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Ensaios-->Getúlio Vargas, por Lira Neto -- 29/05/2012 - 11:08 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

No que diz respeito ao Getúlio, caro amigo Nivaldo, sob cujo governo vivi grande parte de minha carreira na diplomacia, o mais interessante seria o estudo da ideologia positivista de Auguste Comte, que pregava uma espécie de “ditadura republicana”, semelhante à que vigora nos conclaves da Igreja Católica, elegendo os Papas, estudo esse acrescido de uma sociologia do caciquismo gaúcho. Esclareço que entrei para a carreira por Concurso de Provas, sem qualquer pistolão de natureza política: na véspera de minha nomeação o presidente da República, já então ditador, nomeou vinte e  tantos cidadãos, selecionados, como dizíamos, por um “concurso de circunstâncias”. É o que Max Weber estudou sob o nome de Patrimonialismo;

         Inicialmente, a seleção dos candidatos era feita como no tempo do Barão de Rio Branco, primando o conhecimento de línguas, inclusive o bom português. Hoje, o concurso de entrada no Instituto Rio Branco tem mobilizado quase dois mil candidatos por ano, de todas as partes do país. Em suma, o Itamaraty se democratizou dentro da classe média de todo o país.

Um abraço, Meira Penna

 

GETÚLIO VARGAS, POR LIRA NETO

26/05/2012

 Nivaldo Cordeiro

A Companhia das Letras fez chegar ao mercado o primeiro volume da biografia de Getúlio Vargas (Getúlio - 1882, 1930 - Dos anos de formação à conquista do poder), de Lira Neto, prevista para ser uma trilogia. Um grande feito editorial, narrado em detalhes no posfácio (que bem poderia ser um prefácio) do próprio autor. A editora apostou no projeto, financiou-o e pôs à disposição do autor os meios para realizar sua obra. O fato é inusual no nosso acanhado mercado editorial, no qual geralmente os editores são medrosos e argentários, fugindo do risco.

Não bastante, a editora precificou o volume em apenas R$ 52,50, um grosso volume bem encadernado, em excelente papel. Segundo a revista Veja a tiragem inicial foi de trinta mil exemplares, muito acima da média nacional. O livro é tão bom, o preço tão acessível e o personagem tão fascinante que deverá ser esgotada rapidamente. Se o autor está de parabéns pela iniciativa, mais ainda está o editor Luiz Schwartz. Que outros sigam o exemplo.

Lira Neto é já um consagrado escritor, autor da biografia de José de Alencar e da melhor feita sobre o Padre Cícero, seu trabalho anterior, que virou best seller . Ele é um pesquisador exaustivo e também um escritor talentoso. Sua narrativa lembra, em muito, aquela utilizada por Fernando Moraes ao escrever o já clássico Chatô - O rei do Brasil. Sem perde nunca o fio ele narra a vida do biografado intercalando diferentes momentos e diferentes episódios, criando um efeito parecido com aquele encontrado nos melhores livros policiais. O suspense é integral.

Mesmo se conhecendo a vida de Getúlio Vargas, a técnica narrativa prende o leitor de forma magnética. Eu simplesmente fui largando tudo que lia para poder dar cabo à leitura do excelente livro do Lira Neto. Um grande prazer e um suplemento adicionais de informações, não apenas biográficas, mas da política brasileira no período abordado. O painel feito é uma perfeição, acrescentando informações importantes sobre o que aconteceu naqueles momentos fatídicos do início do século XX, quando os destinos do Brasil foram moldados. Para o bem e para o mal, Getúlio Vargas tornou-se o principal responsável pela formação política que herdamos.

A chamada República Velha foi o período de transição entre o Império e os tempos contemporâneos. O Brasil era, de fato, uma federação e o poder central estava longe de ser o que é hoje, um força esmagadora de um Estado central. As liberdades eram maiores, tanto para as unidades políticas subalternas como para as pessoas. Desde Vargas entrou-se em um ciclo de concentração de poderes  ao qual estamos agora submetidos. Não seria mais possível, depois de Vargas, haver uma "revolução" por cima, a partir de um dos estados federados. A desproporção de forças é tamanha que algo como se viu em 1964 só é possível a partir da própria unidade central.

Getúlio foi um personagem fáustico, personificando o pactos que nosso país realizou. Sua própria morte trágica é sinal hiperbólico desse pacto. Não ao acaso o mantra do desenvolvimento - o desenvolvimentismo - deriva diretamente da intervenção getulista em nossa história. O desenvolvimentismo é a ideologia desse pacto, abraçada por todas as forças políticas desde então, fazendo do poder de Estado a alavanca motora. Getúlio chegou ao Rio de Janeiro para subir no promontório e ver sua obra fáustica se realizar, algo como narrado esplendidamente po Goethe em seu poema monumental.

O escritor que melhor retratou essa mudança na República Velha foi Guimarães Rosa. Grande Sertão, Veredas, Sagarana e Corpo de Baile são ambientados nesta época. Ler a obra do escritor mineiro em conjunto com a biografia de Getúlio, por Lira Neto, é altamente esclarecedor das metamorfoses por que passou o Brasil, em consonância com aquelas vividas por todo o Ocidente.

Lira Neto, assim, ajuda-nos a compreender a nossa própria formação como Nação e esclarece pontos obscuros desse processo. Não fosse por outra razão, esta já seria suficiente para tornar seu belo livro um clássico, de leitura obrigatória por aqueles interessado em entender o Brasil.

 

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