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Artigos-->Crônica de Cingapura VIII -- 04/09/2013 - 03:57 (Brazílio) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
E lá se foi março, com suas águas e sem mágoas. Trinta e um dias inteiros de plena Quaresma. Mas pelo jeito, nada



braba, afinal houve até carnaval cá, ali no Shangri-la. Sucesso que a cada ano se renova, a toda prova, para nenhum



Zezinho 29 botar adereços, ou atirar plumas e paetês. Em nota das mais amenas, deixando penas apenas, retornaram



ao Brasil durante o mês, os três: nossas araras azuis, e o Carlos Yamashita, do IBAMA. Elas,ao cabo de uma boa



estada, e ele, de breve visita. As autoridades cingapurianas haviam apreendido as bichinhas em poder de um



contrabandista e após longa batalha judicial comprovaram o ilícito, sentenciaram o perpetrador, e, em solenidade



tocante, devolveram-nas ao nosso Embaixador. O evento se deu no Birds` Park, em manhã ensolarada, na presença



de centenas de pássaros bem comportados, emplumados, e descontraídos cavalheiros, apenas engravatados. Já as



araras - Lear`s Macaws, distinção que aqui adquiriram - estavam impecáveis: traje a rigor, um primor, gala azulmarinho, um alinho. Na única nota discordante - quiçá em razão da emoção - o mestre de cerimônias não lhes



passou a locução, tagarelas que são por natureza e ofício. Entretanto, não deram qualquer sinal exterior de irritação,



mas, sabendo quem são, não é mera adivinhação: no fundo, no fundo, ficaram umas araras. Duas, aliás. E, feito elas



só, cada vez mais raras.(não chegam a 200 especimens). E a nós, gratos, ainda mais caras. Falar em Caras, não



esteve aí a tal revista para cobrir esse evento tão significativo. Também com os talibãs dominando o noticiário e o



meio de campo... Pois é, a situação no Afeganistão, cabalística, anda de enCabular. Primeiro surgiram eles como



liberadores, os guerrilheiros barbudos, idealistas, mas à medida que vão ganhando terreno, em grandes levas, mais



se aproximam das trevas. Porém, no seu isolamento internacional e nos seus retrocessos, e excessos, já havia algo



de perversamente previsível: se com o pesado véu medieval cobriram as mãos e caras de suas próprias mães,



mulheres e filhas, iriam deixar os gigantescos Budas de fora? Passemos ao esporte, que esta é forte: o mais famoso



futebolista britânico, Bobby Charlton, hoje Sir Bobby, escalou para a BBC uma seleção sua, de todos os tempos. A



novidade é que relacionou doze nomes - qualquer correlação com os Apóstolos deve ser mera coincidência - mas



teve a prudência de não se escalar, ele que até mereceria um lugar, o décimo-terceiro. E lá vai o seu time: Gordon



Banks, Carlos Alberto, Bobby Moore, Beckenbauer e Duncan Edwards (ex-Manchester United, falecido no trágico



acidente aéreo de 1958, em Munich); Cruyiff, Di Stefano, Platini e Puskas; Pelé, Maradona > e George Best. Como



reservas, alinhou Schmeichel, Marzolini, Garrincha, Eusébio, Van Basten e Dennis Law. E para finalizar,



sentenciou: Di Stefano foi o melhor jogador de todos os tempos. O que me chamou a atenção, contudo, foram as



suas observações, transmitidas em um programa de 30 minutos, dirigido pelo excelente radialista Mike Costello.



Charlton prodigalizou-se em elogios às virtudes de todos os seus escolhidos, sendo surpreendemente econômico



apenas em relação ao Pelé. Quando falou de Puskas então, atribuiu a essa locomotiva magiar a reação de certo



desdém com relação aos mil gols do Rei, em 1969, e que (Puskas) teria afirmado haver provavelmente chegado



àquela marca uns seis anos antes. Vem-me à lembrança o embate nosso na Copa de 70, no México, face à



Inglaterra, campeã de 66. Ganhamos de um a zero, jogo disputadíssimo. Colocado cara a cara com o gol, num passe



magistral de Tostão, fez o tricordiano o que de artilheiro nenhum se esperaria: rolou para o Jair concluir. Gesto de



maestro. Bobby tinha que estar de costas para o lance. E pintou por Cingapura o artista plástico brasileiro de



crescente reputação Adélio Sarro. Com o apoio da Embaixada estabeleceu contatos com instituições, galerias e deu



uma canja no National > Arts Centre. Para uma interessada platéia, em rápidas pinceladas, falou de > seu trabalho,



suas tintas, suas influências. E ainda esboçou um quadro. > Sobre > seu estilo, não poderia ter sido mais cândido:



Portinari é o seu mestre, sua > luz. > > > Outra eminente presença brasileira nesta ilha-Estado foi a do > montanhista



Gil Piekarz. Veio participar da cerimônia de lançamento da > Everest-2001, oficiada pelo Presidente da República S



R Nathan. Essa > expedição cingapuriano-latino americana é composta de gente competente e > intrépida. Trepador



vertical, como se diria em Portugal. Que a subida lhes > seja leve. > > E enquanto redijo estas notas, posso estar fora



das rotas, mas ainda assim > dou de quando em vez uma espiada no céu, que é pra ver onde essa MIR anda, > tati by



tati. Boa propaganda faz a Taco Bell: botou um enorme taco flutuante > no oceano, bem na mira dos dejetos da



estação espacial cadente. Se se > acertar o alvo, dará um taco bell de graça para cada americano. Enquanto > isso os



russos envolvidos com a estação espacial é que perdem suas bocas. É > melhor ser brasileiro numa hora dessas. E



mesmo em outras, até quando a > nossa P-36, causando tanta tristeza e tanto prejuizo vai parar no fundo do > mar.



Há mar que vem pra bem? > > Realiza-se em Santiago do Chile no finalzinho de março a Primeira Reunião > dos



Chanceleres dos países que integram o Foro dos Países da Ásia e da > América > Latina - FALAL. Significativo



acontecimento. Uma oportunidade para se > discutirem em nível elevado problemas e propostas de soluções comuns



a esse > amplo leque de países. Vai dar o que falal. Ciao. >
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