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Crônicas-->Matador de aluguel -- 13/06/2019 - 21:18 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

Ele guarda seu carro no estacionamento logo em frente ao prédio onde mora atualmente. O tornozelo direito agradece por ter finalmente poder parar de acelerar, uma vez que seu dono finalmente vai ficar em pé e, ainda que a duras penas, irá caminhar até seu apartamento e usufruir de algumas horas de repouso antes de, dependendo de como as coisas andarem, ter que pegar a estrada novamente, seja para voltar logo ou nunca mais regressar.

Ao passar pelo porteiro ele os dois se cumprimentam de forma tão discreta quanto fazem ocasionalmente. Sem fazer amizade, sem muita conversa, apenas educação o bastante para que ele não se transforme no objeto de ódio de alguém e possa manter uma vida discreta o bastante para não chamar a atenção de quem está à sua volta, uma vez que manter-se o mais invisível possível é importante em sua profissão. Ele manca até o elevador, quase agradecendo por finalmente chegar até lá. Um descuido cometido durante seu último trabalho, ele admite, que por pouco não custou sua vida. Agradece o treinamento que recebeu e também o fato de seu adversário ter sido vagaroso o bastante para não tirar proveito da situação.

Seja como for, o trabalho foi feito. Seu alvo foi eliminado e, consequentemente, todos que estavam juntos a ele. Ossos do ofício, não há como negar. Ele bem que gostaria de poder cuidar para que o mínimo de vidas se perdessem, mas ser um matador de aluguel muitas vezes não dá margem para pudores ou respeito a determinados códigos de ética. Não é possível ser refém de sentimentalismos e arrependimentos, ele é contratado para um determinado serviço e tem de realiza-lo. Se puder fazer isso com o mínimo de perdas, ótimo. Senão...

Ao tirar a roupa ele se deita no colchão de casal e a dor aguda no tornozelo ainda o incomoda. Seja como for, não é a primeira vez que este tipo de acidente o atrapalha, já conhecia seu próprio corpo e sabe que pela manhã estará bem. A brisa dos dias de uma primavera que parece ansiar pelo verão entra pela janela e ele se surpreende sentindo uma saudade grande, quase palpável, porém fácil de controlar, de momentos do passado, alguns planejados e outros vividos, coisas que ficaram para trás, uma vez que não poderia deixar que seu trabalho fosse comprometido por elas. Relacionamentos, independentemente de sua natureza, bens materiais, não podia se deixar transformar em um refém dessas coisas, bem como manter raízes em uma casa do qual poderia ter de se livrar em determinados momentos. Sua vida é pura reação, uma fuga quase que constante, qualquer âncora que mantivesse seus pés acorrentados, não importando o quão leve fosse, poderia acabar sendo a causa de sua morte ou deixa-lo indefeso e à mercê de seus inimigos, algo que ele não poderia permitir. Buscava alimentar-se bem, consumindo coisas fáceis de serem obtidas e tão nutritivas quanto possível, mantinha-se em forma fazendo uso de seu próprio corpo ou materiais que pudessem ser facilmente improvisados, jamais se tornando dependente do que quer que fosse. Assim era sua vida, sempre pronto para a fuga, para um novo trabalho e para uma reação à altura do ataque de algum inimigo. Em seu nome, somente o carro. A kitnet é alugada e nada mais seria que um local onde encontraria repouso e do qual ele se desfaria sem qualquer risco de deixar para trás algo que lhe faria falta.

O sono não demora a chegar; seu corpo está cansado e o tornozelo ainda dói. Pela manhã ele irá despertar tão cedo quanto puder e procurará exercitar seu corpo, mantendo-se em dia com as habilidades que procurou adquirir e que fizeram dele um nome a ser considerado em sua linha de serviço. Mas, antes, uma mensagem ao último empregador, comprovando que o trabalho foi concluído. Em seguida, o celular é desligado. 

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