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Artigos-->A PALMA QUE SE TRADUZIU EM PALMAS. -- 30/10/2005 - 00:57 (Mário Ribeiro Martins) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
A PALMA QUE SE TRADUZIU EM PALMAS.



(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO).

Mário Ribeiro Martins*





Uma das melhores descrições que se tem de PALMA(Paranã), a antiga Capital da Província de São João das Duas Barras, hoje correspondente ao Estado do Tocantins, foi feita por Lysias Augusto Rodrigues, no dia 02.09.1931, quando disse:



“Vejamos agora o que é a cidade. Localizada na ponta de terra, onde se verifica a confluência do Rio Paranã com o Rio Palma, vê-se o terreno estender-se pela planície a fora, coberta de mato, abrindo-se-lhe possibilidades de desenvolvimento.



A cidade é constituída de meia dúzia de ruas pequenas, de casas de alvenaria de tijolos, esparsas entre vastos quintais de árvores frutíferas, principalmente mangueiras, abacateiros e jaqueiras.



Casas pequenas, acachapadas e velhas. Dão um aspecto tristonho ao conjunto, onde nem um só telhado novo se vê. Não tem luz, nem esgoto, nem água(tratada) e o Rio Paranã, serve para tudo, banho, lavagem de roupa e pescaria inclusive.



À tarde, ansiávamos pelo banho do rio. Devido ao calor sufocante, nossa comitiva atrasou-se de modo que o banho será sem mudança de roupa. Que pena! Largo, azulado, semeado de bancos de areia cobertos de seixos, o Paranã rola águas mornas para o Norte.



O Anísio levou-nos ao banheiro dos homens(há o das mulheres também, um pouco a montante), onde por mais de uma hora nadamos, refrescando-nos”(Lysias Rodrigues, ROTEIRO DO TOCANTINS, p. 81).



Pois bem, foi nesta Palma que viveu não somente Joaquim Teotônio Segurado e que nela morreu em 14.10.1831, mas também o seu filho Rufino Teotônio Segurado, que nela nasceu em 1820 e que foi seu Juiz de Direito(nomeado pelo Imperador) bem antes de 1859.



Relembre-se que de sua certidão de óbito consta: “Aos 29 de agosto de 1868, nesta vila e freguesia de Nossa Senhora da CONCEIÇÃO DO NORTE do Bispado de Goyaz, sepultamos nesta Matriz, do Arco para cima(*1), com todos os sacramentos, o Doutor Juiz de Direito desta Comarca de Palma, Rofino Theotonio Segurado, pardo, casado com Dona Mariana Francisca de Azevedo e foi encomendado e acompanhado por mim, do que para constar, fiz este termo que assignei. Vigário João de Deus Gusmão”.



Assim é esta Palma de tantas histórias e tradições, mas também miseravelmente pobre, no dizer de Lysias, que deu origem a PALMAS, a nova Capital do Tocantins. O nome PALMAS não é outra coisa, senão uma homenagem dada pelo Governador Siqueira Campos à antiga Capital da Província de São João das Duas Barras.



Não se sabe porque(que o diga o Tribunal de Contas do Estado) até hoje a estrada que dá acesso a Palma(Paranã), é praticamente a mesma do tempo de Lysias(1931), com atoleiros na época da chuva e poeira na época da seca, considerando que se trata de uma cidade de importância histórica fundamental.



Observando-se as fotografias do inicio da construção de Palmas(01.01.1990), tem-se a impressão, numa mistura de tristeza de que ela iria permanecer como a antiga Palma ou no dizer de Lysias: “vê-se o terreno estender-se pela planície a fora, coberta de mato”, vindo logo a alegria, completada por Lysias: “abrindo-se-lhe possibilidades enormes de desenvolvimento”.



Se Lysias estivesse entre nós e fosse descrever a Palmas de hoje, certamente não iria dizer: “Casas pequenas, acachapadas e velhas. Dão um aspecto tristonho ao conjunto, onde nem um só telhado novo se vê”.



Não é assim a Palmas de hoje, porque telhados novos é o que mais se vê. Meu pai já dizia: “Meu filho, nunca vá morar numa cidade que não tenha telhados novos”. Certamente, ele não tinha a visão de uma cidade tombada pelo patrimônio histórico.



Mas a nossa Palmas nem sempre foi assim. Que o digam os pioneiros e piotários que viveram em casebres de madeira, em depósitos coletivos, bebendo e se banhando nos córregos. Mas é claro, tudo em nome do progresso que haveria de vir e que, de fato, veio para uns, mas para outros não. Porém, o que importa mesmo é que hoje(2005) Palmas abriga homens e mulheres de todas as partes do mundo.



(*1) “do arco para cima” significava que a pessoa tinha sido sepultada na parte especial da Matriz, perto do Altar principal.





*Mário Ribeiro Martins

é Procurador de Justiça e Escritor.

(mariormartins@hotmail.com)

Fone: (063)99779311 (063) 3215 44 96

Caixa Postal, 90, Palmas, Tocantins, 77001-970.

www.mariomartins.com.br

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