Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
37 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56725 )
Cartas ( 21160)
Contos (12583)
Cordel (10005)
Crônicas (22134)
Discursos (3130)
Ensaios - (8936)
Erótico (13378)
Frases (43203)
Humor (18336)
Infantil (3739)
Infanto Juvenil (2597)
Letras de Música (5463)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (137949)
Redação (2915)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2386)
Textos Jurídicos (1922)
Textos Religiosos/Sermões (4724)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Ensaios-->O Setor de TIC no Brasil -- 13/04/2009 - 16:13 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O Setor de Tecnologia da Informação e Comunicação no Brasil – Fonte IBGE

Ricardo Bergamini - Prof. de Economia

Base: Ano de 2006

IBGE divulga estudo inédito sobre setor de Tecnologia da Informação e Comunicação no país

Em 2006, as 65.754 empresas brasileiras do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) obtiveram receita líquida de R$ 205,9 bilhões e geraram R$ 82,1 bilhões (valor adicionado e valor da transformação industrial), o que representava, naquele ano, 8,3% do valor total produzido pela indústria, comércio e serviços. Embora essa seja uma participação significativa, houve perda gradativa de peso do setor TIC, que havia sido de 8,9% em 2003, principalmente em razão da redução no ritmo de crescimento do segmento de telecomunicações.

O setor TIC é altamente concentrado, com 76,1% do valor gerado nas empresas com 250 ou mais pessoas ocupadas. Em contrapartida, as micro e pequenas empresas têm papel importante na geração de postos de trabalho. A região Sudeste concentrava, em 2006, 65,0% do valor gerado pelo setor TIC, que tinha 95,6% de suas empresas e 71,1% das pessoas ocupadas nas atividades de serviços.

Outra característica do setor TIC é a elevada remuneração, com média salarial de R$ 2.025,18, em 2006, contra R$ 937,48 do total de atividades industriais, comerciais e de serviços. Mais uma vez, nesse caso, as telecomunicações se destacam, com média salarial de R$ 3.315,26.

Essas são algumas das informações levantadas pelo IBGE neste estudo inédito do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação. O estudo analisou o setor TIC pelo lado da oferta, nos anos de 2003 a 2006, e foi realizado a partir dos resultados das pesquisas econômicas anuais do IBGE da indústria, do comércio e dos serviços e de informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

No capítulo de produtos e serviços TIC, o estudo mostra o crescimento na participação do setor de telecomunicações sem fio (34,1% para 43,2%), enquanto telecomunicações por fio perdeu participação (de 60,3% para 50,7%), no período 2003-2006. Constatou, ainda, aumento de 8,5% para 13,6% na participação das chamadas geradas em telefones públicos (na receita da telefonia fixo-fixo). E, ainda redução de 8,9% para 5,1% na participação da receita das chamadas internacionais, em decorrência de alternativas disponíveis na Internet para comunicação à distância.

Número de empresas de TIC cresce, mas participação do setor na economia diminui

O setor TIC brasileiro era formado, em 2006, por 65.754 empresas, que ocupavam 673.024 pessoas, sendo que, entre 2003 e 2006, houve um aumento de 18,3% no número de empresas e de 40,7% nas pessoas ocupadas. Em 2006, o faturamento líquido do setor atingiu R$ 205,9 bilhões; e o somatório do valor adicionado (VA) com o valor da transformação industrial (VTI)1, R$ 82,1 bilhões, mostrando crescimentos de 47,4% e 38,1%, respectivamente, em relação a 2003.

Apesar desse crescimento, entre 2003 e 2006, a participação do setor TIC no total de empresas do país manteve-se estável, em, respectivamente, 2,4% e 2,5%; enquanto a participação do VA/ VTI em relação ao total da economia brasileira2 mostrou recuo de 0,6 ponto percentual, saindo de 8,9% em 2003 para 8,3% em 2006. Isso porque o setor TIC mostrou crescimento nominal inferior (37,6%) ao verificado na média da economia (47,6%) entre os dois anos citados. Essa queda de participação pode ser explicada, sobretudo pelo setor de telecomunicações, que embora tenha apresentado crescido no período, este foi inferior ao crescimento dos demais setores da economia.

A receita líquida do setor TIC também manteve uma participação estável no total, em torno de 7,1%, de 2003 a 2006. Já a fatia do pessoal ocupado no setor foi a única a ter um ligeiro crescimento no mesmo período, de 2,6% para 3,0%. Os dados estão resumidos nas duas tabelas a seguir.

Setor TIC se concentra em grandes empresas e no Sudeste e Sul do país

O setor TIC brasileiro se mostra concentrado nas grandes empresas, tanto no que se refere ao pessoal ocupado quanto ao valor gerado. Em 2006, quase metade (48,2%) dos ocupados em TIC trabalhava em empresas com mais de 250 pessoas ocupadas. Em relação ao VA/VTI, a participação das grandes empresas era ainda maior (76,1%).

Separando-se as empresas por faixa de faturamento, 40,7% do pessoal ocupado no setor TIC em 2006 trabalhavam em empresas com faturamento maior que R$ 60 milhões, mas percentual próximo (37,8%) estava ocupado nas empresas de menor faturamento (até R$ 2,4 milhões). Já na análise do valor gerado, observa-se alto grau de concentração (77,2%) na classe de maior faturamento.

A produtividade (relação entre valor gerado e pessoal ocupado) das empresas com mais de 250 pessoas era, em 2006, 4,8 vezes maior que a das pequenas. Havia maior eficiência nas empresas com faturamento superior a R$ 60 milhões, pois sua produtividade superava em pelo menos três vezes a de todos os outros intervalos de faturamento. Isso ocorre porque as grandes empresas (tanto em pessoal ocupado quanto em faturamento) são responsáveis por uma proporção do valor maior que a do pessoal ocupado.

Em 2006, as atividades do setor TIC estavam concentradas na região Sudeste no que se refere ao pessoal ocupado (65,6%) e ao valor gerado (64,4%). Em segundo lugar, aparecia a região Sul, com 13,2% do pessoal ocupado e 11,6% do VA/VTI. As participações das outras regiões eram, respectivamente, as seguintes: Norte 7,2% e 9,6%, principalmente devido à Zona Franca de Manaus; Nordeste 6,2% e 7,4%; e Centro-Oeste 7,9% e 6,9%.

Em relação às atividades, as empresas de TIC se concentravam nos serviços, que mostraram ligeiro aumento de participação no setor, de 95,3% em 2003 para 95,6% em 2006. As empresas industriais representavam 3,3% do setor de TIC em 2003 e 3,0% em 2006. O comércio mostra menor importância relativa, embora com pequeno aumento de participação, de 1,4% em 2003 para 1,5% em 2006.

Em relação ao pessoal ocupado no setor TIC, também se verifica uma concentração no setor de serviços, que, em 2006, reuniam 71,1% do pessoal ocupado, enquanto na indústria essa participação era de 25,6%; e, o comércio continuava mostrando menor importância relativa (3,3%).

Atividades de informática reúnem 89,7% das empresas e 56,3% dos ocupados em TIC

Analisando as principais atividades do setor TIC, observa-se elevada concentração do número de empresas nas atividades de informática, embora ela apresente queda na participação, passando de 92,4% em 2003 para 89,7% em 2006. Em patamar bem inferior, aparece a atividade de telecomunicações, com 2,5% do total de empresas em 2003 e 3,7% em 2006.

A composição estrutural das atividades TIC no que tange ao pessoal ocupado revela também as atividades de informática como o segmento mais intensivo em mão-de-obra, com 56,3% do total do setor. Contribui para essa participação expressiva a forte presença de pessoal não-assalariado (proprietários e sócios, sócios cooperados e membros da família) que constituíram, em 2006, 24,4% do pessoal ocupado.

A indústria também merece destaque, uma vez que, em 2006, foi responsável por 25,6% do pessoal ocupado do setor TIC. O segmento de telecomunicações respondia por 13,5% do pessoal ocupado no setor TIC em 2006. Contudo, houve uma perda de participação gradativa, já que em 2003 ela era de 14,9%.

Mesmo com queda no salário médio, TIC remunera melhor que a média

O setor TIC apresentou uma queda real de 1,6% no salário médio mensal3pago entre 2003 e 2006. Mesmo assim, o setor pagava em 2006 (R$ 2.025,18) mais que a economia em geral (R$ 937,48). Tal fato se repetia nas atividades industriais (R$ 1.902,06 em TIC e contra R$ 1.337,93 no geral); comerciais (R$ 2.521,12 contra R$ 623,72); e de serviços (R$ 2.046,73 contra R$ 897,09).

Nos serviços TIC houve uma redução da remuneração média mensal, que passou de R$ 2.107,13 em 2003 para R$ 2.046,73 em 2006, numa perda acumulada real de 2,9%. Essa queda foi influenciada pelas telecomunicações, que ainda passam por um processo de reestruturação na gestão de pessoal, o qual se reflete em mais contratações, com menores níveis de remuneração. Apesar disso, as telecomunicações continuam a representar a maior remuneração média do setor TIC: R$ 3.315,26 mensais. Para as atividades de informática, verificou-se uma tendência contínua de crescimento salarial, de R$ 1.671,06 em 2003 para R$ 1.768,73 em 2006, um aumento real acumulado de 5,8%.

O setor TIC aumentou o seu custo do trabalho4de 28,0% em 2003 para 31,9% em 2006, mantendo-se, porém, abaixo do custo do trabalho para o total da economia, que saiu de 39,1% para 39,8 %.

Telecomunicações respondem pela maior parcela do valor gerado pelo setor TIC

Em 2006, o valor gerado pelo setor TIC atingiu o montante de R$ 82,1 bilhões mostrando crescimento nominal de 38,1% em relação a 2003 (R$ 59,4 bilhões), sendo dividido da seguinte forma entre os setores econômicos: 74,4% nos serviços, 23,0% na indústria e 2,6% no comércio.

As telecomunicações são responsáveis pela maior parcela de geração de valor do setor TIC, embora apresentem perda de participação, de 55,2% em 2003 para 47,8% em 2006. Por outro lado, as atividades de informática e as atividades industriais do setor TICaumentaram sua participação entre 2003 e 2006, de 23,6% para 25,6% e de 19,3% para 22,9%, respectivamente.

Cresce receita da comunicação sem fio

No setor de telecomunicações, no período de 2003 a 2006, a participação da receita do segmento de telecomunicações por fio caiu de 60,3% para 50,7%. Em sentido contrário, a participação do setor de telecomunicações sem fio apresentou crescimento de 34,1% para 43,2%, nesse período. Com menor participação na receita desse setor, também apresentaram crescimento serviços de Internet (1,9% para 2,3%) e outros serviços (2,0% para 2,4%).

Chamadas internacionais diminuem em razão de alternativas de menor custo na internet

No grupo dos serviços de telecomunicações por fio, respondiam pelas maiores receitas, em 2006, os serviços de telefonia fixo-fixo (30,5%), seguidos pelos serviços complementares de telefonia fixa (24,5%) e telefonia fixo-móvel (18%). Embora com menores participações, destacou-se nesse grupo, no período de 2003 a 2006, o crescimento de 2,9% para 5,6% na participação da receita do serviço de fornecimento de conexão para acesso à Internet. No serviço fixo-fixo, as chamadas interurbanas representavam 43,4% da receita em 2006, seguido pelas chamadas locais (37,9%). No período 2003-2006, houve redução de participação das chamadas internacionais (de 8,9% para 5,1%), em razão de alternativas disponíveis na Internet por menor custo. Outro destaque foi a tendência de crescimento das chamadas geradas em telefones públicos (de 8,5% para 13,6%), em decorrência do Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado Prestado no Regime Público, instituído em 2003.

Serviço de celular pós-pago cresceu em detrimento do pré-pago

No setor de telecomunicação sem fio, os serviços de interconexão na telefonia celular (serviço inter-empresas de chamadas) respondiam, em 2006, por 27,6% da receita. Tinham participações importantes na receita de telecomunicações sem fio a telefonia celular pós-pago (27,1%), seguida pela telefonia celular pré-pago (11,6%) e pela venda de telefones celulares (13,5%). De 2003 a 2006, observou-se o crescimento do serviço de telefonia celular pós-pago, de 21,4% para 27,1%, em detrimento do serviço pré-pago (caiu de 17,9% para 11,6% na participação da receita de telecomunicações sem fio). No serviço pós-pago, as chamadas locais representavam, em 2006, 70,7% da receita.

Internet banda estreita tem queda acentuada enquanto banda larga cresce

No grupo de serviços relacionados à Internet, os provedores de acesso em banda larga concentravam 64,8% da receita, em 2006, seguido por outros serviços (16,1%) e agenciamento de espaço para publicidade (7,2%). No período 2003-2006, houve queda acentuada da participação dos provedores de acesso em banda estreita (de 26,2% para apenas 5,2%), enquanto os serviço de banda larga respondia por 49,1% da receita, em 2003, chegando a 73,3%, em 2005, seguida por pequena retração em 2006 (64,8%).

Softwares por encomenda respondem por mais de 30% da receita da informática

No setor de informática, o segmento de desenvolvimento de softwares sob encomenda concentrou mais de 30% da receita, entre 2003 e 2006, seguido pelo desenvolvimento, edição e licenciamento de softwares prontos para uso, que no período analisado na pesquisa, caiu de 19,0%, em 2003, para 16,7%, em 2006. Entre 2003 e 2006, teve destaque o crescimento de participação em receita do serviço de consultoria em tecnologia da informação, que passou de 10,4% (2003) para 15,0% (2006). No sentido contrário, o setor de manutenção de equipamentos registrou queda, passando de 7,7% de participação na receita, em 2003, para 4,9% em 2006.

Aumento de importações faz saldo de comércio exterior de TIC cair 30%

O estudo demonstra que enquanto o superávit do comércio exterior brasileiro como um todo quase duplicou a partir de 2003 até 2006, o déficit do comércio exterior dos produtos do setor Tecnologias de Informação e Comunicação aumentou em torno de 32%, no mesmo período, em decorrência do aumento das importações.

Entre 2003 e 2006, cresceu de 12,5% para 14,3%, a participação da importação dos produtos do setor em relação ao total do país, enquanto as exportações mantiveram-se estáveis com 3,2% de participação. Todas as categorias, exceto equipamentos de telecomunicações, foram deficitárias (importações superaram as exportações), com destaque negativo para as categorias dos componentes eletrônicos e dos computadores e equipamentos relacionados, que juntas representaram 85% do saldo comercial.


Notas:

1 O valor adicionado (VA) nas pesquisas anuais de Comércio e de Serviços é a diferença entre o valor bruto da produção e o consumo intermediário. Nesse caso, o cálculo é feito sem os ajustes metodológicos das Contas Nacionais. O valor da transformação industrial (VTI), da Pesquisa Industrial Anual – Empresa, é a diferença entre o valor bruto da produção industrial e os custos das operações industriais.

2 Considerando as atividades industriais, de serviços e do comércio.

3 O salário médio mensal é calculado pela relação entre o total de salários, retiradas e remunerações e o total de pessoal ocupado dividido por 13 (12 meses mais 13º).

4 Corresponde à relação entre os gastos com pessoal e o valor da transformação industrial; no comércio e nos serviços, corresponde à relação entre os gastos com pessoal e o valor adicionado.


Estudo completo está disponível aos leitores.



Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 489Exibido 707 vezesFale com o autor