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Ensaios-->Memorial do Comunismo: A geração 68 chega ao poder -- 31/07/2007 - 11:22 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A trajetória da Geração 68 até o poder

Heitor Abranches
www.pugnacitas.blogspot.com

Há algum tempo assisti a uma entrevista do José Dirceu ao Roberto D’Ávila onde falava de sua vida e de como a sua militância política começara. Segundo ele, tudo começou quando ele, um jovem e bonito aluno de direito da PUC/SP, organizou uma rebelião para que as turmas separadas de homens e mulheres passassem a ser mistas. Como disse uma vez o José Genoíno, enquanto ele trabalhava nos Congressos da UNE o Dirceu “passava o rodo”.

Há alguns anos, perambulando por um sebo, encontrei um livro organizado pelo Guido Mantega, então porta-voz dos economistas do PT, chamado Sexo e Poder. Segundo João Domingos, no artigo de Mantega “Sexo e Poder nas sociedades autoritárias: a face erótica da dominação” podemos ler: “...a construção do homem novo e a conquista da liberdade vão muito além da destruição do Estado capitalista.” Hoje, 30 anos depois, podemos nos arriscar a dizer que a Revolução Sexual e a erosão dos valores vitorianos não destruiu o capitalismo.

Todos conhecem a outra expoente da sexualidade do PT paulista, a ministra do Turismo Marta “Relaxa e Goza” Suplicy. Ela é talvez a principal expoente feminista pela libertação sexual do partido, participando todos os anos da passeata dos GLBTS, embora, segundo seu filho Supla, não seria mais do que uma burguesinha se não fosse o seu pai, o ilustre senador Eduardo Suplicy. Foi ele quem, ainda nos anos 80, propôs o Programa de Garantia de Renda Mínima. Seria assim quase um “pai” do Bolsa Família.

Se bem que é opinião comum até entre os petistas que este ícone da ética seja meio lesado. Vai ver foi por isso que a Marta, então prefeita de São Paulo, deu-lhe um pé na bunda para ficar com o franco-argentino Luis Favre - ou seria Felipe Belisário Wermus, envolvido no esquema de Caixa 2 do Partido dos Trabalhadores e na negociata envolvendo a Portugal Telecom juntamente com Naji Nahas, o homem que quebrou a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989, quebra da qual esta Bolsa nunca se recuperou? É muito irônico! De mulher do “homem perfeito” à mulher de bandido.

Segundo os boatos, quem lucrou dando este “corner” em Nahas foi um jovem economista chamado Daniel Dantas, do qual, segundo se comenta, o professor Simonsen disse tratar-se do aluno mais brilhante que já tivera. De fato, mais tarde Nahas se aliaria à Telecom Itália e ao PT contra Dantas na disputa pela Brasil Telecom. Dantas contrataria a Kroll para espionar a cúpula petista e acusaria o governo Lula e o PT de tentar cobrar US$ 50 Milhões para que a Anatel e os fundos de pensão estatais o apoiassem na questão da Brasil Telecom.

Em 1968, o jovem cheio de hormônios José Dirceu participou do rompimento com o Partidão e se aproximou de grupos como a ALN liderada por Carlos Marighela e Dilma Roussef. A sua decisão pela luta armada duraria pouco, pois no mesmo ano foi preso no XXX Congresso Nacional da União dos Estudantes (UNE), realizado em um sitio em Ibiúna em São Paulo – aliás, coisa de “gênio” aquele congresso supostamente secreto. Em seguida, é trocado pelo Embaixador americano seqüestrado pela ALN e MR8 e é exilado.

No exílio fez supletivo de guerrilha em Cuba mas não se tem conhecimento de nenhuma ação em que tenha estado envolvido. O engraçado é que os velhos comunistas ainda têm mágoa destes caras da geração de 68 que declararam guerra aos militares e foram para o exílio enquanto eles ficavam aqui levando porrada. Mais tarde, a geração de 68 pratica o segundo rompimento com o Partidão fundando o PT em 1980.

Com a fundação do PT, a geração de 68 começa a desistir da luta armada como caminho para se chegar ao poder. O discurso agressivo nacionalista e anti-corrupção do PT foi muito bem sucedido na década de 80 e nos estertores do pior governo brasileiro do século XX, o governo Sarney, que terminou o mandato com inflação de 80% ao mês. Eles talvez conquistariam o poder se não fosse pela intervenção da Rede Globo, que editou o debate com o Collor e explorou muito bem o episódio do seqüestro do empresário Abílio Diniz por um guerrilheiro esquerdista chileno. Não podemos esquecer também da amante do Lula e da sua filha fora do casamento que lhe causaram algum embaraço e da ameaça do Collor com a pasta . Enfim, na ocasião o Lula afinou e segundo gente que era do partido na época foi tomar uísque com a direção da TV Globo.

Nesta época, o PT ainda acreditava nas Comunidades Eclesiais de Base como uma forma de aproximação com o povo. Mais tarde, o Bolsa Família se mostraria muito mais eficiente. De fato, o Bolsa Família foi capaz de substituir a perda de parte da classe média após o Mensalão. Mesmo nos piores momentos o PT sempre teve o apoio do MST, da CUT e dos sindicatos de servidores públicos - a burguesia de estado -, que, em geral, foram comprados com bons aumentos, embora tenham de tolerar chefes geralmente incompetentes oriundos do partido, como o Milton Zuanazzi, presidente da ANAC, que de vereador amigo da Dilma e sem experiência em aviação civil virou a principal autoridade civil na área.

Na década de 90, após a derrota de Lula duas vezes para FHC, a cúpula petista percebe a necessidade de mudar a orientação do PT, e José Dirceu é encarregado de subverter a ordem petista com o Campo Majoritário, cujo poder se sobrepõe as tendências, disciplinando-as. Mais tarde, Lula adota uma linha quase hippie de paz e amor chamada de “Lula Light” sob a orientação do publicitário Duda Mendonça e conquista o centro do espectro político.

O PT aceita que o povo não gosta de inflação nem de bravatas do tipo que não fará o pagamento da divida externa e o IBGE mostra que com o fim da inflação começa-se a redução da concentração de renda. De fato, a proposta de FHC, pai da teoria da dependência e ex-discipulo de Florestan Fernandes era reduzir o Estado e desta forma atacar a burguesia que vive as custas dos favores deste. Chavez e a sua boli que o digam.

Semana passada, discutindo com alguns ex-alunos da Maria da Conceição, que comemoravam a morte do ACM, eles me diziam que Dirceu é na verdade um herói, um verdadeiro Robin Hood que descobrira um novo caminho para a Revolução Socialista, o caminho da corrupção. Segundo eles, o abrandamento do discurso petista e a adoção do Caixa 2 punha o partido em condições de igualdade na disputa eleitoral com os demais partidos permitindo-lhe efetivamente chegar ao poder. Para eles, é natural que diante de uma burguesia corrupta a melhor estratégia seria adotar o seu jogo e usá-lo contra os próprios burgueses.

Embora o Caixa 2 tenha dado melhores condições de disputa eleitoral ao PT, foi o Bolsa Família que efetivamente deu a Lula a sua reeleição com os fantásticos índices de aprovação em torno de 80% no Nordeste. Cristóvam Buarque não hesita em afirmar que o Bolsa Família é corrupção. É coronelismo mas é realpolitik e funciona. Acho que nunca o certinho do Eduardo Suplicy imaginou a utilidade eleitoral de sua idéia, que visava dar cidadania às pessoas e não construir o maior curral eleitoral que já se viu na história deste país. O Cristovam Buarque foi o homem que teve a melhor idéia daquela geração propondo o Bolsa Escola, ou seja, a extensão do sistema de bolsas para os alunos carentes desde o ensino fundamental.

A partir disto, o aparelhamento do Estado passa a ser na verdade condição necessária para que os recursos do Estado sejam desviados para os movimentos sociais aliados do governo e da “Revolução”. Afinal, se os grandes fazendeiros “roubam” o Banco do Brasil, por que os Sem Terra e outros movimentos sociais não têm direito a algum recurso a fundo perdido do Tesouro? Isto é apenas distribuição de renda. E se existe corrupção nas estatais e nos fundos de pensão, que se cobre a parte do partido e dos aliados. E para isto ser feito da melhor maneira é preciso nomear os companheiros de confiança para estes cargos, independente das suas qualificações profissionais.

Mas política também é aprendizado e o PT aprendeu com a cassação de Collor. Construiu uma maioria no Congresso com cargos, emendas no orçamento, favores e por que não, dinheiro (o Mensalão). Hoje, o PMDB é o melhor partido que o dinheiro pode comprar e com ele o governo consegue maioria no Congresso, elege os presidentes das duas Casas e controla a agenda legislativa. Afinal de contas, por que o PMDB luta há meses para nomear diretores na Petrobras? Será preocupação para que esta empresa seja bem administrada ou uma maneira de garantir o seu quinhão no butim?

Ate a UNE que gerou grandes lideranças no passado como Jose Serra que foi seu presidente em 63/64 e foi exilado, hoje virou capacho do governo. No exterior, ao invés de cursinho de guerrilha Serra fez doutorado em Economia em Cornell e foi professor em Princeton. De volta ao Brasil, se tornou professor da UNICAMP, propôs a lei que capitaliza o BNDES com 40% dos recursos do FAT, a principal fonte de recursos para o setor privado, alem da conhecida lei dos genéricos. Hoje, esta UNE, outrora maternal dos futuros politicos, apóia o Lula na crise do Mensalao e vive do comercio entre fraudulento e negligente de carteirinhas de estudante.

O próprio Mensalão não é algo sem precedentes. Quem não se lembra da denúncia de que o Maluf estaria comprando os membros do colégio eleitoral em 1986 ou de que o FHC teria comprado votos a R$ 200.000 por cabeça para aprovar a sua reeleição em 1996? Portanto, o Mensalão é apenas uma questão de aprendizagem.

Quanto à Globo, em breve ela enfrentará a concorrência da TV Lula, capitaneada pelo Franklin Martins, que certamente está ansioso para dar o troco na emissora que o demitiu. A Veja vai mal das pernas, a Primeira Leitura fechou e a imprensa é constantemente atacada por membros do governo, senão pelo próprio Lula. Enquanto isto, a imprensa amiga do governo vai se fortalecendo financeiramente com o aparecimento de patrocinadores dispostos a por dinheiro a fundo perdido em diversos órgãos. A circulação da Carta Capital cresce cada vez mais.

As resistências vão cedendo e a “Revolução Socialista da Geração de 68” vai se tornando uma realidade. Não pela Revolução Sexual, não com a libertação da mulher, não pela Luta Armada como fez o seu ídolo Fidel, não com o combate à corrupção, não com as Comunidades Eclesiais de Base mas com um líder sindical carismático semiculto e com muita corrupção.

O grande general sifilítico Mao conquistou a China com a Grande Marcha. Lênin conquistou uma Rússia esgotada pela Primeira Guerra Mundial e cuja elite afrancesada havia perdido o contato com as bases sociais. Lula dominou o Brasil com um pouco de corrupção e com o Bolsa Família. E a TV Lula só tende a aumentar esta hegemonia dando a cobertura “correta” aos acontecimentos nacionais e se preparando para ser uma alternativa caso um dia se tenha que chegar ao extremo de discutir o controle “democrático e social” da concessão da TV Globo.




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