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Crônicas-->O Tico-Tico -- 21/07/2002 - 23:13 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Minha mãe mostrou-me recentemente um desenho de Luiz Sá que lhe foi oferecido em 2 de dezembro de 1983 por Maria Julieta Drummond de Andrade, filha do poeta Carlos Drummond de Andrade, acompanhado de cartão com a mensagem: “Para a senhora recordar outros tempos, com o abraço da Maria Julieta”.
O valioso presente revelava, sobre a legenda “Gasolina ... boa e barata”, um jovem assobiando preguiçosamente, deitado sobre uma lancha puxada por peixe indignado preso por anzol a cordão atado à embarcação.
Não foi só a minha mãe, hoje com mais de noventa anos de idade, que se emocionou ao recordar seus heróis de outrora. Eu também relembrei, ao ver a figura, as leituras de minha infância, principalmente o “O Tico-Tico”, publicação iniciada por volta de 1905, que tinha em Luiz Sá um de seus principais colaboradores, autor das histórias em quadrinhos do Reco-Reco, Bolão e Azeitona.
No Natal, tínhamos, ainda, o “Almanaque do Tico-Tico”, presente de que não abria mão.
Desaparecidos, provavelmente nas mudanças de residência, os exemplares da revista que eu, menino, cuidadosamente guardava em minhas gavetas, passei a folhear a edição de novembro de 1946, doação de minha mãe, que guardo com carinho em meus arquivos. Ela já dá idéia do que era aquela publicação mensal.
Voltei a ser criança quando li o editorial “Lições do Vovô”, com considerações sobre a Proclamação da República.
Passei os olhos sobre os contos “Manuelzinho”, de Lausimar Laus Gomes, “A Cozinha Encantada”, de Waldir Moura, “A Maçã Amarga”, tradução de M. M. Eme, e “O Cabrito Misterioso”, de Luís Silvano, além de ler os artigos “A República do Brasil”, com retratos dos Presidentes – do Marechal Deodoro da Fonseca até o General Eurico Dutra -, “Por que Osório está sem botas”, referindo-se à estátua do General situada na Praça 15 de Novembro, no Rio de Janeiro, e “A Hiena, o Urso Castanho e o Polar”.
Outras matérias prenderam minha atenção: “Viajando pelo espaço”, com notícias sobre o nosso Sistema Solar, e “A Bandeira Brasileira”, uma declaração de respeito àquele símbolo e de amor ao Brasil.
Encontrei muitas seções interessantes na revista: “Cinco Minutos de Riso”, “No Mundo dos Conhecimentos”, com esclarecimentos sobre a manteiga e sua fabricação, “Gavetinha do Saber”, com informações interessantes, “Episódios Históricos”, “Trabalho Escolar”, “Zoologia Pitoresca”, “Cenas da Via-Sacra”, “Gramática Infantil pela Imagem” e “Noções de Geografia Econômica”.
Divertidíssimas eram as histórias em quadrinho. No exemplar em minhas mãos vi: “Aventuras de Chiquinho”, “Castigo Merecido”, com lição de vida, “Kaximbown entre os índios”, “Reco-Reco, Bolão e Azeitona”, “Pechincha” e “Aventuras de Zé Macaco e Faustina”.
Nas revistas dos meses próximos ao Natal, havia desenhos de personagens participantes do nascimento de Jesus, que cortávamos e colávamos em folha de cartolina, montando um belo presépio.
Até as propagandas encheram-me de saudade: livros da “Biblioteca Infantil do Tico-Tico”, “Livraria Anchieta” e “Livraria Cristo-Rei Editora”; os medicamentos “Tônico Infantil”, “Codeinal” (para tosse), “Kolatal” (fortificante), “Camolilina” (para dentição das crianças e raquitismo), “Juventude Alexandre” (para a beleza dos cabelos) e as “Pílulas Virtuosas” (para moléstias do aparelho digestivo); os fantásticos dezoito volumes do “Tesouro da Juventude”; o “Almanaque do Tico-Tico de 1947”; o relógio “Cyma” e o sapato colegial “Novo Mundo”.

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