Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
118 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56828 )
Cartas ( 21161)
Contos (12584)
Cordel (10013)
Crônicas (22151)
Discursos (3133)
Ensaios - (8956)
Erótico (13388)
Frases (43353)
Humor (18383)
Infantil (3751)
Infanto Juvenil (2630)
Letras de Música (5464)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (138027)
Redação (2918)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2394)
Textos Jurídicos (1923)
Textos Religiosos/Sermões (4770)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Artigos-->Colher de ferro -- 11/10/2013 - 13:03 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Hoje delas já não se vê. Ou tenho ido menos a cozinhas alheias? O certo, contudo,



é que reinavam, em meio às panelas e caldeirões igualmente pretos da fumaça do



fogão a lenha. Contudo a colher preta era de nascença. No seu aspecto tosco forma



e acabamento, se via que eram feitas artesanalmente, embora numa medida quase



invariável de uns 30 centímetros. Sua maior aplicação era para mexer o feijão.



O feijão que levava horas e horas para cozinhar, do amarelinho ao mulatinho, do



pintadinho até ao pretinho.



Dizia-se que essas colheres eram feitas da fusão de enxadas ou ferraduras velhas



já imprestáveis mas sempre prontas a uma nobre metamorfose. Nunca vi, só



imaginei, o processo, contudo o resultado era aquele sucesso.



E como descrever uma colher dessas, senão dizendo que era arredondada na



concha, quadriculada no cabo e, na pontinha, formava-se em argolinha, que lhe



servia para pendurar em algum prego ou gancho. Boa era também para `machucar`



o feijão que, mesmo bem cozido, precisava dum amasso de regra para ir à mesa



como convém - e dar o caldo, além.



Raramente, todavia, iam essas colheres à copa, ou à sala. Continham-se nos



confins da cozinha e encontravam o descanso, enquanto a talherada miúda entrava



em ação - e em bocas famintas.



Uma das virtudes dessas colheres - que feito a abelha rainha, não eram de ter



pares em seus lares - é que ganhavam dignidade e sinais de envelhecimento com



o tempo. Uma delas - exibia-a vitoriosa a Tia Isabel, mais comumente, a Tibebé,



ela também mais à vontade entre os cozidos do que entre os convivas - dava



gosto ver: de tanto feijão mexer, e fundo de panela friccionar, de tanto afinar,



gasta o quanto basta, virara uma só pelotinha, na pontinha do cabo, mais uma



caricatura `of her former self`. E embora das lides aposentada, era orgulhosamente



apresentada. E feito mulher, gosta de se meter, a colher.
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 24Exibido 125 vezesFale com o autor