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Ensaios-->O serviço secreto do PT -- 18/10/2006 - 13:56 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O serviço secreto do PT

HUMBERTO TREZZI

Flagrado prestes a comprar um dossiê antitucano, o serviço secreto do
Partido dos Trabalhadores desta vez fracassou. Mas, desde 1989, vinha
colhendo uma série de sucessos nos bastidores de disputas presidenciais.

A campanha daquele ano viu nascer o setor do partido especializado em
atacar adversários e defender correligionários. Ele é chamado por muitos
militantes de Abin (referência à agência que sucedeu o Serviço Nacional de
Informações do regime militar). Outros preferem o apelido de KGB, numa
lembrança ao serviço secreto da extinta União Soviética, matriz ideológica
de fundadores do núcleo.

Surgida logo depois da primeira derrota de Lula à Presidência, esta
central de boatos e contra-insurgência teve como um dos mentores José
Dirceu, o deputado federal paulista que 16 anos depois seria cassado por
envolvimento no mensalão.

Dirceu pregava no PT a necessidade de reagir a golpes baixos como o
uso, por Fernando Collor, do depoimento da mãe de Lurian, filha de Lula: na
TV, ela declarou que à época da gravidez o petista a pressionara a abortar.
A bomba, lançada às vésperas da eleição de 1989, ajudara a derrubar as
pretensões do petista.

Desde então o PT agiu mais como estilingue do que como vidraça nas
disputas presidenciais, sempre com base no núcleo de inteligência.

Um dos primeiros "agentes" da Abin do PT foi Waldomiro Diniz,
braço-direito de Dirceu, homem de confiança de Lula. Caixa da campanha de
Dirceu a deputado federal, Diniz conviveu com ele em Brasília por 12 anos.

Era Diniz quem carregava dossiês que alimentaram a mídia nas CPIs de
PC Farias e dos Anões do Orçamento, além de petardos contra o governo FH,
como as denúncias contra o chefe de gabinete do presidente tucano, Eduardo
Jorge.

Diniz mudou-se com Dirceu para a Casa Civil quando Lula se elegeu.
Conforme petistas confidenciaram a ZH, Diniz era o encarregado na Casa Civil
de negociar emendas parlamentares com vistas a resolver problemas de
congressistas nas votações de interesse do governo. Ele sairia das sombras
para a má fama após ser filmado negociando com um empresário do ramo de
jogos propina para subvencionar campanhas políticas. Seria o primeiro grande
escândalo no governo Lula.

Com baixas eventuais, a central de denúncias do PT continua ativa. Um
dos que confirmaram a Zero Hora a existência do grupo é o sindicalista
Wagner Cinchetto, 43 anos. Jornalista, ele atuou por dois anos na Força
Sindical (entre 1991 e 1993), de onde saiu atirando petardos contra o então
presidente Luiz Antônio de Medeiros.

Cinchetto, que nos últimos anos atuou como "consultor informal" da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), admitiu ontem, em entrevista por
telefone a ZH, ter integrado o grupo que gestou três montagens de dossiês
contra adversários de Lula na campanha presidencial de 2002: contra os vices
de Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS) e contra José Serra (PSDB).

Outros integrantes, segundo Cinchetto, eram Ricardo Berzoini
(presidente do PT, afastado semana passada da coordenação de campanha de
Lula) e Oswaldo Bargas (também afastado da cúpula da campanha), amigo de
Lula desde os tempos do sindicalismo em São Bernardo do Campo (SP). As
reuniões ocorriam num escritório da Rua Haddock Lobo, nos Jardins, em São
Paulo.

Cinchetto, atualmente rompido com o PT, ressalva:

- Não que fizéssemos algo ilegal. Nunca entrou dinheiro na nossa
história, a meta era tornar público coisas contra os adversários e
interceptar denúncias contra nosso pessoal.

( humberto.trezzi@zerohora.com.br )




O dedo deles em escândalos

1992

Missão: derrubar Collor

Agente: José Dirceu

Petistas ilustres ajudaram a municiar a imprensa com dicas sobre
corrupção no governo Fernando Collor. Parte dos dossiês originou a CPI de PC
Farias, tesoureiro de campanha de Collor. Ele acabou condenado por sonegação
de impostos, e Collor sofreu impeachment. Entre os que abasteceram a mídia
com denúncias, estava um grupo de assessores ligado ao deputado federal José
Dirceu (PT-SP).

1993

Missão: derrubar os Anões do Orçamento

Agente: Waldomiro Diniz

O serviço de inteligência do PT convenceu o ex-diretor do Senado José
Carlos Alves dos Santos a dar entrevista mencionando os nomes dos
parlamentares que cobravam propina das empreiteiras para apresentar emendas
destinando recursos a grandes obras. Como os parlamentares eram quase todos
de baixa estatura, a investigação levou o apelido de CPI dos Anões do
Orçamento (na foto acima, a leitura do relatório da CPI). Foi sugerida a
cassação de 18 deputados. Destes, seis foram condenados e perderam o
mandato, entre eles Ibsen Pinheiro, posteriormente inocentado nos processos
criminais. O principal assessor do PT a municiar a mídia foi Waldomiro
Diniz.

2002

Missão: afastar suspeitas em Santo André

Agentes: José Dirceu e Gilberto Carvalho

O prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), foi seqüestrado,
torturado e assassinado. As investigações apontaram para um esquema de
cobrança de propina supostamente montado por ele para beneficiar o partido.
Petistas que trabalhavam com ele, suspeitos do homicídio, foram grampeados
pela Polícia Federal. Sob o comando de José Dirceu e Gilberto Carvalho
(ex-secretário do prefeito Celso Daniel e atual chefe de gabinete de Lula),
o serviço acionou procuradores para impedir que os conteúdos dos grampos
vazassem para a mídia. A Justiça invalidou os grampos.

1998

Missão: examinar o Dossiê Cayman

Agente: José Dirceu

Apesar de estar em disputa com o PSDB, o serviço de inteligência do PT
ajudou a desarmar uma bomba contra os tucanos. Alertou o candidato Lula de
que eram falsos os papéis do Dossiê Cayman e não deveriam ser usados na
campanha daquele ano. O dossiê atestava a existência de uma empresa criada
em nome de integrantes do PSDB em paraísos fiscais, para envio ilegal de
dinheiro. Entre os donos fictícios da empresa estariam o próprio presidente
Fernando Henrique Cardoso e o então ministro da Saúde, José Serra. Perícias
mostraram a falsidade dos documentos.



2002

Missão: neutralizar Garotinho

Agente: Oswaldo Bargas

A mando de Oswaldo Bargas (que era da campanha de Lula à reeleição,
até o estouro do Dossiê Cuiabá), emissários do PT procuraram o candidato a
vice-presidente pelo PSB, Paulo Costa Leite, e tentaram convenê-lo a
abandonar a chapa encabeçada pelo governador fluminense Anthony Garotinho,
ameaça em potencial à candidatura de Lula. Costa Leite renunciou porque,
entre as informações que vazaram sobre ele na campanha, estava a de que
integrara o Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de espionagem do
regime militar.

Missão: neutralizar Ciro

Agente: Wagner Cinchetto

Wagner Cinchetto, um dos integrantes do serviço de inteligência do PT,
vazou para a imprensa documentos que apontavam a compra superfaturada de uma
fazenda e desvio de dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por
parte de Paulo Pereira da Silva, candidato a vice-presidente na chapa de
Ciro Gomes (PPS). O dossiê ajudou a naufragar a candidatura de Paulinho e
Ciro.

Missão: neutralizar José Serra

Agente: Wagner Cinchetto

Wagner Cinchetto e o serviço do PT conseguem, com funcionários do
Banco do Brasil, documentos sobre supostas irregularidades num empréstimo
feito por um parente de José Serra. A papelada resultou numa ação civil
pública do Ministério Público contra o responsável pelo empréstimo, Ricardo
Sérgio de Oliveira, também caixa de campanha dos tucanos. A mídia foi
avisada. Serra, que já estava atrás nas pesquisas, perdeu a eleição para
Lula.

2006

Missão: neutralizar os tucanos

Agentes: Jorge Lorenzetti Oswaldo Bargas

Chefe do serviço de inteligência da campanha de Lula à reeleição,
Jorge Lorenzetti foi o principal articulador da negociação do Dossiê Cuiabá,
que tinha informação supostamente comprometedoras para candidatos do PSDB à
Presidência e ao governo de São Paulo. Bargas, também da cúpula da campanha,
ofereceu o dossiê à revista Época, em uma reunião reservada da qual
participou Lorenzetti.


A sombra de Dirceu

O ex-governador catarinense Esperidião Amin tinha um apelido para o
núcleo de inteligência do PT: PTpol, trocadilho da palavra Interpol e da
"polícia do PT". Senador à época da CPI do Orçamento, em 1993, Amin achava
"fantástica" a rapidez com que José Dirceu apresentava documentos que só um
espião poderia conseguir.

Dirceu tinha como obsessão contra-atacar petardos como o lançado por
Collor, em 1989, envolvendo Lurian, a filha de Lula desconhecida dos
eleitores.

Quando atuava na guerrilha, escondido do regime militar em Cuba,
Dirceu fez na ilha de Fidel curso de informações, contra-informações,
estratégia e segurança militar. Acabou se tornando para o PT, em tempos
democráticos, o que o general Golbery do Couto e Silva era para a ditadura
militar: um ideólogo e conspirador.

A presença de Dirceu permeou o núcleo de inteligência do PT em
episódios decisivos nas eleições presidenciais desde 1989. Apenas na compra
do Dossiê Cuiabá o dedo de Dirceu não aparece. Mas um dos envolvidos,
Hamilton Lacerda (então assessor do candidato a governador de São Paulo
Aloizio Mercadante que admitiria ter participado da tentativa de divulgação
do dossiê) é homem de confiança de Dirceu desde 1989.

O economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-guerrilheiro fundador do PT
e expulso do partido em 1997 depois de denunciar que Lula teve contas pagas
por um amigo, diz que o esquema de fabricação de dossiês surgiu de uma união
entre sindicalistas do ABC e leninistas liderados por José Dirceu. Do grupo
para gerar denúncias que facilitassem a chegada ao poder faziam parte
Waldomiro Diniz e Silvinho Pereira (ligados a Dirceu) e Jorge Lorenzetti e
Oswaldo Bargas (ligados à CUT). O encontro dos grupos, na região do ABC
paulista, foi apelidado Clube do Mé.

- Era um aparelho para torpedear as campanhas inimigas e ajudar os
amigos. O Sindicato dos Bancários paulistano abriu uma rubrica para auxílio
financeiro dos companheiros desempregados e ligados ao grupo. Hoje não
precisa mais, o aparelho tomou conta do Estado - opina Venceslau.

A influência de uma gravação

Entrevista: Wagner Cinchetto, consultor sindical que integrou o núcleo

Rompido com o PT e a CUT, o consultor sindical Wagner Cinchetto, 43 anos,
conta a Zero Hora como agiu no grupo:

Zero Hora - Em 2002, o senhor gravou uma fita que apontava para contas do
deputado Luiz Antônio Medeiros no Exterior. Foi a pedido do PT?

Wagner Cinchetto - Do Oswaldo Bargas e do atual ministro do Trabalho, Luiz
Marinho. Eu tinha trabalhado com o Medeiros e gravei uma fita com provas de
conta secreta no Exterior que resultaram num enorme dossiê. O pedido de
cassação do Medeiros estava pronto. Mas aí conversaram, e ele concordou que
o PL fizesse o vice de Lula. O PT votou contra a cassação.

ZH - O presidente Lula sabia?

Cinchetto - Olha, o Bargas era homem forte do Lula, a mulher dele era
secretária do presidente.

Porto Alegre, 25 de setembro de 2006. Edição nº 15007




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