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Ensaios-->A mediocridade: Culto ao idiota nestes tempos de petismo -- 03/11/2008 - 12:09 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A mediocridade - culto ao idiota nestes tempos do PETISMO

RODRIGO CONSTANTINO

O articulista é um crítico ferrenho da mediocridade e do conformismo. Considerando o momento que vivemos no Brasil vale a pena ler esse artigo dele sobre o tema. (PS Loredo)


O ditado popular diz que cada povo tem o governo que merece. Por trás desta crença, está o fato de que os governados são sempre maioria e os governantes são minoria. Logo, algum tipo de aprovação das massas se faz necessário, já que dificilmente a coerção sozinha seria suficiente para manter um povo inteiro servil. Em outras palavras, a cultura predominante num determinado povo é fundamental para o tipo de governo que ele terá. As instituições são cruciais, mas os pilares que sustentam um governo estarão sempre na mentalidade dominante dos governados. Os políticos acabam sendo um reflexo do povo. Quando este abraça os valores errados, não adianta sonhar com um messias salvador. Os valores é que devem mudar.

Dito isso, podemos entender melhor o lamentável contexto atual do Brasil, onde a insatisfação com a classe política é total por parte dos que ainda alimentam um ideal moral. De fato, o cerne da questão está enraizado em locais mais profundos. Trata-se de um problema estrutural, de um apodrecimento dos próprios valores da sociedade. Não adianta apenas criticar este ou aquele governo, ainda que seja um dever moral de todos os que buscam melhorias apontar qualquer empecilho para a meta. Há, é verdade, um real agravamento do quadro durante a gestão do presidente Lula, pois ocorreu uma total banalização da imoralidade, com os enormes e infindáveis desvios de conduta sendo justificados com base na desculpa esfarrapada de que sempre foi assim. Estamos completamente inseridos numa mediocracia, onde pululam os medíocres e faltam idealistas com a convicção moral de se revoltar contra o 'consenso'.

É praticamente impossível ler O Homem Medíocre, de José Ingenieros, e não pensar na situação caótica do nosso país. No livro, o autor descreve as características presentes numa mediocracia, contrapondo isso à visão de um ideal de perfeição por parte de alguns poucos indivíduos de destaque. Ingenieros sustenta que é fundamental manter acesa esta chama de um ideal, uma meta visionária que não sucumbe às contingências da vida prática imediata. Esses visionários buscam alguma perfeição moral, emancipando-se do rebanho. São espíritos livres, adversários da mediocridade, são entusiastas contra a apatia. Sem ideais o progresso seria impossível. O culto ao 'homem prático', com foco apenas no presente imediato, representa a renúncia à evolução.

'A vulgaridade é uma acentuação dos estigmas comuns a todo ser gregário; apenas floresce quando as sociedades se desequilibram em desfavor do idealismo', diz Ingenieros. Para ele, a vulgaridade é 'a renúncia ao pudor daquele que carece de nobreza'. Os seres vulgares se unem através de uma complacência servil ou uma bajulação proveitosa. São dissimulados, falsos, hipócritas e vaidosos. 'A vaidade empurra o homem vulgar a perseguir um emprego respeitável na administração do Estado, indignamente, se é necessário'. O hipócrita declara as crenças mais proveitosas, ignorando qualquer aspecto moral. 'O hipócrita transforma sua vida inteira em uma mentira metodicamente organizada'. Vive um culto às aparências, sem ligar para a verdade. Tudo que lhe importa é parecer virtuoso, sem nutrir qualquer admiração real pela virtude em si. São oportunistas, e entre os homens vulgares, existe cumplicidade do vício ou da intriga, mas nunca amizades verdadeiras.

Quando estes dominam, temos uma mediocracia. 'Nos povos domesticados chega um momento no qual a virtude parece um ultraje aos costumes'. Quem consegue ler isso e não refletir sobre a realidade brasileira? 'Quando a dignidade parece absurda e é coberta de ridículo, a domesticação dos medíocres alcançou seus extremos'. No Brasil, não é visto como patética a defesa intransigente por ideais morais? O 'jeitinho' não faz parte da cultura nacional? A corrupção política não passou a ser vista com naturalidade? Aquele que ousa desafiar a 'opinião pública' não é execrado por todos? A população não parece acovardada, escrava da opinião alheia? O mérito individual não cedeu lugar ao conceito de 'igualdade dos resultados'? As trocas de favores políticos não substituíram a responsabilidade individual de sustento próprio? 'Esse afã de viver às expensas do Estado rebaixa a dignidade'. O parasitismo - viver à custa dos outros na marra - não passou a ser encarado como uma espécie de 'direito civil'? O culto à inveja, tentando rebaixar aqueles que conquistam vôos mais elevados, não se transformou em bandeira política?

Na mediocracia, 'todos se apinham em torno do manto oficial para alcançar alguma migalha da merenda'. E no Brasil das esmolas estatais, dos vastos subsídios para grandes empresas, das anistias milionárias para intelectuais, do financiamento estatal bilionário para ONGs, o clima predominante não é exatamente este? Não estão todos se vendendo em troca de 'migalhas'? 'As artes tornam-se indústrias patrocinadas pelo Estado'. E esse não é o país dos filmes bancados por verbas estatais, fazendo proselitismo para agradar a mão que os alimenta? 'Tudo mente com a anuência de todos; cada homem põe preço à sua cumplicidade, um preço razoável que oscila entre um emprego e uma condecoração'. E não é este o país dos cabides de emprego nas estatais, dos milhares de cargos públicos apontados pelo governo para aparelhar a máquina com os aliados partidários? 'O nível dos governantes baixa até o ponto zero; a mediocracia é uma confabulação dos zeros contra as unidades'. E não seria este o país que tem Lula como presidente, enaltecendo sua ignorância como se esta fosse motivo de orgulho? Não é este o país onde o presidente beija a mão de caudilhos e ri, enquanto avisa que se trata de uma aula sobre política?


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