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Crônicas-->Esposa errante -- 13/06/2019 - 21:12 (Lorde Kalidus) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

 

A semana estava novamente acabando. Para a grande maioria isso significava descanso, sossego, uma chance de se dedicarem a si mesmos por dois dias, quando estariam finalmente longe do trabalho. Agenor, no entanto, não partilhava totalmente desse sentimento. Ele sabe o que a chegada da sexta significa e, na sala, assistindo ao noticiário, ele agoniza e sente algo além do calor da noite fazê-lo suar além do que deveria enquanto ouve o chuveiro e se lembra que Marlene se prepara para sair.

Casaram-se há dois anos. Ele a conheceu em uma grande livraria na Paulista quando procurava por um de seus livros favoritos e ela buscava algo para terminar um trabalho de faculdade. O primeiro ato de generosidade dele foi pagar pelo livro caríssimo que a professora da faculdade de Letras havia pedido e, da loja, foram para um restaurante na Santos para jantar. Trocaram números de telefone, e, apesar de mal terem se conhecido, ficou mais do que evidente não apenas o fascínio incondicional dele por ela como também a forma como ela não hesitava em ser a parte dominante da relação devido a essa vantagem. Agenor é engenheiro e ganhava um bom dinheiro com seu trabalho, razão pela qual ela, de forma quase que despudorada, usava e abusava do namorado à medida que o relacionamento evoluía, e ele, sem saber dizer não às vontades da mulher, não hesita em dar-lhe tudo o que é pedido até hoje. Entretanto, era um homem de físico normal, franzino e, talvez devido ao porte físico e juntado à criação que teve, não se mostrou capacitado o suficiente para satisfazê-la. Foi quando ela decidiu que deveria conversar com ele sobre o assunto e deixou clara sua adoração, quase vício por sexo e que, acima de tudo, era fascinada por homens de porte físico privilegiado e bem dotados, exatamente o oposto do namorado. Deixou claro que gostava de Agenor, apesar desta deficiência, mas que ele precisaria entender que ele não supria as necessidades dela e que, em face disso, ela precisaria de outros parceiros com frequência. Pensando que o prejuízo de ceder a seu orgulho masculino seria pior que o de permitir que a namorada se realizasse fisicamente, decidiu aceitar, ainda que a contragosto, que ela se encontrasse com outros homens ocasionalmente, o que passou a gerar as constantes saídas de sexta à noite, muitas vezes aos sábados e, dependendo da ocasião que surgisse, algumas ocorrências durante a semana.

Depois de um ano de namoro ele a pediu em casamento, uma vez que não conseguia mantê-la longe de si e queria que morassem juntos, pra não falar que isso talvez a afastasse de suas andanças e da caça pelos membros de outros homens. A cerimônia foi cara, ela estava linda no vestido de noiva e a festa contou com a presença de muitos amigos. Entretanto, durante o jantar, Agenor podia notar uma estranha dificuldade da esposa ao sentar-se e, horas depois, no quarto, percebeu a marca de uma mão em uma de suas nádegas. Uma marca fresca, que lhe indicava que, pouco antes do casamento, outro homem esteve com ela. Não comentou nada para não irritar a esposa, mas sempre desconfiou do motorista da limusine.

Como se as lembranças entrassem em sua mente sem pedir licença, ele se lembra ainda de uma ocasião em que chegou mais cedo em casa e, sem se anunciar, entrou. Ouviu gemidos altos e escandalosos vindos do quarto, associados aos rangidos da cama, que indicavam uma movimentação frenética ocorrendo sobre ela. Contendo-se e aproximando-se devagar do quarto, lá estava Marlene, com um homem negro e forte entre as pernas, que ela puxava de encontro a si e que Agenor não tardou a reconhecer como o zelador do prédio. A esposa dizia as maiores obscenidades enquanto o homem a invadia e ele se retirou, indo até a padaria, pedindo um pão com manteiga e café, buscando demorar o máximo de tempo possível para voltar para casa.

A partir daquilo ele percebeu que a mulher sempre seria mais dos outros do que dele e que ele estaria eternamente submisso aos desejos dela, um verdadeiro refém de sua própria necessidade de estar com aquela mulher não importando o quão humilhante isso viesse a ser. Como não poderia deixar de ser, acabou virando alvo de olhares diferenciados e de comentários em voz baixa feitos quando passava, pra não falar deste ou daquele comentário de uma vizinha ou da outra a respeito da esposa, que ele ignorava. Evitava chegar mais cedo do trabalho, uma vez que sabia que poderia novamente encontrar o zelador com Marlene na cama onde ele dormia e passava os dias se perguntando se mais alguém no bairro ou mesmo no prédio estaria usufruindo de seus favores. Ele já foi obrigado a viajar a trabalho, quantos teriam passado por seu apartamento enquanto esteve fora?

E, agora, lá estava ele, sentado no sofá, vendo televisão, enquanto a esposa, já saindo do banho, se arrumava para sair. Barulhos de gavetas e armários se abrindo, perfume e, algum tempo depois, lá está ela, com seu vestido preto curto, sapatos de salto alto e estendendo a mão para o marido, que já sabe o que o gesto significa. Ele retira R$500,00 do bolso, já contados, e entrega a Marlene, lembrando-se que não poderia contar o dinheiro na frente da mulher ou ela simplesmente pegaria o maço, se despediria e sairia pela porta. Pegando o dinheiro, ela pisca e manda um beijo de longe para o marido, que lança um sorriso amarelo sem olhar para ela, lembrando-se que ela só o beijará mais tarde, quando voltar para casa com a boca recheada pelo sabor dos membros de outro ou outros homens. Já presenciou ocasiões em que a mulher chegava em casa dolorida, com as nádegas roxas, visivelmente alargada e com o esperma dos parceiros recentes ainda escorrendo de dentro de si, o que ele podia ver claramente quando ela chegava em casa e, sem dizer uma palavra, deitava-se na cama e dormia, exausta pela noite de orgia, ou, simplesmente, mandava que Agenor lhe fizesse um sexo oral, de forma que o marido traído sentisse o gosto da intimidade dela entregue voluntariamente a outros homens.

Agora, lá estava ela, saindo de casa, pronta e desejosa para curtir a sexta à noite. Agenor fecha os olhos e rói as unhas, perguntando-se como a noite irá terminar... E como Marlene voltará para casa depois de mais uma noite fora. E quando será o dia em que ela simplesmente se cansará de brincar de mulher casada e decidir, simplesmente, que não precisa voltar mais. 

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