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Ensaios-->Ideologias antimilitares -- 08/03/2007 - 17:03 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Ideologias antimilitares

Eduardo Italo Pesce e Iberê Mariano da Silva (*)

O realismo clássico caracteriza-se pela moderação, não pela agressividade. A visão dos 'militaristas utópicos' que dominavam o Pentágono até recentemente não era realista, mas idealista. Por glorificar a guerra, o 'militarismo utópico' pode ser considerado uma ideologia antimilitar - isto é, contrária à ética militar.

Segundo Samuel P. Huntington, a ética profissional militar é realista e conservadora. O liberalismo, o marxismo e o nazifascismo, por diferentes razões, são ideologias antimilitares. A ideologia pró-militar por excelência é denominada realismo conservador. Este realismo inspira-se em pensadores como Machiavelli e Clausewitz, enquanto que o conservadorismo assemelha-se ao de Edmund Burke.

O liberalismo se declara pacifista (embora admita a guerra por uma 'causa nobre') e considera Forças Armadas numerosas e permanentes uma ameaça à paz e à democracia. A agenda militar liberal caracteriza-se pelas políticas de extirpação (visando à redução drástica dos orçamentos e efetivos militares) e de transmutação (procurando desviar as Forças Armadas para funções de natureza não-militar).

O marxismo dá prioridade à 'luta de classes', opõe-se ao Estado nacional e considera os conflitos interestatais inerentes ao 'imperialismo capitalista'. O nazifascismo, como outras formas de idealismo romântico, glorifica a guerra e as virtudes guerreiras. As ideologias antimilitares não valorizam o profissionalismo e a dedicação das Forças Armadas à sua destinação de defesa nacional.

Não há atualmente, no Brasil, grupos nazi-fascistas organizados. No entanto, o liberalismo (em sua versão 'neoliberal') e o marxismo (em suas vertentes social-democrata e trabalhista) vêm, há algum tempo, monopolizando o debate político em nosso país - deixando pouco espaço para os que defendem uma visão capitalista de cunho desenvolvimentista.

Tal visão - inspirada nas idéias econômicas de Alexander Hamilton e Friedrich List - seria realista e conservadora. Desse modo, seria compatível com a ética profissional militar e o fortalecimento do Poder Nacional em todos os campos. O realismo conservador - cujos maiores expoentes, em nosso país, foram José Bonifácio e o Barão do Rio Branco - é uma ideologia pouco difundida, na sociedade brasileira.

As ideologias antimilitares têm predominado, ao longo da história política brasileira. Esta é a principal razão pela qual a defesa nacional jamais recebeu a devida atenção por parte dos nossos governantes - nem mesmo em períodos de conflito externo. Até os presidentes militares (no inicio da República e no período 1964-85) foram comedidos com relação à modernização das Forças Armadas.

No Século XXI, os conflitos pela posse de recursos naturais escassos, localizados em paises periféricos, poderão tornar-se comuns. É por isso que os principais países ocidentais - fortemente dependentes de petróleo e outras matérias primas estratégicas - vêm investindo na ampliação da capacidade expedicionária de suas Forças Armadas.

A última guerra externa em território brasileiro foi a do Paraguai, em 1865-70. Durante o Século XX, os conflitos internacionais que envolveram a participação de nossas Forças Armadas ocorreram no mar ou em outros continentes. Isto contribuiu para aumentar o desinteresse dos brasileiros pelos assuntos ligados à defesa nacional.

Mais que o território e a população, as Forças Armadas hoje defendem a economia de um país. Se a atual situação de fraqueza do Brasil persistir, as riquezas existentes em seu território tornar-se-ão um alvo convidativo para intervenções militares estrangeiras. Aí será tarde para fortalecer nossa capacidade de defesa - e todos os patriotas que esboçarem resistência provavelmente serão considerados 'terroristas'.

A elite política brasileira nunca viu os militares como servidores do Estado, mas como adversários na disputa pelo poder no campo interno. Por isso, investimentos na área de defesa foram sempre considerados 'desperdício de recursos' - ou até mesmo 'munição para o inimigo'. No campo externo, a opção habitual para evitar problemas foi a submissão do país à potência hegemônica do momento.

No final do Século XX, as políticas de Estado mínimo adotadas durante a 'década neoliberal' resultaram no sucateamento de componentes vitais do aparelho estatal - inclusive as Forças Armadas. A persistência da visão econômica ultra-ortodoxa, apesar do estéril debate político-ideológico entre os liberais e a esquerda, tem condenado o Brasil à semi-estagnação.

Para que o processo de sucateamento do Estado brasileiro seja revertido, possibilitando dar maior atenção às necessidades das Forças Armadas, é essencial que a economia do país volte a crescer a taxas anuais substanciais. Oxalá haja tempo para isso - antes que sobrevenha uma grave crise externa, capaz de colocar em risco a sobrevivência do Brasil como nação una e soberana.


(*) Eduardo Italo Pesce é especialista em Relações Internacionais e professor no Centro de Produção da Uerj. Iberê Mariano da Silva é General-de-Brigada, engenheiro militar do Exército Brasileiro, na reserva.









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