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Artigos-->QUEM FOI ABÍLIO WOLNEY? -- 01/01/2005 - 16:41 (Mário Ribeiro Martins) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
QUEM FOI ABÍLIO WOLNEY?
(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO).
Mário Ribeiro Martins*

ABÍLIO WOLNEY, de TAIPAS, São José do Duro(Dianópolis), Goiás, hoje Tocantins, 22.08.1876, escreveu, entre outros, "LIVRO DE LEMBRANÇAS" (HISTÓRIA DE SUA VIDA). Filho de Joaquim Ayres Cavalcante Wolney e Maria Jovita Leal Wolney.

Abílio Wolney, filho mais velho do casal, foi batizado pelo Padre João de Deus Gusmão, em Conceição do Norte, considerado o centro mais importante da região, tão importante que por lá passara como JUIZ DE DIREITO, em 1876, a figura de Virgílio Martins de Mello Franco que escreveu o capítulo VIAGEM À COMARCA DE PALMA, dentro do livro VIAGEM PELO INTERIOR DE MINAS GERAIS E GOIÁS, publicado no Rio de Janeiro, em 1888.

Na verdade, VIRGÍLIO MARTINS DE MELLO FRANCO foi promovido a Juiz de Direito da Comarca de Palma, Província de Goiás, que tinha como Sede a Vila de Conceição do Norte, no hoje Estado do Tocantins, por Decreto de 8 de junho de 1876, do Imperador Dom Pedro II.

Viajou 200 léguas(hum mil e duzentos quilômetros), em lombo de burro, de Paracatu, em Minas Gerais até Conceição do Norte, onde começou a escrever o livro VIAGEM AO INTERIOR DE MINAS GERAIS E GOIÁS.

Este Virgílio foi também Juiz de Direito de Traíras(Niquelândia), em dezembro de 1876, de Meia Ponte(Pirenópolis), em 1877, de Vila Boa(Goiás Velho), em 1878. Aposentou-se como Juiz de Direito de Barbacena, em 1890 e fundou a Faculdade de Direito de Minas, em Ouro Preto, em 1892, de que foi Professor e Diretor. Faleceu no Rio de Janeiro, em 31.12.1922.

Seu filho mais ilustre que também residiu em Conceição do Norte(tinha 6 anos), foi o ex-aluno da MESTRE NHOLA, em Goiás Velho, AFRÂNIO DE MELLO FRANCO que morreu no Rio de Janeiro em 1943, depois de ter sido Parlamentar, Diplomata, Ministro das Relações Exteriores e um dos autores do Código Civil de 1916 e da Constituição Federal de 1932.

O filho de Afrânio, o famosíssimo AFONSO ARINOS DE MELO FRANCO(o segundo), que faleceu em 1990, além de ter sido autor da Lei que proíbe a DISCRIMINAÇÃO RACIAL NO BRASIL, foi também Presidente da Comissão Pré-Constituinte de 1988, que criou o ESTADO DO TOCANTINS.

Feita esta digressão só para mostrar a importância de Conceição do Norte, naquela época, o pai de Abílio Wolney, conhecido como CORONEL JOAQUIM WOLNEY, era dono de 14(catorze) fazendas e milhares de cabeças de gado, tudo espalhado pelas divisas de Goiás e da Bahia.

Com o passar do tempo, Abílio Wolney tornou-se Coletor Estadual e Tenente-Coronel da Guarda Nacional.

Combateu a COLUNA PRESTES em 1926, pelos sertões do Brasil. Prefeito de Barreiras, na Bahia e também de Dianópolis, sua cidade natal, quando já tinha setenta anos de idade.

Revolucionário, Militar, Estrategista. Advogado, Intelectual, Historiador. Pensador, Ativista, Pesquisador. Orador, Conferencista, Administrador. Jornalista, Cronista, Educador. Político, Farmacêutico, Memorialista. Sapateiro, Agricultor, Carpinteiro. Farmacêutico e Alfaiate.

Membro de diferentes agremiações sociais, culturais e de classe de seu tempo, entre as quais, Ordem dos Advogados do Brasil e Associação Goiana de Imprensa.

Sobre ele, escreveram, entre outros, Voltaire Wolney Aires(ABÍLIO WOLNEY-SUAS GLÓRIAS, SUAS DORES); Nertan Macedo(ABÍLIO WOLNEY-UM CORONEL DA SERRA GERAL); Zoroastro Artiaga(UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DE GOYAZ); José Mendonça Teles(IMPRENSA GOIANA-DEPOIMENTOS PARA A SUA HISTÓRIA); Mário Ribeiro Martins(JORNALISTAS, POETAS E ESCRITORES DE ANÁPOLIS); João Cabanas(A COLUNA DA MORTE); Glauco Carneiro (HISTÓRIA DAS REVOLUÇÕES BRASILEIRAS); Hélio Silva(A GRANDE MARCHA); Walfrido Moraes(JAGUNÇOS E HERÓIS); Hernâni Donato(DICIONÁRIO DAS BATALHAS BRASILEIRAS).

Faleceu em 12.09.1965, com 89 anos. Biografado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DO TOCANTINS, de Mário Ribeiro Martins, MASTER, Rio de Janeiro, 2001. Na Academia Tocantinense de Letras é Patrono da Cadeira 20, cuja Titular é Cleuza Benevides Souza Bezerra.

Nasceu em Taipas, São José do Duro(Dianópolis), Goiás, hoje Tocantins, no dia 22 de agosto, terça-feira, de 1876.

Filho de Joaquim Ayres Cavalcante Wolney e de Maria Jovita Leal Wolney. Alfabetizado pelos pais e com noções de aritmética, foi levado da Fazenda para a Escola Primária, em sua terra natal.

Após o curso básico, estudou em Salvador, na Bahia, onde fez curso prático de Medicina e Farmácia, licenciando-se para realizar pequenas cirurgias. Não tendo curso de Direito, inscreveu-se como Advogado Provisionado, na Ordem dos Advogados do Brasil, no Rio de Janeiro, sob o número 34.

Com 18 anos de idade, em 1894, foi eleito Deputado Estadual, surpreendendo o Norte de Goiás. Em 1896, tornou-se Agente dos Correios e Telégrafos, Secretário do Conselho Municipal e Juiz Adjunto de São José do Duro.

Contando com 21 anos de idade, em 1897, casou-se com sua prima Josefa Ayres Wolney, tornando-se pai de Alzira, Mireta, Custodiana, Palmira e Jaime.

Em 1900, ao passar ABÍLIO WOLNEY por Santana das Antas, em Goiás, como candidato a Deputado Federal, sugeriu a Moisés Santana e a outros Antenses, bem como à Câmara dos Deputados, em Goiás Velho, que mudasse o nome da cidade para ANÁPOLIS.

Aceitando esta sugestão, o jornalista Moisés Augusto de Santana, publicou, em 23 de novembro de 1904, no jornal "LAVOURA & COMÉRCIO", de Uberaba, Minas Gerais, um artigo em que usa, pela primeira vez, de forma escrita, a palavra ANÁPOLIS(CIDADE DE ANA), num texto com a seguinte redação:

..."SANTANA DE ANTAS, A BELA E ENCANTADORA ANÁPOLIS, CUJO NOME É SEMPRE OUVIDO COM SIMPATIA POR QUANTOS SE INTERESSAM PELOS NEGÓCIOS DE ALÉM PARANAÍBA...".

Assim, através da lei Nº 320, de 31 de julho de 1907, assinada pelo Presidente do Estado de Goiás, Miguel da Rocha Lima, a vila de SANTANA DAS ANTAS passou a chamar-se ANÁPOLIS, graças à sugestão do então Deputado Abílio Wolney.

Em 8 de abril de 1900, com 24 anos de idade, foi eleito Deputado Federal. Depurado pela Câmara dos Deputados, não chegou a tomar posse, o que lhe provocou profunda revolta, eis que, eleito pelo povo, não foi reconhecido pela Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro.

Em 1902, funda, em sua cidade natal, uma BIBLIOTECA PÚBLICA com 200 livros, destinada ao povo durense(de São José do Duro).

Com 27 anos de idade, em 1903, recebe do Presidente da República Campos Sales, a PATENTE DE TENENTE-CORONEL DA GUARDA NACIONAL.

Em maio de 1904, foi nomeado Coletor Estadual, outrora chamado Administrador de RENDAS DO NORTE DE GOIÁS, com sede em Taguatinga. Eleito novamente Deputado Estadual, em 1909, tornou-se Presidente do Poder Legislativo do Estado de Goiás.

Fundou em Goiás Velho, em 1912, o jornal ESTADO DE GOIÁS, do qual Moisés Santana foi redator, conforme depoimento de Claro Augusto de Godoy e Altamiro de Moura Pacheco, às fls. 144, do livro IMPRENSA GOIANA.

Entre 1915 e 1918, dedicou-se a atividades agrícolas, construindo o primeiro Engenho de Ferro da região, com a finalidade de explorar a mandioca e a cana-de-açucar, conforme escreveu a Coquelin Leal da Costa, direto do Buracão, em 6 de junho de 1918.

Em novembro de 1920, com recursos próprios, iniciou uma estrada de rodagem entre São José do Duro e Barreiras, na Bahia, numa extensão de trezentos quilometros, conforme consta do livro QUINTA-FEIRA SANGRENTA, de Osvaldo Rodrigues Póvoa, página 97. Perseguido politicamente, em virtude dos acontecimentos do Duro, na Chacina Oficial da Polícia Estadual Goiana, foi, no entanto, anistiado em 1926, pelo Presidente da República Artur Bernardes.

Vale lembrar que foram mortos na Chacina do Tronco, ocorrida em 16 de janeiro de 1919, a QUINTA-FEIRA SANGRENTA, João Batista Leal, Benedito de Cerqueira Póvoa, João Pinto Póvoa, João Rodrigues de Santana, Nilo Santana, Salvador Santana, Messias Camelo, Nasário do Bonfim e Wolney Filho, todos eles homenageados, posteriormente, na CAPELA DOS NOVE, construída numa das Praças de Dianópolis.

Em março de 1926, vinculado ao DESTACAMENTO DO GENERAL MARIANTE, passou a comandar, 450 homens para combater a Coluna Prestes(chamada pelo povo de OS REVOLTOSOS) pelos sertões do Brasil, especialmente, Alagoas, Ceará, Pernambuco, Piaui, Bahia e Minas Gerais, o que ocorreu, até outubro de 1926, quando a Coluna penetrou no Mato Grosso e alcançou a Bolívia.

Consoante Jorge Amado, no livro CAVALEIRO DA ESPERANÇA, "Horácio de Matos, Franklin de Albuquerque e Abílio Wolney com os seus homens", os três formaram o trio invencível aplaudido pelo Governo de Artur Bernardes, no combate ao giro fantástico da COLUNA.

Em 1931 e até 1937, tornou-se Prefeito de Barreiras, na Bahia, nomeado pelo Governador Juracy Magalhães. Dias antes, estivera preso no Quartel da Guarda Civil de Salvador, ao lado de Horário de Matos(Chefe de Lençóis), Franklin de Albuquerque(Chefe de Pilão Arcado), João Duque(Chefe de Carinhanha), Marcionílio de Souza(Chefe de Maracás), Cirilo Veado(Chefe da Barra).

Terminada a sua contribuição como Prefeito de Barreiras, retornou, em 1938, a São José do Duro, dedicando-se exclusivamente às atividades de Advogado, Farmacêutico e Fazendeiro.

Em 1946, quando já tinha setenta anos de idade, foi nomeado Prefeito de São José do Duro, sua terra natal, hoje Dianópolis, no Estado do Tocantins, pelo então Governador de Goiás, Interventor Federal General Felipe Antônio Xavier de Barros.

Este foi o seu último cargo público e nele permaneceu até 1947, quando nas eleições gerais foi eleito para Governador do Estado, o Engenheiro Jerônimo Coimbra Bueno.

Quando completou setenta e cinco anos de idade, passou a viver com Domingas Bispo de Souza, tornando-se pai de cinco filhos, cujos nomes são, Joaquim, Francisco, Mariazinha, Dorinha. Emílio, o filho caçula, nasceu, quando o Coronel Abílio já tinha oitenta e cinco anos de idade. Foi casado também com Eufrosina Santos(Dona Goiana. De seu relacionamento com Filomena Teles Fernandes de Miranda, nasceu em Barreiras, na Bahia, em 1934, Irani Wolney Aires que se casou com Zilmar Póvoa Aires e com quem teve os filhos Voltaire, Pery, Abílio, Zilmar, Norman e Margareth.

Fazendeiro em sua FAZENDA JARDIM, Farmacêutico licenciado pela Universidade da Bahia e dono de laboratório, exercia também a Medicina, servindo-se da biblioteca de seu irmão estudante de medicina no Rio de Janeiro, Wolney Filho, que, de férias, foi precocemente assassinado no "barulho do duro" ou mais precisamente na QUINTA-FEIRA SANGRENTA, no dia 16 de janeiro de 1919.

A história dessa chacina foi contada no romance “O TRONCO”, de Bernardo Élis e transformada em filme pelo cineasta João Batista de Andrade, embora numa versão contestada pelos atuais familiares do Coronel.

Além de outros artistas, o ator Antônio Fagundes fez o papel do célebre Juiz Carvalho que, na história real, não era outro senão o Juiz Celso Calmon Nogueira da Gama. Este Juiz, procedente de Vitória, no Espírito Santo, terminou por se tornar Desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás, exatamente no Governo de Brasil Ramos Caiado, um dos pivores da "BRIGA DO DURO".

Entre seus amigos e confidentes, estava o Médico de Porto Nacional, Dr. Francisco Ayres, com quem mantinha correspondência sobre os ideais libertários para o então Norte de Goiás.

Com 89 anos de idade, e ainda mantendo o seu Escritório de Advocacia, eis que inscrito na ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, sob o número 34, faleceu o Coronel Abílio Wolney, em 12 de setembro de 1965, sendo sepultado no Cemitério Local de sua terra natal, DIANÓPOLIS, como o mais autêntico líder das gargantas da SERRA GERAL.

Em sua homenagem e pela Lei 2.636/99, de 19.04.1999, a Praça onde se localizava a Prefeitura Municipal de Anápolis, outrora Praça do Ancião, passou a denominar-se “PRAÇA DEPUTADO ABÍLIO WOLNEY”, exatamente em frente à casa do antigo líder político EDENVAL CAIADO, cuja família, através da instrumentalidade do então Deputado Brasil Ramos Caiado, foi um dos pivores da "BRIGA DO DURO", no governo do Desembargador João Alves de Castro e também no governo de Joaquim Rufino Ramos Jubé, que se estendeu de 21.12.1918 a 24.04.1919, relembrando-se que a CHACINA ocorreu no dia 16.01.1919. No dia 24.04.1919, o Desembargador João Alves de Castro retornou ao governo, permanecendo até 06.06.1921.

Para a dita homenagem, o autor destas notas teve participação especial, por ter sido o primeiro a divulgar em livro a informação de que o nome ANÁPOLIS foi uma sugestão do então Deputado Abílio Wolney, repassada a Moisés Santana, conforme os anais do jornal “LAVOURA & COMÉRCIO”, de Uberaba, Minas Gerais. Um de seus parentes mais ilustres é o hoje Juiz de Direito Dr. Abílio Wolney Aires Neto, da Comarca de Anápolis, em Goiás, que tem escrito vários livros sobre o Coronel Abílio, entre os quais, "O DURO E A INTERVENÇÃO FEDERAL"(2004).

Quanto a Abílio Wolney, é verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=mariorm .



Mário Ribeiro Martins
é escritor e Procurador de Justiça.
(mariormartins@hotmail.com)
Home Page:www.genetic.com.br/~mario.
Fones:(063)2154496. Celular:(063) 99779311.
CaixaPostal,90,Palmas,
Tocantins,77001-970.





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