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Ensaios-->A Língua de Pau - Pequeno Dicionário Comentado - Letra A -- 24/05/2007 - 17:23 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Caros leitores,

Inicio, hoje, a publicação em Usina de Letras de minha mais recente obra, 'A Língua de Pau – pequeno dicionário comentado'. Hoje, transcrevo a Introdução e os verbetes que começam com a letra 'A'.

Espero que gostem do trabalho. Aceito sugestões para inserção de novas palavras ou expressões pauleiras!...

Atenciosamente,

F. Maier

***************

A Língua de Pau - pequeno dicionário comentado

Félix Maier

Introdução

Em sua obra Pequena História da Desinformação (*), Vladimir Volkoff fala sobre a “língua de pau” (langue de bois, em francês), adotada como língua oficial pelos antigos países comunistas. Como explica o tradutor do livro, “língua de pau, segundo o Larousse, é uma forma rígida de expressão, nomeadamente no domínio da política, através da multiplicação de estereótipos e de fórmulas congeladas” (op. cit., pg. 66).

Obra-prima da desinformação, a língua de pau “bloqueia a comunicação, congela a formação de uma sociedade civil que ameaçaria o poder comunista, esconde o pensamento e entrava o desenvolvimento do indivíduo no seio do homo sovieticus. (...) Com efeito, o comunismo não se contentou em exigir que se agisse e se pensasse como era preciso: quis que se falasse como era preciso, sabendo perfeitamente que o pensamento sem palavras é impotente e que um determinado vocabulário condena não só à mentira expressa como ao raciocínio defeituoso” (pg. 67).

A antiga língua de pau se utilizava de imagens lingüísticas e figuras de retórica para fazer propaganda ideológica, como a alegoria, o eufemismo, a prosopopéia, a metonímia, a metalepse. Utilizava-se do maniqueísmo simplista para exaltar suas próprias virtudes e demonizar o inimigo. Com o tempo, o idioma russo foi se empobrecendo, tornando-se minimalista. “O dicionário de Dahl contém 22000 palavras; os escritores soviéticos utilizavam 1500” (pg. 68). Enfim, o “idioma fantasma” assume a confissão de Goebbels: “Não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um determinado efeito” (cit. pg. 68).

Goerge Orwell, no grandioso 1984, desenvolveu com muita propriedade uma língua de pau imaginária, a Newspeak (Novalíngua). Nessa obra, havia um tirano em Oceânia, chamado Big Brother, que impunha à população uma doutrina totalitária, o Ingsoc (Socialismo inglês), de modo que “um pensamento herético, ou seja, um pensamento divergente dos princípios do Ingsoc, se torna literalmente inconcebível, pelo menos na parte em que o pensamento depende das palavras” tão logo a “Oldspeak”, a língua atual, seja esquecida. Tal resultado era alcançado “parcialmente, com a invenção de novas palavras, mas sobretudo através da eliminação de palavras indesejáveis e despindo as restantes de qualquer significação heterodoxa e, tanto quanto possível, de significado secundário, seja ele qual for. Reduziu-se o número de palavras, pois “cada redução era um ganho, pois menos escolha havia e menor era a tentação de pensar” (pg. 69-70). “Grandes autores, como Shakespeare, Milton ou Dickens, são traduzidos em Newspeak e, concluída a tradução, os originais são destruídos” (pg. 70).

O Big Brother de Orwell estava associado, inicialmente, ao onipotente, onipresente e onisciente Josef Stalin, o déspota que implantou o terror na União Soviética, assassinando os próprios camaradas da Revolução para se manter incólume no poder. Com a ruína da URSS, o Big Brother passou a representar os EUA, única hiperpotência do planeta, que tenta ser a polícia do mundo, com incursões no insolúvel tabuleiro de xadrez que são os Bálcãs, ao mesmo tempo em que pretende “impor a democracia” no Afeganistão e no Iraque, declarando guerra sem trégua ao terrorismo islâmico internacional.

Se Orwell desenvolvia a gramática da Newspeak, Ludwig von Mises identificava o “polilogismo” – não o talento para desenvolver vários temas, mas a capacidade para “provar” que, por exemplo, o comunismo (totalitário) e a democracia (representativa) são a mesma coisa – como se pode observar no trecho a seguir, retirado do livro Omnipotent Government: The Rise of Total State and Total War (www.mises.org), originalmente publicado em 1944 pela Yale University. A obra mostra com clareza que o nazismo não passa de um tipo de socialismo – também com sua língua de pau:

“Os nazistas não inventaram o polilogismo. Eles apenas desenvolveram sua própria marca de polilogismo. Até a metade do século XIX, ninguém se atrevia a questionar o fato de a estrutura lógica da mente ser imutável e comum a todos os seres humanos. Todas as inter-relações humanas são baseadas na premissa de uma estrutura lógica uniforme. Comunicamo-nos apenas porque podemos apelar a algo em comum a todos nós, isto é, à estrutura lógica da razão.

Alguns homens conseguem pensar de forma mais profunda e refinada do que outros. Há homens que infelizmente não conseguem compreender um processo de inferência em cadeias lógicas de pensamento dedutivo. Mas na medida em que um homem seja capaz de pensar e trilhar um processo de pensamento discursivo, ele sempre aderirá aos mesmos princípios fundamentais de raciocínio aplicáveis a todos os outros homens. Há pessoas que não conseguem contar além de três; mas sua contagem, até onde for, não difere da contagem de Gauss ou Laplace. Nenhum historiador ou viajante jamais nos trouxe informações sobre povos para quem ‘a’ e ‘não-a’ fossem idênticos, ou que não conseguissem perceber a diferença entre afirmação e negação. Diariamente, é verdade, as pessoas violam os princípios lógicos do raciocínio. Mas quem quer que examine suas inferências de forma competente poderá descobrir seus erros.

Como todos consideram tais fatos inquestionáveis, então os homens entram em discussão; conversam entre si; escrevem cartas e livros; tentam provar ou refutar. A cooperação social e intelectual entre os homens seria impossível se não fosse assim. Nossas mentes simplesmente não conseguem imaginar um mundo povoado de homens de estruturas lógicas diferentes ou de estruturas lógicas diferentes da nossa.

Mesmo assim, durante o século XIX, este fato inquestionável foi contestado. Marx e os marxistas, entre eles o ‘filósofo proletário’ Dietzgen, ensinaram que o pensamento é determinado pela classe do pensador. O que o pensamento produz não é a verdade mas ‘ideologias’. Esta palavra significa, no contexto da filosofia marxista, um disfarce dos interesses egoístas da classe social à qual pertence o pensador. Portanto, é inútil discutir qualquer coisa com pessoas de outra classe social. Ideologias não precisam ser refutadas por meio do raciocínio discursivo; elas devem ser desmascaradas, denunciando a classe e a origem social de seus autores. Assim, os marxistas não discutem os méritos das teorias científicas; eles simplesmente revelam a origem ‘burguesa’ dos cientistas”.

Hoje, ocorre, nos meios pensantes, algo semelhante à antiga língua do rígido pau-ferro: o modo “politicamente correto” (PC ou pecê) de se expressar. As antigas línguas de pau, utilizadas tanto por comunistas quanto por nazistas, ao menos tentavam camuflar o objetivo ideológico que havia por trás das palavras colocadas no freezer, que tinham a intenção subliminar de difundir a desinformação. O pecê de hoje, também conhecido como “pensamento único”, não tem nenhuma vergonha na cara de assumir sua postura ideológica, pós-socialista porém mais socialista do que nunca, que deve ser imposta a toda criatura humana com a mesma ênfase que os islâmicos, extremistas ou não, tentam impor a fé de Alá.

A língua de pau moderna do pecê tem também enorme influência na elaboração das leis. Se o “politicamente correto” é a gramática de pau que orienta a sociedade moderna, podemos dizer que a Constituição brasileira de 1988 é sua bíblia, especialmente por subordinar todas as decisões legais a uma palavra abstrata, oca, que nada diz, mas que tem força plena, por ter apelo populista: o “social”.

Assim, inspirado na obra de Volkoff, elaborei um dicionário básico da língua de pau, que está longe de se esgotar. Convido o caro leitor a acrescentar outros termos e expressões ao dicionário pauleira abaixo. É só ficar atento às “pauladas” que são ditas no local de trabalho, na TV (especialmente no atual Jornal Nacional do PT, com as falas do PhD em lingüística de pau-ferro, Mr. Bibi – Bill Bonner) e ler com atenção dobrada o que se escreve nos jornais, nas revistas e nos livros – especialmente os “esotéricos” da “nova era”. Tudo em nome da luta ideológica igualitarista que hoje continua tão “pau duro” quanto nos tempos soviéticos. Você ficará surpreso com a quantidade de termos que se usam atualmente e que não exprimem absolutamente nada, a não ser para levá-lo a acreditar no que querem que você acredite. Enfim, desinformação em estado puro.

***

Pequeno dicionário comentado da “língua de pau”

A

Abortista – Chamar um abortista (que faz ou prega o aborto) de “abortista” pode gerar processo. Foi o que ocorreu com o Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz (Cfr. Diário da Justiça da União, p. 157, seção 3, nº 242231). Os abortistas têm um outro nome para o aborto: “antecipação terapêutica de parto” (ATP), como se essa nova expressão de pau pudesse mascarar o crime que pregam, a matança de bebês.

A cada um de acordo com suas necessidades – Célebre frase de pau marxista, nada diz, embora sugira o nivelamento da sociedade à vida de um ninho de formigas. “Necessidade” é uma coisa abstrata, a minha necessidade nunca é igual à necessidade de meu vizinho. Necessidade é muito mais do que encher o bucho, como pretende o populista “Fome Zero” do governo Lula da Silva.
Para uns, obviamente, o objetivo único na vida é comer, procriar como ratos e dormir. Para a maioria dos seres humanos, no entanto, as necessidades são bem mais amplas. Para um intelectual, a necessidade básica é comprar bons livros, reciclar-se, tornar-se bem informado e cooperar com os avanços do país. Para um industrial, a necessidade pode incluir um iate para passeios internacionais, não podendo tal ato denotar extravagância nem desprezo pelos pobres, como querem os marxistas, pelo contrário, se iates existem é porque foram criados empregos para fabricá-los. E uma tripulação para fazê-los navegar. E técnicos e mecânicos para fazer a manutenção. Muito mais arrogantes e inconseqüentes somos nós, que nos sujeitamos a pagar juros exorbitantes do limite ultrapassado no cheque especial, que engordam – bingo! – os malditos “porcos capitalistas”, os banqueiros. Isto é, o paquidérmico Estado brasileiro, o Rockefeller da praça, já que mais de 50% do movimento financeiro é realizado por bancos estatais – o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o BNDES.
Afinal, não tinham os figurões soviéticos também as suas “necessidades especiais”, como as limousines que trafegavam em avenidas exclusivas? Não tinham os mesmos figurões “necessidades especiais”, como as dachas, os famosos sítios fora da cidade, onde iam se distrair nos fins de semana?

Ação afirmativa – É a affirmative action dos americanos do norte, tropicalizada na Terra dos Papagaios, bichinhos que se destacam por repetir tudo aquilo que outros falam. A expressão de pau não tem significado algum, a não ser para os profetas do “politicamente correto”. Segundo seus defensores, trata-se de promover a “inclusão social” – outra expressão de pau –, como, por exemplo, conceder vagas para negros em universidades públicas, iniciativa tornada anticonstitucional pela Suprema Corte dos EUA na década de 1970. E a “ação negativa”, seria a criação de cotas para brancos na Bahia? Veja Inclusão social e Politicamente correto.

A Amazônia é nossa! – Assim bradamos todos nós brasileiros, alguns orgulhosos, outros belicistas, se preparando com arco e flecha, e faca na boca, para defender aquela rica biodiversidade dos malditos yankees. Porém, como nada fazemos para preservar nossas fronteiras, como o Exército está proibido pelas ONGs de criar pelotões de fronteiras em terras indígenas, e a Polícia Federal só olhando, nada fazendo, o contrabando de animais e plantas exóticas corre solto, com muitas patentes sendo registradas no exterior. Traficantes de drogas andam à vontade na região e ONGs inibem qualquer tipo de desenvolvimento, como a criação de rodovias e hidrovias. Grita com raiva três vezes comigo: “A Amazônia é nossa!”.

Abuso – Abuso é quando um policial dá um tapa num bandido. Traficante que mata cidadão de bem não é abusado, é apenas um “injustiçado social”. Veja este verbete de pau.

Adestramento - Dressieren, termo alemão que, segundo Kant, provém do inglês to dress (vestir): opõe-se ao esclarecimento, como capacidade de reunir-se de sua razão sem a direção de outrem. A educação para a capacidade de pensar é a fórmula para a qual se compreende a base de uma educação para a “maioridade” ou autonomia intelectual.
O adestramento, portanto, é apenas uma simples fachada de educação, e a educação em regimes totalitários e ideológicos, como o Fascismo e o Comunismo, não é educação em seu sentido pleno, pois apenas adestram uma massa de “balilas”, miquinhos amestrados que repetem mecanicamente e por reflexo condicionado as palavras de pau do partido único.
Bernard Goldberg, autor de Bias, e Tammy Bruce, autora de The New Police Thought, ambos com formação e militância na esquerda, contam em suas obras as mentiras propaladas pela esquerda mundo afora. Em uma pesquisa com 4.300 leitores, 94% deles afirmaram que houve um viés esquerdista dos repórteres que cobriram os acontecimentos após os atentados contra os EUA, no dia 11 de setembro de 2001.

Agenda positiva – Quando o governo quer impressionar a população, ele faz anúncio de medidas espetaculares que serão tomadas de imediato. O “Fome Zero” foi a primeira “agenda positiva” para hipnotizar a população, que, assim, não observa que o governo não está fazendo nada, enquanto Lula faz a festa dos fotógrafos, vestindo o boné de todos os grupos e movimentos que compõem a classe produtiva e improdutiva (caso do messetê) do Brasil. Lula faz o anúncio de entrega de ambulâncias novas em Ribeirão Preto, prometendo que o ato se tornará corriqueiro em todo o País. Uma bela “agenda positiva”. Porém, quando se descobre que as ambulâncias da terra de Antonio Palocci eram fubicas com oito anos de uso, que foram maquiadas com a atual propaganda oficial e apresentadas como zero km, seria isso uma “agenda negativa”?

Alcântara é nossa! – E dos ucranianos! E dos chineses! A Base de Lançamento de foguetes em Alcântara só não pode ser alugada para os malditos yankees. Com esse antiamericanismo de primatas, deixamos de receber cerca de 30 bilhões de dólares anuais. Slogan de pau semelhante a “O petróleo é nosso”, “A Amazônia é nossa”, “O Pantanal é nosso”, “Fora ALCA”, “Fora FMI”.

Aldeia Global - Expressão cunhada por Marshall McLuham; significa a globalização do mundo atual.

ALF - Animal Liberation Front (Frente de Libertação Animal): ONG do Reino Unido, promove ataques terroristas contra comerciantes de peles de animais e incendeiam lanchonetes “fast food” na Europa, que utilizam carne vermelha no cardápio.

Aliança Internacional pela Reforma da Cannabis (ICAR) – A organização de pau, com sede nos EUA, realiza campanha pela legalização internacional da maconha.

América Libre - Revista do Foro de São Paulo (FSP), criada por Frei Betto para comemorar o 65º aniversário de Ernesto “Che” Guevara, em 1993 (“Che” nasceu em Rosário, Argentina, em 14 de maio de 1928 e foi morto na Bolívia em 08 de outubro de 1967). Veja Foro de São Paulo.

“Anarchist Cook” - “Receita para Anarquistas”: livro escrito em 1971 por William Powell, é uma cartilha do terrorismo, que ensina a fabricar garrafa incendiária e meios para confeccionar um pacote explosivo.

Anarquismo - Ideologia que prega a ausência de um chefe ou de um governo. Piotr Alekseievitch Kropotkin, revolucionário russo, pregava a volta aos tempos nostálgicos das sociedades primitivas e das comunidades da Idade Média. Com Pierre-Joseph Proudhom, para quem “a propriedade é um roubo”, o anarquismo se torna um movimento de massa. Enquanto Proudhom tinha sua visão de mundo muito ingênua, baseada na organização primitiva dos camponeses e artesãos, na abolição dos bancos e do dinheiro, sem chance para a modernidade, Mikhail Aleksandrovitch Bakunin, anarquista russo, junto com os revolucionários socialistas, crê na revolução da periferia, “nos que nada têm a perder”, como, p. ex., o campesinato russo. Bakunin é um dos líderes da I Internacional Comunista, junto com Karl Marx, de quem se afastaria posteriormente. A Aliança Internacional da Democracia Social, de Bakunin, teve papel efetivo na introdução do anarquismo na Espanha, onde desponta a obra do anarquista Francisco Pi y Margall, que teve livros censurados pela Igreja. No Brasil, o anarquismo é representado principalmente por José Rodrigues Leite e Oiticica, filólogo, professor e poeta, seguido de Edgard Leuenroth, jornalista, e de Everardo Dias, jornalista brasileiro de origem espanhola. No início do século XX, Giovanni Rossi instalou uma colônia anarquista no Paraná, a “Colônia Cecília”. No mesmo período, o sindicalismo em São Paulo contou com a participação de operários de origem italiana (leia “Anarquistas, graças a Deus!”, de Zélia Gattai).

Anauê! - Salve!: saudação de pau dos integralistas, “camisas verdes” de Plínio Salgado, na língua tupi.

Andorinha - Espiã que utiliza sua sedução para obter informações. Antes do seqüestro do Embaixador americano Charles Burke Elbrick, realizado pelo MR-8 em 1969, Vera Sílvia Araújo Magalhães apresentou-se na casa do diplomata, oferecendo-se para trabalho de empregada doméstica; seduziu o encarregado da segurança, Antônio Jami,r e conseguiu importantes dados sobre o Embaixador: sua personalidade e horários de entrada/saída de casa, na residência oficial da Rua São Clemente, Rio de Janeiro, de onde se dirigia para a Embaixada, na Avenida Presidente Wilson. A ABIN é acusada de ter utilizado uma “andorinha” (a policial Cleonice Caetano) para desmoralizar o Procurador da República (“Petistério Público”), Luiz Francisco de Souza, antigo militante do PT, que costumava “incomodar” o Governo FHC, ao fazer denúncias de corrupção publicadas em jornais que ele mesmo municiara.

Anistia – Anistia para nossos heróicos guerrilheiros, punição para nossos inimigos “torturadores”. É assim que a Lei da Anistia, de 1979, foi interpretada e implementada no Brasil, à força, goela abaixo, pelas esquerdas que se seguiram aos militares no comando do País.
'Pela anistia se elimina não somente a punibilidade da ação, mas a sua própria existência como crime, isto é, as conseqüências penais que dele podem decorrer” (Mirador, Tomo 2, pg. 600 - Encyclopaedia Britannica). Essa máxima não é seguida no Brasil, onde a Lei da Anistia só tem valor para terroristas e “militantes” de esquerda combatidos pelos militares.
Uma Comissão de Desaparecidos Políticos, criada durante o Governo FHC, concedeu indenizações milionárias a familiares de terroristas mortos pelas forças de segurança. Porém, os caídos do outro lado, que defenderam o Brasil contra a ameaça comunista, nada receberam, pelo contrário, são perseguidos até hoje, taxados de “torturadores”, e tiveram suas carreiras interrompidas ou obstruídas pelo revanchismo raivoso das esquerdas, como nos casos do general Fayad e dos coronéis Ustra e Avólio. Os coronéis, que foram adidos militares em Montevidéu e Londres, respectivamente, não foram promovidos a general devido à perseguição de grupos como o Tortura Nunca Mais.
O general Ricardo Agnese Fayad, que é pediatra, havia sido punido pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, em 1994, que cassou o exercício da medicina do militar, por “infração ética”, depois que grupos de “defesa dos direitos humanos” quiseram impedir que fosse promovido a general, acusando-o de ter colaborado com a tortura nos anos 70. Somente no dia 15 de abril de 2004, a Justiça Federal anulou a cassação feita pelo CRM fluminense. “O juiz Novély Vilanova da Silva Reis considerou que a prescrição e a anistia de 1979 impedem a punição e concedeu ao médico um mandado de segurança anulando a pena” (in “Datas”, revista Veja nº 1850, de 21/04/2004, pg. 99).

“500 ANOS DE RESISTÊNCIA INDÍGENA, NEGRA E POPULAR”: Movimento pauleira criado nas comemorações dos 500 anos do Descobrimento da América, que teve por objetivo “rediscutir” (revisionismo) a história da colonização cristã do Continente. Ou seja, no fundo, o movimento pretende erradicar a influência cristã nas Américas.

Anos de chumbo – Expressão de pau utilizada pela esquerda brasileira para designar os anos em que os militares combateram os grupos terroristas em nosso país. Não tivessem os militares feito seu serviço de casa, hoje estaríamos combatendo as “FARB” em todo o país, como ocorre hoje na Colômbia das FARC, que na época “gazeteou” a aula. Não é com bombons que se desarmam terroristas e bandidos comuns – como espera o Movimento Viva Rio apaziguar a favela da Rocinha, oferecendo flores a seus habitantes no “Dia do Carinho”.
O interessante é que esses antigos militantes, que dinamitavam pessoas, hoje afirmam que lutavam pela democracia. Que democracia? A de Cuba que lhes servia de modelo, como era o caso da ALN de Marighela, do Molipo de José “Daniel” Dirceu e do MR-8 de Fernando Gabeira, todos com treinamento de guerrilha na “ilha do Dr. Castro”?
A verdade é que não haveria “anos de chumbo” se não tivesse havido “anos de dinamite”.

Antecipação terapêutica de parto (ATP) – Veja Aborto.

Antiautoridade – Mestres da língua de pau foram também os integrantes da Escola de Frankfurt (veja verbete). O escritor contrário à autoridade por excelência, o alemão Max Horkheimer, Diretor da Escola de Frankfurt e co-autor de “A personalidade autoritária”, foi autoritário com seu aluno Jürgen Habermas (hoje, um dos mais importantes filósofos do mundo), que discordou do mestre em várias opiniões e foi obrigado a tirar seu diploma em outra escola. Outros opositores da autoridade foram Adorno, Reich Fromm, Erikson, os quais, na década de 1920, acreditavam nas experiências do esquerdismo, incluindo as soviéticas, passando a idéia de que a “velha sociedade” era repressiva e que a “nova sociedade” era igualitária, comunista, e que emanciparia a humanidade inteira. Essas idéias levaram grupos a aplaudir a destruição de padrões tradicionais, como a família e a religião. Infelizmente, apesar de não lograrem o amaldiçoado intento, nunca lhes foi imputado o rótulo de “autoritarismo”, que tanto combatiam e tanto pregavam.

Anticomunismo primário (ou visceral) – É como os comunistas chamam os que são anticomunistas. 'Deve-se combater o comunismo não em nome do liberalismo, da social-democracia ou de qualquer outro regime, mas em nome da dignidade humana' (Jean-François Revel, filósofo e escritor, membro da Académie Française).

Antiglobalização – Os protestos de movimentos antiglobalização começaram a se tornar mais violentos a partir da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada na cidade de Seattle, EUA, em 1999. Na Reunião do G-8, realizada em Gênova, Itália, em 2001, 1 manifestante foi morto pela polícia. Ironicamente, esses movimentos “globais”, todos “globalizados”, de quase todos os países do “globo”, dizem que são movimentos “antiglobalização”! Globobões de todo o globo, uni-vos!
O movimento de pau reúne as tendências mais variadas, desde punks, anarquistas, viúvas stalinistas, até grupos de intelectuais, estudantes, todos interessados em mais uma utopia igualitária “por um mundo melhor”.
Exemplos de alguns movimentos e suas reivindicações: AGP – Ação Global dos Povos: rede de associações criada em Genebra, em 1998, para coordenar os protestos contra a OMC; AMI – Acordo Multilateral de Investimento: negociado a partir de 1995 por países da OCDE, para regular operações de empresas no exterior; o acordo não prosperou devido a intensa campanha na Internet, contrária ao AMI; ATTAC – Associação para a Taxação de Transações Financeiras Especulativas, criada na França em 1998, reúne sindicatos, jornais, cidadãos e organizações que pregam o “controle democrático do sistema financeiro internacional”; FSM – Fórum Social Mundial, iniciado em janeiro de 2001 em Porto Alegre.
Esses movimentos pregam, ainda, a renda básica: valor por Estado a cada cidadão, inclusive os que “não querem trabalhar de forma remunerada”, sem levar em conta se é rico ou pobre (!); e a Taxa Tobin: imposto idealizado pelo Prêmio Nobel de Economia, James Tobin, que pretende tributar transações especulativas de capital.

Apóstolos - Grupo de intelectuais, fundado em 1920 em Cambridge, Inglaterra, influenciados por Hobson (imperialismo) e Lenin, entre os quais se destacavam: Keynes, Bertrand Russell, Roger Fry, Ludwig Wittgenstein, Leonard Woolf, Alfred Tennyson (que logo deixou o grupo), Strachey, Wordsworth e Coleridge. “Ele (Bertrand Russel) foi sozinho para a Rússia, em 1920, encontrou-se com Lenin e denunciou o seu regime como ‘uma burocracia tirânica fechada, com um sistema de espionagem mais sofisticado e terrível do que o do Czar e com uma aristocracia tão insolente e insensível quanto’. (...) Embora (Russell) compartilhasse de seu (o dos “Apóstolos”) pacifismo, ateísmo, anti-imperialismo e das idéias gerais progressistas, desprezava a sua apatia pegajosa; o Grupo, por sua vez, o rejeitou” (Paul Johnson, op. cit., pg. 140-1). Lyton Strachey escreveu o quarteto de ensaios biográficos, “Eminent Victorians”, publicado em 1918, expondo ao ridículo e ao desprezo Thomas Arnold, Florence Nightingale, o cardeal Manning e o general Gordon. “Nos anos 30, os Apóstolos deixaram de ser o centro do ceticismo político e se tornaram um centro ativo de recrutamento para a espionagem soviética. Enquanto alguns Apóstolos, como Anthony Blunt, Guy Burgens e Leo Long foram encorajados a se infiltrar nas agências britânicas a fim de transmitir informações para Moscou, a totalidade da esquerda, conduzida pelos comunistas, tentou manter a Grã-Bretanha desarmada – política sustentada por Stalin até que Hitler o atacasse em junho de 1941. Na década de 20, o Partido Comunista britânico era composto pela classe operária, e se apresentava inovador e independente. No princípio da década de 30, chegaram os intelectuais da classe média e o PC rapidamente se tornou aviltadamente servil aos interesses da política externa da União Soviética” (Paul Johnson, pg. 290-1).

A propriedade atenderá a sua função social – Expressão de pau, utilizada em leis e até em nossa Constituição de 1988. A expressão nada explica, porque toda propriedade atende a algum tipo de função social, como gerar renda, empregos, impostos etc.

A propriedade é um roubo – Expressão de pau marxista e anarquista, somente aceita que o Estado seja o ladrão de tuas terras e de tuas propriedades.

Araponga – Agente de órgão de informações; espião.

Aspone – Aspone (que me perdoem os mais recatados) significa “assessor de porra nenhuma”. Assessor é uma prodigiosa palavra de pau, que faz o maior sucesso, especialmente depois do advento da Nova República, que de nova não tem nada, já nasceu esclerosada, com uma Constituição caquética, apesar de seus parcos 19 aninhos. Assessor deveria designar alguém que tem a importante missão de auxiliar o chefe imediato, para que o escritório funcione e a administração ande, mas na realidade é apenas um tipo de empreguismo sem-vergonha que ataca os cofres públicos. De tão desmoralizada, a palavra de pau “assessor” se tornou símbolo da chacota, até o mais simples dos mortais chama o dito cujo de “aspone”.

Associações de Amizade a Cuba - Organizadas pelas Embaixadas cubanas na América Latina, esses onagros agiam como grupos de propaganda e proselitismo político entre estudantes, operários e intelectuais. O mesmo proselitismo comunista foi utilizado pelos sandinistas, com suas campanhas de “Solidariedade” à Nicarágua de Daniel Ortega.

Auto-ajuda – Os livros de pau, entitulados como sendo de “auto-ajuda”, não o são para os leitores, mas apenas para os escritores – uma senhora auto-ajuda na conta bancária. Não se misturam com os livros de ficção, nem com os de não-ficção, são uma espécie de terceiro sexo das letras.

Autoritarismo falangista - Sistema de governo sustentado por falanges fiéis ao ditador, como Portugal sob Salazar, Alemanha sob Hitler, Itália sob Mussolini, Espanha sob Franco, Argentina sob Perón (“Soldados de Perón”), e todos os sistemas comunistas (Cuba sob Fidel Castro e seus “Comitês de Defesa da Revolução” - CDR, Camboja sob Pol Pot, União Soviética, China e os “Guardas Vermelhos” de Mao Tsé-Tung, Coréia do Norte etc.).
Mais recentemente, houve amostras de autoritarismo falangista no Chile sob Salvador Allende (“Grupos de Amigos Personales – GAP”, a “Guarda Pretoriana” de Allende), no Brasil sob João Goulart (“República Sindicalista”), no Peru sob Fujimori (grupo paramilitar “Colina”, apoiado pelo SIN) e na Venezuela sob Hugo Chávez (“Círculos Bolivarianos”).
Atualmente, o MST é a “falange” mais importante do Brasil, uma “guerrilha desarmada” de muito sucesso, devido ao apoio difuso que recebe, desde partidos políticos (PT, PC do B, PSTU), sindicatos (CUT), até a própria Igreja Católica (CNBB), com a omissão do Governo Federal, que presta apoio financeiro à “falange” através do INCRA.


(*) VOLKOFF, Vladimir. Pequena História da Desinformação – do Cavalo de Tróia à Internet. Editora Vila do Príncipe Ltda., Curitiba, 2004.






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