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Artigos-->Revista Primeira Leitura -- 05/05/2005 - 14:59 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Revista Primeira Leitura

www.primeiraleitura.com.br

Indivíduos de todo o mundo, uni-vos!
Bato tanto em tanta gente, que só faltava me fazer de ofendido porque me batem. Até que não me atribuam o que eu não disse e não usem o meu nome para causas particularistas, meus textos estão no mundo. Que os adversários os usem para alimentar a sua fúria se não servirem para despertar a sua fome

Por Reinaldo Azevedo

A TURMA DA TESOURA: ela hoje seria digital, já que, do ponto de vista político, os pterodáctilos evoluem sem deixar de ser pterodáctilos.

Outro dia, um desses programas que gostam de ouvir a “sociedade civil” debatia a pedofilia na internet. Antes que avance, tenho uma dúvida e gostaria que o internauta me ajudasse: por que, sempre que a tal sociedade civil é chamada a falar, o seu representante é de esquerda? Por que um esquerdista parece especialmente talhado para nos conduzir à luz até quando se debate pedofilia? Assistindo ao noticiário de TV ou mesmo lendo os jornais, a impressão que tenho é que os esquerdistas não só venceram a batalha ideológica como dão as cartas na economia, na política e, claro, nas empresas. Até parece que o Muro de Berlim desabou sobre a cabeça de seus adversários, não sobre a sua própria.

É bem verdade que os sindicatos, hoje, no Brasil, tornaram-se, mais do que sócios, os verdadeiros donos do poder. Mas até para combater a pedofilia é preciso recorrer a um “companheiro”? Explico-me: um dos rapazes convidados era de uma ONG aí que está empenhada em, como ele dizia, “controlar o que rola na internet”. Por “controlar o que rola”, entenda-se, sem subterfúgios, censura mesmo. É o que ele queria. É o que ele quer.

Ora, a pedofilia é o que é, e 1) seus promotores têm de ir para cadeia; 2) os pedófilos têm de ser afastados do convívio social. Não sou especialista, é claro, mas, até onde li e com o que sei de psicanálise – é bastantinho, asseguro (é uma das minhas leituras prediletas enquanto Lula olha para a esteira ergométrica), não há chance de cura. Se o doente não consegue, sufocando a expressão de seu desvio, se controlar (e talvez não tenha como), nada há a fazer. Descoberta, a pessoa tem de ser isolada. Infelizmente, não há reprogramação ou cura possível. Posto isso, voltemos ao leito.

Evidentemente, o tal programa tinha um problema de pauta. Ou bem se debate o que fazer com os que promovem um crime na internet ou bem se debate se é saudável criar um instrumento público para censurar a rede. O dito-cujo que estava no programa, via-se, estava pouco se lixando para o tema em questão. O negócio dele era “controlar o que rola”. Mestiço — “pardo”, segundo o IBGE —, ele reclamava do racismo (e pegou carona em um monte de outras “causas”). Estava inconformado com os muitos blogs que, segundo ele, usavam uma linguagem que considera ofensiva. Certamente seria um dos apoiadores da tal cartilha da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos.

Por que trago esse assunto aqui? Porque poucos se dão conta de que aparelhos políticos, a maioria deles partidários (e de um partido só, que é candidato a partido único), estão cevando sementes de intolerância e espalhando-as por todo canto. E tudo sob patrocínio oficial e, não raro, com o apoio incondicional da grande mídia, que, ou não percebe ou está ela mesma, por razões empresariais, interessada em coibir este fantástico instrumento de democratização da informação e da opinião em que se transformou a internet. Multiplicam-se os grupos organizados de patrulha que querem botar uma polícia, à moda chinesa, para filtrar o que pode e o que não pode na rede.

E aqui vale uma observação importante, lição aprendida com Tocqueville. Na vida pública, os males da liberdade se corrigem com mais liberdade. É rigorosamente falso que a internet facilite a ação de pedófilos. Na verdade, dificulta porque abre uma janela para a sua identificação e prisão. Basta que a polícia queira, a exemplo do caso recente de um arquiteto preso no Distrito Federal. A internet tem tanta influência na promoção da pedofilia quanto o romance Werther, de Goethe, teve na onda se suicídios que teria varrido a Europa na esteira de sua publicação: ou seja, nenhuma. Naquele caso, certamente atuaram os inimigos de Goethe. Neste, atuam os inimigos da liberdade. Sob o pretexto de combater o nefando, as parcas do totalitarismo afiam sua tesoura e babam o seu rancor contra a liberdade individual.

Um pedófilo, sabe-se, não precisa da rede para exercer a sua tara, doença ou desvio. Na verdade, quanto menos exposição, pior para as suas vítimas. Não é por acaso que, na maioria das vezes, elas pertencem à sua própria família. O que a rede faz é tirá-lo da toca. Qualquer aluno do primeiro ano de psicologia de um curso sério ou que tenha aprendido os primeiros rudimentos de psicanálise sabe que aquele brasiliense, de fato, estava pedindo para ser descoberto, estava implorando para ser punido, estava querendo que o Estado o livrasse de si mesmo e o colocasse sob controle. Por isso se expunha daquela forma. Sociopatas desse naipe sempre deixam pistas deliberadas, se expõem, procuram a punição. Mas também se divertem com o jogo perverso de lançar as pistas e procurar se esconder de seus perseguidores. A internet não lhes fornece o desvio original ou os desperta para a doença. Ela apenas lhes franqueia um canal de expressão e, se o Estado quiser e o governo for competente, o caminho da prisão.

Ora, os pequenos Pol Pots estão assanhados. Pegam carona no nefando para encontrar uma justificativa moral acima de qualquer suspeita para a sua causa. Acho que foi Bertolucci quem disse, numa entrevista, que “o fascismo começa caçando tarados”. Se não foi bem assim, foi quase isso. Estava defendendo os tarados? Não! Estava atacando os fascistas. Nesse caso, é o fascismo de esquerda em ação, que é coisa de mesma natureza, “farinha do mesmo saco”, para usar uma expressão censurada naquela cartilha bocó elaborada pela turma do Nilmário Miranda, o secretário que se esconde do serviço na Secretaria Nacional dos Direitos Humanos.

O ideal é que o Estado brasileiro e seu governo — e que o mesmo se faça no resto do mundo — estejam tecnicamente aparelhados para combater crimes cometidos por meio da internet. Qualquer veículo, aliás, pode ser vertido para o mal. Há um caso de traficantes que esconderam cocaína em bíblias. Imaginem só: a minha querida Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios tocada pelo demônio social em pó! E nem por isso vamos proibir as bíblias, não é mesmo? Assim como não vamos fechar a Justiça porque um juiz é corrupto ou declarar a extinção da Presidência da República porque, um dia, Waldomiro Diniz lhe prestou serviços por meio da Casa Civil.

Infelizmente, multiplicam-se os casos de pessoas, entidades e auto-intitulados representantes da sociedade civil — aliás, onde fica a sede da sociedade civil? Qual o CEP? — que se assanham a meter o nariz na liberdade de expressão, que se organizam para, como dizem, subordinar a informação, a internet, o jornalismo e, se possível, o Chicabom (viva Nelson Rodrigues!) ao “interesse social”. Ora, vocês sabem, não é?, “interesse social” é uma senha de perseguição política definida por uma minoria mobilizada, quase sempre imposta goela abaixo da maioria desorganizada e silenciosa. Aliás, no dia em que as oposições descobrirem a existência da maioria não-militante — e constatar, inclusive, que é ela quem decide o resultado de eleições —, talvez se possa reduzir o PT e o petismo a seu real tamanho. Sem entrar no mérito do conteúdo das proposições, foi o que os republicanos fizeram nos EUA. Descobriram que a América não se resumia à ilha de Manhattan e aos “entendidos” (como quer a cartilha de Nilmário) de São Francisco. Não estou aqui, noto à margem, necessariamente endossando a agenda republicana (mas também não estou tentando me livrar dela): estou apenas observando que é preciso ter a coragem de afrontar chavões coletivistas tornados influentes apenas porque a minoria que os defende é barulhenta.

Anotem aí: é mera questão de tempo o esforço para policiar a internet (sob o pretexto de caçar pedófilos, traficantes e afins). O meio escolhido será uma dessas ONGs que se candidatam a “monitorar” a rede — algumas são meras seções nacionais de uma rede, de fato, internacional, financiada sabe-se lá por quem. Os candidatos ao serviço serão esses representantes da “sociedade civil”. A exemplo do que se viu no, por ora, adormecido Conselho Federal de Jornalismo, o governo dirá que apenas atende aos reclamos da sociedade.

Todos tratamos com certo humor, eu também, aquela soma de asnices da cartilha da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Era mesmo para rolar de rir. Mas há um aspecto que nada tem de engraçado. Gostaria que o leitor parasse para pensar: que governo é esse que acha que pode fazer isso? Qual seu caráter? Qual sua alma profunda? O que mais ele acha que pode fazer? Atentem para as conclusões, por exemplo, do Ministério da Educação a partir dos resultados do Enade, o substituto incompetente do Provão. O Ministério da Educação não quer comprar microscópio eletrônico para os labarotórios de física: quer lhes fornecer prosopopéias sociais. Assim, os físicos poderão ver tudo, menos o essencial à sua tarefa.

Pronto! Derivei de novo. Volto às tentativas de censura na rede. Perdi a conta dos sites e blogs que me transformaram no sapo de plantão de suas utopias ou distopias. “Reacionário”, “direitista”, “TFP”, “Opus Dei” e sei lá mais o quê. Está tudo lá. Meus textos são copiados, copidescados pela ideologia, fragmentados, distorcidos, retirados do contexto, mutilados. Uma verdadeira festa de celebração paranóide. Chamam-me filhote do Bush (pena ele nem saber que eu existo...), porta-voz do imperialismo, agente da CIA, da Mossad, tucano enrustido (como se, caso eu fosse tucano, tivesse de me disfarçar de outra coisa) e por aí afora. Acato tudo como parte da guerra. No dia em que me sentir de fato ofendido ou que algo mais for prejudicado pelas agressões além, eventualmente, da minha vaidade, acionarei a Justiça para tentar catar o magano. Mas pelo que estiver lá escrito, e não pelo que o detrator eventualmente intencionar escrever.

Ora vejam: bato tanto em tanta gente. Só faltava agora me fazer de ofendido. Até que não me atribuam o que eu não disse e não usem o meu nome para causas particularistas, que não são as minhas, meus textos estão no mundo. Que os adversários os usem para alimentar a sua fúria se não servirem para despertar a sua fome. A minha praia é a liberdade. Minha e alheia. Meu país é o indivíduo. Minha concessão generosa ao mundo é a institucionalidade democrática, já que somos obrigados a ter uma existência além de nosso núcleo familiar. Assim, o meu contrato social supõe o ambiente que garanta aquela liberdade e aquela individualidade, e não o que vem para mitigá-las e se tornar ele próprio um fim.





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