Justiça Eleitoral. E ao comparar e evolução patrimonial de alguns deles, fica no leitor a certeza de que os ganhos como subsídios e vantagens parlamentares jamais justificariam tal ascensão.
No que pertine ao perfil estatístico, Fernando Rodrigues mostra quem são, quantos são, de onde vêm e qual a formação dos políticos que mandam no país nos níveis federal, estadual(em todos os Estados e no Distrito Federal), deixando claramente para o leitor perceber o mandonismo de alguns grupos e de algumas oligarquias, que vivem praticamente da política, mas que nesta eleição começaram a esfacelar-se devido principalmente à conscientização do eleitor, à globalização e à força da imprensa.
Sem se falar no grande valor como obra de pesquisa, que fez uma precisa e completa radiografia de nossos políticos, POLITICOS DO BRASIL, talvez sem querer servir de fonte para averiguações(porque a intenção do autor seguramente não foi esta), ele próprio afirma que o “conhecimento do CPF de um político é uma ferramenta útil ao eleitor: permite a chacagem da situação dos candidatos a cargos públicos junto à Receita Federal e outros órgãos governamentais-embora pendências nem sempre sejam sinônimo de irregularidade”.
Embora não se possa dizer que a obra seja um livro de cabeceira, à feição de um romance, um conto ou novela, pois é entremeado de dados estatísticos e tabelas muito interessantes, POLITICOS DO BRASIL é uma obra de referência, de consulta diária por aquele que deseja saber os meandros do poder, principalmente a evolução política da nossa sociedade.
Ao deparar-me com a evolução patrimonial de certos políticos que conheci pobres(e hoje são milionários), senti que o livro de Fernando Rodrigues reveste-se de importância ainda maior, porque desnuda o cinismo de certos elementos ditos nossos representantes, que não têm explicações plausíveis para seu crescimento no meio social, principalmente cultivando uma desfaçatez sem tamanho na época das campanhas, desfilando honestidade e altruísmo.
Diante dos dados patrimoniais inseridos no livro, que podem ser atualizados no site www.politicosdobrasil.com.br(com dados das ultimas eleições para comparação), a Receita Federal tem um precioso aliado para rastrear a origem da riqueza, principalmente dos chamados políticos profissionais, esquecendo-se um pouco dos barnabés e desvalidos que são fregueses habituais da chamada “malha fina”. Vale a pena tê-lo não na sua estante, mas ao seu alcance no dia-a-dia, para compulsá-lo diariamente. E certamente o leitor não terá muito que se orgulhar de seus representantes.(JORNAL DO TOCANTINS, Palmas, 19.11.2006).

LIBERATO POVOA É DESEMBARGADOR DO TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO TOCANTINS E AUTOR DE DEZENAS DE LIVROS.



PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
DO DIREITO COMUM.

Mário Ribeiro Martins*


INTRODUÇÃO

1- COLOCAÇÃO INICIAL. O Programa de Direito Processual Penal II, elaborado pelo prof. Dr. Romeu Pires de Campos Barros, para o Curso de Especialização, focaliza em sua Nova Unidade, os VÁRIOS TIPOS DE PROCEDIMENTOS, subdivididos em PROCEDIMENTO ORDINÁRIO, PROCEDIMENTO SUMÁRIO e PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DO DIREITO COMUM.
Coube-me analisar esta última parte que trata dos Procedimentos Especiais do Direito Comum e é o que farei, evidentemente, sem aquela riqueza de idéias peculiar aos demais colegas, especialmente os que comigo debatem esta unidade.
2- QUESTÃO BÁSICA. A doutrina das formas do procedimento gira em torno de uma questão básica e fundamental: QUAL A FORMA MAIS ADEQUADA PARA ATINGIR O ESCOPO DO PROCESSO EM UMA DETERMINADA ÉPOCA E SEGUNDO DADAS CONDIÇÕES? A resposta a esta pergunta pode ser dada através de uma análise das formas procedimentais.
3- CIRCUNSTÂNCIAS. Deve-se dizer, inicialmente, que o Procedimento brasileiro é o do tipo rígido e é determinado por três circunstâncias: O Lugar do Procedimento; O Tempo do Procedimento; O Modo do Procedimento.
4- MODO DO PROCEDIMENTO. Interessa-nos aqui, sobremaneira, o Modo do Procedimento que envolve: a) LINGUAGEM, dando origem ao Procedimento Oral, Escrito e Misto; b) ATIVIDADE, atribuída às partes e aos juízes; c) RITO, determinado pela própria índole do processo. É essa índole dos vários processos que exige uma diferença de procedimentos, levando-se em conta a natureza da relação jurídico-material, mais ou menos relevante para a sociedade, bem como outras circunstâncias a partir das quais são encontrados os VÁRIOS TIPOS DE PROCEDIMENTOS PROCESSUAIS PENAIS:
I- PROCEDIMENTOS ESPECIAIS NO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL:
1- PROCESSO E PROCEDIMENTO. O Diploma vigente não faz distinção entre Processo e Procedimento. O primeiro como sendo o conjunto de atos através dos quais é possível o império da vontade da Lei. O segundo como sendo o movimento do processo, o Modus Faciendi. Embora não faça essa distinção, o Código de Processo Penal, ao tratar do assunto, o faz no Livro II, com o seguinte tema:
2- PROCESSOS EM ESPÉCIE. Tais Processos são subdivididos em: Processo Comum; Processos Especiais; Processos de Competência do Supremo Tribunal Federal e Tribunal de Apelação, respectivamente nos Títulos I, II e III.
3- CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS ESPECIAIS NO CPP. O Título II, que é o que nos interessa, trata dos Processos Especiais e o faz através de 7 capítulos que englobam:
1- Do Processo e do Julgamento dos Crimes de Falência.
2- Do Processo e do Julgamento dos Crimes de Responsabilidade dos funcionários públicos.
3- Do Processo e do Julgamento dos Crimes de Calúnia e Injúria, de competência do juiz singular.
4- Do Processo e do Julgamento dos Crimes contra a propriedade imaterial.
5- Do Processo de restauração de autos extraviados ou destruídos.
7- Do Processo de aplicação de medida de segurança por fato não criminoso.
4- PRECARIEDADE DA CLASSIFICAÇÃO. Esta classificação do nosso Diploma Processual Penal, conforme orientada pelo legislador, é absolutamente empírica e sem sistema, conforme se pode verificar ao examinar os artigos 394, 405, 498, 502 e mais propriamente os artigos 531, 541, 549, etc.
II- PROCEDIMENTOS CONFORME O PROF. ROMEU PIRES:
1- SITEMÁTICA. Considerando tal falta de sistematização, aconselhável se nos afigura a classificação programática feita pelo Prof. Dr. Romeu Pires de Campos Barros que focaliza os seguintes:
2- PROCEDIMENTOS. O Procedimento Ordinário, o Procedimento Sumário e os Procedimentos Especiais do Direito Comum, além dos Procedimentos Incidentais. Vale aqui salientar a felicidade do referido mestre ao incluir entre os Incidentais, o Procedimento para restauração de autos extraviados ou destruídos, o que, aliás, foi preconizado no Código Futuro, Projeto 633/75, conforme se verificará posteriormente.
III- PROCEDIMENTOS CONFORME TOURINHO FILHO:
1- CLASSIFICAÇÃO TELEOLÓGICA. A classificação do Prof. Fernando da Costa Tourinho Filho é eminentemente teleológica, e portanto, finalista, no sentido de um objetivo especialmente didático.
2- FORMAS PROCEDIMENTAIS. O processo, para cada uma das infrações, apresenta, no Direito Pátrio, embora com rótulos diferentes duas formas procedimentais: COMUM E ESPECIAL. Para os crimes apenados com RECLUSÃO, aplica-se o Procedimento Regra (Comum ou Ordinário) delineado nos artigos 394 a 405 e 498 a 502, todos do Código de Processo Penal. Há, entretanto, crimes apenados com RECLUSÃO que apresentam Procedimentos Especiais, tais como: a) Crimes de responsabilidade de prefeitos municipais (DL 201 de 27-2-67); b) Crimes da Competência do Tribunal do Juri; c) Crimes de Imprensa; d) Crimes Falimentares; e) Crimes Eleitorais; f) Crimes pertinentes a entorpecentes.
Para os crimes apenados com DETENÇÃO, aplica-se o Procedimento Sumário que Tourinho chama de Comum por uma questão de homogeneidade terminológica e didática e que se encontra traçado nos artigos 538, 539 e 540. Há, no entanto, crimes apenas com DETENÇÃO que apresentam Procedimentos Especiais, tais como: a) Crimes Falimentares; b) Crimes de Imprensa; c) Crimes Contra a Economia Popular; d) Crimes de Responsabilidade de Funcionários Públicos; e) Crimes Contra a Honra; f) Crimes Contra a Propriedade Imaterial; g) Crimes por Abuso de Autoridade; h) Crimes de Infanticídio e auto-abordo (Juri); i) Crimes Eleitorais; j) Crimes entorpecentes; k) Crimes de responsabilidade de prefeitos; 1) Crime de Homicídio e lesão corporal culposos (4.6ll de 2/4/65).
No caso das CONTRAVENÇÕES, há o Procedimento Sumário, também chamado por Tourinho de Comum e que é delineado nos artigos 531 a 538 do CPP e o Procedimento Especial traçado nas Leis 1.508, 4.771, 1.521, 5.197, 4.737.
IV- PROCEDIMENTOS ESPECIAIS NO PROJETO (633/75):
1- SISTEMÁTICA. O Código Futuro (agora recolhido) apresenta a problemática dos Procedimentos da seguinte forma: No Livro IV trata do Processo de Conhecimento (usa ainda o termo processo). No Livro V trata do Procedimento Sumário (muda o termo para procedimento). No Livro VI trata dos Procedimentos Especiais, subdividindo-os em : a) Procedimento Sumaríssimo; b) Procedimentos nos Crimes contra a propriedade imaterial; d) Procedimento Penal Falimentar; e) Procedimento nos Crimes da Competência do Tribunal do Juri; f) Procedimentos para a tutela dos Direitos.
V- CLASSIFICAÇÃO PROGRAMÁTICA E EXCLUSÕES:
1- O PROGRAMA. Já se disse que a classificação do programa atende à melhor didática, pela mais fácil compreensão da matéria.
2- EXCLUSÕES. Fica, portanto, excluído de nosso estudo, o Procedimento Ordinário, tanto o previsto para as contravenções penais quanto o estabelecido para os crimes punidos com detenção que nada mais são do que o primeiro, com as alterações do artigo 539 do Código de Processo Penal. Semelhantemente, o que é óbvio, também os crimes culposos de lesões corporais (129 parágrafo 6º.) e homicídio (121 parágrafo 3º.) ambos do Código Penal que fogem ao nosso alcance, porquanto para tais infrações o Procedimento recomendado é o Sumário do artigo 539 do Código de Processo Penal, por força da Lei 4.611/75.
Insistimos em salientar que a exclusão de tais procedimentos se faz não em consonância com o CPP, mas em atendimento à conveniência da adaptação programática, mesmo por que serão motivo de aula a ser ministrada oportunamente.
VI- PROCEDIMENTOS PREVISTOS EM LEIS AVULSAS:
1- EXTRAVAGANTES. Estão também fora da nossa análise, os Procedimentos previstos em Leis Avulsas, portanto, não pertencentes ao Direito Comum, já que nosso tema analisa especificamente os Procedimentos Especiais do Direito Comum.
2- Observações. De qualquer maneira, observa-se que:
a) NOS CRIMES DE FALÊNCIA,
O PROCEDIMENTO é o dos artigos 103 a 113 do DL 7.661 combinados com os artigos 503 a 512 do CPP.
b) NOS CRIMES DE IMPRENSA,
o procedimento é o dos artigos 40 a 48 do DL 5.250.
c) NOS CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR,
O PROCEDIMENTO é o dos artigos 10 a 31 da Lei 1.521.
d) NAS CONTRAVENÇÕES DEFINIDAS NOS ARTIGOS 58 a 60 do DL 6.259,
O PROCEDIMENTO é o dos artigos 1 a 7 da Lei 1.508.
e) NOS CRIMES RELATIVOS A ENTORPECENTES do artigo 281 e parágrafos do Código Penal,
O PROCEDIMENTO é o da Lei 6.368.
f) NOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DE PREFEITOS MUNICIPAIS,
O PROCEDIMENTO é o da DL 201, onde também é definido o crime.
g) NOS CRIMES DE INFRAÇÃO DO CÓDIGO ELEITORAL,
O PROCEDIMENTO é o da Lei 4.737.
h) NAS CONTRAVENÇÕES PREVISTAS PELO CÓDIGO ELEITORAL, digo FLORESTAL,
O PROCEDIMENTO é o dos artigos 1 a 7 da Lei 1.508.
i) NOS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE,
O PROCEDIMENTO é o da Lei 4.898.
VII- PROCEDIMENTO ORDINÁRIO COMO ESTRUTURA BÁSICA DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS:
1- FUNDAMENTO. Nosso estudo, portanto, limita-se aos Procedimentos Especiais do Código de Processo Penal, com exceção, conforme orientação programática, do Processo Sumário que é capítulo isolado e do Processo de Restauração de Autos Extraviados ou Destruídos que está vinculado aos Procedimentos Incidentais a ser estudado na décima unidade.
2- ANÁLISE. Convém, deste modo, a observação de que, para todos os Procedimentos Especiais, exceto para o adequado à Aplicação de Medida de Segurança por Fato não Criminoso, a linha mestra, a estrutura básica é a do Procedimento Ordinário. Assim vejamos:
a) NOS CRIMES FALIMENTARES (Artigos 530 a512 do Código de Processo Penal),
O PROCEDIMENTO é o dos artigos 503 a 512 do Código de Processo Penal, com as alterações da Lei Falência, tanto para os crimes apenados com reclusão quanto para os crimes apenados com detenção. O Procedimento se inicia com o inquérito judicial ou judicial sumário. Recebida a denúncia pelo juiz da falência, o procedimento continuará no juizo criminal.
b) NOS CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS (Artigos 513 a 518 do Código de Processo Penal),
O PROCEDIMENTO é o dos artigos 513 a518 que, conforme Espínola Filho, são crimes funcionais porque só o funcionário público pode cometer. Se o crime é inafiançável o procedimento é o ordinário ou comum. Se é afiançável, estabelece-se o contraditório vestibular. Entre os crimes apanados com reclusão, destacam-se o peculato, a concussão e outros.
c) NOS CRIMES DE CALÚNIA E INJÚRIA (Artigos 519 a 523 do Código de Processo Penal),
O PROCEDIMENTO é o mesmo do Ordinário (art. 394 a 405 e 498 a 502 do CPP) com as modificações dos artigos 520 a 523. Chamados de Crimes contra a Honra e que incluem a Difamação, no entender de Frederico Marques e outros. Difamação como sendo a imputação de fato não criminoso, mas ofensivo à reputação. Inicia-se com o requerimento do ofendido pedindo explicações. Segue-se o deferimento pelo juiz, com designação de audiência. De posse dos autos, o ofendido apresentará queixa.
d) NOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL (Artigos 524 a 530 do Código de Processo Penal),
O PROCEDIMENTO é o mesmo do Ordinário, com as modificações dos artigos 525 a 530, combinados com os artigos 184/196 do Código Penal e artigos 169 do Decreto-Lei 7.903. Inicia-se com denúncia ou queixa, se a infração não deixou vestígios e se deixou, só poderá ser recebida, instuída com o exame pericial.
e) NA APLICAÇÃO DE MEDIDA DE SEGURANÇA POR FATO NÃO CRIMINOSO (Artigos 549 a 555 do Código de Processo Penal),
O PROCEDIMENTO é o dos artigos 549 a 555 do CPP, combinados com os artigos 76, 77 e seguintes do Código Penal. Há dois casos: 1- Quando, desde o início, é identificado o caráter não criminoso do fato, segue os moldes previstos no artigo 549 do Código de Processo Penal e seguintes: 2- Quando o caráter não criminoso do fato é identificado no final do processo-crime, aplica-se o disposto no artigo 555 do Código de Processo Penal.
VIII- CONSIDERAÇÕES FINAIS:
1- COMPARAÇÕES. Em termos de formas procedimentos, comparando-se o Código de Processo Penal (vigente) com o Código Futuro (Projeto 633/75), verifica-se o seguinte:
2- ANÁLISE. a) Só permanecem como Procedimentos Especiais no Projeto, em relação aos Especiais do Código Atual, OS CRIMES DE FALÊNCIA e OS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL; b) Aos Procedimentos Incidentais, estão vinculados os CRIMES DE RESPONSABILIDADE DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, RESTAURAÇÃO DOS AUTOS EXTRAVIADOS OU DESTRUÍDOS, APLICAÇÃO DE MEDIDA DE SEGURANÇA POR FATO NÃO CRIMINOSO. c) Ao Procedimento Sumário, estão vinculados os CRIMES DE CALÚNICA E INJÚRIA e o PROCESSO SUMÁRIO, respectivamente denominados, Sumário Contra a Honra e Sumário Comum.
3- PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DIVERSOS. Alguns autores usam essa terminologia para se referir aos Processos de Competência do Supremo Tribunal Federal e Tribunais de Apelação. A esses procedimentos, Tourinho Filho denomina Procedimento de foro privilegiado, tendo em vista a prerrogativa da função. Anteriormente, ao ser a pessoa julgada pelo Supremo Tribunal Federal, o procedimento era o traçado nos artigos 556 a 562 do Código de Processo Penal. A Emenda Constitucional de 17 de outubro de 1969, no entanto, no seu artigo 120, parágrafo único, alínea c conferiu à Suprema Corte a faculdade de estabelecer, no seu Regimento Interno, normas relativas aos feitos da sua competência originária.
Assim, nos crimes julgados pelo Supremo Tribunal Federal, não importando a natureza da infração e a pena combinada, o procedimento é aquele delineado nos artigos 223 a 237, parágrafo único do Regimento Interno da Excelsa Corte. No entanto, se o processo for da competência dos Tribunais de Justiça, do Tribunal Regional Eleitoral ou do Tribunal Federal de Recursos, não importando a infração e a pena combinada, o procedimento é o traçado nos artigos 556 a 562 do Diploma Processual Penal.
Deste modo, além do procedimento de foro privilegiado e já mencionado, encontra-se o procedimento de foro não privilegiado aplicado aos demais casos, obedecendo-se, à disposição do Código de Processo Penal e das Leis Avulsas ou Extravagantes.
Em resumo, é esta a SUMMA DIVISIO das formas procedimentais no Direito Pátrio, valendo salientar que os Procedimentos Especiais Diversos estão incluídos, no Código Futuro, no Livro IV que trata do Processo de Conhecimento.(O POPULAR. Goiânia, 12.11.1978).

Atenção: Como este artigo foi escrito em 1978, muitas alterações devem ter ocorrido nestes 30 anos.

MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



PROGRESSO: O ENIGMA DO SÉCULO


Mário Ribeiro Martins*

Uma das palavras mais favoritas da nossa geração é “progresso”. Sua importância é confirmada, entre outros, exemplos, não só pelo programa de John F. Kennedy “Aliança para o Progresso”, pelo movimento de Martin Luther King “Associação para o Progresso da Gente de Cor”, como também pela Encíclica de Paulo VI “O Progresso dos Povos”.
O fato é que esta palavra e com ela os homens tentam expressar diferentes coisas. Para a geração de estudantes franceses de 1968, a palavra mágica de DeGaulle, “participação”, significa progresso e daí a exigência de uma atuação mais intensa na vida acadêmica e administrativa da Universidade. Os hippies entendem progresso como a libertação do materialismo, da inautenticidade e da hipócrita respeitabilidade da burguesia.
Os integrantes da organização “Corpos de Paz” proclamam um progresso que consiste em serviço ao próximo para superar a tragédia de viver sem um propósito real em suas vidas. Os negros americanos destacam progresso como uma participação responsável da comunidade, pela tomada de consciência de que são, realmente, seres humanos. Os imigrantes estabelecidos em diferentes países, após a Segunda Guerra, entendem progresso como a reconstrução da vida familiar e ascensão social.
Para os países em desenvolvimento, progresso é um acelerado processo de industrialização, preços justos no mercado internacional e melhor distribuição das riquezas. Chegando a esse ponto não é muito difícil dizer que as coisas, mesmo tão diferentes, de acordo com os fins que os homens colocam como suas metas, podem significar progresso. Reveste-se, é verdade, de certa ambiguidade.
O progresso que, mediante transplante de órgãos, por exemplo, torna possível salvar a um homem aqui e alí, contribui para a eliminação de milhares deles nas guerras modernas. O progresso de uma sociedade ou país pode significar o empobrecimento de outro. As consquistas de Alexandre constituíram o progresso macedônico, porém um peso para os povos submetidos.
Em outras palavras, o que para uma nação pode representar o melhor, para outras pode ser o pior. Apesar das diferenças de conteúdo, há entre os indivíduos, uma irresistível ansiedade de progresso. O normal, portanto, é conquistar, dominar, avançar, crescer e numa palavra: progredir. O anormal é não ter tais desejos e chegar ao estado descrito por Romulo Gallegos, em DONA BÁRBARA: “transformar-se num ex-homem”.(DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Recife, 06.09.1974).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


PT: UNÇÃO DOS ENFERMOS
OU EXTREMA-UNÇÃO?



LEONARDO BOFF*


A Igreja Católica trata os doentes com o sacramento da unção dos enfermos para doenças leves e com a extrema-unção para doenças mortais.
Notoriamente o PT está doente. É uma doença para unção dos enfermos ou para extrema-unção? Estimo que a doença está a pedir a extrema-unção. A não ser que resolva trocar de médico e tomar os remédios adequados. Curiosamente quem está em sua cabeceira é um médico, o ministro da Fazenda(Antonio Palocci), que lhe está administrando tratamento equivocado que provavelmente o levará à morte.
O que está matando o PT, daí a extrema-unção? É a forma como trata a chaga mortal que afeta a grande maioria do povo brasileiro já há séculos: o flagelo da miséria e da exclusão. É pelo menos um terço da população que vive em condições desumanas ao lado de um grupo razoável de remediados e um pequena porcentagem de muitos ricos que acumulam em níveis dos maiores do mundo.
O PT se propôs, já há 25 anos, a conquistar o poder para fazer a mudança necessária. Seu candidato era o mais representativo: filho do caos social e sobrevivente da fome, carismático, cordial “gente boa” como tantos do meio popular. E chegou lá. Uma vitória do próprio povo que esperou tanto e lutou ainda mais.
E então, fez as mudanças prometidas? Qual o quê? Conseguiu uma proeza: transformar o Partido dos Trabalhadores no único partido neoliberal dos trabalhadores do mundo. Não só assumiu a macroeconomia neoliberal senão que a radicalizou com uma preocupante taxa de iniqüidade social e ambiental.
Agora se mata e se desmata afoitamente contanto que isso traga dólares. Não para pagar a divida social, mas a divida monetária. O governo, mais que cuidar do povo, gerencia as moedas, pois neste tipo de macroeconomia o que conta mesmo não são as pessoas, mas números e moedas.
Admitamos: fez-se muita coisa boa. Há neste governo ética e transparência mais do que em qualquer outro anterior. Nunca se viu tantas gangues de corruptos sendo desmanteladas. Os 26 milhões beneficiados pela Bolsa Família passaram do inferno para o purgatório e se sentem como se estivessem no céu. Mas não são poucos que também dizem com certa vergonha: gostaria de receber um trabalho e não uma esmola.
Na verdade, a assistência social significa apenas 5,6% do total dos gastos sociais, enquanto a maior fatia do PIB vai para os bancos cujas burras estão estourando de dinheiro.
O erro dessa política social reside nisto: é só distributiva e nada redistributiva, quer dizer, não tira dos ricos e repassa aos pobres. Eles podem continuar acumulando sem ter de mudar nada em sua voracidade. E aplaudem felizes.
A mudança que esperávamos e merecíamos era um plano Marshall para o povo. Sim, só se enfrentaria a devastação que a miséria produz em séculos de descaso mediante um corajoso Plano Marshall econômico, social e cultural.
O governo preferiu ser superortodoxo, escutar com devota atenção as lições dos faróis do FMI e do Banco Mundial, a ter compaixão pelo clamor dos oprimidos de nosso Egito.
O PT está deixando de ser o instrumento da mudança. Ele prolonga os dominadores de antes, de forma pior porque usa os símbolos e a linguagem dos Moisés libertadores. Ele tem ainda tempo de mudar. Senão vamos chamar o padre com o óleo santo da extrema-unção. E sobre ele vamos cantar o Dies irae, dies illa... da velha liturgia fúnebre da antiga Igreja.(O POPULAR, Goiânia, sexta-feira, 11.03.2005, p.8)

LEONARDO BOFF é teólogo e escritor.



QUEM NÃO FOI PARA A
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS.



Mario Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).



Com a morte do maranhense, escritor Josué Montelo, no dia 15.03.2006, com 88 anos de idade, um grupo de amigos discutia sobre quem não entrou para a Academia Brasileira de Letras. As dúvidas eram tantas que me interessei pelo assunto.
Mas, antes de chegar aos nomes que não fizeram parte da Academia Brasileira de Letras, é preciso recordar a sua história. Havia, no Rio de Janeiro, uma revista chamada REVISTA BRASILEIRA(1835-1935), dirigida por José Veríssimo. Na sala da dita revista se reuniam intelectuais da época para tomar um chá, às 16 horas ou 4 da tarde. Foi quando Lúcio de Mendonça propôs a criação da Academia, cuja primeira reunião preparatória se deu em 15.12.1896.
Contudo, a idéia da criação da Academia já vinha desde 10.06.1847, quando o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro(IHGB) tentou criar como um de seus “departamentos”, o Instituto Literário, nome que foi mudado, logo depois, em 22.06.1847, para Academia das Letras Brasileiras. A idéia não vingou e só 31 anos depois, o assunto voltou ao Instituto Histórico.
Em 24.05.1878, Maximiano Marques de Carvalho propôs que se criasse o Instituto Geral Brasileiro, nos moldes do Instituto da França, e dentro dele a Academia das Letras Brasileiras. Esta idéia também morreu.
Portanto, foi no escritório da REVISTA BRASILEIRA, em 15.12.1896, que Machado de Assis foi aclamado PRESIDENTE da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, sendo fundadores: 1) Araripe Júnior. 2)Artur Azevedo. 3)Graça Aranha. 4)Guimarães Passos. 5)Inglês de Sousa. 6)Joaquim Nabuco. 7)José Veríssimo. 8)Lúcio de Mendonça. 9)Medeiros e Albuquerque. 10)Olavo Bilac. 11)Pedro Rabelo. 12)Rodrigo Otávio. 13)Silva Ramos. 14)Teixeira de Melo. 15)Visconde de Taunay. 16)Coelho Neto. 17)Filinto de Almeida. 18)José do Patrocínio. 19)Luis Murat. 20)Valentim Magalhães.
E mais ainda: 21)Afonso Celso. 22)Alberto de Oliveira. 23)Alcindo Guanabara. 24)Carlos de Laet. 25)Garcia Redondo. 26)J.M.Pereira da Silva. 27)Rui Barbosa. 28)Silvio Romero. 29)Urbano Duarte.
Em 28.12.1896, os estatutos foram aprovados. No dia 28.01.1897, foram eleitos os 10(dez) membros que faltavam para completar 40 membros: 1)Aluísio Azevedo. 2)Barão de Loreto. 3)Clóvis Beviláqua. 4)Domício da Gama. 5)Eduardo Prado. 6)Luis Guimarães Júnior. 7)Magalhães de Azeredo. 8)Oliveira Lima. 9)Raimundo Correia. 10)Salvador de Mendonça.
Os PATRONOS das 40 CADEIRAS foram e são: Adelino Fontoura, Álvares de Azevedo, Artur de Oliveira, Basílio da Gama, Bernardo Guimarães, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Cláudio Manoel da Costa, Domingos de Magalhães, Evaristo da Veiga, Fagundes Varela, França Júnior, Francisco Otaviano, Franklin Távora, Gonçalves Dias, Gregório de Matos, Hipólito da Costa, João Lisboa, Joaquim Caetano, Joaquim Manoel de Macedo, Joaquim Serra, José Bonifácio(o moço), José de Alencar, Júlio Ribeiro, Junqueira Freire, Laurindo Rabelo, Maciel Monteiro, Manuel de Almeida, Martins de Pena, Pardal Mallet, Pedro Luis, Manoel de Porto Alegre, Raul Pompéia, Sousa Caldas, Tavares Bastos, Teófilo Dias, Tomás Antonio Gonzaga, Tobias Barreto, Francisco de Varnhagen e Visconde do Rio Branco.
Os distintivos da Academia Brasileira de Letras são: o FARDÃO, a DIVISA, o EMBLEMA e o SELO.
Em 1917, com a morte do Livreiro Francisco Alves, a Academia Brasileira de Letras tornou-se herdeira de sua fortuna. Assim, a Academia é a instituição cultural mais rica do Brasil, estando instalada hoje(2006) num monumental prédio da Avenida Presidente Wilson, 203, no Rio de Janeiro, com diversos andares, mantendo-se, financeiramente, com o aluguel de suas muitas salas.
São ou já foram membros da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, em ordem alfabética:


(LETRA A). Abgar Renault, Adelmar Tavares, Adonias Filho, Affonso Arinos de Mello Franco, Afonso Arinos, Afonso Arinos de Melo Franco, Afonso Celso, Afonso d E. Taunay, Afonso Pena Júnior, Afrânio Coutinho, Afrânio Peixoto, Alberto da Costa e Silva, Alberto de Faria, Alberto de Oliveira, Alberto Faria, Alberto Venancio Filho, Alcântara Machado, Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), Alcides Maia, Alcindo Guanabara, Alfredo Bosi, Alfredo Pujol, Aloísio de Castro, Aluísio Azevedo, Álvaro Lins, Álvaro Moreyra, Amadeu Amaral, Américo Jacobina Lacombe, Ana Maria Machado, Aníbal Freire, Antônio Austregésilo, Antonio Callado, Antonio Carlos Secchin, Antônio Carneiro Leão, Antônio da Silva Melo, Antonio Houaiss, Antonio Olinto, Aquino Correia(Dom), Araripe Júnior, Ariano Suassuna, Arnaldo Niskier, Artur Azevedo, Artur Jaceguai, Artur Orlando, Assis Chateaubriand, Ataulfo de Paiva, Augusto de Lima, Augusto Meyer, Aurélio Buarque de Holanda, Aurélio de Lyra Tavares, Austregésilo de Athayde.

(LETRA B). Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos), Barão Homem de Mello, Barbosa Lima Sobrinho, Bernardo Élis.

(LETRA C). Candido Mendes de Almeida, Candido Motta Filho, Carlos Castello Branco, Carlos Chagas Filho, Carlos de Laet, Carlos Heitor Cony, Carlos Nejar, Cassiano Ricardo, Celso Ferreira da Cunha, Celso Furtado, Celso Lafer, Celso Vieira, Cícero Sandroni, Cláudio de Sousa, Clementino Fraga, Clóvis Beviláqua, Coelho Neto, Constâncio Alves, Cyro dos Anjos.

(LETRA D). Dantas Barreto, Darcy Ribeiro, Deolindo Couto, Dias Gomes, Dinah Silveira de Queiroz, Domício da Gama.

(LETRA E). Eduardo Portella, Eduardo Prado, Eduardo Ramos, Elmano Cardim, Emílio de Meneses, Euclides da Cunha, Evandro Lins e Silva, Evanildo Bechara, Evaristo de Moraes Filho.

(LETRA F). Félix Pacheco, Fernando Bastos de Ávila(Padre), Fernando de Azevedo, Fernando Magalhães, Filinto de Almeida, Francisco de Assis Barbosa, Francisco de Castro, Franklin Dória (Barão de Loreto).

(LETRA G). Garcia Redondo, Genolino Amado, Geraldo França de Lima, Getúlio Vargas, Gilberto Amado, Goulart de Andrade, Graça Aranha, Gregório da Fonseca, Guilherme de Almeida, Guimarães Júnior, Gustavo Barroso.

(LETRA H). Helio Jaguaribe, Hélio Lobo, Heráclito Graça, Herberto Sales, Hermes Lima, Humberto de Campos.

(LETRA I). Inglês de Sousa, Ivan Junqueira, Ivan Lins, Ivo Pitanguy.

(LETRA J). J. M. Pereira da Silva, João Cabral de Melo Neto, João de Scantimburgo, João Guimarães Rosa, João Luís Alves, João Neves da Fontoura, João Ribeiro, João Ubaldo Ribeiro, Joaquim Nabuco, Joracy Camargo, Jorge Amado, José Américo de Almeida, José Cândido de Carvalho, José Carlos de Macedo Soares, José do Patrocínio, José Guilherme Merquior, José Honório Rodrigues, José Lins do Rego, José Murilo de Carvalho, José Sarney, José Veríssimo, Josué Montello, José Mindlin.

(LETRA L). Lafayette Rodrigues Pereira, Laudelino Freire, Lauro Müller, Lêdo Ivo, Levi Carneiro, Lucas Moreira Neves(Dom), Lúcio de Mendonça, Luís Carlos, Luís Edmundo, Luís Guimarães Filho, Luís Murat, Luís Viana Filho, Lygia Fagundes Telles.

(LETRA M). Machado de Assis, Magalhães de Azeredo, Manuel Bandeira, Marco Maciel, Marcos Almir Madeira, Marcos Barbosa(Dom), Marcos Vinicios Vilaça, Mário de Alencar, Mário Palmério, Marques Rebelo, Martins Júnior, Maurício de Medeiros, Mauro Mota, Medeiros e Albuquerque, Menotti del Picchia, Miguel Couto, Miguel Osório de Almeida, Miguel Reale, Moacyr Scliar, Múcio Leão, Murilo Melo Filho.

(LETRA N). Nélida Piñon, Nelson Pereira dos Santos.

(LETRA O). Odylo Costa Filho, Olavo Bilac, Olegário Mariano, Oliveira Lima, Oliveira Viana, Orígenes Lessa, Oscar Dias Corrêa, Osório Duque-Estrada, Osvaldo Cruz, Osvaldo Orico, Otávio de Faria, Otávio Mangabeira, Otto Lara Resende.

(LETRA P). Paulo Barreto(João do Rio), Paulo Carneiro, Paulo Coelho, Paulo Setúbal, Pedro Calmon, Pedro Lessa, Pedro Rabelo, Peregrino Júnior, Pereira da Silva(A. J.), Pontes de Miranda.

(LETRA R). R. Magalhães Júnior, Rachel de Queiroz, Raimundo Correia, Ramiz Galvão (Barão de Ramiz Galvão), Raymundo Faoro, Ribeiro Couto, Roberto Campos, Roberto Marinho, Roberto Simonsen, Rocha Pombo, Rodolfo Garcia, Rodrigo Octavio, Rodrigo Octavio Filho, Roquette-Pinto, Rui Barbosa.

(LETRA S). Sábato Magaldi, Salvador de Mendonça, Santos Dumont, Sérgio Corrêa da Costa, Sergio Paulo Rouanet, Silva Ramos, Silvério Gomes Pimenta(Dom), Sílvio Romero, Sousa Bandeira.

(LETRA T). Tarcísio Padilha, Teixeira de Melo.

(LETRA U). Urbano Duarte.

(LETRA V). Valentim Magalhães, Vianna Moog, Vicente de Carvalho, Viriato Correia, Visconde de Taunay, Vítor Viana.

(LETRA X). Xavier Marques.

(LETRA Z). Zélia Gattai.

Como se pode deduzir, a Academia Brasileira de Letras, ao longo de sua existência(mais de 100 anos), deve ter estórias interessantíssimas, porque há muitos nomes a ela vinculados que são também interessantes, chegando ao ponto de alguns deles não terem os seus nomes biografados nas enciclopédias literárias e são muito pouco conhecidos. O que anima, no entanto, é o fato de que todos eles estão biografados no site da Academia. Estas biografias também podem ser encontradas no livro DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE MEMBROS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS(Goiânia, Kelps, 2007), de Mário Ribeiro Martins, com 1032 páginas.
Mas, QUEM NÃO ENTROU PARA A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS? Entre os nomes mais conhecidos, destacam-se: Augusto dos Anjos, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Lima Barreto, Mário Quintana, Osvald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, José J. Veiga, Paulo Mendes Campos, Antonio Cândido, Osman Lins, Aníbal Machado, Murilo Mendes, Ferreira Goulart, Rubem Fonseca, Gilberto Mendonça Teles, etc.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



RESTRIÇÕES À ENCICLOPÉDIA BARSA.


Mário Ribeiro Martins*




Prezado Senhor, comprei a BARSA(Edição 2005-22 volumes), agora, em maio de 2006, mas não fiquei satisfeito:
PRIMEIRO- porque não encontrei nela um endereço eletrônico, para me manifestar.(Tive de ir ao Google e ao Cadê para achar este endereço e mesmo assim, errado: presidencial@barsa.com.br NÃO EXISTE.
SEGUNDO- porque estou tendo de usar o CORREIO para enviar esta carta, sem a certeza absoluta de que a correspondência chegue ao seu destino, porquanto a própria Enciclopédia não apresenta nenhum endereço.
TERCEIRO-porque a BARSA não apresenta o que se quer. Exemplo: JULIO PATERNOSTRO. Médico Sanitarista, funcionário do serviço de febre amarela, do Ministério da Saúde, do Governo Federal, num convenio com a divisão internacional de Saúde Publica, da Fundação Rockefeller. Percorreu 17 Estados Brasileiros, estudando o mosquito da febre amarela.
Com livro publicado(VIAGEM AO TOCANTINS) pela Companhia Editora Nacional de São Paulo, em 1945. Ainda em 1944, fundou junto com José Affonso Netto, Danilo Perestrello, Elso Arruda, Julio Paternostro, Oswaldo Domingues de Moraes e Walderedo Ismael de Oliveira, o Centro de Estudos Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, todos psiquiatras vinculados ao Serviço Nacional de Doenças Mentais.
No entanto, SUA BIOGRAFIA não é encontrada em nenhuma das enciclopédias nacionais, inclusive BARSA.
O elenco de colaboradores da Grande Enciclopédia Barsa(mais de 200 especialistas) é muito grande, para se ter esquecido tantos nomes famosos. Da Academia Brasileira de Letras, por exemplo, foram esquecidos, na ENCICLOPÉDIA BARSA 2005, TARCÍSIO MEIRELLES PADILHA(Cadeira 2), LUIS CARLOS VERZONI NEJAR(Cadeira 4), JOSÉ MURILO DE CARVALHO(Cadeira 5), CÍCERO AUGUSTO RIBEIRO SANDRONI(Cadeira 6), ALBERTO VASCONCELLOS DA COSTA E SILVA(Cadeira 9), DOM LUCAS MOREIRA NEVES(Cadeira 12), ALFREDO BOSI(Cadeira 12), SERGIO PAULO ROUANET(Cadeira 13), ANTÔNIO CARNEIRO LEÃO(Cadeira 14), AFFONSO ARINOS DE MELLO FRANCO FILHO(Cadeira 17), LUIS CARLOS DA FONSECA MONTEIRO DE BARROS(Cadeira 18), ANTONIO CARLOS SECCHIN(Cadeira 19), MURILO MELO FILHO(Cadeira 20), JOAQUIM MARIA SERRA SOBRINHO(Cadeira 21), LUÍS GUIMARÃES FILHO(Cadeira 24), ARTUR ORLANDO DA SILVA(Cadeira 25), ALBERTO VENANCIO FILHO(Cadeira 25), MARCOS VINICIOS RODRIGUES VILAÇA(Cadeira 26), OSCAR DIAS CORRÊA(Cadeira 28), PEDRO LUIS PEREIRA DE SOUSA(Cadeira 31), GERALDO FRANÇA DE LIMA(Cadeira 31), EVANILDO CAVALCANTE BECHARA(Cadeira 33), AFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO JÚNIOR(Cadeira 36), JOÃO DE SCANTIMBURGO(Cadeira 36), IVAN NÓBREGA JUNQUEIRA(Cadeira 37).
Talvez fosse o caso de se criar a BARSA BIOGRÁFICA para se incluir dezenas de nomes importantíssimos que não foram lembrados. Com estima, www.mariomartins.com.br


Observação: Esta correspondência nunca conseguiu chegar ao seu destino. Sempre devolvida pelo Correio, com a informação de que não existe o destinatário no endereço. Mas a Barsa continua me mandando o chamado LIVRO DO ANO(pelo qual pago pequena fortuna), porem sem qualquer atualização dos itens acima referidos, exceto o endereço que agora é: Av. Francisco Matarazzo, 1.500, 4º Andar, São Paulo, SP, 05.001-100.




MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


RIO LARGO: BERÇO E TÚMULO DE DOIS
PIONEIROS BATISTAS
(MELLO LINS E TEIXEIRA DE ALBUQUERQUE)



Mário Ribeiro Martins*


Localizada a poucos quilômetros de Maceió (AL) e com cerca de vinte mil habitantes, a cidade do Rio Largo, outrora um obscuro povoado anexado à propriedade da família Lins, tem um lugar expressivo na História dos Batistas do Brasil e orgulha-se de ser berço e túmulo de dois ilustres batistas brasileiros: Wandregésilo de Mello Lins e Antônio Teixeira de Albuquerque.
Historicamente, eles têm muito em comum. Mello Lins nasceu em Rio Largo, filho de ricos fazendeiros, em 1839 e foi o primeiro batista batizado em Pernambuco. Teixeira de Albuquerque foi sepultado em Rio Largo no dia 9 de abril de 1887 e foi o primeiro batista brasileiro.
Lins converteu-se pela leitura da Bíblia em português, aprimorou seus conhecimentos aos pés do presbiteriano Rev. John R. Smith e do congregacionalista Rev. James Phanstone, mas foi batizado por Z. C. Taylor no Rio Beberibe (PE), em 6 de maio de 1885.
Teixeira converteu-se pela leitura da Bíblia em latim, aprofundou seus conhecimentos com o presbiteriano Jonh Rockwell Smith e com o metodista J. J. Ransom, mas foi batizado por Richard Ratclif num poço anexo ao templo da Igreja Batista de Santa Bárbara.
No Liceu de Maceió, Lins iniciou seus estudos, conforme relatório de Z. C. Taylor à junta de Richmond (Tupper, H. A. A Decade of Foreign Missions - 1880-1890. Richmond, Virgínia: Foreign Mission Board of the Southern Baptist Convention, 1891, p. 379), enquanto Teixeira apenas concluiu o curso no Liceu de Maceió.
Conheceram-se nesta época, mas só no Recife falaram sobre a vida evangélica. Mello Lins que nasceu em Rio Largo foi sepultado em Maceió, enquanto Teixeira que nasceu em Maceió foi sepultado em Rio Largo.
Finalmente ambos eram alagoanos e também os primeiros batistas: Teixeira, em São Paulo. Lins, em Pernambuco.
Antônio Teixeira de Albuquerque nasceu em 15 de abril de 1840, em Maceió (AL). Com 16 anos entrou para o famoso Liceu de Maceió, de onde saiu 5 anos mais tarde, indo para o Seminário Católico de Olinda, no alto da Sé, como vocacionado para o sacerdócio, embora tão-somente desejoso de satisfazer a vontade dos pais. Com 31 anos viajou para o Ceará, onde foi ordenado juntamente com outros colegas, numa cerimônia presidida por alta "dignidade eclesiástica", em 17 de novembro de 1871, na Matriz da capital.
Como aluno do Seminário Católico de Olinda esteve sob a orientação de 6 padres da Companhia de Jesus e foi educado no antigo convento, onde assimilava a teologia romana e obedecia a todos os dogmas. Ao ler a Bíblia em língua italiana, conforme Jonh Mein (Causa Baptista em Alagoas, Recife, Typographia do C.A.B., 1929, p. 9), segundo outros em latim, teve dúvidas acerca dos dogmas romanos. Após sua ordenação no Ceará, foi designado para Alagoas, onde exerceu o sacerdócio durante pouco tempo em Maceió.
Vindo a Pernambuco, foi visitar seu amigo Wandregésilo de Mello Lins, antigo companheiro do Liceu, que já era evangélico, embora não concordasse com o pedobatismo dos únicos crentes em Pernambuco - presbiterianos e congregacionais, ouviu a pregação do Evangelho, o que aumentou ainda mais sua perturbação e falou ao seu coração, já abalado pela leitura da Bíblia e pelas pregações de John R. Smith em Maceió.
Adquiriu um Novo Testamento grego, afastando-se definitivamente da Igreja de Roma em 1878, depois de 7 anos de conflitos, dúvidas, dos contatos constantes com Mello Lins, de ouvir as pregações de Smith e de apaixonar-se por uma jovem sua antiga vizinha.
Sua abjuração foi amplamente divulgada e um ofício foi enviado ao bispo por ele mesmo, comunicando-lhe a decisão. Logo após, escreveu o folheto "Três Razões Porque Deixei a Igreja Romana", onde esclarece: "Não fui levado a abjurar a Igreja Romana por promessas de dinheiro ou emprego nas Igrejas Evangélicas, ao contrário, desde aquele tempo tenho sofrido muitas privações...".
Até então Teixeira havia mantido contato com os presbiterianos em Maceió, através do trabalho do Rev. John Rockwell Smith. Os batistas ainda não tinham iniciado o seu trabalho no Brasil definitivamente.
Em 1878 Antônio Teixeira de Albuquerque abandonou a batina e casou-se com a senhorita ou senhorinha (tratamento muito comum na época) Francisca de Jesus, conforme relata a Revista de Cultura Religiosa:
"No dia 7 de setembro de 1878, na cidade do Recife, depois dos devidos proclamas de acordo com as leis então vigentes, o Rev. John R. Smith celebrou o casamento do ex-padre alagoano, com d. senhorinha Francisca de Jesus, perante uma assistência de mais de cem pessoas". Esta jovem tinha sido vizinha da família Albuquerque em Maceió e devotava grande afeição ao seminarista católico Antônio Teixeira de Albuquerque que nada podia prometer em virtude de sua vocação sacerdotal.
Após seus estudos e sua ordenação no Ceará, os dois voltaram a se encontrar em Maceió fortuitamente e conforme a narrativa de A. N. Mesquita, "um belo dia depois de dizer uma missa, apresentou-se à porta da sacristia a namorada dentro de um carro, forçando-o a entrar nele. Ou porque tivesse havido combinação prévia ou porque estava convencido da vida errada em que estava, acompanhou a moça e desta feita veio bater no Recife com ela", Mesquita, A. N. História dos Baptistas em Pernambuco. Recife: Typographia do C. A. B., 1930, P. 12) onde se casou com celebração do Rev. Smith.
Sobre as perseguições, disse ele: "Abalado na razão e na consciência, tive uma hora feliz; compenetrei-me do dever de estudar séria e cuidadosamente a Palavra de Deus" (Três Razões Porque Deixei a Igreja de Roma).
Em 1880, E. H. Quillin escreveu sobre a excomunhão de Antônio Teixeira de Albuquerque, dizendo: "O mundo fechou ao redor dele em gélidas cadeias. Os amigos retiraram sua demonstração de respeito. Antigas associações foram fechadas para ele. Os companheiros de sua adolescência fugiram dele como um inimigo ou passavam por ele como um estrangeiro.
O velho pai que tinha permanecido com ele em amor e antecipação, fornecendo meios para sua promoção sacerdotal, abandonou-o na hora da adversidade e deserdou seu único filho. A afetuosa mãe que tinha observado sua ascensão durante anos com um interesse que só uma mãe sente em suas afeições, deixou seu único penhor de amor abandonado pela igreja - desgraçado pelo sentimento popular e abandonado por seus amigos, sem meios de sustento ou amigos para confortar, Antônio Teixeira de Albuquerque e sua esposa foram lançados ao teatro da vida, para lutar com suas severas realidades". Foreign Mission Journal, XII (October, 1880), p. 4 (Microfilmado).
Zaqueu Moreira de Oliveira escrevendo sobre as perseguições aos batistas brasileiros e a influência para o seu desenvolvimento, argumenta:
"Alguns escritores colocam a primeira perseguição aos batistas brasileiros em 1884, quando o missionário Bagby foi derrubado por uma pedra. A perseguição realmente começou em 1880, com as primeiras atividades batistas entre brasileiros. Antônio Teixeira de Albuquerque, o primeiro batista brasileiro, foi vítima de perseguição, antes que os Bagbys chegassem ao Brasil. Ele tinha sido um sacerdote católico romano, convertido pela leitura de uma velha Bíblia em Latim, no Seminário de Pernambuco.
Após sua ordenação, ele deixou a batina, casando-se com uma jovem. A Igreja ofereceu promoção, riqueza e honra, mas ele rejeitou tudo. Porque a Igreja era estabelecida, ele foi aprisionado por 6 meses e publicamente excomungado. Não é claro se ele já era um batista naquele tempo. Desde que esta narrativa foi relatada pelo pastor da Igreja Batista de Santa Bárbara, é provável que ele já era batista". (Oliveira, Zaqueu Moreira de. "The persecution of Brazilian Baptistas and its influence on their developmente". Unpublished Th. D. Thesis, Southwestern Baptist Theological Seminary, 1971, p. 38).
Diante das perseguições sofridas Teixeira e esposa transferiram-se para o Sul, fixando-se em Capivari, São Paulo, nas proximidades de Campinas e Santa Bárbara. Ensinando na sua escola particular, aceitava também convites das igrejas evangélicas, especialmente da Igreja Metodista, chegando mesmo a filiar-se a ela e daí ser considerado o primeiro convertido brasileiro dentro do Metodismo do Brasil, conforme a narrativa de Eula L. Long em "Do Meu Baú Metodista", p. 60.
A questão levantada pela mencionada escritora, se Francisca Albuquerque seria irmã do ex-padre Teixeira não tem razão de ser, em virtude de seu casamento com D. Francisca de Jesus (que recebeu o Albuquerque) no dia 7 de setembro de 1878, conforme está documentado na Revista de Cultura Religiosa e pelo fato de Teixeira ser filho único, segundo E. H. Quillin (texto acima). Teixeira e esposa não foram batizados, mas apenas recebidos por profissão de fé no dia 9 de março de 1879, já que o Rev. J. J. Ransom considerou como válido o batismo católico.
Ao aceitar a posição imersionista, convicção que tinha desde a época de Mello Lins e pelo estudo do Novo Testamento grego, foi batizado na Igreja Batista de Santa Bárbara, num poço anexo, não pelo Rev. Robert P. Thomas, como declara A. R. Crabtree na História dos Batistas do Brasil, p. 50, mas pelo Rev. Richard Ratclif que também o consagrou ao ministério pastoral, conforme se lê no artigo "Brother Bagby on Brazil and its people" (Irmão Bagby no Brasil e seu povo), constante do livro de H. A. Tupper, A Decade of Foreign Missions, p. 205.
Deste modo, perguntar-se-á: qual a igreja que recebeu, como membro pelo batismo, o primeiro batista brasileiro? Tupper responde na página 109: "The First Baptist Church of Santa Bárbara", que tinha 30 membros. A segunda igreja também chamada "Estação" só foi organizada no primeiro domingo de novembro de 1879 com 12 membros vindos da primeira igreja.
Quando os membros da Igreja Batista de Santa Bárbara, interior de São Paulo, solicitaram o apoio da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos asseguraram que eles teriam sustento próprio, no mais tardar "after one Yar`s assistance" (depois de um ano de assistência) (Tupper, A Decade, p. 109). Eles propuseram não só ter sustento próprio, "but to do something for the extension of the gospel in regions beyond" (mas fazer algo para a extensão do Evangelho nas regiões distantes) (Ibid, p. 109).
Nomeados no dia 2 de janeiro de 1881, Bagby e esposa chegaram ao Brasil em 2 de março, descendo no Rio de Janeiro. No dia 16 de abril de 1881 foram para Campinas estudar a língua. Em maio Bagby aceitou o pastorado da Igreja Batista de Santa Bárbara, e ficou pregando lá e na Igreja da "Estação".
Em junho seis pessoas foram batizadas e no fim de 1881 Bagby pregou 4 sermões em português (Ibid, 205). A esta altura a Igreja Batista de Santa Bárbara perdeu as características de igreja puramente norte-americana porque já tinha um brasileiro como membro, Bagby já pregava em português e ela mesma prometeu estender "o Evangelho a regiões distantes", o que fez, enviando um nativo ( Teixeira) juntamente com os Bagbys e os Taylors para fundar uma igreja na cidade mais católica da América Latina, Salvador, sede do arcebispado do Brasil.
A Igreja Batista de Santa Bárbara, sendo de imigrantes americanos, desapareceu em 1910 em virtude da falta de um guia, da morte de alguns, da mudança de outros e principalmente porque cedeu seu único nativo para trabalho na Bahia, como se dissesse: "importa que o trabalho batista entre os brasileiros cresça e eu diminua".
No dia 4 de março de 1882, Z. C. Taylor e esposa desembarcaram no Rio e no dia 9 chegaram em Campinas. Foi Teixeira de Albuquerque quem mais contribuiu para o êxito do trabalho dos recém-chegados missionários que dele dependiam no aprendizado da língua.
Com a mudança das atividades para a Bahia, Teixeira acompanhou os dois casais, onde fundaram a Primeira Igreja Batista do Brasil, em 15 de outubro de 1882.
A convite de alguns amigos, Teixeira visitou Maceió duas vezes num só ano, pregando a grandes auditórios, já abalados pelo opúsculo "Três Razões Porque Deixei a Igreja de Roma" e pelo folheto "Retrato da Virgem Maria no Céu", prediletos nas campanhas de evangelização efetuadas pelos batistas. Após estas viagens especiais, atendeu ao pedido de um pequeno grupo de crentes e fixou residência na terra que o vira nascer. Alguns não lhe perdoaram a vergonha de se ter filiado aos protestantes, outros se conformaram e seus pais foram levados a Cristo e por ele batizados em 1886. Anteriormente Bagby foi ao Rio de Janeiro e lá organizou a Primeira Igreja Batista do Rio, no dia 24 de agosto de 1884, numa casa alugada na Rua Dr. Cassiano, com quatro membros, todos estrangeiros.
Em Maceió, no dia 17 de maio de 1885, foi organizada a Igreja Batista que era a terceira do Brasil, já que a segunda fora organizada no Rio de Janeiro. Antônio Teixeira de Alburquerque, Antônio Teixeira Filho, senhora Francisca Teixeira, Manoel Antônio e Wandregésilo de Mello Lins foram os fundadores da Igreja Batista de Maceió, embora esta não seja a versão de Z. C. Taylor que diz:
"Dez que foram batizados na Bahia retiraram suas cartas demissórias para se formarem em igreja em Maceió. O irmão Mello Lins acompanhou-me e lá achamos o irmão Teixeira rodeado de um pequeno número de fiéis lutando contra dificuldades. Uma pessoa foi batizada antes da nossa chegada e mais três durante a minha estadia fazendo assim um total de seis batizados. No dia 17 de maio, depois da oração, organizamos a Primeira Igreja Batista de Maceió com dez membros. Sr. Teixeira, esposa e filho pediram suas cartas da Bahia" (Z. C. Taylor, "Carta à Junta de Richmond", citada por John Mein, em Causa Baptista em Alagoas, p. 11).
A Ata desta organização desapareceu muito cedo. De qualquer modo a narrativa de Z. C. Taylor é duvidosa porque ele fala de dez batizados na Bahia que retiraram suas cartas, quando, na verdade, apenas a família Teixeira retirou as cartas (3) e quatro foram batizados em Maceió, além de Mello Lins que tinha sido batizado em Pernambuco.
O ministério de Antônio Teixeira de Albuquerque durou apenas seis anos, pois no dia 9 de abril de 1887, faleceu em Rio Largo (AL). Tinha 47 anos e deixou não apenas a esposa e 5 filhos, mas também o testemunho de sua fé e uma série de escritos, entre os quais "Um Só Mediador", seu último artigo publicado no dia 17 de março no "Echo da Verdade" (Ibid, p. 13).
Sobre Teixeira disse A. E. Hayes: "Notemos a abnegação extraordinária deste primeiro batista brasileiro. O seu serviço descambava para o lado inglório. Outros tomavam a frente, administravam os meios, ganhavam renome. Porém nada disto influiu sobre este nobre homem. Trabalhou, escreveu, pregou, pastoreou o seu rebanho... A ele devemos a mor parte da glória do estabelecimento e progresso da causa batista no Brasil" (Vedder, Henry. C. Breve Hist3/4ria dos Baptistas. Tradução de A. E. Hayes. Prelo da Faculdade Theologica Baptista do Recife, 1934, p. 479). (JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 09.02.1975).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




SAIU O LIVRO DE EDIMÁRIO.


Mario Ribeiro Martins*

Em 29.01.2006, no meu artigo QUEM FOI OSVALDO ALENCAR ROCHA, publicado no site www.mariomartins.com.br, escrevi: “Sobre ele e para resgatar a sua memória que está esquecida nas cidades de Imperatriz e Porto Nacional, além de outras, está escrevendo um livro documento, o escritor Edimário Oliveira Machado”.
Pois bem, agora no mês NOVEMBRO de 2006, pela NOVO SÉCULO EDITORA, Rua Aurora Soares Barbosa, 405, 2o. andar - CEP 06023-010, Vila Campesina, Osasco – São Paulo, saiu o livro do Edimário, com o título “PELAS VEIAS DA ESPERANÇA-HISTÓRIA E IDÉIAS DE OSVALDO ALENCAR”.
Uma pena que as referências bibliográficas não foram aprofundadas, deixando de citar livros importantes. Osvaldo Alencar Rocha foi decantado em prosa, em termos biográficos, em todos os seguintes textos.
No DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS, com 1232 páginas, Master, Rio de Janeiro, 1999, um verbete é dedicado ao Osvaldo e também ao próprio Edimário, pelo livro CANABRAVA DO GONÇALO.
No DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, com 924 páginas, Master, Rio de Janeiro, 2001, outro verbete é dedicado ao Osvaldo, por ter sido candidato a Governador do Tocantins, em 1988, pelo PT(Partido dos Trabalhadores), quando foi derrotado por Siqueira Campos.
Na época, foram candidatos: Osvaldo Alencar Rocha(3,7% ou 13.399 votos), José Wilson Siqueira Campos(45% ou 163.819 votos) e José Freire(23% ou 84.926). Votaram 358.675 eleitores. Os votos em branco e nulo somaram 86.527.
Como se não bastasse, no site www.mariomartins.com.br, no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, com mais de 30(trinta) mil verbetes, mais uma vez é colocada a biografia de Osvaldo Alencar Rocha.
É referido no livro O DISCURSO AUTONOMISTA DO TOCANTINS(EDUSP, 2003), de Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante, docente da Universidade Católica de Goiás, onde também Osvaldo chegou a ser professor.
Nenhum destes livros e autores, nenhum deles foi incluído na BIBLIOGRAFIA, de “PELAS VEIAS DA ESPERANÇA-HISTÓRIA E IDÉIAS DE OSVALDO ALENCAR”, de Edimário Oliveira Machado.
No artigo “QUEM FOI OSVALDO ALENCAR ROCHA”? se diz, entre outras informações: “Foi Presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Imperatriz, no Maranhão, entre 1979 e 1980, onde viveu por muitos anos como Advogado da Comissão Pastoral da Terra. Foi também Advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz. Advogado do ARMAZÉM PARAÍBA, em Imperatriz. Foi igualmente Advogado da Associação Médica de Imperatriz e do antigo CDL(Clube de Diretores Lojistas). Em seu trabalho de Advogado, foi ajudado por sua esposa Adma Lourenço e, ocasionalmente, pelo seu sobrinho Celso Alencar Rocha Filho”.
Espera-se que numa futura edição revista e atualizada sejam sanadas estas omissões, mesmo porque, todos os textos acima referidos são de fácil acesso na Internet.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



SILOGEU DE IMORTAIS


Mário Ribeiro Martins*


Com a presença do Acadêmico Austragésilo de Athayde, Presidente da Academia Brasileira de Letras, foi instalada a Academia Evangélica de Letras, com sede no Rio de Janeiro, no dia 31 de outubro de 1962. Naquela oportunidade foi diplomado o primeiro presidente, Rev. Bolivar Bandeira, ministro presbiteriano e escritor de méritos, que recebeu a consagração pública e solene das mãos do representante da entidade máxima das letras brasileiras. O embrião de que surgiu a Academia Evangélica de Letras foi formado no Auditório da Rádio Copacabana, quando quatro homens se encontraram, ilustres poetas e escritores, todos evangélicos, Mário Barreto França, Gilberto Maia, Sebastião J. Ribeiro e Bolivar Bandeira.
Outros surgiram imediatamente e quando a Academia foi fundada, na data supra, já possuía Estatutos e Regimento Interno, era pessoa jurídica e suas cadeiras estavam preenchidas até o número 28.
Na época de sua organização, a Academia Evangélica de Letras do Brasil, era o único silogeu literário deste gênero em todo o mundo.
Foram presidentes desta entidade cultural até o momento, os seguintes acadêmicos: Bolivar Bandeira(em mais de uma ocasião), José de Souza Marques, na época deputado estadual e a quem se deve não só o reconhecimento oficial da Academia como órgão de utilidade pública, mas também a publicação da Antologia dos Escritores Evangélicos e da Revista da Academia e Sebastião J. Ribeiro.
Entre os imortais da novel Academia, e além dos já referidos, mencionam-se: Jairo Morais, Bispo Cesar Dacorso Filho(falecido), Rosalino da Costa Lima(escritor e ministro batista, falecido), Jônatas da Cunha Braga(poeta e ministro Batista, falecido), Zacarias Campelo(escritor e ministro batista), Elbenezer Soares Ferreira(escritor e ministro batista), Eliezer Correira de Oliveira(escritor e ministro batista), Tancredo Costa(ministro Evangélico), José dos Reis Pereira(historiador e ministro batista), Almir dos Santos Gonçalves(escritor e ministro batista), Antenor Santos de Oliveira(escritor e professor), Luiz d’Aurea(escritor e professor, falecido), Nilson do Amaral Fanini(ministro batista) e Laudelino de Oliveira, entre outros.
O quadro geral da Academia é de 40 cadeiras, todas preenchidas. Sua finalidade é expressa no artigo 1º dos Estatutos: “A cultura das letras, das artes e das ciências e a influência evangélica nas esferas intelectuais do País”.
Quando da sessão magna e solene realizada no dia 30 de outubro de 1967, no Auditório do Palácio da Cultura, para comemorar o 5º aniversário da Academia Evangélica de Letras, disse o presidente: “Não a fundamos por mera vanglória, por pedantismo vazio, ôco... Esta Academia se comete a si como inestimável e insubstituível missão e tarefa, divulgar as verdades do cristianismo dos Evangelhos, fazer-lhes apologia, principalmente junto às elites intelectuais.” (Sebastião J. Ribeiro, “Cinco Anos de Academia Evangélica de Letras”, Jornal Batista, 24 de dezembro de 1967, p. 2).
Congregando ilustres homens de saber, a Academia Evangélica de Letras apresenta-se como uma agência de cultura, contribuindo de modo decisivo não só para a formação de um espírito de pesquisa e estudo, mas, sobretudo, para o desenvolvimento das letras evangélicas no Brasil.(JORNAL EVANGELIZADOR. Recife, 28.09.1973).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



SOB O SIGNO DA GERAÇÃO 65


Mário Ribeiro Martins*


A GERAÇÃO 65, de poetas, ensaístas, artistas plásticos e escritores goianos ou não, foi forjada numa tradição universitária eclética: remanescentes de seminários teológicos e das Faculdades de Filosofia e Ciências Humanas.
É uma geração de contrastes que, harmonicamente, concilia ascetas e heréticos; apolíneos e dionisíacos; republicanos e monarquistas; modernistas e concretistas; Weberianos e Durkheimianos.
Todas estas expressões de contrastes e teóricos bruscos são expressos no Suplemento Cultural de O POPULAR - uma página aberta para o tempo e o espaço social de uma geração profundamente inquieta, de intelectuais de província que se preocupam com o universal e com a modernidade de idéias filosóficas e sociais de seu tempo.
Um suplemento literário de província já teria se esvaziado, caso não houvesse um “ethos” geracional tão diversificado, tanto na forma como no conteúdo.
As diversas tendências da geração 65, porém, se contemporizam e se ajustam dando um equilíbrio que, aparentemente, parece anárquico. Entretanto, na sua essência reside o equilíbrio de uma geração inquietamente diversificada. No campo da filosofia e das idéias sociais a geração 65 tem em seu “front” os mais diversificados contestadores e defensores de teorias e modismos filosóficos, tão comuns a nossa época. O engajamento é variado, desde neopositivistas, neotimistas até estruturalistas...
A geração 65 não costuma brincar com idéias, mas manipula-as através dos “double” de escritores como Brasigóis Felício, Martiniano J. Silva, Mariza Therezinha Vilafort, Wandel Santos, José Elverth Ferreira, todos questionadores de idéias e teorias.
O poeta, dramaturgo e filósofo Miguel Jorge, lançado oficialmente na literatura em 1967 com o seu livro de contos ANTES DO TÚNEL, tem se preocupado em dimensionar a inquietação humana, inconformado com os padrões estabelecidos, parece preocupar-se com as idéias de Huseerl, Fichte, Kierkegard e outros, bem como, particularmente, com a crise da razão e com o futuro da literatura e da filosofia.
O teólogo Tácito Gama Filho é fruto de poucas gerações e tem-se inquietado com problemas cristológicos e escolásticos. Os contistas Paulo Nunes Batista, Roberto Fleury Curado, João Costa e Silva, Osman Lins, Oneide Japiassu, Nair Perilo Richeter, Bernardino Campos, Antônio de Cássia são representantes de uma metafísica e de um realismo telúrico de grande teor modernizante.
Os poetas Silva Nascimento, Mário Vasconcelos, Zizi da Paixão, Dionísio Pereira Machado, Lydia Godoy Milano, Gabriel Nascente, Geraldo Dias da Cruz, entre outros, dão uma dimensão social e existencial a uma geração que se angustia com o existir e o saber.
Nas artes plástica a geração 65 tem vários expoentes com uma pintura hipo-realista e bem expressiva de uma época tão conturbada como a nossa. O fato é que sob o signo da geração 65, escrever-se-á um dia a história de um movimento literário regional que teve dimensões internacionais.(O POPULAR. Goiânia, 05.09.1976).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


SOBRE “PLUMAGEM DOS NOMES”,
DE GILBERTO MENDONÇA TELES.


Mario Ribeiro Martins*


Meu caro Gilberto,
No CORREIO DO PLANALTO(Anápolis, 07.11.1981 e 14.11.1981), escrevi 2(dois) artigos sobre a sua obra, com o título GILBERTO MENDONÇA TELES E “A POESIA EM GOIÁS”.
No livro ESTUDOS LITERÁRIOS DE AUTORES GOIANOS(Anápolis, FICA, 1995) páginas 641 a 646, também escrevi sobre o seu trabalho.
No livro ESCRITORES DE GOIÁS(Rio de Janeiro, MASTER, 1996), páginas 80 a 84, escrevi, entre outras coisas:
“O nome mais expressivo da literatura goiana, especialmente, em termos de crítica literária é o de GILBERTO MENDONÇA TELES. De renome internacional, Gilberto fez cursos de especialização em Portugal, lecionou em Montevidéu, representou Goiás em vários Congressos Nacionais e Internacionais. Com 510 páginas, o livro constitui até hoje o melhor estudo que se tem sobre a literatura goiana. Trata-se, portanto, de um texto que, embora tenha o titulo de “A Poesia em Goiás”, é, na verdade, um verdadeiro VADE MECUM sobre a literatura produzida no Estado de Goiás”... e assim continuam as observações.
Por um lapso, quem elaborou os textos para a coletânea PLUMAGEM DE NOMES não fez nenhuma referência ao nome Mario Ribeiro Martins. Fiquei “desnudo”, sem “plumagem”.
Como o livro foi escrito para comemorar os 50 ANOS DE LITERATURA, é claro que meus artigos escritos depois de 1981, enquadram-se nestes 50 anos.
Não vi o livro, pessoalmente, por estar em Palmas, mas recebi a informação através de alguns intelectuais goianos e não goianos que conhecem os meus artigos sobre o seu trabalho. Aguardemos outra oportunidade.

Com especial estima, www.mariomartins.com.br


RESPOSTA DO GILBERTO:


Mário Martins,

Lamento que seu nome não tenha entrado nesta edição. Mas quem o organizou pensa em outra, uma vez que muitos textos escritos especialmente para o livro acabaram ficando de fora.
Eu vou mandar-lhe um exemplar e você verá que o que saiu foi especialmente escrito para a homenagem dos 50 anos de literatura, conforme o subtítulo da obra.
Eliane Vasconcelos, chefe do Arquivo Museu de Literatura da Fundação Casa de Rui Barbosa mandou, há três anos, cartas, e-mails, telegramas, telefonemas dando ciência da organização do livro.
Como você compreende, a iniciativa dela, como os contatos foram feitos por ela. Mas vou pedir-lhe que inclua o seu nome para o segundo volume.

Abraço agradecido, do Gilberto Mendonça Teles.



SONEGAÇÃO DE DÍZIMOS.

Mário Ribeiro Martins*


Em recente conferência proferida pelo Dr. Renê Ribeiro, etnógrafo e médico psiquiatra, catedrático da Universidade Federal de Pernambuco, foi feita uma declaração que merece estudo mais sério da parte dos ministros evangélicos, não porque seja deles desconhecida, mas pelo caráter público que toma e, sobretudo, pela importância do assunto, na atualidade.
Disse o conferencista que dois fenômenos constituíram surpresa em suas atividades de pesquisador social, pelo menos até o momento, e pelo aspecto alarmante destes fatos: O primeiro deles diz respeito à abundância de casos de mancebia no Brasil, que é realmente estarrecedor. O segundo refere-se à sonegação de dízimos, entre os grupos evangélicos, principalmente pentecostais, já que entre os católicos, grupo a que pertence o conferencista, a questão não faz muita ou nenhuma diferença.
A pesquisa teve como objetivo analisar o nível de vida dos membros destas comunidades, estabelecendo-se uma comparação entre suas declarações dentro e fora da igreja. Os entrevistadores localizaram inicialmente os membros das igrejas representativas dos diversos grupos evangélicos e passaram ao processo normal da pesquisa.
Feita a coleta de dados, passou-se ao processo da apuração que revelou o existência de 62% de sonegadores. Comparadas as diversas comunidades pesquisadas, verificou-se que a variação entre eles era insignificante, o que prova a existência desafiante do fenômeno: sonegação de dízimos.
Esta sonegação conforme revelada pela referida pesquisa, pode ter como causas, pelo menos à primeira vista e sem fundamento científico, os seguintes aspectos: a) Vergonha de declarar o verdadeiro salário, muitas vezes baixo. b) Falta de Conhecimento da doutrina do dízimo. c) Receio de uma interferência do físco. d) Infidelidade para com a igreja.
Na verdade, somente uma pesquisa bem estruturada, com técnicas e métodos apropriados, poderá revelar as verdadeiras causas do fenômeno e suas implicações à luz do nosso contexto sócio-econômico-religioso. Eis aqui, portanto, um tema a ser pesquisado com maior profundidade por cientistas sociais, sociólogos e pesquisadores sociais evangélicos, inclusive para estabelecer as causas e como as falsas declarações podem ser conciliadas à luz do ensino bíblico: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.(JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 24.12.1972).



....................................................................................
MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



TEOTÔNIO SEGURADO
E O DICIONÁRIO DO BRASIL IMPERIAL


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*



Nunca entendi a razão por que o DICIONÁRIO DO BRASIL IMPERIAL(1822-1889), de Ronaldo Vainfas, publicado pela OBJETIVA, RJ, 2002, não traz sequer uma linha sobre a figura monumental de JOAQUIM TEOTÔNIO SEGURADO. Lendo-se o dito dicionário, tem-se a impressão de que nunca existiu nenhum Segurado.
Creio ter sido uma falha imperdoável dos ilustres pesquisadores(mais de 20) que colaboraram elaborando verbetes. É que em diversos temas, o nome de Joaquim Teotônio Segurado poderia ter sido enquadrado. Entre os quais, no verbete sobre PROVINCIA.
Se o período a que se refere o dicionário é de 1822 a 1889, é exatamente o período em que Teotônio Segurado teve participação fundamental na história do Brasil. Senão, vejamos:
1) Joaquim Teotônio Segurado que havia nascido em Moura, Portugal, em 25.02.1775, já estava no Brasil, desde 1800, tanto que em 1803, foi nomeado Ouvidor Geral da Capitania de Goiás, pelo Príncipe Regente Dom João VI.
2) Segurado foi promovido ao cargo de Desembargador da Relação do Rio de Janeiro, em 1805 e Desembargador da Relação da Bahia, em 1808.
3) No dia 21.06.1809, com 34 anos, foi nomeado Desembargador da recém-criada Comarca de São João das Duas Barras, com capital no povoado de Palma(hoje cidade de Paranã, Tocantins).
4) No dia 07.08.1821, foi eleito Deputado junto às Cortes Portuguesas, pela Província de Goiás, ainda sob a administração do Príncipe Regente Dom Pedro I.
5) Em janeiro de 1822(período a que se refere o dicionário), viajou para Portugal, como Deputado Goiano junto à Constituinte Extraordinária das Cortes Reunidas de Brasil, Portugal e Algarves, tomando posse no dia 08.04.1822, com 47 anos de idade.
6) Em 23.06.1823, por ordem do Imperador Dom Pedro I, através do Padre pirenopolino Luis Gonzaga de Camargo Fleury, foi destituído de todos os seus títulos honoríficos e alguns bens materiais.
7) Em 14.10.1831, Joaquim Teotônio Segurado, com 56 anos de idade, foi ASSASSINADO em sua fazenda na vila de Palma(Paranã), por ele fundada.
Como se vê, a vida de Teotônio Segurado se enquadra perfeitamente no período a que se refere o dicionário, entre 1822 e 1889.
No entanto, nenhuma palavra sobre ele. Relembre-se que Joaquim Teotônio Segurado chegou a escrever MEMÓRIAS SOBRE A CAPITANIA DE GOIÁS, texto que lhe valeu elogio por carta real de 05.09.1811.
Como se não bastasse, o seu filho Rufino Teotônio Segurado, foi Juiz de Direito de Carolina, no Maranhão, em 1854, além de ter sido Presidente da Sociedade de Navegação do Araguaia, em 1848. Aliás, antes de ser Presidente desta sociedade, realizou em 1847, a viagem de navegação entre “As Províncias de Goyaz e do Grão-Pará”, pelos rios Tocantins e Araguaia, cuja descrição foi publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 1848, Tomo 10, páginas 178/242.
É claro que nem se falou aqui de outros filhos ilustres de Segurado, tais como, Simplício Teotônio Segurado e Joaquim Teotônio Segurado Filho, ambos teriam sido Promotores Públicos de Porto Nacional e Natividade, em épocas distintas.
Por tudo isto e muito mais que poderia ser dito, JOAQUIM TEOTÔNIO SEGURADO, deveria ter sido mencionado no DICIONÁRIO DO BRASIL IMPERIAL, de Ronaldo Vainfas. (Sobre todos eles, leia mais no site www.mariomartins.com.br).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



TOCANTINENSES, TOCANTINS.

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*


Em Belém do Pará, em 1594, os franceses estabeleceram uma FEITORIA. Dirigiram-se para o Maranhão e construíram um FORTE, em 1610, na Capital São Luis. O sábio e navegador De La Blanjartiez descobriu o Rio Tocantins, nos anos seguintes. O fidalgo francês La Planque, em 1613, organizou uma expedição que chegou ao local de encontro do Rio Araguaia e Rio Tocantins.
Como os portugueses tomaram o Forte do Maranhão, La Planque e seu grupo se refugiou e passou a viver, por cerca de 13 anos, entre os índios Tupinambás que viviam em Itaguatins(próximo de Imperatriz). Do cruzamento entre os franceses e as índias Tupinambás, surgiram os primeiros TOCANTINENSES.
Depois da passagem do Padre Vieira pela região e sua prisão, em 1661, quando tentou criar a CAPITANIA DO TOCANTINS, em parceria com índios, colonos e judeus comerciantes, o PRÍNCIPE REGENTE DOM JOÃO VI, pelo ALVARÁ de 18.03.1809, CRIOU a Comarca de São João das Duas Barras.
Era formada pelos JULGADOS de Porto Real(Porto Nacional), Natividade, Conceição, Arraias, São Félix, Cavalcante, Flores e Traíras(Niquelândia). Foi nomeado para dirigir a nova Comarca o Desembargador(Ouvidor) Joaquim Teotônio Segurado que tinha vindo da RELAÇÃO(JURISDIÇÃO) DA BAHIA, em 1808, depois de ter passado pelo Rio de Janeiro, em 1805 e pela CAPITANIA DE GOYAZ, em 1806.
Em 1810, DOM JOÃO VI percebeu o valor do ouro existente no Norte de Goiás(CARMO E PONTAL) e transferiu para Porto Real(Porto Nacional), a SEDE DA CABEÇA DE JULGADO da Comarca de São João das Duas Barras, determinando que para ali se mudasse o Corregedor Teotônio Segurado.
Como as DUAS BARRAS(do Rio Araguaia e do Rio Tocantins) eram por demais distantes, DOM JOÃO VI, por ALVARÁ de 25.02.1814, determinou que fosse criada a Vila de São João da Palma(Paranã) como sede da nova Comarca, tendo sido inaugurada por Teotônio Segurado em 26.01.1815.
Nesse ínterim, Felipe Antonio Cardoso e Xavier de Barros que eram capitães lideram uma campanha pela Independência do Brasil, em agosto de 1821, contra o Governo de Goiás Velho(Vila Boa). Com eles estavam os padres Lucas Freire de Andrade, Luiz Bartolomeu Marques e José Cardoso Mendonça. Marcada a data para a concretização do movimento, em 14 de agosto, todos foram denunciados.
O General Manoel Inácio Sampaio mandou prender o Capitão Felipe Antonio Cardoso em ARRAIAS, próximo de sua cidade natal(Cavalcante). Prendeu Xavier de Barros em TAGUATINGA. O Padre José Cardoso Mendonça foi mandado para a Aldeia do Duro(Dianópolis). O Padre Luiz Bartolomeu Marques ficou a 50 léguas de Goiás Velho, juntamente com o Padre Lucas Freire de Andrade e o Soldado Felizardo Nazaré.
O Padre Francisco Joaquim Coelho de Matos, de Cavalcante, que era o novo líder do movimento, enquanto os demais estavam presos, não teve força suficiente e passou a liderança do movimento para o Ouvidor Teotônio Segurado que tinha sido eleito DEPUTADO, junto às CORTES PORTUGUESAS, pela PROVÍNCIA DE GOYAZ, em 07.08.1821.
Este, como Governador Separatista de Goiás, instalou o Governo Provisório da Província de São João da Palma, em 14.09.1821, ficando a Capital em Cavalcante e depois em Natividade e Arraias.
Em janeiro de 1822, Joaquim Teotônio Segurado foi para Portugal, como Deputado junto à CONSTITUINTE EXTRAORDINÁRIA DAS CORTES REUNIDAS DE BRASIL, PORTUGAL E ALGARVES.
Seu lugar de Governador Separatista foi assumido pelo ouvidor João Esteves de Brito e depois por Febrônio José Vieira Sodré e finalmente por Felipe Antonio Cardoso.
Este passou a ter a colaboração dos militares Pio Pinto de Cerqueira, Lúcio Luis Lisboa, José Bernardino de Souza Ferreira, Silvério José de Souza Rangel e Joaquim José da Silva.
Com a independência do Brasil, em 07 de setembro de 1822, que deixou de ser Colônia de Portugal, para se tornar IMPÉRIO DO BRASIL, o Governador da Província de Goyaz, Manoel Inácio Sampaio, mandou uma tropa comandada pelo Padre Pirenopolino LUIZ GONZAGA DE CAMARGO FLEURY para acabar com o Governo Provisório do Norte de Goiás e prender os seus líderes.
A ordem do IMPERADOR DOM PEDRO I foi cumprida através do ofício de 10.07.1823, assinado pelo Padre Fleury, quando de sua chegada em Porto Real(Porto Nacional).
Quanto a Joaquim Teotônio Segurado, retornando de Portugal em 1823, após a INDEPENDÊNCIA DO BRASIL e com as censuras que lhe foram impostas pelo novo Governo Português, afastou-se da vida pública, tornando-se um cidadão comum, perdendo, inclusive, seus títulos honoríficos e seus principais bens materiais, consoante determinação do Imperador Dom Pedro I, através do ofício de 10.07.1823.
Alguns anos depois, no dia 14.10.1831, Teotônio Segurado foi morto em sua Fazenda, na Vila de Palma(Paranã), a mando de sua própria esposa, que, para isso, mandara fabricar uma bala de ouro, conforme tradição oral na região e cuja notícia foi estampada pelo único jornal do Norte do país, “A MATUTINA MEIAPONTENSE”, publicada em Pirenópolis, interior goiano, no dia 03.12.1831.
Pela sua luta em favor da Independência do Norte, foi homenageado com o nome da PRINCIPAL AVENIDA DE PALMAS, recém-construída Capital do Estado do Tocantins ou seja AVENIDA JOAQUIM TEOTÔNIO SEGURADO.
A luta pela independência do NORTE DE GOIÁS, continuou nos anos seguintes.
Em 1891, o Deputado Federal Constituinte, Coronel Carlos Gomes Leitão, ex-prefeito de Boa Vista do Tocantins(Tocantinópolis) que morreu de malária indo para Belém do Pará, iniciou um projeto de união das forças políticas regionais a favor da independência do Norte de Goiás, sem sucesso, pelas brigas políticas.
Em 1873 e também em 1879, o Visconde de Taunay, autor do livro “A Retirada da Laguna”, DEPUTADO POR GOIÁS, propõe um projeto criando “A PROVINCIA DE BOA VISTA DO TOCANTINS” e outro criando “A PROVÍNCIA DO TOCANTINS”. Todos sem sucesso.
A COLUNA PRESTES, em 1925, comandada pelo Coronel Luiz Carlos Prestes, ao passar por Arraias, Natividade e Porto Nacional, também conhecida como OS REVOLTOSOS, preconizou a independência do Norte de Goiás.
Na década de 1930 e 1940, o Brigadeiro Aviador Lysias Rodrigues constrói aeroportos nas principais cidades do Norte de Goiás e elabora um anteprojeto constitucional e uma Carta Geográfica do Território Federal do Tocantins, a partir do que os políticos elaboram o MANIFESTO AO POVO DO VALE DO TOCANTINS, em 10.12.1943, propondo ao Presidente Getúlio Vargas, a criação do Território do Tocantins.
Em 13.05.1956, com centenas de assinaturas, O JUIZ FELICIANO MACHADO BRAGA, de Porto Nacional, divulga o MANIFESTO À NAÇÃO, pedindo a criação do Estado do Tocantins. Tinha recebido o apoio de Osvaldo Ayres(jornal A NORMA), Trajano Coelho(ECOS DO TOCANTINS), Lysias Rodrigues(A Tarde), Fabrício Freire(Associação Tocantinense de Imprensa).
Da Assembléia Legislativa de Goiás, veio o apoio dos deputados Francisco de Brito, Paulo Magalhães, Antonio Carneiro Vaz e Almerinda Arantes.
O Professor Ruy Rodrigues da Silva, de Porto Nacional, em 10.10.1960, criou a CASA DO ESTUDANTE NORTE GOIANO(CENOG), com sede em Goiânia e filiais em Pedro Afonso, Dianópolis, Miracema, Porto Nacional e Rio de Janeiro. Presidida, em 1961, por Vicente de Paula Leitão e depois por José Cardeal dos Santos, a CENOG passou a publicar o jornal PARALELO 13, focalizando a criação do novo Estado, sendo a CENOG extinta pelo regime militar, após a revolução de 1964.
Com a posse de José Wilson Siqueira Campos, em 01.02.1971, com o primeiro mandato de Deputado Federal, tem-se de novo a bandeira da retomada do sonho da criação do Estado do Tocantins.
Assim, logo em 1972, Siqueira Campos apresenta projetos de criação do Estado, juntamente com propostas de Redivisão Territorial do Brasil, o que também ocorre em 1974 e 1978.
Fundada em 28 de dezembro de 1981, foi criada a Comissão de Estudos dos Problemas do Norte(CONORTE), com sede em Brasília e filiais em Goiânia, Porto Nacional, Gurupi, Araguaína e Campos Belos, sendo seu primeiro Presidente o Engenheiro Antonio Maia Leite e depois o publicitário José Carlos Leitão.
Nesse período, vários livros foram publicados, entre os quais, “TOCANTINS-UM ESTADO PARA A NOVA REPÚBLICA”, de Adão Bonfim Bezerra e “FUNDAMENTOS PARA A CRIAÇÃO DO TOCANTINS”, de Célio Costa.
Com a chegada de José Sarney à Presidência da República, em 1985, os três projetos aprovados pelo Congresso Nacional, pela instrumentalidade de Siqueira Campos, Benedito Ferreira e Amaral Peixoto, foram VETADOS, o que levou Siqueira Campos a fazer uma greve de fome na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Com a instalação da Assembléia Nacional Constituinte e a criação do Comitê Pró-Criação do Estado do Tocantins, sob a Presidência do Juiz Federal Darci Martins Coelho, o tema voltou ao auge.
Uma EMENDA POPULAR foi assinada por mais de 100(cem) mil pessoas, em agosto de 1987. Com a fusão das emendas, feita por Siqueira Campos, a criação do Estado do Tocantins se deu no segundo turno, em 27.07.1988. Com a entrada em vigor da nova Constituição Brasileira, em 05.10.1988, estava criado o novo Estado do Tocantins, no artigo 13, das Disposições Constitucionais Transitórias.
No dia 15.11.1988, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás realizou a primeira eleição tocantinense, quando foi eleito o Governador José Wilson Siqueira Campos e Vice-Governador Darci Martins Coelho, além de Senadores, Deputados Federais e Estaduais, todos diplomados no Auditório do Tribunal de Justiça, em Goiânia. Relembre-se que nesta eleição de 15.11.1988, a votação foi a seguinte: Osvaldo Alencar Rocha(3,7% ou 13.399 votos), José Wilson Siqueira Campos(45% ou 163.819 votos) e José Freire(23% ou 84.926). Votaram 358.675 eleitores. Os votos em branco e nulo somaram 86.527.
Na Capital Provisória, MIRACEMA DO NORTE, no Colégio Tocantins, no dia 01.01.1989, o Desembargador Joaquim Henrique de Sá, Presidente do T.R.E de Goiás, instalou o novo Estado e deu posse aos novos governantes, com a presença do Governador de Brasília, Joaquim Roriz, representando o Presidente da República. Ato contínuo, foi criado o Tribunal de Justiça, o Tribunal de Contas do Estado e nomeados os secretários do Executivo.
No dia 17.02.1989, foi instalado o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, sob a Presidência do Desembargador José Maria das Neves, em Miracema. Em maio de 1989, foi indicado o local de construção da nova Capital. No dia 05.10.1989, a nova Constituição Estadual foi promulgada, no mesmo Colégio Tocantins, de Miracema. Os chefes dos TRÊS PODERES(Siqueira Campos, do EXECUTIVO, Raimundo Boi, do LEGISLATIVO e Liberato Povoa, do JUDICIÁRIO) juraram cumprir a Constituição.
E no dia 20 DE MAIO DE 1990, após uma missa solene, celebrada pelo Bispo de Porto Nacional, Dom Celso Pereira de Almeida, iniciou-se a CONSTRUÇÃO DE PALMAS.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


TOLSTOI E O PADRE JOÃO
(QUEM FOI LEÃO LEDA?)


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*



LEÃO LEDA(Leão Tolstoi de Arruda Leda), de Grajaú(Chapada), Maranhão, 1840. Após os estudos primários em sua terra natal, nunca mais estudou. Tornou-se proprietário rural e político. Seu irmão Luís Leda era professor, inteligente e culto. O outro irmão, Mariano Leda era Secretário do Liceu de São Luis, Capital do Maranhão. Como Leão Leda tivera vários filhos e filhas, um de seus genros era tambem o Major Rosa Lima.
Os Leda, como família, tinham protagonizado uma das mais violentas lutas políticas do Império, entre o Partido Conservador e o Partido Liberal, no alto sertão do Maranhão.
Nas lutas políticas de 1885, Leão Leda tivera as fazendas queimadas. Diante das dificuldades financeiras, foi obrigado a permitir que sua filha de 15 anos, se casasse com um grotesco garimpeiro, de mais de 70 anos, vindo da Bahia, mas rico, o Thomaz Moreira. Esse casamento lhe deixou desgostoso e profundamente triste.
A morte do Promotor Público, Dr. Estocolmo Eustáquio Polary, em agosto de 1898, foi atribuída a Leão Leda e a seus companheiros, os irmãos Moreira, entre os quais, o seu genro Tomaz Moreira.
Leão Leda, de espírito belicoso, terminou perdendo a política e teve de sair fugido de Grajaú. Passou por Carolina, Pedro Afonso, etc, acompanhado de seu filho Ireno, mas não foi bem recebido.
Assim, em 1900, já com 60(sessenta) anos de idade, instalou-se com a família em Boa Vista do Tocantins(Tocantinopolis), antigo Norte de Goiás, onde iria encontrar o Padre João de Sousa Lima que tinha retornado a Tocantinópolis, já como sacerdote, em 30.09.1897.
Com o passar do tempo, Leão Leda chegou a ser grande proprietário. Tinha tantas casas em Tocantinópolis que formavam uma rua(em 1990, a Rua se chamava, Rua Dr. Pedro Ludovico). Tinha também outras casas, onde residiam seus parentes e aderentes. Ele, pessoalmente, morava com a família na Fazenda Prata, nos arredores de Boa Vista do Tocantins.
Na verdade, o grande desejo de Leão Leda era formar um Estado livre e independente que englobasse o território de Boa Vista do Tocantins(Tocantinápolis), antigo norte de Goiás até Pastos Bons, no Maranhão, de tal forma que ele mesmo se tornasse o Governador. Afinal de contas, a "República de Pastos Bons" já tinha sido proclamada em várias ocasiões, como em 1823, 1835, 1840, etc. Não custava a Leão Leda tentar agora(1900)a criação do Estado de Pastos Bons.
Tinha conquistado a simpatia do governo de Goiás, através do Governador Rocha Lima. Com muito poder, passou a fomentar guerrilhas para roubar gado, cereais e outros haveres dos indefesos sertanejos, o que não agradou ao Padre João.
Através do governador, conseguiu um Juiz para Boa Vista do Tocantins, na pessoa do paulista Dr. Cantídio Bretas e um Promotor Público Adelmar Macedo que era genro do Coronel Leão Leda.
Como protesto, a população de Boa Vista elegeu o Padre João, Deputado Estadual pelo Norte de Goiás, que, para tomar posse, saiu de Tocantinópolis foi a Belém, depois Rio de Janeiro e finalmente Goiás Velho.
Nas eleições municipais, no entanto, Leão Leda teve maioria e abriu-se uma crise porque os seus votos foram tidos como comprados. Entre abril e maio de 1907, iniciou-se a SEGUNDA REVOLUÇÃO DE BOA VISTA. Relembre-se que a PRIMEIRA REVOLUÇÃO DE BOA VISTA se deu em 1892, entre o Coronel Leitão e o Frei Gil Villanova.
No dia 23.05.1907, após uma luta entre grupos rivais, morreu Tomas Moreira, genro de Leão Leda. Mas a guerra continuou entre o grupo do Padre João e Leão Leda.
Em 21.07.1907 a cidade de Boa Vista estava destruída: casas comerciais arrombadas e saqueadas. Cartório e Agencia do Correio destruídos. Papéis e documentos queimados pelo meio da rua.
Entre novembro e dezembro de 1907, o Superior Tribunal de Goiás Velho concedeu HABEAS CORPUS para que o Padre João e seu grupo(Coronel Tito de Brito e os Majores João de Oliveira, Aníbal de Souza, Diogo de Melo e Pedro Maquinista) não fossem presos.
Com o retorno do Juiz Bartolomeu Teixeira Palha, que era a favor de Leda, à sua Comarca de Porto Nacional, o grupo de Leão Leda fugiu de Boa Vista para Porto Franco, deixando Boa Vista sob o comando do Padre João e seu grupo.
Em janeiro de 1909, com 69 anos de idade, Leão Leda e seus homens vieram para Pedro Afonso e dali foram para Conceição do Araguaia que tinha sido incorporada ao Estado de Goiás, pela instrumentalidade do comerciante Estevão Maranhão que era sobrinho de Leão Leda.
Entrou na cidade, juntamente com seu filho Mariano, acompanhado de mais de 100(cem) jagunços fortemente armados. Passou a enfrentar o Bispo Dom Domingos Carrerot que não concordava com os roubos que Leda fazia nas fazendas vizinhas.
Aproveitando-se que Leão Leda se encontrava em sua casa, com 52 capangas (os outros tinham ido furtar gado), o povo de Conceição, devidamente armado, cercou a casa e começou o tiroteio no dia 08.03.1909.
No dia 09 de março, o povo arrombou as portas e às 11 horas da manhã Leão Leda foi morto dentro de casa e seu filho Mariano, na rua, sendo os dois sepultados no Cemitério de Conceição do Araguaia, hoje no Pará.
Estava terminada a SEGUNDA REVOLUÇÃO DE BOA VISTA DO TOCANTINS. O garimpeiro Tomas Moreira (em 1885), casou-se com a filha de Leão Leda e teve vários filhos. Desta união das famílias Moreira e Leda apareceram vários descendentes, entre os quais, o escritor Juarez Moreira Filho, autor do livro RISOS & LÁGRIMAS, no qual declara seu parentesco com Leão Leda (p.129).
Apesar de sua importância, Leão Leda não é estudado no “DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO”(2001, 5 volumes, 6211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É referido e estudado no romance "SERRA DOS PILÕES-JAGUNÇOS E TROPEIROS-NOS SERTÕES DO JALAPÃO", de Moura Lima, com notas de orelha de Assis Brasil e prefácio de Clóvis Moura.
Outro fato interessante, é que não é encontrado nenhum LEDA no DICIONÁRIO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS(4 volumes), de Antonio Henrique da Cunha Bueno e Carlos Eduardo de Almeida Barata, publicado em São Paulo, em 2001, pela Editora Árvore da Terra.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


TURISMO & DIFICULDADES

Mário Ribeiro Martins*


Muito significativa a entrevista dada por Wanderley Bezerra, no DIÁRIO DE PERNAMBUCO, ao colunista João Alberto sobre as perspectivas e facilidades do turismo nacional.
Recente viagem à Europa para um curso de aperfeiçoamento em Sociologia na Universidade de Madrid, fez-nos chegar a conclusões quanto às possibilidades e dificuldades que enfrentam os turistas no Brasil. Evidentemente tais conclusões são o resultado da observação, dos contatos e das viagens por vários países, entre os quais a Espanha, onde o número de turistas, durante o ano de 1973, foi maior do que a população do país que é de trinta e quatro milhões de habitantes.
A possibilidades turísticas nocionais poderiam ser resumidas em poucas palavras: cada região e cidade, no Brasil, constitui sinônimo de turismo. A mencionada entrevista foi expressiva no sentido de mostrar não só as nossas possibilidades, que são claras, mas também as facilidades que começam a se esboçar para o turista.
Uma das dificuldades a ser superada é a que diz respeito ao câmbio ou troca de moedas. Sabe-se que quanto mais houver facilidades na troca de moedas, tanto mais o turista é levado a gastar dinheiro, o que significa aumento das nossas divisas. Sempre que há dificuldades em cambiar, o turista retém o dinheiro, com receio de problemas posteriores. Esta dificuldade se manifesta, principalmente, através da inexistência de guichês de câmbio em lugares importantes.
Pode-se trocar ou cambiar, nas grandes cidades da Europa, não somente nos bancos, mas também nas grandes casas comerciais, hotéis, aeroportos, estações, etc. A possibilidade da troca de moedas em lugares onde o turista mantém os primeiros contatos, é de capital importância para o desenvolvimento do turismo nacional.
Diante da significação da troca de moedas, cremos que este é um setor a ser revisto e melhorado para não criar dificuldades ao turista que aqui chega para contemplar não somente as belezas naturais, mas também o crescimento do país.(DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Recife, 11.07.1974).


....................................................................................
MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



TURISMO E DESENVOLVIMENTO

Mário Ribeiro Martins*

O turismo é um fenômeno estrutural condicionado por fatores geográficos, sócio-econômicos e culturais. Não só a atração do sol e mar exercem predominante influência nos contingentes turísticos que se deslocam para as zonas meridionais dos continentes europeu e americano, mas também a tradição artística de certos países ou a possibilidade de praticar determinados esportes são fatores decisivos.
As correntes turísticas, especialmente na Europa, nutriam-se principalmente de pessoas pertencentes às camadas sociais mais elevadas - aristocracia, finanças, alta burguesia - e as concentrações turísticas de valor mais qualitativo que quantitativo encontravam-se em três vertentes típicas: ao redor dos famosos balneários da Europa, nas praias francesas do Atlântico e do Mediterrâneo, na Riviera italiana e nas estações dos Alpes suíços, austríacos e bávaros.
Após os sofrimentos da última guerra quando a restauração da economia européia foi possível graças a uma conjunção de circunstâncias favoráveis, surgiu uma nova necessidade social na civilização do ócio, ócio criador concebido como uma atividade tendente à informação e ao aperfeiçoamento da própria formação cultural.
Vários fatores tornaram possível essa evolução que apresenta contingentes numericamente elevados e em constante crescimento, destacando-se: A elevação do nível de vida, principalmente na Europa, como conseqüência do aumento da renda média “per capita”. O maior grau de cultura que desperta a necessidade de deslocamentos partindo da residência habitual em direção a novos povos e nações.
As condições de vida nas grandes metrópoles que provocam uma evasão. A ampliação da temporada de férias, a generalização do sistema de férias pagas e a diminuição do número de horas semanais. O desenvolvimento da indústria do automóvel e as facilidades estabelecidas para a sua aquisição, tornando-o acessível a um grande número de habitantes, sobretudo, nos países industrializados.
O desenvolvimento dos transportes e a progressiva diminuição de suas tarifas, bem como a construção de uma densa rede rodoviária, bem tratada e conservada, de intensa circulação. A relevante importância adquirida pelo transporte aéreo, contribuindo para o estabelecimento de fortes correntes turísticas. A colaboração prestada pelo transporte marítimo, mediante cruzeiros organizados pelas próprias companhias de navegação.
O aparecimento de alojamentos mais acessíveis à classe de economia média. A ação motivadora das agências de viagens em colaboração com as empresas de transporte, realizada em escola crescente. A democratização dos esportes náuticos e de inverno. As facilidades de fronteira, restringindo a um mínimo as formalidades indispensáveis na política e na alfândega.
O fato é que o turismo traz notáveis benefícios aos países receptores dos maiores contingentes. Daí a posição tomada pela ONU recomendando a outorga de prioridade à assistência técnica no setor do turismo pela importância que o mesmo tem, como instrumento para financiar e promover o aumento do nível econômico dos países em desenvolvimento. O turismo não somente estimula as inversões e atrai divisas, mas também cria empregos, permitindo a mobilidade social e a utilização profissional.(DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Recife, 14.08.1974)



....................................................................................
MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM BAIANO ILUSTRE.
(QUEM FOI MILTON SANTOS?)

Mario Ribeiro Martins*


MILTON SANTOS(Milton de Almeida Santos), de Brotas de Macaúbas, Bahia, 03.05.1926, escreveu, entre outros, “O CENTRO DA CIDADE DE SALVADOR” (1959), “O TRABALHO DO GEÓGRAFO NO TERCEIRO MUNDO”(1971), “O ESPAÇO DIVIDIDO” (1975), “POR UMA GEOGRAFIA NOVA”(1978), “ESPAÇO E SOCIEDADE” (1979), “PENSANDO O ESPAÇO DO HOMEM” (1982), “ESPAÇO E MÉTODO” (1985), sem dados biográficos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos publicados.
Após os estudos primários em sua terra natal(de onde também procede o autor destas notas), deslocou-se para outros centros, onde também estudou. Filho de professores primários, aprendeu a ler e a escrever aos cinco anos de idade, sem freqüentar qualquer escola, pois era orientado pelos pais, na vetusta Brotas de Macaúbas.
Aos oito, já dominava a álgebra e dava os primeiros passos no francês. Em 1936, mudou-se para Salvador, sendo matriculado, com dez(10) anos de idade, no Instituto Baiano de Ensino. Descendente de escravos emancipados antes da Abolição, pensou fazer engenharia, mas desistiu ao saber da discriminação contra negros na Escola Politécnica de Salvador.
Concluído o Ginásio, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade da Bahia, onde se formou em 1948, quando tinha 22 anos de idade. Tornou-se Advogado em Ilhéus, no interior baiano, durante algum tempo, quando também lecionou Geografia nas escolas da cidade.
De volta a Salvador, continuou lecionando e trabalhando como Repórter do jornal A TARDE. Nos anos seguintes, viajou para a França. Em 1958, quando tinha 32 anos, terminou o Doutorado em Geografia, pela Universidade de Estrasburgo, no interior da França.
De volta à Bahia, em 1959, escreveu seu primeiro livro sobre a cidade de Salvador. Atuou como jornalista, tendo acompanhado Jânio Quadros numa viagem a Cuba, em 1960, época em que já era um geógrafo conhecido em seu Estado.
Tornou-se amigo e profundo admirador de Jânio, chegando a ser subchefe da Casa Civil e representante do governo federal em seu Estado. Mas se decepcionou com a renúncia do então presidente, em agosto de 1961. Em 1964, presidiu a Comissão Estadual de Planejamento Econômico, órgão do governo baiano. Durante sua permanência na comissão, foi autor de propostas polêmicas, como a de criar um imposto sobre fortunas.
Durante o regime militar, combinou as atividades de redator do jornal "A Tarde", de Salvador, e a de professor universitário. Na época, defendeu posições nacionalistas e denunciou as precárias condições de vida dos trabalhadores do campo. Por causa de suas posições políticas, acabou sendo demitido da Universidade Federal da Bahia e passou 60 dias preso no quartel do Bairro de Cabula, em Salvador. Só foi libertado porque sofreu um princípio de infarto e um derrame facial.
Aconselhado por amigos, aceitou convite para lecionar no exterior. Nomeado Professor da Universidade de Bordeaux(interior da França), lecionou também na Universidade de Sorbonne, em Paris. Seguiu para os Estados Unidos, tendo trabalhado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Foi professor das Universidades de Paris (França), Columbia, em Nova York (EUA), Toronto (Canadá) e Dar Assalaam (Tanzânia). Também lecionou na Venezuela e Reino Unido.
Só regressou ao Brasil em 1977, na época da "distensão". Mudou-se para São Paulo, tornando-se professor, em 1984, da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP (FFLCH), consultor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Com o passar do tempo, tornou-se especialista em problemas urbanos dos países subdesenvolvidos, tendo sido Consultor dos Governos da Argélia e de Guiné-Bissau. Fez-se reconhecido internacionalmente, tendo sido professor na França, nos Estados Unidos, na Tanzânia e na Venezuela, entre outros. Expoente do movimento de renovação crítica da Geografia.
Por concurso público de provas e títulos, tornou-se Professor Titular da Universidade de São Paulo. GEÓGRAFO BRASILEIRO. Escritor, Ensaísta, Pesquisador. Memorialista, Intelectual, Educador. Cronista, Contista, Ficcionista. Literato, Conferencista, Produtor Cultural. Administrador, Orador, Poeta.
Em 1994, ganhou o Prêmio Internacional de Geografia VAUTRIN LUD, bem como o Prêmio Homem de Idéias, do JORNAL DO BRASIL e ainda o Prêmio Gilberto Freyre de Brasilidade, da Federação do Comércio de São Paulo.
Ao longo de sua carreira de mestre, recebeu 12(doze) títulos de DOUTOR HONORIS CAUSA, de diferentes Universidades estrangeiras. Era membro da Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese de São Paulo, desde 1991.
Em 1997, esteve na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, quando falou sobre “ O PAPEL DO INTELECTUAL NO SÉCULO XXI”. Escrevia para o jornal FOLHA DE SÃO PAULO. Faleceu em São Paulo, em 24.06.2001, com 75 anos de idade, sendo enterrado no Cemitério da Paz, no Morumbi.
Pai de dois filhos, um deles Rafael Santos. Na MOSTRA MULTICULTURAL MILTON SANTOS, promoção da Universidade Federal de Goiás, em junho de 2002, uma homenagem lhe foi prestada pelo professor de Geografia da USP, Francisco Capuano Scarlato, que fez conferência sobre a sua vida e obra.
O grande pecado do baiano Milton Santos foi, tendo nascido em Brotas de Macaúbas, na Chapada, jamais ter dado a devida importância à CHAPADA DIAMANTINA, não no sentido de mencionar em seus livros de Geografia, mas no sentido de estudá-la e DIVULGÁ-LA com mais vigor, eis que nela nascera.
Apesar de sua importância, não é mencionado no livro BAIANOS ILUSTRES, de Antonio Loureiro de Souza, não é referido na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM CARIOCA ILUSTRE
(QUEM FOI BERNARDO SAYÃO?)


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*


BERNARDO SAYÃO (Bernardo Sayão Carvalho de Araújo), Carioca da Tijuca, no Rio de Janeiro, 18.06.1901, escreveu, entre outros, “APONTAMENTOS DA BR. 014(BELÉM-BRASÍLIA)”, sem dados biográficos.
Vinculado ao Tocantins, por ter construído a principal estrada que corta o Estado de norte a sul e nela ter falecido, a BELÉM/BRASÍLIA.
Após os estudos primários em sua terra natal, matriculou-se na Escola Superior de Agronomia de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde se formou Engenheiro Agrônomo, em 1923. Tornou-se praticante de futebol e remo.
Casou-se, em 1925, em Belo Horizonte, com Lídia Pimentel, com quem teve as filhas Lais e Lea Sayão, indo morar na Fazenda Santa Clara, no Paraná. Retornou ao Rio de Janeiro, em 1932, quando participou da Revolução Constitucionalista contra os paulistas que queriam a deposição de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo.
Veio conhecer Goiás pela primeira vez em 1939, fazendo a viagem de Jeep, com as duas filhas. Com a morte de Lídia em 1936, casou-se novamente em 1941, com Hilda Fontenele Cabral, com quem teve os filhos Bernardo Filho, Fernando Sayão e Lia Sayão.
Por nomeação de Getúlio Vargas, em 1941, tornou-se Diretor da Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG), no Rio das Almas, hoje Ceres, Goiás. Com seu trabalho de projeção internacional, tornou-se Vice-Governador de Goiás, eleito em 1954, chegando a ser Governador por três meses.
Durante muito tempo residiu em Anápolis, Goiás, na “CHÁCARA DO DOUTOR JAMES FANSTONE”, posteriormente transformada em loteamento, onde foi conservada a mata nativa, então existente e tão bem descrita por Léa Sayão, em seu livro “BERNARDO SAYÃO, MEU PAI”. No dito loteamento, na Rua Inglaterra, 200, Nações Unidas, encontra-se a residência do autor destas notas, com vista para a mata conservada pelo velho Fanstone, Médico proprietário do famoso Hospital Evangélico Goiano.
Convocado pelo Presidente Juscelino, construiu o primeiro aeroporto de Brasília, o Vera Cruz e o primeiro cruzeiro, onde seria rezada a primeira missa da futura capital do Brasil, bem como o primeiro cemitério de Brasília, onde também foi enterrado.
Foi Diretor-Executivo da NOVACAP. Novamente chamado por Juscelino, iniciou a construção da Rodovia Belém-Brasília, em 1956, com duas turmas de trabalho, uma iniciando em Belém e a outra em Brasília, quando percorreu metro por metro, os mais de dois mil quilômetros da Rodovia que passa pelo Distrito Federal, Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará.
Quando faltavam 15 dias para que as duas turmas se encontrassem nas proximidades de Açailândia, Maranhão, foi acidentado pelo tronco de uma árvore que o levou à morte.
Faleceu no dia 15 de janeiro de 1959, sendo sepultado em Brasília, no cemitério por ele demarcado. A árvore que o matou foi usada para fazer a cruz que marcou o local de seu acidente fatal. Pena que no local não haja um GRANDE MONUMENTO a Bernardo Sayão, o que poderia ser construído no Governo de Luiz Inácio da Silva(Lula), especialmente agora, quando na região, já passam os trilhos da FERROVIA NORTE-SUL.
Sua filha, Léa Sayão, EX-DEPUTADA FEDERAL POR GOIÁS(suplente 1974) escreveu em 1964, o livro “MEU PAI, BERNARDO SAYÃO”, de excelente valor histórico. Léa Sayão faleceu em Brasília em 1996. Mas, em janeiro de 1960, ela participou da Caravana da Integração Nacional percorrendo a Belém/Brasilia, em seu estado ainda original, acompanhada da norte-americana Joana Lowell Bowen que dirigia uma Kombi, a mesma Joana que escrevera o livro TERRA PROMETIDA(Edições Melhoramentos, 1957) e que, sendo Ex-Atriz da Broadway, filmou com Charles Chaplin e que, anos depois, foi enterrada em Brasília, junto com seu esposo Leek Bowen, ao lado do túmulo de Bernardo Sayão.
Quanto a Sayão, a rodovia BELÉM-BRASÍLIA, também chamada BR-014, passou a ter o seu nome, embora ninguém a conheça como tal. Pelo Decreto 47.763, de 02.02.1960, publicado no Diário Oficial da União que circulou em 05.02.1960, o então Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira deu-lhe o nome de “RODOVIA BERNARDO SAYÃO”.
Mencionado em todos os livros que tratam de Brasília e do Norte Goiano, atual Estado do Tocantins, entre os quais, BREVE HISTÓRIA DO TOCANTINS E DE SUA GENTE-UMA LUTA SECULAR, de Otávio Barros, SAYÃO-ADEUS AO OESTE, de Paulo Dantas. Encontra-se na ESTANTE DO ESCRITOR TOCANTINENSE, da Biblioteca Pública do Espaço Cultural de Palmas. Biografado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, MASTER, Rio de Janeiro, 2001.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM DICIONÁRIO DE CENTO E VINTE E SEIS ANOS
(DICCIONARIO BIOGRAPHICO DE PERNAMBUCANOS
CELEBRES)


Mario Ribeiro Martins*



De um modo geral, as pessoas dizem: “Procure na Internet”. Ora, você só encontra na “rede” aquilo que alguém coloca. Daí a razão porque resolvi divulgar os NOMES que estão verbetados no DICCIONARIO BIOGRAPHICO DE PERNAMBUCANOS CELEBRES, de Francisco Augusto Pereira da Costa, Recife, Typographia Universal, Rua do Imperador, 50, 1882.
Sobre o autor se pode dizer: FRANCISCO AUGUSTO PEREIRA DA COSTA, de Recife, Pernambuco, 16.12.1851, escreveu, entre outros, “DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERNAMBUCANOS CÉLEBRES” (1882). Filho de Manuel Augusto de Menezes Costa e Maria Augusta Pereira da Costa. Após os estudos iniciais no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, abandonou os estudos para se tornar caixeiro numa livraria do Recife.
Com 21 anos de idade, começou a escrever no DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Publicou o seu dicionário quando tinha 31 anos de idade, em 1882. Em 1884, mudou-se para o Piauí, onde se tornou Secretário de Governo. Em 1891, com 40 anos de idade, tornou-se Advogado formado pela Faculdade de Direito do Recife. Elegeu-se Deputado Estadual.
Em 1908, foi recebido no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, pelo Barão do Rio Branco, sendo saudado pelo Conde de Afonso Celso. Foi um dos fundadores da Academia Pernambucana de Letras. Escreveu também OS ANAIS PERNAMBUCANOS, em quatro volumes. Faleceu no Recife, no dia 21 de novembro de 1923, com 72 anos de idade.
Como se trata de um Dicionário raríssimo, encontrado em poucos lugares, resolvi divulgar os nomes dos que são ali biografados, em ordem alfabética. Se alguém estiver pesquisando sobre algum pernambucano, vai saber se ele consta ou não do famoso Dicionário de Francisco Augusto Pereira da Costa.
O exemplar que se encontra com este autor foi comprado num dos “sebos” do Rio de Janeiro, pouco conservado e tem 810 páginas. (O outro exemplar encontrado pelo autor, depois da grande cheia do Recife, no fim da década de 1960, ficou imprestável para leitura). É um livro raríssimo. Hoje(2008), 126(cento e vinte e seis) anos depois da publicação, em 1882, posso sentir o prazer que teve Francisco Augusto Pereira da Costa, ainda jovem de 31 anos, com o seu livro. O homem passou, mas o livro ficou.
A grafia que está sendo usada é a mesma grafia, tal como utilizada no Dicionário. Como é impossível colocar a biografia de cada um, optou-se por incluir apenas o lugar, a data de nascimento e do falecimento:
Pode ser enfadonho, mas é útil aos pesquisadores e leitores atentos. Eis os nomes constantes do famoso Dicionário:

LETRA A:
Affonso de Albuquerque Mello(Serinhaém, Pe, 1600-Lisboa, Portugal, 1666).
Agostinho Barbalho Bezerra(Olinda, Pe, 1609-Rio de Janeiro, 1675).
Agostinho Bezerra Cavalcante e Souza(Recife, Pe, 1788-Recife, 19.03.1825).
Álvaro Teixeira de Macedo(Recife, Pe, 13.01.1807-Bruxelas, Belgica, 1849).
André de Albuquerque(Recife, Pe, 1620-Elvas, Portugal, 1659).
André Dias de Figueiredo(Olinda, Pe, 1669-Indias Portuguesas, Portugal, 1719).
Anselmo Francisco Pereti(Goyanna, Pe, 21.04.1812-Recife, 09.10.1877).
Antonino Jose de Miranda Falcão(Recife, Pe, 10.05.1798-Rio de Janeiro, 09.12.1878).
Antonio Affonso Ferreira(Recife, Pe, 15.03.1812-Funchal, Portugal, 20.12.1850).
Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho(Recife, Pe, 1655-Angola, África, 25.04.1725).
Antonio de Albuquerque Maranhão(Olinda, Pe, 1588-Lisboa, Portugal, 1667).
Antonio de Andrade Luna-Frei(Recife, Pe, 1800-Recife, 1850).
Antonio dos Anjos(Frei)(Olinda, Pe, 1599-Lisboa, Portugal, 1659).
Antonio Augusto de Araújo Torreão(Recife, 25.03.1845-Recife, 1866).
Antonio Cavalcante de Albuquerque(Olinda, Pe, 1600-Recife, 01.08.1645).
Antonio Coelho de Sá e Albuquerque(Muribeca, Pe, 18.10.1821-Rio de Janeiro, 22.02.1868).
Antonio Correia Seara(Olinda, Pe, 02.01.1802-Rio de Janeiro, 01.05.1858).
Antonio da Costa(Olinda, Pe, 1626-Recife, 1686).
Antonio da Costa Rego Monteiro(Recife, Pe, 14.08.1805-Recife, 01.08.1859).
Antonio Felippe Camarão(Dom)(Taba dos Pytiguares, Pe, 1580-Recife, 1641).
Antonio Fernandes Padilha(Itamaracá, Pe, 1797-Florianopolis, SC, 07.08.1865).
Antonio Francisco Bastos(Recife, Pe, 1755-Recife, 1835).
Antonio Francisco de Paula Holanda Cavalcanti de Albuquerque-VISCONDE DE ALBUQUERQUE(Recife, Pe, 21.08.1797-Rio de Janeiro, 14.04.1863).
Antonio Gomes Pacheco-Padre(Itamaracá, Pe, 15.01.1742-Recife, 1806).
Antonio Gonçalves da Cruz Cabugá(Recife, Pe, 1817-Philadelphia, USA, 1887).
Antonio Joaquim de Mello(Recife, Pe, 02.02.1794-Recife, 08.12.1873).
Antonio Jorge Guerra(Recife, Pe, 1685-Recife, 1750).
Antonio José Victorino de Almeida e Albuquerque(Recife, Pe, 1776-Recife, 01.04.1843).
Antonio Jose Victorino Borges da Fonseca(Recife, Pe, 26.02.1718-Olinda, 09.04.1786).
Antonio Manoel Felix(Pau D`Alho, Pe, 1655-Recife, 1718).
Antonio Martins Bayão(São Francisco, Pe, 1610-Recife, 15.02.1688).
Antonio Muniz Barreiros(Olinda, Pe, 1598-São Luiz, Ma, 16.01.1643).
Antonio Pedro de Figueiredo(Iguarassu, Pe, 22.05.1822-Recife, 21.08.1859).
Antonio Pedro de Sá Barreto(Jaboatão, Pe, 31.01.1801-Recife, 03.04.1881).
Antonio Peregrino Maciel Monteiro-BARÃO DE ITAMARACÁ(Recife, Pe, 30.04.1804-Lisboa, Portugal, 05.01.1868).
Antonio Pessoa Arco-Verde(Serinhaem, Pe, 1620-Recife, 15.10.1692).
Antonio Rangel de Torres Bandeira(Recife, Pe, 17.10.1826-Recife, 11.11.1872).
Antonio de Santa Maria Jaboatão(Frei)(Jaboatão, Pe, 1695-Recife, 1763).
Antonio Vicente do Nascimento Feitosa(Recife, Pe, 10.06.1816- Recife, 29.03.1868).
Antonio Vieira de Mello(Muribeca, Pe, 14.04.1669-Recife, 22.10.1764).
Antonio Vieira da Silva(Recife, Pe, 1665-Recife, 1725).
Apolônio Peres Campello Jacome da Gama(Recife, Pe, 09.02.1830-Recife, 06.11.1868).
Aprígio Justiniano da Silva Guimarães(Recife, Pe, 03.01.1832-Recife, 03.09.1880).
Augusto Netto de Mendonça(Recife, Pe, 04.08.1834-Montivideu, Uruguai, 1868).

LETRA B:
Bento José Lamenha Lins(Serinhaem, Pe, 1801-Recife, 15.05.1862).
Bento Teixeira Pinto(Muribeca, Pe, 1545-Olinda, 1610).
Bernardino das Neves(Frei)(Olinda, Pe, 1568-Olinda, 1638).
Bernardo José da Gama-VISCONDE DE GOYANNA(Recife, Pe, 20.08.1782-Recife, 03.08.1854).
Bernardo Luiz Ferreira Portugal(Recife, Pe, 1755-Recife, 1835).
Bernardo Vieira de Mello(Muribeca, Pe, 1658-Lisboa, Portugal, 1718).
Braz de Araújo Pessoa(Olinda, Pe, 1618-Olinda, 24.02.1698).

LETRA C:
Caetano Francisco Lumachi de Mello(Recife, Pe, 27.11.1773-Recife, 1827).
Caetano Maria Lopes Gama-VISCONDE DE MAMANGUAPE(Recife, Pe, 1784-Rio de Janeiro, 21.06.1864).
Carlos Ferreira(Recife, Pe, 1657-Recife, 1701).
Carlos José e Souza(Frei)(Recife, Pe, 04.11.1777-Recife, 03.04.1850).

LETRA D:
Diogo Pinheiro Camarão(Recife, Pe, 1607-Recife, 1677).
Domingos Malaquias de Aguiar Pires Ferreira-BARÃO DE CIMBRES(Recife, Pe, 03.11.1788-Recife, 10.12.1859).
Domingos Ribeiro dos Guimarães Peixoto-BARÃO DE IGUARASSU(Recife, Pe, 14.08.1790-Rio de Janeiro, 28.04.1846).
Domingos Rodrigues Carneiro(Recife, Pe, 1660-Recife, 1705).
Domingos de Souza Leão-BARÃO DE VILLA-BELLA(Cimbres, Pe, 16.12.1819-Recife, 18.10.1879).
Domingos Theotonio Jorge Martins Pessoa(Recife, Pe,1752-Recife, 10.07.1817).
Duarte Coelho de Albuquerque(Olinda, Pe, 1537-Recife, 1578).

LETRA E:
Estevão José Carneiro da Cunha(Recife, Pe, 1762-Rio de Janeiro, 12.10.1832).
Estevão Soares de Aragão(Olinda, Pe, 1685-Recife, 1748).

LETRA F:
Felippe Bandeira de Mello(Olinda, Pe, 1601-Recife, 24.10.1655).
Felippe Nery Ferreira(Recife, Pe, 20.06.1783-Recife, 02.09.1834).
Felix Peixoto de Brito e Mello(Recife, Pe, 24.08.1807-Recife, 13.01.1878).
Fernão de Mello e Albuquerque(Serinhaem, Pe, 1610-Recife, 1655).
Francisco Antonio Raposo-BARÃO DE CARUARU(Recife, Pe, 24.11.1817-Rio de Janeiro, 23.03.1880).
Francisco Cardoso Ayres(Dom)(Recife, Pe, 18.12.1821-Roma, Itália, 14.05.1870).
Francisco Correia Telles de Menezes(Olinda, Pe, 1745-Recife, 1845).
Francisco Ferreira Barreto-Padre(Recife, Pe, 05.04.1790-Recife, 25.02.1851).
Francisco Gil Ribeiro(Recife, Pe, 1655-Recife, 1712).
Francisco Jose Arantes(Recife, Pe, 30.11.1783-Coimbra, Portugal, 1868).
Francisco José Marinho(Recife, Pe, 1795-Recife, 29.07.1846).
Francisco de Moura Rolim(Dom)(Olinda, Pe, 1580-Lisboa, Portugal, 1657).
Francisco Muniz Tavares(Recife, Pe, 16.02.1793-Recife, 1874).
Francisco Nunes Franklin(Recife, Pe, 23.07.1778-Recife, 02.12.1833).
Francisco Paes Barreto-MARQUEZ DO RECIFE(Cabo, Pe, 26.05.1779-Recife, 26.09.1848).
Francisco de Paula Baptista(Recife, Pe, 04.02.1811-Recife, 25.05.1881).
Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque(Recife, Pe, 1751-Recife, Pe, 01.06.1821).
Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque-VISCONDE DE SUASSUNA(Recife, Pe, 10.06.1793-Recife, 28.01.1880).
Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque Lacerda(Goyanna, Pe, 1798-Recife, 07.12.1848).
Francisco de Paula Gomes dos Santos(Goyanna, Pe, 1783-Recife, Pe, 24.08.1845).
Francisco Rebello(Recife, Pe,1601-Recife, 08.02.1647).
Francisco do Rego Barros-CONDE DA BOA-VISTA(Recife, Pe, 03.02.1802-Recife, 04.10.1870).
Francisco de Santo Antonio(Frei)(Olinda, Pe, 1609-Recife, 25.08.1695).
Francisco Xavier de Moraes Cavalcante(Recife, Pe, 1746-Recife, 1821).
Francisco Xavier Paes Barreto(Cimbres, Pe, 17.09.1821-Rio de Janeiro, 28.03.1864).
Francisco Xavier Pereira de Brito(Recife, Pe, 17.11.1786-Recife, 31.07.1844).

LETRA G:
Gervasio Pires Ferreira(Recife, Pe, 26.06.1765-Recife, 09.03.1836).

LETRA H:
Henrique Dias(Olinda, Pe, 1603-Recife, 08.07.1662).
Hermillo Peregrino David Madeira(Maranguape, Pe, 30.04.1831-Uruguai, 08.10.1866).

LETRA I:
Ignácio Firmo Xavier(Recife, Pe, 10.06.1825-Recife, 07.11.1870).

LETRA J:
Jacob de Andrade Vellosino(Olinda, Pe, 1639-Haya, Holanda, 1712).
Jeronymo de Albuquerque Maranhão(Olinda, Pe, 1548-São Luiz, Ma, 11.02.1618).
Jeronymo César de Mello(Recife, Pe, 1658-Recife, 1738).
Jeronymo Fragoso de Albuquerque(Olinda, Pe, 1590-Belem, 01.08.1619).
Jeronymo Villela de Castro Tavares(Recife, Pe, 08.10.1815-Recife, 25.04.1869).
João Antonio Salter de Mendonça-VISCONDE DE AZURARA(Goyanna, Pe, 1746-Salvador, 14.06.1825).
João da Apresentação Campelli-Frei(Recife, Pe, 1690-Salvador, Ba, 18.02.1751).
João Baptista da Fonseca(Recife, Pe, 1790-Olinda, 1855).
João Baptista da Purificação(Frei)(Recife, Pe, 1780-Recife, 1850).
João Barbosa Cordeiro(Goyanna, Pe, 1792-Maceió, 1872).
João de Barros Rego(Olinda, Pe, 1653-Recife, 28.12.1712).
João da Conceição Loureiro(Frei)(Olinda, Pe, 1765-Recife, 1823).
João Evangelista Leal Periquito-Frei(Olinda, Pe, 27.12.1797-Recife, 07.11.1851).
João de Mello(Olinda, Pe, 1706-Recife, 1776).
João Nepomuceno Carneiro da Cunha(Iguarassu, Pe, 16.05.1767-Iguarassu, 29.11.1833).
João do Rego Barros(Olinda, Pe, 1625-Recife, 1697).
João do Rego Dantas Monteiro(Recife, Pe, 1774-Cabo, 24.09.1824).
João Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro(Tracunhaem, Pe, 28.02.1766-Paulista, Pe, 1817).
João do Rosário-Frei(Recife, Pe, 1726-Olinda, 1780).
João Soares de Albuquerque(Olinda, Pe, 1602-Recife, 1680).
João de Souto Maior(São Lourenço, Pe, 1800-Recife, 1830).
João de Souza(Olinda, Pe, 1600-Recife, 1686).
João Velho do Rego Barreto(Olinda, Pe, 1601-Lisboa, Portugal, 1680).
Joaquim do Amor Divino Caneca(Frei)(Recife, Pe, 07.08.1779-Recife, 13.01.1825).
Joaquim Jeronymo Serpa(Recife, Pe, 13.09.1773-Olinda, 1830).
Joaquim Nunes Machado(Goyanna, Pe, 15.08.1809-Recife, 02.02.1849).
Joaquim Villela de Castro Tavares(Olinda, Pe, 02.02.1816-Recife, 11.03.1858).
Jorge de Albuquerque Coelho(Olinda, Pe, 23.04.1539-Recife, 1596).
Jose Antonio de Figueiredo(Cabo, Pe, 15.12.1823-Recife, 18.04.1876).
Jose de Barros Falcão de Lacerda(Recife, Pe, 23.12.1775-Recife, Pe, 22.07.1851).
Jose de Barros Lima(Olinda, Pe, 1765-Recife, 10.07.1817).
Jose Camello Pessoa de Mello(Recife, Pe, 1753-Recife, 1833).
Jose Correia Picanço-BARÃO DE GOYANNA(Goyanna, Pe, 10.11.1745-Rio de Janeiro, 10.10.1823).
Jose Correia da Silva(Recife, Pe, 1746-Recife, 01.07.1811).
Jose Gomes da Costa Gadelha(São Lourenço, Pe, 30.07.1743-Cabo Frio,1798).
Jose Ignácio de Abreu e Lima(Recife, Pe, 06.04.1794-Recife, 08.03.1869).
Jose Ignácio Borges(Recife, Pe, 1782-Recife,06.12.1838).
Jose Ignácio Ribeiro de Abreu e Lima(Recife, Pe, 1768-Recife, 29.03.1817).
Jose Luiz de Mendonça(Recife, Pe, 1784-Olinda, 12.06.1817).
Jose Mamede Alves Ferreira(Recife, Pe, 17.08.1820-Recife, 1882).
Jose Maria de Vasconcellos Bourbon(Recife, Pe, 1774-Recife, 1839).
Jose Marinho Falcão Padilha(São Lourenço da Mata, Pe, 08.07.1787-Recife, 1839).
Jose Mauricio Wanderley(Serinhaem, Pe, 1694-Recife, 1739).
Jose da Natividade Saldanha(Olinda, Pe, 08.09.1796-Bolivia, 1830).
Jose de O` Barbosa(Recife, Pe, 1780-Tracunhaem, Pe, 1830).
Jose Paulino da Câmara(Ipojuca, Pe, 31.07.1838-Recife, Pe, 10.06.1866).

LETRA L:
Laurentino Antonio Moreira de Carvalho-Padre(Recife, Pe, 1782-Recife, 1851).
Leandro do Sacramento(Frei)(Recife, Pe, 1778-Rio de Janeiro, 01.07.1829).
Leonardo Bezerra Cavalcante(Olinda, Pe, 1682-Salvador, Ba, 1757).
Libanio Augusto da Cunha Mattos(Recife, 02.10.1818-Recife, 29.08.1866).
Lino do Monte Carmello Luna-Conego(Recife, Pe, 23.09.1821-Recife, 23.06.1874).
Luiz Alves Pinto(Recife, Pe, 1719-Recife, 1789).
Luiz Barbalho Bezerra(Olinda, Pe, 1596-Rio de Janeiro, 15.04.1644).
Luiz Botelho do Rosário-Frei(Recife, 25.08.1695-Salvador, BA, 1775).
Luiz Ignácio Ribeiro Roma(Olinda, Pe, 01.05.1797-Recife, 19.12.1848).

LETRA M:
Mamede Simões da Silva(Olinda, Pe.17.08.1824-Recife, 07.07.1880).
Manoel Antonio Vital de Oliveira(Recife, Pe, 28.09.1829-Rio de Janeiro, 03.02.1867).
Manoel de Arruda Câmara(Olinda, 1752-Recife, 01.12.1810).
Manoel Buarque de Macedo(Recife, 01.03.1837-São João Del Rei,MG, 27.08.1881).
Manoel Caetano de Almeida e Albuquerque(Recife, 11.11.1753-Recife, 11.01.1834).
Manoel de Carvalho Paes de Andrade(Recife, 21.12.1774- Rio de Janeiro, 18.06.1855).
Manoel da Cunha Wanderley Lins(Serinhaem, 1820-Recife, 12.07.1881).
Manoel Figueiroa de Faria(Recife, Pe, 01.12.1801-Olinda, 01.08.1866).
Manoel Ignácio de Carvalho Mendonça(Recife, 1795- Rio de Janeiro, 13.04.1851).
Manoel de Macedo-Frei(Olinda, Pe, 1603-Angola, África,1645).
Manoel Madeira(Recife, Pe, 1623-Recife, 01.07.1683).
Manoel Mendes da Cunha Azevedo(Olinda, Pe, 02.12.1797-Recife, 13.07.1858).
Manoel do Monte Rodrigues de Araújo(Dom)-CONDE DE IRAJÁ(Recife, Pe, 17.03.1798-Rio de Janeiro, 11.06.1863).
Manoel Pereira de Moraes(Tracunhaem, Pe, 20.01.1803-Recife, 20.04.1858).
Manoel da Piedade(Frei)(Olinda, Pe, 1572-Paraiba, 18.12.1631).
Manoel de Santa Catharina(Frei)(Olinda, Pe, 1667-Luanda,Angola, 1737).
Manoel de Santa Thereza(Frei)(Recife, Pe, 1724-Salvador, 1800).
Manoel de Souza Magalhães-Padre(Olinda, Pe, 19.11.1744-Recife, 11.11.1800).
Manoel de Souza Teixeira-BARÃO DE CAPIBARIBE(Recife, Pe, 1785-Recife, 11.08.1861).
Martim Soares Moreno(Olinda, Pe, 1588-Lisboa, Portugal, 1648).
Mathias de Albuquerque Coelho-CONDE DE ALEGRETE(Olinda, Pe, 1600-Lisboa, Portugal, 09.06.1647).
Mathias de Albuquerque Maranhão(Olinda, Pe, 1594-Cunhaú, RGN, 1685).
Miguel Rodrigues Sepúlveda(Iguarassu, Pe, 21.04.1669-Recife, 1768).
Miguel do Sacramento Lopes Gama(Recife, Pe, 29.09.1791-Recife, 09.12.1852).

LETRA N:
Nicolao Paes Sarmento-Frei(Cabo, Pe, 1664-Recife, 01.05.1734).

LETRA O:
Ovídio da Gama Lobo(Recife, Pe, 29.09.1836-São Luiz, Ma, 19.09.1871).

LETRA P:
Paulo de Santa Catharina(Frei)(Olinda, Pe, 1574-Recife, 1620).
Pedro de Albuquerque(Serinhaem, Pe, 1608-Belem, Pará, 06.02.1644).
Pedro de Araújo Lima-MARQUEZ DE OLINDA(Serinhaem, Pe, 22.12.1793-Rio de Janeiro, 1869).
Pedro Correia Barreto(Olinda, Pe, 1680-Recife, 1735).
Pedro Francisco de Paula Cavalcante de AlbuquerqueVISCONDE DE CAMARAGIBE(Recife, Pe, 19.04.1806-Recife, 02.12.18750).
Pedro Ivo Velloso da Silveira(Olinda, Pe, 1811-Corpo no mar, Costa Brasileira, 1853).
Pedro de Moraes Magalhães(Recife, Pe, 1591-Lisboa, Portugal, 1651).
Pedro Ribeiro da Silva(Santo Antão, Pe, 1670-Recife, 1730).
Pedro de Santa Marianna(Frei)(Recife, Pe, 30.12.1782-Rio de Janeiro, 06.05.1864).
Pedro da Silva Pedroso(Recife, Pe, 1770-Rio de Janeiro, 1849).
Pedro de Souza Tenório(Recife, Pe, 29.06.1779-Recife, 06.03.1817).

LETRA R:
Rita Joanna de Souza(Olinda, Pe, 12.05.1696-Recife, 01.04.1718).
Ruperto de Jesus(Frei)(Iguarassu, Pe, 09.08.1644-Salvador, 09.08.1708).

LETRA S:
Sebastião Pinheiro Camarão(Recife, Pe, 1653-Recife, 1723).
Sebastião do Rego Barros(Recife, Pe, 18.08.1803-Recife, 07.03.1863).
Simão de Figueiredo(Frei)(Recife, Pe, 1605-Recife, 1650).
Simplicio Antonio Mavignier(Recife, Pe, 1800-Recife, 02.08.1856).

LETRA T:
Tabyra(Aldeia Tabajara, 1540-Recife, 1580).
Thomaz da Cunha Lima Cantuaria(Recife, Pe, 1800-Olinda, 04.09.1878).

LETRA U:
Urbano Sabino Pessoa de Mello(Recife, Pe, 1811-Rio de Janeiro, 07.12.1870).

LETRA V:
Venâncio Henrique de Rezende(Serinhaem, Pe, 1784-Recife, 09.02.1866).
Victorino Jose Carneiro Monteiro-BARÃO DE SÃO BORJA(Recife, Pe, 1816-Porto Alegre, RGs, 1877).
Virginio Rodrigues Campello(Recife, Pe, 21.08.1770-Recife, 1836).
Vital Maria Gonçalves de Oliveira(Frei)(Itambé, Pe, 27.11.1844-Paris, França, 04.07.1878).

LETRA Z:
Zenobio Accioli de Vasconcellos(Olinda, Pe, 1617-Recife, 1684).




MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com





UM DICIONÁRIO TOCANTINENSE.

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*



A idéia de elaborar o “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS” terminou por me trazer oportunidades raras. Jamais poderia imaginar que ao longo da pesquisa pudesse encontrar tantas preciosidades. Nos anos anteriores havia eu pesquisado e publicado o “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS”, com 1.230 páginas, incluindo apenas 140 nomes vinculados ao antigo norte de Goiás.
Imaginava que, pouca coisa iria encontrar no atual Tocantins, que justificasse a publicação de um Dicionário. Enganei-me. O “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS” terminou por sair com 925 páginas, focalizando mais de 1.500 biografias.
A pesquisa possibilitou a descoberta de fatos interessantíssimos. Um deles. O Professor Antonio Teixeira Neto, da Universidade Federal de Goiás chegou a escrever: “Quando se fala de História de Goiás, entende-se a História do Sul de Goiás. Não existe bibliografia sobre o NORTE DE GOIÁS”.
Ledo engano. A bibliografia existe, porém muito mais em lingua estrangeira. Os estrangeiros escreveram mais sobre o norte goiano(hoje Tocantins), do que os brasileiros.
Daí a razão por que o “DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS” está repleto de nomes estrangeiros.
É que o critério usado foi o de colocar autores que nasceram no antigo norte de Goiás(hoje Tocantins). Mas também aqueles que, oriundos de diferentes partes do Brasil e do Mundo, vivem hoje no Tocantins. Bem como aqueles que passaram, outrora, estudando o Tocantins. E mais ainda, aqueles cujos livros são obra de referência sobre o Tocantins e o antigo norte goiano.
Daí por que aparece no Dicionário do Tocantins, por exemplo, o nome do alemão Wilhelm Ludwig Von Eschwege, autor de “PLUTO BRASILIENSIS”(1833), em que descreve o antigo norte goiano, hoje Tocantins.
Só lendo o Dicionário se pode descobrir a justificativa para a existência de nomes como ORVILLE DERBY, CAPISTRANO DE ABREU, HERBERT BALDUS e tantos outros.
Mas, o DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS não é o único existente. Para se fazer justiça, há de mencionar o DICIONÁRIO TOCANTINENSE DE TERMOS E EXPRESSÕES AFINS(Kelps, 2002), de José Liberato Povoa.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM DOS MAIS NOTÁVEIS DICIONARISTAS
BIOGRÁFICOS E HOMENS DE LETRAS DO PAÍS
-MÁRIO RIBEIRO MARTINS.


Adrião Neto*



Baiano de Ipupiara(07.08.1943) – região da deslumbrante e encantadora Chapada Diamantina –, o professor, jurista e escritor Mário Ribeiro Martins, possuidor de invejável currículo e de sólida cultura humanística, é Bacharel e Mestre em Teologia, Licenciado em Filosofia Pura, Bacharel em Ciências Sociais e Direito. Especializou-se na área de Sociologia e Educação, no Instituto Hispânico de Madri, e em Administração Pública na Escola Nacional de Alcalá de Henares, ambos na Espanha.
Voltando ao Brasil, passa a residir em Recife, onde, dentre outras atividades, dedica-se às letras, ao magistério e ao ministério evangélico; escreve algumas de suas obras; torna-se Pastor e elege-se Presidente da Ordem dos Ministros Batistas de Pernambuco.
Após mais de dez anos de relevantes serviços prestados ao Estado de Pernambuco, transfere-se para Anápolis, Goiás, onde dá prosseguimento ao seu desiderato de escritor, professor e evangélico.
Posteriormente, mediante concurso público, de provas e títulos, torna-se Promotor de Justiça do Estado de Goiás.
Trinta anos mais tarde, aposenta-se como Procurador de Justiça. A partir de então, passa a dedicar-se exclusivamente às Letras. Destaca-se como exímio pesquisador de reconhecido mérito, tornando-se respeitado autor de vasta e variada obra nos campos da Literatura, da Sociologia, da Filosofia, da História e do Ensaio Biográfico. E graças ao seu talento, esforço e abnegação, consagra-se como um dos mais notáveis dicionaristas biográficos e homens de letras da atualidade.
Como polígrafo que é, Mário Ribeiro Martins, torna-se membro efetivo, honorário e correspondente de inúmeras instituições culturais do Brasil e do exterior, dentre as quais evidenciamos: Academia Goiana de Letras, União Brasileira de Escritores, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, Academia Tocantinense de Letras, Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, Academia Pernambucana de Letras e Artes, Academia Evangélica de Letras do Brasil, Club des Intellectuels Français, International Academy of Letters of England e Intenational Writers and Artists Association of United States.
Da sua prolífera vertente literária brotam obras monumentais de inestimável valor, tendo como carro-chefe os compêndios de ensaios biográficos, constituídos pelas seguintes publicações: “Jornalistas, Poetas e Escritores de Anápolis”, “Escritores Goianos”, “Estudos Literários de Autores Goianos”, “Dicionário Biobibliográfico de Goiás”, “Dicionário Biobibliográfico do Tocantins” (editados tipograficamente) e “Dicionário Biobibliográfico Regional do Brasil” (publicado na Internet).
Dentre outras, destacamos também: “Gilberto Freyre – O Ex-Protestante”, “Sociologia da Comunidade”, “Esboço de Sociologia”, “História das Idéias Radicais no Brasil”, “Correntes Migratórias do Brasil”, “Sociologia Geral & Especial”, “Filosofia da Ciência” e “Coronelismo no Antigo Fundão de Brotas”.
Os seus dicionários e demais publicações da área biográfica – importantes fontes de pesquisa – estão entre os mais completos e valiosos bancos de dados do gênero, constituindo-se num dos principais repositários da bibliografia nacional e num enorme manancial de informações, que muito tem contribuído para o resgate dos valores do passado, para a catalogação e mapeamento cultural, bem como, para a divulgação dos escritores do presente que militam em todos os quadrantes do país, especialmente nos Estados de Goiás e Tocantins.
Pelo inestimável valor e magnitude de sua gigantesca obra, Mário Ribeiro Martins tem lugar garantido na honrosa galeria dos maiores escritores e homens de letras do Brasil.
Com a construção desta obra, de colossal importância para a Literatura Nacional, Mário Ribeiro Martins – um dos mais notáveis dicionaristas biográficos e homens de letras do país –, pode e deve ser considerado com o seu conterrâneo, o baiano Sacramento Blake da Literatura Brasileira.

Teresina, Piauí, 25.11.2004.

_________________
* Adrião Neto – Dicionarista biográfico, historiador, poeta e romancista. Autor de várias obras.



UM FILHO DE CANABRAVA DO GONÇALO
(QUEM FOI OSVALDO ALENCAR ROCHA?)


Mário Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).



OSVALDO ALENCAR ROCHA, de CANABRAVA DO GONÇALO, antigo Distrito de Xique-Xique, hoje UIBAÍ, Bahia, 08.12.1936, escreveu, entre outros, "CANABRAVA DO GONÇALO-UMA VILA DO BAIXO MÉDIO SÃO FRANCISCO"(hoje cidade de UIBAÍ), juntamente com Edimário Oliveira Machado, sem dados biográficos completos no livro e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via texto publicado.
Filho de Faborino Francisco da Rocha e Rita Alencar Rocha. Irmão de Alberto Alencar Rocha, Maria do Rosário Alencar, Teresa Alencar, Creusa Alencar, Mirtes Alencar, Raimundo Alencar Rocha e de Celso Alencar Rocha, este residente hoje(2006) em Uibaí, Bahia.
Foi candidato a GOVERNADOR DO ESTADO DO TOCANTINS, com 52 anos de idade, pelo PARTIDO DOS TRABALHADORES(PT), nas eleições do dia 15.11.1988, determinadas pelo Tribunal Regional de Goiás, sendo, no entanto, derrotado por Siqueira Campos. Aliás, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, no antigo norte de Goiás.
Na época, foram candidatos: Osvaldo Alencar Rocha(3,7% ou 13.399 votos), José Wilson Siqueira Campos(45% ou 163.819 votos) e José Freire(23% ou 84.926). Votaram 358.675 eleitores. Os votos em branco e nulo somaram 86.527. Como não havia ainda o Estado do Tocantins organizado, os eleitos foram empossados no Auditório do Tribunal de Justiça de Goiás.
Como candidato a Governador fez comícios em todas as cidades do Estado do Tocantins, especialmente no Bico do Papagaio.
Em 1965, com 29 anos de idade, foi candidato a Governador do Maranhão, pelo antigo MDB, sendo derrotado por José Sarney.
Em 1974, com 38 anos de idade, foi candidato a Prefeito de Uibaí, na Bahia, pelo antigo MDB, perdendo a eleição para Domingos Machado.
Tendo Osvaldo Alencar Escritório em Porto Nacional, durante muito tempo, foi Advogado da Comissão Pastoral da Terra(CPT), entidade vinculada à Igreja Católica.
Viveu também em Imperatriz, no Maranhão, onde advogou para os Sindicatos Rurais, tendo, inclusive, enfrentado muitos tiroteios, em virtude de problemas de terra.
Após os estudos primários iniciados em sua terra natal(Uibaí), mudou-se para Goiânia, com 11 anos de idade, onde completou o primário e fez o Madureza(ginásio). Começou o 2º Grau na Escola Técnica de Campinas, onde foi colega de Íris Rezende Machado, mas concluiu o segundo grau, em Brasilia.
Matriculou-se na UNB(antiga Universidade Nacional de Brasília), formando-se professor. Para seus estudos, recebeu o apoio de várias pessoas, entre as quais, Eliane Souza Rocha(Dona Lió), sua ex-cunhada, mãe do Promotor de Justiça Célio Rocha e dos Advogados Consuelo Rocha, Celso Rocha e Shirley Souza.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, fez-se Advogado, pela Faculdade de Direito, da Universidade de Goiás. Tornou-se Professor do Departamento de Direito, da Universidade Católica de Goiás. Suplente de Deputado Estadual, em Goiás. Assessor Jurídico do Partido dos Trabalhadores(PT). Por concurso público, tornou-se Auditor Fiscal de Brasília, função que perdeu em virtude de suas idéias políticas. Com a anistia, depois de mais de 20 anos, foi reintegrado na função e aposentou-se como Auditor Fiscal.
Advogado, Escritor, Historiador. Memorialista, Ensaísta, Pesquisador. Poeta, Orador, Conferencista. Pensador, Ativista, Produtor Cultural. Literato, Cronista, Contista. Administrador, Educador, Ficcionista.
Presente na ESTANTE DO ESCRITOR GOIANO, do Serviço Social do Comércio e em diversos textos de estudos políticos. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS, de Mário Ribeiro Martins.
Membro da Associação dos Docentes da UCG, da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB), além de outras entidades sociais, culturais e de classe.
Foi Presidente da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Imperatriz, no Maranhão, entre 1979 e 1980, onde viveu por muitos anos como Advogado da Comissão Pastoral da Terra. Foi também Advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Imperatriz. Advogado do ARMAZÉM PARAÍBA, em Imperatriz. Foi igualmente Advogado da Associação Médica de Imperatriz e do antigo CDL(Clube de Diretores Lojistas). Em seu trabalho de Advogado, foi ajudado por sua esposa Adma Lourenço e, ocasionalmente, pelo seu sobrinho Celso Arandi Sousa Rocha.
Aposentado como Fiscal de Rendas de Brasília, faleceu em Goiânia, no dia 14.06.2000, com 64 anos de idade, sendo sepultado no Cemitério Jardim das Palmeiras. Do casamento com Corália, que viveu em Imperatriz, mas que faleceu em Goiânia, por volta de 1976, teve o filho Autran. Casou-se depois com Adma Lourenço, em 1978, com quem não teve filhos.
Encontra-se na ESTANTE DO ESCRITOR TOCANTINENSE, da Biblioteca Pública do Espaço Cultural de Palmas. Biografado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, MASTER, Rio de Janeiro, 2001.
Apesar de sua importância, não é referido no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas, não é mencionado no livro ENCICLOPÉDIA DE IMPERATRIZ(2003), de Edmilson Sanches. Também não é referido no livro HISTÓRIA DIDÁTICA DO TOCANTINS(1999), de Liberato Póvoa. Também não está mencionado no livro BREVE HISTÓRIA DO TOCANTINS E DE SUA GENTE(Araguaína, 1997), de Otávio Barros. Não foi lembrado no livro TOCANTINS-EU TAMBÉM CRIEI(1999), de José Carlos Leitão.
Também não se faz presente no livro FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DO ESTADO DO TOCANTINS(1999), de Temis Gomes Parente ou no livro TOCANTINS-O MOVIMENTO SEPARATISTA DO NORTE DE GOIÁS-1821-1988(1999), de Maria do Espírito Santo Rosa Cavalcante e nem no livro "ROCHA-UMA FAMILIA DA BAHIA(1999), de Everaldo Pedreira Rocha, bem como não é citado em “ARAGUAÍNA 40 ANOS(1958-1998), de Jauro José Studart Gurgel ou ainda em “ARAGUAÍNA-HISTÓRIA E ATUALIDADE”(2000), de Claudivan Santiago, bem como em HISTÓRIA DA IMPRENSA NO TOCANTINS(2003), de Otávio Barros da Silva. Não se acha inserido no livro HISTÓRIA DE PORTO NACIONAL(1988), de Durval Godinho e nem no livro OS PIONEIROS DA CONSTRUÇÃO DE BRASILIA(1992), de Adirson Vasconcelos.
No entanto, está presente no LIVRO DO SESQUICENTENÁRIO DE IMPERATRIZ, ESCRITO PELA ACADEMIA IMPERATRIZENSE DE LETRAS, sob a coordenação de Livaldo Fregona. É referido no livro O DISCURSO AUTONOMISTA DO TOCANTINS(2003)de Maria do Espirito Santo Rosa Cavalcante. Sobre ele e para resgatar a sua memória que está esquecida nas cidades de Imperatriz e Porto Nacional, além de outras, está escrevendo um livro documento, o escritor Edimário Oliveira Machado.
A bem da verdade, o livro de Edimário foi publicado pela NOVO SÉCULO , de Osasco, São Paulo, em 2006, com o titulo PELAS VEIAS DA ESPERANÇA-HISTÓRIA E IDÉIAS DE OSVALDO ALENCAR. Sobre este livro, leia o artigo: SAIU O LIVRO DE EDIMÁRIO aqui inserido.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM IPUPIARENSE ILUSTRE
(QUEM FOI MILITÃO RODRIGUES COELHO?)


Mário Ribeiro Martins*


MILITÃO RODRIGUES COELHO nasceu no Jordão(Imbaúba), atual Ipupiara, Bahia, no dia 20 de outubro de 1859, de onde saiu para Barra do Mendes, com 18 anos de idade, em 1877, deixando muitos familiares no povoado, todos vinculados às famílias Coelho e Sodré, entre os quais, o Capitão José Joaquim Sodré(Zeca Sodré), cunhado de Militão ou sobrinho, conforme alguns.
Filho de Manoel Rodrigues Coelho e Norberta Olimpia Sodré Coelho. Seu avô paterno Vicente Rodrigues Coelho era de Oeiras, Piauí, onde nasceu em 1806. Casou-se, Militão, primeiro, com Maria Barreto Coelho, com quem teve os filhos Ornelina, Sofia, Rosa, Adelina e Adelino. Pela segunda vez, com Maria da Glória Sodré Coelho, com quem teve os filhos Nestor, Anízio, Luiz, Alzira, Solina, Ana e Eurico.
Nasceram ambos(Horácio e Militão), em povoados diferentes, dentro do mesmo município de Brotas de Macaúbas, que era extraordinariamente grande e tinha 7.000 km2(sete mil quilômetros quadrados), indo de Morpará(margens do Rio São Francisco) até Barra do Mendes. Militão era 23 anos mais velho do que Horácio. Quando se enfrentaram, a partir de 1916, Militão estava com 57 anos de idade e Horácio de Matos, na juventude de seus 34 anos apenas.
O Coronel Horácio de Matos estendeu os seus domínios de Brotas de Macaúbas até Lençóis. O Coronel Militão Rodrigues Coelho passou a dominar a região de Ipupiara até Barra do Mendes.
É neste fogo cruzado entre os dois líderes, ambos desejosos de dominar por completo a Chapada Diamantina, que Ipupiara(Fundão ou Jordão de Brotas) passa a sofrer as investidas constantes dos dois grupos rivais. Assim é que se dizia: A Chapada Velha(Brotas de Macaúbas e Lençóis) é de HORÁCIO DE MATOS. A Chapada Nova(Barra do Mendes e Jordão) é de MILITÃO RODRIGUES COELHO.
Daí a razão histórica por que as duas populações não se toleravam e jamais se entenderam, não havendo até hoje(2004), uma estrada digna que ligue as duas cidades, embora a distância seja de apenas 80 km. Entre uma e outra região, ou seja, entre Brotas de Macaúbas e Barra do Mendes, encontra-se IPUPIARA, o velho Fundão ou Jordão, a 30 km de Brotas e 60 km de Barra do Mendes.
Relembre-se que, em outubro de 1914, chegou em Brotas de Macaúbas, o Delegado Regional Dr. Otaviano Saback que, em nome do Governador da Bahia, Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão, nomeou o Coronel Militão Coelho, como Chefe Político e Intendente(Prefeito Municipal) de Brotas de Macaúbas.
Os Brotenses queriam que o cargo antes ocupado pelo Coronel José João de Oliveira, que havia falecido, fosse ocupado pelo Major Joviniano dos Santos Rosa(Major Vena), Escrivão dos Feitos Cíveis e Criminais ou por João Arcanjo Ribeiro e não por um Coronel, filho do Jordão e procedente de Barra do Mendes.
Enquanto Militão foi a Salvador, seu substituto, Coronel Domingos Pereira mandou prender o Major Vena(1916), iniciando-se a contenda. De um lado, os seguidores do Coronel Militão e do outro, os partidários do Coronel Horácio.
Assim é que, no dia 04 de janeiro de 1916, após se tocaiar no PEGA, povoado existente entre Fundão e Brotas, o Coronel da Guarda Nacional Militão Rodrigues Coelho toma de assalto a cidade de Brotas de Macaúbas, retirando o Cartório dos Feitos Cíveis e Criminais, de seu escrivão efetivo Joviniano dos Santos Rosa que, no entanto, algum tempo depois, é gravemente ferido na CADEIA PÚBLICA DE BROTAS, para onde fora levado preso, após mandar uma Carta Aberta ao Governador do Estado, Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão.
Na verdade, embora alguns autores digam que o Major Vena(Joviniano dos Santos Rosa) morreu nesta ocasião, a informação não tem procedência. Ele viveu durante muitos anos, com a boca torta e com dificuldade de falar, eis que babava muito.
Nesta ocasião, é morto a tiros e crucificado nas estacas de uma cerca de pau-a-pique, Onésimo Lima, filho do farmacéutico Canuto Lima, de Ipupiara(Fundão), com o qual Horácio de Matos fora criado e se considerava irmão.
Satisfeito com a tomada de Brotas de Macaúbas, Militão Rodrigues Coelho que teve o apoio do Governador da Bahia, Dr. Antonio Muniz Aragão e de alguns chefes políticos de Lençóis e de Estiva(hoje Afrânio Peixoto), retorna a Barra do Mendes, via Fundão(Ipupiara), mas é surpreendido pelos jagunços de Horácio de Matos que cercam a cidade, visto que conseguiram chegar primeiro, porque fizeram o caminho reto entre Brotas e Barra do Mendes.
Após onze grandes combates, por vários meses ininterruptos ou mais precisamente OITO MESES DE LUTA e a destruição dos famosos fortes, entre os quais, FORTE BRANCO, FORTE VERMELHO, FORTE QUEIMADAS e FORTE CATUABA, todos possuidores de comunicação subterrânea, com cerca de quatrocentos mortos, entre os quais, o filho do próprio Militão, o Luiz Rodrigues Coelho, morto em combate no dia 22.04.1919, quando tinha 20 anos de idade.
Militão Rodrigues Coelho sai de Barra do Mendes, em agosto de 1919, observado pelo seu jagunço de confiança Miguel Umbuzeiro. Seu filho Nestor Rodrigues Coelho(nascido em Barra do Mendes, 20.05.1892) foi preso pelos jagunços de Horácio de Matos e devolvido à mãe, com a observação de que não era culpado pelos atos do pai.
Nestor Coelho se tornaria posteriormente também líder político da região, eis que, em 1946, elegeu-se Deputado Estadual, além de ter sido Vereador e Prefeito Municipal de Brotas de Macaúbas, a partir de 1938. Nesta época, meu pai, ADÃO FRANCISCO MARTINS(Que havia nascido em 21.05.1915, em Ipupiara, e estava com 23 anos de idade), foi seu SECRETÁRIO MUNICIPAL, conforme documentos escritos e publicados, na mão do autor destas notas, entre os quais, o “ORÇAMENTO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE BROTAS DE MACAÚBAS, PARA O EXERCÍCIO DE 1939”(DECRETO-LEI 63, de 5.7.1938), impresso na LIVRARIA CATILINA, de Romualdo Santos-Livreiro Editor-Rua Portugal, 20, Salvador, Bahia, onde se lê: Prefeito Municipal-Nestor Rodrigues Coelho. Secretário Municipal-Adão Francisco Martins.
Filho de Gasparino Francisco Martins e Jovina Ribeiro Martins, neto do Coronel Isidório Ribeiro dos Santos, meu pai, Adão Francisco Martins, enquanto trabalhava na roça, aprendeu a ler com os antigos professores, “JOÃO CAPOTE” e “JOÃO PAPAGAIO”. Mas, seu principal professor foi Arthur Ribeiro Sobrinho, pai do primeiro médico de Brasília, Dr. Isaque Ribeiro Barreto.
Em 1934, com 19 anos de idade, na cidade de Brotas de Macaúbas, meu pai Adão, foi nomeado Tabelião de Notas e Agente de Estatística. Casou-se em Brumado, hoje Ibitunane, em 29.10.1937, com Francolina Ribeiro Martins, tornando-se comerciante de Diamantes, em sociedade com Adelino Alves de Almeida.
Em 1946, foi nomeado Prefeito de Brotas de Macaúbas, logo após a gestão do Prefeito Nestor Rodrigues Coelho, que se estendeu de 1934 a 1945, momento em que o Capitão Nestor Coelho permaneceu como Presidente do Diretório Municipal de Brotas e se elegeu Deputado Estadual, a partir de 1946.
Nestor Coelho faleceu em Salvador, Bahia, em 26.12.1953, na condição de Deputado Estadual, tendo sido sepultado no Mausoléu da família, em Barra do Mendes.
Nomeado Adão Francisco Martins, Prefeito de Brotas de Macaúbas, em 1946, pelo Interventor Federal na Bahia(1946-1947), General Cândido Caldas, permaneceu no cargo de Prefeito, até abril de 1947, quando, terminada a “interventoria” na Bahia, o Governo Estadual foi passado para o Governador eleito pelo povo, Otávio Mangabeira e realizadas as eleições municipais.
Mas para que meu pai Adão Francisco Martins tomasse posse como Prefeito de Brotas de Macaúbas, não foi fácil. Aliás, foi João da Cruz Cunha(um dos parentes) que reuniu cerca de 60 cavaleiros para garantir a posse do meu pai Adão Francisco Martins, como Prefeito de Brotas de Macaúbas, na presença do Juiz de Direito da Comarca, Dr. Sebastião, genro do Coronel João Arcanjo Ribeiro, em 1946, quando meu pai foi nomeado Prefeito, pelo Interventor Federal na Bahia, General Cândido Caldas. É que a população de Brotas, sede do municipio, não admitia que o prefeito nomeado viesse do JORDÃO, um dos Distritos.
Como Prefeito nomeado de Brotas, meu pai Adão Francisco Martins, construiu entre 1946 e 1947, a ponte de madeira, ainda hoje existente nos povoados de “Mourão” e “Santa Rosa”, debaixo da qual não passa mais hoje(2004) nem um pingo de água, onde outrora fora um pequeno rio.
Em 03.05.1950, Adão Francisco Martins, mudou-se para Morpará, às margens do Rio São Francisco, onde fundou a “Loja Primavera”, de tecidos, além de ter sido Vereador. No mesmo ano, vinculou-se à Loja Maçônica HARMONIA E AMOR, de Juazeiro, pertencente à GRANDE LOJA DO ESTADO DA BAHIA.
Em abril de 1957, retornou à sua terra natal, Ipupiara, como comerciante de tecidos e como Pregador Evangélico, vinculado ao Protestantismo Batista. Contribuiu, escrevendo discursos e redigindo documentos, com a emancipação política de Ipupiara que se tornou município independente de Brotas, em 09.08.1958, ao lado do Chefe Político da região, Coronel Arthur Ribeiro.
Colecionou e leu obras famosas, entre as quais, a “HISTÓRIA UNIVERSAL”, de César Cantu, com mais de 30 volumes, hoje em poder deste autor.
Após ter fundado a Igreja Batista de Ipupiara, FALECEU REPENTINAMENTE, com parada cardíaca, no dia 07.01.1970, com 55 anos, depois de ter feito um Sermão Evangélico, na Praça Principal da cidade, deixando 5 filhos homens e 3 mulheres.
De acordo com o livro de orçamento, em 1938, o Municipio de Brotas de Macaúbas, era formado dos seguintes DISTRITOS: Jordão de Brotas(Ipupiara), Gameleira(Ibipetum), Ouricuri, Aracy, Pé do Morro, Mata de Dentro, Brejo do Buriti, Barra do Mendes, São Francisco(Saudável), Paranamirim, Mucambo, Sitio do Coqueiro e Morpará.
Ao longo dos anos, tornaram-se Municipios Independentes de Brotas de Macaúbas, IPUPIARA, BARRA DO MENDES E MORPARÁ.
Quanto a Militão Rodrigues Coelho, saiu de Barra do Mendes, em agosto de 1919, vestido de mulher grávida, conforme a tradição oral na região(versão totalmente contestada pelo povo de Barra do Mendes, através de seu historiador maior Edízio Mendonça, mas divulgada nas regiões de Brotas e Lençóis, não se podendo desprezar, do ponto de vista histórico, a versão oral), acompanhado do jagunço Umbuzeiro, passando por Gentio do Ouro, Gameleira do Assuruá, Santo Inácio, Xique-Xique e Pilão Arcado, nas margens do Rio São Francisco, refugiando-se na Fazenda do Coronel Franklin Lins de Albuquerque, em Pilão Arcado, também na Bahia, de onde ainda tentou reforço, junto ao Governador do Estado, para retornar a Barra do Mendes, mas sem sucesso.
Conforme seus descendentes, teria passado pelas serras de Uibaí, Central, Tiririca, Xique-Xique e Pilão Arcado. O governo do Estado da Bahia, através de seu Governador Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão ainda mandou duas expedições em socorro do Coronel Militão Rodrigues Coelho. Uma, comandada pelo Tenente Cláudio. A outra, comandada pelo Tenente Gomes, conhecido como PISA MACIO. Já era tarde demais. O FORTE VERMELHO que era o reduto mais perigoso da praça de guerra de Barra do Mendes, já tinha sido totalmente destruído pelos jagunços de Horácio de Matos que sobre o forte lançaram violento ataque, de dinamite e granada.
Quando da reunião da Comissão Estadual de Trégua, presidida pelo parente do Coronel Duda Medrado, de Mucugê, o politico José Joaquim Landulfo da Rocha Medrado, a pedido do Governador Dr. Antonio Muniz Ferrão de Aragão, em Lençóis, o Coronel Horácio de Matos exigiu que Militão fosse afastado da política local e que a SEDE do municipio de Barra do Mendes fosse transferida para o Jordão.
Assim, o Fundão, Jordão ou Ipupiara foi Sede do Município de Barra do Mendes, de agosto de 1919 até o dia 24.05.1920, quando o Governador José Joaquim Seabra decretou a extinção do Municipio de Barra do Mendes, incorporando o seu território ao Municipio de Brotas de Macaúbas, conforme o combinado no CONVÊNIO DE LENÇÓIS, acordo assinado entre o General Alberto Cardoso de Aguiar, Comandante da 5ª Região Militar e o Coronel Horácio de Matos, quando da chamada REVOLUÇÃO SERTANEJA.
Na Fazenda do Coronel Albuquerque, onde passou 3 meses(Setembro, Outubro e Novembro), faleceu Militão Rodrigues Coelho, de desgosto, sem comer e sem conversar, recluso num quarto, apenas fumando e tomando Café, no dia 8.12.1919, com 60 anos de idade(Horácio de Matos, tinha 37 anos), dia da Padroeira de Barra do Mendes, Nossa Senhora da Conceição, sendo sepultado no cemitério local, hoje coberto pelas águas barrentas da barragem de Sobradinho.
Quanto a Horácio de Matos, no dia 15 de maio de 1931, no Largo do Acioli, em Salvador, ao passar, descuidado e terno com a filha mais velha Horacina(do casamento com Augusta), de seis anos de idade, pela mão, recebe covardemente pelas costas, três tiros de revólver, disparados por Vicente Dias dos Santos, que fora contratado por Manuel Dias Machado(também conhecido como José Machado), tio da viúva do Major João da Mota Coelho que morrera em combate às portas da cidade de Lençóis, em 1925, sendo que Horácio de Matos fora responsabilizado por esta morte.
O criminoso Vicente Dias dos Santos foi condenado pelo Juri, em Salvador, no primeiro julgamento, a 21 anos de prisão, mas no segundo julgamento, dois anos depois, foi ABSOLVIDO. Algum tempo depois, intoxicado por arsênico, na água que bebia, foi internado no Hospital Militar, onde morreu.
Ao morrer, em 1931, com 49 anos de idade, Horácio deixou, além da viúva Augusta Medrado Matos, também cinco filhos menores: Horacina, a mais velha, com seis anos. Horácio de Matos Júnior, Tácio Matos, Juth Matos e Judith Matos.
Um dos filhos de Horácio de Matos, o Horácio de Matos Júnior(Lençóis,1927), depois de ter sido Deputado Estadual e Federal, aposentou-se em 1999, como Conselheiro do Tribunal de Contas da Bahia. Um dos netos de Horácio de Matos, o Horácio de Matos Neto, tornou-se Deputado Estadual na Bahia, a partir de 1986, representando exatamente a Região da Chapada Diamantina.
Apesar de sua importância, Militão Rodrigues Coelho não é mencionado em BAIANOS ILUSTRES(1979), de Antonio Loureiro de Souza ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
Foi, no entanto, devidamente estudado, pelo historiador Edízio Mendonça, que resgatou a memória do famoso Caudilho, no seu livro O CORONEL MILITÃO COELHO, publicado em Salvador, Bahia, pela Gráfica Central, em 1980.
A cidade de Barra do Mendes, onde viveu o Coronel Militão e onde hoje(2005) vivem os seus familiares, é uma das cidades mais simpáticas do interior baiano e que soube homenagear o seu velho caudilho, com nome de escolas, ruas, praças, hospitais, etc, precisando apenas de uma boa estrada(70 km) que ligue Barra do Mendes a Ipupiara, sua antiga aliada.
Quanto ao Coronel Militão Coelho, é verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM LIVRO ESPECIAL
-PERFIL DA ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS-



(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).




Mário Ribeiro Martins*



O novo livro do Dr. Juarez Moreira Filho “PERFIL DA ACADEMIA TOCANTINENSE DE LETRAS” é de significação profunda e bela. A bem da verdade, é o livro que faltava no contexto da literatura tocantinense.
Não poucas vezes, os alunos, os intelectuais, os professores e o público em geral, deslocam-se para o Espaço Cultural de Palmas, em cuja Biblioteca Pública “JAIME CÂMARA”, fica a sede da Academia Tocantinense de Letras, procurando informações sobre os Patronos e Titulares da Academia. Uma luta inglória. Existem os nomes dos Patronos das Cadeiras e de seus Titulares, mas pouquíssimas informações sobre a vida de cada um.
Juarez Moreira Filho, tal como o fizera Humberto Crispim Borges, em Goiás, com o seu “Retrato da Academia Goiana de Letras” resgatou todas as informações acadêmicas.
Enfrentou uma enorme luta, de que sou testemunha, para construir a verdadeira história da Academia Tocantinense de Letras. Telefonemas, Cartas, etc, foram dirigidos aos parentes de Patronos e Titulares para completar a biografia de cada um.
Seu trabalho é gigantesco, porque faz um levantamento completo da Academia. Uma história completa, que vai desde a primeira Ata, passando pelas biografias completas de todos os Patronos e de todos os Titulares, indo do Patrono da Cadeira 01(Joaquim Teotônio Segurado) até o Patrono da Cadeira 40(Boaventura Cardeal dos Santos) e do Titular da Cadeira 01(José Wilson Siqueira Campos) até o Titular da Cadeira 40(Gilberto Correia da Silva).
Como Presidente da Academia, teve ele o privilégio de presidir a solenidade de posse de seis cadeiras, inclusive da última que faltava para preencher o quadro completo da Academia, que é de 40(quarenta) membros titulares. Muito justíssimo, porque ele foi um dos fundadores da Academia, ao lado de Liberato Póvoa e Ana Braga.
Junto com a biografia de cada um dos Patronos, foi colocada uma Cadeira especial muito bem desenhada. Ao lado da biografia de cada um dos Titulares, foi colocada um bico de pena. Trabalho magistral que só um dos fundadores da Academia poderia ter feito.
Posteriormente, em 2006, publicou o livro PATRONOS DA ATL, focalizando exclusivamente os quarenta patronos da Academia, revendo, corrigindo e aumentando suas biografias.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM MARANHENSE ILUSTRE
(QUEM FOI PARSONDAS DE CARVALHO?)


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).

Mário Ribeiro Martins*


PARSONDAS DE CARVALHO(João Parsondas de Carvalho), de Riachão, Maranhão, 1856, escreveu, entre outros, “AMAZÔNIA-DO GURUPY AO BALSAS”, sem dados biográficos e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via texto publicado.
Vinculado ao Tocantins, por ter feito estudos especiais sobre o norte de Goiás, hoje Tocantins, focalizando vida e costumes das populações ribeirinhas tocantinenses.
Filho de Miguel Olímpio de Carvalho. Irmão, entre outros, de Carlota de Carvalho e Emídio Olímpio de Carvalho. Neto de José Joaquim de Carvalho, professor, procedente de Santa Rita, na Bahia.
Após os estudos primários em sua terra natal, deslocou-se para outros centros, onde também estudou. Carlota e seu irmão Emídio formaram normalistas em Belém do Pará, sendo nomeados professores pelo Governador da Província do Pará, Desembargador Joaquim da Costa Barradas para a Vila de Bailique, Comarca de Macapá, hoje pertencente ao Amapá.
Parsondas passou por Belém, onde foi Redator do CORREIO PARAENSE e foi para o Rio de Janeiro, continuando como jornalista. Quando Rui Barbosa assumiu a direção do JORNAL DO BRASIL(JB), em 1893, lá estava Parsondas de Carvalho, como um de seus redatores, tendo, na época, 37 anos de idade.
Rui, no entanto, foi exilado. Com a revolta de setembro de 1893, refugiou-se na Legação do Chile. Sob ameaça de morte, exilou-se em Buenos Aires, na Argentina. Em 1894, foi para Londres, Inglaterra, de onde escreveu, em 07.01.1895, as famosas CARTAS DA INGLATERRA, publicadas no JORNAL DO COMMERCIO. Só retornou do exílio, em 1895, elegendo-se Senador.
Com o exílio de Rui, Parsondas foi perseguido e deixou o jornal. Em 1901, Parsondas, de férias, esteve em Conceição do Araguaia e nesta ocasião assistiu ao embarque da Professora Leolinda Daltro que se fazia acompanhar do caudilho Coronel José Dias Ribeiro, com destino ao Rio de Janeiro. Sobre Leolinda, Parsondas chegou a escrever: “DECIDIDA, RESOLVIA TUDO SEM O MENOR EMBARAÇO, COM RESPEITO E AUTORIDADE”.
José Dias faleceu alguns dias depois, no Rio de Janeiro, de varíola e foi enterrado no Cemitério de Jacarepaguá, conforme narrativa de Dunshee de Abranches, no livro “A ESFINGE DE GRAJAÚ”, que, inclusive o recepcionou em sua residência, no bairro de Icaraí, juntamente com a professora Leolinda Daltro e muitos indios.
Ainda no ano de 1901, com 45 anos de idade, proferiu Conferência sobre Democracia no Centro Operário do Rio de Janeiro, então presidido pelo Deputado Nilo Pison.
Na casa de Parsondas, no Rio de Janeiro, hospedava-se Carlota, sempre que ia à cidade maravilhosa. Numa dessas ocasiões(1919), permaneceu onze meses, com uma perna quebrada. Dele(de Parsondas) deu notícia o jornal A PACOTILHA, de 28.04.1919, ao dizer: “Pelo Acre, seguindo hoje, para o Rio de Janeiro, veio trazer-nos as suas despedidas o nosso confrade e ilustre historiador conterrâneo Parsonadas de Carvalho, a quem desejamos uma boa viagem”.
Parsondas tinha 59 anos e ela(Carlota) 52 anos. Carlota publicou em 1924, o livro “O SERTÃO”.
Parsondas faleceu em 20.07.1926, na região de Montes Altos, Maranhão, com cerca de 70 anos de idade, portanto, dois(2) anos depois de Carlota preparar o livro para as comemorações do CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL, em 1922.
Embora não seja nem ao menos referido no livro de Carlota, foi um dos maiores intelectuais da época, no Maranhão e conforme determinados estudiosos, teria sido o verdadeiro autor do livro publicado pela irmã, em 1924, o que não tem procedência, eis que várias partes do livro são o resultado de viagens feitas por ela como professora.
De qualquer forma, esta versão de que o livro não foi escrito por ela, é dada, entre outros, pelo ex-aluno Augusto de Oliveira Milhomen, em seu livro “ABRINDO CAMINHOS”, publicado em 1995 e também pelo Padre Luiz Gomez Palacin, em seu livro “CORONELISMO NO EXTREMO NORTE DE GOIÁS”.
Parsondas de Carvalho foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão. Escreveu também “AMAZÔNIA-DO TARTARUGAL AO GURUPY”. Publicou artigos em jornais e revistas, entre os quais, “A PACOTILHA”, de São Luis e na Revista da Sociedade Geográfica do Rio de Janeiro, na qual ingressou em 1904.
É mencionado em dezenas de livros, destacando-se “CAMINHOS DO GADO”, de Maria do Socorro Coelho Cabral e “MUCUNÃ-CONTOS E LENDAS DO SERTÃO”, de Moura Lima, que lhe dedicou um capítulo especial.
Encontra-se na ESTANTE DO ESCRITOR TOCANTINENSE, da Biblioteca Pública do Espaço Cultural de Palmas. Biografado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, MASTER, Rio de Janeiro, 2001. Na Academia Imperatrizense de Letras é Patrono da Cadeira 02, ocupada por Sálvio Dino.
Através da instrumentalidade de Agostinho Noleto, então Presidente da Academia e graças ao seu pedido, o Juiz de Direito de Montes Altos, Maranhão, Dr. Armindo Nascimento Reis Neto, proferiu sentença em 25.04.2005, concedendo alvará para que os restos mortais de Parsondas de Carvalho, fossem transferidos do lugar chamado Regalo para o Cemitério Público de Montes Altos. Espera-se para a ocasião da trasladação dos restos mortais, também o lançamento do livro de Sálvio Dino sobre Parsondas de Carvalho.
A bem da verdade, o livro de Sálvio Dino, foi publicado pela Editora Ética, de Imperatriz, no Maranhão, em 2007, com o titulo de PARSONDAS DE CARVALHO-UM NOVO OLHAR SOBRE O SERTÃO, com prefácio de Milson Coutinho e notas de orelha do Senador Edison Lobão. O grande defeito do livro, no entanto, foi não ter trazido um INDICE ONOMÁSTICO, bem como uma BIBLIOGRAFIA COMPLETA.
Apesar de sua importância, não é mencionado no DICIONÁRIO BIBLIOGRÁFICO BRASILEIRO(1883), de Sacramento Blake, no DICIONÁRIO HISTÓRICO-GEOGRÁFICO DA PROVÍNCIA DO MARANHÃO(1870), de César Augusto Marques, não é estudado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001, ou no “DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO”, da Fundação Getúlio Vargas(2001, 5 volumes, 6.211 páginas) e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM PERNAMBUCANO ILUSTRE
(QUEM FOI HERMILLO PEREGRINO DAVID MADEIRA?)


Mario Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR, O TÍTULO E A FONTE).

(Transcrição original do DICCIONARIO BIOGRAPHICO DE PERNAMBUCANOS CELEBRES, por Francisco Augusto Pereira da Costa, Natural da Província de Pernambuco, Recife, Typographia Universal, Rua do Imperador, 50, 1882, página 418, para o site www.mariomartins.com.br, de Mario Ribeiro Martins).

“HERMILLO PEREGRINO DAVID MADEIRA. Filho do Padre João David Madeira, um dos martyres da revolução de 1817, nasceu a 30 de abril de 1831, no sitio Canôas, em terras do engenho Catolé, freguezia de Maranguape.
Na idade de 5 annos, David Madeira veio para o Recife, e aqui começou com applicação e aproveitamento os seus estudos primários, e ao depois, os secundários, aprendendo o portuguez, latim e francez.
Entrando posteriormente no Seminário Episcopal de Olinda, com o fim de prosseguir nos seus estudos e ordenar-se. E quando já havia conseguido prestar alguns exames e já tinha encetado o estudo de algumas das matérias scientificas do curso, teve de abandonar tudo isso, e fixou-se em Água Preta na propriedade de seu pae, á ajudal-o na vida agrícola, pois elle era o filho mais velho, e contava então os seus 15 annos de idade.
Não obstante ter deixado os seus estudos em tão verdes annos, quando raríssimo apparece o desejo do saber e o amor ás letras, não obstante ainda a vida laboriosa que abraçára, mesmo assim, o seu gosto e dedicação aos estudos não o levaram a abandonal-os de todo, e nas suas horas de ócio se entregava a leitura de quanto livro lhe chegava ás mãos, conseguindo assim um certo grão de bem soffrivel instrucção no que muito lhe coadjuvou os seus conhecimentos da língua franceza, na qual era versado.
Exercendo o primeiro cargo policial em Água Preta, David Madeira prestou valiosos serviços, não só a ordem e tranqüilidade publicas, como também por occasião da construcção da via férrea de São Francisco, mostrando-se sempre independente, enérgico e justiceiro. Na política, embora local, foi o que havia sido como autoridade.
Militando nas fileiras do partido liberal, intransigente com os seus princípios, David Madeira nunca attendeu a conveniências locaes ou pessoaes, quando mais convinha tratar das geraes, e nessa posição se viu algumas vezes inteiramente só, e mesmo em opposição aos seus próprios amigos políticos.
Patriota, altivo e exaltado, o mais acrisolado amor da pátria o inflammava. E quando o governo imperial sorprehendido pela empresa do Paraguay convidou os brasileiros para a defesa da honra nacional, e Pernambuco mostrou que não tinha amortecido o seu enthusiasmo de gloria, que é um dos nobres caracteres que o distinguem, alguns cidadãos não desmetindo os brios que enobrecem os seus antepassados, ergueram o espírito publico por meio do exemplo, offerecendo-se voluntariamente, e mostrando ao Brasil que em Pernambuco havia gente que não trepidava em sacrificos ante a defesa dos brios e da honra da pátria.
E dentre esses cidadãos, notava-se o vulto de Hermillo Peregrino David Madeira. No goso de uma vida abastada e independente, considerado em sua localidade, senhor do engenho Santa Fé em Água Preta, eleitor dessa parochia, vice-presidente da câmara municipal da villa desse nome, onde era Vereador, á frente dos negócios de sua família, David Madeira abandona a todas as suas conveniências particulares, deixa os commodos e confortos de sua vida, e levado por esse nobre enthusiasmo de propugnar pelos brios de sua pátria e pela defesa dos sagrados direitos dos seus concidadãos, parte para o Recife, e a 27 de fevereiro de 1865 se offerece voluntariamente a marchar para a guerra do Paraguay.
É com verdadeiro desvanecimento e ufania, dizia no dia seguinte um conceituado jornal desta capital, que noticiamos ao publico factos como este, que tão bellamente concorrem para por em alto relevo os sentimentos de sincero patriotismo desta heróica província, cuja historia nol-a mostra sempre fértil em actos de dedicação patriótica e grandeza de animo todas as vezes que se trata dos brios e dignidade nacionaes.
Recebendo a patente de Capitão, por portaria da Presidência, de 20 de março de 1865, no dia 27 de abril embarcou David Madeira fazendo parte do 1º Batalhão de Voluntários da Pátria, que partiu desta província, o qual passou a ter no Exercito o nº 11.
Em 7 de agosto, escrevia elle de Ayuy, no Uruguai, junto a villa da Concórdia, uma carta em que dizia: “Já me chegou a vez de fazer piquete sendo tirado com 50 bayonetas para o piquete chamado da frente, que é a guarda do Exercito. Posso dizer que dispuz, por espaço de 24 horas dos destinos de uma grande parte do Exercito. Tive a felicidade que nada houvesse, soffrendo porem chuvas desde as 8 horas da manhã até ao meio dia, hora em que cheguei no abarracamento”.
Em março de 1866 já se achava em Corrientes e a 23 de abril escrevia do acampamento do forte da Itapyru:
“No dia 16 pelas 9 da manhã, effectuou o general Osório a passageira da primeira divisão do Exercito, a qual pertence o 11º, gente esta que desembarcou em primeiro logar e, que commandados por mim, levamos o inimigo debaixo de fogo até quase meia legoa, onde se debandaram e também onde por duas vezes recebi ordem para não avançar mais. Esta gloria foi immensa para mim, embora não se trate de uma acção renhida. Todavia, fui o primeiro brasileiro e Voluntário da Pátria, que repelliu o inimigo em seu próprio território. E ainda mais, porque indo officiaes de linha na minha frente no começo do fogo, no calor do combate, porem, achei-me quase só, sendo eu mesmo que apresentei-me em frente dos soldados, quando os inimigos fugiam”.
O Capitão Hermillo Peregrino David Madeira, acompanhando todo o movimento do Exercito, figurou digna e honrosamente em todos os combates e batalhas.
Ferido gravemente na celebre batalha de 24 de maio de 1866, na qual desenvolveu uma bravura digna de imitação, assumiu depois, ao commando do batalhão, na qualidade de official mais antigo, no impedimento do respectivo commandante e do major do mesmo corpo, feridos e fora de combate.
Partindo para Corrientes, em virtude de um outro ferimento que recebeu em combate, escrevia d´ahi em 8 de agosto:
“Agora escrevo sem ter nada a acrescentar. Communico apenas que vou partir para o Exercito e talvez que em breve tenha de voltar, porque estou com uma perna bastante doente”.
Apenas restabelecido, David Madeira voltou de novo ao campo de batalha e, tomando parte no combate de 22 de setembro de 1866, e quando tecia com o seu heroísmo uma das paginas mais gloriosas dos annaes guerreiros do Brasil, depois de haver já perdido dous dedos, recebe um ferimento de metralha que lhe offendeu a espinha dorsal, gravíssimo ferimento que pôz esse valente soldado fora de combate, e do qual veio a fallecer no dia 8 de outubro de 1866, com 35 anos de idade.
Pernambucano distincto, arrojado e Valente, Hermillo Peregrino David Madeira pela estreiteza do tempo de campanha não pôde attingir a postos e títulos elevadíssimos, que ainda realçassem o seu merecimento e valor.
Deixou porem a sua memória enobrecida por actos de bravura e heroísmo, deixou o seu nome estampado na historia da pátria em caracteres indeléveis, deixou finalmente aos contemporâneos e aos vindouros um exemplo nobre e elevado, que sempre lhes despertará os brios e o patriotismo.
Inhumado o seu cadáver no cemitério da Santa Cruz em Corrientes, foi lavrada sobre a sua sepultura a seguinte inscripção, que é uma verdadeira homenagem ao seu alto merecimento:
“Aqui jazem os restos mortaes do Capitão do 11º, do Corpo de Voluntários da Pátria, Hermillo Peregrino David Madeira. Respeitem as cinzas de um bravo”.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UM POLÍTICO SERTANEJO
(QUEM FOI ARTUR RIBEIRO DOS SANTOS?)



Mário Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Artur Ribeiro dos Santos, de Ipupiara, Bahia, 14.03.1888. Filho de Evaristo dos Santos e Maria Ribeiro dos Santos(vó Maria). Nasceu na Fazenda Matinha(hoje Mata do Evaristo).
Foram seus irmãos: Laurêncio Ribeiro dos Santos, José Ribeiro dos Santos, Isidório Ribeiro dos Santos, Gasparino Ribeiro dos Santos, Antonio Ribeiro dos Santos, Nestor Ribeiro dos Santos, Arcanja Ribeiro dos Santos e Emília Ribeiro dos Santos.
Somente uma árvore genealógica poderia mostrar como a família se espalhou. Evaristo era irmão de Lúcio e de Fulgêncio(Fulô), pai de Benício(Durval Ribeiro dos Santos). Nesta tentativa, Mario Ribeiro Martins e Filemon Francisco Martins chegaram a publicar, em 2007, pela KELPS, o livro DICIONÁRIO GENEALÓGICO DA FAMILIA RIBEIRO MARTINS.
Laurêncio Ribeiro dos Santos tornou-se pai de Salomão Ribeiro dos Santos, entre outros, um dos colaboradores do autor destas notas.
José Ribeiro dos Santos foi pai de Artur Ribeiro Sobrinho, de Osvaldo Ribeiro dos Santos e de Carolina Ribeiro dos Santos. Esta Carolina foi a primeira mulher de Isidoro que era Guarda-Campo na cidade da Barra. Sua segunda mulher foi Lavínia Ribeiro dos Santos.
Isidório Ribeiro dos Santos teve entre outros filhos, Manoel Ribeiro dos Santos(pai de Nezinho, Jeremias, Carlos, Almerinda e Francolina ), o velho Zeca, do Olho D´Aguinha(José Ribeiro dos Santos), JOVINA(Iaiá Jove) que se casou com Gasparino Francisco Martins(Velho Doutô), este filho do finado Alvino, juntamente com Tia Dona(Leonarda), Tio Sinê(Adelino), Baio(Liberino), Velho Franco(pai de Fábio), Jove(mulher de Benício) e Sofia(mulher de Raul).
Nestor Ribeiro dos Santos teve os filhos Jeremias, Zuzinha e Samuel, além de outros.
Emília Ribeiro dos Santos, casou-se com Joaquim Francisco Martins(velho Quinca), com quem teve os filhos Calu, Lula, Zuza, Iaiá Maria, etc.
Antonio Ribeiro dos Santos foi pai de Deja(Dejanira), de Brotas de Macaúbas, além de outros filhos. Dona Deja, como era chamada, faleceu em Brotas de Macaúbas, no dia 08.08.2008.
Arcanja Ribeiro dos Santos casou-se com Marcolino(irmão de Benício), com quem teve diversos filhos.
Retornando ao velho Artur Ribeiro dos Santos-parente do autor destas notas- (meu bisavô Isidório Ribeiro dos Santos era irmão do velho Artur), não concluiu o curso primário, mas se tornou excelente AUTODIDATA.
Casou-se em Ipupiara(antigo Jordão ou Fundão), em 29.11.1913, com 25 anos, com Solina Amorim Barreto. Solina(23.09.1895) estava com 18 anos, nasceu em Ipupiara e era filha de Joaquim Inácio de Amorim e Clautides Alves Barreto, sendo irmã de Jovino Amorim Barreto, Joaquim Elói Barreto, Raimunda Amorim, Heliodoro Amorim e Adonias Amorim.
Artur Ribeiro dos Santos e Solina Amorim não tiveram filhos, mas adotaram dezenas de filhos, entre os quais, Salomão Ribeiro dos Santos, Rubem Ribeiro Barreto, Emília Ribeiro, Adelita Ribeiro, Abigail Ribeiro, Nilza Ribeiro, Denize Amorim e Maria Ribeiro.
Após o casamento, Artur Ribeiro dos Santos passou a residir no povoado de São Tomé, município de Barra do Mendes, onde se tornou comerciante de tecidos, indo depois para Guigós(Ibipeba), Xique-Xique e Barra do Rio Grande, de onde se mudou definitivamente para Ipupiara.
Em 21.03.1907, com 19 anos de idade, foi nomeado pelo Presidente Afonso Pena, Tenente Quartel Mestre do 298 Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, na Vila de Brotas, então Comarca de Macaúbas, na Bahia, tendo tomado posse ainda em 1907, sob o Comando de seu irmão mais velho Isidório Ribeiro dos Santos.
Em 14.08.1914, ainda na Vila de Brotas, sob o Comando do Coronel Militão Rodrigues Coelho, secretariou a Ata de Posse da 103 Brigada da Guarda Nacional.
Por volta de 1920, com 32 anos de idade, converteu-se ao protestantismo, na cidade da Barra, na Bahia, vinculando-se à Igreja Batista. Foi batizado, nas águas do Rio Grande, pelo Pastor Augusto Carlos Fernandes(que era cunhado do Pastor Antonio Viegas) e que tinha fundado na cidade da Barra a Escola INSTITUTO AMOR ÀS LETRAS. Este Pastor Augusto Carlos Fernandes está biografado no meu DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, letra A, no site www.mariomartins.com.br.
O Pastor Augusto Carlos era baiano de Amargosa(1891), estudou no Seminário do Norte, no Recife e foi consagrado Pastor em 14.05.1911, com 20 anos de idade. Sustentado pelas Igrejas Batistas da Bahia, foi designado para substituir o missionário norte-americano Ernesto Jackson(sobre o missionário Jackson, veja o site www.mariomartins.com.br), no sertão baiano.
Instalou-se em Santa Rita, Bahia, em 1911, na mesma casa anteriormente ocupada por Jackson. Batizou em Formosa, Bahia, em setembro de 1912, o casal Jonas Barreira de Macedo e Maria Bueno Teixeirense de Macedo. Nesta época, na cidade da Barra, onde havia fundado o Instituto e cuidava da Igreja, batizou, entre outros, Artur Ribeiro dos Santos. Casou-se Augusto Carlos, com Celina Viegas Fernandes, irmã do Pastor Antonio Viegas, com quem teve vários filhos, entre os quais, Edith Fernandes, Augusto Carlos Fernandes Filho, Edístio Carlos Fernandes.
O Pastor Augusto Carlos Fernandes além de ter sido Pastor de Santa Rita e da Cidade da Barra, na Bahia, tornou-se Diretor do Colégio Benjamim Nogueira e Pastor da Igreja Batista de Corrente, Piauí. Professor do Instituto Batista Industrial de Corrente, no Piauí, onde também foi Prefeito Municipal e Juiz de Paz.
Nos anos seguintes, mudou-se para Goiás. Foi Pastor batista em Goiânia durante muitos anos, indo depois para Brasília. Estabeleceu-se no Núcleo Bandeirante, Distrito Federal, tornando-se professor do Ginásio Brasília, desde a sua fundação em 1957. Faleceu em Brasília, em 1989, com 98 anos de idade.
Quanto ao velho Artur Ribeiro dos Santos, foi um dos fundadores da Igreja Batista de Ipupiara, em 1938, juntamente com vários membros da Igreja Batista da Barra que viera a Ipupiara para este fim, entre os quais, Arthur Ribeiro Sobrinho(filho de José Ribeiro) e Angélica Barreto Ribeiro(pais do Dr. Isaac Barreto Ribeiro, primeiro médico de Brasília).
Arthur Ribeiro Sobrinho, por sua vez, foi professor primário do meu pai(Adão), na década de 1920 e foi pai da minha professora primária Miriam Ribeiro Barreto(na década de 1940), bem como pai de Saul Ribeiro Barreto.
Todos se mudaram para Brasília, em 1957, tornando-se comerciantes, na Avenida Central, Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante.
O médico Dr. Isaac Barreto Ribeiro(filho de Arthur Ribeiro Sobrinho) que se casou com Clotildes Dias e teve os filhos Alex, Daisy, Marta e Fernando e que foi o Primeiro Presidente da Associação Médica de Brasília(fundada em 06.02.1959) e também um dos fundadores da Igreja Batista Memorial de Brasília(em 07.09.1957), está biografado no meu DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, letra I, no site www.mariomartins.com.br, bem como no meu livro MISSIONÁRIO AMERICANOS E ALGUMAS FIGURAS DO BRASIL EVANGÉLICO, Goiânia, Kelps, 2007.
Entre 1936 e 37, o velho Artur Ribeiro dos Santos, com 48 anos, foi Presidente do Diretório Municipal do PSD(Partido Social Democrático), na cidade de Brotas de Macaúbas, Bahia. Entre 1946 e 51, foi eleito Vereador de Brotas, pela UDN. Prefeito de Brotas, nomeado em 1945.
Vale lembrar que também nesta época, meu pai Adão Francisco Martins foi NOMEADO Prefeito de Brotas de Macaúbas, em 1946, pelo Interventor Federal na Bahia(1946-1947), General Cândido Caldas e permaneceu no cargo de Prefeito, até abril de 1947, quando, terminada a “interventoria” na Bahia, o Governo Estadual foi passado para o Governador eleito pelo povo, Otávio Mangabeira e realizadas as eleições municipais.
Mas para que meu pai Adão Francisco Martins tomasse posse como Prefeito de Brotas de Macaúbas, não foi fácil. Aliás, foi João da Cruz Cunha(um dos parentes) que reuniu cerca de 60 cavaleiros para garantir a posse do meu pai Adão Francisco Martins, como Prefeito de Brotas de Macaúbas, na presença do Juiz de Direito da Comarca, Dr. Sebastião, genro do Coronel João Arcanjo Ribeiro, em 1946, quando meu pai foi nomeado Prefeito, pelo Interventor Federal na Bahia, General Cândido Caldas. É que a população de Brotas, sede do município, não admitia que o prefeito nomeado viesse do JORDÃO, um dos Distritos.
Entre 1951 e 54 o velho Artur Ribeiro dos Santos foi novamente eleito Vereador de Brotas. Entre 1955 e 59, foi eleito Vereador pela Terceira vez. Em 1956, com 68 anos de idade, encerrou suas atividades comerciais.
Em 1958, quando estava com 70 anos de idade, conseguiu a criação do MUNICIPIO DE IPUPIARA, pela Lei 1015, de 09.08.1958, sancionada pelo Governador Antonio Balbino. Foi Delegado de Polícia de Ipupiara, em 1958. Em 1966, foi Presidente do Diretório Municipal da UDN e depois membro do Diretório Municipal da ARENA. Foi Secretário da Prefeitura Municipal de Ipupiara, entre 1969 e 71, já com 83 anos de idade.
A Igreja Batista, de que ele fora um dos fundadores, em 1938, em Ipupiara, com o passar do tempo e em virtude de problemas administrativos e doutrinários, terminou por se dividir(em 1969), formando uma outra Igreja Batista que continuou vinculada à Convenção Batista Brasileira, sendo meu pai(Adão Francisco Martins), um de seus líderes. A “Igreja do Velho Artur”, como é até hoje conhecida ou Igreja Batista Independente, foi para a Convenção Batista da Renovação Espiritual.
Como líder político e religioso que era, terminou por entrar em atrito com a missionária da Junta de Missões Nacionais, a leta Zênia Birzniek, que chegou em Ipupiara em janeiro de 1957 e foi transferida pela Junta em 1963, indo para Natividade e depois para Japaratuba e São José, em Sergipe, achando-se hoje aposentada.
Artur Ribeiro dos Santos, portanto, foi um líder na concepção da palavra. Ao morrer, em 22.09.1979, com 91 anos de idade, não deixou bens a inventariar, porquanto já tinha distribuído os seus parcos recursos, entre seus filhos adotivos.
Dele se tem uma fotografia histórica(em poder deste autor), tirada em Salvador, Bahia, em 1949, entre os Delegados do PSD e da UDN, todos líderes regionais, assim constituída: 1)Adão Francisco Martins. 2)Miguel Ribeiro dos Santos. 3)Vanderlino Mendes. 4)Artur Ribeiro dos Santos. 5)Antonio Francisco dos Santos. 6)Antonio Sodré Barreto. 7)Eurico Coelho.
Faleceu Artur Ribeiro dos Santos, na cidade de Ipupiara, Bahia, no dia 22.09.1979, com 91 anos, 6 meses e 15 dias. Foi casado com Solina Amorim Barreto durante 65 anos, 9 meses e 23 dias. Seu corpo foi enterrado num Jardim, ao lado da Igreja Batista que ele fundara, em 1938. Um dos discursos fúnebres feitos na ocasião foi pronunciado por Jeremias Ribeiro dos Santos, seu primo, eis que filho de Manoel Ribeiro dos Santos(filho de Isidório Ribeiro dos Santos, irmão de Artur).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


UM SENHOR ENSAIO



Mário Ribeiro Martins*



FRANCISCO MIGUEL DE MOURA, Pós-Graduado em CRÍTICA DA ARTE E TEORIA DO ROMANCE, acaba de publicar o melhor livro sobre MOURA LIMA, o famoso escritor radicado no Tocantins.
Embora o título tenha me parecido quilométrico, especialmente considerando a exigüidade de espaço de que dispõe a imprensa escrita, quando resolve fazer alguma consideração, trata-se de um livro da melhor qualidade. E, que, certamente passará a fazer parte da nossa história literária, como o primeiro estudo acadêmico e sistematizado do Estado do Tocantins.
Seu título, como disse, é: “MOURA LIMA-DO ROMANCE AO CONTO-TRAVESSIA FECUNDA PELOS SERTÕES DE GOIÁS E TOCANTINS”. E ainda um sub-título, também extenso. Mas, com o mérito de situar, geograficamente, no contexto da Literatura Brasileira, a obra literária do escritor tocantinense.
O que importa, no entanto, é que a obra de Moura Lima foi regiamente estudada. Dificilmente um escritor brasileiro tem recebido estudos tão bem elaborados e específicos.
O trabalho abrange vários aspectos. Começa com uma entrevista do escritor Moura Lima, publicada em diversos jornais e revistas, quando este recebeu da UBE, do Rio de Janeiro, em 2000, o “PRÊMIO MALBA TAHAN DE LITERATURA”.
Percorre os caminhos da vida de Moura, através de uma síntese biográfica, muito bem produzida.
Passa a analisar, no Capítulo 1, a LINGUAGEM E O ESTILO, como Técnicas de Abordagem do Texto, mostrando a força literária de Moura Lima. Este capítulo é uma preciosidade e merece os melhores encômios.
No Capítulo 2, encontra-se “TEMÁTICA E PERSPECTIVA DE SERRA DOS PILÕES”, com uma descrição perfeita do que foi produzido por Moura Lima.
O Capítulo 3 coloca SERRA DOS PILÕES, como um romance de projeção nacional, a partir das observações de ilustres figuras da literatura brasileira, entre as quais, ASSIS BRASIL e CLOVIS MOURA.
O Capítulo 4 retrata a “COSMOVISÃO E ESTÍMULO PARA A RELEITURA”, incentivando estudantes e acadêmicos a elaborarem suas teses de Mestrado e Doutorado, com base na obra do festejado escritor tocantinense.
No Capítulo 5, a “ANÁLISE ESTRUTURAL DE CHÃO DAS CARABINAS” é uma obra-prima, focalizando aspectos interessantíssimos, entre os quais, a divulgação, até então não conhecida, do rumoroso massacre dos CAVALCANTES(BARBOSAS), em 1936, na Vila do Peixe, norte de Goiás, no hoje Estado do Tocantins.
No Capítulo 6, Francisco Miguel de Moura apresenta as “CARACTERÍSTICAS GERAIS DO ROMANCE”, referindo-se aos trabalhos produzidos por Moura Lima.
O Capítulo 7 apresenta as “COORDENADAS DA PROSA MOURIANA”, em termos de “FLEXIBILIDADE COMBINATÓRIA”.
No Capítulo 8, uma atenção especial é chamada para “O FOLCLORE COMO TRAÇO DA CULTURA ESPONTÂNEA”, em toda a obra de Moura Lima.
O Capítulo 9 é o último e nele são feitas “ALGUMAS CONCLUSÕES” e uma delas, talvez a mais importante, é a de que Moura Lima é FÉRTIL E ORIGINAL.
Na última parte do livro, teve Francisco Miguel de Moura o cuidado de selecionar textos da obra de Moura Lima, bem como uma fortuna crítica publicada em revistas e jornais por personalidades da cultura nacional, destacando-se Adrião Neto, Mendonça Teles, Assis Brasil e Clóvis Moura.
Adrião Neto aparece com o texto “TRILOGIA TOCANTINENSE”. José Mendonça Teles escreveu “A SAGA DO VEREDÃO”. Assis Brasil aparece com o texto “REGIONAL E ESTILO”. Clóvis Moura desenvolveu o tema “SERRA DOS PILÕES-UM ROMANCE DE GRANDEZA NACIONAL”.
Mas o ENSAIO sobre Moura Lima tem um aspecto especial que é a ORELHA DO LIVRO escrita por Aluysio Mendonça Sampaio, com o título “A CULTURA POPULAR E A ERUDITA NA OBRA DE MOURA LIMA”, um verdadeiro tratado produzido pelo Editor da Revista de Literatura Brasileira, em São Paulo.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UMA CRÍTICA AO CURRICULO LATTES,
DO CNPq.



Mário Ribeiro Martins*


Não é possível que o SISTEMA CURRICULO LATTES continue trabalhando contra os pesquisadores, especialmente os dicionaristas biográficos ou biobibliográficos.
A Plataforma Lattes “é a base de dados de currículos e instituições das áreas de Ciência e Tecnologia”.
É destinada a Doutores, Mestres, Graduados, Estudantes, Técnicos e outros. O Currículo Lattes está umbilicalmente vinculado ao CNPq. Dele, é dito:
“O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é uma agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) destinada ao fomento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no país. Sua história está diretamente ligada ao desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil contemporâneo.
A estrutura funcional do CNPq compreende uma Diretoria Executiva, responsável pela gestão da instituição, e um Conselho Deliberativo, responsável pela política institucional”.
O que ocorre na prática? Ao examinar um Curriculum Vitae do Sistema Currículo Lattes, o pesquisador encontra uma diversidade enorme de temas, entre os quais: Dados pessoais, Formação acadêmica/Titulação, Atuação Profissional, Linhas de Pesquisa, Áreas de atuação, Idiomas, Prêmios e títulos, Produção em C, T & A, Bancas, Eventos, Orientações, etc, etc.
Todos os temas são tratados com amplitude e abundância de informações no Currículo Lattes.
Porem, quando o tema é DADOS PESSOAIS não se acha nada. Só dizer que é do sexo masculino ou feminino não preenche os requisitos exigíveis à espécie, em termos de dados pessoais.
Pode-se pensar em Dados Pessoais, deixando-se de lado o NOME DA CIDADE E DO ESTADO DE NASCIMENTO DO CANDIDATO?
Pode-se pensar em Dados Pessoais, deixando-se de lado a DATA COMPLETA DE NASCIMENTO(Dia, Mês e Ano)?
Pode-se pensar em Dados Pessoais, deixando-se de lado, ao menos, o nome completo da mãe?
É preciso que os responsáveis pela elaboração do SISTEMA CURRÍCULO LATTES tomem providências quanto ao preenchimento dos chamados DADOS PESSOAIS. Dizer que o candidato não quer se expor, colocando a sua cidade de nascimento, a sua data de nascimento completa e o nome de mãe é um argumento frágil demais.
Não é possível que uma Instituição Educacional ou Empresa convoque alguém para qualquer atividade, sem saber os seus verdadeiros dados pessoais.
Pode o pesquisador elaborar uma pesquisa sobre a vida de alguém sem referir-se ao lugar em que nasceu, quando e como?
Vai ai uma sugestão ao pessoal que gerencia o Sistema Currículo Lattes para que leve a sério o capitulo DADOS PESSOAIS e faça com que os candidatos prestem informações à altura da importância do CNPq.
Agora, veja a RESPOSTA DO CNPq: Resposta: Prezado(a) Pesquisador(a), Em atenção ao seu e-mail informamos que dúvidas de preenchimento do Currículo Lattes, Senha Formulário de Propostas e dados complementares é necessário entrar em contato com a nossa central de atendimento no telefone: Tecle 2 para falar com o atendente Telefone: 0..61.3212-0506 0800 619697 Atenciosamente, Equipe Suporte COSUI/CGINF/CNPq suporte@cnpq.br
Para mais informações utilize o Fale Conosco: http://www.cnpq.br/atendimento ou ligue para Central de Atendimento - CNPq: 0800 61 9697(ligação gratuita) 08:30 às 18:30 hs
http://www.cnpq.br/atendimento.
Como se observa, a resposta dada não tem nada a ver com a CRITICA feita.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



UMA ILUSTRE FAMILIA DE ARRAIAS
(PROCEDENTE DE BROTAS DE MACAÚBAS)

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).



Mário Ribeiro Martins*



Com 99 anos de idade, meu tio BENÍCIO, residente no antigo FUNDÃO DE BROTAS, hoje IPUPIARA, Bahia, me contou a seguinte história, para justificar ter conhecido o cidadão ZACARIAS ROSA DE MOURA, posteriormente morador de ARRAIAS, no hoje Estado do Tocantins.
Conforme ele, Zacarias Rosa de Moura teria nascido em Brotas de Macaúbas, antiga Vila de Xique-Xique, Bahia, por volta de 1872. Com 21 anos de idade, em 1893, teria sido convocado para a “A GUERRA DE CANUDOS”, de Antonio Conselheiro, no interior baiano, onde permaneceu até o fim do “MOVIMENTO”, em 05 de outubro de 1897.
Retornando a Brotas de Macaúbas, em 1897, onde havia se casado, em 1891, com Virgilina Moreira Moura, também reencontrou o seu filho mais velho, José Rosa de Moura, que havia nascido, em 14 de fevereiro de 1892.
Outros filhos do casal foram: Flávio Rosa de Moura, Floripes Rosa de Moura e Anísia Rosa de Moura, dos quais se tem pouca notícia, exceto que viveram em CHAPÉU, hoje Monte Alegre de Goiás.
De acordo com o meu tio Benício, o filho mais velho de Zacarias, o JOSÉ ROSA DE MOURA, teria nascido em Brotas de Macaúbas, por volta de 1892, tendo convivido com ele, por serem da mesma idade, até os 17 anos ou seja, até mais ou menos, 1909.
Ficou sabendo, no decorrer do tempo, que ZACARIAS ROSA DE MOURA mudou-se com a família, ainda em 1909, para a Vila de Arraias, no interior de Goiás, hoje TOCANTINS, quando sua esposa Virgilina, faleceu na estrada, em virtude da longa viagem e da maleita.
Já em Goiás, exercendo a profissão de OURIVES, o velho Zacarias casou-se novamente, com a italiana Domingas Wanne, com quem teve o filho Ângelo Rosa de Moura, posteriormente Prefeito de Porangatu, Goiás.
Quanto ao filho mais velho, José Rosa de Moura, nascido em Brotas de Macaúbas, em 14 de fevereiro de 1892, alí permaneceu até 1909, quando se mudou, juntamente com os pais, para Arraias, com a finalidade de explorar os diversos garimpos de ouro ali existentes.
JOSÉ ROSA DE MOURA casou-se, primeiro, com Mariana de Abreu Moura(Dona Pequerrucha), com quem teve os filhos Maria Altair, Dalcy, Virgilina, Ricardina, Eliacena, Iracilda e Zacarias(este nascido em Monte Alegre de Goiás e falecido com 11 anos).
Do segundo casamento, com Maria Emília, após a morte da primeira esposa, teve, entre outros, JOSÉ DE MOURA FILHO, nascido em Pedro Afonso, para onde seu pai fora transferido, após ter sido INTENDENTE de Arraias, em 1922, como TESOUREIRO DA INSPETORIA DA FAZENDA, na sede regional de PEDRO AFONSO, GOIÁS, hoje Tocantins.
Atualmente, esse filho de Pedro Afonso, Desembargador JOSÉ DE MOURA FILHO, é o PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS. (No momento(2003), a Presidência do Tribunal de Justiça está sendo exercida pelo Desembargador Marco Villas Boas, depois de ter sido exercida pelo Desembargador Luiz Aparecido Gadotti.
Remanescentes dessa família “ROSA DE MOURA”, conforme se encontra no CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL DE BROTAS DE MACAÚBAS, na Bahia, ora apenas como “ROSA”, “MOURA” ou misturados com os “ROSA OLIVEIRA”, “MOURA OLIVEIRA” ou “MOREIRA MOURA” e “MOREIRA ROSA”, etc, permaneceram no sertão baiano.
Espalhados pelos diferentes municípios da Chapada Diamantina, na Bahia, alguns deles se tornaram famosos como proprietários rurais, Prefeitos Municipais, Vereadores, Educadores, Promotores e Juizes.
Especificamente, em Goiás e no hoje Tocantins, continuaram dando excepecional contribuição para todas as áreas do saber humano, encontrando-se, entre eles, MÉDICOS( Walter Tavares de Moura e Aparício Tavares de Moura), PROCURADORES DE JUSTIÇA(Pedro Tavares Filho), ADVOGADOS(Vera Hilda Moura Oliveira), SOCIÓLOGOS( Léa Mariana), ENGENHEIROS(José Carlos Abreu), PEDAGOGOS(Vera Lúcia Moura Oliveira), PUBLICITÁRIOS(José Carlos Moura Leitão), etc.
No entanto, dentre os filhos do antigo INTENDENTE DE ARRAIAS, José Rosa de Moura, é de se destacar a sua 5ª(quinta) filha, Eliacena Moura Leitão, EDUCADORA DE PRIMEIRA GRANDEZA, mãe de Neto Moura Leitão, Prefeito de Novo Acordo, mas também irmã do DESEMBARGADOR José de Moura Filho, Ex-PRESIDENTE do Tribunal de Justiça do Tocantins, em cujo auditório Eliacena recebeu merecida homenagem, pelos seus mais de 30(trinta) anos dedicados à Educação Nacional.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




UNIVERSIDADE DE KENTUCKY
DIVULGA MACHADO DE ASSIS



Mário Ribeiro Martins*


Alguns críticos norte-americanos têm argumentado que enquanto a obra de Machado de Assis não for traduzida na sua totalidade será impossível ao público americano ter uma visão perfeita da grandiosidade do autor brasileiro.
Embora existam traduções para o Inglês dos cinco últimos romances de Machado de Assis, considerados da segunda fase, e feitas por diferentes tradutores, a Universidade de Kentucky lançou a tradução de “A Mão e a Luva”, que mereceu ampla aceitação do público e resenhas em revistas literárias especializadas, jornais, inclusive o “New York Times”.
A história desta tradução está profundamente vinculada ao evangelismo nacional, porquanto foi empreendida por Alberto Bagby Jr., neto do fundador da denominação batista no Brasil, William B. Bagby, nos idos de 1882, na cidade do Salvador, Bahia.
Tendo cursado o ginásio no Rio Grande do Sul, onde nasceu, Alberto foi para os Estados Unidos, doutorando-se na Universidade de Kentucky, com especialização em literatura brasileira contemporânea.
É professor na Universidade de Corpus Christi, no Texas, e prefere realizar conferências sobre Machado de Assis. Sua tradução de “A Mão e a Luva”, deve-se ao fato de ter sido o primeiro romance de Machado de Assis lido por ele quando no ginásio. Juntando às cento e dezessete páginas da tradução está uma tradução crítica ao romance com vinte e três páginas, trabalho também do dr. Alberto Bagby Jr., aprovado por críticos imparciais.
Sua tradução de “Iaiá Garcia” está pronta, e encaminhada a de “Helena” e “Ressurreição”. Embora reconhecendo que tais trabalhos sejam mais fracos dos que os já traduzidos, no aspecto crítico e literário, decidiu divulgá-los no exterior, com a aprovação da comissão de publicações da Universidade de Kentucky.
O fato é que não somente através das traduções, mas também em conferências e convenções lingüísticas, Alberto Bagby Jr. tem divulgado Machado de Assis e porque não dizer o Brasil. Só na Universidade de Kentucky já realizou três conferências sobre Machado de Assis, sendo que a última foi intitulada: “O Amigo Traidor na Obra de Machado de Assis”. Seu interesse em divulgar o Brasil através da literatura Machadiana deve ser agradecido, o que pode se feito, escrevendo-se para: P.O Box 6010, Corpus Christi, Texas, 78411. O sucesso de sua tradução é também motivo de congratulações.
A tese crítica defendida por Alberto Bagby Jr. é a de que Machado de que Assis constitui a maior figura da ficção literária em nosso hemisfério, podendo suas obras serem entendidas e compreendidas em qualquer cultura e em qualquer tempo.(JORNAL DO COMMERCIO. Recife, 21.11.1973) (Para correspondência: C. Postal,221, Recife).

Atenção: Nesta época, o autor residia no Recife e atendia pela Caixa Postal do Seminário Batista do Norte. Hoje(2008), atende pela Caixa Postal, 90, Palmas, Tocantins, 77.001-970.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com



VIAGEM AO TOCANTINS
(QUEM FOI JÚLIO PATERNOSTRO?)


Mario Ribeiro Martins*


JÚLIO PATERNOSTRO(Júlio Novaes Paternostro), de Cruzeiro, São Paulo, em 26.11.1908, escreveu, entre outros, “VIAGEM AO TOCANTINS”, publicado pela Companhia Editora Nacional, São Paulo, em 1945, com prefácio de Roquete Pinto, sem dados biográficos no livro e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via texto publicado.
Filho de Francisco Paternostro e Esmênia Novaes Paternostro. Após os estudos primários e secundários em sua terra natal, formou-se em Medicina, tornando-se Médico Sanitarista.
Casou-se com sua prima, Julia Guimarães Paternostro (filha de Tranquilo Paternostro, irmão de Francisco Paternostro). Os nomes deles, Julio e Julia, foram dados em homenagem à avó, Julia.
Do casamento de Julio e Julia Paternostro, nasceram Lucia Paternostro, em 29.09.1937, Teresa Paternostro, em 1939 e Jorge Paternostro em 1941(já falecido). Todos nascidos no Rio de Janeiro.
Lucia casou-se e teve 7 filhos: 2 morreram, ficando 5, entre os quais, está Maria Lúcia Paternostro(Malu), a caçula que reside em Brasilia. Teresa teve o filho Marcelo que mora no Canadá. Ela que fez Direito, aposentou-se na Policia Federal e mora no Rio de Janeiro. Jorge fez Engenharia na Tchecoslováquia, casou-se com uma tcheca e voltou para o Brasil em 1970, não tendo filhos. Trabalhou em Furnas Centrais Elétricas, no Rio de Janeiro, e faleceu de enfarte em 1994, com 53 anos de idade.
O Médico Júlio Paternostro foi Funcionário do Serviço de Febre Amarela, do Ministério da Saúde, do Governo Federal. Trabalhou durante muitos anos no convênio da Divisão Internacional de Saúde Pública, da Fundação Rockefeller. Percorreu 17 Estados Brasileiros, colhendo material, especialmente mosquitos, para estudar o problema da febre amarela.
Entre maio e setembro de 1935, quando tinha 27 anos de idade, realizou a “VIAGEM AO TOCANTINS”, saindo de Belém do Pará, subindo o Tocantins, passando por Tocantinópolis, Filadélfia, Carolina, Pedro Afonso, Tocantínia e Porto Nacional. Seguiu depois para Natividade, Paranã, Arraias, São Domingos, Posse, Formosa e Anápolis, de onde retornou ao Rio de Janeiro, de Trem de Ferro, via Uberaba.
Na cidade de Pedro Afonso, participou em 1935, da formatura de 52 soldados da Companhia de Polícia do Norte de Goiás. Em Porto Nacional, esteve com o Dr. Francisco Ayres e com o Frei Reginaldo Tournier. Em Arraias, participou das comemorações do dia 7 de setembro e nela permaneceu 10 dias realizando estudos. Em Formosa, visitou os padres dominicanos.
Sua viagem ao tocantins, teve o seguinte roteiro: Do Rio de Janeiro a Belém, de Navio, 17 dias(naquele ano, o avião da PANAIR fazia em 2 dias). Belém a Alcobaça-264 Km, de Vapor, 4 dias. Alcobaça a Carolina-1236 Km, de Barco a motor, 18 dias. Carolina a Pedro Afonso-480 Km, de Barco a remo, gastando 12 dias. Pedro Afonso a Arraias, passando por Porto Nacional-1020 Km, de Cavalo.
De Pedro Afonso a Tocantínia, demorou 5 dias. De Tocantínia a Porto Nacional, gastou 4 dias. De Porto Nacional a Natividade, demorou 5 dias. De Natividade a Paranã, gastou 6 dias. De Paranã a Arraias, demorou 4 dias. De Arraias a Anápolis, passando por Formosa- 540 Km, de Caminhão, gastando 7 dias.
Descreveu todos os córregos, afluentes e povoados ao longo do Rio Tocantins. Seus estudos sobre o Rio Tocantins serviram de base para o livro do Dr. Fred L. Soper, Diretor da Fundação Rockefeller no Brasil, com o título “THE GEOGRAPHICAL DISTRIBUTION OF IMMUNITY TO YELLOW FEVER IN MAN IN SOUTH AMERICA”, publicado nos Estados Unidos, em julho de 1937.
Em 1934, já tinha visitado o Sul de Goiás, tendo estado em cidades como Rio Verde e Jataí.
Mesmo com sua importância, como Médico Sanitarista brasileiro e de seu livro com cerca de 400 páginas, prefaciado por Roquete Pinto, ilustrado pelo Urbanista Atílio Correia Lima e publicado pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo, em 1945, nenhuma das Enciclopédias nacionais, nem a Delta, nem a Barsa, nem a Mirador, nem a Abril ou qualquer outra, faz referência ao seu nome, o que é um esquecimento imperdoável.
Seu livro importantíssimo quanto raro, é hoje disputado por colecionadores de obras raras. O exemplar existente com o autor destas notas, foi adquirido por uma pequena fortuna num dos “SEBOS” de São Paulo e foi dedicado pelo próprio autor, ao DR. JOÃO MAC-DOWELL, em outubro de 1945, quando de seu lançamento oficial.
Este livro VIAGEM AO TOCANTINS foi escrito em 1935, mas só foi publicado em 1945, pela Companhia Editora Nacional, de São Paulo.
Entre seus familiares, oriundos da Itália, destacam-se, Biase Paternostro(1872), Francesco Paternostro(1877), Luigi Paternostro(1885), Antonio Paternostro(1925), Paolo Paternostro(1953), etc.
Ainda em 1944, fundou junto com José Affonso Netto, Danilo Perestrello, Elso Arruda, Julio Paternostro, Oswaldo Domingues de Moraes e Walderedo Ismael de Oliveira, o Centro de Estudos Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, todos psiquiatras vinculados ao Serviço Nacional de Doenças Mentais.
Quanto a Júlio Paternostro, em 1946, com 38 anos de idade, foi para a Itália, onde continuou a sua formação científica, não mais se tendo noticia dele.
Faleceu aos 41 anos no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, em 05/01/1950. Sua esposa Julia Paternostro, pianista, nascida também em Cruzeiro/SP em 12.06.1912, viveu até os 84 anos, falecendo em agosto de 1996, no Rio de Janeiro.
Encontra-se na ESTANTE DO ESCRITOR TOCANTINENSE, da Biblioteca Pública do Espaço Cultural de Palmas.
Apesar de sua importância, não é mencionado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO(2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é referido no DICIONÁRIO DAS FAMILIAS BRASILEIRAS(2001), de Antonio Henrique da Cunha Bueno e Carlos Eduardo de Almeida Barata.
Como também não é referido no DICIONÁRIO DE AUTORES PAULISTAS(1954), de Luis Correia de Melo, bem como no DICIONARIO BIOBIBLIOGRAFICO LUSO-BRASILEIRO(1965), de Victor Brinches. Não é referido no livro ITALIANOS NO BRASIL(2003), de Franco Cenni. Biografado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, MASTER, Rio de Janeiro, 2001.
Verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br
Quando o autor destas notas, matriculou-se no curso de Bacharel em Teologia, no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, em 1966, com 23 anos de idade, fez o seu exame Psicotécnico com o Prof. J. N. Paternostro(CRP 06/25), oriundo de São Paulo, sobre o qual não tinha maiores informações, não sabendo se existia algum parentesco entre ele e JULIO PATERNOSTRO. Seu Consultório ficava na Rua Riachuelo, 275, 9º Andar, Salas 915/7, Fone 35 96 41, São Paulo.
A Malu Paternostro tirou a dúvida, dizendo, via e-mail: "Eles eram irmãos sim. O José era psiquiatra. Era padrinho da minha mãe, casado com Zelinda".
Devo expressar um agradecimento todo especial a Maria Lucia Paternostro, neta de Júlio Paternostro e suas filhas Lucia Paternostro e Teresa Paternostro, pelas informações preciosas que me enviaram, eis que JULIO PATERNOSTRO é o meu Patrono, na Cadeira 13 da Academia Goianiense de Letras.
Tal a importância do assunto, que resolvi divulgar a carta pessoal de Teresa Paternostro ao autor.
“Oi Mario Martins, sou Teresa, 2a filha de Julio Paternostro. Ele teve 3 filhos. Lucia, mãe da Malu, que me enviou o seu email, eu e Jorge, o caçula. Lucia casou-se e teve 7 filhos. Morreram dois e hoje ela tem mais 4 filhos além da Malu, que é a caçula. Mora em Brasília. Eu, que fiz Direito, trabalhei e me aposentei na Policia Federal. Moro no Rio de Janeiro. Tive só um filho, Marcelo que mora no Canadá desde o ano de 2000. Marcelo tem um filho, o Leonardo de 2anos, completados anteontem dia 16 de setembro de 2007. Jorge, que fez Engenharia na Tchecoslováquia. Casou-se com uma tcheca e voltou para o Brasil em 1970. Não teve filhos. Trabalhou como Engenheiro em Furnas Centrais Elétricas, no Rio de Janeiro e faleceu em 1994, de enfarte.
Sobre o papai, enviei hoje para Malu um material e ela naturalmente passará tudo para você. Se precisar de mais alguma informação também estou aqui a seu dispor. Fico orgulhosa e emocionada quando mencionam meu pai, pois ele foi realmente fenomenal. Abraço, Teresa Paternostro”.
A primeira correspondência de Malu Paternostro ao autor: “Olá Mário, desculpe a invasão. Meu nome é Maria Lucia Paternostro, moro em Brasília e sou neta de Julio Paternostro, falecido médico sanitarista e psiquiatra. O motivo dessa mensagem é que, de tempos em tempos, eu recorro à internet para tentar localizar originais dos livros do meu avô.
Em uma de minhas investidas encontrei sua carta à editora Barsa, na qual se queixa da ausência da dados biográficos de Julio Paternostro. Em sua identificação consta que é Procurador de Justiça. Não sei se você tem ligação com a área médica para justificar o interesse pelo trabalho desenvolvido pelo meu avô na região de Tocantins, de qualquer forma fez referência ao seu livro Viagem ao Tocantins.
Essa é uma das obras que tenho grande interesse em conseguir o original. Minha avó, Julia Paternostro, também já falecida, esposa (e prima) de Julio Paternostro cedeu, a titulo de empréstimo, seu original da obra para um grupo de alunos pesquisadores de uma universidade federal, não sei bem ao certo qual, para que fotocopiassem, e nunca o teve de volta. Embora aqui em Brasília as bibliotecas do Senado e da UnB tenham disponível um exemplar cada do livro, sempre foi desejo da minha mãe possuir um exemplar original. O pleito já foi feito às bibliotecas, porém negado, pois o título está classificado como obra rara.
Este mês, dia 28/09, minha mãe completa 70 anos e seria maravilhoso se pudesse contemplá-la com o livro. Bem, contada toda a história, gostaria de saber se você tem conhecimento sobre a existência de um exemplar disponível em Tocantins que eu possa adquiri-lo. Desde já agradeço a compreensão e fico no aguardo de informações. Atenciosamente, Maria Lucia Paternostro”.
Carta de Malu Paternostro ao autor: “Mas posso lhe adiantar que Julio Novaes Paternostro era filho de Francisco Paternostro e Esmênia Novaes Paternostro. Nasceu em Cruzeiro, São Paulo, em 26/11/1908 e faleceu aos 41 anos no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, em 05/01/1950. Casou-se com sua prima, Julia Guimarães Paternostro (filha de Tranquilo Paternostro), irmão de Francisco Paternostro. Os nomes deles, Julio e Julia, foram dados em homenagem à avó, Julia. Do casamento de Julio e Julia Paternostro, nasceram Lucia (minha mãe), em 1937; Teresa (minha tia que lhe escreveu), em 1939; e Jorge (já falecido), em 1941. Todos nascidos no Rio de Janeiro. Sua esposa Julia Paternostro, pianista, nascida também em Cruzeiro/SP em 12.06.1912, viveu até os 84 anos, falecendo em agosto de 1996, no Rio de Janeiro”.



MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com




VIAGEM PELOS RIOS TOCANTINS E ARAGUAIA.


A VIAGEM DE RUFINO TEOTÔNIO SEGURADO
PELOS RIOS TOCANTINS E ARAGUAIA,
NOS ANOS DE 1847 e 1848.


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).


Mário Ribeiro Martins*


(Ortografia original, conforme publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo X, volume X, páginas 178 a 212, 2º trimestre de 1848, em cuja capa se lê: “REVISTA TRIMENSAL de HISTORIA E GEOGRAPHIA ou JORNAL DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRAPHICO BRASILEIRO, FUNDADO NO RIO DE JANEIRO, EM 1838, DEBAIXO DA IMMEDIATA PROTECÇÃO DE S.M.I., O SENHOR DOM PEDRO II).


NOTA: Os números com as notas explicativas estavam no fim do texto. Com o passar do tempo, cheguei à conclusão de que os leitores ficam com preguiça de ir ao fim do texto ler as “notas explicativas” e depois retornarem ao texto original. Assim, decidi abrir uma exceção e colocar as “notas explicativas” entre parênteses no meio do texto, colocando-as em letras maiúsculas, único jeito de diferenciá-las. Tentei colocar em negrito, no tipo COURIER NEW, mas não deu certo, porque o provedor não aceita. Assim, vão em letras maiúsculas. Aliás, muitos me disseram claramente: “Li o texto, mas fiquei com preguiça de descer para ler as notas explicativas”. Ora, em certas ocasiões a nota explicativa é mais importante do que o texto.



“VIAGEM DE GOYAZ AO PARÁ.
ROTEIRO ESCRIPTO PELO DR. RUFINO
THEOTONIO SEGURADO.


Escrevendo o presente roteiro, não é minha tenção fazer uma descripção completa do rio Araguaia, porque faltam-me as necessarias habilitações para descrever scientificamente tudo quanto este magestoso e importantissimo rio offerece aos olhos do observador; porem sim fazer um pequeno serviço aos que por elle houverem de navegar.
Achando-me na capital de Goyaz como deputado á assembléa legislativa provincial em meiados do anno de 1846, tratava o actual presidente da provincia o Exm. Sr. Dr. Joaquim Ignacio Ramalho(1), de fazer o ensaio da navegação do commercio entre esta e a provincia do Grão-Pará pelo rio Araguaia: e o mesmo Exm. Sr. consultou a minha opinião a respeito por haver em outro tempo navegado pelo rio Tocantins até o Pará, e d`est`arte ter alguma experiencia da navegação fluvial.
(NOTA EXPLICATIVA(1). DR. JOAQUIM IGNÁCIO RAMALHO, O BARÃO DE RAMALHO, COMO PASSOU A SER CHAMADO, FOI O 7º PRESIDENTE DE GOIÁS, NO PERIODO IMPERIAL, E GOVERNOU DE 14.10.1845 A 19.02.1848. SEU SUBSTITUTO, ANTONIO DE PÁDUA FLEURY CRIOU UMA SOCIEDADE DE ACIONISTAS PARA FAZER A NAVEGAÇÃO. A VIAGEM DE IDA GASTOU 93 DIAS, CHEGANDO EM BELÉM, NO DIA 28.07.1848. NA VIAGEM DE VOLTA, VÁRIOS BARCOS SE PERDERAM, INCLUSIVE O CARREGAMENTO. A NAVEGAÇÃO SÓ VOLTOU A FUNCIONAR COM JOSÉ VIEIRA COUTO DE MAGALHÃES, EM 29.05.1868).
Expondo as minhas opiniões, fui ouvido com muita attenção e interesse, e foram ellas aceitas. Uma grande difficuldade se apresentava ao presidente, que era encontrar uma pessoa habilitada para dirigir semelhante empreza. Vendo que se me proporcionava occasião de prestar um serviço ao meu paiz, não tive duvida de aceitar a incumbencia, o que muito satisfez ao mesmo presidente.
Minha opinião era que seria mais conveniente e economico que a expedição se apromptasse na villa do Porto Imperial, por se encontrar ahi os vasos(2) e todo o indispensavel com mais facilidade, e até mesmo porque o tempo em que se tratava d`este negocio não permittia que houvesse a menor demora, afim de que descessem os vasos na estação propria.
(NOTA EXPLICATIVA(2). VASOS- BARCOS QUE ERAM CONSTRUIDOS EM PORTO IMPERIAL(PORTO NACIONAL), ANTIGO NORTE DE GOIÁS, HOJE TOCANTINS, CAPAZES DE TRANSPORTAR 1.200 ARROBAS(DEZOITO MIL QUILOS).
Havendo-se organisado uma sociedade para semelhante fim, dirigi-me com a possivel brevidade ao norte da provincia para o fim de promptificar tudo quanto era necessario para a empreza. Eu devo aqui notar que, se bem que os fundos a mim confiados para esse fim me não parecessem mui sufficientes, todavia não hesitei; em consequencia porem d`essa circumstancia não me foi possivel haver barcos novos, por serem estes de alto preço; o que como adiante se verá, causou-me tantos trabalhos, e á sociedade tantos prejuizos. Demais, havendo em geral uma repugnancia não pequena a semelhante viagem, vi-me na necessidade de contratar para o trabalho da navegação pessoas improprias e incapazes d`esse trabalho.
Tendo pois conseguido os vasos, remeiros e generos do paiz que me pareceram mais proprios para ensaiar o commercio, larguei da villa do Porto Imperial no dia 4 de Abril de 1847. Cheguei á villa de Carolina(3) no dia 8 do mesmo mez, onde me demorei tres dias para me refazer de mantimentos que precisava para deixal-os em deposito em São João de Araguaia, a fim de servir na mesma volta do Pará: feito o que larguei da villa de Carolina no dia 12 do mesmo mez.
(NOTA EXPLICATIVA(3). NESTA ÉPOCA(1847), CAROLINA AINDA PERTENCIA A GOIÁS. SÓ PASSOU PARA O MARANHÃO, EM 1854).
Omitto o que observei no rio Tocantins, por ser este rio mui conhecido e navegado.
No dia 3 de Maio de 1847, cheguei á capital da provincia do Grão-Pará(Belem), com feliz viagem, apezar de haver algum prejuizo no carregamento. Logo que saltei á praia, dirigi-me ao Exm. presidente d`aquella provincia, o Sr. Herculano Ferreira Penna(4), entregando-lhe o officio de recommendação que o Exm. presidente da minha provincia lhe havia dirigido.
(NOTA EXPLICATIVA(4). O PRESIDENTE DO PARÁ, DR. HERCULANO FERREIRA PENNA ENVIOU UM OFÍCIO AO NAVEGADOR ANTONIO LADISLAU MONTEIRO BAENA SOBRE ESTA VIAGEM, AO QUE ELE RESPONDEU COM UM LONGO ESTUDO SOBRE A NAVEGABILIDADE DOS RIOS TOCANTINS E ARAGUAIA. ESTUDO ESTE QUE SE ENCONTRA TAMBÉM NA MESMA REVISTA DO INSTITUTO, ACIMA MENCIONADA).
Grande foi a satisfação que o Exm. Sr. Herculano manifestou á minha chegada, fazendo-me offerecimento de tudo quanto podia dispor em beneficio da navegação: eu tinha necessidade de mais algumas pessoas e de algumas providencias; de tudo fui soccorrido.
Immediatamente algumas pessoas notaveis da cidade me procuraram para se informarem do objecto de minha empreza, e tudo lhes havendo declarado, significaram os mais ardentes desejos de concorrerem para que se leve a effeito a navegação do rio Araguaia, não devendo aqui deixar em silencio o nome do Dr. João Lourenço Paes de Sousa.
Tendo feito emprego dos capitaes que levára disponiveis, larguei do porto da cidade do Pará(Belem), no dia 19 de Maio de 1847. Sendo muito conhecidas as cachoeiras que se encontram do Pará até São João d`Araguaia(5), e os perigos que ellas offerecem, eu apresentarei em resumo a minha derrota(viagem) n`essa extensão do Tocantins, ajuntando algumas reflexões que me parecem uteis a navegação.
(NOTA EXPLICATIVA(5). TRATAVA-SE DE UM PRESIDIO ÀS MARGENS DO TOCANTINS, NA CONFLUÊNCIA COM O RIO ARAGUAIA, GUARNECIDO PELO GOVERNO DO PARÁ, NO HOJE BICO DO PAPAGAIO, ONDE JOAQUIM TEOTÔNIO SEGURADO TENTOU FUNDAR A VILA DE SÃO JOÃO DAS DUAS BARRAS. COMO NÃO ACHOU CONVENIENTE, OPTOU PELA VILA DE PALMA(HOJE PARANÃ), QUASE NAS NASCENTES DO RIO TOCANTINS).
À primeira cachoeira denominada Guariba gastei dezoito dias: esta cachoeira passou-se sem risco, mas tive o trabalho de por novo leme em um dos barcos. D`esta cachoeira, ao sahir da cachoeira do Tocumanduba, gastei nove dias, entrando no dia 14 do mez de Junho na grande Itaipava(6) e secco do Conaná. N`esta itaipava, no dia 17, um dos barcos de negocio correu tão grande perigo, que quasi se perdeu totalmente; valeu porem o socorro prestado muito a tempo pela igarité(7) de descarreto, com a qual se pode salvar o barco e a maior parte da carga.
(NOTA EXPLICATIVA(6). ITAIPAVA- CORREDEIRA POR ENTRE PEDRAS, DE DIFÍCIL NAVEGAÇÃO).
(NOTA EXPLICATIVA(7). IGARITÉ- PEQUENO BARCO QUE CARREGA ATÉ OITENTA ALQUEIRES OU DUZENTAS E SESSENTA ARROBAS OU AINDA TRES MIL E NOVECENTOS QUILOS. 1(UMA) ARROBA=15 QUILOS. 1 ALQUEIRE=48 QUILOS. USAVA-SE ESTE BARCO PARA DIMINUIR O PESO DOS BARCOS GRANDES, PARA QUE PUDESSEM PASSAR NOS LUGARES RASOS).
No dia 22 de junho de 1847 cheguei á grande e perigosissima cachoeira da Itaboca(8), gastando um mez e tres dias da cidade de Belem á essa cachoeira, vindo d`est`arte a gastar doze dias mais do que se as aguas fossem maiores, por isso que deixando de navegar sempre encostado na margem direita, subindo(9), que é por onde há boa navegação, fui obrigado a passar as cachoeiras que se encontram no canal da secca, que é o da esquerda.
(NOTA EXPLICATIVA(8). A CACHOEIRA DE ITABOCA, NO RIO TOCANTINS, NO PARÁ, ESTÁ HOJE(2005), DEBAIXO DAS ÁGUAS DA REPRESA DA USINA HIDRELÉTRICA DE TUCURUÍ, NO PARÁ. DEPOIS DA PASSAGEM DE RUFINO SEGURADO POR ELA, EM 1847, CONSTRUIU-SE UMA ESTRADA DE RODAGEM ÀS MARGENS DO RIO TOCANTINS, EM 1925, DE TAL MANEIRA QUE OS CAMINHÕES PEGAVAM AS CARGAS QUE VINHAM NOS BARCOS, NO POVOADO DE JACUNDÁ, E PERCORRIAM 9 KM, NESTA ESTRADA ATÉ JACUNDAZINHO, ONDE COLOCAVAM NOVAMENTE EM OUTROS BARCOS QUE LEVAVAM PARA BELÉM E VICE-VERSA. RUFINO GASTOU MAIS DE 20 DIAS PARA ULTRAPASSAR ESTA CACHOEIRA, PORQUE TINHA DE DESCARREGAR OS BARCOS, PUXÁ-LOS COM CORDAS E DEPOIS CARREGAR. RELEMBRE-SE QUE ELE ESTAVA SUBINDO O RIO. MAS EM 1849, NO GOVERNO DE EDUARDO OLIMPIO MACHADO, 9º PRESIDENTE DA PROVINCIA DE GOIÁS, A CACHOEIRA DE ITABOCA, QUE ENTÃO PERTENCIA A GOIÁS, GANHOU UMA COLÔNIA MILITAR SOBRE A QUAL POUCO SE FALA, SOB A RESPONSABILIDADE DO DR. RUFINO TEOTÔNIO SEGURADO QUE TINHA RETORNADO DE SUA VIAGEM PELOS RIOS TOCANTINS E ARAGUAIA, NOS ANOS DE 1847 E 1848. ESTA INFORMAÇÃO ESTÁ CONTIDA NO LIVRO “LUGARES E PESSOAS”(São Paulo, 1948), DO CÔNEGO TRINDADE).
(NOTA EXPLICATIVA(9). ELE(RUFINO) QUE TINHA DESCIDO O RIO TOCANTINS, DE PORTO NACIONAL A BELÉM, ESTAVA AGORA SUBINDO O TOCANTINS PARA ALCANÇAR O RIO ARAGUAIA, EM DIREÇÃO A GOIÁS VELHO(VILA BOA).
Uma febre epidemica com inflammação dos intestinos atacou a tripolação, e essa circumstancia impediu que eu podesse sahir da Itaboca em menos de treze dias.
Chegando a occasião de tratar da cachoeira a mais perigosa da carreira do Pará pelo Tocantins, vejo-me obrigado a não passar em silencio algumas considerações.
Tratando dos meios de diminuir os riscos d`essa cachoeira, em uma memoria dirigida ao soberano sobre a mesma carreira do Pará, lembrou-se meu pai(10) da idéa de fazer-se profundar os canaes que se encontram ao lado esquerdo do canal da Itaboca, para desviarem-se os barcos das grandes quedas que n`elles se acham; tendo-se porem reconhecido a vantagem de levarem-se de salto os barcos debaixo de certas cautelas, posto que com muitissimo risco, e demais vendo eu que aquelle trabalho se torna nimiamente dispendioso, á vista de nossas circumstancias financeiras, julgo mais acertado um outro trabalho, que se reduz a quebrarem-se algumas pedras, as quaes eu passo a indicar.
(NOTA EXPLICATIVA(10). O PAI REFERIDO ERA JOAQUIM TEOTÔNIO SEGURADO QUE FIZERA A MESMA VIAGEM DE PORTO NACIONAL A BELÉM, EM 1810, QUANDO AINDA FALTAVAM 10 ANOS PARA O RUFINO NASCER, TENTANDO ENCONTRAR O LOCAL PARA FUNDAR A VILA DE SÃO JOÃO DAS DUAS BARRAS, O QUE, DE FATO NÃO ENCONTROU E SUGERIU A VILA DE PALMA, NA HOJE PARANÃ, TOCANTINS).
A primeira é um alto rochedo que se acha abaixo do grande rebojo do Bacuri: n`este rochedo tem-se muitos barcos feito em pedaços, por isso que perdendo elles a carreira e direcção por causa do rebojo, e indo ao som d`agua, é só por uma grande ventura que não se perdem alli todos os barcos que se arriscam a esse medonho rebojo, cujo diametro não é menos de seis braças(13 metros), tendo uma de profundidade.
A Segunda é uma pedra que está por baixo da pancada da cachoeira grande, encostada a um grande paredão do lado esquerdo: esta pedra impede que se possa levar o barco mais encostado ao paredão, o que dá lugar a muito risco do lado direito, para onde as aguas levam com impeto os barcos com muita força.
Abaixo do salto de José Correa está um montão de grandes pedras, para onde correndo as aguas com indizivel impetuosidade, muitos negociantes de barcos têm achado n`ellas a sua perdição. Só o emprego de muitas forças unidas, sem dependencia de outro algum artificio, é capaz de remover a maior parte dos perigos que ahi se encontram.
Ao sahir do salto denominado Tortinho, atravessando o canal acha-se um grande rochedo igualmente perigoso: o emprego de algumas libras de polvora pode franquear esta passagem.
Tendo exposto em resumo o que julgo de maior perigo a respeito da cachoeira de Itaboca, devo chamar sobre este lugar da carreira do Pará pelo Tocantins a attenção do governo do nosso paiz. Alguns contos de réis serão bastantes para que se evite as perdas que actualmente sofrem os particulares, e com elles a nossa provincia.
Da Itaboca ao Presidio de São João de Araguaia(11) não pude gastar menos de um mez, por isso que em todo o canal do Tauiri(12), que é muito perigoso e demanda muito trabalho, achei-me com a maior parte da tripolação atacada de febres catarrhaes, cujas curas muito se difficultavam em razão da natureza do trabalho, falta de commodidades e conhecimentos profissionaes.
(NOTA EXPLICATIVA(11). O PRESIDIO DE SÃO JOÃO DO ARAGUAIA É HOJE A CIDADE DO MESMO NOME, NO PARÁ, NO CHAMADO BICO DO PAPAGAIO, ONDE SE ENCONTRAM OS DOIS RIOS: TOCANTINS E ARAGUAIA).
(NOTA EXPLICATIVA (12) TAUIRÍ- PARTE DO RIO COM MUITA PEDRA, DE DIFÍCIL PASSAGEM. NESTE LOCAL TINHA 12 LÉGUAS(72 QUILÔMETROS).
Durante este tempo tive de por tres rombos(remendos) nos barcos para poder continuar a viagem; e ao chegar ao presidio de São João de Araguaia, de grande risco salvou-se um dos barcos, ficando o leme em pedaços.
Havendo embarcado noventa e duas sacas de farinha pertencentes á sociedade, e que se achavam reservadas para a minha viagem do Araguaia, no dia 6 de agosto me dispuz para entrar por este rio, para mim desconhecido, tendo d`elle apenas as noções dadas pelo marechal Cunha Mattos em seu ITINERARIO, e trazendo comigo só tres individuos, que eram dois militares que haviam descido por elle com o conde de Castelnau, e um outro; os quaes, alem de muito poucos conhecimentos de navegação, não conservavam de memoria cousa alguma do que tinham visto, e por isso em nada me podiam orientar.
Dia 6 de Agosto de 1847. – A`s onze horas da manhã, deixei as pedras da itaipava de São João de Araguaia, e navegando sem perigo algum cheguei ao pontal da ilha de Cima às duas da tarde, acompanhado do barco de um negociante, que tinha de entrar pelo Tocantins.
Não me é possivel descrever o estado de abatimento em que parecia acharem-se os animos de todas as pessoas que ahi se achavam; na physionomia de uns via-se pintado um profundo pezar, e na de outros uma grande compaixão: as salvas de armas de fogo annunciavam a despedida e tendo descançado duas horas, segui a minha derrota(viagem), e naveguei até uma praia fronteira á bocca de um lago.
A falta de correnteza do rio fez-me ver que elle se achava represado, e por consequencia, comparativamente mais secco do que o Tocantins.
Dia 7. A`s cinco e meia da manhã larguei e fiz pouso defronte da ilha dos Mutuns, assim chamada pela grande quantidade d`estas aves que ahi se encontram no braço da direita. A viagem d`este dia foi pequena por se ter demorado em terra um camarada, e não por encontrar obstaculo no rio. A navegação encostada a ponta da ilha é má, porque ahi se acha um baixio de pedras.
Dia 8 de agosto de 1847. N`este dia naveguei em rio de pouca profundidade por offerecer transito facil; comtudo não foi necessario descarregar, e entrando pelo braço da esquerda, cheguei ainda cedo à itaipava de São Bento, ficando à direita a grande ilha do mesmo nome. N`este lugar encontrei grande abundancia de peixes de varias qualidades e alguma caça.
Dia 9. Havia chegado no dia antecedente à itaipava de São Bento; n`este tratei de transportar-me para cima da mesma. O commandante do destacamento de São João de Araguaia havia-me dito não ser possivel vencer este obstaculo, por ser esta itaipava muito falta de agua; não desanimando com essa informação puz-me na espectativa da direcção do trabalho pelo piloto, como era de costume, e este examinando a itaipava, assentou de fazer passar os barcos encostados à terra firme da esquerda, e mandando por os barcos à meia carga, subiu-se sem o menor perigo, falhando d`est`arte o vaticinio d`aquelle commandante. Este facto bem prova que muitos homens temem o que desconhecem. N`este mesmo dia se começou a passar a carga para cima da itaipava na igarité de descarreto.
Dia 10. Continuou-se o descarreto até á noite. N`este lugar conheci que deveria ter trazido mais do que uma igarité de descarreto, por ver que o rio Araguaia é em geral mais raso e espraiado que o Tocantins. O descarreto d`esta itaipava é pessimo, por isso que os bancos de pedra obrigam a levar os igarités ao canal grande, que é muito forte e de pedras escorregadiças.
Dia 11. Carregados os barcos continuou-se a viagem, passando-se por uma ponta forte(13) que se acha na terra firme da esquerda, único lugar transitavel, onde foi indispensavel alliviarem-se todos os barcos, fazendo pouso pouco acima.
(NOTA EXPLICATIVA(13). PONTA FORTE- LUGAR DE CORRENTEZA, COM MUITAS PEDRAS E ONDE É PRECISO DESCARREGAR OS BARCOS).
Dia 12 de agosto de 1847. Ao meio dia cheguei a itaipava do Carmo, e para passal-a mandei tirar todo o sal dos barcos(14), por ser o genero de maior peso; comtudo isso não foi bastante, e fui obrigado a mandal-o descarregar quasi totalmente. Tendo o rio mais cinco palmos de agua, tanto esta como a itaipava de São Bento deve ser boa passagem, pois entendo que então ellas se passarão à vara, sem ser necessario tirar-se carga dos barcos, e por isso parece-me que os navegantes que entrarem no Araguaia por todo o mez de Junho, havendo chuvas regulares, não encontrarão ahi embaraço algum.
(NOTA EXPLICATIVA(14). QUANDO VINHAM DE BELÉM, OS BARCOS CARREGAVAM, ESPECIALMENTE SAL, QUE NÃO ERA FACILMENTE ENCONTRADO EM GOIÁS VELHO E QUE, PEQUENA QUANTIDADE, PESAVA MUITO. QUANDO IAM PARA BELÉM, OS BARCOS CARREGAVAM PELES DE ANIMAIS, INCLUSIVE DE BOIS).
Dia 13. Tendo n`este dia concluido a passagem da itaipava, conduziram-se as cargas até o meio dia, sendo o resto d`este empregado no concerto da igarité.
Dia 14. Continuou-se a conduzir a carga até a noite. Note-se que os barcos devem receber a carga em uma ilha grande, que está logo por cima da itaipava.
Dia 15. Despedi quatro indios Apinagés(15), que até ahi fizeram parte da tripolação, e que tendo recebido seus salarios seguiram para as suas aldeas do Tocantins. N`este dia fiz pouso defronte da ponta debaixo da Ilha Grande dos Apinagés.
(NOTA EXPLICATIVA(15). INDIOS PERIGOSOS QUE VIVIAM NO ANTIGO NORTE DE GOIÁS, ENTRE OS RIOS TOCANTINS E ARAGUAIA. CONFORME LIDIA BARROSO, NO LIVRO OS POVOS INDIGENAS DO TOCANTINS(1999), OS APINAGÉS(APINAYÉ) ESTÃO HOJE REDUZIDOS A 7 ALDEIAS, NOS MUNICIPIOS DE TOCANTINÓPOLIS, MAURILÂNDIA E CACHOEIRINHA, COM 1.014 HABITANTES, 10 PROFESSORES BILINGUES, NUMA ÁREA DEMARCADA DE 141.904 HECTARES. SÃO DESTAS ALDEIAS AS CRIANÇAS ÍNDIAS QUE ESTÃO MORRENDO DE DIARRÉIA, CONFORME OS JORNAIS DE 2005 E 2006).
Dia 16. Tomei pelo canal da direita da Ilha Grande e de outras, passando por um pequeno travessão de pedras, em que foi necessario descarregar: pousei defronte de um ribeirão, que entra á esquerda. Note-se que o canal da esquerda da ilha não é intransitável, comtudo preferi o da direita, por não dar o rio tão grande volta.
Dia 17. Largando ás seis horas da manhã, ás dez passei pelo porto dos Apinagés do Araguaya, e cheguei ao meio dia ao lugar que denominei- Ponta dos Campos-, e ahi permaneci até ás doze horas do dia seguinte, por me haver faltado um camarada, que sahindo á caça perdeu a altura em que estavam as canoas.
Dia 18. Partindo aquella hora, naveguei até ás seis da tarde, chegando á ilha que denominei dos Tres Fugidos, porque n`esse lugar se evadiram tres camaradas, levando comsigo a montaria(16) de caçar, tres remos, tres armas da nação e outros objetos de menos valor; vindo d`este lugar para cima a haver falta de nove pessoas, que deviam compor a tripolação, notando-se entre estas a do caçador, que substituia um dos pilotos, o qual tinha falecido; acontecendo que achei-me com falta de dois objectos tão essenciaes na navegação actual, a saber, o caçador e a montaria de caçar.
(NOTA EXPLICATIVA(16). MONTARIA ERA UMA PEQUENA CANOA, DE UMA SÓ MADEIRA, ABERTA COM FOGO, USADA PARA PEQUENAS CARGAS DE ATÉ 600 QUILOS, INCLUSIVE CAÇADAS E PESCARIAS).
Dia 19. Fiz pequena viagem, e nada occorreu de notavel. N`este dia a consternação foi geral ao vermo-nos sem a montaria e com falta de tres camaradas, entre estes notei que alguns conceberam esperanças de que eu, em vista de tal acontecimento, não duvidaria desistir da viagem pelo Araguaya, e retroceder: para desvial-os de semelhantes pensamentos, eu asseverei com toda a firmeza e em alta voz- que em quanto me restasse uma canoa e quatro camaradas eu não desistiria da viagem.
Dia 20. Sahindo ás cinco horas da manhã naveguei até á uma hora da tarde, e não continuei a viagem n’este dia por ter deixado a igarité em diligencia de alguma caça. Havia grande quantidade de peixes, especialmente de pirarucús, em um lago que fica em uma praia ao lado esquerdo. Já n’este lugar senti a falta que me fazia a montaria.
Dia 21. Passei o travessão do Jacaré com muito trabalho, por se querer passar encostado á terra firme da direita, não dando esse canal franca passagem, senão quando o rio tem maior quantidade de agua; alias, a passagem deve ser pelo canal grande do mesmo lado.
Dia 22. Cheguei ao meio dia á entrada da Cachoeira Grande, a qual é a maior que existe no Araguaya: ella terá duas leguas e meia de extensão, e em toda esta extensão o rio corre por entre rochedos, que quasi em toda ella, com pequenas excepções, formam um canal muito estreito e muito arrebatado. Chegando pois á entrada d’esta cachoeira, reconheci que a navegação pelo lado direito era muito dificil e perigosa, e por essa razão fiz travessia para o lado esquerdo: toda a tarde se passou transportando-se a maior parte das cargas e os barcos para cima de uma forte corredeira.
Dia 23. Carregaram-se os barcos, e naveguei á vara(17) encontrando o rio com grande correnteza. Fiz pouso abaixo da primeira pancada forte.
(NOTA EXPLICATIVA(17). NAVEGAR À VARA SIGNIFICA EMPURRAR O BARCO COM A VARA E NÃO APENAS REMAR COM OS REMOS NORMAIS).
Dia 24. Descarregaram-se e puxaram-se os barcos, havendo sempre o cuidado de prendel-os com uma pequena sirga(18), além do cabo ou corda grande, para o fim de abrigal-os para terra, visto que sem essa cautela poderiam correr grandes riscos.
(NOTA EXPLICATIVA(18). SIRGA- CORDA REFORÇADA QUE SERVE PARA PUXAR AS EMBARCAÇÕES).
Dia 25. Tendo-se feito pouso no dia antecedente acima da primeira pancada grande, n’este seguiu-se á meia carga, andando-se pouco n’esse dia por ser a outra parte da carga conduzida na igarité.
Dia 26. Todo este dia se passou em fazer transportar os barcos e cargas para cima de uma ponta mui forte, abaixo da qual se havia pousado.
Dia 27. Por ser o canal muito arrebatado e forte não se pôde subir senão á corda(19), navegando-se assim até ao meio dia, e vindo-se a descansar em uma ponta forte, onde se descarregou.
(NOTA EXPLICATIVA(19). OS BARCOS ERAM PUXADOS COM CORDAS MUITO FORTES. A VANTAGEM DAS CORDAS É QUE ELAS ERAM LEVES, ENQUANTO OS CABOS-DE-AÇO ERAM MUITO PESADOS).
Dia 28. Carregados os barcos com pouco trabalho encostei no lugar do descarreto do Salto Grande. Toda a viagem, desde o dia 25, fiz por um canal parallelo a outro que fica á direita, tendo este pouca agua em baixo, por despejar no da esquerda por muitas boccas ou pequenos canaes, que são outros tantos saltos; por um d’estes saltos deve se fazer a passagem para o canal da direita: o que achei melhor é aquelle mesmo por onde passei, que é o terceiro contado de cima para baixo, o qual não obstante ser mais estreito, offerece todavia melhor passagem, por isso que sendo mais extenso tem uma queda mais suave. Observe-se que tendo-se passado o salto, deve-se atravessar os barcos para o lado direito do canal, afim de se evitar a força das aguas dos diversos canaes que despejam para o lado esquerdo.
Dia 29. N’este dia somente se pôde conduzir as cargas para cima do Salto Grande.
Dia 30. Calafetaram-se alguma pequenas fendas das canoas, e pousei acima de uma ponta forte, em que descarreguei. O rio n’este lugar é muito estreito e corre por entre rochedos muito altos, o que difficulta o puxar-se os barcos á corda, único meio de conduzil-os, em consequencia da grande correnteza e muitos rebôjos(20) que se encontram, com muito perigo dos barcos.
(NOTA EXPLICATIVA(20). REBOJOS ERAM REDEMOINHOS DE ÁGUA QUE LEVAVAM TUDO E TODOS PARA O FUNDO DO RIO).
Dia 31 de agosto de 1847. Continuou-se a descarregar e puxar a carga por causa de muitas pontas fortes.
Dias 1º até 9 de Setembro de 1847 inclusive. Foi continuação dos trabalhos do dia 31 do mez antecedente, encontrando-se entretanto um descarreto de meia legua(3 km) por terra; quatro noites dormi na ilha de Ubá Velha(21), primeiro que as cargas podessem ahi chegar.
(NOTA EXPLICATIVA(21). NOME DADO A ESTA ILHA, ONDE EXISTIAM VÁRIAS UBÁS ABANDONADAS PELOS INDIOS. ERAM CANOAS ESTREITAS DE UMA ÚNICA MADEIRA).
Dias 10 a 12 inclusive. N’estes tres dias foi preciso fazer descarreto por terra e por agua, em razão de alguns braços do rio que entram pelo lado esquerdo. A sahida da Cachoeira Grande pelo lado direito offerece melhor navegação do que pelo lado esquerdo, por isso que este é mais secco e mais forte: advirto porem que a travessia pelo lado direito deve ser feita com muita cautela, e antes de approximar muito ao salto.
N. B. Tendo o rio mais cinco palmos de agua, é provavel que n’esta cachoeira os barcos de mil arrobas(quinze mil quilos) não gastem mais de oito a dez dias; por quanto tendo o canal apenas uma oitava parte da largura ordinaria do rio, elle se achará então com dez ou doze palmos mais de fundo, e por consequencia não será necessario ir ao canal grande; tanto mais que ao lado esquerdo d’este achei canaes por onde havia bem poucos dias nos mostrava ter corrido agua sufficiente para sustentar uma montaria.
Além d’isto, estabelecendo uma comparação entre a Cachoeira Grande e o Tauiri, com o qual muito se parece, vemos que se no Tauiri, na secca gasta-se doze ou quinze dias, e com agua se passa em quatro ou cinco, na Cachoeira Grande, onde gastei vinte e dois na secca, não se gastará mais do que sete ou oito havendo aguas.
O que acabo de dizer é a respeito da subida; quanto porem á descida, devo notar que o canal grande deve ser perigosissimo pelos rebôjos que então terá, formados pela opposição que os enormes rochedos devem fazer ás aguas; e os canaes do Saranzal(22) serão tambem mui perigosos por causa das grandes pedreiras que a cada passo obstruem os mesmos canaes.
(NOTA EXPLICATIVA(22). SARANZAL- PARTE DO RIO CHEIA DE MATO, MISTURANDO COM AS ÁGUAS E QUE DIFICULTAVA A NAVEGAÇÃO).
Em summa na descida nada de entrar sem examinar mui escrupulosamente a cachoeira desde a entrada até a sahida. N’esta cachoeira há grande abundancia de caças e peixes: mas devo notar que por causa das qualidades das pedras da Cachoeira Grande e de quasi todo o rio Araguaya, e da grande quantidade de piranhas, é mister uma boa provisão de anzóes e linha.
No dia 12 de setembro de 1847, sahi da cachoeira e pousei na margem direita, avistando as pedreiras e praias dos Martyrios.
Dia 13. Falhei para concertar um dos barcos e tirar varas: houve aqui muita caça, como veados, pacas, mutuns, etc: viram-se no mato picadas antigas e alguns velhos ouriços de castanhas, o que faz acreditar na existencia de castanheiros, onde vão ter alguns gentios.
Dia 14. Passei os Martyrios(23) e pousei na entrada da Carreira Comprida. Antes de fallar da minha passagem por esta cachoeira, direi alguma cousa sobre este lugar que tem dado causa a alguns contos fabulosos.
(NOTA EXPLICATIVA(23). A CACHOEIRA DOS MARTYRIOS É O LUGAR ONDE O RIO ARAGUAIA PASSA APERTADO ENTRE DUAS SERRAS E TEM SIDO MOTIVO DE MUITAS VIAGENS, ESTUDOS E LIVROS, POR SE AFIRMAR QUE EXISTEM ESCULTURAS FEITAS POR POVOS ANTIGOS. VEJA-SE EXPEDIÇÃO CIENTIFICA AOS MARTYRIOS, DE MANOEL RODRIGUES FERREIRA. PELA LEI 5.982, DE 25.7.1996, FOI TRANSFORMADA EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, COM O NOME DE PARQUE ESTADUAL DA SERRA DOS MARTYRIOS, NO PARÁ, NO MUNICIPIO DE SÃO GERALDO DO ARAGUAIA, FICANDO DO OUTRO LADO DO RIO, O MUNICIPIO DE XAMBIOÁ, NO TOCANTINS, ONDE TAMBÉM SE DEU A FAMOSA “GUERRILHA DO ARAGUAIA”).
Tendo lembrança do que escreveu em seu ITINERARIO o marechal Cunha Mattos ácerca dos Martyrios, desembarquei n’este sitio e observei tudo quanto alli existe. Nenhum trabalho de escultura encontrei n’esse lugar, não duvidando todavia que elle exista em algum ponto mais retirado ou oculto.
O que observei é obra da natureza, em que a arte nada tem alterado; e como os rochedos não se parecem com quantos tenho visto, quer no Tocantins, quer em toda extensão do Araguaya que naveguei, julgo acertado dar uma idéa d’elles.
O rio n’este lugar é consideravelmente estreito, bem como na Cachoeira Grande, porem corre lentamente por entre duas pedreiras, mais ou menos escarpadas, que terão altura de trinta a quarenta palmos pouco mais ou menos. Ao entrar pela embocadura d’este canal, parece que se está no extremo de uma rua de mais de trezentas braças.
Apezar de ser esta pedreira muito solida, comtudo apresenta muitas cavidades de formas variadas e irregulares, que parece serem formadas pelas aguas nas occasiões que o rio enche. A parte superior d’elles representa ao longe diversas formas, umas semelhantes a uma pequena ermida, outras a uma guarida, etc. Approximando-se porem mais perto, desapparece a illusão, e não se vê outra cousa mais do que rochedos informes. Talvez que algum navegante por aquella illusão tenha referido a existencia de obras de escultura n’estes lugares, não observando com a individuação que merece um facto semelhante.
Ao sahir d’este canal se encontra grande quantidade de pedras, de que nossos lavradores se servem para fazer fornos de torrar farinha.
Dia 15. Descarreguei á esquerda no travessão da entrada da Carreira Comprida, e passei os barcos á direita.
Dia 16. Trabalhou-se no travessão passando a carga para cima, e pousei na ilha formada pelos dois principaes canaes. Subi pelo canal da esquerda; porem o melhor é o da direita. Á esquerda entra um grande ribeirão.
Dia 17. Até o meio dia se trabalhou em puxar os barcos á sirga, independente de descarregal-os, e por este modo foram conduzidos até á pancada grande, onde se descarregaram.
Dia 18. Puxaram-se as canoas, carregaram-se em parte e foram receber o resto da carga no Poção. Em toda a cachoeira denominada Carreira Comprida a melhor passagem é pela maneira seguinte: entrar pelo lado esquerdo, atravessar antes de chegar ao canal forte, e entrar pelo pequeno canal da direita, aonde se acham duas pontas, em que será necessario descarregar.
Dia 19. Carregaram-se as canoas no Poção e descansei por cima da volta, que bem se pode chamar do Cotovello: pondo-me de viagem ás quatro horas e meia da tarde, uma inesperada perspectiva, alias scena, se apresenta aos nossos olhos: objectos como creaturas humanas parecem ao longo andar e correr em uma grande praia, na qual vinhamos com esperanças de achar uma grande quantidade de ovos de tartaruga: as vistas fitaram-se na praia, e em poucos momentos viemos a conhecer que um grande número de indios pareciam agitados com a presença de barcos desconhecidos n’aquelle rio.
Eu então tornei-me o objecto de uma tacita consulta, voltando para mim os camaradas os olhos, como que me interrogando o que fariamos. O medo pareceu-me ter grande parte n’esta consulta, mas eu sem dissimular disse que não tivessem medo, que além dos cartuxos que estavam distribuidos havia de haver munição, com que se podesse facilmente fazer um fogo que produzisse bom resultado.
Mandei então dois camaradas aprompar as armas, preparei buchas, puz á mão uma boa quantidade de polvora e chumbo, e apresentei-me com resolução em cima da tolda, entretanto que o piloto dirigia o meu barco para o lado opposto áquele em que estavam os indios, tendo-lhe eu ordenado que esperasse os outros barcos logo que fronteasse o ponto de que podiamos receiar algum ataque.
Antes porem de chegar a esse lugar os indios salvaram os botes com duas salvas de armas de fogo. Eu respondi ás salvas, e entendendo que nada devia receiar, assentei que me não era necessario esperar pelos outros barcos, e logo que se fallou ouviu-se as palavras: - Adeus camarada- replicando-se- As canoas encostam lá? Responderam-sim, aqui está bom, tem bom fundo.
Então mandei fazer travessia, e aportando no lugar onde se achavam os indios, procurei o capitão José, cacique dos Carajás da aldea de baixo: apresentando-se este, eu disse-lhe que embarcasse; então elle desarmado, e com uma confiança que me fez admirar, dirigiu-se para o meu barco, subiu á proa, e veio ter á porta da tolda da popa.
Ahi eu recebi-o entre os meus braços, e tratei de obsequial-o com ferramentas, missangas(enfeites), fumos e muitas outras cousas. Elle de sua parte pagou-me com seus carás, bananas, ananazes, etc. e fitando os olhos em minha mulher(24), perguntou se ella era minha mulher, e respondendo eu affirmativamente mostrou muito satisfação, e disse que na praia estava a mulher de um seu filho, a qual immediatamente elle fez embarcar para fazer os cumprimentos á sua nova hospede.
(NOTA EXPLICATIVA(24). A ESPOSA DE RUFINO TEOTÔNIO SEGURADO SE CHAMAVA MARIANA FRANCISCA DE AZEVEDO E ERA SOBRINHA DO PRIMEIRO BISPO DE GOIÁS, O BISPO CEGO DOM FRANCISCO FERREIRA DE AZEVEDO QUE TINHA SIDO PREGADOR RÉGIO E CONFESSOR DA FAMÍLIA REAL, NO RIO DE JANEIRO, AO TEMPO DE DOM JOÃO VI E DOM PEDRO I. O BISPO NASCEU EM SALVADOR, BAHIA, EM 15.01.1766 E MORREU EM GOIÁS VELHO, NO DIA 12.8.1854. TINHA FICADO CEGO, COM 56 ANOS DE IDADE, EM 1821).
Em summa, deixando de referir muitas circumstancias, que provam a boa disposição d’estes indios para comnosco, basta dizer que a gente da minha comitiva passou demasiadamente farta esta noite, em que houve dansas de parte a parte, e que os mesmos indios não duvidaram dansar promiscuamente com os christãos.
O capitão José falla alguma cousa a nossa lingua, e disse que queria um padre para sua aldea, assim como ferreiro, carapina, etc. e que se queria baptizar: eu disse-lhe que tudo se havia de fazer, estando elle sempre em paz comnosco. Tal foi o primeiro encontro que tive com os indios Carajás(25), que tão temiveis parecem aos habitantes da provincia de Goyaz.
(NOTA EXPLICATIVA(25). CONFORME LIDIA BARROSO, NO LIVRO OS POVOS INDIGENAS DO TOCANTINS(1999), OS CARAJÁS(KARAJÁ) ESTÃO HOJE REDUZIDOS A 8 ALDEIAS, NA ILHA DO BANANAL, COM UMA POPULAÇÃO DE 1.600 HABITANTES, 25 PROFESSORES BILINGUES, AO QUE PARECE, SEM ÁREA DEMARCADA).
Devo notar que desde então me esforcei por encobrir que tinha d’elles o menor receio, pois que elles em todas as suas acções mostravam ter em nós uma illimitada confiança. O cacique mostrava ter grande satisfação, e mesmo animava a que cada christão tivesse seu camarada indio, e os indios acompanhavam tanto o desejo de seu chefe que cada um queria parecer mais obsequioso a seu amigo.
Eu devo mais notar que estes indios não se achavam em sua aldea, mas desciam em numero de trinta e oito para as aldeas dos Apinagés, em companhia de um Apinagé que tinha vindo resgatar um irmão que havia muitos annos estava prisioneiro entre os Carajás.
Dia 20. O capitão José, desistindo da viagem em que ia, embarcou-se comigo e mais quatro indios para voltar para a sua aldea, confiando a seu filho Erirê a direcção e governo das tres ubás, que desciam em companhia da do Apinagé.
Os indios despedindo-se largaram para baixo, e não deixou de ser algum tanto interessante a scena que se nos apresentou: com uma velocidade immensa seguiram as quatro ubás carregadas de gente, que, ao mesmo tempo que com muita destreza manejavam os remos, faziam ouvir o som monotono de suas cantorias, servindo de compasso as pancadas dos remos nas canoas.
Entretanto puz-me de viagem, e ao meio dia descarregou-se á direita no travessão do meio, tendo-se feito travessia por baixo. Os indios prestaram-se voluntariamente, e juntamente com os camaradas carregaram as cargas, e puxaram os barcos para cima do travessão.
Dia 21 de setembro de 1847. Voltaram os indios que desciam por falta de mantimento, por nos haveram dado na occasião do nosso encontro quasi todo o que levavam. Descarregaram-se os barcos para passar o secco da entrada da cachoeira de São Miguel(26), e aqui tive auxílio dos indios, que ajudaram a conduzir as cargas em suas ubás, dormindo em minha companhia na entrada do estreito canal do meio, que é a melhor passagem na secca.
(NOTA EXPLICATIVA(26). A CACHOEIRA DE SÃO MIGUEL TAMBÉM FICA NA REGIÃO DE XAMBIOÁ, NO HOJE ESTADO DO TOCANTINS).
Dia 22. Todo este dia trabalhou-se puxando as canoas á sirga: ainda na noite d’este dia dormiram os indios em minha companhia.
Dia 23. Descarreguei antes de chegar á Pancada Grande. A navegação d’este dia se fez encostando as canoas ao lado esquerdo, mas seguindo sempre pelo canal grande.
Dia 24. Navegando sempre á sirga, cheguei ainda cedo á Pancada Grande.
Dia 25. Passou-se a carga para cima de duas pancadas, podendo-se apenas conseguir passar as barcas á primeira pancada.
Dia 26. Carregou-se a carga em montarias e nas ubás dos Carajás, que m’as cederam para esse fim, pousando acima da cachoeira com os barcos carregados. Em todos estes dias estiveram os indios em minha companhia, e muito me ajudaram em todo o serviço da navegação, no que são mui habeis. Eu brindei-os n’esta occasião com trinta e tres peças de ferramenta de roça, facões, fumo, missangas, etc.
Então vi o quanto são exageradas as ideas que ordinariamente temos da obediencia dos indios a seus chefes, pois que a partilha das ferramentas não pôde ter lugar, lançando cada um, que foi mais destro, mão em duas e mesmo em tres peças de ferramenta, o que me fez receiar alguma scena bem triste entre elles, conservando-se entretanto o chefe em perfeita inacção, depois de ter procurado obstar semelhante acontecimento.
N’este lugar se despediram os indios promettendo ir pescar para negociarem comigo.
Dia 27. Sahi da cachoeira de São Miguel, e encontrei-me com o Carô, principal chefe de todas as aldeas dos Chambioás(27), ramo dos Carajás, e pai do capitão José. O Carô, distinguindo-se dos outros que remavam a ubá apenas por um chapéo de palha velho, e umas calças que trazia aos hombros, mandou salvar com dois tiros de arma de fogo, em signal de cortejo, e approximando-se mandou atracar ao meu barco, para onde se passou com toda a confiança, mostrando muita satisfação pelo encontro.
(NOTA EXPLICATIVA(27). CONFORME LIDIA BARROSO, NO LIVRO OS POVOS INDIGENAS DO TOCANTINS(1999), OS CHAMBIOÁS(XAMBIOÁ) FORAM PERDENDO O USO DA LINGUA KARAJÁ E ESTÃO HOJE REDUZIDOS A 2 ALDEIAS, NAS REGIÕES DE SANTA FÉ E XAMBIOÁ, COM UMA POPULAÇÃO DE 182 HABITANTES, COM 4 PROFESSORES BILINGUES, NUMA ÁREA DEMARCADA DE 3.537 HECTARES).
Eu fiz-lhe as mesmas honras que tinha feito ao capitão José, mas observei que a ubá d’este indio vinha carregada de armas e informando-me de semelhante circumstancia, soube que elle havia descido por aviso que teve do capitão José, que lhe havia mandado dizer que subiam tres barcos grandes carregados de christãos todos armados.
Logo no primeiro encontro que tive com este indio conheci que elle não ignorava totalmente os nossos costumes, e que conhecia bem de perto algumas cousas dos nossos usos. Vendo tirar um pouco de assucar de uma lata, disse logo o que era, mas devo notar que como quem se arrependeu disse que era sal. Estes e alguns outros factos semelhantes, pelos quaes ao mesmo tempo elle mostrava conhecer bem os nossos costumes, e procurava dissimular esse conhecimento. Estes factos digo, me fizeram crer que elle é, segundo se diz, um desertor do Pará.
Entre outras muitas perguntas que me fez, quis saber como se chamava o general de Goyaz e do Pará, e se no Pará havia guerra. Este indio terá de sessenta a setenta annos de idade. N’este mesmo dia cheguei ao lugar em que a gente do capitão José me esperava com grande quantidade de peixes.
O capitão José seguiu com todas as suas ubás, ficando comigo o capitão Carô. Depois do meio dia, trabalhou-se na extensa itaipava dos Carajás, que ao principio é de boa navegação, porem depois torna-se muito trabalhosa por ser muito falta d’agua. Pousei em uma das ilhas, que se acha no meio da itaipava.
Dia 28. Trabalhou-se ainda na itaipava, e pousei em uma praia, em que o rio não é pedregoso. D’este dia em diante o Carô me fez companhia até chegar á sua aldea.
Dia 29. Encontrei o rio sem obstaculo algum, e pousei junto á Ilha Grande dos Carajás. D’este ponto para cima não se encontra mais a palmeira chamada Indaiá, e só da ilha que chamei São José para cima é que me disseram os indios haver com abundancia. E por essa razão os navegantes que houverem de concertar as cobertas dos seus barcos, devem fazel-o n’esta ilha ou nas suas vizinhanças.
Dia 30. Continua ainda o rio sem obstaculo, e navegando todo este dia pousei abaixo da outra itaipava dos Carajás.
N. B. Desejando eu saber quaes as disposições d’estes indios sobre estabelecimentos nossos nas vizinhanças de suas aldeas, perguntei ao Carô se queria estabelecer-se nas proximidades do Araguaya por aquellas paragens, respondeu-me que sim, que isso era muito bom. Então eu lhe disse que trariam bois, cavallos, etc. Respondeu que estava bom. Disse-lhe mais que havia de vir um missionario, respondeu a mesma cousa.
Estando porem, por algum tempo, como quem pensava profundamente, levantou de repente a cabeça e disse: Presidio não. Entendendo eu que elle me interrogava, respondi: Presidio tambem. Então elle com vivacidade e voz forte me disse: Presidio não, não quero. Eu repliquei: Presidio não? Elle respondeu: Não quero. Padre não, turi(christão) não, boi não, cavallo não.
É facil ver porque esta repentina mudança, que se nota nos pensamentos d’este indio, que elle se não tem esquecido das crueldades contra elles praticadas por um imprudente commandante(28) do extincto destacamento de Santa Maria, e que não será facil o estabelecimento de presidio na vizinhança d’essas aldeas.
(NOTA EXPLICATIVA(28). REFERE-SE AO COMANDANTE DO PRESIDIO DE SANTA MARIA, EM COUTO VELHO OU COUTO DE MAGALHÃES, NO ANTIGO NORTE DE GOIÁS(HOJE TOCANTINS), FUNDADO EM 1812, TENENTE FRANCISCO XAVIER DE BARROS QUE, DIANTE DO ATAQUE DOS INDIOS, FUGIU JUNTO COM 38 PESSOAS, QUASE TODAS AFOGADAS NAS AGUAS DO RIO ARAGUAIA. SOBRE O ASSUNTO JOSÉ MARTINS PEREIRA DE ALENCASTRE, EM SEU LIVRO ANAIS DA PROVINCIA DE GOIÁS(1863), FEZ UMA DESCRIÇÃO NOTÁVEL. TAMBÉM ELE TINHA SIDO O 16º PRESIDENTE DA PROVINCIA DE GOIÁS DE 22.04.1861 A 26.06.1862. A ELE COUBE TAMBÉM RESTAURAR O PRESIDIO DE SANTA MARIA, NA HOJE ARAGUACEMA, TOCANTINS, EM 1861. MODERNAMENTE, COUTO MAGALHÃES SOFREU TANTO COM A ENCHENTE DE 1980, DO RIO ARAGUAIA, QUE TEVE DE SER TRANSFERIDA PARA O DISTRITO DE CRUZALTINA, FORA DAS MARGENS DO RIO).
Quanto ás relações que pode haver na descida e subida de barcos, mostrou elle muita satisfação em todas as occasiões que se fallou a respeito. Pedindo-me com muita instancia que fallasse ao general de Goyaz para lhe enviar farda, ferramentas, espingardas, baetas, etc. e que eu tomasse lembrança d’isso nos meus apontamentos da viagem. Asseverando que os barcos na descida e subida achariam grande abundancia de todos os seus generos de roça.
Dia 1º de Outubro de 1847. Entrei na itaipava, que é muito secca no principio, e seus canaes muito tortos. Ao meio dia encontrei seis ubás muito carregadas de mandiocas mansas e bravas, carás, batatas, bananas, ananaxes optimos, favas, canna e muitos outros generos, como redes, fio de algodão, cera, etc, enviado pelo capitão José. Aportei cedo em consequencia de se ter arrombado um dos barcos.
Dia 2. Larguei tarde, e puxando-se os barcos á sirga pelo canal da esquerda, pousei, antes de sahir da itaipava, na margem direita.
Dia 3. Tendo feito travessia para a margem esquerda, sahi da itaipava, e pousei á vista d’ella em umas ilhas. N’este dia veio ao meu encontro o capitão José com o seu enteado Joanabedô, trazendo muitos generos de roça. A satisfação d’elles pareceu completa, e o mesmo Joanabedô. Naturalmente mal encarado, e que a principio esteve muito fechado, tornou-se alegre e jovial á vista de ferramentas que lhe dei.
Enfim, todos elles não cessavam de repetir a cada momento- capitão(assim me tratavam) muito bom camarada, muito bom. Capitão Carajá manso, amigo muito, Carajá bom muito, Carajá tudo sua, - e outras muitas expressões, que me faziam ver que elles nos queriam certificar de que nada deviamos receiar da sua parte.
Dia 4. Com auxilio de uma ubá dos indios, ás dez horas do dia, matou-se um veado que atravessava o rio. O capitão Carô mandou-se entregar o veado, dizendo que a minha gente era muita, e que era obrigada a fazer muita força em consequencia do peso dos barcos. O capitão José tornou a adiantar-se. Ás seis horas aportei em uma ilhota de pedra e area defronte da aldea.
O capitão José salvou-me com tres salvas de armas de fogo, e a seu pedido sahi a terra com minha mulher, acompanhados tão somente de tres camaradas. Pondo o pé em terra, fomos rodeados de immensa multidão de homens, mulheres e meninos, circumstancia esta que me fez ver que suas palavras eram sinceras.
Todavia não deixava de causar grande terror,(o qual eu muito me esforçava por encobrir) o ver-me d’est’arte entregue á discripção de semelhante gente, da qual muitos tinham os corpos tintos de encarnado ou de preto ou de uma e outra cor juntamente, apresentando pinturas mui variadas, como quadros, circulos, meio circulos, xadrez, listas que figuravam algumas roupas nossas, como collete, camisa, etc, accrescendo a isto seus grandes cabellos, as armas de que muitos não largaram, e as altas vozerias e amiudadas risadas com que applaudiam ou escarneciam as nossas acções e palavras.
O capitão José dirigiu-nos á sua cabana, onde assentados em uma grande esteira se achavam, para nos fazer a honra da hospedagem, algumas pessoas da familia do capitão, preparadas em grande gala, tendo borlas no cabello, e outras cahidas até os peitos, algumas nas pernas, brincos de pennas variadas nas orelhas, pedaços de louça e muita missanga no pescoço, etc, sem comtudo haver entre elles vestuario algum, excepto uma especie de tanga, de que se servem as mulheres.
Fui muito obsequiado pelo capitão José, seus parentes e alguns mais. Muito sentiram porem que não houvesse em grande quantidade para receberem, a troco de seus generos, facas, tesouras, navalhas, ferros de carpinteiros, pentes, anzóes, arpões, espelhos e outras muitas miudezas, que muito apreciam.
Achando-se n’esta um desertor da companhia de pedestres de Goyaz, e querendo subir comigo, facilmente o consiguiu, custando porem o seu resgate dois machados. Estes indios nas aguas têm seus domicilios na terra firme do lado esquerdo, e na secca nas praias, onde fabricam suas cabanas, que são de uma construção muito fragil. O número d’estes na aldea do capitão José excede a duzentos e cincoenta, e os guerreiros que appareceram, pouco excederão a duzentos.
Dia 5. Partindo ás oito horas do dia, pousei defronte da barra do ribeirão dos Gradaús. Esta nação, segundo me disse o capitão Carô, tem suas aldeas distantes do Araguaya para o occidente tres dias de viagem, em umas grandes mattas. Estes indios são temiveis para os Carajás, e por essa razão pouco frequentam a margem esquerda do Araguaya.
Dia 6. Naveguei com algum incommodo, por ser aqui o rio falto de agua, e pousei avistando um grande travessão de pedra.
Dia 7. Cheguei cedo ao travessão de São Marcos, descarregou-se todo o sal, passaram-se os barcos para cima, e dormi na ilha que existe proxima. Havendo mais aguas, o canal encostado a terra firme do lado esquerdo deve offerecer melhor passagem.
Dia 8. Ao meio dia cheguei á aldea do meio ou Tauámerim. Esta aldea contem setenta cabanas, e está abaixo do governo immediato do capitão Carô. Acham-se aqui em grande abundancia os mais deliciosos ananazes, e os indios d’esta aldea applicam-se muito ao fabrico de redes. Tendo brindado os indios, e partindo ás duas, fiz pequena viagem por achar o rio com pouco fundo, e ser necessario descarregar um dos barcos.
Dia 9. N’este dia fiz mui pequena viagem por encontrar um travessão, em que me foi preciso descarregar em uma praia, e pousei na ilha das Pombas.
N. B. O Araguaya n’estas paragens é muito largo, e por isso muito falto de aguas para offerecer franca passagem aos barcos de negocio. O canal por onde passei é o da esquerda, todavia não duvido que exista um canal encostado á terra firme do lado direito.
Dia 10. Viajei pouco, por ser necessario descarregar um dos barcos por falta de aguas e pousei acima do travessão de São Luiz.
Dia 11. Foi necessario descarregar um dos barcos por falta de agua, e descansei ao meio dia quasi defronte de um campo, que na margem esquerda chega ao barranco do rio. A vista de um campo havia tanto tempo almejada não deixou de produzir alguns effeitos, pois que com ella reviveram esperanças que estavam quasi extinctas na mente da grande parte da gente da tripolação, e d’ahi em diante já se ouviam conversações sobre a chegada e nova viagem para o Pará.
Ás cinco horas da tarde cheguei á aldea denominada Tauá-Grande, na qual o capitão Carô tem a sua residencia. Esta aldea conterá umas duzentas e oitenta cabanas, e trezentos guerreiros mais ou menos. Eu brindei os indios da melhor maneira que me pareceu, esforçando-me por destruir a má satisfação que mostrava o capitão Carô por ter sido a aldea do capitão José muito bem aquinhoada de brindes. Achei portanto acertado deixar n’esta aldea maior numero de ferramentas do que a principio tinha tenção de dar.
Por desconfiar da sinceridade do Carô, tratei-o seccamente. Elle percebeu a minha má satisfação, e mostrou-se sentido. Mas com o offerecimento de mais ferramentas tornou-se ás boas.
Os indios d’esta aldea pareceram-me desconfiados, e menos fartos por não terem talvez tantas ferramentas como os da aldea do capitão José, que há tempos as podem obter por via dos indios Apinagés.
Dia 12. Vim pousar no travessão do Pilão, cujo canal offerece melhor passagem do lado esquerdo, por ter puxador muito direito, apezar de muito alto. Alguns indios com suas mulheres, que passavam para suas roças, mostravam-se receiosos de vir em pequeno numero ao lugar em que eu estava. Animando-se porem, a exemplo de um primeiro, ao qual fiz muitos agrados, não duvidaram vir receber a parte que lhes tocava, e em poucos momentos toda a pedreira ficou coberta de indios.
Dia 13. Passaram-se as cargas e os barcos para cima do travessão. Tres indios ajudaram no trabalho da cachoeira e voltaram mui satisfeitos com a recompensa que tiveram.
Dia 14. Ao meio dia aportei em uma ilha para concertar a igarité de descarreto. Durante o tempo necessario para esse fim tive occasião de observar que os indios d’essa ultima aldea tinham-se convencido de que não era nossa tenção fazer-lhes mal algum, pois que apresentando-se ahi em muito maior numero, e com mui poucas armas e sem cautela alguma, com suas mulheres e crianças espalharam-se por entre a tripolação, onde alguns se entregaram a um profundo somno e deram mostras de estarem saudosos com a nossa partida. N’este dia pousei no travessão da Chuva de Manga.
Dia 15. Descarregaram-se e puxaram-se os barcos sem muito trabalho. Doze indios desarmados apresentaram-se para ajudar-me a passar este travesão. Como porem eu não julgasse necessario, não se mostraram muito satisfeitos, mas não foi porque deixassem de trabalhar, porem sim porque viram frustradas suas esperanças de levar cada um sua ferramenta. Pousei em uma praia que denominei Santa Thereza.
Dia 16. Cheguei ao meio dia ao travessão do Páo d’Arco(29). Descarregaram-se os barcos, e fiz pouso com as canoas carregadas por cima. N’este travessão passou para cima o capitão Carô, para o fim de tirar buriti na cachoeira de Santa Maria.
(NOTA EXPLICATIVA(29). PAU D’ARCO É HOJE UMA PEQUENA CIDADE, ENTRE GARIMPINHO E CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA, NO PARÁ).
Dia 17. Passei um travessão fundo, e fiz pouso por baixo do travessão do Joncam.
Dia 18. Descarregaram-se os barcos nas pedras á direita, e passaram-se em um dos canaes do lado esquerdo. Descansei logo acima na margem direita, em um lugar em que o mato é muito estreito, e o campo offerece uma agradavel distracção. Naveguei a tarde em rio bom e pousei em uma bella praia.
Dia 19. A navegação d’este dia foi variada, pois que encontrou-se pedras, baixios, poços, etc. Pousei em uma pequena praia no meio do rio.
Dia 20. Avistou-se á direita uma linda serra, e duas ilhas que chamarei de São José pela semelhança que tem com uma do Tocantins que traz o mesmo nome. Consta-me haver n’ellas grande quantidade de indaiá(30). Fiz pouso na entrada do canal do lado esquerdo. Na margem d’esse mesmo lado entram tres ribeirões, e há um morro coberto de capim.
(NOTA EXPLICATIVA(30). INDAIÁ- PALMEIRA DE FRUTO COMESTÍVEL).
Dia 21. Naveguei sem novidade todo o dia, e fiz pouso em outras ilhas grandes. O canal do lado esquerdo é muito falto d’aguas, porem o da direita é intransitável. Estando de pouso ás oito horas da noite, chegou de cima o capitão Carô. Mostrou-se muito agastado contra os indios Chavantes(31) que, segundo elle dizia, lhe haviam armado emboscadas e, queixando-se que trazia muita fome, mandei-lhe dar que comer, com o que ficou muito satisfeito.
(NOTA EXPLICATIVA(31). EMBORA OS CHAVANTES(XAVANTES) NÃO SEJAM ESTUDADOS POR LIDIA BARROSO, EM SEU LIVRO OS POVOS INDIGENAS DO TOCANTINS(1999), ELES VIVIAM NAS MARGENS DO RIO ARAGUAIA, SEMPRE DO LADO DO PARÁ, NAS REGIÕES DE SANTA ISABEL E SÃO FELIX DO ARAGUAIA).
Instou para que lhe desse uma sacca de sal, a qual com effeito dei, e algumas miudezas mais. E assim despediu-se muito contente e satisfeito, dizendo que ficava esperando nas aguas as canoas grandes, que lhe haviam de conduzir espingardas, baetas, ferramentas e fardas que o general lhe havia de mandar.
Dia 22. Passei um secco e travessão fundo, e passei por baixo do travessão das Tres Portas(32), defronte do aprazivel lugar em que esteve collocado o presidio de Santa Maria(33), avistando a campina e linda pequena serra que se vê ao nascente.
(NOTA EXPLICATIVA(32). TRAVESSÃO DAS TRES PORTAS É HOJE CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA, NO PARÁ. EM SEU ROTEIRO, RUFINO NÃO MENCIONA CONCEIÇÃO PORQUE ESTAVA PASSANDO NA REGIÃO EM 1847 E O POVOADO DE CONCEIÇÃO SÓ PASSOU A EXISTIR A PARTIR DE 14.04.1897, FUNDADO POR FREI GIL VILA NOVA, APÓS SUGESTÃO DO NATURALISTA FRANCÊS HENRI COUDREAU E, NESTA ÉPOCA, CONCEIÇÃO PERTENCIA AO ESTADO DE GOIÁS. DO OUTRO LADO DO RIO, CHEGOU A EXISTIR UM POVOADO CHAMADO PORTO FRANCO, QUE HOJE(2005) SE CHAMA COUTO VELHO).
(NOTA EXPLICATIVA(33). O PRESIDIO DE SANTA MARIA FOI INSTALADO PRIMEIRO NA HOJE COUTO VELHO, ANTIGO NORTE DE GOIÁS(HOJE TOCANTINS) EM 1812, POR ORDEM DO PRINCIPE REGENTE DOM JOÃO VI. O PRESIDIO DE SANTA MARIA FOI FUNDADO ENTRE A ATUAL ARUANÃ(LEOPOLDINA) E A ATUAL MARABÁ(OUTRORA SÃO JOÃO DAS DUAS BARRAS), JÁ QUE A DISTÂNCIA ENTRE UM E OUTRO É DE 1.500 KM. COUTO VELHO FICA NO ANTIGO NORTE DE GOIÁS(TOCANTINS), NO LADO OPOSTO A CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA(PARÁ). ESTE PRESIDIO FOI DESTRUIDO PELOS INDIOS KARAJÁS, XAVANTES, XERENTES E KAIAPÓS, NO DIA 11.02.1813. EMBORA ESTES INDIOS SE CONSIDERASSEM INIMIGOS, TERMINARAM SE JUNTANDO PARA DESTRUIR O PRESIDIO. NESTA ÉPOCA, ERA COMANDANTE DO PRESIDIO, O TENENTE FRANCISCO XAVIER DE BARROS QUE FUGIU COM 38 PESSOAS, DEPOIS DO ATAQUE DOS INDIOS, MORRENDO QUASE TODAS NAS AGUAS DO RIO ARAGUAIA. O PRESIDIO FOI RECONSTRUIDO MUITO MAIS TARDE, EM 1850, EM OUTRO LUGAR OU SEJA NA HOJE ARAGUACEMA, NO ESTADO DO TOCANTINS, 288 KM DEPOIS, SUBINDO O RIO ARAGUAIA. RECONSTRUIDO NO GOVERNO DO 9º PRESIDENTE DE GOIÁS, EDUARDO OLIMPIO MACHADO, MAS DESATIVADO EM 1852. FOI NOVAMENTE RECONSTRUIDO EM 1859. ESTE NOVO PRESIDIO FOI COMANDADO PELO CAPITÃO JOSÉ MANOEL DA SILVA MARTINS, ACOMPANHADO DE 40 SOLDADOS. SOBRE O ASSUNTO JOSÉ MARTINS PEREIRA DE ALENCASTRE, EM SEU LIVRO ANAIS DA PROVINCIA DE GOIÁS(1863), FEZ UMA DESCRIÇÃO NOTÁVEL. TAMBÉM ELE TINHA SIDO O 16º PRESIDENTE DA PROVINCIA DE GOIÁS DE 22.04.1861 A 26.06.1862. A ELE COUBE TAMBÉM RESTAURAR O PRESIDIO DE SANTA MARIA, NA HOJE ARAGUACEMA, TOCANTINS, EM 1861).
Não obstante os muitos incommodos de espirito que então me agitavam, e a grande quantidade de mosquitos que me obrigaram a embrenhar-me no mato para poder passar a noite, todavia veio-me ao pensamento a idea de que, se não fora a grande imprudência e crueldade de um militar, poderia talvez estar existindo n’aquelle lugar uma linda povoação, podendo ter-lhe dado incremento aquelles mesmos indios que se tinham visto na dura necessidade de destruil-a ainda em seu principio.
Olhe-se pois para tão terrivel exemplo, e ver-se-há que se deve proceder de uma maneira bem diferente, se não se quizer ver reproduzidas scenas semelhantes, e se se quizer continuar a navegação pelo Araguaya.
Dia 23. Puxou-se no travessão das Tres Portas, e descarregou-se na primeira pancada forte da cachoeira de Santa Maria. N’esta pancada esteve para perder-se por duas vezes o barco maior. Para evitar-se semelhante risco é acertado pôrem-se ahi os barcos de meia carga. Pousei por baixo da Segunda pancada grande.
Dia 24. Procurei o meio do rio para passar sem maior incommodo um travessão que está por baixo da segunda pancada, passado o qual tomei para a margem direita, onde vim descarregar. O puxador é na pedreira do meio, para onde se faz travessia com bastante trabalho.
Dia 25. Naveguei encostado á margem do lado esquerdo e descansei meio dia em um aprazivel campo, onde havia grande quantidade de veados e pousei em uma extensa praia no meio do rio.
Dia 26. Falhei para caçar.
Dia 27. Naveguei pouco por não haver o que comer e pousei no pequeno travessão do lago.
Dia 28. Naveguei pouco por se demorarem alguns camaradas no campo e fiz pouso em uma ilha abaixo da itaipava dos Campos.
Dia 29. Passei parte d’aquella itaipava e pousei por cima de um forte gorgulho antes de chegar á sahida.
Dia 30 de outubro de 1847. Por volta de dez horas foi necessario descarregar um dos barcos por falta d’agua, e ás onze horas encostei na Ilha de Sant`Anna, falhando-se a tarde por motivo de caçar.
Entretanto achou-se uma taboa de canoa, na qual se viam gravadas as seguintes palavras: “Dia 31 de Outubro voltou o soccorro”. É inexplicavel a alegria que causou um semelhante achado. Todavia eu no primeiro momento duvidei do que lia, pois que estavamos ainda a 30 de Outubro.
Examinando porem as letras, vi que era nova a gravura e que havia falta de verdade n’aquela inscripção. Fui ao lugar em que se havia achado a taboa, e procedendo ás mais escrupulosas averiguações, conheci que havia uma differença de seis a oito dias entre aquelle em que se tinha alli deixado a taboa e aquelle em que nos achavamos.
Todavia tratei de despedir a ubá que eu havia comprado para servir de montaria para o fim de ir ao alcance do socorro, e com effeito partiram de madrugada tres camaradas e um dos pilotos com as informações necessarias para evitarem qualquer engano na entrada do furo do Bananal ou dentro do mesmo furo. Não valeram porem nem as minhas informações e nem a presteza que tanto recommendei. Foi irremediavel a falta em que chiu o conductor do soccorro por se ter retirado antes da minha chegada.
Dia 31 de outubro de 1847. Descarregou-se e passou-se pelo canal da direita encostado á ilha, e fiz pouso defronte da bocca de um grande lago(34).
(NOTA EXPLICATIVA(34). HOJE CIDADE DE LAGO DO COCO, NO RIO DO COCO, PERTO DE CASEARA, NO ESTADO DO TOCANTINS).
N. B. N’este travessão acabam-se as pedras do rio Araguaya na navegação para a cidade de Goyaz e se alguns pequenos travessões se encontram, não há n’elles perigo algum. Em geral, d’ahi para cima o rio é muito espraiado, porem nunca me foi necessario descarregar. Tendo pois vencido uma extensão do Araguaya, em que tinha trabalhado quasi constantemente em um rio empedrado, no qual se acharam trinta e quatro descarretos, assentei que bem pouco era o que me restava para vencer. Porem, enganei-me, muitos trabalhos me estavam ainda reservados.
Devo notar finalmente que, com quanto d’este travessão para cima se encontrem lindissimas praias que quasi constantemente se tocam, apraziveis barreiras(35) nas quaes o campo chega á borda d’agua, um sem numero de lagos em que existe uma immensa quantidade de peixe, e o rio seja ahi de boa navegação, todavia apezar de tudo isto, uma estranha monotonia torna a navegação muitas vezes enfadonha.
(NOTA EXPLICATIVA(35). BARREIRA É O LUGAR ESCARPADO NA MARGEM DO RIO, COM EXTENSÃO DE CERCA DE MEIA LEGUA(3 KM), ONDE NÃO HÁ MATO).
Dias 1 a 4 de Novembro de 1847. A navegação d’estes dias foi sem novidade. No ultimo porem teve lugar um facto que havia dias eu esperava, mas que eu não podia evitar.
Na contingencia de acabar-se a farinha continuando a dal-a em rações ordinarias, ou de tel-a em pequenas rações por mais tempo, preferi o segundo expediente. Isto porem dava causa a repetidas e rancorosas murmurações, das quaes pareceu-me quererem passar a vias de facto. Suspeitando pois algum trama, chamei a um camarada que me parecia cabeça, e entendendo-me com elle procurei fazel-o entrar na razão, e com effeito pareceu-me havel-o conseguido.
Por outra parte, ao mesmo tempo que isto se passava com os camaradas, os soldados que me tinham sido dados pelo governo da provincia para me auxiliarem n’esta viagem queixavam-se affrontosamente de haver o piloto pousado depois de Ave-Maria(36), chegando ao ponto de ameaçar que não poriam muita duvida em tirar-lhe a vida. Servi-me para com estes das mesmas armas de que me tinha servido para com os camaradas, e os espiritos pareceram-me acalmarem-se. Todavia eu bem pouco pude tranquillisar-me durante toda esta noite.
(NOTA EXPLICATIVA(36). É QUE OS MILITARES QUERIAM QUE O PILOTO PARASSE O BARCO EXATAMENTE ÁS SEIS HORAS DA TARDE, HORÁRIO DA AVE MARIA, PARA QUE ELES PUDESSEM FAZER AS SUAS PRECES, EM TERRA).
Dia 5. Desde que se largou do pouso entretiveram-se os principaes remeiros em continuadas murmurações, mostrando contra mim a maior indisposição, até que ás dez horas do dia, não podendo soffrer mais os seus desaforos, e quasi em um estado de desesperação, lhes disse que podiam livrar-se de todos os incommodos que lhes causava dando-me elles uma morte inevitavel com uma das armas de fogo, que tinham carregadas na prôa.
A murmuração cessou, e mudando eu a medida da ração de farinha, pude conseguir seguir a minha viagem com menos receios de perigos da parte da tripolação.
Taes foram as circumstancias em que me achei, sem que tivesse recursos contra os autores de semelhantes procedimentos, pois que os militares em muitas occasiões mostravam-se peiores. Á vista d’isto aconselho aos navegantes que devem embarcar sempre tão grande quantidade de farinha, e dar tão acertadas providencias sobre soccorros, que nunca lhes seja necessario lançar mão de medidas demasiadamente economicas.
Dias 6, 7 e 8. Navegando sempre, no dia 8 ás onze horas e meia cheguei á barra do furo do Bananal(37). Ao mesmo tempo que a tripolação e todas as pessoas de minha comitiva se entregavam a uma indiscreta alegria, o meu coração se contristava pela pouca quantidade de agua que então tinha o furo do Bananal.
(NOTA EXPLICATIVA(37). COMO SE VÊ, RUFINO CHEGOU À ILHA DO BANANAL, SEM TER FEITO REFERÊNCIA À REGIÃO DE ARAGUACEMA, ONDE FOI RECONSTRUIDO O PRESIDIO DE SANTA MARIA. É QUE O PRESIDIO SÓ FOI RECONSTRUIDO EM 1857, DEZ ANOS DEPOIS QUE RUFINO PASSOU PELA REGIÃO. RELEMBRE-SE QUE RUFINO PASSOU POR AÍ EM 1847. ASSIM, FURO DO BANANAL É O LUGAR EM QUE O RIO ARAGUAIA SE BIFURCA PARA FORMAR A ILHA. DE UM LADO ESTÁ O ARAGUAIA E DO OUTRO LADO, ESTÁ O SEU AFLUENTE O RIO JAVAÉS, TAMBÉM CHAMADO DE BRAÇO MORTO OU BRAÇO FALSO. COMO RUFINO ESTAVA SUBINDO O RIO, ALCANÇOU PRIMEIRO A PARTE NORTE DA ILHA).
Arrastou-se muito os barcos ás costas, e pousei a pouca distancia da entrada.
Dia 9 de novembro de 1847. Descarregaram-se e arrastaram-se os barcos. N’este dia começaram as chuvas de inverno.
Dia 10. Arrastaram-se os barcos, descarregaram-se e carregaram-se, e mudou-se de pouso. As chuvas continuam.
Dia 11. Cheguei a um areão ou banco de arêa, que tinha uma extensão de mais ou menos trinta braças(60 metros), em que quasi totalmente se descarregaram os barcos, não admittindo porem o canal encosto senão em uma distancia de meio quarto de legua(750 metros), foi necessario carregar a carga ás costas em toda esta extensão.
Vendo porem que por semelhante maneira era-me absolutamente impossivel vencer as difficuldades que de dia a dia se augmentavam, propuz a volta para fora do furo, e a viagem pelo braço grande. Mas não pude vencer a repugnancia que encontrei da parte do sargento de caçadores Antonio José de Azevedo, que havia descido o rio com o Conde de Castelnau(38), do piloto e quasi todos os camaradas e soldados, dos quaes uns me apresentavam uma morte certa entre as mãos dos Carajás, chegando o sargento a dizer que se eu me resolvesse a entrar pelo braço grande, elle com um ou dois soldados, seguiria por terra para São Joaquim de Jamimbú(39). O piloto e outros argumentavam com a esperança que tinham d’agua sufficiente, visto que nos achavamos quasi em meiados de Novembro(40). Cedendo pois, assentei de arrostar os trabalhos que eu antevia.
(NOTA EXPLICATIVA(38). O CONDE FRANCIS CASTELNAU, QUE ESCREVEU O LIVRO RETRATOS DO PARAUPAVA, NOME ANTIGO DO ARAGUAIA, ESTEVE NA REGIÃO DOS MARTYRIOS E FEZ ALGUNS DESENHOS, NO DIA 09.07.1844. ESSAS CACHOEIRAS TINHAM SIDO DESCOBERTAS EM 1673, PELA BANDEIRA DE BARTOLOMEU BUENO DA SILVA, PAI DO ANHANGUERA E REVISITADAS PELA BANDEIRA DE MANUEL DE CAMPOS BICUDO).
(NOTA EXPLICATIVA(39). O PRESIDIO DE SÃO JOAQUIM DE JAMIMBÚ ESTAVA LOCALIZADO NA HOJE REGIÃO DE LUIS ALVES, ESTADO DE GOIÁS).
(NOTA EXPLICATIVA(40). O MÊS DE NOVEMBRO É CONSIDERADO COMO O MÊS DO INICIO DAS CHUVAS DE INVERNO).
Dia 12. Carregaram-se os barcos, e tornou-se a descarregar logo acima.
Dia 13. Carregou-se a carga na igarité de descarreto, e arrastaram-se os barcos.
Dia 14. Trabalhou-se todo o dia da mesma maneira que nos antecedentes, mas nada se adiantou. E continuando as chuvas com muita força, houve um grande prejuizo no sal, por isso que faltavam n’estes lugares as folhas de palmeiras com que elle se podesse cobrir.
Eis pois as tristes circumstancias em que me via. Ou havia de ver anniquilar-se parte do carregamento dos barcos, que tantos sacrificios me havia custado para pôr n’aquellas alturas, ou havia de expor-me aos maiores padecimentos e desgraças, consumindo sem dar um passo, a pouca farinha que me restava!
Não sabendo porem o que era feito da ubá que eu havia mandado ao alcance do socorro, e achando-me cento e quarenta e tantas leguas distante do lugar onde podia achar algum recurso, restando apenas nove alqueires(41) de farinha para cincoenta e quatro pessoas, inclusive minha mulher, cuja resolução de acompanhar-me muito tinha contribuido para achar gente para a tripolação, e que eu vi então em circumstancias de perecer á fome, eu tinha razão de considerar-me nas mais tristes circumstancias!
(NOTA EXPLICATIVA(41). EMBORA NÃO SEJA UMA MEDIDA MUITO CONHECIDA, NOVE ALQUEIRES DE FARINHA CORRESPONDIA A 435 LITROS. COMO A COMITIVA DE RUFINO ERA DE 54 PESSOAS, HAVIA APENAS 8 LITROS DE FARINHA PARA CADA PESSOA. A FARINHA ERA O ALIMENTO BÁSICO NESTAS VIAGENS E SEMPRE SE FAZIA ACOMPANHAR DE PEIXE E CAÇAS).
Então ventilou-se a idea de deixar-se as cargas dos barcos em ranchos, para o fim de evitar-se os perigos que nos aguardavam. Chegando-me isto aos ouvidos, não me achei então com a força moral que tinha tido no dia 19 de Agosto. Todavia animei a gente, dizendo-lhe que o soccorro e as aguas(42) não deveriam tardar, e tratei de pensar no que faria.
(NOTA EXPLICATIVA(42). COM AS CHUVAS, AUMENTAVAM AS AGUAS E O RIO SE TORNAVA MAIS NAVEGÁVEL).
Em uma tal conjunctura resolvi subir para o Presidio de São Joaquim de Jamimbú(43), na igarité do descarreto, afim de procurar soccorros para evitar ao menos uma parte da desgraça a que estavamos expostos.
(NOTA EXPLICATIVA(43). SE ESTE PRESIDIO JÁ EXISTIA EM NOVEMBRO DE 1847, QUANDO RUFINO PASSOU PELA REGIÃO, NÃO PODERIA TER SIDO FUNDADO NA DÉCADA DE 1870, COMO DIZEM ALGUNS. ESTE PRESIDIO FICAVA PERTO DA ATUAL LUIS ALVES, NO ESTADO DE GOIÁS).
Tendo feito pois todas as recommendações que julguei convenientes, deixei os barcos entregues ao piloto e ao meu cunhado Hermenegildo Francisco de Azevedo(43a), que expontaneamente quis acompanhar-me n’esta viagem e no dia 15 larguei para cima. No dia 18 tendo quasi constantemente arrastado a igarité, apezar de vasia, encontrei o socorro que havia sido alcançado pelos meus enviados.
(NOTA EXPLICATIVA(43A). HERMENEGILDO FRANCISCO DE AZEVEDO ERA FILHO DE MANOEL FRANCISCO DE AZEVEDO E LÚCIA DE FRANÇA. ERA IRMÃO, PORTANTO, DE MARIANA FRANCISCO DE AZEVEDO SEGURADO, ESPOSA DE RUFINO. FOI ORDENADO PADRE EM 08.04.1848, PELO BISPO CEGO DE GOIÁS, DOM FRANCISCO FERREIRA DE AZEVEDO, LOGO DEPOIS DE TER VOLTADO DESTA VIAGEM FEITA COM RUFINO TEOTÔNIO SEGURADO. ESTA INFORMAÇÃO É DADA PELO CÔNEGO TRINDADE, EM SEU LIVRO LUGARES E PESSOAS(São Paulo, 1948, PÁGINA 190).
Então soube que a causa de tão grande demora havia sido o terem-se estes enganado na entrada do furo, e terem tomado pelo braço grande, onde reconheceram o seu erro depois de chegarem ás aldêas dos indios Carajás, os quaes os informaram da descida do soccorro, dizendo alem d’isto os mesmos indios que por alli não tinham elles voltado.
Soube além d’isto que, em consequencia d’essa informação, haviam os meus enviados regressado para entrar pelo furo, perdendo d’est’arte quatro dias de viagem.
Quanto ao soccorro, pode-se fazer idea do embaraço em que se viram os conductores d’elle, cujo encarregado foi um cabo de tropa de linha, de nome Joaquim Marques de Arruda, á vista da falta de verdade em que estavam comprehendidos, e dos trabalhos e despezas a que dava lugar sua anticipada retirada.
Sem que consultasse o que devia fazer, conheci que era occasião de por em pratica o meu pensamento de subir pelo braço grande, e assim no dia 19 cheguei aos barcos, onde achei tudo em paz.
A minha volta foi realmente um dia de festa. A minha presença, que não pouca confiança inspirava á tripolação, á vista de pessoas, das quaes muitas eram conhecidas, e em fim o socorro, apezar de pequeno, pois que chegou apenas sete saccas de farinha e algumas bagatellas mais, não devia produzir menos effeito. As esperanças renasceram e eu dei ordem para o regresso do furo.
Eu julgo dever notar que ao cabo foram entregues vinte e seis saccas de farinha, etc, mas o fado(a canseira) não permitiu que me chegassem mais do que sete.
Dias 20, 21 e 22. Gastaram-se estes dias em descer pelo furo, e ás onze horas do dia 22 tomei pelo braço grande.
Dia 23 de novembro de 1847. Despedi o cabo para buscar soccorro no presidio de São Joaquim de Jamimbú.
Dias 24, 25, 26 e 27. Naveguei sem novidade, e no dia 27 pousei na primeira aldea dos indios Carajás, cujo numero não passava de cinco cabanas. Estes indios estavam bem medrosos, tanto assim que tinham-se occultado, ficando apenas dois na aldea. Estes a muito custo consentiram que se aportasse na praia em que estavam. Mas afinal houve obsequios de parte a parte, e a noite passou-se sem susto.
Dia 28. Passei por uma aldea de Carajás e pousei em outra situada em uma praia abaixo de um estreito.
Dias 29 e 30. Encontrei uma ubá em que desciam tres Carajás, que foram com dois pilotos pescar em um lago sem pôr n’isso duvida alguma.
Dia 1 de Dezembro de 1847. Continuando a navegar pousei em uma aldea de indios da mesma nação, cujo capitão me fez presente de um delicioso pedaço de peixe.
Dia 2. Pousei em outra aldea, cujo capitão há pouco havia fallecido, mordido de uma cobra.
Dia 3. Descansei meio dia defronte de uma aldea no lugar em que há um pequeno travessão, e fiz pouso acima.
Dia 4. Passei o meio dia defronte de uma aldea, onde se acha um lago notavel pela sua grandeza, e pousei em uma praia do lado direito.
Dia 5. Continuei a navegar junto á margem direita, ficando-me muitas ilhas á esquerda, nas quaes é provavel que existisse alguma aldea. Fiz pouso na ponta de cima de uma grande ilha.
Dia 6. Depois de jantar cheguei a um lugar elevado na margem da direita, onde os Carajás têm um cemiterio. Eu quis ocularmente observar esse lugar e nada achei de notavel. As sepulturas são mui pouco profundas, e sobre ellas vi alguns páos ou varas, que sustentam uma esteira que cobre a terra. Pareceu-me que a terra que lançam na sepultura não é batida(socada). Pousei pouco acima d’esse cemiterio.
Dia 7 de Dezembro de 1847. Ás seis horas da tarde, cheguei á barra do Rio das Mortes(44). Este rio é o maior confluente do rio Araguaya, desde sua confluencia(encontro) com o rio Tocantins até este ponto. Devo porem notar que elle é muito menor que o mesmo Araguaya. N’essa noite avistaram-se fogos dos indios á pequena distancia.
(NOTA EXPLICATIVA(44). O RIO DAS MORTES É O MAIOR AFLUENTE DO ARAGUAIA E DESAGUA NA REGIÃO DE SANTA ISABEL OU MAIS PRECISAMENTE NAS IMEDIAÇÕES DA CIDADE DE SÃO FELIX DO ARAGUAIA, NO PARÁ).
Dia 8. Almocei na aldea, cujo capitão tomou o nome de João Leite de um meu cunhado que elle tinha visto na povoação de Salinas. N’essa aldea entregou-me um indio um bilhete, que me tinha deixado o sargento Azevedo, que havia subido em companhia do cabo Arruda.
Dias 9, 10, 11 e 12. N’estes dias foi copiosissimo o inverno, e o rio encheu consideravelmente, obrigando-se a servir dos ganchos e forquilhas(45) para poder navegar. No dia 12, fiz pouso, avistando a aldea do capitão Antonio.
(NOTA EXPLICATIVA(45). INSTRUMENTOS FEITOS DE PAU QUE, COM PEQUENAS DIFERENÇAS, SERVEM PARA MOVIMENTAR OS BARCOS NAS ÉPOCAS EM QUE OS RIOS ESTÃO CHEIOS).
Dia 13. Passei por essa aldea, a qual me ficou na terra firme do lado direito, onde se avistou a roça. À praia, vieram apenas quatro indios. Ao meio dia chegou-me um soccorro de cinco saccas e meia de farinha, e seguindo viagem ás horas do costume, fiz pouso em uma praia da esquerda por baixo de umas barreiras, que estão d’esse mesmo lado.
O capitão Antonio, que havia acompanhado o cabo Arruda, desceu n’esta occasião a encontrar-se comigo, a fim de receber alguns brindes. A montaria que havia conduzido o soccorro voltou para cima.
Dia 14. N’este dia não pude fazer viagem por se terem perdido dois camaradas no campo.
Dia 15. Deixei gente com a igarité de descarreto para procurarem os camaradas que se haviam perdido. Almocei em uma praia onde se achava o capitão Antonio, que com algumas familias regressava para a sua aldea.
Dias 16, 17 e 18. Naveguei sem que houvess nada de notavel, á excepção de achar o rio muito corrente, e ser-me necessario navegar sempre á gancho e forquilha.
Dia 19. Falhei á tarde por não terem apparecido os camaradas que tinham sahido a caçar.
Dia 20. Não apparecendo aquelles camaradas, e não me restando mais do que uma única sacca de farinha, ordenei que descessem tres camaradas em uma ubá de uns indios que ahi appareceram afim de ver o que era feito dos camaradas que haviam ficado perdidos no campo e subi na igarité a encontrar-me com um dos conductores do soccorro, que segundo me informaram os indios, achava-se na pesca dos pirarucús, perto do encontro dos dois braços da ilha do Bananal(46).
(NOTA EXPLICATIVA(46). COMO RUFINO SUBIA O RIO ARAGUAIA, CONSEGUIU CHEGAR NA PARTE FINAL DA ILHA DO BANANAL OU SEJA, ONDE SE DÁ A BIFURCAÇÃO, NA PARTE SUL DA ILHA. O RIO ARAGUAIA AÍ SE DIVIDE EM DOIS, FORMANDO O JAVAÉS, TAMBÉM CHAMADO BRAÇO MORTO OU BRAÇO FALSO. FURO DO BANANAL LEMBRA PARTE FURADA DA ILHA, ONDE NASCEM RIOS E CÓRREGOS. A ILHA TEM CERCA DE 500 KM DE COMPRIMENTO. TANTO QUE RUFINO GASTOU 30 DIAS PARA SAIR DO NORTE DA ILHA E CHEGAR AO SUL).
Dia 21. Voltei para o lugar em que se achavam os dois braços do rio, e ahi achei os camaradas que tinham apparecido. Mandei tres camaradas buscar soccorro na ubá, descansei no lago grande, e fiz pouso pouco acima.
Dia 22. Descansei defronte da ponta da ilha do Bananal, e pousei na entrada do canal que tem o nome de Braço Falso.
N. B. Tendo encontrado o braço grande(norte da ilha), no dia 22 de novembro, trinta dias se passaram primeiro que eu podesse alcançar a ponta de cima da ilha do Bananal(sul da ilha). Se não fossem as muitas falhas que tive, e a enchente que com tive de lutar, é provavel que esta viagem se podesse fazer em vinte dias.
Devo notar que este braço não é menos abundante de caça e de peixe do que o furo. N’elle se encontram muitos lagos, em que há grande quantidade de pirarucús, e muitos campos, onde pastam muitos rebanhos de veados. O mesmo rio offerece abundante pesca de muitas espécies de peixes grandes e pequenos.
As aldeas dos Carajás por onde passei constam em geral de oito a dez cabanas, contendo de vinte a trinta indios, todos muito miseraveis e preguiçosos. Eu brindei a cada uma d’essas aldeas com uma ou duas peças de ferramenta, e alguns objectos de menor valor. Todos elles me pareceram mui bem dispostos a nosso respeito, e mostram desejar que continue a navegação(47).
(NOTA EXPLICATIVA(47). É CLARO QUE OS INDIOS QUERIAM A NAVEGAÇÃO DOS BARCOS OFICIAIS(DO GOVERNO), PORQUE ESTES, QUANDO PASSAVAM, OFERECIAM PRESENTES AOS INDIOS. MAS OS BARCOS DE COMÉRCIO PARTICULAR NÃO PODERIAM FAZER GENTILEZAS PARA OS INDIOS, SOB PENA DE NÃO TEREM LUCROS).
Julgo dever fazer algumas observações sobre a grande ilha de Santa Anna. Esta ilha, cuja largura o conde de Castelnau avalia de vinte e cinco a trinta leguas, não tem de certo menos de cem leguas de comprimento(48).
(NOTA EXPLICATIVA(48). A ILHA DO BANANAL TEM CERCA DE 500 KM DE COMPRIMENTO E 30 LÉGUAS DE LARGURA OU SEJA 180 KM DE LARGURA. É CONSIDERADA A MAIOR ILHA FLUVIAL DO MUNDO. DENTRO DELA NASCEM VÁRIOS RIOS, ALGUNS COM CERCA DE 300 KM DE EXTENSÃO. MAS, INFELIZMENTE, ESTÁ SENDO DESTRUÍDA POR PASTAGENS PARA CRIAÇÃO DE GADO, SEM QUE NENHUM GOVERNO TOME PROVIDÊNCIAS). O MINISTÉRIO PÚBLICO TODOS OS ANOS AMEAÇA RETIRAR O GADO, MAS NUNCA CONSEGUE FAZÊ-LO).
Ella parece ser em geral baixa, tendo apenas algumas pequenas elevações cobertas de hervas pouco próprias de pastagens, e por essa razão ella é quasi sempre coberta d’um carrasco de mistura com um capim de altas dimensões, formando um denso capinal quasi impenetravel. E em outros lugares, que se assemelham mais a mato do que a campo. O caçador encontra tantos embaraços para penetrar no interior da ilha, que antes quer voltar do que seguir.
Todavia acham-se alli alguns campos, onde bem como na terra firme se encontram muitos veados. O cervo porem é a caça mais commum n’aquella ilha.
Dia 23 de dezembro de 1847. Cheguei ao largo do Zeferino, lugar em que haviam estado os indios Chavantes esperando os barcos afim de negociarem, segundo me havia informado um dos conductores do socorro.
Dia 24 de Dezembro de 1847. Posto que até este dia me não tivesse faltado farinha, todavia muitas murmurações iam apparecendo, e trabalhava-se já com pouca cautela e algum risco dos barcos. Por isso não duvidei consentir que fossem ver se encontravam com os indios Chavantes(49), entre os quaes esperavam achar algum recurso de mantimento.
(NOTA EXPLICATIVA(49). EMBORA CONSIDERADOS PERIGOSOS, OS INDIOS XAVANTES GOSTAVAM DE COMERCIALIZAR, DO QUE DÁ PROVA RUFINO SEGURADO, EM SUA VIAGEM DE 1847).
Dia 25. Andei até meio-dia, falhando por falta de farinha.
Dia 26. Ao meio-dia chegaram a tal ponto as murmurações, que minha mulher não querendo estar presente e retirando-se para terra, um camarada que notou este passo de prudencia com incrivel arrogancia disse: - quem não gostar do que estou dizendo metta algodão nos ouvidos.
Então julguei que me não convinha expôr-me por mais tempo a estes e outros semelhantes insultos, e embarquei-me na igarité de descarreto, tendo assentado de esperar os barcos no destacamento do Presídio de Jamimbú. Encontrando o soccorro mandei que seguisse para baixo ao encontro dos barcos, e eu continuei minha derrota para o destacamento, onde cheguei no dia 29 de Dezembro.
Dia 27. Os barcos estiveram amarrados, chegando na tarde d’esse dia o soccorro com o mantimento sufficiente para chegarem a São Joaquim de Jamimbú.
Dias 28, 29, 30 e 31. A navegação d’estes dias foi summamente penosa e arriscada em razão de se achar o rio com grande enchente.
Dia 1º de Janeiro de 1848. Chegaram os barcos ao Presidio de Jamimbú. Achando-me falto de viveres para continuar a viagem, entendi-me com o commandante militar sobre as providencias que se deviam dar a respeito e lisongeei-me de que em oito dias poderia seguir a minha derrota(viagem).
Mas não aconteceu assim. A falta de utensís necessários não permitiu que se me podesse apromptar vinte e tres alqueires(50) de farinha em menos de dezesseis dias. Accrescendo que as diligencias do commandante não obstavam a que grande parte da farinha que os roceiros iam fazendo não fosse distrahida nas vendas, que elles faziam aos camaradas e soldados. Bem extensos me pareciam estes dias em razão da grande quantidade de praga que ahi há!
(NOTA EXPLICATIVA(50). VINTE E TRES ALQUEIRES DE FARINHA CORRESPONDIA A, APROXIMADAMENTE, 1.104 LITROS).
Dias 16, 17 e 18. Naveguei com muito trabalho por causa da cheia do rio, mas este começou a mostrar vasante. Appareceram então fortes ataques de febres intermittentes.
Dias 19 a 26. Posto que o rio tornou-se melhor por ter vasado consideravelmente, todavia a viagem continuou vagarosa em razão de se achar a maior parte da tripolação atacada das febres. No dia 26 pousei defronte da capoeira de Manoel Pinto(51), pouco abaixo da barra do Rio Vermelho.
(NOTA EXPLICATIVA(51). A CAPOEIRA DE MANOEL PINTO, EM 1847, REFERE-SE AO QUE SE CHAMOU DE PRESIDIO DE LEOPOLDINA, DEPOIS PORTO DE LEOPOLDINA, HOJE ARUANÃ, NO ESTADO DE GOIÁS. A PARTIR DAÍ, RUFINO SEGURADO DEIXOU DE SUBIR O RIO ARAGUAIA E PASSOU A SUBIR UM DE SEUS AFLUENTES, O RIO VERMELHO QUE CORTA AO MEIO A CIDADE DE GOIÁS, ANTIGA CAPITAL DO ESTADO).
Dia 27 de janeiro de 1847. Ás oito horas da manhã entrei n’aquella barra. O rio ia um tanto cheio, e por isso naveguei sem incommodo, posto que o rio seja muito pequeno.
Dias 28, 29, 30 e 31. A navegação d’estes dias foi trabalhosa, por ser o rio de muita correnteza. No dia 31 ficou-me á direita a bocca do Lago dos Tigres(52).
(NOTA EXPLICATIVA(52). O LAGO DOS TIGRES ESTÁ HOJE LOCALIZADO NA CIDADE DE BRITÂNIA, ESTADO DE GOIÁS).
Dias 1º e 2 de Fevereiro de 1848. Continuaram as correntezas e por isso foi necessario grandes trabalhos para vencel-as.
Dia 3. Foi necessário arrastar os barcos, e o mesmo aconteceu por muitas vezes no dia seguinte.
Dias 4, 5 e 6. Continuou-se a arrastar os barcos, até que finalmente no dia 6 ás oito horas da manhã aportei no porto de Thomaz de Sousa(53).
(NOTA EXPLICATIVA(53). O PORTO DE THOMAZ DE SOUSA ESTÁ LOCALIZADO NA REGIÃO DA HOJE CIDADE DE SÃO JOSÉ, NO RIO VERMELHO, PERTO DA VELHA CAPITAL VILA BOA, HOJE CIDADE DE GOIÁS. NESTE PORTO, RUFINO DEU POR ENCERRADA A SUA VIAGEM NO DIA 06.02.1848, COM A CHEGADA DOS DOIS BARCOS PRINCIPAIS, NATIVIDADE E SANTO ANTONIO. GASTOU, PORTANTO, 10 MESES E 2 DIAS, SAINDO DE PORTO NACIONAL. COMO NA VOLTA SAIU DE BELÉM, NO DIA 19 DE MAIO DE 1847, GASTOU 8 MESES E 6 DIAS. PARA FAZER A MESMA VIAGEM, DE GOIÁS VELHO A BELÉM, EM 1935, DE BARCO MOTORIZADO, NO CHAMADO “EXPRESSO DO ARAGUAYA”, COM MOTOR DE 25 HP QUE DESENVOLVIA 4 LEGUAS(24 KM) POR HORA, O ROTARIANO ENGENHEIRO CIVIL E EX-PREFEITO DE SÃO PAULO ARMANDO DE ARRUDA PEREIRA, GASTOU 21(VINTE E UM) DIAS(29.09.1935 A 20.10.1935), CONFORME SEU LIVRO DIÁRIO DE VIAGEM-DE SÃO PAULO A BELEM-DESCENDO O ARAGUAYA).
Devo notar que eu tinha então farinha sufficiente, e facil me era haver a carne necessaria para continuar a minha viagem até o arraial da Barra, lugar em que eu tencionava findar a minha navegação.
Porem a falta d’agua no Rio Vermelho, o máo estado dos barcos, a grande quantidade de pedras e páos que se encontra n’aquelle rio, forçaram-me a fazer ponto n’aquelle porto, dando-me ainda por muito feliz de ter concluido a minha viagem, se bem que menos feliz do que eu esperava.
Desejando ainda dizer alguma cousa que possa ser util á navegação, eu apresentarei o meu modo de pensar sobre a maneira de fazer chegar á capital de Goyaz os carregamentos que subirem do Pará. O Rio Vermelho é incapaz de navegação de barcos de negocio, salvas algumas occasiões em tempo d’aguas, e por isso assento que deve haver um novo systema de navegação por esse rio.
Os barcos proprios são igarités, que deverão ser de um talho particular, isto é, razas, largas e de um comprimento proporcionado á largura.
Julgo que não me engano dando-lhes trinta e seis palmos de comprimento(7 metros), doze de largura, e dois e meio de fundo.
Estas igarités, cujo numero deverá ser o triplo dos barcos, deverão receber os carregamentos na barra do Rio Vermelho, no porto de Thomaz de Sousa ou na barra do Itapirapuã, conforme a agua que tiver o Rio Vermelho, e descarregar-se no arraial da Barra. Evitando-se d’est’arte as grandes despezas que se deve fazer nas conducções por terra de cada um d’aquelles portos ou de outros para esta cidade.
Recapitulando o que tenho feito ver da minha viagem, é claro que da confluencia do Araguaya ás primeiras aldêas vim em cincoenta e nove dias, d’estas á ponta debaixo da ilha do Bananal em trinta e quatro, e d’esta viagem seguida a São Joaquim de Jamimbú quarenta, e d’ahi ao porto de Thomaz de Sousa vinte e um, não contando a falha. Sommando cento e cincoenta e quatro.
Tantos foram os dias que gastei da barra do Araguaya ao porto de Thomaz de Sousa. Mas isto foi em consequencia de entrar muito tarde n ’ste rio.
Devo pois notar que descendo-se no tempo proprio, o que se deverá ter sempre em vista, da barra á Cachoeira Grande não se gastará mais de oito dias, e n’esta dez. D’esta ao sahir da cachoeira de São Miguel nove. D’esta ás aldeas seis. D’esta á cachoeira de Santa Maria treze. D’ahi á cachoeira de Santa Anna cinco. D’esta cachoeira á ilha do Bananal oito.
Da ponta de baixo da ilha do Bananal á ponta de cima vinte e quatro. D’ahi ao destacamento seis. Chegando a cento e nove os dias gastos dentro do Araguaya e Rio Vermelho. E sendo certo que se pode fazer viagem para o Pará em trinta dias, que se pode aviar o negocio em dezesseis, e gastar-se na volta até a barra sessenta, segue-se que toda a viagem poderá effectuar-se em sete meses e meio, isto é, o mesmo tempo que se gasta nas viagens da villa da Palma para o Pará pelo rio Tocantins em barcos de porte de mil arrobas.
Pela exposição que acabo de fazer é claro que, se por um lado é possivel a navegação pelo rio Araguaya, por outro é evidente que é necessario muito cuidadosamente evitar aquellas circumstancias que podem tornar desgraçada uma viagem por este rio.
Devo pois advertir que a descida deve ser cedo, isto é, no mez de Fevereiro, e no mais tardar por todo o mez de Março. Cada barco de negocio deve ter a sua igarité de descarreto e montaria de caçar. A farinha que ficar reservada para a volta em São João d’Araguaya não deve ser menos de dois alqueires por cada individuo.
Os navegantes devem ter em vista a sua posição entre os indios, e agradal-os o mais possível, evitando qualquer desavença por pequena ou particular que seja.
Resta-me enfim dizer que achando-se para mim reservada em parte a gloria de realisar um pensamento, que há tempo occupava os espiritos dos verdadeiros amigos da prosperidade da nossa provincia, eu me terei por muito feliz se a minha viagem produzir os fructos que d’ella se deve esperar.
Goyaz, 27 de Março de 1848.
Rufino Theotonio Segurado”.


NOTA FINAL DESTE ARTICULISTA:

Terminada a viagem em 06.02.1848(a viagem foi iniciada em 04.04.1847), RUFINO TEOTÔNIO SEGURADO voltou a sua condição de Juiz de Direito. Era Juiz da Comarca de Palma(hoje Paranã), quando faleceu na Fazenda Engenho, de sua propriedade, em Conceição do Norte(Tocantins), sepultado na Igreja Matriz, em 29.08.1868, com 48 anos de idade, na presença do Vigário João de Deus Gusmão que assinou a certidão, com os seguintes termos:
“Aos 29 de agosto de 1868, nesta vila e freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Norte do Bispado de Goyaz, sepultamos nesta Matriz do Arco para sima, com todos os sacramentos, o Doutor Juiz de Direito desta Comarca de Palma, Rofino Theotonio Segurado, pardo, casado com Dona Mariana Francisca de Azevedo e foi encomendado e acompanhado por mim, do que para constar, fiz este termo que assignei. Vigr. João de Deus Gusmão”

OUTRA NOTA: Uma das expressões desta Certidão diz: “sepultamos nesta Matriz do Arco para sima”. O texto quer dizer que Rufino foi sepultado num lugar especial da Matriz ou seja onde ficam os principais altares.


MÁRIO RIBEIRO MARTINS-PROCURADOR DE JUSTIÇA E
ESCRITOR.
SITE: www.mariomartins.com.br
CAIXA POSTAL, 90, PALMAS, TOCANTINS, 77001-970.
FONES: (063) 32154496. (063) 99779311.
HOME PAGE: http://www.genetic.com.br/~mario
E-MAIL: mariormartins@hotmail.com


“VOSSA SENHORIA”-
O MENOR JORNAL DO MUNDO.


(Nota: Este texto estava neste mesmo lugar(na Internet) e já tinha alcançado 165 visitas. Mas o computador o apagou e ele está agora começando da estaca zero). Coisas de computador!!!

Mário Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALEM DA FONTE).



Acabo de receber mais uma vez- edição de março de 2005- o menor jornal do mundo. Trata-se do VOSSA SENHORIA que tem uma longa e bela história. O exemplar que me chega às mãos, menor do que uma pequena caixa de fósforo, tem escrito: Ano LXX-Divinópolis, MG-Nº 553-A- Fundador: Leônidas Schwindt(1).
O VOSSA SENHORIA tem uma história edificante que merece ser divulgada. No dia 18.08.1935, na antiga Capital de Goiás, também chamada de Vila Boa, Goiás Velho ou Cidade de Goiás, começou a circular o pequeno jornal VOSSA SENHORIA.
Pode-se dizer que este jornal foi o embrião para o aparecimento do jornal O POPULAR, no dia 03.04.1938, pelos irmãos Câmara.
Na verdade, o pequeno jornal VOSSA SENHORIA foi fundado por Leônidas Schwindt, como “órgão oficial das oficinas gráficas POPULAR”. Tanto é que foi ele(Leônidas) o orador oficial da solenidade de lançamento em nome da classe dos gráficos, aliás, como se encontra na capa do primeiro número que teve tiragem de “50.000 exemplares” e a manchete “A grande festa dos gráficos”.
Este número de exemplares(50.000-cinquenta mil exemplares), salvo melhor juízo, era grande demais para Goiás Velho, cuja população não tinha mais do que dez mil habitantes.
Leônidas, como se sabe, era funcionário da Gráfica Popular, até então pertencente a Jaime Câmara e a seu sócio Henrique Pinto Vieira, na antiga Vila Boa. Como o VOSSA SENHORIA incomodava, chegou a ser proibido, mas nunca foi interrompido.
Jaime Câmara que tinha fundado o jornal A RAZÃO, de pouca duração, desfez a sociedade com Henrique Vieira e foi para Goiânia, onde fundou o jornal O POPULAR, em 03.04.1938.
Leônidas saiu de Goiás Velho, passou por Goiânia, Pirenópolis e Anápolis, de onde voltou para Minas Gerais. Dirigiu-se para Cambuquira, depois Curvelo e Pará de Minas. Nesta cidade, relançou o VOSSA SENHORIA, no dia 18.08.1946, sempre do tamanho de uma caixa de fósforo.
Mudou-se para Abaeté, em 1949, e lá continuou com o VOSSA SENHORIA. Transferiu-se para Belo Horizonte e deu continuidade ao menor jornal do mundo. Nos anos seguintes, foi para Pitangui e lá, além de dirigir o jornal local, continuou editando o VOSSA SENHORIA.
Em dezembro de 1956, mudou-se para Divinópolis e como fundou o jornal “DIÁRIO DO OESTE”, que dirigiu até a sua morte(09.11.1972), suspendeu a circulação do VOSSA SENHORIA.
Com a sua morte, seus filhos Lúcio Schwindt e Dolores Schwindt que continuaram a editar o “DIÁRIO DO OESTE”, em Divinópolis, voltaram também a publicar o VOSSA SENHORIA que hoje(2005) tem até endereço eletrônico: redacao@vossasenhoria.com.br
Com a morte do Lúcio em 04.05.2002, Dolores Schwindt continuou a publicar o VOSSA SENHORIA que tem endereço na Rua Minas Gerais, 1235, Divinópolis, MG, 35 500-007. Diante da importância do VOSSA SENHORIA é de se perguntar: QUEM FOI LEÔNIDAS SCHWINDT?
LEÔNIDAS SCHWINDT, de Uberlândia, Minas Gerais, 09.01.1906, fundou entre outros jornais, o VOSSA SENHORIA(1935), considerado o menor jornal do mundo, assim reconhecido pelo Guinness World Records, sendo destaque no GUINNESS BOOK.
Filho de Pedro Schwindt e de Maria Rita Meirelles Schwindt. Era o quinto filho, de oito irmãos. Cursou até o segundo ano ginasial. Como a família não queria que ele se dedicasse ao Jornalismo, fugiu de casa. Saiu pelo Brasil, empregando-se em gráficas e trabalhando em Jornal. Passou por São Paulo, foi para o Rio de Janeiro e finalmente Goiás.
Na antiga Capital de Goiás- Vila Boa ou Goiás Velho(hoje Cidade de Goiás) fundou o jornal VOSSA SENHORIA, enquanto trabalhava como gráfico nas OFICINAS GRÁFICAS POPULAR, de Jaime Câmara.
Com a mudança da Capital para Goiânia, por volta de 1933, foi para a nova capital e lá ajudou a fundar o jornal POPULAR(03.04.1938). Deslocou-se para Pirenópolis e depois Anápolis, onde foi amigo do jornalista Antonio Gomes Pinto(A.G. Pinto) que tinha fundado o jornal A LUTA(1931) que durou até 1958.
Com o passar do tempo, Leônidas voltou a Minas Gerais, onde fez jornal nas cidades de Cambuquira, Curvelo, Pará de Minas, Abaeté, Belo Horizonte, Divinópolis e Pitangui (onde viveu com a família só do jornal VOSSA SENHORIA que parou de circular em agosto de 1956).
Na cidade de Pará de Minas ele re-editou o VOSSA SENHORIA iniciando nova numeração em 1946. Em Divinópolis fundou o Diário do Oeste, em 02.12.1956, o primeiro jornal diário da cidade e região. Este jornal era feito em tipos. Ele sustentou a família de seis filhos e mulher só do jornal.
Morreu em 09.11.1972, em Divinópolis, com 66 anos de idade. Seu amor pela profissão era tanta que morreu na redação do jornal após colocar mais uma edição do “Diário do Oeste” na rua.
Deixou a esposa Benedita Nunes de Sá e 7 filhos: Ana Maria, Dolores, Lucio, Olga, Dulce, Leonice e Leonilda (do primeiro casamento). Com seu falecimento repentino, Lucio Nunes Schwindt assumiu a direção do jornal e a irmã Dolores Nunes Schwindt a redação.
Jornalista autodidata. Editava sozinho o “VOSSA SENHORIA”. Fazia de tudo: da redação à distribuição e ainda viajava divulgando-o e conseguindo verbas. Sempre trabalhou em gráficas onde fazia seu jornal.
Em 22.01.1956, enquanto perdurou o Estado de Sítio, suspendeu a circulação de seu “pequeno grande jornal” por não aceitar censura prévia. Foi um dos poucos jornais brasileiros a não se submeter a censura.
Ele foi um baluarte da imprensa interiorana. Dedicou sua vida inteira ao jornalismo. Muita coisa se perdeu de sua história, pois Leônidas pouco contava de sua vida e sobre o que havia feito, tanto que a família só veio a saber da existência do “VOSSA SENHORIA” depois de sua morte quando sua filha Dolores, em janeiro de 1985 resolveu reeditá-lo.
Muita gente viu na TV sua volta e enviou para a família jornais, livros e xerox do jornal da época de 35. Era um marido carinhoso e romântico, pai exemplar e um profissional ímpar. Ele ouvia pouco em conseqüência de seu amor pela natação tendo recebido, quando ainda jovem, vários títulos de campeão.
Seu filho Lúcio que tinha assumido a direção do jornal, faleceu ainda jovem, em 04.05.2002, ficando a responsabilidade sob os ombros de Dolores. A redação do VOSSA SENHORIA está na Rua Minas Gerais, 1235, Divinópolis, Minas Gerais, 35.500-007, tendo como e-mail: redacao@vossasenhoria.com.br
Sobre Leônidas, escreveu José Asmar, na página 247 do livro IMPRENSA GOIANA-DEPOIMENTOS PARA A SUA HISTÓRIA, dando outra versão: “Ainda em Anápolis, surgiu um dos menores jornais do mundo, sem exagero. Era VOSSA SENHORIA, formato 6x8 cms, fechado, composto em corpo seis e oito, por Leônidas Schwindt, excêntrico, pondo a imaginação adiante da surdez”.
Como José Asmar, na época, tinha cerca de 14 anos de idade(nasceu em 1924), não atentou para o fato de que o VOSSA SENHORIA já vinha de Goiás Velho, tendo passado por Pirenópolis e Anápolis. Em ambas as cidades(Pirenópolis e Anápolis), Leônidas imprimiu o VOSSA SENHORIA. Em Anápolis, foi impresso no jornal A LUTA, de A. G. Pinto.
Apesar de sua importância, Leônidas Schwindt não é estudado no DICIONÁRIO DO ESCRITOR GOIANO, de José Mendonça Teles, não é referido no DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO DE GOIÁS, de Lisita Júnior, não é citado em GOIANOS ILUSTRES, de José Ferreira de Souza Lobo, ou na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001, ou no “DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO”(2001, 5 VOLUMES, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou ainda www.mariomartins.com.br
Comentarios

Inclua  seu comentário                               

                                            

Nome:                               Mail:

 

                                              

CAPTCHA Image          

 




De sua nota para este Texto             
Currículo do Autor Exibido: Contador disponível só para assinantes - Assine Aqui
 
Receba um aviso sempre que este autor publicar novos textos, clique aqui
Patrocine esse Autor Patrocine esse Texto envie este texto para um amigoveja outros textos deste autor





VITRINA DE E-BOOKS
OS PROBLEMAS DO PAÍS E A FALTA DE ATITUDE DOS POLÍTICOS
Nilza Paiva
SESMARIA DE OUTONO
José Ernesto Kappel
O SEQUESTRO DO DEPUTADO
Djalma Ferreira
VITRINA DE LIVROS IMPRESSOS
HISTÓRIAS QUE CONTAVA PARA O MEU NETO
Maria Hilda de J. Alão
FUTEBOL TAMBÉM É COISA DE MULHER
Maria Teresa Innecco Corrêas
Dona Joaquina do Pompéu-Sua História e a sua Gente
Deusdedit P.R. Campos
BACABA II - TODA A VERDADE SOBRE A GUERRILHA DO ARAGUAIA E A REVOLUÇÃO DE 1964
José Vargas Jiménez
Estação Jugular - Uma estrada para Van Gogh
Allan Pitz
Estação Poética - Jandira Costa
Ana Carolin
Lina e Lero e o Castelo Mágico - Lina et Lero et le Château Magique
Ana Carolina Vieira
Kôra: o pressentimento do dragão
Ana Flávia Abreu
Humor Vermelho - vol. 2
org. por Barbara Cassará
Humor Vermelho - vol. 1
Isabella Saes
Ninguém quer comer meu ovo
Chef Batato (Barbara Cassará, Tatiana Berlim e Tomaz Adour)
VERTIGEM LUNAR
Fernando Pellisoli
A Última Entrevista de José Saramago
José Rodrigues dos Santos
Seu Adolpho
Felipe Pena
O Melhor da Pior Parte
JBruno Graciano
Contente em Ler - Cineastas – Volume I
Varios Cineastas
Divulgue seu livro