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Contos -->Extinção -- 29/05/2002 - 19:26 (Clarissa Borba Batista Macedo de Azevedo) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Risquei o último fósforo. Inútil. O tímido oxigênio que entrava nos meus pulmões não era suficiente para manter a chama acesa. E a escuridão tronou-se tudo o que havia à minha volta novamente. Tateei o chão ao meu redor, e só encontrei os corpos dos amigos que me acompanharam nos últimos anos.
O silêncio do já inabitado abrigo nuclear era angustiante. Assustado, comecei a cantar o hino de meu país, mesmo sabendo que tal lugar só existia em minha memória. a guerra nuclear o destruiu, levando consigo todas as formas de vida habitantes sobre o planeta Terra; deixando somente alguns traços da humanidade espalhados em precários abrigos subterrâneos desprovidos de qualquer meio de comunicação entre si.
Eu, entre os seres humanos remanescentes, busquei reconstruir uma nova sociedade em meu abrigo. Mas, aos poucos, tornou-se difícil produzir alimentos ou ter luz e ar. Em meio à ambição e ao egoísmo, foram morrendo, uma a uma, as pessoas que viviam ao meu lado. Não bastassem a guerra e os clones de seres humanos para destruir o planeta; em poucos anos, meu abrigo se viu destruído também.
E não pude fazer nada para impedir isso. Mas houve quem podia, e o fez. Houve cientistas que alertaram sobre os perigos das bombas atômicas; houve ambientalistas que defenderam espécies animais e vegetais. Existiu quem não pôde conformar-se com a estúpida realidade humana e buscou mudá-la. Houve aqueles que falaram diante dos problemas...
Mas tanto esforço traduziu-se em fracassos... E só restei eu. Eu, simples mecânico, que não tenho nada a acrescentar a ninguém, devo ser o último ser humano da Terra. Posso não estar sozinho, mas a comunicação com os outros abrigos é uma utopia. Só tenho meus pensamentos e minhas lembranças, que não chegam a me dar uma ínfima esperança de sobrevivência.
E os dias passam, não há comida... A sensação de que minha raça, que dominou um planeta, acabou por auto-destruir-se, provocando sua extinção, é mais angustiante do que me ver no silêncio de uma escuridão infindável. Só me resta assistir ao tempo esvair-se para eliminar o tormento de que vou morrer porque seres como eu quiseram assim.
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