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Ensaios-->O socialismo do século XXI -- 14/09/2008 - 12:24 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
O SOCIALISMO DO SÉCULO XXI

Por Dr. Rodrigo R. Pedroso

O final da década de 1980 assistiu à derrubada do muro de Berlim e à dissolução da União Soviética. Parecia que o socialismo estava definitivamente sepultado pela História, com a comprovação cabal de sua incapacidade de assegurar os próprios objetivos que prometia: o progresso econômico e o bem-estar social. Pelo contrário, o saldo da experiência socialista foi o mais desastroso possível: miséria, escravidão e um terrorismo de Estado que massacrou 100 milhões de pessoas inocentes, sem contar os abortos.

Em 1989, no Brasil, Lula (PT) e sua proposta socialista foram fragorosamente derrotados nas eleições presidenciais. No ano seguinte, em julho, Lula e Fidel Castro, presidente de Cuba, convocaram uma reunião de 48 partidos socialistas de diversos países da América Latina, inclusive organizações que fizeram opção pela luta armada e o terrorismo, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o MIR (Movimiento de Izquierda Revolucionaria) chileno, responsável pelo seqüestro do empresário brasileiro Abílio Diniz. Na convocatória da reunião, Lula e Fidel Castro afirmaram que o objetivo do encontro era discutir como 'reconquistar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu'.

Esta reunião internacional realizou-se, pela primeira vez, no Hotel Danúbio, na cidade de São Paulo. Do encontro resultou a formação de uma aliança internacional de partidos socialistas latino-americanos, que ficou conhecida como 'Foro de São Paulo', em razão da cidade onde se deu a primeira reunião. Em 1991 foram estabelecidos os estatutos do Foro.

Com o Foro de São Paulo, a esquerda latino-americana passaria a atuar em conjunto e em escala continental. Progressivamente, o Foro de São Paulo foi conquistando sucessivas vitórias políticas e seus membros foram obtendo o governo em diversos países da América Latina, além de Cuba, onde os comunistas já haviam tomado o poder em 1959:

Venezuela (Hugo Chávez, 1999),

Brasil (Lula, 2003),

República Dominicana (Leonel Fernández, 2004),

Uruguai (Tabaré Vázquez, 2005),

Bolívia (Evo Morales, 2006),

Chile (Michelle Bachelet, 2006),

Nicarágua (Daniel Ortega, 2007),

Equador (Rafael Correa, 2007) e

Paraguai (Fernando Lugo, 2008).

Embora seu partido não faça parte da organização, a família Kirchner, que governa a Argentina desde 2003, apóia e é apoiada pelo Foro de São Paulo.

Conseqüentemente, a vaga esquerdista que que se lança sobre a América Latina não é um fenômeno político espontâneo. Não é uma coincidência que a maior parte dos países latino-americanos está sendo governada pela esquerda. Pelo contrário, trata-se da implementação de uma estratégia continental, coordenada internacionalmente.
O objetivo final do Foro de São Paulo é a unificação latino-americana sob o sistema socialista, ou seja, a constituição de uma união de repúblicas socialistas, tal como os comunistas fizeram de 1917 a 1991 na Rússia, com a anulação das soberanias nacionais dos Estados da América Latina. Passos nesse sentido já foram dados com a ALBA (Aliança Bolivariana para as Américas) e a UNASUL (União das Nações Sul-Americanas). Os brasileiros que se preparem, para contrapor-se a esse projeto político, ou para submeter-se às leis votadas por um parlamento localizado em Cochabamba, na Bolívia.

Alguns podem dizer que nem todos os presidentes pertencentes ao Foro de São Paulo são radicais ou extremistas. Vão citar o exemplo de Lula no Brasil ou de Bachelet no Chile, como exemplos de esquerda moderada, muito diferente de Chávez e Morales. Acontece que, politicamente, não é Lula que difere de Chávez, ou Bachelet que difere de Morales, seus países é que são muito diferentes.

Nem o Brasil é uma Venezuela, nem o Chile é uma Bolívia. Brasil e Chile são países mais desenvolvidos economicamente e que contam com uma sociedade civil mais bem organizada e menos dependente do Estado. Lula não pratica o extremismo de Chávez porque não quer, mas porque não pode. Não existe uma esquerda latino-americana 'herbívora' e outra 'carnívora': todos os membros do Foro de São Paulo são onívoros, isto é, comem de tudo; ocorre que em determinados ambientes a caça é mais fácil ou não...

Vejam só: uma tática característica dos governos do Foro de São Paulo é mudar a Constituição de cada país, para adaptar suas instituições ao sistema socialista e garantir sua continuidade no poder. Isso foi feito na Venezuela, e está se fazendo na Bolívia e no Equador. Parece que Lula nada está fazendo nesse sentido... Engano, o Partido dos Trabalhadores mantém uma campanha pela convocação de uma nova Assembléia Nacional Constituinte para fazer a 'reforma política':
http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=9910&Itemid=195

Hoje a campanha é discreta porque os petistas sabem que é arriscada uma atitude mais ostensiva. Mas, mudando a 'correlação de forças', quem sabe o que irá ocorrer?

Ademais, é preciso ter bastante atenção com o vocabulário dessa gente: quando eles falam em 'reforma tributária' é porque eles querem tomar seu dinheiro; quando falam em 'reforma agrária' é porque querem tomar sua terra; quando falam em 'reforma política' é porque querem tomar sua liberdade.


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