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Artigos-->Visão eclesial -- 18/09/2013 - 15:32 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Não sei como fui parar naquela casa, a não ser pela minha condição de



seminarista, recluso e timorato, acompanhando outro que, ao contrário,



tinha uma facilidade incrível na comunicação e no esplendor de seu pendor



para ser um senhor pastor.



E no sacro exercício preliminar de pastoreio, sem cabresto ou arreio, puxoume o Nil para aquele modesto mas acolhedor lar, que ficava numa das



travessas apertadinhas que circundavam a catedral. O patriarca, nos seus



cinquenta e tantos anos, encanecido, altivo e longilíneo nos recebeu com



cortesia, mas não se envolveu nos lances subsequentes de minha interna



folia: deixou que suas moças, três delas estavam ali, nos exibissem suas



graças.



E pode ser que nem tenham se incomodado com nossa presença, aquelas



três morenas sílfides, cujo mero olhar já era uma sentença: de aprisionar,



ou de libertar. Tudo conforme o coração, já sem razão, viesse a palpitar.



Para os meus 17 anos era muito, muito pesado teste para a castidade que



vinha eu votando dia a dia na rotina da vida clerical. Mas ao menos em



público, resisti, e o pior de tudo, calado, sem ao menos um brado, ainda



que por aquela visitação totalmente transportado. E ao fogo do interno



predestinado.



Voltei a ter aquelas visões, já fragmentadas e espaçadamente, nalguma



missa dominical, mas sem a intensidade e o arrebatamento daquela



primeira vez.



O mais perto que se me ofereceu de me redimir dos atribulados



pensamentos - e de partir para as ações de graça - deu-se no ano seguinte,



eu já distante das amarras canônicas e ensaiando meus passos na vida



profana, e já sem a companhia de Nil, que continuava na trilha eclesial,



fiel, pleno, pastoral. Pois bem, rondando aquelas imediações da visão



magnificat: vi, segui, o caminhar de uma daquelas três sobre o ladrilhado



de seu alpendre. Pude mirar e admirar, por uns poucos segundos que



foram, um par de calcanhares principescos que sustentavam na forma mais



segura aquela estonteante figura. Verdade pura. E embora já tênue a



lembrança, nunca perdi a esperança - de, ao menos, uma contradança.
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