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Crônicas-->O divórcio -- 13/06/2019 - 21:30 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Andreas havia finalmente chegado a uma decisão. Foram vinte e dois anos de relacionamento com a esposa cheios de altos e baixos, sem que houvesse, ao menos de acordo com seu conhecimento, qualquer tipo de infidelidade por parte dela. Ele é servidor público e possui um salário razoavelmente bom, que lhe permitiu juntar economias que o levarão a ter uma aposentadoria tranquila. Juliana, a esposa, é advogada e ganha razoavelmente melhor que o marido, razão pela qual teve pouca dificuldade em adquirir patrimônio como o apartamento onde os dois moram, no Tatuapé, e um apartamento no Guarujá. O clima de romantismo entre os dois não era mais o mesmo, chegou um tempo em que o racional superou o emocional e ambos entraram num acordo, convivendo pacificamente no mesmo território, que é o amor dos dois. Dividiam as tarefas domésticas, os amigos frequentavam sua casa e os churrascos eram movidos a carne boa, cerveja puro malte, dominó e baralho. Em resumo, não havia do que se queixar.

Mas, enquanto está no bar, tomando sua cerveja e saboreando um petisco, ele começa a pensar no que o levou a repensar a relação e, finalmente, optar pelo divórcio. Tudo mudou muito desde que se casou e ele se pergunta se não corre algum risco continuando comprometido como está, ainda mais considerando tratar-se de uma mulher conhecedora da lei. Mulheres se tornaram seres quase que inimputáveis, bastando uma palavra jogada no ventilador para que um homem íntegro que despertou nelas algum sentimento de raiva se transforme num agressor, num estuprador, ou no pior dos criminosos. Não bastasse apenas o fato de se ser branco, trabalhador e pagador de impostos, na sociedade atual, transformar você em um opressor por natureza, agora um excesso de poder pode transformar quem dorme ao seu lado no pior dos problemas. Embora ele admita que é quando alguém tem o poder nas mãos que realmente se sabe com quem se está lidando, não está disposto a correr o risco de, um dia, no calor de uma discussão, acabe indo parar numa cela não pelo que fez, mas pelo que foi dito que fez. Mulheres vivem da emoção, isso faz com que não sejam totalmente confiáveis, pensa ele.

Não vai falar em manter a amizade, tampouco deixar seu novo endereço. Pretende utilizar suas economias, guardadas em uma poupança em segredo da esposa, como um possível seguro para futuras inconveniências, para comprar uma boa casa no interior, com piscina, churrasqueira, garagem para a caminhonete que pretende adquirir e próxima da represa, que lhe permitirá bastante contato com a natureza. De resto deixará tudo para a mulher, como demonstração de boa fé e modo também de evitar futuros inconvenientes. Pretende começar do zero, mesmo porque tem como fazer isso. Não será refém do futuro e de quaisquer possibilidades decorrentes de um temperamento feminino descontrolado. Pensar nisso o deixa tranquilo, enquanto ele pensa em sua aposentadoria, daqui cinco anos, quando estará em seu novo lar, saboreando sua cerveja e descansando sobre a rede, os grilos cantando e as estrelas brilhando no céu, como nunca se viu na cidade grande. A imagem vem à sua mente acompanhado de mais um gole do líquido gelado no copo, e Andreas, mais uma vez, pensa em como pode ser bom estar vivo. 

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