Usina de Letras
Usina de Letras
   
                    
Usina de Letras
95 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 54950 )
Cartas ( 21059)
Contos (12121)
Cordel (9547)
Crônicas (21140)
Discursos (3109)
Ensaios - (9910)
Erótico (13133)
Frases (39909)
Humor (17551)
Infantil (3560)
Infanto Juvenil (2308)
Letras de Música (5414)
Peça de Teatro (1311)
Poesias (135663)
Redação (2874)
Roteiro de Filme ou Novela (1035)
Teses / Monologos (2374)
Textos Jurídicos (1913)
Textos Religiosos/Sermões (4197)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Artigos-->Anhangüera -- 24/06/2000 - 15:30 (Pedro Wilson Carrano Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ANHANGÜERA

Tenho alguma coisa em comum com Bartolomeu Bueno da Silva, antepassado, como eu, de uma de minhas netas, a brasiliense Ana Luísa de Albuquerque Borges. Além disso, é o patrono de minha cadeira no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.
Paulista, era filho do sertanista Francisco Bueno - que faleceu em embates contra reduções jesuíticas no Rio Grande do Sul - e de Felipa Vaz e neto paterno do espanhol Bartolomeu Bueno de Ribeira e de Maria Pires e materno de Salvador Pires e de Mécia Fernandes, esta descendente de índios guaianás.
Vim para a Região Centro-Oeste, mais especificamente para Brasília, em 1972, acompanhado de minha família, inclusive de um filho com o meu prenome. Duzentos e noventa anos antes de minha vinda, ou seja, em 1682, Bartolomeu, seguindo um roteiro deixado por Manoel Correia e acompanhado do filho com o mesmo nome, então com 12 anos de idade, fez o mesmo caminho.
Podemos imaginar como foi difícil a travessia das fechadas matas de então, enfrentando toda espécie de perigo, situação bem diferente da minha viagem, feita em um confortável automóvel e por uma boa estrada asfaltada.
No sertão de Goiás, Bartolomeu plantou roças para a manutenção de sua bandeira e explorou os arredores, onde descobriu ouro, a partir de uma sua observação de que as mulheres dos índios usavam ornamentos feitos com o metal.
Para descobrir o precioso elemento, consta ter usado a artimanha de deitar fogo em uma vasilha com álcool, dizendo que era água e que poderia, quando quisesse, fazer o mesmo com os rios da região, declaração que aterrorizou os índios, que passaram a chamá-lo Anhangüera, ou seja, Diabo Velho, e apontaram a procedência do ouro com que estavam adornadas as mulheres.
Posteriormente, renunciou Bartolomeu Bueno da Silva à exploração das minas de ouro que encontrou, certo, porém, da abundância do metal na localidade.
Voltou a Parnaíba, onde residia, com o filho e muitos índios apreendidos e conquistados, em quantidade tão expressiva que se poderia, com eles, fundar uma vila, conforme afirma Silva Leme em sua obra "Genealogia Paulistana".
Bartolomeu era casado com Isabel Cardoso e, em 1697, contraiu segundas núpcias, em Parnaíba, com Maria de Moraes, tendo tido nove filhos, todos oriundos do primeiro matrimônio, entre os quais se destacou Bartolomeu Bueno da Silva, o Moço, também chamado de Anhangüera, a quem destinamos os registros que se seguem.
Após ter acompanhado o pai ao sertão em 1682, ainda menino, e ter-se fixado em Sabará, Minas Gerais, em 1701, Bartolomeu (o filho) ofereceu-se, em 1722, para explorar de novo a região de Goiás, mediante remuneração.
Aceita a oferta, organizou expedição que, após três anos e muitas dificuldades, encontrou as paragens onde havia estado o pai.
Estabelecendo-se nas minas descobertas, aí fundou, em 1726, os Arraiais da Barra (atual Distrito de Buenolândia, nome adotado em homenagem a Bartolomeu Bueno), Ouro Fino, Ferreiro e Santa Ana.
Foi, então, nomeado Capitão-Mor Regente das Minas do Arraial de Santa Ana (transformado em 1739 na Vila Boa de Goiás e, posteriormente, em Goiás, antiga capital do Estado com o mesmo nome), com poderes, inclusive, de conceder sesmarias.
Bartolomeu Bueno da Silva, o Moço, que propiciou substancial aumento de riqueza à Coroa de Portugal, gastando na descoberta das minas toda a fortuna que havia herdado dos pais, faleceu pobre na Vila de Goiás em 1740, mesmo porque a decisão de D. Luís de Mascarenhas, Governador de Goiás, de conceder-lhe uma arroba de ouro das rendas obtidas com a extração do ambicionado metal não foi cumprida, ordenando-se, isso sim, a restituição da quantia já recebida, com o seqüestro dos bens do beneficiado se não fosse efetuada.

Comentários

O que você achou deste texto?       Nome:     Mail:    

Comente: 
Informe o código de segurança:          CAPTCHA Image                              

De sua nota para este Texto Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui