Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
42 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 56734 )
Cartas ( 21160)
Contos (12583)
Cordel (10005)
Crônicas (22134)
Discursos (3130)
Ensaios - (8936)
Erótico (13379)
Frases (43210)
Humor (18337)
Infantil (3739)
Infanto Juvenil (2599)
Letras de Música (5463)
Peça de Teatro (1315)
Poesias (137959)
Redação (2915)
Roteiro de Filme ou Novela (1053)
Teses / Monologos (2387)
Textos Jurídicos (1922)
Textos Religiosos/Sermões (4727)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Ensaios-->Memorial do Comunismo: TV Lumumba entrevista Hugo Chávez -- 11/07/2007 - 16:43 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
TV Lumumba entrevista Hugo Chávez

Félix Maier
Usina de Letras - 19/10/2005

Dia 3 de outubro deste venturoso Annus Lulae 3, a TV Lumumba de Paulo Markun entrevistou, em seu 'Roda Viva', Hugo Chávez, presidente da República Bolivariana da Venezuela.

Ultimamente, Chávez tem sido uma figura onisciente de todos os passos de Lula, seja no longínquo Nordeste, seja na Granja do Torto, quando fez uma visita-relâmpago a Lula por ocasião das denúncias da corrupção petista que originaram três CPIzzas, seja na eterna Roma dos césares, onde no dia 17 de outubro Lula recebeu a Medalha do Mérito Aftosa, entregue na sede da FAO (Fome de Angu Zero). Inicialmente, quando vi a rápida e fugidia figura de Chávez na entrega de mais um “diploma” a Lula na FAO, achei que se tratava de um caso concreto de “linguagem subliminar”, codificado pela programação neurolingüística, de que a TV tinha inserido, por conta própria, um quadro do tiranete da Venezuela no vídeo, rápido como um raio, para nos lembrar de seu poder de bilocação, normalmente só possível em pessoas santas. Porém, quando abri o jornal no dia seguinte, pude comprovar que o onipresente Chávez tinha efetivamente viajado a Roma...

Para os desavisados, esclareço que a TV Lumumba (*) é mais conhecida como TV Cultura de São Paulo. Chamo de Lumumba devido à ideologia esquerdizante que reina no onagro vermelho, que sempre enaltece facínoras como Prestes, Lamarca, Marighela e Apolônio, ao mesmo tempo em que sataniza presidentes competentes e sérios como Castello Branco e Emílio Garrastazu Médici, os melhores que tivemos depois de Juscelino.

Rodando na poltrona mais que dervixe rodopiante, Chávez estava muito à vontade no programa da Lumumba. Primeiro, porque, em um comício que sacramentava a parceria Brasil-Venezuela na construção de uma refinaria de petróleo em Pernambuco, Lula havia dito a Chávez que na Venezuela havia “democracia em excesso”. Segundo, porque a TV Lumumba, para fazer as perguntas a Chávez, escolheu seus jornalistas e “intelectuais” a dedo (**), alguns deles famosos lambe-botas de tiranos como Fidel Castro, a exemplo de Fernando Morais. Até a pagodeira pedetista Beth Carvalho apareceu na telinha, não só para fazer uma pergunta a Chávez, mas também para elogiar o canal de TV Tele Sul, com sede na Venezuela, que, espera ela, “a informação e a cultura sejam instrumentos realmente de libertação”. Ocorre que a Tele Sul não é nada mais do que a central de irradiação do projeto revolucionário em andamento, o Foro de São Paulo, que tem o PT, Fidel Castro, Chávez, Frei Betto, as FARC e o “cocalero” Evo Morales, da Bolívia, como seus mais destacados membros. Aliás, o canal já está sendo chamado de “Al-Bolívar”, uma combinação de palavras que junta o herói preferido de Chávez, Simón Bolívar, com a TV pró-terrorista Al-Jazira.

Durante o programa, Chávez disse a que veio. Como seu objetivo é armar mais de 2 milhões de venezuelanos, para fazer frente ao “imperialismo americano”, o tiranete defendeu a compra de 100 mil fuzis da Rússia e da Espanha. Quando os espanhóis indagaram o porquê de tantas armas, o pequedê golpista respondeu candidamente: “Uno no puede ni comprar unos fusilitos?” Chávez é um discípulo aplicado de Fidel Castro na promoção da subversão nos países latino-americanos. Apesar de Chávez estar envolvido em movimentos antigovernamentais em países como Colômbia, Equador e Bolívia, a comissão norueguesa que gere o Prêmio Nobel acabou por inclui-lo entre os 199 concorrentes ao Nobel da Paz deste ano...

Chávez, repetindo ad nauseam que era um autêntico revolucionário, dentro do ideal de Simón Bolíver, que era o de unir o sub-continente sul-americano sob um único governo, afirmou inúmeras vezes que a Venezuela respira a mais autêntica democracia, que as elites locais tentaram abatê-lo do poder no frustrado golpe de Estado, com a ajuda dos ianques, e que por isso está se armando até os dentes para enfrentar Tio Sam, que no futuro poderá invadir o país em busca de petróleo. Enfim, um autêntico líder de uma republiqueta terceiro mundista de Pongo Pongo, imortalizada por Meira Penna em seu romance satírico 'Cândido Pafúncio'. Quando algum entrevistador, obviamente fora do padrão Lumumba, ousava discordar de Chávez quanto à “democracia bolivariana”, que já criminalizou até a liberdade de opinião na imprensa, este logo aconselhava o jornalista a se informar melhor e não ouvir a propaganda mentirosa da direita, tanto da Venezuela, quanto do governo Bush. Fernando Morais, além de fazer perguntas já respondidas ao dileto amigo, disse que em fevereiro almoçou com Fidel Castro e José Dirceu em Cuba – que tróica, hein? - e repetiu seus surrados chavões antiamericanos, lembrando aos presentes, entre outras coisas, que a base americana instalada recentemente no Paraguai tem como finalidade se inteirar das reservas do Aqüífero Guarani, sobre o qual os ianques já estão estendendo as mãos...

O coronel-tiranete esbanjou fanfarronice, como sempre faz, aproveitando a boa vontade da TV Lumumba para distorcer dados estatísticos, dizendo que a Venezuela tem reservas superiores a 300 bilhões de barris de petróleo, enquanto que os EUA têm apenas 30 bilhões. Ora, se isso fosse verdade, a Venezuela teria aproximadamente 1/3 de todas as reservas mundiais, avaliadas em pouco mais de 1 trilhão de barris conhecidos, segundo especialistas sérios. Todo mundo sabe que os membros da OPEP inflam seus números para aumentar sua participação no mercado.

Chávez garantiu que em pouco tempo varreu o analfabetismo da Venezuela. O milagre ele explicou ao senador e ex-ministro da Educação, Cristóvam Buarque, que apareceu numa tela de TV (***).

Cristóvam – Presidente Chávez, na semana passada, eu estive em Caracas com o ministro Aristóbolo, da Educação, e ele me disse que, no dia 28 de outubro, o senhor vai mostrar para o mundo inteiro que a Venezuela é um território livre do analfabetismo. Eu gostaria que o senhor explicasse para todos nós brasileiros como foi sua “Missão Robinson 1”, que conseguiu, em tão pouco tempo, fazer esse ato heróico, de erradicar o analfabetismo de todo um país do continente latino-americano?

Chávez – Obrigado pela pergunta, amigo e irmão. A Missão Robinson é parte da resposta da revolução. Foi Leon Trotsky quem disse: “A toda revolução falta o chicote da contra-revolução”. Fomos duramente chicoteados e como respondemos? Aprofundando a ofensiva. A melhor defesa é o ataque. Criamos um conjunto de programas extraordinários chamados de 'Missões'. Uma foi a Missão Robinson. Estamos concluindo a Robinson 1. Há três dias, diplomamos mais 30 mil compatriotas que aprenderam a ler e escrever pelo método cubano em sete semanas, com TVs, vídeos e folhetos. Um exercício de jovens facilitadores. Em um ano e meio, 1,5 milhão de venezuelanos aprenderam a ler e escrever. Somos 25 milhões. Em 28 de outubro, dia de São Simão, aniversário de Simon Rodriguez, grande pedagogo, vamos oficializar esses dados com aprovação da UNESCO, que avaliou como fizemos isso. Em um ano e meio, acabamos com um flagelo de 200 anos. Mas não nos conformamos. Dissemos: “Agora é o Robinson 2, todos para a 6ª série”. Também com TV, vídeo, método pedagógico e, agora, estudam Matemática, Informática, idiomas, como português, que colocamos no currículo, Geografia, História, para, em dois anos, concluir a 6ª série.
Entreguei diplomas a homens de 90 anos e a mulheres de mais de 80 anos que aprenderam depois de toda uma vida. É parte da ação social de justiça e igualdade.

Só não entendo por que a TV Globo, com seu gratuito Telecurso, ainda não conseguiu repetir o milagre chavista. É simples: em sete semanas ninguém é alfabetizado. O máximo que um aluno consegue nesse tempo é escrever o nome, ler algumas palavras e fazer operações aritméticas simples. O miraculoso método cubano não passa de mais um embuste do fanfarrão bolivariano.

Outro milagre propalado pelo pequedê revolucionário está na área da Saúde. Chávez contratou 20.000 médicos cubanos, aos quais se juntaram 2.000 “médicos sociais” venezuelanos, para oferecer atendimento médico e remédios gratuitos aos pobres. Chávez garantiu que, entre cubanos e venezuelanos, esse número chegará a 200.000 em 2015! O principal beneficiado desse milagre é o próprio Fidel Castro, que, além de receber o óleo venezuelano a preços de compadre, consegue empregar no exterior seus milhares de médicos ociosos, onde, pelo menos, recebem um salário digno, que não existe em Cuba, pois muitos preferem ser motoristas de táxi para receber gorjetas de turistas. Outro projeto de Chávez, já em andamento, pretende oferecer ajuda oftalmológica a “6 milhões de latino-americanos e caribenhos”, especialmente crianças que nascem com catarata congênita.

Chávez defendeu, também, a criação do Banco Sul, que seria uma espécie de Banco Mundial da região. Defendeu, ainda, a criação da Organização do Tratado do Atlântico Sul (OTAS), que teria como membros países latino-americanos e africanos.

Ou seja, em tempos de plena globalização do planeta, quando a própria China comunista não quer ficar de fora, ainda temos que ouvir, com o apoio da TV Lumumba, um defensor de um sistema político que promoveu o maior assassinato na História universal. Em tempos de integração do maior número de países possível, o que mais se ouviu de Chávez foi a idéia de isolamento do mundo capitalista, o qual até hoje melhor serviu ao ser humano, como comprovam a União Européia, os EUA e países emergentes como a Coréia do Sul. Em vez de pretender ser o último dos ricos, o que já seria ótimo, Chávez quer ser o primeiro dos pobres, dentro da mesma ótica vesga de Lula, que é contra a ALCA e prega apenas uma integração Sul-Sul, uma 'nova geografia política'. É triste ver um fóssil como Chávez ser endeusado pelas esquerdas brasileiras como um autêntico líder, quando não passa de um maldito clone de Fidel Castro.


Notas:

(*) TV Lumumba - refere-se à Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba (UAPPL). Tinha sede em Moscou, URSS, e era um dos centros de doutrinação comunista mundial, ao lado de escolas similares então existentes na Bélgica (Centro Tricontinental) e na Tchecoslováquia. Através da União Internacional de Estudantes (UIE) era feito o envio de estudantes brasileiros à UAPPL. A seleção dos alunos brasileiros ficava a cargo do PCB e era confirmada com base nos registros da “Caderneta nº 6”, de Luiz Carlos Prestes, e pelos questionários apropriados, posteriormente apreendidos em várias organizações comunistas. Os custos – viagem, estada, estudos e seguro médico – eram inteiramente grátis. Por isso, “nas décadas de 60 e 70, o sonho de todo pai comunista de país do Terceiro Mundo era ter um filho estudando na Universidade Patrice Lumumba, em Moscou. (...) A universidade foi criada em 1960, por iniciativa do então dirigente soviético Nikita Kruschev. (...) Nos bons tempos, 65% dos 7.000 alunos eram estrangeiros” (“Escola do capital”, in revista Veja, de 22 de janeiro de 1997, pg. 40-41). O empresário João Prestes, filho de Luís Carlos Prestes, formou-se em engenharia pela Lumumba na década de 1970, época em que havia cerca de 120 alunos brasileiros matriculados em Moscou.

“A partir de 1953, o Partido Comunista da União Soviética passou a ministrar cursos, em Moscou, a militantes do PCB. Cursos de treinamento militar e condicionamento político-ideológico. O último desses cursos foi em 1990, quatro anos após terem sido implantadas por Gorbachev as políticas de perestroika e glasnost. Cerca de 700 militantes foram treinados na Escola de Quadros, como era mais conhecido o Instituto de Marxismo-Leninismo do PC Soviético, e na Escola do Konsomol (Juventude do PCUS), em cursos cuja duração variava de 3 meses a 2 anos. Cerca de 1.300 outros brasileiros concluíram cursos superiores na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba e em outras universidades soviéticas, em cujo currículo sempre constou a matéria marxismo-leninismo. Até mesmo em cursos de balé. As matrículas na UAPPL sempre foram efetuadas através da Seção de Educação do Comitê Central do PCB e também através do Instituto Cultural Brasil-URSS, um apêndice do PCB. Algumas dessas pessoas, no regresso ao Brasil, passaram a trabalhar em empresas estatais e, pelo menos um, formado em Medicina, como Oficial das Forças Armadas, nos anos 80”. (Carlos I. S. Azambuja, in “Histórias quase esquecidas”, site Mídia Sem Máscara, 10/2/2003).

A UAPPL incluía ainda o ensino de armamentos e explosivos, atraindo pessoas do mundo inteiro, e era destinada a assessores de um programa comunista soviético de dominação mundial (globalização comunista). De volta a seus países, os “lumumbas” entravam clandestinamente nos sindicatos de trabalhadores, nos partidos políticos e até nos governos. A cada um destes correspondia uma missão específica nesse “estado-maior geral” de ofensiva mundial. Muitas dessas pessoas, particularmente as que penetravam em organizações de “massa”, obtinham partidários que desconheciam os vínculos dessas lideranças com o comunismo soviético.

Criada para doutrinar o Terceiro Mundo, hoje a Lumumba ensina cursos a cerca de 3.600 estudantes, 40% deles estrangeiros. “Resta desta Lumumba – alma mater do terrorista Carlos, o Chacal – o empoeirado Museu Patrice Lumumba, ao qual Yasser Arafat doou uma placa de metal com o mapa da sua Palestina ideal gravado” (revista Veja, art. cit.). Patrice Lumumba, líder do Congo, foi assassinado pelos belgas em 1961.


(**) Entrevistadores: Fernando Morais, escritor; Eliane Cantanhêde, Colunista da Folha de S. Paulo; Vicente Adorno, Editor de Internacional da TV Cultura; Lourival Sant Anna, Repórter Especial do O Estado de S. Paulo; Bob Fernandes, escritor e jornalista; Ricardo Amaral, Repórter da Reuters; e Luiz Carlos Azedo, Repórter do Correiro Brasiliense.


(***) Texto extraído de http://midiaedireito.blogspot.com/2005/10/hugo-chvez-no-brasil-iv.html.




Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 489Exibido 1282 vezesFale com o autor