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Ensaios-->Visão estratégica -- 24/05/2010 - 14:22 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
VISÃO ESTRATÉGICA

Prof. Marcos Coimbra

Conselheiro Diretor do CEBRES, Professor de Economia e Autor do livro Brasil Soberano.

Está na ordem do dia a questão do domínio da tecnologia nuclear, em especial no tocante à sua utilização bélica. A hipocrisia impera nos argumentos dos países detentores de artefato nuclear. Algumas destas nações são claramente possuidoras da tecnologia, como EUA, Rússia, China etc. Outras possuem, mas não admitem o fato oficialmente, como Israel. Pretendem que o mundo seja dividido desta forma. Quem tem, continua a ter e aumenta seu arsenal a cada dia. Quem não possui, está proibido.

Ora, a ser adotada esta postura, o mundo será cada vez mais injusto e desequilibrado. É sabido que a dissuasão impede o exercício da violência dos mais poderosos. O Iraque foi invadido pela coligação comandada pelos EUA justamente pelo fato de não possuir armas de destruição em massa, a pretexto de as possuírem. Milhares de mortos, feridos e prisioneiros. As causas de fato foram: a) a conversão das reservas iraquianas de dólar para euro, há anos atrás; b) a posse da segunda maior reserva mundial petrolífera; c) a posse de imensas reservas de água, valiosas em uma região desértica; d) a oportunidade de reconstrução daquilo que foi destruído, ao custo de mais de centenas de bilhões de dólares, a serem entregues a empresas ligadas à anterior administração, generosas financiadoras de campanhas eleitorais nos EUA e em outros países.

Outro país agredido foi o Afeganistão, sob a desculpa de combate ao terrorismo internacional. A verdadeira razão reside na estratégica posição daquele país, para construção de oleoduto com o objetivo de transportar petróleo do coração da Ásia para o porto adequado.

A Economia norte-americana continua em crise. O desemprego está em torno de 10 % da população economicamente ativa. Sucessivos déficits acendem as luzes vermelhas no painel de controle dos analistas do mercado financeiro mundial. Os EUA importam praticamente tudo dos outros países. São auto-suficientes na produção bélica e de alimentos. Exportam tecnologia de ponta para o resto do mundo e, no momento, possuem o poder real de destruir qualquer nação que não se submeta a seus interesses. Justificativas não faltam. Não foram encontradas as armas iraquianas de destruição em massa. Nem precisa. Para quê? Os objetivos reais foram alcançados. Está prevista uma recuperação da atividade econômica norte-americana, a partir do domínio e venda dos recursos naturais de nações como o Iraque.

A dúvida agora é sobre qual será o país da vez, a ser 'libertado' pelos “rambos” modernos. A pista pode estar na referência ao denominado 'eixo do mal', constituído por Irã, Coréia do Norte e Cuba. Se as razões fossem as proclamadas, o país premiado deveria ser Cuba, pela proximidade. Ou a Coréia do Norte, pelo perigo concreto. Mas será que ela já não tem poder nuclear? Como são, na realidade, econômicas, o agraciado deverá ser o Irã, por possuir petróleo abundante e por não possuir ainda artefatos nucleares operacionais. A desculpa deverá ser, mais uma vez, impedir que aquele país tenha acesso à tecnologia nuclear. A ONU está desmoralizada e, caso desapareça, ninguém sentirá falta. A lei é a do mais forte. Manda quem pode.

Fica uma preocupação para nós, brasileiros. Olhando o mundo, existem poucos outros países, indefesos, capazes de despertar a cobiça “altruísta” de libertação nos senhores da guerra. Os vastos recursos naturais existentes, da água ao titânio, passando agora pelo petróleo, sua extensão territorial e a fragilidade de nossas Forças Armadas constituem um quadro preocupante.

De fato, há um plano arquitetado pelos 'donos do mundo' de enfraquecer as Forças Armadas dos países emergentes, sufocando-as financeira e economicamente. Além disto, é proibido o acesso à moderna tecnologia bélica, seja no tocante a engenhos nucleares, seja na área espacial. O trágico episódio da explosão do terceiro VLS brasileiro, com a perda de vinte e um mártires, exige das autoridades responsáveis uma profunda reflexão. Até jatos supersônicos são proibidos. Fabricação de mísseis, nem pensar. Até a proibição da comercialização de armas e munições queriam impor ao povo brasileiro. As empresas nacionais seriam expulsas do mercado e o Brasil ficaria dependente até da importação de um cartucho de 22. Desta forma, fica mais fácil intimidar e, se for o caso, ocupar militarmente as nações desobedientes.

Na maior parte dos casos, isto não é necessário, pois as próprias forças políticas locais elegem administrações representantes dos interesses deles, dóceis ao seu comando. De modo hábil, vão transferindo recursos para o exterior e permitindo a ocupação pacífica dos seus respectivos territórios, bem como a exploração de seus recursos.

Diante destes fatos, é vital que países possuidores de habilitação tecnológica, com recursos suficientes, procurem a auto-suficiência nuclear no campo bélico e o domínio aeroespacial, justamente para ter poder de dissuasão para evitar a pilhagem de seus recursos naturais e a invasão de seus respectivos territórios. Não é para agredir nenhum país. É para evitar a agressão. As razões não são éticas, mas sim de cunho realista e estratégico.


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