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Ensaios-->Fórum Social e estrabismo político -- 08/03/2007 - 10:32 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Fórum Social, “bomba atômica” e estrabismo político

por Destaque Internacional em 07 de março de 2007

Resumo: O socialismo “sincrético”, com o fortalecimento dos “soviets” comunais e a corrosão das funções do Estado, é uma meta que transcende a Venezuela e está chegando a países como Bolívia, Equador e, possivelmente, Brasil.

© 2007 MidiaSemMascara.org


A Venezuela sofre uma avalanche de medidas ditatoriais para controlar os Poderes do Estado, os meios de comunicação, o ensino e a iniciativa privada. A recentemente aprovada Lei Habilitante permite ao presidente Chávez governar por decreto, com poderes praticamente absolutos.
Nesse contexto, passou despercebido um acontecimento sob vários aspectos mais grave, que o próprio Chávez qualificou como “bomba atômica da Venezuela”: a “explosão do poder comunal”. Trata-se da criação de 18 mil “conselhos comunais”, comunidades auto-gestionárias de inspiração comuno-anarquista, que deverão substituir os governos e câmaras municipais e, inclusive, funções do próprio Estado. Esse “poder comunal” será institucionalizado por uma comissão legislativa que estuda a reforma constitucional; foi comparado por Chávez com os “soviets” da Revolução de outubro de 1917 na Rússia e por vários de seus seguidores, com a “Comuna de Paris” de 1871. Alguns de seus adversários chegaram a vislumbrar nos “conselhos comunais” o germe de um processo com analogias com o impulsionado por Pol Pot, no Camboja, segundo constata o enviado especial do jornal “The New York Times”, Simón Romero, em extensa reportagem.
Em 2006, Chávez destinou US$ 900 milhões aos “soviets” venezuelanos e em 2007 anunciou a duplicação da ajuda que chegará à fabulosa soma de US$ 1,8 bilhão. Alguns críticos assinalam que tais “conselhos comunais” fortalecerão ainda mais o poder já considerável do Estado venezuelano. Na realidade, existem indícios de que esse processo, qualificado por Chávez de “Socialismo do Século XXI”, poderia constituir uma passagem do socialismo de Estado rumo à auto-dissolução do próprio Estado. Se caminharia assim para a meta final, anárquica e auto-gestionária do comunismo na qual, segundo expressão de Marx, o próprio Estado irá para um museu de antigüidades.

Confirmam estas hipóteses as declarações do novo ministro do Poder Popular para a Participação e o Desenvolvimento Social, David Velásquez, 28 anos – o primeiro membro do Partido Comunista da Venezuela que ocupa um cargo ministerial – que sua meta é a de fazer com que o aparato estatal venezuelano, tal como se conhece até o momento, se transforme em “desnecessário”, sendo substituído em suas funções pelos “conselhos comunais”. Esta declaração, junto com outros antecedentes no mesmo sentido, foi transcrita também na aludida reportagem do jornal “The New York Times” por Simón Romero.

A Venezuela caminha para o abismo, empurrada por um tipo de socialismo “sincrético”, mescla contraditória e ambígua de religião, de anarquismo, de indigenismo, de estratégias pós-gramscianas do Fórum Social Mundial (FSM) e de comunismo, rumo à dissolução não somente do Estado como também da própria sociedade. Socialismo “sincrético” no qual, como já se mostrou, personagens do Fórum Social Mundial e do anarquismo internacional colocam suas esperanças. Socialismo “sincrético” que, em certo sentido, é o oposto do exacerbado racionalismo mal chamado de materialismo científico, que serviu de fundamento ao antigo socialismo de Estado. O socialismo “sincrético”, com o fortalecimento dos “soviets” comunais e a corrosão das funções do Estado, é uma meta que transcende a Venezuela e está chegando a países como Bolívia e Equador.

O “neo-moderado” Luiz Dulci, ministro Secretário Geral da Presidência do Brasil, assessor direto do “neo-moderado” presidente Lula, explicou no recente 7º Fórum Social Mundial, realizado em Nairobi, que seu governo, por razões estratégicas e políticas não pode apresentar um perfil “radical” mas, em contrapartida, o papel dos chamados “movimentos sociais” é o de fazer “pressão” sobre a opinião pública e sobre os governos para que estes caminhem no sentido da esquerda. No 12º Foro de São Paulo, Marco Aurélio Garcia, alto assessor internacional do presidente Lula, havia dado seu aval às “grandes desestabilizações” criadas pelos chamados “movimentos sociais” que serviriam para “quebrar hegemonias”, assim como para supostamente “expandir” a democracia no continente. É, portanto, uma clara estratégia na qual os “neo-moderados” e os “radicais” cumprem cada um o seu papel, com uma meta coincidente.

Partindo deste ponto de vista, parece ficar claro o papel dos novos “soviets” venezuelanos, dos “movimentos sociais” brasileiros, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e das numerosas redes de ONGs latino-americanas: com sua pressão revolucionária dariam o pretexto aos governos de aparência moderada para ir cedendo e deslizando seus países gradualmente para a desintegração das instituições.

O que foi dito acima constitui um plano de envergadura, porém não deve ser motivo de desalento, pelo contrário. Deixar à luz do dia o fio condutor desse avançado plano revolucionário na América Latina – que vem gestando-se nas profundidades da vida sócio-política – funciona à maneira de um antídoto, e contribui para corrigir o estrabismo de certas análises que interpretam a marcha da esquerda usando velhas categorias de pensamento, que foram eficazes para analisar o comunismo clássico do século XX porém, que não são suficientes para discernir as novas estratégias do anarco-socialismo do século XXI.

Tradução: Graça Salgueiro




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