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Ensaios-->Prestes Guimarães, um General à Espera de um Biógrafo -- 25/07/2008 - 11:32 (Academia Passo-Fundense de Letras) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Prestes Guimarães, um General à Espera de um Biógrafo

Paulo Monteiro
(Da Academia Passo-Fundense de Letras,
do Grupo Pró-Mémória e da Academia Literária Gaúcha)

Os editores da Revista Somando solicitaram que eu escreva sobre a vida de Antônio Ferreira Prestes Guimarães. É, seguramente, uma das personalidades mais importantes e menos conhecidas da história de Passo Fundo. Até hoje não teve um biógrafo à altura de sua importância. Quando esse descobridor de tesouros escondidos aparecer, vai revelar um dos personagens mais ricos da História do Rio Grande do Sul, enterrado pelos coronéis de macega republicanos, seus rábulas, cronistas e capangas passo-fundenses.
Antônio Ferreira Prestes Guimarães nasceu aqui, no dia 13 de junho de 1837, filho de José Prestes Guimarães e Maria do Nascimento Rocha. Sua mãe era filha do cabo Manoel José das Neves, primeiro morador branco a estabelecer-se na atual área urbana de Passo Fundo.
Até o momento não se conseguiu apurar onde realizou seus estudos. Foi professor e, aos 27 anos, abriu a primeira banca de advogado no Município, já secretariando o comando da Guarda Nacional e, no ano seguinte, 1865, era suplente de delegado de polícia. No período de 1870 a 1873 ocupou a segunda suplência de Juiz Municipal. Foi Juiz de Paz e secretário da Câmara Municipal de Passo Fundo, que presidiu entre 1883 e 1886, o que lhe dava a condição de prefeito. Exerceu o mandado de Deputado Estadual nas legislaturas de 1885, 1887 e 1889.
Foi o primeiro serrano a exercer o cargo de presidente da Província (governador do Estado) entre 25 de junho e 8 de julho de 1889. Major da Guarda Nacional, A Federação, órgão do Partido Republicano Rio-Grandense, perseguiu-o diariamente durante o seu governo com sátiras atribuídas a Ramiro Barcellos, que se tornaria imortal com o poema Antônio Chimango, escrito sob o pseudônimo de Amaro Juvenal, criticando o governo de Borges de Medeiros.
Sérgio da Costa Franco, em "Os Manuscritos de Prestes Guimarães" , transcreve alguns desses "triolets":
Major meu, do Passo Fundo,
Acho arriscado o teu passo;
Não é pra qualquer do mundo
Ser delegado do paço.
Precisa ter algum fundo
Quem toma régua e compasso.
Major meu, do Passo Fundo,
Acho arriscado o teu passo.

O fundo passo que deu
O major do Passo Fundo,
Creio ser ele oriundo
Dos paços do Conde D`Eu.
Vai ser mesmo um jubileu
De alegrar a todo mundo
O fundo passo que deu
O major do Passo Fundo.
Nas eleições de abril de 1891 concorreu à Assembléia Legislativa pela União Nacional. O sistema eleitoral da época fez com que somente os candidatos do Partido Republicano Rio-Grandense fossem eleitos. Em novembro desse ano liderou a ocupação militar de Passo Fundo, reunindo os caudilhos liberais passo-fundenses. E não parou mais em sua ação militar até o fim da Revolução de 1893, ocorrida em dezembro de 1895.
Depois da pacificação permaneceu algum tempo fora de Passo Fundo, retornando a sua terra natal assumindo seus trabalhos como advogado e militante político até seu falecimento, aos 74 anos, de idade, a 19 de setembro de 1911. Seus restos mortais repousam no Cemitério Municipal da Vila Vera Cruz.
Os dados biográficos de Prestes Guimarães escritos por Sérgio da Costa Franco, responsável pela publicação em letra de forma de A REVOLUÇÃO FEDERALISTA EM CIMA DA SERRA é a base para todas as biografias do "major do Passo Fundo". Muito pouco foi acrescentado à história pessoal do homem que liderou a Campanha Abolicionista em sua terra natal.
Um homem que chegou à presidência da Província representando uma região sem qualquer importância política, à época, deve ter sido um tipo especial. Gaspar da Silveira Martins e os liberais fronteiriços que comandavam a política sul-rio-grandense daqueles tempos não colocariam como 1º vice-presidente do Rio Grande qualquer um "major do Passo Fundo". E é exatamente isso que se constata numa rápida pesquisa sobre sua vida.
Como parlamentar enfrentou os políticos conservadores, mostrando um desassombro comprovado posteriormente no campo de batalha. Sirva de exemplo o debate travado com o deputado conservador Gervásio Lucas Annes, denunciando as arbitrariedades cometidas em Passo Fundo, no período em que o Partido Conservador assumiu o governo. O debate com Gervásio Luccas Annes é um documento cabal do quanto era violenta a política em Passo Fundo, no século XIX, demonstrando que a violência era praticada por qualquer dos partidos que se achasse no poder .
A Revolução Federalista começou em Passo Fundo no mês de novembro de 1891 quando Antônio Ferreira Prestes Guimarães, à frente dos caudilhos serranos, ocupou a cidade pondo em fuga os republicanos. Com a definição da Fronteira como centro do movimento armado o comandante serrano para lá se dirigiu, sem desmobilizar seus liderados, que permaneceram à espera de ocasião melhor para recomeçarem as ações bélicas.
Quando Gomercindo Saraiva, acossado por forças uruguaias, invadiu o Rio Grande do Sul nos primeiros dias de fevereiro de 1893, Prestes Guimarães estava entre os exilados e como um dos principais comandantes militares.
A 13 de março de 1893 o general Joca Tavares, chefe militar maior dos insurretos, oficiava ao coronel David Martins, comandante da 1ª Divisão do Exército Revolucionário, para que "cientificasse as forças sob seu comando e aprovando sua indicação do Coronel Antônio Ferreira Prestes Guimarães para seu substituto no caso se agravassem os seus incômodos de saúde. E ao coronel Prestes Guimarães ordenando que lhe comunicasse logo que lhe fosse passado o comando da Divisão do Coronel David para ser ratificado o ato" . Logo adiante, nessa mesma obra, aparece o segundo manifesto federalista, agora com a assinatura dos principais comandantes, entre eles o coronel passo-fundense. A 17 de março Joca Tavares recebia correspondência em que Prestes Guimarães comunicava ter assumido o comando da 1ª Divisão. A 11 de abril o coronel serrano era cumprimentado pelo general Joca Tavares, que louvava "o seu ato de abnegação e patriotismo por ter passado o comando da 1ª Divisão ao Coronel Salgado e agradecendo em nome do Exército Libertador os serviços por ele prestados durante o tempo de seu comando". Confiava que fora dele, continuaria a prestá-los, pois eram de valor inestimável.
Entre os "serviços prestados" estavam a ocupação de Alegrete, a 19 de março, e as vitórias sobre a Brigada Santos Filho nos combates do Lajeado (26 de março) e da Jararaca, no dia seguinte, inclusive com a prisão do comandante legalista, algumas das mais importantes vitórias iniciais da Revolução.
Prestes Guimarães participou de outras operações militares na Fronteira, como a Batalha Campado Inhanduí 3 de maio de 1893) e liderou, um grupo de 100 maragatos armados em Palmas, estendendo a Revolução Federalista ao Oeste dos atuais estados de Santa Catarina e Paraná. Ali agiu em combinação com diversos "coronéis" que se opunham ao governo de Floriano Peixoto e abrigavam os perseguidos da ditadura castilhista.
Após um período de exílio na Argentina, a 14 de fevereiro de 1894, acompanhado de "alguns companheiros", Prestes Guimarães reingressou no território brasileiro. A 12 ou 13 de março, em Santo Ângelo, foi aclamado general pela brigada de Ubaldino Machado, coronel maragato de Palmeira das Missões, formando o Exército Libertador Serrano, com revolucionários de Palmeira das Missões, Passo Fundo e Soledade.
A 4 de abril chegou a Passo Fundo. No dia seguinte a cidade era invadida pela Divisão do Norte, comandada pelo general Francisco Rodrigues Lima, enquanto os maragatos seguiam na direção de Soledade. Reunidas as forças revolucionárias de Passo Fundo e Soledade, a 6 de junho, no Combate dos Três Passos, a Divisão do Norte, reforçada pela Brigada Santos Filho, acabou sendo atraída e desbaratada pela cavalaria serrana. Tiveram 150 mortos, um número desconhecido de feridos e perderam grande quantidade de armamento e munições.
Depois da derrota dos Três Passos os legalistas foram se entricheirar na Fazenda dos Mello, onde, a 27 de junho de 1894, travou-se a Batalha do Pulador, com 1.014 mortos. Prestes Guimarães comandou 800 cavalarianos do Exército Libertador Serrano, que não conseguiram operar com toda a eficiência devido às condições do terreno.
Dali seguiu com Gomercindo Saraiva em direção à Fronteira. Depois que o comandante Gomercindo foi morto em Carovi, a 10 de agosto, Prestes Guimarães resolveu ingressar em território argentino e a maioria dos seus comandados optou por voltar para Passo Fundo, Palmeira das Missões e Soledade.
Joca Tavares preserva um documento importante. É uma carta de Pedro Nunes da Silva Tavares, expedida de Rivera a 29 de junho de 1895, narrando a morte do almirante Saldanha da Gama no Combate de Campo Osório, a 24 daquele mês, e outra vitória de Prestes Guimarães sobre a Divisão do Norte, agora em pleno território argentino. "Dias antes do combate de 24 a que estou me referindo - conta Pedro - o Almirante recebeu do Coronel Prestes Guimarães a seguinte comunicação: Molina auxiliado pelas forças de Pinheiro Machado invadiram a capital de Corrientes, sitiando o palácio do governo, este escapou-se, digo, Presidente escapou-se e foi dar no acampamento de Prestes Guimarães, pedindo proteção. Reunindo-se a este e mais patriotas, voltaram a Capital e atacaram os revolucionários, derrotando-os completamente, aprisionando muitos oficiais da força de Pinheiro Machado e General Lima, tomando todo o armamento e munições, e um canhão de tiro rápido (...)"
A informação enriquece ainda mais a biografia de Prestes Guimarães ao falar sobre a invasão da Argentina por forças sob o comando de um senador brasileiro e a defesa do governo de Corrientes pelos exilados gaúchos, liderados pelo chefe do Exército Libertador Serrano. Reforça a importância, como comandante militar, do "major do Passo Fundo", como era tratado pejorativamente pelos castilhistas.
Não quero me alongar, nem há espaço neste periódico, na biografia de Antônio Ferreira Prestes Guimarães. O biógrafo que está a exigir, com toda a certeza, vai demonstrar que o general passo-fundense ombreia com Gomercindo Saraiva como um dos maiores comandantes maragatos da Revolução Federalista. Além de liderar forças na Serra e na Fronteira, comandou a luta no Oeste do Paraná e Santa Catarina e garantiu a posse do governo da província argentina de Corrientes, derrotando uma invasão brasileira.
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