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Artigos-->Os donos do lar são os amantes -- 13/07/2019 - 21:14 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

 

E então, começa o relacionamento; expectativas mil, começaram a sair, frequentar lugares juntos, a conhecer a família um do outro e dedicar à pessoa amada cada minuto livre que tiverem. O contato com os amigos já não é mais tão frequente, o tempo começa a trazer as cobranças, as obrigações, o compromisso, que antes era quase um sonho, já não é mais tão sonhado assim, tornando-se mais uma parte aceita normalmente da relação e a euforia dos primeiros dias de namoro torna-se cada vez mais distante.

A sobrecarga do dia a dia passa a ser uma visitante comum e normal e começa a surgir a saudade, ainda que indiretamente, dos dias de antigamente. Existe companheirismo, lealdade aos compromissos, nada falta em casa, talvez até o sexo esteja bom, mas, como se uma esperança de que algo melhor sempre pudesse aparecer insistisse em estar alojada no subconsciente, a porta para uma melhoria parece estar sempre aberta. E eis então que, no meio dos compromissos do dia a dia, no meio do expediente de trabalho, no transporte público, no supermercado que seja, ou até na própria casa, durante uma entrega ou serviço que foi realizado por um estranho, uma conversa casual atrai um sorriso, que atrai outros, que despertam uma aproximação maior e, muitas vezes contínua e, como não podia deixar de ser, uma curiosidade, que, alimentada e nutrida pelo contato constante e agradável, não demora a se transformar em tentação.

A mulher gostou do cara, que já ocupa espaço considerável do seu dia; o marido já é associado mais a compromissos e responsabilidades cansativos do que àquela figura de homem que a mulher idealizava antes do relacionamento, o que cria o cenário mais do que propício para que a mente comece a trabalhar, o primeiro encontro comece a ser idealizado e ela, mesmo que ainda insegura e um pouco tímida, acabe cedendo e se entregando ao desconhecido que a seduziu. Sendo o encontro bem-sucedido, a comparação vai ser inevitável, bem como os encontros seguintes. O marido vira figurante, o amante vira dono da mulher, que abre as pernas voluntariamente e cede a práticas que em casa nem sonhava a praticar e, se o diálogo entre os dois for tão bom quanto tem de ser para que as coisas cheguem a esse ponto, nunca vão faltar desculpas em casa ou a mulher simplesmente não vai se preocupar em dar qualquer explicação para sair e dar aquilo que o outro homem está querendo.

Esta é apenas uma circunstância. O cara em questão pode ser ainda amigo da família, ex-namorado da mulher que a deixou em circunstâncias contra a vontade dos dois, carteiro, entregador de pizza, instrutor de academia, bem como qualquer pessoa que tem contato constante com a casa. Da mesma forma que pode ser até mais de um homem, desconhecido, tudo variando de mulher para mulher. O ponto aqui é, relaciona-se, seja através de namoro ou casamento, tem-se confiança, monta-se uma vida, mas o desejo físico não é algo que conhece códigos de ética, dogmas religiosos ou se preocupa com instituições humanas. Na melhor das hipóteses a mulher vai resistir ao impulso de trair, mas, seja como for, vai estar numa luta tão insuportável contra sua própria libido que vai deixar mais que claro que, no final das contas, já traiu em pensamento e o que mais queria era estar com o homem que chamou sua atenção e que desejava nunca ter conhecido. Não é o que se pensa que conta, mas o que se faz, é verdade... mas o abalo já existe. Em ambos os casos pode haver arrependimento, mas isso não pressupõe fim das traições, seja com uma ou mais pessoas, pois o desejo pode descansar e até sentir tédio, mas não vai necessariamente perecer.

Resumidamente falando, a ocasião faz a traição. Não é preciso que nada esteja ruim, pois isso é uma questão de momento ou até de ponto de vista, pra não falar que há mulheres que, embora se casem por acharem que precisam casar, por condicionamento da sociedade ou do dia a dia, já que muitos acham que casamento é uma parte indissociável do amadurecimento humano, não conseguem deixar suas fantasias de lado. E se o relacionamento estiver ruim, tanto melhor, uma vez que vai ser a desculpa perfeita para que se justifiquem...

O titular é o dono da casa, mas ninguém é dono do desejo de ninguém. No máximo se empresta esse desejo até que apareça algo ou alguém melhor. No final das contas vivemos em prol de nossas necessidades e vontades, até porque ninguém se relaciona com alguém porque quer viver uma crucificação diária ou ser incomodado como que por uma picada de mosquito constante. Sendo assim, chega um momento em que a traidora pode até se ver como uma, mas já não age mais como se visse.

Admito que dei muita ênfase ao adultério feminino, mas sou apegado ao assunto porque ele ainda é o grande tabu, muitos acham que “mulher não trai, se vinga”. Particularmente, acho que traição é a letra miúda no final do contrato, quem não tem ânimo pra jogar não devia entrar em campo, até porque é um risco inerente ao jogo. Quem acredita que uma pessoa vai passar sua vida sem olhar pro lado ou por um único momento fantasiar algo, acredita em Papai Noel. Quanto ao adultério masculino, bom... este já é normal, se o cara não trai, das duas uma: ou ele tem que preservar a mulher que tem e por isso não pode nem pensar em pisar na bola, ou não tem condição de arrumar algo além do que já tem por alguma limitação estética ou física. Homem trai por natureza, testosterona não é uma coisa produzida segundo os mandamentos cristãos.  Sendo assim, não tem porque perder tempo tentando debater isso. 

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