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Crônicas-->Paz de espírito -- 29/06/2019 - 16:11 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

 

Lídia havia sido dominada por uma paz de espirito descomunal. Nada a incomodava e seu corpo, mais relaxado do que nunca, repousava sob aquele lençol que cobria seu corpo e seu rosto. Todos os problemas pareciam cada vez mais lembranças ruins que logo seriam apagadas e só o que lhe restava era a confirmação de que estava finalmente fora do alcance de qualquer sofrimento anteriormente causado.

O sentimento de paz não é entediante ou lhe passa algum entendimento de que vá ser um dia. A busca pela felicidade finalmente cessou, ela não precisará mais caçar algo que a traga alegria como um viciado precisa da droga para saciar seu corpo. Ela nunca se deu conta de que as coisas que lhe faziam feliz precisavam ser nutridas, cuidadas, ao passo que a apatia, o tédio e a própria tristeza, evolução natural delas, surgiam por si só e pareciam ser autossuficientes quase como se fossem braços naturais da vida, considerada a maior de todas as dádivas. Era como se estivesse numa corrida interminável e ser feliz em dados momentos representasse um momento de fôlego temporário durante uma maratona infernal, à qual ela logo teria que voltar.

Os amigos também não deixam saudade. O que eram, afinal, senão os que a procuravam quando não havia qualquer outra alternativa, quando não surgia algo melhor para se fazer? As frases de efeito, as falsas promessas, chegaram a um ponto de terem se tornado mais um incômodo, um tormento, um flagelo que uma esperança real, que, aos poucos, também estava revelando ser nada mais que a concubina do desespero, aquela que se entrega a ele sem qualquer pudor e cuida para que ele aja, invisível, e, qual doença assintomática, termine por causar estragos ainda maiores, só sendo detectado e finalmente aceito quando já é tarde demais.

Ao seu redor não há anjos ou demônios, ou qualquer sinal de um trono à cuja direita ela deveria se sentar. Apenas algo que parece ser uma paisagem reconfortante, que oferece um repouso que ela jamais conheceu. Houve uma fase em que concluiu que só estavam querendo enganá-la, quando percebeu que Deus não poderia ser perfeito quando se arrependeu de ter criado a humanidade para destruí-la através das águas. Ora, arrependimento pressupõe erro e onde está a perfeição em quem erra? Ficou mais que notório que algumas pessoas precisavam manter o ser humano nas rédeas para evitar que o mundo se autodestruísse e que o temor gerado pela igreja sempre teve como único propósito manter a humanidade na linha. Assim sendo ela decidiu viver a vida, entregando-se ao que mais amava, na medida do possível, embora o sentimento de que passaram a vida a enganá-la realmente a tenha levado a questionar a existência e perceber todo o seu absurdo, uma vez que ela mais parecia obra de alguém que, num momento de tédio ou apatia, decidiu cria-la para que pudesse, através da tortura, compensar o vazio de sua própria alma.

Decidida a abandonar esses pensamentos, ela se põe a caminhar, decidida a explorar o vale onde se encontra agora, que mais parece uma extensão da paz que encontrou. À medida que se afasta conhecidos, parentes e amigos choram a despedida e seu corpo é vagarosamente conduzido ao repouso sob a terra. 

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