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Crônicas-->Vaidade -- 09/08/2019 - 18:23 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Clarice estava casada com Agenor havia cinco anos. Assim como no começo, haviam dificuldades com as quais o casal havia de lidar, mas o esforço conjunto dos dois sempre fez com que conseguissem superá-las. Trabalhadores como são, sabiam que as coisas não seriam fáceis e que a vida lhes traria todo tipo de dificuldade possível, então nenhum desafio diário era uma surpresa para os dois. Havia um clima de romance levemente abafado pelo fato de que ambos embarcaram na vida laboral desde cedo, vindo a conhecer-se, inclusive, no ambiente de trabalho, quando ambos trabalhavam em um mercado e ele fazia o curso técnico de mecânica. Ele era estoquista, ela era caixa. Não demorou muito e estavam fazendo planos para estreitar a união, pois a compatibilidade e a vontade de subirem na vida dos dois gerava uma sintonia praticamente impossível de ser quebrada e que era constantemente demonstrada no esforço conjunto dos dois, bem como no que se via quando estavam juntos. O sexo era ótimo e ela não tinha como reclamar de não estar sendo amada, como já era de se esperar de dois jovens que não vivem um sem o outro.

Depois de se relacionarem por dois anos resolveram, aos dezoito anos de idade, finalmente morar juntos. O aluguel não era dos mais baratos, motivo pelo qual se juntaram a mais um ou dois amigos para custear as despesas de casa. O diálogo e os acordos tornaram possível que a privacidade de todos fosse respeitada e, com exceção daqueles atritos típicos de pessoas que moram juntos, tudo corria bem e os churrascos de final de semana eram sempre animados e rodeados de amigos que dividiam tanto as alegrias como as tristezas. Alguns laços de amizade se estreitavam, outros acabavam por não evoluir, separados por uma ou outra consequência do dia a dia, mas os momentos felizes eram sempre maioria, fosse porque não havia tempo para se ficar parado procurando por falhas devido à rotina, fosse simplesmente por estas falhas não existirem.

O tempo passou. A rotina do trabalho e do casamento, como já era de se esperar, dominaram a vida dos dois. O que era excitante no sexo acabou se tornando enfadonho, pois o prazer virou obrigação. Agenor tinha agora emprego num centro automotivo e ganhava mais que o que fazia no supermercado, o que já fazia com que cogitasse sair do aluguel em algum tempo, provavelmente depois de concluir a faculdade que faz à noite e arrumar um emprego melhor. O marido chega à noite em casa cansado da rotina de estudos e trabalho, mas a esposa, mesmo cansada do serviço, cuida para que seu jantar esteja em ordem e ele se mantenha alimentado, contando ainda com boas noites de sono.

Entretanto, como não poderia deixar de ser, com a mente frequentemente ocupada ou não, algo não pode deixar de vir à tona. O amor do companheiro era mais que notório, mas o sexo menos frequente e de qualidade em queda não demoraram a pesar, de maneira que ela começasse a se perguntar não se ele havia arrumado uma amante, mas, sim, se ela ainda seria interessante o bastante depois dos anos de união. Por algum motivo sentia sua vaidade se corroendo, por mais que não notasse nada caindo ou qualquer coisa que pudesse indicar que ela estivesse se tornando menos interessante aos olhares dos homens. Seja como for, chegou à conclusão de que precisaria fazer algo sobre o assunto e que sua autoestima precisava voltar a se elevar.

Uma vez por semana tinha uma folga do mercado. A despeito de um ou outro galanteio de alguns clientes não conseguia realmente se sentir como se tudo estivesse como gostaria, pois muitos não só eram vagabundos sem noção como também idosos que não conseguiriam nada mesmo com mulheres dez vezes menos atraentes que ela. Vestiu, então, suas roupas de academia e decidiu passar em frente a um prédio que estava em construção na avenida a duas quadras do mercado. O resultado não podia ser mais favorável, uma vez que os peões de obra não apenas interrompiam o trabalho para observá-la como lançavam palavras de cunho sexual, muitas vezes de baixo calão, elevando o nível de vaidade da mulher a um nível altíssimo, uma vez que muitos eram jovens e de corpos bem formados, a despeito de estarem suados e sujos pelo serviço braçal. No fundo, isso a excitava ainda mais, embora disfarçasse, especialmente quando se tratava de um dos pedreiros em especial, que chamou sua atenção mais que os demais e que acabou lhe despertando um desejo com o qual ela não contava. Com o passar dos dias, começaram a se falar todas as vezes em que ela passava pela obra e logo foram se aproximando mais, a ponto de trocarem números de telefone e começarem a se falar por redes sociais quando ela não estava passando pela construção.

Trocaram fotos. O homem mostrava um porte definido, atlético, e ela já sabia que era alto e de um sorriso cativante, além de saber conversar com uma mulher. Após ter lhe mostrado um pouco mais de si o peão de obra lhe disse que ela não havia visto o melhor ainda, o que atiçou a curiosidade de Clarice sobre o dote do homem e também se ele teria com ela um desempenho que a faria se sentir viva novamente, que a faria sentir-se mulher uma vez mais, desejada por um macho viril, potente e que lhe fizesse mostrar que veio ao mundo para se realizar. Pura vaidade, sabia disso tanto quanto tinha certeza que ainda amava o marido, de quem escondia de toda maneira os diálogos com o desconhecido. Não lhe faltava oportunidade de conversar com o pedreiro, uma vez que Agenor trabalhava durante o dia e estudava à noite e, quando não pôde mais resistir, decidiu que já era hora de descobrir se aquele homem rústico e primitivo iria fazer com que ela se sentisse que ainda é capaz de deixar um homem de verdade louco por ela.

Finalmente, cedendo, marcaram o dia. Seria uma ocasião em que ambos estariam de folga. Havia um motel próximo à construção. Três horas seriam suficientes, quatro talvez, dependendo de como o homem se saísse. Havia algum nervosismo ainda, mas, seja como for, o que o marido não souber não vai lhe causar dor alguma... e Clarice ainda o amava, de forma incondicional, independente da conclusão a que aquele encontro a levasse. 

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