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Artigos-->FRANCISCA SENHORINHA DA MOTTA DINIZ -- 10/07/2007 - 17:11 () Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos





Foi através de uma conversa com o meu confrade de Instituto Histórico e Geográfico, Jota Dangelo, que fiquei sabendo da existência de uma são-joanense ainda desconhecida de praticamente todos nós. Dangelo perguntava-me sobre a data de nascimento e de morte de Francisca Senhorinha Motta Diniz... Até o momento, apesar das pesquisas empreendidas, ainda não nos foi possível saber destas datas, as quais ainda continuam sendo do nosso interesse. Assim, enquanto pesquisamos um pouco mais, creio que, valendo-me de fontes diversas, faz-se necessário repassar aos nossos conterrâneos e conterrâneas algumas indicações sobre a mulher formidável que foi Francisca Senhorinha Motta Diniz:
1 - “A educadora Francisca Senhorinha da Motta Diniz era mineira de São João d’El-Rei. Sua mais importante contribuição para a luta das mulheres foi a criação do semanário O Sexo Feminino, que trazia informações sobre literatura e amenidades, mas que também tratava de temas polêmicos, como a abolição da escravatura, o voto feminino e o movimento feminista em outros países. Ela também é autora do romance A judia Rachel, editado em 1886. “Queremos a instrução pura para conhecermos nossos direitos, e deles usarmos em ocasião oportuna. Queremos, enfim, saber o que fazemos, o porquê e pelo que das coisas. Só o que não queremos é continuar a viver enganadas” (Francisca Senhorinha da Motta Diniz). Fonte: publicação “Abrealas”, da Rede de Desenvolvimento Humano.
2 - “Educadora, natural de São João del Rei (MG), lecionou em escolas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, onde fundou e dirigiu um colégio. Como jornalista e escritora colaborou com vários periódicos, tendo criado o semanário O Sexo Feminino que tratava de temas polêmicos como abolição da escravatura, o voto feminino e propunha a emancipação da mulher, através da educação...” Fonte: Dicionário das Mulheres do Brasil, Jorge Zahar editor, 2000, pág. 246.
3 - “... A segunda onda surge por volta de 1870, e se caracteriza principalmente pelo espantoso número de jornais e revistas de feição nitidamente feminista, editados no Rio de Janeiro e em outros pontos do país. Talvez fosse o caso de considerá-la, por isso, menos literária e mais jornalística. Dentre tantos, inicio com O sexo feminino, dirigido pela incansável Francisca Senhorinha Motta Diniz, de longa vida e muito sucesso. Pesquisas revelam que o periódico teve três fases. A primeira, de 1873 a 1875, em Campanha da Princesa, Minas Gerais, já com a surpreendente tiragem de oitocentos exemplares e assinantes em diferentes cidades. A segunda, ocorre alguns anos depois, no Rio de Janeiro, de 1887 a 1889, para onde Francisca Senhorinha havia se transferido com a filha Elisa, tornando-se um nome conceituado junto à Corte. A filha, Elisa Diniz Machado Coelho, também jornalista e autora de romances-folhetins, fundou o Colégio Santa Isabel, para moças, que logo se torna um dos mais prestigiados da cidade. Em seus artigos, Francisca Senhorinha alertava às mulheres que o “grande inimigo” era a “ignorância de seus direitos”, que “a ciência dos homens” se encarregava de manter. E que apenas com a instrução seria possível “quebrar as cadeias que desde séculos de remoto obscurantismo nos rodeiam”. O sucesso do periódico pode ser avaliado quando se sabe que foram impressos mais quatro mil exemplares dos primeiros dez números para atender aos ilustres novos assinantes do Rio de Janeiro, como o Imperador D. Pedro II e a Princesa Isabel. Depois, entusiasmada com a Proclamação da República, mudou o nome do jornal para O quinze de novembro do sexo feminino, e passou a defender com mais ênfase o direito das mulheres ao estudo secundário e ao trabalho, e a denunciar a educação mesquinha oferecida às meninas. Era a terceira fase do periódico, que vai de 1890 a 1896...” Fonte: Feminismo e Literatura no Brasil, Constância Lima Duarte (Doutora em Literatura Brasileira pela USP, professora da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisadora do CNPq).
4 – “Um nome a guardar na memória é Francisca Senhorinha da Motta Diniz (séc. XIX-?). Fundadora, editora e redatora de um dos vários jornais de orientação feminista surgidos país afora a partir das três últimas décadas do século XIX – O Sexo Feminino–, a professora Francisca Diniz, já nos idos de 1875, não perdeu a chance de informar o público leitor da época sobre uma proposta relativa ao sufrágio feminino feita no país décadas antes pelo senador Manoel Alves Branco (1797-1855). No final da década de 1880, seu jornal, rebatizado como O Quinze de Novembro do Sexo Feminino desde a mudança do regime político no país, ganha uma coluna exclusiva para tratar da questão. E em abril de 1890, publica um artigo intitulado ¨igualdade de direitos¨ em que afirma: “Desejamos que os senhores do sexo forte saibam que se nos podem mandar, em suas leis, subir ao cadafalso, mesmo pelas idéias políticas que tivermos, [...], também nos devem a justiça de igualdade de direitos, tocante ao direito de votar e o de sermos votadas”. Fonte: Valéria Andrade, in Revista Acervo Histórico, da Assembléia Legislativa de São Paulo, 2004.
Desta forma, ainda que brevemente, está delineado um pouco da importante trajetória desta são-joanense, uma das grandes precursoras do movimento feminista no Brasil e cujo nome se equipara aos de outras tantas – rebeldes, inconformadas, utópicas – a exemplo de Nísia Floresta, Maria Lacerda de Moura, Mariana Coelho, Antonieta de Barros, Elisabeth Souza Lobo, Madeleine Pelletier, Bertha Lutz, Leolinda Daltro, Ercília Nogueira Cobra, Patrícia Galvão, Carlota Pereira de Queiroz..., que nas suas épocas não aceitaram o status quo estabelecido para seu sexo e protestaram das mais diferentes formas, marcando as suas vidas pela coragem e determinação na luta pela independência e liberdade femininas.
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