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Ensaios-->O mito dos ossos de Che Guevara -- 20/03/2007 - 15:08 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Os ossos do mito Che Guevara

Mario Vargas Llosa

O Estado de S. Paulo, domingo, 4 de março de 2007

Os jornalistas Maite Rico e Bertrand de la Grange - ela, espanhola, e ele, francês - se especializaram em reportagens tão fascinantes quanto politicamente incorretas e, por isso, polêmicas. Em 1998, publicaram uma minuciosa investigação mostrando o contraste entre o mito e a realidade do Subcomandante Marcos, revelando todas as enganações e detenções provisórias
sensacionalistas que inflaram a figura do mascarado de Chiapas, então em pleno apogeu (e, hoje, reduzida ao obscurantismo). O segundo livro deles, lançado há três anos, Quem matou o bispo: Autópsia de um crime político, é um rastreamento tão exaustivo quanto apaixonante do bárbaro assassinato ocorrido em 26 de abril de 1998 na Cidade da Guatemala do bispo Juan Gerardi e da teia de intrigas e corrupção que o cercou.

Agora, o casal, indiferente à hostilidade e às tentativas de calar suas verdades incômodas das quais foram vítimas suas obras anteriores, volta numa extensa reportagem da revista Letras Libres, dirigida por Enrique Krauze, intitulada Operación Che. Historia de una mentira de Estado (Operação Che. História de uma mentira de Estado), que irritará muita gente, sobretudo a vasta confraria de devotos de Che que tem peregrinado ao imponente mausoléu erigido pela Revolução Cubana em Santa Clara, onde estão os restos.

Estes despojos foram encontrados em julho de 1997, junto com os de outros seis guerrilheiros numa vala comum nas vizinhanças do aeroporto de
Vallegrande, na Bolívia, por uma equipe cubana - três engenheiros, um antropólogo forense, um arqueólogo e uma historiadora - chefiada pelo doutor Jorge González, então diretor do Instituto de Medicina Legal de Havana. Os restos foram retirados de Vallegrande e levados a Santa Cruz de la Sierra, onde os legistas cubanos juntaram os ossos e realizaram as necrópsias obrigatórias. Lá, o doutor González anunciou que a "ossada número 2" era inequivocamente de Che. Faltava-lhe as mãos (depois de assassiná-lo, o Exército boliviano ordenou que suas mãos fossem cortadas para ter provas de sua morte), e a arcada dentária coincidia com a ficha dentária do
guerrilheiro. Além disso, na vala comum, foram encontrados o cinturão e a jaqueta com os quais Che foi fotografado depois de morto.

A Bolívia permitiu o traslado dos restos mortais de Che, que voltaram para Cuba em 12 de julho de 1997. Por uma feliz coincidência, o corpo chegou à ilha a tempo para os festejos da comemoração do assalto ao Quartel Moncada, de 26 de julho. Três meses depois, numa cerimônia apoteótica, a ossada
ilustre foi alojada no mausoléu de Santa Clara ante milhares de cubanos e consagrada com um discurso quilométrico de Fidel Castro. O ano de 1997 - outra coincidência oportuna - havia sido declarado em Cuba como "O ano de Che" em memória ao 30º aniversário de sua morte.

Os jornalistas entrevistaram na Bolívia, em Cuba e na Argentina um grande número de pessoas envolvidas de alguma maneira com a procura dos restos mortais. Examinaram e compararam todos os testemunhos históricos e jornalísticos capazes de lançarem alguma luz sobre o tema.

De tudo isso, a dupla concluiu que os restos mortais de Che não são os que repousam no mausoléu de Santa Clara, que esses nunca foram encontrados e que o suposto achado foi uma pura encenação teatral rigorosamente forjada para
agradar Fidel que, num momento difícil, quase crítico, para a Revolução Cubana por causa do colapso da União Soviética e o fim dos vultosos
subsídios que dela recebia, decidiu montar uma grande mobilização revolucionária em torno da figura mítica do "guerrilheiro heróico" para
desviar a atenção.

Não posso resumir aqui todos os argumentos com os quais os jornalistas fundamentam sua denúncia, pois são muito numerosos. Mas como pôde ser
possível que a descoberta dos restos mortais de Che não tenha sido questionada por instâncias científicas internacionais apesar do fato de o
dr. González e sua equipe nunca tê-los submetidos ao teste de DNA, perguntam os autores. Não é impossível que a hipótese levantada pelos jornalistas seja correta. Fidel precisava que o cadáver de Che reaparecesse oportunamente
para dar-lhe uma mão na grande operação para desviar a atenção e a manipular a opinião pública cubana, golpeada duramente pela crise econômica e pela incerteza. Assim, toda a máquina do Estado se pôs em marcha para encontrar o corpo, ou inventar um, se não aparecesse o verdadeiro. Por isso, a vala comum de Vallegrande foi aberta à noite, fora do horário permitido para a
escavação e, por isso, a "ossada número 2" nunca foi submetida a um exame de DNA.

O restante, acrescentaria eu, foi feito pelo mito por si mesmo.

O mito exigia que os restos mortais de Che aparecessem. Por isso, quando aconteceu, todos que os esperavam acreditaram sem pensar duas vezes. É assim que, às vezes, é escrita a História. E é assim que a realidade cinzenta é
enriquecida pelas belas ficções.

***

Comentário

Félix Maier

Em 11/10/2000, eu havia escrito um texto humorístico em Usina de Letras, "Las viudas de Che" (As viúvas de Che) - http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=23&cat=Roteiro_de_Filme_ou_Novela&vinda=S -, em que colocava em dúvida a autenticidade dos ossos de Che Guevara encontrados na Bolívia. Na época, a coisa foi feita às pressas, não houve testes de DNA e não li nenhum texto de caráter científico a respeito do assunto nos jornais e revistas - daí minha suspeita de que tudo aquilo poderia ser mais uma esperteza esquerdista para enganar incautos, mestres que são na arte da enganação. Apesar da falta de testes, os ossos então encontrados passaram a ser a "prova" inconteste de que eram mesmo de Che, historinha marota logo aceita sem contestação por toda a Peste Vermelha do planeta.

Dúvidas sobre a autenticidade dos ossos de Che? Que se façam os devidos exames de DNA e pronto! Obviamente, tal exame deve ser feito por uma junta de cientistas independentes, não comprometidos com a ditadura cubana.

Em 16/10,2002, foi publicado o mesmo texto de minha autoria em Mídia Sem Máscara, com uma modificação no intróito, sob o título "Fraulein Bünchen e Che Guevara" (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=121):


Fraulein Bünchen e Che Guevara

por Félix Maier em 16 de outubro de 2002

Resumo: Da seção de humor: Félix Maier reproduz em MSM o curta-metragem do ano. Não percam.

© 2002 MidiaSemMascara.org


Fraulein Gisele Bünchen provocou um forrobodó incrível entre a "comunidade petista", em um desfile na cidade de São Paulo, por ter mostrado uma foto de Che Guevara em um biquini. Depois do desfile, apaziguados os ânimos petelhos, ela foi convidada para o lançamento de um filme inédito, "Lãs viudas de Che (As viúvas de Che)".

Tratada como estrela de primeira grandeza, que realmente é, Fraulein Bünchen foi convidada a sentar-se entre Lula-laite e Dirceu-harde, na primeira fila.

Assistam ao filme com Fraulein Bünchen, apresentado a seguir.


Festival Internacional de Cinema de Havana - Ano 2000

Vencedor do 1º Prêmio: Las Viudas de Che

Filme luso-cubano-brasileiro em p&v - preto e vermelho, longametragem de 120 segundos.

Produção: Emir Sádico

Diretor: Sérgio Reacende

Assistente de Direção: Frei Beatto

Roteiro: Saramágico (*)

Música: Chico Bê de Hollambra

Câmara: João Eme Malles

Assistente de Câmara: Marcinho Pevê

Assistente militar: Zé Di Ceu

Treinamento de atores: Mister Stedile do Taquari (MST)

Ator: Paulo Setti (como Che)

Atriz: Luz Célia Esse

Figurino: Cecília Coambra

Maquilagem: Marta Suplício

Participação Especial: Fidel Castrus

(*) penúltima magia: esconder um Nobel na manga


Cena 1

(Fade in) Câmara abre em close no rosto de Che Guevara, com sua indefectível boina.

- Hay que endurecer... - diz Che.

(Plano Geral) Tátátátátátátátátátátátátátátá. Começa o fuzilamento de mais 50 condenados, no paredón cubano. Um a um, vão caindo mortalmente todos os infelizes. As novas "viudas" de Che não param de chorar.


Cena 2

Close em um botão de rosa sendo entregue por Che a uma das "viudas". A câmara é erguida até o rosto de Che, que pisca maliciosamente e diz:

- ... pero sin perder la ternura jamás!

A câmara abre para plano geral no cemitério, com uma fila de "viudas" recebendo flores de Che.


Cena 3

(Plano Geral) Che entra no prostíbulo e faz os primeiros "aquecimentos" para montar em uma jinetera - "una viuda de Che".

- Hay que endurecer! Hay que endurecer! - repete Che.

Após alguns instantes, geme a jinetera, com os olhos esbugalhados de tanto gozo:

- Che Vara! Che Vara!


Cena 4

Close no rosto de Che, atingindo o orgasmo e gritando:

- Socialismo o muerte! Hasta la victoria! Siempre!

(Congelamento do grito de Che, em close)

(Fade out)


Rolam os créditos finais com a seguinte mensagem:

"Assim morreu Che. O Exército Boliviano passa a ser acusado de matá-lo, mas comprova-se que os ossos encontrados posteriormente na Bolívia são de um jumento. Os ossos verdadeiros de Che nunca saíram de Cuba".


Nota da Produção: "obra ficcional, qualquer coincidência com a realidade é mera semelhança".


Crítica:

"Enfim, o revival do cinema brasileiro!" (Revista Óia)

"Orgasmaticamente perfeito!" (Arnaldo Jaburu)


Não perca! Em breve, nas telas das principais capitais e em todas as telas de Usina de Letras, com som realplayer, para audição da sonora
Kalashnikov: tátátátátátátátátá.


Roteiro impresso pela Editora Titica, encontrado nas melhores livrarias da cidade.


F I M

Copyleft by F. Maier:

De acordo com a Resolução Final do Fórum Social Mundial (FSM 2001), realizado em Porto Alegre, nada de copyright (right, essa coisa nojenta da direita!): todos estão autorizados a copiar este texto (copyleft), desde que citada a fonte.


Obs.: Publicado no site Usina de Letras.

Félix Maier é escritor e publicou o livro "Egito - uma viagem ao berço de nossa civilização", pela Editora Thesaurus, Brasília.



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