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Cordel-->A minha INFÂNCIA dourada -- 19/04/2005 - 17:50 (José de Sousa Dantas) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A minha INFÂNCIA dourada, os anos não trazem mais
José de Sousa Dantas, em 19/04/2005

Eu tenho grande saudade
do meu tempo de criança;
está na minha lembrança
a velha propriedade,
que mantém a identidade,
os seus costumes locais,
os modos, os rituais,
toda a tradição formada.
A minha infância dourada
os anos não trazem mais.

No meu tempo de criança,
no ambiente feliz,
me aliava aos guris,
colegas da vizinhança,
numa vida de bonança,
cheia de felicidade,
me divertia à vontade,
brincando com a meninada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu relembro quando eu ia
nos domingos visitar
as pessoas do lugar,
com meus pais na companhia,
era grande a alegria,
brincar nos meios rurais,
com meus amigos leais,
em cada nobre morada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Do alpendre da vivenda,
eu contemplava a beleza
da excelsa natureza,
as paisagens da fazenda.......
Eu me lembro da moenda,
das produções sazonais,
dos alfenins colossais,
da batida temperada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu tenho recordação
do tempo bom que se foi,
do velho carro de boi,
nossa melhor condução,
que cantava com o cocão,
nas estradas vicinais,
cujas notas musicais
advinham da toada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Corria pelo terreiro,
no meu cavalo de pau,
arrodeava o jirau,
seguindo pelo aceiro,
passando pelo barreiro,
espantando os animais,
de outros, corria atrás
até a mata fechada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

É belo ver o vaqueiro,
no seu cavalo montado,
cantando e tangendo o gado,
no campo, no tabuleiro,
transpondo despenhadeiro,
espinhos e cipoais,
garranchos e carrascais,
na condução da manada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

No período do inverno,
começando de janeiro,
eu curtia o tempo inteiro,
vendo a mudança de terno,
do campo verde e moderno,
no brilho dos vegetais,
das ervas e cereais,
fruto da terra molhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Com a chegada da chuva,
de repente muda o clima,
o sertanejo se anima,
em todo canto há saúva,
sai canapu, como uva,
no aceiro dos currais,
no meio dos matagais,
na época da invernada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Tomava banho no rio,
no riacho e no açude,
naquele ambiente rude,
aconchegante e sadio,
ainda hoje aprecio
as riquezas naturais,
os mais belos visuais,
daquela terra sagrada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Nunca me sai da lembrança
a aurora, o nascer do sol,
aquele grato arrebol,
a brisa suave e mansa,
o orvalho da ervança,
o plantio nos quintais,
nas baixas, os arrozais,
e algodão, na lombada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro-me da embuzada,
mel de abelha, rapadura,
a melancia madura,
mingau, cuscuz, maxixada,
arroz, feijão, carne assada,
comidas regionais,
os filhós, os mungunzás,
manteiga, queijo, coalhada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

O canto da acauã,
do rouxinol, do concriz,
seriema, codorniz,
juriti e jaçanã,
canário, maracanã,
rolinhas e sabiás,
graúnas e carcarás,......
com início na alvorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Um canário cantador,
nas galhas da catingueira,
na linha da cumeeira,
que parecia um tenor,
gorjeando com fervor,
pelos pátios e currais,
descampados e frechais,
a partir da madrugada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro quando procurava
ao redor de casa ninhos
dos alegres passarinhos,
alguns deles, encontrava,
muito contente eu ficava,
transparecendo demais
nos meus olhos os sinais,
pela aventura alcançada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Cacei ninho de galinha
e guiné, pelo aceiro
do terreiro e tabuleiro,
por perto dos pés de pinha,
de moita, de vassourinha,
por dentro dos capinzais,
das cercas, dos milharais,
e do lado da calçada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro as flores de pereiro,
velame e mandacaru,
catingueira, cumaru,
de angico e marmeleiro,
de jurema e juazeiro,
dos diversos roseirais,
cor amarela, lilás,
branca, azul, verde e pintada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

A argolinha, o São João,
os contos, a cantoria,
o passeio, a pescaria,
as domingueiras, leilão,
o rosário, a procissão,
as atrações culturais,
as festas habituais,
casamento e farinhada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

De vez em quando me lembro,
das quadrilhas do São João,
mamulengo, apartação,
e aniversário em novembro,
as festas até dezembro,
nos diversos arraiais,
que são tradicionais,
cada uma é recordada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Toda área nordestina
mantém sua tradição,
faz a comemoração
da grande festa junina -
atraente e genuína,
com sanfoneiro tenaz,
e o forró nos satisfaz,
debaixo de uma latada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Tive uma infância ditosa,
modesta, rica, abundante,
divertida, fascinante,
atraente e prazerosa,
sadia, maravilhosa,
cheia de vigor e paz,
com lições fundamentais,
para a minha caminhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu tive a felicidade
e a grata satisfação
de viver no meu sertão,
com fé e prosperidade;
depois vim para a cidade,
no meu tempo de rapaz,
cultivar meus ideais,
numa escola renomada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Estou morando distante
do lugar que fui criado,
mas meu pensamento alado,
com meu peito palpitante,
vai bater lá num instante,
para reviver assaz
os momentos principais
daquela fase passada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quando relembro os momentos
do meu tempo de CRIANÇA,
o meu sonho de esperança,
mexe com meus sentimentos,
nas asas dos pensamentos,
viajo correndo atrás
dos dias iniciais
daquela fase adorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Toda a minha trajetória
do meu tempo de INFÂNCIA
foi cheia de exuberância,
de esplendor e de glória;
reviver essa história
me anima e me apraz,
me fortalece e me faz
escrever essa balada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quando chego no lugar
que nasci e fui criado,
fico emocionado,
dá vontade de ficar
mais tempo, pra desfrutar
das atrações matinais,
vespertinas e reais
de uma noite enluarada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

QUER VER MEU PEITO APERTAR,
ME FALE DO MEU SERTÃO !
Eu sinto forte emoção,
recordando o meu lugar -
meu berço nobre, exemplar,
não esquecerei jamais,
nesses versos pessoais,
minha paixão é notada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Fazendo comparação,
da minha INFÂNCIA querida
com minha forma de vida,
é grande a transformação;
me desperta a atenção
pra aqueles tempos atrás
e a minha memória traz
uma saudade danada !
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quero sempre agradecer
a DEUS, pela minha vida,
a minha INFÂNCIA querida,
que me ajudou a vencer;
pelo que pude aprender
com as lições dos meus pais
e dos velhos ancestrais,
pra seguir minha jornada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.


Casimiro de Abreu e Leandro Gomes de Barros assim se expressaram nos seus poemas bucólicos e telúricos:

MEUS OITO ANOS
Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

.....................................

SUSPIROS DE UM SERTANEJO
Leandro Gomes de Barros

Aquela terra de amores
do meu coração não sai !
Visito-a sempre por sonho:
às noites minh’alma vai
ver a terra onde primeiro
chamei mamãe e papai !

As tardes lá são tão belas
e chamam tanta atenção,
que embrandecem de momento
o mais duro coração –
não pode cantar no mundo
quem nunca foi ao sertão.

Com a chegada da chuva,
os passarinhos em folia,
parece se reunirem
para festejar o dia:
é uma orquestra sublime,
festa de mais POESIA !

...........................
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